• FIM
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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Afraid of everyone

O ateu, sentado em frente à televisão, enquanto pensava na festa que o fim-de-semana fazia aproximar, apagou, no cinzeiro de vidro, já falhado num dos cantos, lentamente, o cigarro, enquanto calmamente franzia os olhos e expelia o ultimo trago de fumo. Levantou-se, fechou a janela. Sentou-se à mesa com desleixo. Jantou, até satisfazer a vontade, espreguiçou-se, durante alguns segundos, bebeu uma vodka, e comeu dois bombons recheados com avelã.
Sorriu, ao pensar que faltam só cinquenta e quatro dias para o próximo feriado.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Raiva acumulada #6

- Então pá?! Soube agora! Então desististe logo ao segundo dia?! Porquê?

- Quando íamos no carro, ela mudou de música sem perguntar se eu me importava que a música fosse mudada! Uma coisa dessas é ainda pior do que usar sandálias coloridas com brilhantes! Não posso conceber uma relação de futuro com alguém que tem este tipo de atitude.

- Não me venhas cá com tangas! Foi por causa do sonho parvo que tiveste lá na rave não foi?

- Não! Não teve nada a ver com isso! Para ser sincero, atrofia-me estar com ela! Não sei, atrofia-me pronto! Não sei, mas aquela coisa de ter tido uma relação em que as coisas eram supostamente para sempre não me sai da cabeça nestas alturas e eu acho que com esta não era para sempre!

- Deixa-te mas é de merdas pá! Não és tu que acreditas que o para sempre é até daqui a uma hora?

- Sim, mas há certas coisas em que te conforta saberes que as coisas não são bem assim. Sabes aquela frase que diz, “trabalha como se fosse para sempre, mas ama como se o mundo terminasse amanhã”, ou qualquer coisa assim do género, percebes o sentido da coisa não é? Bem, ela fez sempre a coisa ao contrário, sempre amou como se fosse para sempre e sempre trabalhou como se o mundo fosse acabar amanhã! Apesar de isso me ter constantemente, sempre, incomodado, eu acabei por admitir que ela fosse mesmo assim, que isso fosse parte da sua maneira de ser. Às tantas, confortava-me saber que era amado por uma pessoa, ainda que não fosse a mais alegre e espontânea pessoa do mundo, que iria amar assim a vida toda. Só que, afinal não é assim e não devia ter sido assim.

- Então e o que é que vais fazer agora? Vais passar a vida nisso? Vais passar a vida toda à espera de uma coisa que tu aches que é para sempre outra vez? Se aquilo que tu pensavas que era para sempre, afinal não era apesar de tu estares 100% certo disso, como é que tu agora podes ter uma certeza dessas?!

- Eu não sei ainda o que é que eu quero, mas acho que quero encontrar uma pessoa normal, ter uma vida normal!

- Uma vida normal?! Foda-se! Tu estás mesmo todo fodido! Para quê? E o que é isso do normal, já agora? Para que é que queres ter uma vida normal? Tu não costumavas detestar as pessoas que querem ter uma vida normal?!

- O que eu quero dizer é que quero ter uma vida semelhante ao que a maioria das pessoas tem! Quero encontrar uma mulher, quero casar, ter filhos e essa porra toda! É só isso mais nada, não me perguntes porquê, mas desde que lhe enviei a carta só penso nisto!

- Eu curtia mesmo era conhecer uma gaja que me dissesse, logo assim quando a conhecesse, que gostava de levar na peida! Isso sim, é que era uma gaja normal para mim!

- Tinha de ser… …

- Sabes qual é que eu acho que é o teu problema?

- Não! Diz-me lá qual é o meu problema?

