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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Kiss me, oh kiss me

- Afinal, não é à toa que a Al-Qaida não quer saber de Portugal para nada...

- Por que é que dizes isso?

- Porque eles reputam, de certeza, os Políticos Portugueses de irmãos. Não estou a ver nenhum povo que goste mais de regatear tudo e mais alguma coisa, e esta coisa da porcaria orçamento de estado acho que já nem um árabe teria pachorra para tal...Mais que não seja por piedade, mas tão depressa não devemos sofrer outro ataque terrorista como o que temos sofrido nos últimos tempos...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Banda Sonora

Agora já consigo ver-me. Estou ali, debaixo daquele enorme candeeiro apagado, que quase ocupa completamente o tecto do edifício A sala está repleta de fumo, de pessoas absortas, cinzenta, e a música inunda-me todos os sentidos. Estou parado, de olhos fechados, e no preciso momento em que me consigo descobrir no meio da multidão, não consigo sentir mais nada para além daquele violino, da bateria, do baixo e da voz grave que despeja palavras roucas em todos os sentidos. Ao meu lado, comigo, de mão dada, está ela. Consigo agora, também, vê-la, olhar para ela, ali, mesmo ao meu lado, a abanar negativamente a cabeça, desiludida, enquanto olha para mim, ao mesmo tempo que a musica, a mesma musica que me preenche naquele preciso momento, passa por ela, sem que consiga dar-se conta da maravilhosa sensação que é deixarmo-nos levar pela musica, pela emoção, pela excitação que provoca deixarmo-nos levar. No momento em que olho para ela, só me apetece agarra-la, beijar-lhe a boca, o pescoço, as orelhas, afagar-lhe o cabelo, acariciar-lhe os seios tal como fazia quando nos estávamos a descobrir mutuamente. Era capaz de estar horas e horas seguidas apenas a beijar-lhe os seios, enquanto sentia o pulsar cadente do seu coração e da sua carne tenra envolvida na mais suave e alva pele, ao mesmo tempo que sentia a sua respiração, cada vez mais rápida, a passar sobre mim. No entanto, ali está ela, quase parada, ao meu lado. A sua mão suada, apesar de agarrada à minha, quase não tem vida. Consigo agora, só agora, aperceber-me do quão triste, infeliz, estava ela, ali, ao meu lado, enquanto eu, tão feliz, estava ao seu lado também. Ela olha para mim, desenha com os lábios a palavra Amo-te, e volta a cabeça na direcção do palco. Não diz mais nada. Apenas olha novamente para mim e fica quieta, só, à espera apenas que a música termine e que todas aquelas pessoas se vão embora, que a sala fique vazia, e que tudo acabe o mais depressa possível...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

In the cold light of the morning

- Boa! Conseguiste roubar o lugar a uma velha que estava a olhar para o mesmo bacano que tu, à espera que ele se levantasse, para se poder sentar. É verdadeiramente impressionante teres conseguido ser mais rápida do que uma velha...

- OH! Não digas isso que me fazes sentir culpada...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

I Started A Joke

- Sabes o que é que eu curto à brava fazer quando estou dentro de um elevador, rodeado de pessoas que não conheço de lado nenhum?

- Não. O que é?

- Ficar a olhar para o tecto, ou para os pés das pessoas, só para as atrofiar. O curioso é que nove em cada dez pessoas, quando olho para os pés delas, acabam por mexer, ou o pé todo, ou pelo menos um dedo ou dois!

- E quando olhas para o tecto? O que é que acontece?

- Quase sempre não acontece nada. Às vezes, uma ou outra pessoa olha para mim, e ainda mais esporadicamente, há uma que solta um pequeno sorriso amarelo.

- Então por que é que achas que atrofias as pessoas, e não achas que as pessoas pensam que tu é que és atrofiado?

