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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Whispers in the dark

Hoje estive a ver nascer o dia a partir da janela de casa. É diferente do bairro onde vivia, este onde vivo agora, mas, não sei porquê, dá-me a impressão que a aurora, numa cidade, sempre enfeitada com gigantes candeeiros irradiando luz pálida, acaba por ser quase sempre igual onde quer que se esteja. As réstias de escuridão do dia que se aproxima, são, invariavelmente, lentamente, inundadas primeiro por um carro que passa, depois outro... Acaba por ter graça a sensação que se tem de que até os carros e os aviões parece que passam com o volume dos seus motores ajustados ao sossego propício da noite, aumentando devagar o som da sua fugaz passagem à medida que o dia começa. Entre o tempo que decorre ante o silêncio ensurdecedor das pedras e fendas dos edifícios opulentamente erguidos em todo o redor, às ténues sombras, que no meio do breu suscitam sempre a imaginação a descobrir e adivinhar o que serão tais formas desenhadas na parede, para rapidamente se transformarem em pequenos e ridículos grafites pintalgados aleatoriamente, corroídos pela erosão, e edificados sabe-se lá com que estado de espírito, reparo que passa primeiro uma mulher de casaco verde, logo a seguir um homem de casaco da cor do dia que agora, subitamente e sem que tenha dado por isso, já reluz cinzento. Ainda é Inverno.

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