- Aposto contigo que ela anda já a stressar porque conheceu um gajo há uns tempos e agora, que já passaram meses desde que se conheceram, ela ainda não consegue saber o que ele pensa apesar de já ter à vontade para dizer as coisas não em forma de pergunta, como é típico nas gajas, e conseguir dizer o que quer dizer sem ter medo do que ele possa pensar. As gajas são mesmo assim! O que as lixa depois é o facto de não saberem o que é que um gajo pensa e defendem-se com a porcaria da normalidade! Sempre que algo não é como elas queriam, isso deixa automaticamente de ser normal! Tudo para elas se resume à pergunta: achas normal? Aposto contigo que ela já anda a perguntar às amigas se elas acham normal o comportamento do novo namorado! E aposto contigo também que todas elas dizem que já passaram pelo mesmo! Aposto que dizem que é normal porque ainda passou pouco tempo, porque tiveram muitos problemas no início, porque as coisas não tem sido fáceis, sim porque uma gaja não consegue começar uma relação sem ter imensos problemas para começar, para elas é sempre tudo muito especial, muito pitoresco, muito diferente do normal, apesar de só pensarem em normalidade!

- E qual é o meu problema afinal?

- É este mesmo. Tu queres arranjar uma gaja para casar, ter filhos e essa treta toda da normalidade, e todas as gajas são assim! O mais estúpido disto tudo, é que arranjaste uma gaja, que não está com paneleirices, que muda a musica porque não está a curtir, independentemente do facto de vocês se conhecerem há pouco tempo e tu dizes que não queres mais nada com ela! Quem é que te garante a ti que ela não te levaria à normalidade que tu agora queres? Só porque ela fez uma cena que não curtiste? Por que é que todas as pessoas acabam por fazer e dizer o mesmo em todas, ou melhor, em quase todas as relações? Por que é que tu ao falares com alguém que já tem uma relação há uns tempos, ouves sempre as mesmas queixas, os mesmos problemas, as mesmas cenas! Foda-se eu como gaja atrás de gaja e são todas iguais, não há uma que ao fim de um tempo diga uma coisa diferente! Se tudo no fim acaba por se resumir à normalidade, por que é que se há-de desejar a normalidade logo de inicio?!

- Essas coisas sentem-se não se explicam exactamente!

- Achas mesmo que é com teorias à lá psicólogos da farinha amparo, ou com cenas de revistas para gajas anorécticas que tu vais a algum lado? Deixa-te mas é de tretas e vais mas é ali falar com aquela gaja! Vá, vai lá, ao menos aproveita a cena enquanto não fica normal… …

- Não. Já sabes que eu não sou capaz de falar assim com uma gaja sem a conhecer?

- Queres que eu diga que estás interessado nela como fazíamos quando andávamos na escola? Eu apresento-ta e digo-lhe que tu gostavas de a conhecer melhor. Não há melhor frase de engate do que esta!

- Sim, boa ideia! Com uma frase de engate, fulminante como essa, não há de certeza hipótese de resistir! Já agora diz-lhe também que eu sou do oitavo B e que sou o delegado de turma, ela vai ficar de certeza impressionado com isso!

- Vais ser sempre um conas não vais?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Little faith

O tempo, urge devagar, quando Importantes insignificâncias, adormecem despertares

8 respostas possiveis à questão "Por que é que estás sempre a bater no ceguinho?"

- Porque o ceguinho tem a mania que só por ser ceguinho não pode fazer nada da vida dele. Então, põe-se com coisas e joga sempre psicologicamente para que tenham pena dele. Desatino com pessoas que fazem tudo para que tenham pena delas. Assim, ao contrário do que ele poderia esperar de mim, o meu golpe de misericórdia são uma boas pancadas nos costados, enquanto ele não está a ver, percebe? Claro que eu lhe podia mandar umas bocas e tal, mas não me parece que ele seja muito inteligente ao ponto de perceber…

- Porque não o vi. Muito sinceramente não o vi! O gajo todos os dias se há-de sentar num sítio qualquer, e esse sítio acaba sempre por calhar no meu caminho! Hoje, logo hoje e por azar, não o vi! Mas gosto muito da música que ele dá aí ao pessoal…

