• FIM
  • R.I.P

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ready To Start

- Já viste? Já tenho 36 anos!

- Porra! Eu, só com 1, já faço bosta comó caraças!

We Used To Wait

Ando com ela fisgada há já uma catrefada de tempo. Finalmente amanhã vou ver o Peter Hook.

Half Light II

É tão paranóico no uso de marcas em tudo na sua vida, que até na praia anda de T-shirt para que o seu bronzeado tenha igualmente marca.

Half Light I

- Bem, digo-te uma coisa, se isto comigo e com a Sónia um dia deixa de resultar, não sei o que faça depois da minha vida se me acontecer outra igual à de ontem...

- Então?

- Eu gosto de adormecer embrenhado em pensamentos. Gosto de me deitar, começar a pensar numa coisa qualquer, depois noutra, depois mais outra, a seguir gosto de interligar os pensamentos entre si de forma a criar uma pequena historieta, e por aí adiante até que dou por mim e acordo de manhã. Ontem, não sei por que razão, não conseguia pensar em nada! Tentei que me fartei, mas tinha apenas branco na cabeça! O pior de tudo é que andei e andei às voltas, mas adormecer, nada!

- Pois, tiveste uma insónia, está muito na moda isso agora...

- Pois foi, o que me valeu foi mesmo a Sónia. Ela acordou comigo às voltas na cama e só depois de termos efectuado o amor é que consegui adormecer...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

From Out of Nowhere

Gosto de olhar, justificadamente
A cena concreta que me preenche a mente
Um traço pintado na minha direcção
Faz com que o Sul se dirija para Norte!
Aprecio bastante, sistematicamente
O futuro completo visto no presente
Os patos bravos que não voam em vão
Rumaram para Sul seguindo a sua sorte

quinta-feira, 22 de julho de 2010

In the water I am beautiful

- Não é muita bom sonhar?

- Fogo! Sonhar é mesmo muita bom!

- Yá, pois é. Gosto à brava de sonhar, é bue da bom! E tu? Gostas de sonhar?

- Se eu gosto de sonhar? Fonix, não havia de gostar de sonhar? Sonhar é bue da fixe! Como é que eu não havia de gostar de sonhar? Gosto mesmo a sério de sonhar…

- Sonhar é capaz de ser a melhor coisa do mundo.

- Yá! De certeza absoluta.

- Yá! …

- Sabes o que é que é bue da bom também, agora por estarmos aqui a falar nisto?

- Não! O que é?

- Sonhar. Não achas que sonhar é mesmo muita bom?

- Yá, pois é. Gosto à brava de sonhar, é bue da bom… …

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Good for You's Good for Me

- ...Antonito...Sabes o que é que eu agora queria mesmo, mesmo, mesmo?

- O quê?

- Uma quinta em Azeitão...

- ...Pronto, está bem então, vamos lá para Azeitão...

- Iupi!

- Mas devo dizer-te que estava mesmo convencido que tinhas ficado contente com quatro...

terça-feira, 20 de julho de 2010

No Jesus in here

Quantas vezes é que acordei e tive esperança que tudo tivesse sido mentira
Quantas vezes é que fiquei à espera para que soubesses o que querias
Quem é que tem razão, quem é que tem o direito de reclamar que tem a razão
Sempre me foi dito desde pequeno que a justiça tarda mas não falha
Quantas vezes por dia pensas saber tudo, sem nada perguntar
Quantas mentiras julgas existirem, sem saberes qual é a verdade
Como é que te divertes agora, como é que consegues divertir-te agora
Alguém um dia te vai dizer, que tu te estás a enganar
Há sempre um raio de sol que te invade o quarto de manhã para te aconselhar
Há sempre um raio de sol que te faz despertar
Há sempre, sempre, um raio de Sol
Só precisas de acordar
Quantas vezes por dia penso, sem saber o que estou a pensar
Quantas vezes é que espero, sem saber o que hei de esperar
Como é que vês o futuro, como é que vês o teu futuro
Porque é que achas que como vives hoje é melhor para ti, se não quiseste tentar
Há sempre um raio de sol que te invade o quarto de manhã para te aconselhar
Há sempre um raio de sol que te faz despertar
Há sempre, sempre, um raio de Sol
Só precisas de acordar


(Inspirado na musica Always the sun – The Stranglers)

domingo, 18 de julho de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A place to hide

- Não me posso dar ao luxo de perder tempo, compreendes? Tenho que partir para outra e pronto...

