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segunda-feira, 20 de maio de 2013

A racionalização do falo quando tudo se cala

Algures lá pelo bairro alto
À porta de um bar qualquer
Uma sombra no basalto
A chegada de uma mulher

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

Ergui languidamente a cabeça
Para ver quem se aproximava
Uma mulher coberta com uma peça
Que com o luar acobreava

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

Trazia doçura nos olhos
Lascívia no andar
Essência de entrefolhos
Vernáculo no linguajar

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

As mãos dançavam pelo corpo
À medida que se deslocava
Deu um trago no meu copo absorto
Para ver se se refrescava

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

Continuou então a dançar
Enquanto o corpo falava comigo
Sem para mais ninguém olhar
Nem mesmo para o seu umbigo

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

Com um subtil movimento
Rapidamente compreendi
Aquilo que o corpo me dizia
Afinal não era para mim

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

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