- Porque odeio acordeão! ODEIO o som do acordeão e odeio as músicas que o acordeão toca! Quando parti o acordeão todo, a merda da comunidade, que nunca quer saber de nada nem de ninguém, fez uma porcaria de uma quermesse para juntar dinheiro e poder comprar um novo! Compraram um que ainda faz mais barulho que o outro! Agora, como o gajo não vê, bato nele em vez de bater no acordeão, ao menos não toca mais nesse dia…

- Olhe, eu desde muito pequena que me ensinaram a respeitar os outros, principalmente os deficientes e os pobrezinhos. Sei, já ouvi dizer, que estão sempre a bater nele, mas eu sou incapaz de fazer mal a uma mosca quanto mais de bater em alguém... Muito menos num ceguinho, coitadinho, que não pode fazer mais nada. Olhe que mesmo assim, todos os dias anda arranjadinho e com a barba feita...

-Olhe posso só dizer uma coisa? Se as pessoas estivessem mais preocupadas com a vida delas em vez de estarem preocupadas com a vida dos outros, já ninguém batia no ceguinho. As pessoas é que têm a mania de se meter na vida dos outros e depois parece que não têm mais nada que fazer. Porque se elas estivessem mais preocupadas com a vida delas do com a dos outros, já não batiam no ceguinho.

-Porque é tudo parvo! Hoje em dia é tudo parvo e ninguém liga a nada, principalmente à cultura! Um ceguinho a tocar acordeão no meio da praça principal de qualquer aldeia, ou vila, é uma verdadeira instituição cultural! E do mundo, tá a ouvir? Do MUNDO! Não é só daqui, é do MUNDO inteiro! E olhe que eu sei porque eu já viajei! MAS não, aqui preferem dar porrada no cego a ver se ele se cala, em vez de explorarem isso de forma a dar dinheiro! Um cego a tocar acordeão numa praça é uma coisa rara e em vias de extinção! Tou rodeado de gente parva é o que é! Depois ainda chamam deficiente ao cego…

- Eu bem o conheço de ginjeira, ele não é cego coisa nenhuma, aquilo foi uma doença qualquer que lhe fez aquelas remelas todas nos olhos... ele em pequeno via muito bem... ...depois deu-lhe para aquilo, em vez de lavar a cara e tirar aquilo dos olhos, começou nas tocatas e nas musiquitas e agora não quer fazer mais nada...

- Olhe, muito sinceramente, não sei do que está a falar! Quem é o cego e quem é que está sempre a bater nele? Se é uma metáfora, sinto muito. O erro por não estar a compreender até pode ser meu, provavelmente estou fora de contexto! Sabe, passou tanto tempo que não posso, de todo, ainda por cima assim desprevenido, saber o que é que vai na sua cabeça para me perguntar, de repente, sem mais nada a acompanhar, nem antes nem depois da questão que fez...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Tiago capitão

Consigo compreender, perfeitamente, que um gajo que seja bota-de-elástico possa ser, ao mesmo tempo, um borra-botas. Mas, será que um gajo que é rabo pode ser ao mesmo tempo um lambe cus?

Anyone's ghost

É por estas e por outras que tais é que o mercado Europeu e a comunidade Europeia têm, urgentemente, que alterar muitas das suas politicas e atitudes perante, em primeiro lugar a própria Europa, e depois perante o resto do mundo. Enquanto em França é possível restaurar a virgindade por cerca de 2000 Euros “A clínica que faz a cirurgia de restauração do hímen situa-se em Paris e é liderada pelo médico Marc Abecassis. De acordo com ele, são feitas entre duas ou três cirurgias por semana, que duram em média 30 minutos e requerem apenas anestesia local, noticia a BBC.” Os chineses, quem mais(?!), conseguem fazer quase a mesma coisa por 23 Euros! “Para estas mulheres existe também uma opção sem cirurgia. Um site de uma fábrica chinesa vende hímens artificiais por 23 euros. O hímen chinês é feito de elástico, contém sangue artificial e é colocado dentro da vagina para a mulher simular virgindade, de acordo com a companhia.”. Desta forma, como é que é possível haver livre concorrência e competitividade?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Banda Sonora

