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domingo, 18 de dezembro de 2011

Banda Sonora

Porque triste é o fado, e só as letras, os poemas, os livros, e outros que tais temas, persistem para a posteridade:




fado
(latim fatum, -i, oráculo, previsão, profecia)

s. m.



1. Força superior que se crê controlar todos os acontecimentos. = DESTINO, ESTRELA, FADÁRIO, FORTUNA, SORTE

2. Aquilo que tem de acontecer, independentemente da vontade humana. = PROFECIA, VATICÍNIO

3. [Música] Canção popular portuguesa, geralmente interpretada por um vocalista (fadista), acompanhado por guitarra portuguesa e por guitarra clássica. [Surgido na Lisboa popular do séc. XIX, e progressivamente difundido pelo resto do país, o fado tornou-se um ícone cultural de Portugal. Geralmente lento e triste, sobretudo quando fala de amor e de saudade, o fado também pode ser animado e jovial quando aborda temas sociais ou festivos.]

4. Vida de prostituição.

5. [Portugal: Trás-os-Montes] Pândega, vadiagem.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Banda Sonora

Levanta-se, corre, veste-se à pressa, sai de casa sem comer. Aperta o casaco até cima, enquanto olha para o céu através do vidro da porta do prédio, franze a testa, e faz-se à rua com determinação. Horas antes, à medida que preparava o jantar, bebendo pequenos tragos de vinho tinto enquanto esperava que algo cozinhasse ou ficasse quente, ia trauteando, ao mesmo tempo, a música que passeava por toda a casa proveniente das colunas colocadas na sala. O vapor, proporcionado pelo lume brando que abraçava os tachos e panelas em cima dos bicos de ferro do velho fogão a gás, enfeitava os vidros da cozinha com pequenas bolhas, que lentamente escorriam, desenhando pequenas lágrimas nos vidros das duas janelas viradas para o pequeno monte em frente. O misto de cheiros provenientes do repasto, agora quase pronto, originavam uma acolhedora e confortável sensação de felicidade, apenas perceptível para alguém que, porventura, estivesse, naquele momento, a observar tudo de cima, como se a casa não tivesse tecto e de uma peça de teatro, ou uma cena de um qualquer filme europeu, se tratasse. Preparando-se para colocar os pratos em cima da antiga mesa de madeira que a sua avó lhe tinha oferecido, decide, antes de apagar o lume, pegar na velhinha colher de pau que tinham comprado, anos antes, naquela pequena loja de artesanato ao virar da esquina, e provar o tempero. Assim que tocou com os lábios na colher, a memória de um “amo-te muito” dito dias antes, com a mesma colher na mão, seguido de um enorme sorriso rasgado naquela cara de anjo, perfeita para si, um arrepio percorreu-lhe as costas ao mesmo tempo que o telefone tocou. Sem conseguir perceber porquê, um aperto no coração fez com que se sentasse, sem pensar, na cadeira que tem o encosto empenado, encostada na parede da cozinha e ali mantida apenas e só devido às recordações que proporciona. Com as pernas ainda a tremer, atende a chamada. Do outro lado, uma voz que desconhecia indaga se está a telefonar para o número correcto, para a seguir dizer que infelizmente tinha havido um acidente... ...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Banda Sonora

Quando era puto, os valores que me foram transmitidos, quer pela minha professora da escola primária, quer pelos meus Avós, maternos e paternos, e Pais, fizeram com que tivesse crescido com a noção de respeito pelos mais velhos, que tivesse crescido com a noção de que aquilo que não é meu não é para mexer, que o respeito pelo próximo era das coisas mais importantes que podem haver quando se vive em comunidade numa sociedade. Dantes, as pessoas em geral só queriam viver condignamente, só queriam ter oportunidades para poderem dar aos filhos aquilo que não conseguiram ter enquanto crianças, queriam ter a felicidade de encontrar a tampa para a sua panela e poder partilhar uma vida que, através do trabalho e do amor, lhes iria proporcionar, com filhos, netos, etc, uma sensação feliz de dever cumprido no leito da sua morte. Claro que, como putos que éramos, e depois adolescentes, fizemos asneiras, gozamos com pessoas apenas e só porque eram diferentes de nós. Uns mais, outros menos, acabaram por prejudicar alguém, sem ter bem noção das consequências dos seus actos, mas os valores, os princípios, que nos regiam, eram os de respeito, acima de tudo, pela verdade e por aquilo que é correcto. Sendo, não mentir, ajudar, o respeito pelo próximo, o não prejudicar ninguém em benefício próprio, unicamente aquilo que é correcto.
Hoje em dia, na era da comunicação, e da (des)informação, como gostam de apelidar a coisa, com os jogadores de futebol a mentir e enganar deliberadamente na TV em pról nem sei bem do quê, sendo o futebol mais importante do que outra coisa qualquer, com os Isaltinos, os Valentins, os Pintos da Costa, os Jardins, e todos os restantes afins, a pavonearem-se impunemente por aí, manipulando, prejudicando, dizendo e fazendo o que querem e bem lhes apetece, com as politicas, o dinheiro, e a economia dos mercados (seja lá o que isso for!), a suplantar e a dominar os interesses, a todos os níveis, da vida das pessoas e dos Países que ainda existem, com que valores crescem e se regem os putos de hoje em dia? E como irão eles ser daqui a 30 anos?
Diz-me o o que o sou, diz-me o o que o sou, no estado em que as coisas estão...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

All apologies

"A polícia mandou hoje evacuar o Teatro do Bairro, em Lisboa, devido a uma ameaça de bomba, o que motivou a suspensão do ciclo de conferências «O Futuro Da Liberdade»."

São sempre muito giras e interessantes as ideias e conferências, embora o que dali saí nem sempre seja esclarecedor. No entanto, penso que já está respondida a questão que dá tema a este ciclo de conferências...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

If you wanna

- O meu adágio preferido, desde puto, é o que diz: “Apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo”. Assim que ouvi tal coisa, fiquei fascinado com a sabedoria popular! Se repares bem, é um adágio que não só transmite a mensagem de que não se deve mentir, como, ao mesmo tempo, subliminarmente, ensina as pessoas que não se deve segregar os deficientes físicos, insinuando que um coxo é muito mais válido numa sociedade do que um mentiroso! Espectacular! A sabedoria popular tem, realmente, muito que se lhe diga! Gostas também de Adágios? Qual é o teu preferido?

- Sim, gosto muito também. O meu preferido, e descobri-o há pouco tempo, é o adágio de morango com pepitas de chocolate. Muito por causa das pepitas. Fascinam-me as e a palavra pepitas...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Banda Sonora

A vida de uma puta, deve mesmo ser do caralho...



Well there goes my girl
Into the chapel
Now she's walking down the aisle
And it feels just like a mile

And I shake shake shake like a leaf
And I'm lyin' lyin' lyin' through my teeth
I got a pocket full of handshakes
And it don’t mean nothin’

There goes my girl
Into the chapel
Now she's walking down the aisle
And her man begins to smile

And I shake shake shake like a leaf
And I'm lyin' lyin' lyin' through my teeth
I'm a bowl of bruised fruit
Inside a chapel of shiny apples

Tear up the photograph!
'cause it's a bright blue sky
Tear up the photograph!
'cause it's a bright blue sky

Tear up the photograph!
'cause it's a bright blue sky
Tear up the photograph!
'cause it's a bright blue sky

domingo, 21 de agosto de 2011

Estado de A.L.M.A.

Hoje desci à realidade
Um bocado contra a vontade
Mas por pouco tempo, espero eu

É sempre melhor viver na ilusão
Onde os dias nunca são em vão
E onde se escolhe sempre, o que de facto aconteceu

Aleija tanto a verdade
Quando se vive na realidade
Que não deixa nunca saudade
Quando se transita para o mundo da fantasia

Onde o dificil nunca é complicado
Onde nunca se magoa a pessoa do lado
Onde se decide, à vontade, o próprio fado
Sem arrependimento ou pecado, mesmo que nada tenha real significado

Vive-se constantemente numa ilusória alegria
Onde se viaja num carril do dia após dia
Em que as consequências dos actos praticados
Seguem, paralelas, através de uma ferrugenta via

Vismlumbrando, todavia, mesmo ali ao lado
Continuos e constantes apeadeiros da verdade
Onde a consequencia de actos de falsidade
O fado não poderá nunca permitir, que não sejam, sempre, considerados mentir

Hoje desci à realidade
Mesmo, mesmo, contra a vontade
Mas por pouco tempo, quero eu

É sempre melhor viver na ilusão
Onde, se a mim mesmo me estou a enganar, fôr a questão
Se escolhe sempre, o que de facto aconteceu.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

My night with me

O tempo, mesmo que andasse para trás, passava na mesma.

