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terça-feira, 30 de novembro de 2010

A-Punk

Quando tudo, de repente, que julgas importante
Não passa, tão-somente, de algo irrelevante
Ficas embasbacado, apenas a olhar
Ages como um coitado, e reclamas ter azar
Mas se tudo, de repente, se altera outra vez
Tu passas, alegremente, a agir com rapidez
Projectas, idealizas, planeias incessantemente
Congeminas um futuro, menosprezando o presente

Por que é que tu me julgas, sempre sob os teus padrões
Como é que tu me culpas, se não conheces as razões
Se não pensas como eu penso, é uma coisa natural
Não penses é que o teu intento, é para todos em geral
Se eu menosprezo o presente, como é que tu vives então?
Para mim tu és banal, não tens pingo de emoção
Racionalizas tudo e todos, e achas sempre que tens razão
Se só os outros é que são tolos, não passas de um charlatão

sábado, 27 de novembro de 2010

Banda Sonora

Sábado, 27 de Novembro de 1993. Há precisamente 17 anos, os James iam tocar no pavilhão do Restelo com Radiohead na primeira parte. Era a segunda vez que os James cá vinham e a primeira vez dos Radiohead! Uns porque não tinham dinheiro, outros porque iam passar o fim-de-semana fora, outros porque não gostavam ou não conheciam, no dia do concerto, apercebi-me que pela primeira vez, desde que tinha começado a ir a concertos com alguma frequência, ia a um concerto sozinho. Momentos marcantes dessa noite foram o espanto do Thom York a olhar para o público a cantar uma música do primeiro álbum deles chamada Creep, a entrada dos James em palco com a música Heavens, a música Johnny Yen (Ladies and gentlemen, here's my disease) a meio do concerto, Honest Joe :) , Out to get you (Here they come again ) a abrir o encore, Five-o (If it lasts forever, hope I'm the first to die Hope I'm the first to die)... Foi o concerto da minha vida! A música tem sido, desde que me lembro, parte muito importante da minha vida. Desde esse dia até hoje, o meu gosto musical alterou-se bastante. Tento sempre procurar novas músicas, novos sons, novas coisas que me despertem a atenção. Passo grande parte do dia a ouvir musica, vou a 2, 3 concertos por semana, já assisti a não sei a quantos concertos, já tive sensações indescritíveis em concertos, etc. Não sei quantificar o significado que cada um desses concertos teve para mim, uns melhores, outros piores, uns maus, é muito importante assistir a maus concertos, outros excelentes. Mas este concerto dos James, não sei porquê, provavelmente por ter sido o primeiro a ir sozinho, não sei, o que sei é que este concerto representa o fim de uma etapa da minha vida e o consequente início de outra. A minha vida nunca mais foi a mesma depois desse concerto e eu só me apercebi disso, exactamente hoje de manhã, assim que acordei. No dia a seguir ao concerto, logo às 7 da manhã, ia viajar para o paraíso. Tinha que me levantar às 6 depois de me ter deitado às 3 e tal, mas não fazia mal. Antes de me deitar, ainda anotei num papel o alinhamento do concerto. 5 anos mais tarde, por acaso, conheci um gajo que tinha gravado o concerto e ele vendeu-me uma cópia em cassete. É a gravação com o pior som do mundo, mas deu ainda para ouvir e recordar o concerto.
Hoje, acordei, depois de ter olhado para o dia através da janela, não sei porquê, recordei-me de imediato do dia do concerto, 27 de Novembro de 1993! Faz hoje 17 anos! Raramente me recordo do que sonho. Apesar de não me conseguir lembrar nem enquadrar mais nada, lembro-me perfeitamente de ter sonhado durante a noite com guarda-chuvas pretos, fechados, daqueles bastante pequenos e que se desfazem com uma rabanada de vento. Provavelmente dou mais significado às coisas do que elas propriamente têm...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Acrobat

- Já viste? De hoje a um mês é Natal...

- De hoje a um mês? Porquê? Então mas o Natal não é quando um homem quiser?

The fly

- O que é que te deu pá? Costumavas entrar sempre às nove, nove pouco, e agora, há umas duas semanas, entras sempre às dez, dez e pouco porquê?

- Porque deixei de fumar. Nunca consegui estar oito horas dentro de um escritório...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Red moon

De uma maneira geral, as pessoas quando dizem, acerca de um determinado assunto ou pessoa, que esse assunto ou pessoa já não lhes interessa, que já não lhes incomoda, é porque estão, ou ainda estão, fodidas da vida com isso. Aquilo que eu ainda não consegui perceber é se é a isso que se pode denominar de dor de corno...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

600

- Sabes, acho que era gajo para poder apaixonar-me por ti...

- Por que é que dizes isso, estás a ver-me e a falar comigo pela primeira vez! Não me conheces...