Por que é que vês filmes franceses, lês livros que não entendes, é mesmo só para te armar?
Por que é que só falas com Ingleses, finges que percebes mas não compreendes, e gostas de ir ao bairro jantar?
Gosto de passear, durante horas e horas por ruas degradadas e sujas
De me perder em sítios fechados, cheios de fumo, lixo e gajas nuas
Decadência abundante, onde a alegria é, quase sempre, enorme, apesar de efémera
No meio das putas, dos drogados, dos que passam a correr
Dos que dançam desinteressadamente, dos bêbados e dos que olham apenas para um ponto na parede
Dos que riem sem motivo nenhum, dos que querem trabalhar para ganhar algum
Orgasmo mental, físico, para quem seduz
Por que é que vês filmes franceses, lês livros que não entendes, é mesmo só para te armar?
Por que é que só falas com Noruegueses, finges que compreendes mas não percebes, e gostas de ir à Costa jantar?

Pulp - Common people

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A sempre estimulante incapacidade de ver o que realmente deveria importar.

- Ando com um stress do caraças e não faço a mínima ideia do que é que hei-de fazer!

- Então, o que é que se passa?

- Aparentemente as gajas hoje em dia, acho que está na moda, curtem ver os gajos todos rapados na genitália tás a ver? Assim como um panda bebé, acho que é esta a expressão correcta para descrever a coisa! Só que eu, no outro dia, ouvi a Melissa a falar com a Patrícia, e ela estava a dizer que isso para ela era um nojo! Agora não sei o que é que hei-de fazer! Não sei se era ela armada em pudica, ou se estava mesmo a dizer o que acha, ou então não gosta porque está na moda embora goste mas não nesta altura, não sei, estás a ver?

- Melissa?! Tu andas interessado numa gaja chamada Melissa?! Ainda que o nome Melissa não seja mau de todo para certas rimas, como raio é que conheces uma gaja chamada Melissa?! Isso é quase o mesmo que um bacano na América estar interessado na Aurora, ou na Ofélia dos Santos!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Raiva acumulada #5

- Acreditas no destino?

- Claro, no fino e no grosso. Porquê?

- Eu estou a falar a sério, diz-me lá?

- Já te disse, que acredito, tanto num como no outro… …

- Eu não te vou perguntar mais nenhuma vez. Eu estou mesmo a falar a sério. Por uma vez quero mesmo falar a sério contigo e estou a perguntar-te se tu acreditas ou não no destino?

- Fogo, como tu tens essa voz nasalada, pensei que tinhas dito intestino… … Desculpa, a sério, estava a brincar outra vez…Por que é que estás tão sério? Por que é que queres falar a sério agora? Falamos mais daqui a bocado, agora apetece-me brincar, anda lá, brinca comigo um bocadinho, depois falamos a sério. A sério, juro-te que também estou a falar a sério.

- Agora não, a sério, agora não me apetece mesmo brincar. Diz-me lá, acreditas no destino?

- Já reparaste que desde que decidiste falar a sério já disseste sério uma quantidade de vezes! E ainda por cima conseguiste contaminar-me ao ponto de eu fazer o mesmo! Não vou dizer mais essa palavra a partir deste momento…

- Tu não queres responder ou estás a evitar responder porquê? O que é que te custa falar seriamente? E desta vez não disse a palavra sério, por isso peço-te que me respondas aquilo que verdadeiramente pensas.

- Para quê? Para o que é que tu queres saber aquilo que eu verdadeiramente penso? O que é que isso vai influenciar no que quer que seja o nosso, o teu, ou o meu destino? Sim acredito no destino e acho, muito sinceramente, que o nosso destino agora, neste preciso momento, depois de termos falado sobre o destino, é que devemos brincar até não nos apetecer mais… ….

