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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Circunlóquio objectivo

À medida que a sombra invadia o poente
A bolha de ar, que o primordial nível ostentava;
Desapareceu de repente, tolhendo todo e qualquer equilíbrio em seu redor
num raio oblíquo de cento e cinquenta metros exactamente
O velho, flutuando ao lado da poltrona, olha agora, freneticamente, para cima e para baixo
Suspirando veementemente à medida que o tempo passa por cima do cocuruto,
e as paredes se habituam a ser chão
Com um esgar feliz, o generoso ápice cedido pela gravidade proporcionou que,
o ambicionado ensejo,
Quantas vezes teria a oportunidade passado?
pudesse ser agora concretizado.
Sem nada mais que pudesse ocupar-lhe a mente
contorceu-se, esticou-se, com o intuito único de agarrar,
e desta vez com as duas mãos
Os Desejos, efémeros, que há muito, e sem saber,
tinha deixado escapar,
e que o acaso, ou o ocaso, tinham agora, inesperadamente,
Dispersado, subtilmente, pelo éter.
Sem qualquer aviso prévio, ou um preâmbulo sequer
Caiu, duro, teso, na terra castanha, húmida, cheia de larvas e vida invisível.
Deram com o seu corpo nove dias depois
Junto a um bidé beije colado em azulejos brancos e pretos
que formavam losangos perfeitos a quem de cima para os mesmos olhava
Consta que tinha sido ali, no centro de um dos rombos,
que um dia havia sido feliz, durante um minuto inteiro.

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