After the curtain

A primeira vez que se lembra que tal lhe tenha ocorrido, era ainda pequeno, não teria mais do que 8 anos. A sua pequena, mas já vincada personalidade, havia demonstrado que era irremediavelmente arisco. Não porque não gostasse de receber um carinho, ou uma demonstração de afecto, mas porque lhe era muito difícil confiar assim de repente nas pessoas, ao ponto de lhes mostrar um sorriso sequer. Seria preciso muita paciência, e persistência, para alguém conseguir ganhar a sua confiança. Isto, claro está, excluindo a sua família mais chegada, para a qual também não conseguia encontrar a plausibilidade de gostar e confiar tanto neles, tendo aceitado apenas que as coisas era suposto serem assim e pronto. Paralelamente a tal facto, possivelmente devido à sua característica esquiva, passava grande parte do seu tempo sozinho. Sem se conseguir determinar exactamente o momento em que tal começou a ocorrer, passou a pautar a sua vida com base em sinais que previamente estabelecia na sua cabeça, ditando-os depois, num sussurro apenas perceptível para si, para que fosse inequívoco o sinal de início do tempo em que tudo teria de ocorrer. Tais sinais tinham o propósito de conseguir, ou não, prever que algo ia acontecer, ou então, seguir pela direita caso o tal sinal que determinara acontecesse, ou seguir pela esquerda da rua em caso negativo.
Aquelas pequenas brincadeiras, aqueles jogos mentais, foram tomando praticamente conta de todo o tempo que passava sozinho, sendo um dos seus momentos preferidos o momento em que a sua Mãe lhe pedia para ir fazer um recado qualquer à mercearia nas traseiras do prédio onde habitava. A possibilidade de poder, na rua, determinar os sinais, com tantas coisas diferentes, tanto espaço, à sua volta, provocam-lhe sempre muita alegria. Foi então, com cerca de 8 anos, que tal lhe ocorreu pela primeira vez. Após o sinal que tinha determinado não ter acontecido, e por causa disso ter atravessado a estrada para poder seguir do lado esquerdo da mesma, lembrou-se que a sua Mãe lhe tinha dito que o Sr. Pires, dono da mercearia onde habitualmente fazia o avio do mês e as pequenas compras diárias, se encontrava fechado para férias, e que por causa disso teria de ir ao Sr. Ramos, um senhor que tinha vindo de Angola e tinha aberto também uma mercearia, para ver se conseguia construir uma casa no lugar da barraca que tinha feito. Na tentativa de criar novamente raízes, tinha comprado um pequeno terreno perto do sítio onde arrendou depois o pequeno armazém onde fez a mercearia. Até então, apenas tinha dias melhores quando o Sr. Pires fechava, ou então já de noite cerrada, pois ficava sempre aberto até mais tarde e havia sempre alguém que precisava de alguma coisa. Por tal motivo, pouco tempo depois de ter aberto a mercearia, passou a ser carteiro, deixando a sua mulher, e dois pequenos filhos, a tomar conta do estabelecimento durante o dia, para ver se conseguia finalmente desmanchar a barraca.
Por ser quase hora de almoço, e a mulher do Sr. Ramos ter de dar comer aos dois filhos pequenos, quando chegou à mercearia havia um pequeno cartaz na porta, escrito à mão, que dizia, no caso de ser preciso alguma coisa da loja, que ela se encontraria em casa, bastando bater à porta para que viesse de imediato à mercearia.
No minuto que esteve parado em frente à porta a pensar no que deveria fazer, ocorreu-lhe perguntar a uma senhora que por ali passava no momento, se sabia onde morava a mulher do Sr. Ramos. Após uma breve, mas mas esclarecedora explicação, sentiu-se confiante para se pôr ao caminho sem ver a necessidade de ir a casa explicar o sucedido à sua Mãe.
Esquecera-se completamente que teria de seguir pelo lado esquerdo da estrada! De pensamento embrenhado no objectivo de não se perder e dar com a barraca do Sr. Ramos, a sua mente só conseguiu sossegar depois de ter conseguido encontrar a barraca, falar com a mulher do Sr. Ramos, comprar o que tinha para comprar, depois de seguir atrás da mulher do Sr. Ramos até à mercearia sem abrir a boca, e por fim regressar a casa. Apenas após ter entregado tudo à sua Mãe, e ter regressado ao seu quarto, é que se lembrou que não tinha, pela primeira vez, cumprido o que o sinal tinha determinado.
E agora, o que fazer, qual seria o significado das coisas daí para frente, se depois não cumpria o que estaria já estabelecido fazer? Passaram dois dias até que um novo significado, um significado que o acompanharia até à idade adulta, lhe era revelado. Nesse dia, o seu vizinho Quim, mais o seu filho Pedro, foram lá a casa convida-lo para jogar à bola num campo grande, pelado mas novo, que havia perto da casa deles. Depois de terem ido também buscar o Bruno, um outro miúdo do prédio ao lado, estavam agora parados em frente ao prédio à espera que o Quim conseguisse lembrar-se do caminho para o campo de futebol. De repente, enquanto o Quim perguntava ao vizinho António se ele sabia o caminho, aos berros, já que o António morava no terceiro andar, perante a resposta “É AO PÉ DA BARRACA DO RAMOS”, e da nova questão “E ISSO É ONDE?” ele, prontamente, disse que sabia onde era, e levou-os todos atrás de si até lá. Depois de tal feito, de ter ensinado a um adulto um caminho novo, sentia-se um herói, um verdadeiro herói!
Ainda durante o jogo, enquanto todos corriam freneticamente atrás da bola, ele, parado junto a uma das balizas, concluía, com um sorriso nos lábios, que então era isto que acontecia caso, por algum esquecimento, ou infortúnio de ultima hora, como preferia pensar, o objectivo previamente estabelecido não fosse cumprido! O caminho que faria teria alguma utilidade, ou objectivo, passados dois dias! Essa tarde só acabou por não ser perfeita porque, a dada altura, um pastor alemão invadiu o campo, sedento de brincadeira, o por acidente mordeu o Bruno no peito, causando a todos eles, até aos dias de hoje, um verdadeiro pânico de cães!