- Tu não consegues pois não? É mesmo mais forte do que tu e não o consegues evitar. Tu, pura e simplesmente, não consegues dizer-me, ou a quem quer que seja, aquilo que realmente sentes, aquilo que realmente queres. Como é que esperas ser feliz ou sentir-te tranquila assim?

- Só uma coisita que me está a fazer espécie Em que altura é que eu passei a ser o gajo e tu a gaja nesta relação? Eu estou aqui, há meia hora, a dizer-te que quero sexo e tu estás há meia hora com tangas sobre o destino e mais não sei quê! O que é que se passa? O que é que tu tens? Não deveria ser eu a estar com merdas?

- Devias! E se queres saber, o problema é exactamente esse. Acho que isto está a correr tudo demasiado bem para que possa ter futuro. Por isso te perguntei se acreditas no destino. Foi também por isso que eu te perguntei por que é que não consegues falar a sério. É que eu acho que no dia em que tu começares a falar a sério, tu já deverás ter tanta coisa entalada que depois explode tudo de uma vez e… ….

- O problema é tu estares a começar a levar as coisas demasiado a sério... A sério... Não penses tanto nisso… … Anda, vamos brincar… ….

- HEY! HEY? ENTÃO?... ... TU ACORDAS OU NÃO? TÁ NA HORA DE BAZAR, EU QUERO BAZAR E TU JÁ ESTAS A DORMIR HÁ BUE!

- AH!! O que foi?!

- Man, tu querias porque querias vir a uma rave, estás aí a dormir há bue depois de teres bebido 3 vodkas! 3 Vodkas man, vê lá ao ponto a que tu chegaste! E agora eu acho que está na altura de bazarmos. Isto é só povo que eu não conheço, já vi que aqui não me desenrasco hoje. Por isso, BAZA.

- Ouve, tive agora um sonho muito esquisito!

- Se tiver alguma coisa a ver com ela, esquece. Não quero nem ouvir, já mandaste a carta, já tiveste a tua explosão de raiva, agora chega, não vamos, nunca mais, atenção, nunca mais, falar dela.

- Não, a sério. Fogo! Até acordado digo a sério agora! Não, ouve, o sonho foi sobre uma conversa que eu tive com uma gaja em que eu comecei por lhe perguntar se ela acreditava no destino, mas ela só queria ir para a cama comigo e eu não queria, eu queria era conversar com ela, queria ter uma conversa a sério com ela, estás a ver?

- Foda-se, até nos teus sonhos te estás a transformar num paneleiro! Foda-se eu nem sei por que é que eu falo contigo ainda. Bom, hoje até te dou uma desculpa, afinal bebeste 3 vodkas, estás muita maluco! 3 vodkas!!! Estás mesmo uma menina feita, não aguentas 3 míseros vodkas…

- Nem sequer vou perder tempo a responder-te. Vamos embora, detesto esta música. Dá-me sono.

- Sim, sim, diz que é a música agora...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Percebes

- Ouve lá, por que é que falas sempre nos percebes quando terminas uma frase? Qualquer coisa que me digas, qualquer coisa mesmo, tu terminas sempre a dizer “percebes”! Isso anda, há uma data de tempo, a fazer-me uma confusão do caraças. Qual a razão de mencionares tais animais no fim de cada frase que dizes?

- É uma mnemónica. O percebes é um bicho admirável! À semelhança do mexilhão, ou da lapa, vive alapado nas rochas, agarra-se com todas as suas forças à sua vida na rocha que escolheu para se colar, e sobrevive a todas as intempéries e ao mar revolto do Inverno dessa forma. Queres melhor referência para fixar uma conversa no teu cérebro do que um percebes?

