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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Investida

Anda a monte a pessoa que espetou uma pêra mesmo em cheio nos lábios da Sofia Sá da Bandeira.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Banda Sonora

Sempre que penso que fiz, ou disse, algo que te possa ter tocado, que possa ter-te feito ver as coisas de uma outra forma, chego, inevitavelmente, à conclusão que nada disso aconteceu. Não consegui ainda compreender se isso acontece devido ao facto de eu tentar tantas vezes, por querer mesmo chegar a ti, se acontece porque, apesar de eu querer muito isso, não consigo expressar-me, explicar-me para que tu me consigas entender, ou se és tu que não me entendes, faça eu o que fizer, se és tu que não me queres entender, ou que não queres que eu te consiga alcançar, faça eu o que fizer, ou mesmo se pura e simplesmente sou eu que não te entendo, faças tu o que fizeres, para conseguires chegar a mim, para me conseguires alcançar, tocar-me...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Last Cup of Sorrow

- Antonito, posso ir dormir a tua casa hoje? Sem segundas intenções claro...

- Depende. Quais são as primeiras intenções?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

King for a Day

Não consigo perceber a fixação do careca. Agora embirrou que só fala, única e exclusivamente, com pessoas que tenham mais de dois dedos de testa!

Ashes to Ashes

- Foda-se! Estou rodeado de cromos por todos os lados...

- Isso quer dizer que tu és o cromo do meio...Olha que geralmente é o mais dificil...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Commercial breakdown

"Agricultor que conduzia burro bêbedo conhece sentença dia 1" In diariodigital

Ainda gostava de saber como é que conseguiram fazer o teste do balão ao burro!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Cuckoo for Caca

O silêncio, a ausência de resposta, de qualquer tipo de opinião, revelam muito mais que uma pronta réplica a qualquer tipo de questão.
Um mono não fala, permanece calado.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

As the Worm Turns

Se é na originalidade que reside a diferença
Por que é se tenta fazer tudo da mesma forma?
Se tudo se concretiza apenas através da querença
Por que é que ninguém mais se interessa por tal retoma?
São as normas de indumentária a envergar
Mandatárias de segunda a quinta
É sempre mais fácil poder controlar
Quando a carneirada é mantida com estilo e pinta
Depois as pessoas nas empresas
Vestidas, coitadas, todas de igual
Devido à pequena grande esperteza
De mais um pequeno e mesquinho anormal
É a gravata grená ou vermelha
Em conjunto com a camisa branca
O fato azul que somente espelha
A miséria de quem vive mas já não se encanta
E que ainda por cima já nem dá por isso
Achando mesmo até que é muito natural
Não valendo a sua vida sequer um piço
Para o já referido mesquinho anormal
Mais as assinaturas corporativas
Sem qualquer sinal de humanidade
Meramente representativas
De um departamento ou de uma unidade
Por que é que nos querem transformar a todos num ser único?
Se é por causa da diversidade que o planeta terra é bonito
Mentalidades manipuladas, para verem apenas num sentido
Cirurgicamente manietadas, a quem não se dá nunca por vencido