- Estou totalmente de acordo com isso. Alias, isso é o que dizes sempre...Só não consigo entender é porque é que passado um tempo, e às vezes nem é assim tanto tempo como isso, tu dás esse tempo como perdido...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Unfinished Business

Há quem diga que as coisas não acontecem por acaso. Só que, por acaso, isso é normalmente dito por pessoas que só pensam dessa forma quando o acaso lhe dá jeito que não tenha sucedido por acaso, ou então casualmente. Se reparamos bem, apenas e só quando reflectimos verdadeiramente no que aconteceu, quer seja porque esse acontecimento nos disse algo inexplicável que não sabemos bem descrever mas apenas sentir, ou porque somente nessa altura é que demonstramos verdadeiro interesse nisso, é que é tão confortável pensar que as coisas não acontecem por acaso. Seja por que razão for, ou então por outra razão qualquer que agora não vem ao caso, se fosse tomada a devida atenção a tudo o que se vai passando durante o curso da nossa vida, nada, mas mesmo nada, teria sido por acaso ou coincidência, tudo teria uma razão lógica para ter existido ou acontecido dessa forma! Eu, por exemplo, consigo encontrar uma causalidade e uma razão de ser para tudo o que me aconteceu até hoje. Não consigo encontrar uma só razão que me indique que tudo, ou alguma coisa que me sucedeu, aconteceu por acaso! Tudo na minha vida aconteceu com um propósito. Desde que eu nasci que tudo o que me sucedeu e tudo o que fiz e segui, com base no que me ia sucedendo, foi com o intuito de eu vir a tornar-me na pessoa que me tornei hoje. Posso perfeitamente dar esta explicação e acreditar piamente nela para poder dizer que as coisas não acontecem por acaso. Mas isso significa mesmo que as coisas não acontecem por acaso? Por que é que então as pessoas preferem dizer que apenas algumas das coisas que lhes acontecem não são por acaso? Das duas uma, ou é tudo por acaso ou nada é por acaso! Agora haver umas coisas que são por acaso, e outras não, só porque umas dão jeito serem e outras não, isso é que não pode ser. Dizer que as coisas não acontecem por acaso, somente quando dá mais jeito, é quase o mesmo que dizer que se a partir do meio da minha vida as coisas não acontecem por acaso isso quer dizer que antes aconteceram, ou quer dizer que a partir de agora é que vão acontecer e aquilo que tinha de ter sido por acaso já foi e nem cheguei a dar por isso? Ficando, inclusivamente, sujeito a perder todos os acasos e casos da vida! Ou aquilo a que se costuma dizer, passar ao lado de uma grande oportunidade! Seja lá o que isso for! O que eu sei é que nada me sucedeu por acaso até agora! Provavelmente, nem o acaso que deu inicio a isto tudo! Mas isto sou só eu a interligar tudo da forma que me dá mais jeito! Mas não faz mal, as coisas não acontecem por acaso. Isso eu sei… …

quarta-feira, 14 de julho de 2010

From the stars

No dia em que nos nasce o primeiro dente definitivo, ficamos a saber que chegámos a uma altura da nossa vida em que já não há nada a fazer, e que se partirmos um dente, nunca mais irá nascer outro. A alegria imensa que sentíamos, quando corríamos desalmadamente por um campo fora, sem ter medo de cair e partir um ou mais dentes, desaparece para sempre. Quem gozou da oportunidade de partir os dentes gozou, quem não gozou, a partir desse dia não irá gozar mais. A partir do dia em que temos o nosso primeiro dente definitivo, passamos, mesmo que inconscientemente, a andar e a correr de outra forma. A oficial e oficiosa transição para a idade adulta, acontece no dia em que nos apercebemos pela primeira vez das consequências terríveis que os erros que cometemos podem ter, ou tiveram. Esse dia tanto pode ser aos 15 anos, como aos 40, mas ele chega, e quando chega, tal como com os dentes definitivos, é preciso ter muito cuidado depois disso. A partir desse dia, apercebemo-nos também que as segundas chances terminaram.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Farewell to the fairground

