• FIM
  • R.I.P

terça-feira, 19 de novembro de 2013

A vida é fundida

A dor, vivida, revivida, e sentida,
Originada pelas acções por ti mantidas,
Rapidamente se converterá em palavras,
Que depois de exaustivamente escritas, repetidas, e pensadas,
Depressa se transformará num minúsculo ponto no éter perdido,
Onde eternamente permanecerá esquecido.
O big bang de sensações de perda terríveis,
Originado por tal dor vilmente oferecida,
Outrora impensáveis, impalpáveis, e inverosímeis,
Brevemente expandir-se-á até que se funda na multidão,
Resumindo-se posteriormente a uma mera combustão
Num infindável universo conhecido,
Tendo, por ventura, ou por piada, um dia sido,
O centro do universo de um mero mortal
Que agora já jaz, igualmente fundido

sábado, 16 de novembro de 2013

Make it not an evil mark

Se todas as pessoas, por tudo e por nada, em todo o lado, a todo o momento, estão a tirar fotos, quem é que depois as vê?

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Heartless

As notícias de corpos, há meses sem vida, encontrados em casa, tem vindo a aumentar à medida que o número de series tipo C.S.I, a passar na televisão, tem aumentado!

Harbour lights

O Edgar, desde moço que tem o sonho de ser maquinista de comboios!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Jogos físicos e psicológicos

- Hummm...sabes, estive a pensar, e há muito tempo que não damos nomes a partes do nosso corpo...

- Eu não gosto quando fazemos isso...

- Oh! Gostas sim, eu sei que gostas...

- Está bem. Mas tem de se pensar muito e não me apetece pensar hoje.

- Eu gosto quando tu pensas muito...Gosto de olhar para ti e ver as tuas veias latejar, como se quisessem rasgar a pele e irrigar o corpo todo...Além disso eu tenho andado a pensar nuns nomes...

- Pronto está bem. Começa tu então.

- A minha mão, o que chamarias à minha mão?

-...errr... ...não sei, só me ocorre caridosa, não sei...

- Gosto de caridosa. Assim podes pedir-me uma caridosa sempre que precisares que eu trate de ti...e o meu pescoço? Que nome dás ao meu pescoço?

- Err..Lóbulo. Assim podia beijar-te o lóbulo e acariciar-te a orelha ao mesmo tempo...

- Hummmm...está melhor já. E eu chamava aos teus lábios aquecedor...não desumidificador. Não, humidificador é o que queria ter dito. Não! Aqueles cremes humidificadores. Hidratantes, eu queria dizer hidratantes, para tratares de mim. Não, esquece. És tu a dizer os nomes hoje... E ao meu sexo? O que chamarias ao meu sexo...

- Feminino! Muito feminino...

- Oh, vá lá...diz lá um nome giro...eu estou a gostar muito disto...

- Foice.

- Foice?!

- Sim, foice. Nós somos de esquerda, o meu é o martelo, o teu é a foice...

- Hmmmmm. Gosto muito...mas sabes, para o teu eu tinha pensado em pérnico e para o meu podias dar o nome de Cesto...

- De vime?

- SIM! És tão esperto. ANDA cá...

- Não, espera, pérnico? O que raio é pérnico?

- Então! Não é óbvio? Dá-me Copérnico...Duh...

- Isso não faz sentido nenhum, pérnico não existe! Copérnico podia ser, sei lá, o teu rabo... Vez por que é que eu não gosto desta cena dos nomes...

- Gostas sim, eu sei que gostas...ANDA cá...

- Não. Espera. Achas que faz sentido alguém me perguntar "ainda estás aí?" ao telefone, depois de saber que eu ia num comboio em movimento? É que apesar de eu estar sentado, eu estava em movimento, como tal estás aí para mim não faz sentido, percebes?

- Chega de palavras...e de pensar...eu sou Tróia e tu és um cavalo hoje...