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

The Gentle Art of Making Enemies

- Ela que venha para aí. Quero ver como é que é que ela se desenrasca depois quando toda a gente lhe começar a pedir coisas. Por acaso até gostava de ver, incompetente e parva como ela é. Parece que tem um feitiozinho…
- Deixa lá Mena, não vale a pena estar assim, não podes fazer nada é melhor aceitar as coisas como elas são. Vais ver que vai correr tudo bem, vais ver…
- Deixo estar? Pois deixo, não há nada que eu possa fazer, não sou eu que decido, eles é que decidem, eu não posso fazer mais nada a não ser aceitar as coisas como elas são, mas substituírem-me por uma incompetente? Quer dizer, eu não a conheço de lado nenhum, nunca a vi nem falei com ela, mas pelo que tenho ouvido ela não é flor que se cheire, eu já avisei as pessoas do feitio dela, quero ver como é que ela se vai arranjar agora.
- Não chores Mena, já estão pessoas a olhar, vá lá Mena, também não é o fim do mundo.. …
- Não é o fim do mundo, pois não, mas queres-me dizer o que é que eu vou fazer com 41 anos e desempregada, Alzira? Como é que eu vou fazer agora para acabar de criar os meus filhos?
- Então mas tu não tens contrato? Quando é que acaba o teu contrato?
- Eu não tenho contrato nenhum, estou a recibos na empresa há 14 anos, trabalho aqui há 9 e sempre gostaram de mim. De repente a lambisgóia ficou sem colocação, como ela está efectiva na empresa, deve ter dormido com o chefe para ficar efectiva, falaram com o meu chefe daqui e informaram-no que eu vou ser substituída por ela porque eles não têm mais sitio nenhum onde a colocar. Resultado, vou à vida e ninguém se importa com isso! Como é que queres que eu me sinta?
- Eu sei que é difícil Mena, mas já sabes como as coisas são hoje em dia, já sabes que o outsourcing funciona assim, não há nada a fazer.
- Eu sei amiga, eu sei. E agora Alzira, e agora o que é que vai ser da minha vida?
- Vá lá Mena, não chores, só tens de sair daqui no dia 30, até lá vamos tentar ver se há alguma coisa para ti, não desesperes já, não adiantas nada com isso.
- E o que é que me adiantou ter sido uma boa funcionária estes anos todos, diz-me lá, o que é que adiantou?...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Complexos #29

Está-me no sangue, não sei, estar sempre a fazer partidas! Desconfio que deva ter algo a ver com a minha natureza tímida. Imbuído neste espírito, do que é que eu me lembrei no outro dia? Estava a passar por uma vivenda, bem bonita até, branca, cercada por uma grade verde ferrugem e um esplendoroso quintal cheio de relva queimada pelo Sol, e resolvi tocar à campainha. Assim que uma mulher veio à porta, acenei-lhe e disse-lhe que os gaiatos tinham desatado a correr depois de terem cometido a traquinice de ter tocado à campainha. Logo a seguir dei uma comedida gargalhada, e aguardei a sua reacção. A mulher, uma atraente morena, abeirou-se do portão de ferro forjado e sorriu também. Depois disse-me, com um tom verdadeiramente surpreso, que pensava que os miúdos de hoje em dia já não cometiam tais atrevimentos. Confessou que tal acto a transportava de imediato para a sua infância, quando a adrenalina tomava conta dela depois de tocar freneticamente à campainha da casa da Dona Rosa e do Sr. Luís, e desatava a correr pela estrada fora, sabendo perfeitamente que isso iria fazer com que nessa tarde os rapazes que jogassem à bola no largo em frente da casa deles iriam ficam sem a bola como forma de retaliação por parte do Sr. Luís. Ripostei-lhe com o episódio rocambolesco em que eu, no alto dos meus 7 anos, como forma de demonstrar à Patrícia a coragem que tinha, sem hesitar saltei o muro da horta do Pai da Paula (vulgo caixa de óculos) para ir buscar o disco voador da Patrícia, sem me dar conta que da parte de dentro da horta o muro ficava muito mais alto, tendo ali ficado preso até que a Paula, depois de me obrigar a prometer que nunca mais eu lhe poderia chamar D. Xepa, foi chamar a Mãe para me abrir o portão. Desconfio, até hoje, que sou do Benfica por causa da cor com que fiquei naquele dia ao explicar à Mãe da D. Xepa o que é que estava ali a fazer dentro.
Esta ultima laracha então, teve um efeito tal na atraente morena, que quando dei por mim, estava ela a convidar-me para entrar, a fim de tomarmos uma limonada, ou uma outra qualquer bebida, à sombra de um chapéu-de-sol enfeitado com listas vermelhas e brancas numa mesa de plástico branca que ela tinha na parte de trás da casa, para poder continuar a agradável conversa que ela me disse ter encetado comigo!
É usualmente aqui que entra a minha forma natural de fazer partidas. Gentilmente agradeci, e prossegui o meu caminho.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Slow right down

- Não tenho paciência para pessoas ignorantes pá, irritam-me, agastam-me...