Mantendo sempre a característica de esquivo à medida que ia crescendo, e os pequenos jogos mentais, que iam sendo cada vez mais elaborados com o decorrer do tempo, já com dezanove anos, depois de ter cumprido à risca um sinal mental previamente determinado, ganhou coragem, e deixou que a vontade de conhecer, e ser conhecido, por aquela que foi a sua primeira namorada, e o seu primeiro amor, finalmente acontecesse. Passaram cinco anos embevecidos um outro pelo, trocando cartas e juras de amor, tendo por fim perdido a virgindade juntos! Apesar de toda a sua vontade e desejo, cinco anos foi o melhor que conseguiu até se sentir completamente preparado para ver a mulher que amava nua, e, principalmente, entregar-se, mostrar-se também nu. No entanto, rapidamente o tempo passou, e todas aquelas emoções foram sendo substituídas por sentimentos que não sabia interpretar ou explicar. Passado algum tempo começou a reparar que um gesto dela era diferente, depois uma frase que não lhe parecia dita de uma forma verdadeira, que parecia até mentira! Mais tarde a forma de dormir, de olhar para ele, de demonstrar desejo, paixão, tudo foi ficando diferente, para pior! Foi então que um último e derradeiro significado tomou conta do seu ser. Saber interpretar o que sentia mas não conseguia explicar, ou acreditar que era verdade. Contudo, interpretar o que sentia, não lhe era nada fácil, já que aquilo que sentia, sem saber explicar porquê, tinha apenas como base todas aquelas pequenas alterações que foram ocorrendo ao longo do tempo, que só ele, aparentemente, tinha notado, e tudo isso lhe dizia que ela já mais não o amava como outrora tinha dito que amava, que ela já não mais sentia o que ele ainda sentia por ela. Recusando-se a querer aceitar isso, invariavelmente preferia acreditar nas justificações sem nexo que recebia cada vez que, num momento de desespero, a confrontava com o que sentia e mais não conseguia esconder sem falar e perguntar. Raramente conseguia acalmar o seu espírito, mesmo depois de fazer todos os esforços possíveis e imaginários para que tudo o que tinha ouvido afinal fizesse sentido. Assomado por tais sentimentos contraditórios, amargurou, tornou-se obcecado e deixou de conseguir raciocinar bem. Cada dia que passava, um pouco mais do seu ser era corroído por tudo aquilo que sentia mas não queria acreditar ou aceitar que era verdade, ao mesmo tempo que tentava, desesperadamente, acreditar no contrário. Seis anos se passaram, até que finalmente ela, cansada de tudo e tomada pela falta de desejo e amor que há muito sentia, consegue superar a vontade que sempre tivera manifestado em não o magoar, e lhe disse que não mais o amava, partindo para sempre no dia a seguir.
Finalmente o que sentia fazia sentido, afinal era mesmo verdade tudo aquilo que sentia há já seis longos anos! Um misto de tristeza e alívio ainda lhe corria nas veias quando uma dúvida se desfez em mil estilhaços por todo o seu cérebro. Teria sido ele apenas a ter notado todas as alterações que notou, e por causa disso, e do comportamento que teve devido a isso, ter feito com que ela tivesse deixado de gostar dele, ou teria efectivamente ela deixado de gostar dele antes de ela mesmo ter notado?
Mais quatro anos se passariam até que conseguisse novamente apaixonar-se. Quando tal aconteceu, novamente após um determinado sinal ter sido cumprido, sentiu, dias depois de ter começado o processo mútuo de descoberta, a mesma desconfiança, o mesmo sentimento não reciproco vindo da mulher pela qual se acabara de apaixonar. Coisa a que curiosamente a sua mente nunca passou muito tempo a tentar perceber. À semelhança do que aceitara com a sua família, também aceitara de bom grado que não existe uma explicação lógica e racional para o acelerar do coração e o apaixonar-se por alguém assim que a vê a pela primeira vez. Todavia, não conseguia saber se era porque ela raramente olhava para trás uma última vez para um último sorriso antes de se ir embora, ou se seria porque raramente ia com um esgar de felicidade quando se ia embora, o que é certo é que se sentia novamente invadido por aquela sensação de que ela não sentia o mesmo que ele.
Uma vez ou outra, ao mesmo tempo que fazia tudo por tudo para não manifestar em nada aquilo que mais uma vez sentia, por mais sinais cumpridos que obtivesse, continuava a sentir que ela não sentia o mesmo que ele, deixando, nessas alturas, escapar uma pergunta, ou uma acusação que corroborasse o seu sentimento, mas em todas essas vezes a vontade que tinha em acreditar no que ela prontamente respondia fazia com que a coisa passasse por uns tempos e continuasse com ela a seu lado.
Os meses foram passando, e ele, determinado em acabar de vez com aquilo que já considerava ser uma doença da qual padecia, e que só ele poderia debelar, resolveu estabelecer um último sinal, o derradeiro sinal, que lhe iria ditar se deveria aceitar aquilo que sentia como verdade, ou então como paranóia sua. Nunca mais, após tal sinal, iria fazer aquilo ou ficar absorvido em impressões ou sentimentos para os quais não tinha uma explicação lógica e plausível O resultado teria de ser inequívoco para que nunca mais fosse assolado por tais dúvidas ou sentimentos. Assim, num Sábado de manhã, enquanto ela se tinha ido dedicar a uma tarefa qualquer fora de casa, feliz por ter ficado na cama onde ambos tinham dormido, e cada vez mais convencido que tudo não passava de uma paranóia dele, do medo que ele sentia desde pequeno em dar-se a conhecer a pessoas que não sabe quem são, determinou que se ela tivesse guardado todas as mensagens que lhe tinha enviado durante quatro meses, coisa que ele fazia sempre já que gostava depois de recordar os momentos em que tinha trocado aquele mensagem com ela, seria porque ela gostava dele como ele gostava dela, se houvessem menos do que quatro meses de mensagens, ela não gostava dele. Num misto de confiança e ansiedade, agarrou no telemóvel dela e começou a ver as mensagens por ela enviadas. Não chegou nunca a saber em quantas ia, já que, a dada altura, cruzou-se com o texto “Amanhã fodes-me?” para alguém que não era ele. Já nada mais interessava. Um ataque de pânico percorreu-lhe o corpo todo, sentia-se tonto, a cair, ainda que estivesse deitado na cama com o cheiro dela a entrar-lhe pela ventas adentro, só queria fugir, sair dali o mais rápido possível, encerrar abruptamente, com o correr súbito das cortinas, um espectáculo que estava ainda a meio. Não existe satisfação ou alívio quando se está certo e convicto da decepção. E há coisas que não se explicam, sentem-se e pronto. Tal como muitas coisas, as coisas são o que são... ...

Beirut - After the Curtain

what can you do
when the curtain falls

what will you do
when the curtain falls
you'll

left, right

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Banda Sonora

- Sabes o que é que à medida que vou ficando mais velho, cada vez me apetece mais?

- Meu, quando tu começas uma conversa com aquilo de que gostas ou te apetece, espero sempre mais uma espectacular estupidez da tua parte. Mas vá, diz lá então o que te apetece cada vez mais à medida que vais ficando mais velho.

- Para começar, o problema, que eu nem sei se lhe deva chamar problema, é exactamente esse. À medida que vou ficando mais velho, as pessoas à minha volta já não ligam, ou já esperam estupidez, ou qualquer coisa do género da minha parte. Eu sei, tu também sabes, que eu não sou, nem nunca fui, uma pessoa sociável Eu sei que tenho uma personalidade diferente da maioria das pessoas, coisa que finalmente compreendi após muitos anos a tentar perceber qual é que era o problema das pessoas, quando afinal eu é que sou diferente. Então, à medida que o tempo vai passando, fico, genuinamente, com pena de não ser como aquelas pessoas que se entusiasmam com as pequenas coisas do dia-a-dia, que ficam, de facto, contentes com algo insignificante, mas bom, que tenha acontecido a alguém de quem gostam, que compram roupa por vaidade embora digam que estavam mesmo a precisar, que jogam uma porcaria qualquer e vibram com aquilo como se fosse a coisa mais espectacular, que acham que o Facebook é a melhor coisa desde a invenção da roda... Não sei, nem interessa agora dar exemplos concretos do estou a dizer, mas isto que estou a dizer também se pode aplicar aquelas pessoas que se preocupam, ou se apoquentam, ou até mesmo se arreliam, com coisas que para outros são totalmente indiferentes mas que naquele momento são a coisa mais importante do mundo para elas... OK, eu sei que muitas dessas pessoas acabam por sofrer de solidão e que qualquer coisa que lhes preencha um momento da vida é bom, embora não admitam nunca a vida vazia que têm, mas que afinal nesses momentos, em muitos desses momentos, são verdadeiramente felizes, e é isso que no final realmente interessa. Paradoxalmente, embora eu tenha pena de não conseguir ter qualquer emoção com nada do que te acabei de dizer, quase como se não fosse capaz de ter emoções, rejúbilo com tudo isso que se passa à minha volta, tenho orgasmos quando observo as pessoas e constato que estão muito felizes, ou muito tristes, por qualquer pequena coisa que lhes tenha sucedido. Consigo passar horas a observar as pessoas e todas as suas manifestações quando estão nos jardins, nas esplanadas, em bares, discotecas, tendo quase a certeza absoluta que depois de ler todos os seus movimentos corporais, de ouvir e ver aquilo que dizem e fazem enquanto as observo, sou capaz de as conhecer melhor que provavelmente elas próprias se conhecem a si mesmo, e que com tal conhecimento sei o que fazem, pensam e dizem, a partir do momento em que saem do meu campo de visão...

- Então, mas, o que é que, no meio de todo esse pensamento e todas essas auto-reflexões que fizeste, te apetece cada vez mais?

- Sim, já estava a divagar, mas era só para contextualizar a coisa. O que me apetece cada vez mais, o que eu gostava mesmo, era de ser uma estátua. Conseguir observar a vida à minha volta, ao mesmo tempo que no lugar do coração tinha pedra sem que fosse julgado por ser assim...