- Não, se tu fores Tróia, eu sou península.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A racionalização do falo quando tudo se cala

Algures lá pelo bairro alto
À porta de um bar qualquer
Uma sombra no basalto
A chegada de uma mulher

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

Ergui languidamente a cabeça
Para ver quem se aproximava
Uma mulher coberta com uma peça
Que com o luar acobreava

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

Trazia doçura nos olhos
Lascívia no andar
Essência de entrefolhos
Vernáculo no linguajar

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

As mãos dançavam pelo corpo
À medida que se deslocava
Deu um trago no meu copo absorto
Para ver se se refrescava

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

Continuou então a dançar
Enquanto o corpo falava comigo
Sem para mais ninguém olhar
Nem mesmo para o seu umbigo

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

Com um subtil movimento
Rapidamente compreendi
Aquilo que o corpo me dizia
Afinal não era para mim

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Happiness is easy

- ...A sério! Aposto que fez de propósito...Agora a propósito de falar em propósito, ou nem de propósito (barrigada de riso)! Não sei a que propósito disse isto agora...Mas...Ah! Já me lembro, foi a propósito disso que...

- Foda-se! Já te calavas. Não?

quarta-feira, 20 de março de 2013

Lover's eyes

Gostava de escrever uma ode
Daquelas que não é qualquer um que pode
Daquelas românticas e solitárias
Com muitas estrofes, e semânticas, e figuras de estilo otárias
Daquelas que não significam nada
Mas que resumem quase tudo
Que até pudessem dar uma chapada
Mesmo que não fosse Entrudo
Uma ode para quando chove
Outra ode para quando fosse Verão
Uma ode para quem já não se move
E uma outra para quem quer encontrar a razão
Uma ode à escolha do freguês
Seja ele pobre, classe média, ou até mesmo burguês
Uma ode em todas as línguas
Que terminasse com todas as mínguas
Que acreditasse que mesmo sem lua
Fosse possível viver lá com a cabeça
Mesmo que já nada estremeça
Mesmo que depois esmoreça, se esqueça...e por fim se desvaneça

sábado, 9 de março de 2013

Banda Sonora

É Sábado de manhã. Chove copiosamente na rua. Ao mesmo tempo, um homem que dormia ergue abruptamente o tronco, sobressaltado, olhando de imediato para a esquerda.
Está escuro aqui. É Sábado! Hoje ela não tem que ir embora, eu também não tenho que me ir embora, não há pressa nenhuma hoje!
Vou abrir os estores...Não. Vou só abrir uma greta, ela não gosta de muita claridade e ainda está a dormir tão bem...Gosto tanto de a ver dormir...Um dia tenho de lhe dizer o quanto gosto de a ver dormir...Vou acorda-la para fazermos amor. Também tenho um dia de lhe dizer o quanto gosto de fazer amor com ela de manhã, de sentir as costas quentes e a pela morena dela contra o meu peito, de ver as veias das mãos dela a latejar agarradas ao rendilhado da madeira da cabeceira da cama enquanto geme muito baixinho...Vou acorda-la...Não. Vou lavar os dentes primeiro...Não. Vou fazer o pequeno-almoço para lhe fazer uma surpresa. Vou preparar-lhe tostas com queijo creme, salmão fumado e morangos, e um sumo de laranja...Não. Faço antes aqueles folhados com queijo de cabra e doce de abóbora de que ela gosta tanto...Não. Vou fazer torradas, ela gosta muito de torradas de manhã...Depois podemos ir almoçar aquele restaurante onde o Pai dela costumava ir quando tinha almoços de negócios...Não. Hoje temos tempo, podemos ir à Ericeira, ou a Setúbal, ou ao Alentejo, sim, aquele restaurante de que gostamos à brava, e a seguir vamos ver o mar...Ela está sempre a dizer que eu nunca decido nada, mas fui eu que lhe dei a conhecer os restaurantes que gostamos tanto de ir...Também...o que é que interessa quem é que decide o quê, eu quero é estar com ela...Vou acorda-la...Não. Vou fazer o pequeno-almoço...

