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quarta-feira, 20 de março de 2013

Lover's eyes

Gostava de escrever uma ode
Daquelas que não é qualquer um que pode
Daquelas românticas e solitárias
Com muitas estrofes, e semânticas, e figuras de estilo otárias
Daquelas que não significam nada
Mas que resumem quase tudo
Que até pudessem dar uma chapada
Mesmo que não fosse Entrudo
Uma ode para quando chove
Outra ode para quando fosse Verão
Uma ode para quem já não se move
E uma outra para quem quer encontrar a razão
Uma ode à escolha do freguês
Seja ele pobre, classe média, ou até mesmo burguês
Uma ode em todas as línguas
Que terminasse com todas as mínguas
Que acreditasse que mesmo sem lua
Fosse possível viver lá com a cabeça
Mesmo que já nada estremeça
Mesmo que depois esmoreça, se esqueça...e por fim se desvaneça

sábado, 9 de março de 2013

Banda Sonora

É Sábado de manhã. Chove copiosamente na rua. Ao mesmo tempo, um homem que dormia ergue abruptamente o tronco, sobressaltado, olhando de imediato para a esquerda.
Está escuro aqui. É Sábado! Hoje ela não tem que ir embora, eu também não tenho que me ir embora, não há pressa nenhuma hoje!
Vou abrir os estores...Não. Vou só abrir uma greta, ela não gosta de muita claridade e ainda está a dormir tão bem...Gosto tanto de a ver dormir...Um dia tenho de lhe dizer o quanto gosto de a ver dormir...Vou acorda-la para fazermos amor. Também tenho um dia de lhe dizer o quanto gosto de fazer amor com ela de manhã, de sentir as costas quentes e a pela morena dela contra o meu peito, de ver as veias das mãos dela a latejar agarradas ao rendilhado da madeira da cabeceira da cama enquanto geme muito baixinho...Vou acorda-la...Não. Vou lavar os dentes primeiro...Não. Vou fazer o pequeno-almoço para lhe fazer uma surpresa. Vou preparar-lhe tostas com queijo creme, salmão fumado e morangos, e um sumo de laranja...Não. Faço antes aqueles folhados com queijo de cabra e doce de abóbora de que ela gosta tanto...Não. Vou fazer torradas, ela gosta muito de torradas de manhã...Depois podemos ir almoçar aquele restaurante onde o Pai dela costumava ir quando tinha almoços de negócios...Não. Hoje temos tempo, podemos ir à Ericeira, ou a Setúbal, ou ao Alentejo, sim, aquele restaurante de que gostamos à brava, e a seguir vamos ver o mar...Ela está sempre a dizer que eu nunca decido nada, mas fui eu que lhe dei a conhecer os restaurantes que gostamos tanto de ir...Também...o que é que interessa quem é que decide o quê, eu quero é estar com ela...Vou acorda-la...Não. Vou fazer o pequeno-almoço...

- MÃE! MÃAAAAAAAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEEEEEEEE! ANDA CÁ DEPRESSA...AQUELE HOMEM VELHO E PORCO QUE VIVE NA RUA INVADIU OUTRA VEZ A NOSSA CASA E ESTÁ TODO MOLHADO NO MEU QUARTO A BRINCAR COM A MINHA CASINHA DE BONECAS...MÃE! MÃAAAAAAAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEEEEEEEE! DEPRESSA...