- Bom, tu sabes o que é que eu penso desses teus pensamentos e porque é que eu acho que pensas assim, não vou estar novamente a dizer o mesmo. No entanto, pegando na tua linha de raciocínio, que espero que seja isso apenas, um mero e estapafúrdio raciocínio, acho que devias ter em consideração que até os pombos cagam nas estátuas e raramente alguém olha, ou se preocupa com elas...Acho que é até por isso que são permanentemente frias, mesmo quando é Verão. Vê lá bem se é mesmo isso que te apetece cada vez mais, ou se isso não é apenas um recalcamento de infância quando gozavam contigo porque nunca conseguias ganhar quando jogavam ao 1,2,3, macaquinho do chinês...



leave me high
leave me looking
leave me low
leave me warm
no love can fulfil
like this love that you give
leave me high
leave me looking
over mountains in the heavens
no love can fulfil
like this love that you give

wasted moments come together
like a ball on a string
your love take me higher
realise everything
take those chains from your heart and soul
and take those chains from your heart and soul

take those chains from your heart and soul
and take those chains from your heart and soul
yeah like a slow train
and take those chains from your heart and soul
yeah like a slow train
and take those chains from your heart and soul
yeah like a slow train
and take those chains from your heart and soul
and take those chains from your heart and soul
through the mountains over heavens
through the mountains over heavens
leave me high
leave me looking

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O dantes e o agora, que em breve será dantes também

Uma das diferenças que existe entre hoje e o tempo em que eu era um juvenil imberbe, é que no tempo em que eu era um juvenil imberbe, em todas as escolas, ou prédios, ou bairros, etc, havia sempre, invariavelmente, um gajo que tinha o epiteto de russo devido, tão somente, ao facto de ter nascido com o cabelo louro. Hoje em dia, sempre que alguém se refere a alguém com o epiteto russo, já poderá ser alguém que nem sequer é louro, mas que seja oriundo de um país qualquer da Europa de leste.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Memory Lane

Fez ontem precisamente 7 anos que vi os Calexico no Hard Club, em Gaia. Um concerto que está, com toda a certeza, no top 3 dos melhores concertos que até hoje vi!
Dizem que 7 anos é o tempo que dura um ciclo, e que a vida do ser humano vai mudando de 7 em 7 anos até entrar em declínio Se é verdade ou não, não sei, a ver vamos. Sei, no entanto, que há 7 anos abriram o concerto com esta música, que por n motivos, me diz, ainda hoje, muito:

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Hanging Garden

Normalmente sou muito céptico nestas coisas de mudanças abruptas e repentinas, em que tudo, de um momento para o outro, se vislumbra melhor, mais rico, diferente até! Mas, de facto, tenho de dar a mão à palmatória, e concluir que a pequena senhora simpática da bata branca tinha, evidentemente, razão. E foi logo, assim que saí para a rua, hoje de manhã, que o céu azul, enfeitado pelas perfeitas formas desconexas que as nuvens branco imaculado desenhavam, onde até uma pequena estrela conseguia ainda cintilar, que senti a primeira grande diferença! Inebriado por tais cores, segui pela estreita rua de basalto baço até chegar à avenida principal onde, finalmente, me depararei com as pessoas que avulsamente por ali passavam, demonstrando, através das suas peles nuas, curtas vestes, e já algumas marcas deixadas pelo Sol, que a Primavera não deixa nada ao ocaso. Nada como sentir o perfume citadino solarengo da manhã, onde nem o fumo cinzento, nem as estridentes buzinas, mesmo mancomunadas com os os afoitos tubos de escape, conseguem ofuscar o recorte traço belo e suave de umas desnudas e morenas costas femininas, que à minha frente reluziam e permitiam ver todos os pequenos sinais, quiçá de nascença, que as mesmas ostentavam. Prossegui, de sorriso na cara, para dentro do autocarro amarelo brilhante, e entrei, sem tropeçar no maldito degrau, conseguindo até ver perfeitamente a pequena luz vermelha que acende quando o passe não está válido. Depois de consultar o talão de compra, constatei, à primeira tentativa de leitura e tudo, que o ultimo dia do mesmo tinha sido ontem. Com a breca! Não é que usar óculos faz mesmo toda a diferença na forma como se vê o mundo, e na forma como o mundo olha para nós!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Banda Sonora

A propósito da vinda a Portugal do príncipe Carlos, eu não sou, nem nunca fui, muito a favor de monarquias, mas, mal por mal, sempre prefiro o Rei.
E muita atenção aos seus subditos, ele podia ser o rei mas aquele baixista e aquele baterista contribuiam muito, mesmo muito, para isso...



Long live the King...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Death Is What We Live For

- Se pudesses viver as 4 estações num só dia, como é que as gostarias de viver?

- Oh, é fácil. Acordava com a Primavera, não há nada como uma manhã de primavera, depois passava a tarde no Verão, na praia, claro, depois o entardecer e principio de noite seria o Outono, não consigo imaginar um fim de tarde melhor do que estar em casa a ouvir musica triste e bucólica enquanto a chuva e as folhas caiem lá fora, e por fim a noite seria o Inverno, com a companhia ideal para nos aquecermos mutuamente.

- Serás sempre o mesmo totó! Só mesmo tu para conseguir desperdiçar um dia único com as quatro estações! Eu faria precisamente o contrário de ti. Começava com uma manhã de Outono, cinzenta e triste, na cama quentinha, com a babe, claro, depois o Inverno, que não há nada melhor do que passar uma tarde de Inverno em casa enquanto lá fora está um frio do caraças e as pessoas andam à chuva para ir trabalhar, ao fim da tarde a Primavera, que é a altura em que se descomprime do dia que está a acabar e as pessoas, tal como a Primavera, ficam mais soltas, e terminava a noite com uma daquelas noites quentes e loucas de Verão, com corpos suados, luxúria e lascívia aos molhos, que é sempre o que se quer...

- Claro, e depois eu é que sou o totó...

segunda-feira, 21 de março de 2011

A Lack Of Color

Eu tinha a certeza absoluta e estava absolutamente certo do que pensava e sentia. Estava tão, certo tão certo, que não havia nada, mas mesmo nada, que me fizesse acreditar noutra coisa. Era uma certeza que crescia diariamente dentro de mim, e cada minuto que passava ficava cada vez mais certo. Sempre que por consciência tentava alvitrar outras hipóteses, ver a coisa de outro angulo, não havia hipótese, a certeza de que eu já estava certo, antes de pensar tudo, reinava. Eu estava certo e tinha a certeza absoluta de que eu estava certo. Nada nem ninguém me iria fazer mudar de ideias. Afinal, quantas vezes se fica tão certo de algo? Eu, pelo menos, nunca tinha tido tanta certeza. É uma sensação boa ter tanta certeza e segurança de que se está obviamente certo do que se faz. Parece até que quem nos olha pode logo sentir a certeza com que nós estamos. Nada como uma boa certeza para se ter definitivamente a certeza de que fazemos bem em pensar que estamos certos. É errado pensar que não estamos certos quando temos uma certeza assim. Alias, perante tal certeza, por que é que não havia de estar certo o que eu tenho a certeza de que está certo? Desde que eu tenha a certeza, tenho a certeza de que é certo pensar que estou certo. E desta vez, desta vez, eu sei, tenho a certeza, que estava certo. A certezinha absoluta! Eu estava certo que estava certo que eu estava certo...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Banda Sonora

Porque está outra vez Sol e calor, e vem aí a Primavera, e não vale a pena ninguém estar fodido da vida, hoje esta é a musica que eu mais gosto em todo o mundo!

terça-feira, 15 de março de 2011

Complexos #30

Merda, agora tenho de ir para ali esperar! Detesto entrar em salas de espera. Logo para começar tenho de decidir se devo ou não falar quando entro. Se decidir falar, qual o tom de voz a utilizar ao dizer bom dia? Devo dizer BOM DIA, para que todos oiçam, ou devo dizer bom dia de uma forma que só eu sei que disse bom dia. Bom, se vou dizer bom dia, mais vale logo dizer BOM DIA e não se fala mais nisso... Só que fico sempre com a sensação que as pessoas vão olhar para mim e pensar:

- "Grande besta! Entra aqui na sala a fazer um barulho destes! Quem é que se interessa que tenhas ou não chegado?".

Claro que se eu disser bom dia, e ninguém ouvir, vai haver sempre alguém que vai pensar:

- "Olha-me este, chega aqui nem sequer se digna a dizer um Bom dia, há pessoas muito mal-educadas!".