- Porquê?

- Não sei!

I defeat

- Antonito...Não queres um bom bocado?

- Na. Prefiro, de longe, um pastel de nata.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Banda Sonora

- Desculpa lá, posso fazer uma pergunta?

- Sim, claro, diz...

- Por que é que és tão anti-social?

- Bom...não sei bem por que fazes essa pergunta...acho que não te sei responder a isso!... Sei é que, por definição, anti-social quer dizer: contrário à ordem social. Não sei o que isso significa! Mas, desde pequeno, sempre ouvi dizer, dança como se ninguém estivesse a ver...


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Lemonworld

Até dá dó de ver. A Catarina Limão anda sempre à procura de uma colher.

Watching You Well

O meu avô Paterno, se ainda fosse vivo, faria hoje 100 anos! Recordo-me, quando eu era pequeno, de lhe dizer que ele ainda era do tempo dos Reis, ao que ele respondia sempre: por uns dias, mas é verdade.

domingo, 12 de setembro de 2010

Banda Sonora

Se calhar estou mesmo a ficar velho e caquéctico, mas concluí, após 36 anos de existência, que não tem a mínima graça ir a um concerto e ouvir "aquela música", se não estiver ninguém connosco para poder partilhar a sensação e o sentimento que se sente no momento em que a banda a está a tocar.



All the night her dream
passes by my bed
undeniable, and all she said
she wrote the letter

hard to find love
since you arrived here
harder to find the love
then pull your body near

She wrote the letter
down

She wrote the letter
down

I know I know I know
you felt a change in my heart
I know I know I know
the planets ripped you apart.
I know I know I know
all the sins they knew no better
I know I know I know

all that I’ve lost
is bound to pass
dying to know
too afraid to ask
she wrote the letter.

Hard to find love
when you are a walking blind in here
go wash your heart in the river
till the water runs clear

she wrote the letter
down

she wrote the letter
down

she wrote the letter
down

I know I know I know
you felt a change in my heart
I know I know I know
the planets ripped you apart.
I know I know I know
when the sins all know no better
I know I know I know