- AH?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

The passenger

A passagem era extremamente estreita, muito escura, húmida, e estava coberta de pó. Havia musgo e ervas daninhas espalhados pelo chão e nas paredes. Notava-se perfeitamente que há anos que ninguém passava ali. Apesar de ser uma passagem, apenas e somente uma passagem, um caminho que permite chegar ao outro lado, a ânsia e a expectativa com que nos dirigimos para a passagem fez com que tivéssemos sentido calafrios assim que a avistamos ao longe. Confesso que já me começavam a faltar as forças quando avistamos a passagem. Não sei muito bem como é que os outros se sentiam, mas ao mesmo tempo que senti aquele arrepio nas costas e o corpo a tremer de excitação, as forças que eu estava a poucas horas de perder totalmente, automaticamente auto regeneraram tal como se estivesse a interpretar uma personagem de um jogo qualquer. Não foi preciso dizer nada. Assim que nos apercebemos que estava mesmo ali, a passagem que há praticamente 36 anos andávamos à procura, olhamos uns para os outros e sorrimos. Acho que foi mesmo a primeira vez que olhamos uns para os outros com olhos de ver, não com olhos de quem olha apenas para confirmar que os outros continuavam ali e que a viagem continuava a decorrer com todos os que a tinham iniciado. Foi nesse olhar, que não deve ter durado mais do que três segundos, que nos pudemos aperceber das diferenças que a viagem até ali nos tinha causado. Há marcas e rugas nas nossas caras e corpos, causadas pelo sol e pelo vento que bateu tantas vezes na nossa cara enquanto subíamos e descíamos. Uns estão mais gordos, outros mais magros, alguns perderam cabelo, outros têm barba, outros ainda têm o cabelo mais comprido. A forma de falar e sorrir é praticamente a mesma, mas aquilo que se diz já é diferente, já é dito de uma outra forma. Provavelmente o silêncio a que praticamente nos impusemos durante a viagem fez com que nos tenhamos esquecido da forma que falávamos quando iniciamos a viagem e agora, apesar de já ninguém se lembrar de como era antes, nota-se bem que há diferenças. Uma vez que já ninguém se lembrava de como é que éramos realmente quando começamos a viagem, não se conseguiram estabelecer comparações e foi inevitável rir quando nos apercebemos de tudo isto. De repente, as diferenças que nos tínhamos agora apercebido, tornaram-se irreversíveis, a partir daquele momento não éramos mais as mesmas pessoas que tinham iniciado a viagem juntas. Naqueles três segundos, que pareceram durar vinte anos, conseguimos resumir uma viagem de 35 anos que pareceram 1000! Olhámos para a passagem, olhamos mais uma vez uns para os outros, vi olhos que transpareciam ora amargura ou desilusão, ora alegria ou experiência. Todos demonstraram, no entanto, determinação, coragem, e principalmente regozijo por estarmos todos ali. Não foi preciso, mais uma vez, dizer nada. Irrompemos pela passagem adentro e seguimos nova viagem com a consciência renovada.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Squalor victoria

Estou marcado. Fui marcado.
Sou mais uma vítima mortal de todos os olhares, discretos ou indiscretos.
Olhares errantes que tornam evidente a certeza, já de si infalível no seu âmago.
Desejos secretos, volúpia, exercem o seu domínio constante.
Manipulam, manobram, deslocam-se irreflectidamente
Num movimento consignado e preciso
Na busca do objectivo, previamente, mas inadvertidamente calculado
Jungem, o que à partida, já está julgado

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

House of love

A casa. A casa foi aquela que os dois tinham escolhido quando sem querer começaram a ver casas para comprar. Apesar dos azulejos no corredor, tinham estabelecido uma empatia com o casal que lá morava e por uma razão qualquer, aquela ficou a casa.
A casa. A casa começou por ser um plano, um projecto para o futuro. Contra a natureza dele em fazer planos, contra a natureza dela em tomar decisões, foi ali, naquela casa, que ele planejou o futuro e que ela tomou a sua decisão.
Um plano não é um sonho. Decisões não se tomam sobre pressão. A casa. Aquela casa demonstrou-lhes isso. Ficou sem brilho, envelheceu.
A casa. A casa resiste, procura agora preencher os sonhos e as decisões dos novos moradores. A casa.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

It never happened

"Vaticano diz que Homer Simpson é católico" in Capacitor

Por acaso sempre achei o Papa bastante parecido com o Mr. Burns...