- Tudo bem. Mas às tantas fixo o meu pensamento só na expectativa que vou criando enquanto falas comigo que acabo por ficar apenas atento e à espera que digas percebes outra vez! Não consigo depois prestar atenção nenhuma ao resto das coisas que dizes. Por exemplo, há 5 minutos atrás, quando estivemos a falar sobre castanhas, disseste 7 vezes percebes! Da conversa toda, só sei que disseste 7 frases e que eu respondi a 6. De resto, só me lembro que estivemos a falar sobre castanhas, mas não me lembro o que dissemos. Trocámos 13 frases e só me lembro dos percebes e das castanhas! De que forma o percebes ajuda a lembrar-me da conversa?

- As pessoas geralmente têm uma baixa percentagem de memória sobre a totalidade das conversas que têm. Instintivamente, geram uma súmula da conversa que têm e formulam uma opinião, ou uma impressão, sobre isso. Somente essa opinião, ou impressão, é que vai restar da conversa. Tudo o resto é eliminado para poupar espaço no cérebro. O percebes é a marca que uso para o meu registo cerebral, percebes?

- Então e por que é que não usas uma lapa ou um mexilhão? Não são igualmente admiráveis animais?

- Sim, são. Mas não se coadunam. Lapa acaba por ser muito redutor, transporta-nos sempre para uma determinada zona de Lisboa e por aí se fica. O mexilhão é pornográfico praticamente, muito movimento, muita bisbilhotice, impensável usar mexilhão. Tem que ser uma coisa suave, quase subliminar, para não se meter no meio da conversa e levar-nos para outros assuntos, percebes?

- Olha que é uma muito boa ideia, devo-te dizer! Vou começar a usar a mesma técnica nas minhas conversas.

- Hey, mas não vale imitações. Depois confundem-se marcas e corre-se o risco de se registar coisas que não são para ser registadas. Percebes?

- Sim claro. Eu vou passar a usar o tás a ver. Tás a ver?

- Tás a ver? Isso é estúpido! No que é que o tás a ver te pode ajudar naquilo que eu te estou a dizer, percebes?

- Então! O taz é o monstro da Tasmânia, rápido como um relâmpago! Queres coisa melhor para registar quase subliminarmente uma coisa no cérebro do que algo rápido como um relâmpago a ver tudo? Tás a ver?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Gago: Portugal «exemplar» no combate à fuga de cérebros

Pronto! Está tudo explicado. Temos um ministro que passou a cantar para se exprimir melhor....

Sanguessuga da Amazónia vive em narina humana

"Cientistas anunciaram a descoberta de uma nova espécie de sanguessuga que tem a tendência de viver em narinas humanas. Segundo os investigadores, a sanguessuga pode entrar nos orifícios do corpo de pessoas e animais e aderir às membranas mucosas." In DiarioDigital

Pronto! Está tudo explicado. Nunca tinha percebido, até hoje, porque razão chamaram à cena macacos do nariz. Hoje percebi que afinal o interior do nariz humano é a Selva da Amazónia...

Crise de enxaqueca faz britânica falar com sotaque chinês

"Uma mulher britânica está a ser tratada por fonoaudiólogos por ter começado a falar inglês com sotaque chinês depois de sofrer uma grave crise de enxaqueca." In DiarioDigital

Pronto! Está tudo explicado. Só ainda não sei é se sou eu que ando com dores de cabeça e ando a falar chinês com toda a gente, ou se é toda a gente que anda com dores de cabeça e a falar chinês comigo no local onde trabalho...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Paisagens mentais

O som da música, que vai invadindo lentamente o éter e os sentidos, confunde-se com o ritmo da brisa que sopra lá fora. À sua frente, os esplendorosos ramos de duas azinheiras brilham, reflectindo em todas as direcções a luz dos raios de sol que inundam o dia. Delicadamente, os ramos dançam, não se conseguindo perceber se ao som da música, se ao sabor da brisa. Por momentos, ele deixa-se levar pelos seus sentidos e dança com a árvore. Através de gestos doces e meigos, muito suavemente, as folhas bamboleiam para cima e para baixo e respondem com passos de dança ao ritmo da música, levitando o corpo dele para uma outra dimensão. Ali, ele ficará, perdido, no meio do espaço, submergido em luz e cor. As vozes, cada vez mais murmurantes, transformam-se em melodias, sem qualquer tipo de linguagem perceptível. Somente melodia e paixão. Melodia e ilusão. Embriagado de sentidos desconhecidos, vai subindo, cada vez mais alto, até se transformar num pequeno ponto branco no meio de uma imensidão azul que depressa se desvanece no horizonte. Aí, permanecerá para sempre esquecido. O sol ilumina agora um túnel suspenso por asas de condor, cujas cabeças se encontram ocultas por mascaras de caras humanas. Uma outra árvore acabou de nascer, mesmo ao lado da Azinheira.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O Córtex cerebral processa a informação, e regista a reacção da medula espinal