E se a sala estiver cheia de gente? Quantas pessoas vão pensar da primeira forma se eu disser BOM DIA, e quantas pessoas vão pensar da segunda, se disser bom dia? OK, se houver muita gente na sala vou dizer bom dia, se houver pouca gente digo BOM DIA.
A probabilidade do barulho incomodar é maior do que a probabilidade de incomodar alguém por não dizer bom dia...
O que é que eu estou para aqui a pensar? Já nem sei!
Bem, estou aqui na entrada da sala, vou espreitar para ver se está cheia ou vazia. Pode ter só meia dúzia de pessoas, as suficientes para que não esteja demasiado cheia, onde haja muita confusão e as pessoas que estão à espera não estejam desesperadamente à procura de algo para se distrair, e as suficientes para que não esteja demasiado vazia, onde as pessoas não estejam absortas, a pensar na sua vida.
Bom, mas se estiverem só meia dúzia de pessoas, vão todas estar alerta quando virem alguém entrar, não vale a pena dizer BOM DIA, que irei estar a gritar, nem vale a pena dizer bom dia, porque será ridículo
O melhor é não dizer nada e pronto! Já sei, vou entrar e apenas acenar com a cabeça. Não, não posso fazer isso, e se está alguém que eu conheço lá dentro? Depois tenho de falar com essa pessoa e as outras vão ficar a olhar para mim e a pensar que falo a uns mas outros não merecem ser respeitados nem sequer com um bom dia.
Nã, vou-me embora e não entro. Espero ali fora e fico atento para ver se me chamam. Detesto entrar em salas de espera.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Pieces of what

Se há coisas que me começam logo a dar cabo dos nervos assim que penso sequer nelas, para mim ir às compras só pode ser equiparável ao facto de o FCP ser campeão há uma catrefada de anos consecutivos. Mete nojo, são batoteiros, mas lá ficam em primeiro...
Tudo bem que já existem n estudos que indicam que um gajo perde a paciência, entra em stress, e perde anos de vida com a ansiedade ganha só de pensar que necessita de ir às compras. Mas, para mim, o problema não é o facto de ter de ir fazer compras, mas sim o facto de ter de suportar, sem qualquer dó nem piedade, as outras pessoas que lá andam também a fazer compras! Em primeiro lugar, como é que é possível existirem seres que param diante de uma prateleira, com um carro cheio de cenas, ocupando logo uns dois metros espaço em frente ao produto que quero adquirir, e depois, sem darem qualquer possibilidade de mais alguém conseguir ali chegar, perdem n tempo à procura dos óculos para poderem ler os preços afixados! Obviamente que pedir licença ou dizer “desculpe mas necessito só de tirar aí uma coisa” está completamente fora de questão, invariavelmente recebo a resposta “é só um momento, que eu também quero tirar...”. Isto já para não mencionar as pessoas que deixam o carrinho apetrechado quase até ao limite algures junto a uma prateleira num qualquer corredor, voltando a impedir o acesso fácil a alguns produtos que por mero azar são sempre os produtos que necessito de adquirir, e que se eu os quiser ir buscar tenho de mexer no carro, correndo sempre o risco de vir alguém a correr ao mesmo tempo que berra que aquele é o seu carro! Depois, e como não uso carrinhos, para ver se me despacho o mais rápido possível dali, para além de ter de andar constantemente a fazer gincana para tornear os demais veraneantes que por ali pululam, desde crianças que também querem empurrar o carrinho mesmo que isso signifique ir contras coisas e pessoas, crianças aos berros porque querem algo que não está ainda no carrinho ou nas suas mãos, até pessoas que decidiram apenas passear a 1km por hora dentro do mercado, quando finalmente tenho espaço e estou a ver um preço qualquer ou a verificar qual a melhor opção de um qualquer produto, há sempre uma outra pessoa, com carrinho ou então um gigantesco cesto, que não respeita minimamente o espaço pessoal de cada um, essencial à sanidade mental de qualquer ser humano, e que se coloca mesmo à minha frente, ou tão perto de mim ao ponto de conseguir ouvir a sua respiração, a ver o mesmo produto que eu!
Para culminar, pagar nas caixas é o supra sumo do sofrimento dentro do estabelecimento comercial! Hoje, à hora de almoço, depois de ter, cuidadosamente, observado as várias possibilidades onde iria proceder ao pagamento, optei pela caixa com o menor número de pessoas e compras para pagar. Assim dirigi-me para uma caixa que tinha apenas duas pessoas, não com muitas compras, à minha frente, conseguindo eu, mesmo a tempo, ter chegado à frente de um casal com o seu filho e dois carrinhos cheios até ao ponto de um burro (o animal em si) merecer um ordenado por conseguir transportar tal montante de bens!
Já na fila da caixa observei que o casal ocupou logo o lugar atrás de mim e um outro lugar caixa ao lado! De seguida, o clássico e mítico “PÁRA TUDO!” na minha caixa, porque o terminal multibanco avariou quando a primeira das duas pessoas à minha frente procedia ao pagamento. Claro que neste ponto, para além de se pensar que não adianta ir para outra caixa porque vai acontecer exactamente o mesmo, mesmo que eu quisesse ir para outra caixa nem sequer conseguia já que nesta altura tanto o puto como o Pai e o enorme carrinho já invadiam o meu espaço pessoal que, em conjunto com aqueles varões de inox que circundam as caixas, impediam quase que eu me movesse. Nunca consegui compreender a pressa que as pessoas têm em colocar todos os artigos em cima da caixa. Se estão milhões de coisas no carrinho, não seria melhor esperar que haja algum espaço decente na caixa para começar a despejar o mesmo?
Bom, passados os habituais 5, 10 minutos de espera, e resolvido o problema do multibanco, a pessoa à minha frente, uma velhota bem simpática (nota mental – Nunca mais ficar atrás de uma velhota simpática numa caixa, porque depois perde-se a coragem para desatinar) tinha agora a sua vez para pagar. Se a coisa começou logo mal com um cumprimento à menina da caixa que demorou quase tanto tempo como o tempo em que se resolveu o problema do multibanco, a velhota ainda trazia consigo dois sacos de pano onde as compras devem ser sempre colocados pela ordem que ela acha melhor mas como lhe doem as costas é melhor ser a menina da caixa a arrumar as coisas dentro dos sacos! De seguida o segundo clássico e mítico “PÁRA TUDO!”, uma vez que as maçãs que a velhota escolheu não têm afixado o preço que a menina da caixa acabou de marcar, mas outro preço que, depois de repetir várias vezes a historia com a sequência de movimentos feitos na busca das maçãs, obrigou a menina a pedir a alguém que confirmasse o preço das maças. Escusado será dizer que após mais uma amena conversa e um monte de compras agora atrás das minhas na caixa (finalmente o puto e Pai tinham conseguido descarregar o carro todo e o Pai já ajudava a Mãe a fazer o mesmo na outra caixa), o preço correcto era o afixado pela menina da caixa em primeiro lugar. Como de costume, o pedido de desculpas e o “Ai menina não ligue, a minha cabeça já não é o que era” apaziguavam tudo. Chegado então, e finalmente, o momento de a velhota pagar, ela decide que afinal quer pagar com multibanco e não em dinheiro “Porque me dá mais jeito”, disse enquanto procurava os óculos para começar a procurar o cartão de multibanco. Por que raio é que as pessoas esperam sempre até ao último momento para irem à carteira buscar o cartão de multibanco? Estão n tempo à espera que chegue a sua vez, quando chega a sua vez, têm de ir procurar o cartão de multibanco! Mesmo antes de pagar, a velhota ainda se lembrou que tinha uns talões e um cartão, mas que afinal eram de um outro supermercado concorrente...Nem sei quanto tempo ali fiquei! Com franqueza pá...

sexta-feira, 4 de março de 2011

Every Day Is Yours To Win

Se há coisas que me começam logo a dar cabo dos nervos, são as pequenas obrigatoriedades diárias a que qualquer indivíduo está sujeito no seu dia-a-dia. Ontem, findo o habitual jantar das quintas, só porque fulano tinha dito a beltrano (outra coisa que me começa logo a causar refluxo gástrico) que é um sítio espectacular, a pequena comandita, meio inebriada pelo tinto que ensopava o repasto, decidiu rumar ao pavilhão chinês sem mais delongas.
Ali chegados, comecei logo por dizer que eu não entrava. Sou completamente contra o facto de existirem estabelecimentos que me informem à porta que o consumo é obrigatório. Eu sou livre e faço aquilo que eu quiser, vociferei eu ao mesmo tempo que uma chuva de perdigotos salpicava a calçada. Após a usual discussão sobre a alienação que o consumo provoca, caralhadas, princípios que regem o carácter de cada um, e o comum último recurso de apelo à amizade que anos e anos não corrompem, lá entrámos todos para dentro do "bar" cheio de mil e uma paneleirices que não interessam nem ao menino Jesus, mesmo aqueles que gostam de acreditar em fábulas religiosas!
Uma vez lá dentro, quando chegou a minha vez de formular o meu pedido, fui confrontado com a resposta, isso não temos nem servimos aqui, temos é uns cocktails muito bons!
Então eu estou num vermelho pavilhão chinês, sou informado à porta que estou obrigado a consumir a partir do momento em que ali entro, peço, apenas e só para não estragar o ambiente do jantar de grupo, um chao min, dizem-me que não há e ainda me tentam impingir cocktails capitalistas! Com franqueza...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Inauguration day

