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quinta-feira, 8 de março de 2012

Jogos físicos e psicológicos

- Ora bom dia.

- ... ... Bom dia.

- ... ... ...

- ... ... ...

- Então? E o Barcelona ontem? Hein? Não há quem bata aquela equipa...

- Não vi o jogo, estive antes a ver o jogo do Apoel...

- Ah sim? Boa! Eu de vez em quando mudava para ver o resultado. Deve ter sido granda joga...

- Eu não prestei atenção nenhuma ao jogo. Nem sequer sei quem ganhou. Estava a fazer zapping, e por acaso, quando passei no canal em que o jogo estava a dar, estava a passar imagens do público, e fiquei ali, embasbacado, a tentar perceber o que estavam a dizer. Não sei porquê, achei fascinante o facto de eu estar no meu sofá, sozinho, sem perceber patavina do que aqueles milhares de pessoas vociferavam a plenos pulmões para dentro do campo, enquanto, de certeza, milhões de pessoas que estivessem a ver o jogo, através da TV também, percebiam perfeitamente o que aquelas pessoas estavam a dizer. Enquanto passavam depois as imagens do jogo, divagava em pensamentos. Perdi não sei quanto tempo a tentar, através da leitura dos lábios, perceber se diziam a palavra Apoel. Não percebi uma única vez se disseram ou não, depois aborreci-me com aquilo e mudei de canal...

- Epá! Assim não dá! Não falas sobre o tempo. Não falas sobre futebol, assim não sei sobre o que falar. Sabes perfeitamente que não consigo ir sossegada no elevador...

- Rebenta a bolha! Aborta tudo! Isto não está a resultar nada.

- Então? O que foi?

- Granda joga?! O que é que isso quer dizer? Isto para ti é que é uma situação casual? Achas casual dizer-me que eu sei perfeitamente que não consegues ir sossegada no elevador? E como é que sabes que não falo sobre o tempo se não me conheces?

- Opá! Anda lá, eu nem sei o que é um apoel, pus-me a pensar nisso depois esqueci-me do que tínhamos combinado dizer e improvisei. Casual vês? Falhou só um pormenor...

- Um pormenor que estraga tudo! Deixa, automaticamente, de ser uma coisa casual. Corta a cena toda! Eu disse-te que isto não ia resultar... ...E sempre quero ver como é que vamos depois conseguir sair daqui. Sempre estou para ver...

- Se não fosses maniento, nada disto estaria a suceder. Qual é que é o problema de me possuíres dentro de um elevador? Por que é que tem de ser uma cena casual? Por que é que...

- Eh! Para lá! Antes de mais, não tentes seduzir-me ou excitar-me ao usares a palavra possuíres, só porque sabes que fico doido ouvir-te dizer isso. Depois, tu sabes perfeitamente que nós conversamos sobre isto! Sabes perfeitamente que estas coisas em sítios públicos a mim me afligem bastante. Convenceste-me, não sei bem ainda como, que com uma situação casual e tal e não sei mais o quê, depois beijaste-me a orelha e pronto, aqui estamos nós! E como é que nós vamos sair daqui diz-me lá? Vamos até ao vigésimo e depois? Tens de levar o papel assinado. Eu nem acredito na sorte que tiveste em acertar no nome de alguém que trabalha no vigésimo andar...

- Estás sempre a stressar com tudo! Chegamos lá acima, eu peço a alguém que passe para assinar isto e pronto. Anda lá, possui-me só uma vez, só de pensar nisso fico tão excitada que tenho a certeza que só precisas entrar só uma vez. Anda, só uma vezinha, vá lá...

- E as câmaras do elevador?

- Filmam tudo, e alguém vai bater umas à nossa pala.

- E isso não te incomoda?

- Não.

- Nem um bocadinho?

- Nada.

- Tens a certeza?

- Tenho.

- Pronto. Está bem então. Vamos lá. Chama o elevador...

- Deixa estar. Perdi a vontade agora...

- O QUÊ? Só podes estar a brincar...

- E estava. Queria só ver se eras capaz, mesmo afligindo-te e stressando-te, de fazer isso comigo. Já vi que és. Estou contente e feliz. Anda, agora estou ansiosa que me possuas em casa...

- Só podes estar a brincar...Não vi eu o jogo todo por tua causa...

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