Patterns of fairytales

"Fim do universo pode acontecer daqui há 3,7 bilhões de anos" in SRZD

Eu digo que não é daqui a 3,7 bilhões de anos, mas sim 3,6 bilhões de anos. Mas na altura logo se verá. Uma dúvida no entanto. Bilhões são bilhas muito grandes, ou apenas lhões que são bi?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

I can say I hope it will be worth what I give up

Tem dias que me aborrece, sinceramente, não ter tempo para fazer tudo o que gostava de fazer nesse dia. Tem outros que isso nem sequer me importa, porque nunca há nada que eu queira mesmo fazer num determinado dia que não ache que posso perfeitamente fazer num outro dia qualquer, que não o dia em que penso nisso. A não ser que que esse dia já tenha passado. Caso tal tenha acontecido, fico apoquentado por não ter feito o que gostava fazer. Isto, claro, caso soubesse previamente o que queria fazer. Deve ser por isso que gosto de planear coisas abstractas para fazer concretamente num dia ao calhas. Só que todas as vezes que esses dias chegam, nunca me lembro em concreto daquilo que já tinha planeado antecipadamente a contar com dias assim!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sim, eu sei...

- Porra pá! Hoje é que me lembrei que já estamos em Outubro! Passou mais uma vez um ano e não consegui conhecer ninguém em Setembro...

- E então, qual é que é o problema disso?

- Tenho o sonho, ou o objectivo se quiseres, desde puto de conhecer uma gaja em Setembro e a nossa musica ficar aquela do Vitor Espadinha. Já reparaste bem na pinta que é poder cantar para ela: "Foi em Setembro que te conheci..."

- Pronto, é um sonho como outro qualquer. Não te esqueças é que, para além da gaja depois ter bazado em Novembro, é triste viver de ilusões...

- Oh! Isso é porque eles, os que dizem isso, não sabem que o sonho é uma constante da vida, tão concreta e definida, como outra coisa qualquer...

- Meu! Por isso é que tu não coheces gajas! Isso já é Manuel Freire, outra decada, outra cena...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Banda Sonora

Ao tempo que o Zé me anda a dizer que eu tenho de arranjar uma frase. Eu nunca lhe ligo nenhuma, acho que ter uma frase é estúpido...ou melhor, não é estúpido, tira é a espontaneidade toda à coisa. Além disso, como é que uma mesma frase se aplica a todas as pessoas, se as pessoas são todas diferentes? Bom, cada vez que eu digo isto ao Zé, ele responde-me sempre com a frase "todos diferentes, todos iguais". Ao que eu lhe respondo sempre com um: Yá, yá, é isso mesmo... Provavelmente é um trauma que tenho, não sei... ...Rais’partam o Marocas! A culpa de eu ser assim é toda dele, tenho a certeza absoluta. O cabrão fez-me duas cenas que nunca mais me hei-de esquecer. A primeira foi com a chinesa. Ela era bonita para caraças! Ainda deve ser, não sei, não a vejo há anos. Mas quando andávamos na secundária, a chinesa era sem dúvida nenhuma a miúda mais gira da escola! O que é um totó como eu fazia quando via a chinesa? Olhava feito parvo, como é óbvio, embevecido, com o sol a reflectir no cabelo preto que ela usava sempre solto. Ainda por cima eu morava mesmo ao pé do liceu, portanto a quantidade de vezes que eu devo ter ficado especado a olhar para ela deve ter ultrapassado, sem qualquer tipo de dúvida, todos os limites do razoável. Cada vez que ela passava, matematicamente ali ficava eu, embevecido apenas, a olhar. Nunca, mas mesmo nunca, me ocorreu nada para lhe dizer em todas as vezes que ela passou por mim. Não me passava pela cabeça que ela me visse sequer! Como tal, eu olhava para ela, apenas porque ela era tão bonita, divertida e simpática, sem me ocorrer qualquer pensamento pecaminoso nem nada... Pura e simplesmente ficava a olhar para a chinesa enquanto ela passava a sorrir ao mesmo tempo que falava com as amigas, estando eu ali, acompanhado por um enorme balão de vazio sob a minha cabeça. Ora o que é que um dia a chinesa, que é uns dois, três, anos mais velha do que eu, se lembrou de fazer quando eu estava mais uma vez a olhar para ela, após ter gesticulado com a cabeça para elas passarem, a fim de lhes dar prioridade de passagem na rua estreitinha, apelidada de “O atalho”, e que desembocava praticamente na escola, mesmo atrás do prédio onde eu morava? Isso mesmo. Olhou para mim, sorriu e disse-me: És tão giro! Como é que te chamas? Corei. Alias, todo o sangue que tinha foi de certeza parar à minha cara. No preciso momento em que lhe disse, a gaguejar, que o meu nome é Pedro, e o teu? Passou o Marocas! Eu ainda estava surpreendido por ter conseguido articular uma frase completa quando o oiço dizer o seguinte:

- Foda-se chinesa, andas a desmamar putos agora é? E tu Pedro, deixa estar que eu vou dizer ao teu Pai o que é que tu andas a fazer, estás fodido vais ver...

Soube, mais tarde, que o imbecil do Marocas (nome mais beto não deve existir!) tinha, tal como todos os gajos da escola alias, uma paixão por ela, e aquela foi a reacção dele quando a ouviu dizer-me aquilo. Eu nem o tinha visto atrás delas quando lhes dei passagem! Apesar de eles serem os dois na mesma turma, nunca namoraram. (Bem feito!).
Claro que naquela altura o “status” e o modus vivendi de um estudante do secundário era a coisa mais importante do mundo. (Ainda bem que só aprendi a dizer modus vivendi muito mais tarde, a porrada que por certo teria levado se tivesse a audácia de mencionar tal coisa naquela altura!) Como tal, baldar às aulas, andar à chuva e ir para as aulas com o cabelo molhado, ser mau aluno e ser expulso das aulas, e principalmente andar com gajas (no caso dos gajos, ou gajos no caso das gajas), mais velhas era tão-somente o supra-sumo do altamente estiloso, ou, como se dizia na altura, impec! Resultado? Nunca mais a chinesa falou comigo depois desse pequeno episódio. Como se de uma transferência de sangue se tivesse tratado, depois do Marocas ter proferido tal ignomínia, a cara dela ficou vermelha, e parece que ainda a estou a ver a correr pela rua abaixo sem ter dito mais nada.
Não estava escrito na estrelas, é o que eu digo para mim mesmo ainda hoje em dia...Se ela realmente tivesse algum interesse em mim não teria desatado a correr daquela maneira...Por outro lado, o que ainda hoje em dia também me atormenta, é que ela é que se meteu comigo em primeiro lugar, tendo, se calhar, depois daquele episódio ficado à espera que fosse a minha vez de lhe dizer alguma coisa...Nunca irei saber...O que sei é que continuo, invariavelmente, acompanhado pelo meu velho amigo enorme balão de vazio cada vez que troco um olhar mais prolongado com uma moça que me cativa a atenção. Não sei, se calhar o Zé tem mesmo razão! Arranjar uma frase, neutra vá, é capaz de ser a melhor forma de ultrapassar o momento em que apenas ficar a olhar já começa a ser embaraçoso e urge dizer qualquer coisa...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tell her I said so

- Eu cá queria uma gaja assim daquelas que falassem, falassem, falassem. Mas que falassem sempre com alegria, com entusiasmo sobre tudo aquilo que estavam a dizer e a pensar. Daquelas que acordam e se sentam na cama estremunhadas, que esfregam os olhos e começam logo a falar sobre o dia que vão ter, sobre o que querem fazer e quais os planos para essa noite, e que encarem isso tudo com uma alegria descomunal...