Love, I just want to say it right
Love, I just want to say it right

Goodbye
Goodbye
Goodbye

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Hup springs

São exactamente 21:57. Estipulei como objectivo escrever tudo aquilo que me passar pela cabeça nos próximos 3 minutos e 30 segundos. Claro que foi fácil começar a escrever, tinha previamente estabelecido este objectivo, como tal começar a escrever não representou nenhuma dificuldade. O problema, para além do objectivo, é que não pensei em absolutamente mais nada antes de começar a escrever. Desta forma, neste preciso momento, logo no momento em que me decidi a escrever, em tempo real, tudo aquilo que me passe pela cabeça, sendo por isso imperativo que fervilhem ideias, pensamentos na minha mente, não me ocorre nada para escrever! Pensei agora em olhar em meu redor e começar a descrever aquilo que fosse vendo, mas isso não vai de encontro à premissa também previamente estabelecida que consistia em estar a escrever durante 3 minutos e 30 segundos sem parar. Bolas! Ao mesmo tempo não me consigo lembrar da paisagem que me circunda. Se por um lado não consigo pensar em mais nada a não ser no objectivo de estar 3 minutos e 30 segundos a escrever sem parar, o facto de estar somente a pensar nisso impede-me de conseguir compreender na sua totalidade tudo aquilo que estou a escrever. Tive um amigo em tempos que achava que o saber entra pelas unhas. Assim, passava a vida a escrever tudo aquilo que ia aprendendo, convencido que iria ter sempre na ponta da língua tudo aquilo que escrevesse. Provavelmente sou apenas eu que penso assim, mas acho que quando o único objectivo é escrever aquilo que nos passa pela cabeça, não se consegue pensar em mais nada a não ser em escrever, mesmo que não se saiba o que escrever. A conclusão a que posso chegar a partir daqui, é a de que não se consegue escrever quando se quer escrever aquilo que nos passa pela cabeça! Embora em todas as outras vezes que escrevi, tenha escrito aquilo que me ia na cabeça...
Desisto.
Olha! Olhei agora para o relógio e apercebi-me que perdi a noção dos 3 minutos e 30 segundos! São neste momento 22:09! Os 3 minutos e 30 segundos já passaram há um bocado! Consegui estar 12 minutos sem mais nada na cabeça a não ser o objectivo a que me tinha proposto!
Com 10 segundos de pensamento, depois de desanuviar a mente, apercebi-me que o raio do objectivo toldou de tal forma a minha maneira de pensar, que os 12 minutos que acabam de passar foram por mim vividos totalmente devotos àquilo a que me tinha proposto sem sequer me aperceber que o cumpri dentro do tempo que tinha estabelecido! Nunca saberei, no entanto, o que é que tinha escrito aos 3 minutos e 30 segundos de tempo passado.
A segunda conclusão a que posso chegar é a de que os objectivos previamente definidos impedem-nos de pensar, ver e sentir, tudo aquilo que se está a passar à nossa volta com a clarividência e a atenção necessárias para que possamos viver cientes de tudo aquilo que pensamos querer...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Getting Away With It (All Messed Up)

Raramente me consigo decidir sobre o que é que hei-de fazer no segundo que tenho à minha frente. Normalmente, tenho a tendência para seguir aquilo a que chamam, tal como eu me habituei a chamar, de instinto. Apesar disso, nunca soube o que era o instinto, supus sempre que fosse aquela voz que sussurra ao meu ouvido, ou dentro da minha cabeça, ainda não consegui distinguir, e me diz aquilo que eu devo fazer no segundo exactamente a seguir. Sempre que surge alguma questão na minha mente, lá está a voz a dizer-me, vai por ali, faz isto, etc. No outro dia, por acaso, e sem sequer me ter passado pela cabeça qualquer tipo de dúvida ou pensamento, surgiu-me na cabeça, de repente, o trajecto que devia fazer para o trabalho! Lá estava a voz a dizer-me que eu não devia ir pelo caminho que sempre faço! Ouvi nitidamente a voz a dizer-me que devia ir pelo que era mais longe! Não faço a mínima ideia do porquê me ter ocorrido isto, mas quando dei por mim, estava a seguir pelo caminho que nunca faço, absolutamente convicto que deveria, naquele dia, ir por ali! Foi um desastre! Na verdadeira acepção da palavra! Por causa disso, demorei o triplo do tempo, fiquei logo sem vontade de fazer o que quer que fosse depois da seca estúpida que me obriguei a apanhar! Passei o dia todo a pensar nisto. Se eu não puder confiar no meu instinto, em que é que vou confiar? Por que é que me decidi a ir por aquele caminho naquele dia? Hoje, estranhamente, numa situação em tudo idêntica, voltei a ouvir a voz a dizer-me para ir novamente pelo caminho em que tinha apanhado o acidente. Como passaram poucos dias e ainda tenho isto tudo muito presente, pensei que desta vez não ia aceder ao que a voz me disse. No que ao trânsito concerne, a voz já não tem qualquer autoridade para me aconselhar. Segui na mesma o caminho do costume. Apanhei um autocarro parado, com uma avaria qualquer, não andava nem para trás nem para a frente, quando dei por mim, estava completamente entalado entre carros! Demorei o quádruplo do tempo que é normal demorar! E agora, o que pensar agora? Será que o instinto teve um lapso temporal da outra vez, e avisou-me no dia errado? Se assim for, será que o meu instinto tem a capacidade de saber o futuro, pelo menos o imediato? E por que é que ele se enganou então? Pode o instinto envelhecer à medida que o tempo passa? Eu sempre tive a noção que à medida que o tempo passa, o instinto se apurava cada vez mais, chegando até a confundir-se com a experiência, mas pelos vistos não é bem assim. Aparentemente a duvida e a confusão também percorrem os pensamentos do instinto! Ou então, já sei, claro é isso, é o instinto a dizer-nos para errarmos a fim de podermos saber o que é que é correcto, por isso é que ele me aconselhou mal no outro dia! Ele apenas quis dizer-me que independentemente do caminho que tome, posso ter sempre um problema qualquer, por isso o melhor é sempre confiar no instinto, mesmo que ele por vezes esteja errado. Se ele estiver errado, é mais uma coisa que eu sei como devo fazer certo. Mas espera lá! Agora que acabo de escrever isto, não estou certo se foi a voz que me disse isto ou não! Até porque me ocorreu agora mesmo, se isto fosse mesmo assim, por que raio é que o instinto me queria demonstrar isto tudo da forma que me demonstrou? Com o exemplo que ele me deu, não consegue demonstrar nada! O que é que aprendi com o facto de em dois caminhos diferentes ter apanhado problemas de trânsito e por isso ter chegado atrasado ao trabalho?!
Está aqui a voz a dizer-me que serve para aprender a virtude da paciência e que não vale a pena arreliar-me porque há coisas, boas ou más, das quais eu não tenho a mínima hipótese de fugir! Bom, vou voltar a confiar na voz! Até ver…