O politicamente correcto não é mais do que uma diarreia mental de um cobarde, que se lembrou de não dizer aquilo que sentia porque não tinha coragem para o fazer, e que para não se sentir mal com ele próprio, inventou esse conceito. Conceito esse, que no fundo não passa de uma anulação do seu próprio ser, a fim de em qualquer circunstância poder ser um mutante e conseguir alterar-se consoante as situações em que se encontra, sempre na esperança de acertar quando pensa estar a dizer o que os outros querem ouvir e, principalmente, não ferir susceptibilidades. O objectivo do politicamente correcto é única e exclusivamente o de terminar com as discussões e fazer, cada vez mais, com que as pessoas deixem de discutir e partilhar opiniões, experiências e novas formas de ver as coisas. O politicamente correcto chateia-me, e aborrece-me profundamente que me tratem assim todos os dias onde quer que vá. Dá logo vontade de gritar um foda-se, assim bem alto, mais que não seja só para gerar alguma celeuma e algum mau estar... Qualquer dia toda a gente é igual a toda a gente e depois sempre quero ver se o politicamente correcto ajuda nalguma coisa.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Lights

É deveras engraçado o efeito placebo. Apenas o facto de acreditar em algo permite-nos aliviar os sintomas de mau estar que sentimos, sem que o medicamento que se toma tenha qualquer tipo de efeito farmacologico! Suponho que o efeito placebo seja o que se sente quando as pessoas ofendem ou respondem de forma ignorante, apenas porque não sabem o que responder ou o que pensar ao que lhes é dito. Como não sabem o que dizer, vai de insultar e dizer ignominias, o que é preciso é dizer alguma coisa para não ficar calado, e principalmente ficar com a sensação de que se disse algo verdadeiramente brilhante e inteligente.
Suponho igualmente que outro efeito placebo seja o facto das pessoas conhecerem apenas um dos vertices do hectagono, e ainda assim defenderem que já conhecem o prisma todo... É deveras engraçado o efeito placebo!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Ended Up A Stranger

O que raio quer dizer uma pessoa quando riposta: "não o prazer é todo meu" quando lhe dizem, "prazer em conhece-lo"?! Será que é mesmo possível só uma das pessoas ter todo o prazer quando duas pessoas se conhecem? Será a resposta o prazer é todo meu, o início de uma disputa para ver quem é que ganha logo no primeiro encontro? Será que afinal é mesmo tudo à partida uma questão de quem ganha ou perde?

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Jogos físicos e psicológicos

- ... E em conclusão, no dia do nosso, muito, muito, mas mesmo muito, especial aniversário, embora sejas tão bonita como uma, a tua beleza e força jamais será igual à da efémera flor...

- Ohhhhhhhhhhhhhhhhhh, tão bonito, tão querido, tão fofinho! Foi a coisa mais bonita que já me disseste assim ao acordar! E logo no dia do nosso aniversário...Depressa, sem pensares, numa palavra, diz qual é a flor que me define como mulher e tua adorada e querida amante, companheira, etc...

- Numa palavra?...

- Sim, mas sem pensares, diz, depressa, o bonito deste jogo é a espontaneidade. Vá, diz...

- Bom, está bem, é a...

- Anda, diz, estás a pensar e isso não vale! DIZ JÁ...

- Errrr...Errrr...é a AZEDA...

- A AZEDA?! PORQUÊ?

- Bom...Não faças essa cara...Nem é preciso começares logo aos berros histéricos...

- Está bem, eu mantenho a calma, embora tu tenhas o dom de estragar sempre tudo. Diz-me lá então, amor meu, por que raio é a azeda a flor que me define melhor?

- Bem...Para começar é amarela...

- Ai agora achas que sou pálida, ou que sou enfezada, ou que parece que tenho icterícia ou mononucleose?

- Não comeces com as tuas paranóias médicas que sabes perfeitamente que isso me dá cabo dos NERVOS...Então o amarelo não é a tua cor preferida?

- Não, a minha cor preferida é o verde...Já devias saber isso...

- Então, a flor é amarela e verde, tem um caule verde enorme...Além disso, é uma flor de Inverno...

- BOA! Para além de pensares que ando pálida ainda me achas fria...

- QUERES DEIXAR-ME TERMINAR O RACIOCÍNIO?

- ESTÁ BEM, ACABA LÁ O TEU RACIOCÍNIO...

- Bom...e uma flor de Inverno resiste a muitas intemperies estoicamente, sem perder a beleza...Oh! Eu sei lá...Querias que eu não pensasse e agora estás com cenas para quê? Foi o que saiu pronto...

- Até te estavas a safar bem, mas já vi que disseste a primeira baboseira que te veio à cabeça...

- Mas tu querias que eu não pensasse! O que é que querias que eu te dissesse? É claro que disse a primeira coisa que me veio, sabes muito bem que só tu tens o dom de me fazer vir sem pensar em mais nada...

- Ohhhhhhhhhhhhhhhhhh, tão bonito, tão querido, tão fofinho! Essa é que foi afinal a coisa mais bonita que já me disseste assim de manhã...E logo no dia do nosso aniversário...Depressa, o que é que mais gostaste ao longo destes...Espera lá, quando acordaste fui eu que te disse que hoje era o nosso aniversário, aliás foi até por isso que acordaste como acordaste, o meu presente para ti foi o broche! Sim, porque eu sei que acordas sempre com o coiso assim grande. Eu, ao contrário de certas pessoas, sei muito bem os teus gostos...Tu depois é que vieste logo com falinhas mansas, és muito espertinho tu. Mas aposto que não sabes quantos anos faz hoje que estamos juntos?

- Oh, então não haveria de saber? Há quatro...

- ... ....

- Espera lá não te vás embora da cama...Estava a brincar, eu sei muito bem que é há cinco, estava só a brincar...

- ... ...

- Oh! Não faças essa cara, anda cá, eu estou a continuar a brincar contigo...

- ...

- É há seis?... ...Não três... É à sete né?...Anda cá, não sejas assim...NÃO BATAS COM A PORTA DO QUARTO... NÃO BATAS COM A...ANDA CÁ....

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Pyjamas

"Face Oculta: MP pede para todos os arguidos irem a julgamento"

Se todos forem a julgamento, depois qual é o nome que vão dar ao processo?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Nostalgia

Hoje em dia no meu país
Se eu quiser ser mesmo feliz
Basta que olhe só para o meu umbigo
É já um costume com raiz
Que se aprende ainda em petiz
Onde pensar se torna quase um castigo
É por isso que se ouve dizer
Que fazer greve até pode ser
O importante é que não prejudique as pessoas
Cada um deve cumprir o seu dever
Comer, calar, sobretudo obedecer
Se nesta vida for só merda, na próxima serão só coisas boas
Quem com isto não se resigna
E queira ter uma vida plena e digna
Para não fugir à tradição
A uma outra pessoa consigna
Sempre a uma pessoa vizinha
O ónus de uma nova revolução
Pois tomar uma decisão
Com coragem e determinação
Será sempre a pessoa do lado a fazer
Desde que não me prejudiquem
Gritem para aí, reivindiquem
Quero eu lá saber...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

In Every Dream Home a Heartache

- Hoje é dia dos namorados, sabias?

- Claro! Toda a gente sabe que devido à modernidade e às lutas feministas pela igualdade de direitos, que hoje é o dia em que todas as namoradas têm obrigação de pagar o jantar e oferecer alguma coisa bonita aos namorados.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Povo unido...

"As redes de TV internacionais mostram imagens, inicialmente sem comentários, de milhões de manifestantes em júblilo total quando ouviram o anúncio nas ruas."

Resta saber agora o que vai sair daqui, e se o povo permanece unido depois.
Já agora, e uma nova revolução por cá, não?