- Exactamente por isso. Se eu já te conhecer, provavelmente já não sou capaz de me apaixonar por ti.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Por isso eu tomo ócio, eu tomo ócio, é o remédio... #1

A maior parte das vezes dizes-me que te ris para não chorar, sob a desculpa esfarrapada de que as gajas, ao contrário dos gajos, preferem sofrer com um sorriso nos lábios do que sofrer tristemente, ou então mandar à fava tudo e todos à volta enquanto o ressentimento não passa. Outras vezes dizes que só se for para rir é que aquilo que te disse faz sentido. Todavia, em momento algum te ris quando dizes isso. Em algumas ocasiões dizes-me, e passo a citar, não me faças rir a uma hora destas. Em todas as vezes que me fizeste tal pedido, efectivamente nem sequer um sorriso esboçaste. No entanto fingiste ficar surpreendida e perguntaste-me sobre o que é que eu estava a falar quando te perguntei qual a hora ideal para te fazer sorrir! Depois de te ter explicado o motivo da minha pergunta, surpreendentemente, respondeste-me que não se planeia um sorriso, que o mesmo ou é espontâneo ou então não é um sorriso genuíno...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Postcards from tiny islands

Olhó o Chôr! Como é está o Chôr?

- Bem obrigado…

- Então e o que é que vai hoje? Olhe, temos ali, acabadinhas de chegar, bem fresquinhas, umas esperanças, UI, nem lhe digo nada. São daqui…

- Não, hoje não preciso, eu ainda tenho, obrigado.

- Uma gananciazita, uma ambição? Não? A gente já sabe que faz mal, não é, mas sabe tão bem às vezes…Olhe, perdoa o mal que faz para o bem que sabe, não é verdade?

- Não, obrigado Sr. André, eu é muito raro usar. Para hoje queria só meia dúzia de novas oportunidades se fizer favor.

- Meia dúzia? Só? Olhe que a dúzia é mais barata. Pode pagar mais agora, mas fica-lhe mais em conta…

- Não, meia dúzia chega, obrigado.

- Então e que mais?

- É tudo Sr. André, obrigado

- É tudo então?

- É sim…

- Muito bem, aqui está o talãozinho. Pode pagar ali na entrada, já sabe como é não é…Olhe, Chôr, permita-me só um conselho, e nem é porque eu não vendo disso aqui, mas tenha cuidado com a subserviência, isso só faz é mal e uma pessoa nem se dá conta.

- Está bem Sr. André, obrigado. Até amanhã Sr. André.

- Até amanhã, Chôr…

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Banda Sonora

Há precisamente 19 anos (faz 19 anos dia 19 de Novembro!) saía o Achtung Baby, e esta foi a música que serviu de desculpa, ou motivo, para meter conversa com a Susana, da minha turma, por quem estava mesmo apaixonado desde que tinha começado o ano lectivo.
Muito certa está a frase inicial do vídeo...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

We've been had

No passado, vivia no presente sem querer saber ou importar-me sequer com o futuro. No presente, que já foi futuro, vivo com esperança que o passado seja presente antes que o futuro se transforme em passado.

Thinking of a dream I had

Hoje em dia compra-se tudo feito, até por catalogo na net, para nem sequer ser necessário sair de casa. Se está tudo a um click de distância, porquê então estar a ter o trabalho de fazer amor?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sprawl II

Contrariamente aquilo que se poderia pensar, as cerzideiras são muito mais picantes do que as costureiras...

We used to Wait #1

Antigamente cortejava-se. Hoje em dia esquarteja-se...

Modern man

Sempre que não me apetece ir trabalhar passo pelos restauradores, e depois ligo para o trabalho a dizer que me dói alguma coisa.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

The very first time I touched your skin I thought of a story And rushed to reach the end Too soon

- Não devias dizer que à rapariga com quem dizes ter intenção de namorar que ela tem olhos de BZU, ou olhos de peixe! Para além de ela provavelmente não gostar muito disso, não fica bem percebes...

- Não sei porquê! Assim ela fica a saber que gosto dela mesmo com os defeitos que tem...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

The Sad Punk

"Portugal vai repor controlo nas fronteiras entre os dias 16 e 20..."