Na segunda-feira de manhã, não sei como nem porquê, acordei, com um coro na cabeça, tipo o coro da Carmina Burana, mas em vez da letra habitual, ouvia nitidamente, primeiro um AAAAAAAAAAAAAAAAAA, num tom bem agudo, seguido de OOOOOOOOOOOOOO, num tom bastante grave, seguido de um LAI – LAI – LAI REJUBILAI LAI – LAI – LAI, com todas as vozes presentes! Na altura não percebi porque é que eu estava a acordar com aquela melodia na cabeça, pensei que tal se devesse ao facto de ser o primeiro dia de férias e não liguei muito. O que é certo é que a musica permaneceu na minha cabeça durante o resto do dia!
Há já uns tempos que ando a tentar apanhar-me desprevenido para tentar perceber qual é a minha cara de velho. Desde que me disseram, com um olhar misto de espanto e anedótico, que eu estava a fazer uma cara de velho que só visto, que eu ando a tentar ver se me consigo ver ao espelho no exacto momento em que estou a fazer essa cara. Como sei, mais ou menos, que tipo de expressão estava a fazer na altura em que me chamaram a atenção para isso pela primeira vez, sempre que acho que estou com a mesma expressão, assim que dou por isso, tento encontrar alguma coisa em que possa reflectir a cara para ver se consigo perceber que cara é que faço. Só que, como a cara que faço necessita de um estado absorto, ou de concentração, sempre que me apercebo disso deixo automaticamente de me encontrar nesse estado e como tal, sempre que encontro alguma coisa em que consigo ver a minha cara reflectida, a cara que eu estou a ver já não é, nem por sombras, a cara que eu costumo fazer. Não é coisa que me ocupe muito a mente, só que de vez em quando lembro-me disso e depois tento ficar absorto, ou concentrar-me a fazer alguma coisa, para ver se me deixo ir na coisa e acabar por fazer novamente a expressão de velho que tenho, só que é praticamente impossível alienar-me de tudo ao ponto de conseguir fazer a cara e depois voltar a mim para ver se a vejo ao espelho. Foi então ontem, de manhã quando me penteava, que depois de ter olhado de relance para o espelho, enquanto decidia se me penteava à Elvis ou à Roy Orbinson, que reparei na cara que estava a fazer! Foi menos do que um segundo, mas por entre o braço e o antebraço, lá estava ela, gravada agora na minha memória! Consegui ver perfeitamente a cara que me falaram. Consegui ver, pela primeira vez, a minha cara de velho! É, com toda a certeza, uma cara de velho digna desse nome, e por certo que irei ser alvo de grande troça por parte dos meus netos e os demais petizes sempre que for apanhado a dormir no sofá com uma mantinha nos joelhos. REJUBILAI LAI-LAI –LAI, foi finalmente esta semana que me encontrei com a minha cara de velho!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A small victory

O maior desejo da Ermelinda Leitão sempre foi passar a lua de mel na Bairrada.

Ricochet

O Edmundo Mira acabou por nunca se habituar à graça que lhe foi dada e desde pequeno que passa a vida a olhar para tudo o que se passa à sua volta.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Vim-me, disse ela