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Abel

É extremamente assustador observar uma pessoa que recebe a resposta: “Desculpa, não percebi o que disseste?”, quando essa mesma pessoa chegou ao pé de outra, disse qualquer coisa e começou de imediato a rir. Ver a cara que a pessoa faz quando percebe que se está a rir sozinho, causa-me sempre uma sensação de vergonha que não consigo controlar. Pior do que isso, é mesmo a cara da pessoa, quando volta a dizer a suposta piada e ri novamente, a bom rir, como se tivesse contado pela primeira vez o que acabou de dizer pela segunda vez, e desta vez recebe um mero esboço de sorriso da outra pessoa. Não consigo descrever a sensação que tenho sempre que vejo a cara da pessoa, pela segunda vez, a rir sozinho.
Mas a cara que me causa mesmo dores no estômago e me faz sair de imediato dali, é a cara que as pessoas fazem quando uma pessoa chega ao pé de outra, diz qualquer coisa que a outra não consegue perceber, e desata de imediato a rir. Nesse instante, a outra pessoa vê que a outra se está a rir, com gosto, e desata a rir também. Mas a cara, aquela cara naquela fracção de segundos entre o não ter entendido nada e o inicio do riso… ARGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Apartment Story

Todos os dias quando abro os olhos ao acordar, oiço o cabo do chuveiro do apartamento do lado a roçar na torneira!
Todos os dias quando termino de tomar banho, oiço a porta do apartamento de cima a fechar e uma pessoa a apanhar o elevador!
Todos os dias quando termino de trancar a porta de casa, oiço uma mota na garagem do prédio a arrancar!
Todos os dias quando entro no carro, passa por mim uma mulher com um casaco branco a passear um cão preto!
Todos os dias no caminho para o trabalho, estão duas mulheres vestidas de preto e cabelo branco a falar à porta da mercearia!
Todos os dias quando chego ao trabalho, estaciono o carro à frente de um carro azul que acabou de estacionar também!
Ainda não consegui perceber se são os meus dias que são todos iguais ou se são os dias das pessoas que vejo que são iguais aos meus!
Ainda não consegui perceber se os dias dessas pessoas são sempre iguais ou se sou eu que me tornei numa dessas pessoas!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Terrible love