- Em suma, querias uma gaja apaixonada pela vida, exactamente o contrário daquilo que tu és...

- Diz que os opostos se atraem, não diz?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Got the shakes #1

O meu novo objectivo de vida é tornar-me numa pessoa que escreva Kero e kem, que diga lolada em vez de rir, e que diga Bigada, com a boca semi aberta do lado direito da cara, como forma de agradecimento. Parecem-me sempre tão felizes essas pessoas...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Just Like Fred Astaire

Olha! Ali vem ela outra vez. Desde que trabalho aqui, nem sei bem há quanto tempo, geralmente perco a noção do tempo que passa nos sítios onde trabalho, vejo-a ali em baixo, sozinha, a fumar um cigarro. É matemático! Às duas e meia da tarde, e às cinco, lá vem ela. Encosta-se à parede junto à janela, e ali fica a fumar. Por vezes, vem nitidamente a ouvir uma música qualquer que está a tocar na sua cabeça. Consigo perceber a sua ligeira dança, o seu ligeiro balançar de corpo. Mexe no cabelo durante alguns instantes, e depois sorri, como se de repente se tivesse apercebido que está sozinha, no átrio do local de trabalho, a dançar. A maior parte das vezes fica só a contemplar alguma coisa, a paisagem, alguém que passa, o fumo que lentamente vai expelindo, só, embrenhada nos seus pensamentos. Enquanto estou a olhar para ela, revejo-me em todos os seus movimentos. Chego mesmo a pensar que ela, no preciso momento em que estou a pensar nisto, está a pensar exactamente no mesmo. Como se fossemos o espelho um do outro, em lados opostos de um edifício, comunicando apenas através da sintonia de pensamentos e com movimentos corporais, ora simétricos, ora paralelos. Por vezes, sinto que a conheço profundamente. Sinto que bastava chegar ao pé dela, como quem partilhou a vida inteira através de um só olhar, e perguntar-lhe no que é que acredita. Nunca consegui perceber se ela alguma vez me viu, ou vê, também a fumar, sempre que ela ali está, do outro lado edifício. Será que ela também se questiona sobre o que estarei a pensar? Será que ela pensa que devo ser maníaco, parvo, ou simplesmente desocupado, por eu estar aqui a fumar, sozinho, sempre que vem fumar um cigarro às duas e meia e às cinco da tarde? Será que, como eu, ela vem fumar mais vezes por dia, algumas na esperança de eu lá estar a fumar?! Ou será que ela só fuma dois cigarros por dia, precisamente, e por um motivo qualquer, às duas e meias e às cinco?! Tem dias, principalmente se estiver a chover e pequenas gotas de chuva estiverem a escorrer lentamente pela janela abaixo enquanto o vento abana as oliveiras lá fora e o céu cinzento-escuro a alterar-se constantemente devido ao rápido movimento das nuvens, que acho que tudo não passa de um teledisco de uma musica qualquer do Peter Cetera. Tem outros, que tenho pena de não saber linguagem gestual para poder comunicar com ela à distância. Tenho quase a certeza que ela sabe linguagem gestual. É tão fácil, ter uma vida totalmente repleta, em oito minutos, e depois voltar para o trabalho.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Tenho um furo na cabeça.

Descobri que consigo olhar, tal como o camaleão, com um olho para cada lado! Consigo pôr o olho esquerdo, o lado do coração, a olhar para o passado, e o olho direito a olhar para o futuro. O problema é que como o lado direito do cérebro não é o lado dominante, de vez em quando caí-me um olho, ficando apenas um buraco e imagens do passado a passar na minha cabeça...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Banda Sonora