- MÃE! MÃAAAAAAAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEEEEEEEE! ANDA CÁ DEPRESSA...AQUELE HOMEM VELHO E PORCO QUE VIVE NA RUA INVADIU OUTRA VEZ A NOSSA CASA E ESTÁ TODO MOLHADO NO MEU QUARTO A BRINCAR COM A MINHA CASINHA DE BONECAS...MÃE! MÃAAAAAAAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEEEEEEEE! DEPRESSA...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Whispers in the dark

Hoje estive a ver nascer o dia a partir da janela de casa. É diferente do bairro onde vivia, este onde vivo agora, mas, não sei porquê, dá-me a impressão que a aurora, numa cidade, sempre enfeitada com gigantes candeeiros irradiando luz pálida, acaba por ser quase sempre igual onde quer que se esteja. As réstias de escuridão do dia que se aproxima, são, invariavelmente, lentamente, inundadas primeiro por um carro que passa, depois outro... Acaba por ter graça a sensação que se tem de que até os carros e os aviões parece que passam com o volume dos seus motores ajustados ao sossego propício da noite, aumentando devagar o som da sua fugaz passagem à medida que o dia começa. Entre o tempo que decorre ante o silêncio ensurdecedor das pedras e fendas dos edifícios opulentamente erguidos em todo o redor, às ténues sombras, que no meio do breu suscitam sempre a imaginação a descobrir e adivinhar o que serão tais formas desenhadas na parede, para rapidamente se transformarem em pequenos e ridículos grafites pintalgados aleatoriamente, corroídos pela erosão, e edificados sabe-se lá com que estado de espírito, reparo que passa primeiro uma mulher de casaco verde, logo a seguir um homem de casaco da cor do dia que agora, subitamente e sem que tenha dado por isso, já reluz cinzento. Ainda é Inverno.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Banda sonora

- Eh pá...Essa não é fácil...Hummm...deixa cá ver...Diz-me lá outra vez o que é que ela lhe disse ao fim de quatro anos e tal de eles estarem juntos?

- Só contei comigo sempre, qual é o problema?

- Hummm, e o desafio agora é arranjar uma música para o gajo lhe dizer a ela, através da música, que ela está completamente errada em tudo...Ok, já sei, aquela daqueles putos Ingleses, a little lion man...

- Oh! Essa não dá, ele diz sempre "my man" qualquer coisa, não pode ser, tem que que ser uma música em que ele fale com ela...

- Por que não? Se ele diz "my man" qualquer coisa, é perfeito. Apesar de eles já não se falarem, é como se ela, agora sozinha, de repente, a falar com ela mesmo, se apercebesse do que tinha feito...Mas sim, o "my man" fica sempre mal... Ou então por que é que não terminas a história dizendo que ao fim de quatro anos e tal ele descobriu que afinal ela nunca existiu e que ele apenas teve uma relação com o ar que andava a respirar?... Yá, granda história meu! Não, não uses o que eu te acabei de dizer, deixa, usa antes o teu final...Acabei de ter uma visão! Uma alta história que vou escrever com um final assim...E aplica-se a a little lion man e tudo!... Às vezes tenho mesmo a certeza que sou um génio...

- Nem sei por que é que insisto em pedir-te alguma opinião ou conselho...

Mumford & sons - Little lion man



Weep for yourself, my man,
You'll never be what is in your heart
Weep Little Lion Man,
You're not as brave as you were at the start
Rate yourself and rake yourself,
Take all the courage you have left
Wasted on fixing all the problems
That you made in your own head

But it was not your fault but mine
And it was your heart on the line
I really fucked it up this time
Didn't I, my dear?
Didn't I, my...

Tremble for yourself, my man,
You know that you have seen this all before
Tremble Little Lion Man,
You'll never settle any of your scores
Your grace is wasted in your face,
Your boldness stands alone among the wreck
Now learn from your mother or else spend your days Biting your own neck

sábado, 16 de fevereiro de 2013

There must be an angel

Ontem vi um concerto em que ao mesmo tempo que uma mulher francesa tocava acordeão sentada, um homem, de pé, tocava harmonica. À medida que o som invadia a sala, se fechassemos os olhos, era tal e qual o Stevie Wonder.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Running to stand still

Desde que comecei a trabalhar o dia todo sentado em frente a um computador passei a ter electricidade estatica.