Hoje, enquanto fazia a habitual viagem de autocarro pensei:
“Como é que acaba um amor eterno? Como é que se acaba um amor eterno e se procura outro numa mesma vida? Um amor eterno não é para todo o sempre? Então como é que se pode ter 2 amores eternos? Ou não vale a pena ter um amor eterno? Se não vale a pena porque é que disseste que era eterno? Se era eterno porque é que desististe? Se não era eterno porque é que mentiste?”
A seguir pensei nas minhas aulas da quarta classe e na professora que era de Viseu. Ainda soltei um sorriso quando me lembrei dela a vociferar “Seus devassos”, sempre que nos apanhava na traquinice!
Ai não! Espera! Não foi isto que eu pensei quando vinha no autocarro! A minha velhota bem me diz que eu vivo nas nuvens e nos filmes que vejo e que já estou a ficar gagá! Primeiro eu li a tal revista da foto novela, depois, nem sei bem porquê é que me lembrei das aulas! Olha que realmente! Como é que eu já confundo o que penso com o que leio! A minha velhota bem me diz que vivo obcecado com historietas de amor, anda sempre a perguntar-me como é que eu acredito ainda nessas coisas! Eu bem sei que o amor eterno não existe. Foi uma coisa inventada pelas pessoas para darem valor àquelas pessoas que tiveram a coragem de se entregar uma à outra de forma a se conseguirem conhecer tão bem, tão bem, que chegam finalmente ao ponto de dependerem física e emocionalmente uma da outra. É isto, mais nada. As pessoas é que gostam de abrilhantar as coisas. Como as coisas andam hoje em dia, está tudo banalizado. As pessoas nem a elas próprias se conhecem como é que podem conseguir entregar-se e conhecerem de quem dizem que gostam. As pessoas andam anos à procura do que está sempre à frente do nariz delas e elas insistentemente não querem ver. Querem coisa mais bonita do que eu e a minha velhota estarmos juntos desde os meus 19 e dos 14 dela? Pensam que foi fácil? Foi muito difícil. Porquê? Porque nós complicamos o que era simples. Primeiro quisemos impressionar-nos um ao outro, quisemos mostrar que éramos alguém que nem sequer nós sabíamos quem éramos. Depois tivemos vergonha de mostrar quem éramos. A seguir veio a complicação de aceitarmos quem éramos. Só quando as coisas estavam mesmo já a correr para o torto é que nos apercebemos de quem éramos e do que é que podíamos fazer com esse conhecimento. Se foi preciso passar por isto tudo? Foi. Sem termos passado por isto não saberíamos quem éramos. E as coisas vão ser sempre assim, tudo o que é simples tem sempre de ser sempre complicado antes. Vale alguma pena andar de pessoa em pessoa a chegar sempre aos mesmos problemas, sempre às mesmas situações, até que se perceba finalmente que tudo depende da forma como nos entregamos na relação para que a relação dê resultado? Não sei, as pessoas hoje em dia, preferem refazer a sua vida com outras pessoas, sempre que não se predispõem a aprender com os erros que foram cometidos, preferem cometer outro tipo de erros a pensar que estão certos até que cheguem um dia à conclusão que eu um dia também cheguei. “Não era preciso ter cometido tantos erros e ter perdido tanto tempo para ver que… …”. Então se as pessoas, são pessoas, as pessoas vão ser sempre pessoas, não se pode mais cedo ou mais tarde, esperar que as pessoas não se portem como pessoas que são. As pessoas vão sempre errar, dar desilusões, alegrias, tristezas. Vale mesmo a pena conhecer pessoas e pessoas para saber tudo isto? Se sim, do que é que valeu todo o esforço empregue com a pessoa anterior? É aprendizagem? E o sentimento? Por mim tudo bem, não lhe chamem é amor eterno como eu li na revista. Amor eterno, se houver, é o meu e porque ainda fui a tempo. Está bem confesso, cheguei a esta conclusão já quando sou velho, mas mesmo assim ainda digo, como as coisas estão hoje em dia, assim a coisa não vai lá, banalizar ao ponto de não ser levado a sério a não ser nos filmes, não, assim por favor não. Torna-se muito pior depois saber as coisas de facto, e principalmente, saber quando é que se está a ser sincero sem ser gozado por isso. E olhem que é um velho que o diz, não há coisa mais bonita do que um amor eterno, apesar de ele só existir se 2 pessoas se dedicarem durante uma vida inteira uma à outra. Amor eterno foi o nome que deram a esta dedicação. O VERDADEIRO, não daqueles que agora andam para aí. Agora já não sei em que é que eu pensei, se foi nisto tudo, ou se eu pensei agora nisto tudo e à tarde só li a revista no autocarro. E com quem é que eu estou a falar nos meus pensamentos? Deixa-me mas é ir para casa antes que me dê outro ataque daqueles…