Grey Linn Park

Invariavelmente, é sempre o gajo mais totó do escritório, ou aquele que defende e vota, a viva voz, Cavaco, que nunca lava as mãos quando por acaso está a sair da casa de banho enquanto eu me preparo para entrar.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cientistas desenvolvem touca que aumenta a criatividade

"Cientistas australianos desenvolveram uma espécie de «touca do pensamento», um dispositivo que usa minúsculos pulsos magnéticos para alterar a forma como o cérebro funciona e melhorar a criatividade. A invenção já produziu resultados notáveis, segundo os criadores. As informações são do jornal Daily Mail."

Finalmente faz sentido usar a expressão: Tás com uma granda touca!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Banda Sonora

Tive, pela primeira vez na vida, uma conjuntivite alérgica! Quando fui à farmácia mais próxima do local onde actualmente me encontro a trabalhar, depois de dizer à senhora farmacêutica o que me estava a importunar, ela, prontamente, perguntou-me se eu trabalhava no edifico das finanças! Como trabalho ali há cerca de um mês e pouco, fiquei surpreso com a pergunta dela. Respondi que sim, ao que ela me disse que todos os trabalhadores que trabalham naquele edifício têm desconto naquela farmácia! Continuou depois a dizer que é muito comum as pessoas contraírem aquele tipo de alergia ali devido ao ar condicionado do edifício que não tem qualquer tipo de manutenção! Mais uma vez, lá está o estado a borrifar-se para as pessoas em prol dos míseros cobres que poderá eventualmente poupar na manutenção mínima de um edifício que tem só 19 andares cheios de pessoas a trabalhar...
Embora esteja ali em regime de outsourcing, agora, pelo menos, já consigo compreender a cegueira e a comichão que invade o estado no que ao assunto finanças concerne...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Envoyé

- Olá! Bom, estás mesmo com bom aspecto hoje! Finalmente vejo-te com bom aspecto…

- Pois…Já é sexta novamente.

- Pois é! Já é sexta novamente. Nem me lembrava disso! O tempo voa não é? Vê lá tu que eu nem dei pela semana a passar! E tu continuas na mesma portanto. Pela tua resposta…

- O tempo voa para ti. Havias de passar uma semana na minha pele para veres o que era ver o tempo a não passar. Sim continuo na mesma. Só à sexta é que consigo sorrir, falar, ter boa cara, enfim, viver...

- Mas já foste a um médico?

- Já fui. Diz que tenho uma doença estranhíssima, do foro psicológico. Ele diz que nunca tinha visto, nem ouvido falar em nada do género. É sempre assim! Os gajos nunca sabem nada e um gajo é que padece...

- Então mas o Sábado não tem efeito nenhum em ti? Nem o Domingo? A Quinta? Os outros dias, percebo perfeitamente que não façam efeito, mas dizem que a quinta é muito boa. Há pessoas para quem a quinta resulta muito bem…

- Nada! Só a sexta é que tem este efeito em mim! O sábado aborrece-me, há sempre aquela constante sensação que o Domingo está próximo e que a sexta já passou. A quinta é exasperante, deixa-me cheio de ansiedade mal consigo comer ou ver, quanto mais falar. O Domingo pura e simplesmente devia desaparecer, só faz é mal…É como te digo, só a sexta mesmo…

- Deixa lá, há-de passar, vais ver. Conforme te apareceu, há-de desaparecer. Estás com bom aspecto, a sério, gosto de te ver. Quem te viu na semana passada e vê hoje nota logo a diferença. O que é que o médico te diz?

-Se me tivesses visto ontem, ou se me vires amanhã, já vês o mesmo de sempre. O médico não me diz nada de jeito ou que resulte. Disse-me para viver a minha vida dia a dia e tentar pensar nas coisas que me rodeiam só. Eles sabem lá. Não são eles que se sentem como eu sinto. Mas pronto, hoje é sexta. A sexta é a única cura que há, ou que eu conheço. Tenho que aproveitar…

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Gasoline man

Não consigo deixar de admirar aqueles velhotes, que mentalmente, de certeza, estão ainda cheios de força, destreza, equilíbrio e energia, e que por causa disso se levantam prontamente sempre que uma senhora ou uma rapariga entram no autocarro cheio, e continuam, estoicamente, o resto da viagem quase aos trambolhões...

Lucidogen

Hoje de manhã, no autocarro, um chinês já bem velho pediu-me licença para poder encostar um balde e uma esfregona ao pé da janela, para que não caísse enquanto fazia a viagem também de pé...Nunca tinha visto, sem ser em filmes, um chinês velho!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Banda Sonora

É bom quando se vê o povo fazer pela vida, lutar por ideais, não se resignar, e acima de tudo fazer ver que, de facto, quem mais ordena é o povo. Um povo determinado consegue sempre...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Acrylic afternoons

- Está calado ó cota! Eu ainda não tinha seis anos e já tinha e-mail...

- Grande coisa! Eu tenho correio desde que nasci.

Joyriders

- Agora já percebi porque é que os U2, mesmo fazendo álbuns ainda piores do que os anteriores, têm cada vez mais dinheiro! A mim é que nunca mais me apanham em nada dessas porcarias de solidariedade...

- Porquê?

- Porque é tudo pro bono...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O sonho dos meus amigos é ter um GTI

Pergunto-me o que diria Freud sobre a repentina opção de grande parte das mulheres que fumam preferirem agora desfrutar daqueles cigarros maiores, mas muito mais fininhos...

Feast or famine

- Não tens pena, ou te arrependes, daqueles dias em que não fizeste nada, ou não aprendeste nada?

- Não. Só me arrependo dos dias que já vivi mas que ainda não aconteceram...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

My heart is a drummer

- Apercebi-me hoje que se matar uma pessoa no espaço não irei ser condenado por isso.

- Porquê?

- Porque não tem gravidade.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Bad Love

- O que é que preferias, ser careca à frente e ficar com uma testa até meio da cabeça, ou ser careca atrás e ficar com uma coroa tipo os chapeuzinhos do Papa?

- Definitivamente ficar com o chapeuzinho do Papa. Assim, caso eu um dia queira ser papa, posso sempre dizer que tenho o cabelo assim para o chapéu me assentar mesmo bem, tipo tatuagem, uma cena que diz logo que o meu destino seria ser Papa. Além disso, ser Papa é como ser o James Dean para a terceira idade. Já viste bem, eu, no alto dos meus 70 anos, ter um monte de velhas em todo o mundo que no meio das conversas entre elas dizem que se pudessem comiam o Papa todo! Aposto contigo que a D. Joana, aquela beata do café, pensa nisso todos os dias, pela forma como ela fala do Padre novo. Também, desde nova que ouve aquela música...

- Por falar em comer, curte-me lá aquela gaja que vai ali a passar agora. Alto pedaço de mau caminho, digo-te já?

- Aquela gordita? Porquê?

- Porque da forma que eu curto comer, se andasse com ela, num instante iria ficar como ela...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

No I in Threesome

- Não, espera, já sei que tipo de pessoa é que tu és. Tu és daquele tipo de pessoas que gosta de completar as ultimas duas palavras de uma frase que está a ser proferida pela pessoa que está a falar contigo. És daquelas pessoas que diz, exactamente, e que abana afirmativamente com a cabeça, em sinal de absoluta concordância com o interlocutor. Ris-te, nem muito, nem pouco, o suficiente, o que basta para deixar a outra pessoa com a sensação de que está a dizer a verdade, a única e verdadeira verdade. Apesar de não gostar desse tipo de pessoas, reconheço que têm a sua importância, principalmente para as pessoas que gostam de ser bajuladas e que acham que tudo o que dizem é o que está certo.

- Ai é? Eu também já sei que tipo de pessoa és. Tu és daquele tipo de pessoas que são sempre parvas...