Tomem terroristas que vêm para a cimeira de Lisboa de carro, mota ou bicicleta, tomem! Agora ou gastam mais dinheiro na pensão e vêm dia 15, ou então vão ser apanhados.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Debaser

Assim que fechou a porta de casa, receosamente, para não dar aos vizinhos uma justificação de dizerem, mais uma vez, mal dela, atirou, um para cada lado, desinteressadamente e pelo corredor fora, os sapatos de salto alto que tinha comprado há uns dias atrás numa loja fina da baixa. Limpou, com todo o cuidado, os restos de folhas partidas, pequenos grãos de areia e pó, que estavam no fundo, da parte de fora, da mala preta Louis qualquer coisa, e deixou-se escorregar pela porta abaixo, prostrada num pranto, fazendo até, numa das saliências do fino ferro da fechadura que atravessa a porta da rua longitudinalmente, um pequeno rasgo no vestido azul de malha que envergava nesse dia. Fazer-se de ébria, e esporadicamente de maluca, era a única maneira que tinha conseguido arranjar para conseguir fazer-se notar, de alguma forma, aos demais transeuntes que por ela passavam na rua. Naquele dia, a consciência de tal comportamento, inexplicavelmente para si, fê-la, pela primeira vez desde que se tinha até sentido orgulhosa da primeira ocasião em que tinha conseguido chamar a atenção de dois homens que passeavam pacatamente pela praça solarenga naquele Domingo, ter pena de si mesmo. Esteve uns minutos a chorar compulsivamente, até que de repente se levantou. À medida que se ia despindo e deixando a roupa espalhada pela casa, ao mesmo tempo que encetava uma pequena viagem, primeiro à cozinha, e depois à sala, dirigiu-se para a casa de banho. Aí, já nua, abriu a torneira da banheira e deixou a mesma encher quase até acima. Mergulhou suavemente no monte de bolhas que os sais e produtos naturais de beleza tinham provocado na agua, e recostou-se confortavelmente, deixando o calor da agua aquecida e o quente da alma em chamas, liquefazer-se e evaporar-se lentamente, enquanto o liquido da garrafa de whiskey de malte 20 anos, esquecida lá em casa no fogo de uma discussão por um dos inúmeros desgostos amorosos, desaparecia no horizonte. Finalmente tenho o proveito, da fama que granjeei. Nunca na vida, eu me embebedei! Balbuciava, enquanto caía para a frente sem qualquer força para se conseguir voltar a erguer.

Bone Machine

A grande vantagem de a dívida pública ter chegado aos 7%, e com tendência para aumentar, é que agora toda a gente, desde os mais promíscuos aos mais solitários, está tudo fodido...

Cactus

Juros da dívida pública chegaram aos 7%... É giro porque FMI é um anagrama de FIM...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Remember my name

- Tobias?

- Euclides. Tobias?

- Eugénio.

Hung

Um homem apenas toma decisões com cabeça, tronco e membros quando consegue esvaziar as glândulas endócrinas escrotais, uma, duas, vezes por semana...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A seta

Muito gosta o Amilcar Alfaiate de cortar na casaca...

Pets de loup

Hoje, depois de verificar que tinha acendido uma luz amarela estranha no painel do carro, parei na Precision e não me souberam dizer ao certo o que o carro tem.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Quejando

Nascido no meio mato
Sem qualquer tipo de aparato
Resultado sem desiderato
Fruto da falta de olfacto
Para mal dos seus pecados
Os seus bocados bem passados
Eram tão-somente gozados
Quando incautos isolados
No meio do mato passeavam
E um ou outro calhau levantavam
Convictos que com isso impressionavam
As mulheres que os acompanhavam
Saía então de rompante
Debaixo do inesperado levante
Com um grito lancinante
Um ser disforme e aberrante
Que para além de ser zarolho
Era igualmente trambolho
Semblante similar a um repolho
E o pensamento fixo no entrefolho
Sem nenhum dó nem piedade
Desferia com uniformidade
Um golpe de grande profundidade
Deixando apenas uma cavidade
No lugar onde vivia o coração
Daquele que não teve noção
Que aquela que fora a sua ambição
Era agora a sua perdição
Com o pensamento fixo a comandar
Um esgar de prazer invadia o seu olhar
Apesar da sua dificuldade em andar
Os berros da mulher faziam-se ecoar
Ao mesmo tempo que tentava fugir
Horrorizada com aquele grunhir
Ele coxeando atrás de si a sorrir
Urrava “Não me vais escapulir”
Então no auge do seu prazer
Enquanto a via à sua frente a correr
Com sangue nas mãos a escorrer
Pensava “O que é que eu estou a fazer?”
Eu não sei o que fazer com uma mulher...
Nascido no meio mato
Sem qualquer tipo de aparato
Resultado sem desiderato
Fruto da falta de olfacto
Para mal dos seus pecados
Os seus bocados bem passados
Eram tão-somente gozados
Quando incautos isolados
No meio do mato passeavam
E um ou outro calhau levantavam
Convictos que com isso impressionavam
As mulheres que os acompanhavam...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sonic Yuppie

Ainda não percebi se tenho saudades do tempo em que as coisas eram simples e eu é que entretanto fui complicando, ou se tenho saudades do tempo em que era tudo complicado e eu é que conseguia simplificar tudo.