domingo, 5 de setembro de 2010

Banda sonora

...Há precisamente 17 anos, no dia 5 de Setembro de 1993, também Domingo, para culminar umas férias de Verão que só acontecem uma vez na vida (e apercebemo-nos sempre disso depois de já terem passado), tinha início, numa cabine telefónica na festa do Avante, um amor eterno que afinal acabou quase 11 anos depois...

sábado, 4 de setembro de 2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Dancing in the dark

- Hoje, apesar de ser sexta e de sexta ser o meu dia preferido, já decidi, nem de casa saio.

- Então porquê?

- Porque se sair, no estado em que estou, tenho receio de beber demais e depois fazer como costumo fazer assim que chego a casa nos dias em que cometo tais exageros...

- O que é que costumas fazer?

- Assim que chego a casa?

- Sim...

- Casa, pia. Irra que já não posso ouvir falar mais nisso! Estão sempre a dizer que demorou 6 anos o julgamento, mas quer-me parecer que agora vão passar mais 6 anos só a falar nisso! Arre que já estou farto! A sério, já não consigo ouvir mais nada sobre a Casa Pia! Já vendi a gaiola do meu rouxinol e tudo...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Loosing my religion

Há uns anos atrás, não sei bem quantos, num dos episódios de uma serie americana chamada Ally Mcbeal, o enredo consistia num personagem que usava o cabelo muito comprido, muito comprido mesmo, num dos lados da cabeça e atrás, fazendo depois com o cabelo uma espécie de espiral pela cabeça fora que culminava num pequeno ninho de cabelo que lhe ocultava a careca. Tal ninho era alvo de troça e zombaria por parte de alguns, e alvo de pena por parte de outros. Mas o principal, no entanto, visto que a serie era sobre a vida de um escritório de advogados, era o facto de tal personagem ter sido colocado em tribunal pela sua entidade patronal, uma vez que o seu trabalho era vender seguros sendo que uma imagem de confiança e verdade teria de ser passada. O argumento apresentado pela acusação, dada a natureza e as características da profissão do personagem, era o de que com aquele cabelo, penteado daquela forma, a imagem que era passada era a imagem de alguém falso que tenta esconder aquilo que está à vista de todos, não sendo isso compatível com os requisitos mínimos necessários para os préstimos do serviço.
Isto tudo a propósito do quê? É que ontem vi na TV, num bloco noticiário que dava conta da enésima tentativa de conversações entre Israelitas e Palestinianos mediada pelos Estados Unidos da América, que o primeiro-ministro Israelita, Benjamin Netanyahu, embora de uma forma muito mais discreta, usa exactamente o mesmo tipo de penteado que o personagem usava na serie.
Claro que na serie, no fim do episodio, o personagem era um dos bons, que apenas queria o bem e a paz no mundo, e acaba por compreender o ridículo que era o seu penteado e as acções que cometia em defesa do mesmo, deixando que lhe cortassem o cabelo para poder continuar a trabalhar. Mas isto acontecia apenas na serie de ficção Americana, que passou aqui há atrasado na televisão.