- Pronto. Tinha que vir a estupidez! Não se consegue ter uma conversa em termos contigo...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Circunlóquio objectivo

À medida que a sombra invadia o poente
A bolha de ar, que o primordial nível ostentava;
Desapareceu de repente, tolhendo todo e qualquer equilíbrio em seu redor
num raio oblíquo de cento e cinquenta metros exactamente
O velho, flutuando ao lado da poltrona, olha agora, freneticamente, para cima e para baixo
Suspirando veementemente à medida que o tempo passa por cima do cocuruto,
e as paredes se habituam a ser chão
Com um esgar feliz, o generoso ápice cedido pela gravidade proporcionou que,
o ambicionado ensejo,
Quantas vezes teria a oportunidade passado?
pudesse ser agora concretizado.
Sem nada mais que pudesse ocupar-lhe a mente
contorceu-se, esticou-se, com o intuito único de agarrar,
e desta vez com as duas mãos
Os Desejos, efémeros, que há muito, e sem saber,
tinha deixado escapar,
e que o acaso, ou o ocaso, tinham agora, inesperadamente,
Dispersado, subtilmente, pelo éter.
Sem qualquer aviso prévio, ou um preâmbulo sequer
Caiu, duro, teso, na terra castanha, húmida, cheia de larvas e vida invisível.
Deram com o seu corpo nove dias depois
Junto a um bidé beije colado em azulejos brancos e pretos
que formavam losangos perfeitos a quem de cima para os mesmos olhava
Consta que tinha sido ali, no centro de um dos rombos,
que um dia havia sido feliz, durante um minuto inteiro.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

C'mere

O melhor plano para se ser feliz é não fazer ou ter qualquer tipo de plano ou projecto para ser feliz. Apesar de ser um plano, é um plano que não exige planos e tem a vantagem, num outro plano, de não ficarmos decepcionados com o resultado final.

Narc

A cara. A cara consiste na expressão facial, completamente indescritível, que uma pessoa faz num restaurante, numa discoteca, num concerto, etc. A cara surge normalmente quando de repente, num momento qualquer, começa a dar a música da vida dessa pessoa. Nesse momento a musica que dá sentido à vida dessa pessoa está a dar e a pessoa sente-se emocionada, dá um pulo de alegria, sorri ferozmente, já não se consegue conter mais a sua excitação. O corpo começa então a abanar ao som da música, os olhos fecham-se, a cabeça começa também a andar de um lado para o outro, já nada pode parar a cara. A pessoa, em pleno delírio, fora de si, começa a cantar a música da sua vida. Canta a plenos pulmões, num êxtase total e completo!
A cara surge finalmente no preciso momento em que tudo isto está a acontecer e a pessoa, com a maior alegria do mundo, canta a música que fez a sua vida nascer, sem saber sequer a letra...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Glass Palace

Recordo-me perfeitamente da minha professora de educação visual do 7º ano mandar um grande raspanete a uma colega minha, por ela lhe ter dito que não gostava do nome que tinha. Na altura, a justificação da professora assentava na ideia de que todos os nomes escolhidos e dados às pessoas tinham uma razão inexplicável de ser, e que mais cedo ou mais tarde todas as pessoas acabam por gostar muito e, acima de tudo, ter cara do nome que têm.
Ora eu nunca acreditei muito naquela teoria, embora até concorde que mais cedo ou mais tarde as pessoas acabem por gostar muito do nome que têm. No entanto, não deixa de ser irónico, como é por exemplo o caso comprovado do Carlos Castro hoje, o nome que certas pessoas têm desde que nasceram...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Lazarus heart

Não suporto, nem tenho paciência, as pessoas que estão constantemente a falar sobre si. Não as consigo perceber! É quase uma fixação por elas próprias, fazendo com que isso lhes impeça de conseguirem falar sobre mais alguma coisa que não sobre si mesmo! Sempre eu, eu, eu, então e eu? Parece mesmo que essas pessoas gostam de contar, com todos os pequenos e insignificantes pormenores, as mais estúpidas coisas que aparentemente lhes estão constantemente a acontecer, e sempre como se fossem as coisas mais extraordinárias, ou as maiores tragédias, ou as coisas mais cómicas. Por razões que desconheço, as que são consideradas as mais cómicas são normalmente as mais visadas. Mais confusão me faz quando assisto a uma conversa entre duas pessoas, onde uma está a contar uma situação qualquer que lhe aconteceu, e a outra pessoa, assim que ela termina de contar o que estava a contar, começa de imediato a debitar também uma outra história da sua vida, sem ligar ou opinar absolutamente nada sobre o que ouviu. Normalmente começa sempre com uma frase do género: “Se isso foi a ti, a mim ainda me aconteceu pior… …”. E pumba, lá vem mais uma história qualquer. Como se isto já não fosse o bastante, a primeira que tinha iniciado a conversa, mais uma vez depois de ouvir muito atentamente a história da outra, ainda responde: “Ah, mas isso não é nada comparado como que me aconteceu no outro dia, queres ouvir esta?... …”. Escusado será dizer que ainda vamos para uma terceira, quarta, quinta história. Sim, porque desconfio que este tipo de conversas deva ser uma competição instituída. Este tipo de conversas serve sempre para ver quem é que consegue ter a história mais desgraçada, a mais engraçada, a mais triste, etc. Sempre na primeira pessoa, sempre eu, eu, eu. Então e eu?
Obviamente que neste tipo de conversas/competição, cada resposta que é dada nunca é um comentário, ou uma opinião ao que se acabou de dizer. É logo uma resposta a contar também um episódio qualquer da vida delas. Um espectador de uma destas conversas consegue observar a pessoa que fala a falar muito interessadamente e efusivamente sobre o que está a contar, e a pessoa que ouve muito atenta ao que está a ouvir. Mas ao contrário do que se possa pensar, o ouvinte apenas ouve interessado para que possa, enquanto ouve, ir aos confins da memória buscar uma história ainda melhor do que a que está a ouvir para que a possa contar assim que perceba que a outra pessoa terminou o que estava a dizer. Por vezes o esforço de memória não chegou a lado nenhum e então a melhor solução que têm é passar para a secção das conversas filosóficas sobre o que é que fariam se fossem uma determinada pessoa numa determinada situação. Sempre eu, eu, eu, então e eu?
Se ainda fosse necessário uma confirmação, ela surge quando numa destas conversas entre duas pessoas surge uma terceira pessoa e interrompe abruptamente, com os habituais cumprimentos da praxe, tanto a pessoa que estava a falar como a pessoa que estava a ouvir, e começa de imediato a contar uma coisa muito importante sobre o que lhe aconteceu durante o dia. Nesta altura, para um mero espectador, nunca iremos saber o fim da conversa que estava a haver antes do terceiro interlocutor ter interferido. O que evidencia claramente a falta de interesse dos ouvintes, e até de quem está a falar!
Desisto. Sempre eu, eu, eu. Então e eu, quando é que eu irei ter uma oportunidade de me conhecer a mim próprio?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Us Godless Teenagers

- Sabes aquela gaja loura que anda sempre vestida com calças justíssimas enfiadas por tudo quanto é lado, que nos costuma atender no café à hora de almoço?

- Sim, o que é que tem?

- Ela está sempre com um sorriso parvo nos lábios enquanto trabalha e atende as pessoas, parece que está sempre a gozar...

- Com aquelas calças sempre vestidas daquela forma, eu tenho quase a certeza que ela passa o dia a gozar...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Conversation 16

É raro,
De quando em vez,
Muito raro,
De tempos a tempos,
Raríssimo,
Esporadicamente,
Rarissimamente,
Extemporaneamente,
É de uma raridade,
Não é costume,
É extremamente raro,
Não tenho o hábito,
Raridade absoluta,
Uma vez por outra,
Lá quando o Rei faz anos.
Repito-me.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Associação CAIS quer tornar pobreza ilegal

"...A CAIS, uma associação de apoio aos sem-abrigo, vai apresentar uma proposta aos partidos com assento parlamentar para que a pobreza seja ilegalizada e o Estado seja multado por não conseguir reduzir o número de pobres em Portugal..."

Ora aí está uma boa proposta! Pena é que os mercados andem para aí a dizer que Portugal é um estado pobre... Se o estado fosse as empresas privadas e os bancos que dão milhões e milhões de lucro, que mesmo com a crise a crescer dividem esses milhões de lucros pelos accionistas antes de as medidas de austeridade entrarem em vigor...

Camboja casa duas cobras pitons para atrair sorte

"...Centenas de cambojanos participaram esta segunda-feira na curiosa e inédita cerimónia de casamento de duas cobras pitons, que, segundo a crença, traz boa sorte..."

Em Portugal, há uns anos, a Manuela Guedes casou com o José Moniz! O resultado foi uma estação de tv mediocre à frente nas audiências há 6 anos, segundo um estudo apresentado hoje!
Traz sorte para quem mesmo o casamento entre duas cobras?

If It Be Your Will

Nunca consegui perceber porque é a palavra tardinha representa a parte da tarde onde a mesma atinge o seu maior comprimento!