Quando era puto queria tanto crescer. Eu era daqueles putos (e atenção, só digo que era daqueles putos porque continuo a ter a ténue esperança de terem existido, e ainda existirem, putos que foram, ou são, com eu fui) que preferia estar perto de um conjunto de adultos, a ouvir as suas conversas, até mesmo tentar fazer parte dessas conversas, e ao pé deles permanecia horas e horas, fascinado com o mundo dos adultos. Provavelmente devido a tal fascínio pelo mundo dos grandes, lembro-me de ser altamente responsável quando era apenas um imberbe petiz. Por exemplo, nunca corri pela estrada fora atrás de uma bola, pensava logo no ditado atrás da bola vai sempre uma criança. Nunca subi a uma árvore sem me certificar que não iria cair ou partir inadvertidamente um ramo. Nunca entrei pelo mar adentro à maluca, considerava sempre a possibilidade de me poder afogar. Nunca me passou pela cabeça correr descalço pelo campo fora porque me podia aleijar num pé, ou até mesmo cortar-me! No entanto, como todos os putos (penso eu!), tive uma paixão assolapada, logo na primeira classe, pela Patrícia. Ela, tal como eu, era pequena, tinha o cabelo comprido, ostentando sempre duas tranças, usava regularmente vestidos compridos, e tinha o sorriso mais bonito do mundo. Inexplicavelmente, cada vez que estava ao pé dela, dava-me para correr como se o mundo fosse acabar no espaço de um minuto! Raramente consegui trocar mais do que duas palavras com ela, ainda que tenhamos andado juntos na mesma turma desde a primeira à quarta classe. Alias, nem mesmo já na quarta classe, quando durante um intervalo perto do fim do ano lectivo a Otília e a Marta se meteram comigo e com o Carlitos, enquanto nós disputávamos uma renhida partida de bilas, querendo elas que nós lhes déssemos um beijo, eu à Otília e o Carlitos à Marta (coisa que lá fizemos sem eu e o Carlos sabermos a razão que nos levou a dar um beijo nelas), senti a confiança necessária, dada a experiencia adquirida em falar com raparigas, para poder falar com a Patrícia. Com a ida para o ciclo preparatório, e posteriormente o secundário, embora partilhando sempre as mesmas escolas, nunca mais fomos da mesma turma e a nossa relação acabou por se resumir a uns “Olá Tudo bem”, acompanhados de um sorriso, quando esporadicamente passávamos um pelo outro. (No fundo a nossa relação sempre se resumiu a isso desde que a vi no primeiro dia de aulas na primeira classe!) Soube, anos mais tarde, que ela namorou, e penso até que casou, com o Chico Pastilhas, um dos piores jogadores de hóquei em patins do mundo, que tinha como costume, cada vez que entrava em campo, mandar um beijo para a plateia inundada pelas cerca de 30 pessoas que costumavam assistir aos jogos de juniores. No meio dessas 30 pessoas estavam sempre os 4,5 amigos do Chico, que, todas as vezes que ele enviava o beijo para o éter, gritavam a plenos pulmões “Ofélia, onde é que estão as minhas cuecas?”. Suponho que fosse uma piada só deles, nunca entendi tal coisa. Sem me aperceber muito bem, rapidamente chegamos todos à idade adulta! Nunca mais vi a Patrícia depois de termos terminado o secundário. Hoje em dia, que já sou um adulto, não me apetece nada ser adulto. Ainda hoje ao almoço, o gajo que estava sentado à minha frente, depois de dizer para o gajo sentado ao lado dele que ele não anda de Mercedes e por isso é que não “come” gajas boas (errrrr!) enquanto na rua uma bonita mulher saía de um Mercedes e se despedia do seu namorado, ou marido, o gajo do lado apenas lhe respondeu “temos pena”. Perante tal resposta, ele vira-se e diz “Pena têm as galinhas...e no rabo...” desatando depois a rir com aquilo que tinha acabado de proferir! (duplo errrr!). O que raio é que eu via nas conversas dos adultos quando era um puto?

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Jam J

A grande diferença que existe entre hoje em dia e há 100 anos atrás, é que hoje em dia lamenta-se, lamuria-se, e celebram-se feriados como se não houvesse amanhã. Há 100 anos faziam-se revoluções e matavam-se Reis...