Chega! Na ideia dela a palavra chega chegava para se mentalizar que tinha chegado a altura de definitivamente começar a agir! Chega! Disse ela para si mesmo, olhando de seguida em seu redor para se certificar que mais ninguém tinha ouvido o seu grito de revolta. Enquanto deixava, propositadamente, descair ligeiramente a alça direita do seu wonderbra e, decidida, começou a andar com menos pressa do que costuma fazer, bamboleando suavemente as ancas avenida abaixo, segura de si mesma, como jamais se tinha sentido.
Duas horas antes, dentro do elevador que subia lentamente até ao nono andar, o seu coração batia desenfreadamente. As grades sujas de metal, preenchidas por pequenos desenhos disformes e desconexos de óleo ressequido, que serviam de porta a um ascensor tão velho como o próprio prédio, fizeram-na recordar de imediato a prisão em que a sua vida se tinha transformado. Enquanto subia, voltava a questionar-se pela milésima vez se de facto o devia fazer. Um impulso compeliu-a a carregar no botão para parar de imediato a viagem. Entre o sétimo e o oitavo andar, o silêncio que habitualmente se fazia sentir naquela área do antigo prédio verde Alface era agora substituído pela respiração ofegante de uma mulher que se pôs a pensar.
Veio-lhe à cabeça a Jennifer Rush e o mega êxito Power Of love! Recordou-se de como aquele videoclip, bem como o penteado da Jennnifer lhe tinham alterado a vida! Sim esses tinham sido os tempos! Nessa altura a sua vida pertencia-lhe, tal e qual como um gato pardo pertence ao seu dono. Como é que a sua vida tinha agora chegado a tal ponto? Não conseguia saber! Uma lágrima começou a cair lentamente pela sua cara abaixo, depois outra, e mais outra! Prostrou-se num pranto, deixando o seu corpo escorregar pela parede, até cair desamparada no chão. Com o impacto da queda repentina, o velho elevador não aguentou e começou a cair desenfreado prédio abaixo! Nos milésimos de segundo em que a queda ocorria, não teve qualquer flashback de toda a sua vida, não pensou nos seus filhos ou na sua família, nos amigos, nas dívidas, no emprego, mas sim na última vez em que se tinha verdadeiramente sentido livre. Num misto de pânico e prazer, aquela memória recôndita tornou ainda mais ofegante a sua respiração! Agora nada mais interessava. Já nada mais interessava a não ser aquele momento em que se tinha entregado totalmente e sem qualquer tipo de pudor à sua própria vontade, na única vez que teve coragem de confrontar o receio de que a liberdade a pudesse aprisionar para sempre numa viciante adrenalina. Completamente embrenhada, não deu conta do seu corpo ter começado a levitar! Subitamente, um gemido enorme de prazer irrompeu prédio acima ao mesmo tempo que o ascensor, já perto do rés-do-chão, parava suavemente. Sem forças, caiu inanimada no chão e ali permaneceu, durante cento e dezanove minutos, após ter dito para si num tom de voz muito baixo, vim-me.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Sweet disposition

- Ouve, ando com um stress do caraças. Estou quase a ir de férias, vou sair daqui, vou dar uma volta, conhecer outros lugares, e não faço a mínima ideia de que livros hei-de levar comigo! Tu sabes a importância que tem a pala que se dá ao ler um livro num café, ou numa praia onde ninguém nos conhece não é, é logo meio caminho andado… O problema é que não faço a mínima ideia de que livros é que estão na moda, o que é que se anda a ler agora, e tenho medo de levar livros que dêem mau aspecto ler! Já viste o que é que alguém pode pensar de mim se me vir a ler uma coisa demode!

- És mesmo um cromo do caraças! Então mas isso lá é stress que alguém tenha?! Achas mesmo que isso faz algum sentido? Um gajo tem de estar sempre a dizer-te e a ensinar-te tudo e mais alguma coisa! Repara bem na simplicidade da coisa. Vais a um hipermercado, ou a um centro comercial daqueles grandes, não vás aqueles de bairro, esses não valem nada, e compras os livros que mais se venderam! Pronto! Está resolvido o problema, ou o stress, tens a pala garantida! É trigo limpo farinha amparo…Tens que começar a pensar nas coisas por ti pá…

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Faltam 5 dias

Todos os anos, todos, ao fim de um dia ou dois de férias, me pergunto como é que é possível ter chegado ao ponto de saturação a que cheguei sem sequer me ter dado conta que já tinha novamente alcançado tal ponto! Por volta do terceiro, quarto dia, com o descanso físico e mental que as férias proporcionam, tem origem, invariavelmente, uma nova vontade de começar a fazer outras coisas quando tiver que voltar a trabalhar. Tal como a grande parte das pessoas que conheço costumam fazer na passagem de ano, para mim as férias são sempre a altura em que congemino novos projectos, formas diferentes, porventura mais objectivas, de encarar os problemas diários, as desilusões, e até as coisas que julgo boas! Não é raro julgar que uma coisa é muito boa, quando na realidade até é má! E vice-versa. Quando estou de férias, consigo sempre, de uma forma clara e arrepiante, ver a rotina a que já estava habituado e nem sequer dava por isso! Ao fim de uma semana, está decido, vou mudar de vida, vou fazer algo que quero e gosto de fazer, vou ser diferente. Passo uma semana encantado com as novas perspectivas e expectativas que criei. Crio novos e incomensuráveis alentos, sou invadido por boa disposição, adrenalina, e muita vontade. Depois, quando falta só uma semana para começar a trabalhar, começam as duvidas, as incertezas, os problemas em arquitectar a forma perfeitamente fazível, e que era perfeita uma semana antes, para conseguir fazer tudo aquilo a que me predispus. Digo para mim mesmo que provavelmente estava a exagerar, que não estou, nem estava, tão cansado nem saturado como pensava, e que provavelmente aquilo que julgo ser mau, não é tão mau como julgo. Todos os anos, todos, quando chega finalmente o fim do primeiro dia de trabalho e a realidade é finalmente real, nunca sei se afinal eu sou aquele que sonha com tudo ao fim de dois dias de férias, ou se sou aquele gajo que gosta apenas de sonhar com tudo e mais alguma coisa ao fim de dois dias de férias. Invariavelmente, acabo sempre por ficar sem saber se aquilo que julgo ser bom, é ou não mesmo bom! E vice-versa.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Cut Copy

Não faço ideia se isto acontece com as outras pessoas ou não, nem sei como qualificar a sensação, se é boa ou má, ou se é apenas e só uma sensação inqualificável, sendo afinal esse o seu nome, ou designação! O que é certo é que, por vezes, interpreto certos sinais que vão ocorrendo aleatoriamente, e sem que haja algo do consciente ou cognitivo nisso, de uma forma logo vinculativa para o pensamento! Para mim, muitas vezes, esses sinais são os que têm o condão de me fazer ter a perspectiva de uma realidade que julgo que é apenas paralela ao meu ser. Noutras ocasiões tais sinais são os que me fazem pensar porque é que há-de ser paralela? Então, por consequência, divago, sonho, e finalmente entro na realidade que julgo paralela, na realidade onde as coisas que acontecem, acontecem apenas nos filmes ou nos quadros! Assim, enquanto me dirigia para casa, decidi que, se houvesse um lugar para estacionar no espaço de 1km, a noite iria terminar com mais um copo. Se não encontrasse nenhum lugar, a noite terminava por ali. Já tinham passado uns 900m e quase que se vislumbrou a possibilidade de estacionar, já muito perto do fim da rua, quando um outro condutor, por ventura mais astuto, ou então um miserável usurpador, se antecipou e deu mesmo um fim à noite!
Mesmo assim, por momentos, ainda conseguir ver a Juliette Binoche a encostar a cabeça no ombro do Daniel Day Lewis na cena final da Insustentável leveza do ser…

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Jogos físicos e psicológicos

- Sabes aquela musica do Bob Dylan, a knocking on heavens door né?

- Sim, o que é que tem?

- Há uns anos atrás, o Reininho costumava cantar o refrão dessa música, mas em Português! Então, o refrão ficava: bate, bate, bate às portinhas do céu. E aquilo para mim nunca fez grande sentido. Por que é que um gajo estaria às portas do céu a bater uma? Por que é que não haveria de entrar lá para dentro, e pelo menos ir à casa de banho do céu, já que estava com tanta pressa…

- Então tu não consegues ver porquê? É mais do que obvio! Por isso é que o Bob Dylan é um génio e tu não és. É obvio que não podia entrar lá para dentro porque toda a gente sabe que os anjos não têm sexo…

- Bom, isso seria estar a discutir o sexo dos anjos. Mas partindo até do princípio que os anjos não têm sexo, bate, bate, bate às portinhas do céu era o que ele livremente traduzia e cantava. Mas em Inglês, o refrão continua a dizer-se Knock, Knock, Knocking on heavens door. E que eu saiba, knock não significa em Inglês o mesmo que o significado que tu deste, em Português, a bater…

- Lá estás tu, mais uma vez, a cingir a tua visão. Então na outra musica dele, o dealer não era o gajo da pandeireta?

- Era!

- Pois! O Bob é um génio já te disse. Todas as suas metáforas estão relacionadas com batuques, ou instrumentos para fazer batuques…

-Bom…Mais uma vez partindo do principio que isso até é verdade, também, o facto é que ele diz knocking on heavens door, que significa em Português, estar a bater na porta, e não à porta…

- …

- …

- Pronto. Está bem. Ganhaste tu, escolhes tu hoje. Estás contente?

- Yeap. E só para te avisar que hoje levo a pinça gigante :)

- Está bem…Mas eu continuo a dizer que eu é que devia ter lançado o tema e tu é que começavas a argumentar. É muito mais justo dessa forma. Como é que eu poderia começar a argumentar sobre aquilo que tu disseste?

- Pronto, não seja por isso, amanhã jogamos de acordo com as tuas regras…

- Não. Devia era ser já hoje…

- Não. Hoje ganhei eu.