- Antonito, não queres ir sair comigo hoje à noite?

- Não posso, já tenho coisas combinadas...

- Ai é? Vais onde?

- Vou ao bacalhoeiro, ali perto da casa dos bicos...

- Pronto! Não me queres dizer onde vais não digas, mas peço-te por favor é para não gozares comigo...

Too much joke will kill you

- Olha, ali vem o gajo. Conheço aquele Cabrão há anos, de vista, lá do trabalho. Parece-me mesmo um gajo porreiro! Está sempre a rir-se, é impressionante...

- Cabrão? Porquê Cabrão? De acordo com o dicionário, cabrão é um bode ou uma criança que berra muito! Embora não perceba porquê, também pode ser aquele sino que se vê de quase todo o lado em que te encontrares, se estiveres em Coimbra. É igualmente o nome de um peixe (Alcaboz), e na gíria é utilizado quando se quer dizer que um homem foi atraiçoado pela mulher! Em qual destas situações é que se justifica teres chamado cabrão ao meu grande amigo Zé?

- Calma! Estava só a reinar pá! Era apenas uma brincadeira... Sabes como é não é? Normalmente chamam-se nomes feios às pessoas, mas é tudo a reinar. É típico da nossa geração fazer esse tipo de coisas, vocês sabem como é não é? Na maioria das vezes tem piada e tudo... ...Mas tens razão, foi totalmente despropositado ter chamado cabrão ao Zé. Deixa-me no entanto felicitar-te. Ao invés de me teres chamado outro nome ou de me teres dado logo uma pêra nos cornos, explicaste-me o que quer dizer cabrão! Olha que não é toda a gente que faz isso... Bom, bem sei que pêra é um fruto e que cornos só certos animais os têm... São maneiras de falar...Tu percebes não é?... Ah?... Alguém?... Por que é que estão todos a olhar para mim?...

- Algum de vocês sabe quem é este pândego?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Raiva acumulada #4

Hoje, acordei com uma lágrima ao canto do olho! Passei a noite inteira a sonhar com o branco das tuas nádegas e com as estrias de crescimento ao fundo das tuas costas. Tenho saudades de passar com as minhas bochechas e lábios pelas tuas pernas e nádegas. Tenho saudades de ver a tua coluna vertebral e do arrepio nas costas que sinto só de pensar na tua pele. Tenho saudades do rosa suave dos teus delicados mamilos, do rosa carne do teu sexo e de ver o teu cabelo a cobrir-te a cara enquanto sentes prazer. Sinto falta de beijar o teu umbigo, de passar a minha língua pelas tuas virilhas e do teu riso maroto sempre que tocava nos dedos dos teus pés. Sinto falta dos teus dedos nas minhas costas enquanto eu punha o meu queixo nos teus ombros e beijava os teus lóbulos e o teu pescoço. Sinto saudades da tua respiração ofegante e do teu olhar descontraído, do teu sorriso contagiante e da tua felicidade inalcançável. Hoje, acordei com saudades de ti e de falar contigo depois de nos amarmos, de falar contigo sobre o meu e o teu dia, sobre o queres e o que desejas, sobre o meu desejo em ter-te 25 horas por dia, sobre a excitação com que fico só de olhar para ti e do facto de tu gostares de me ver assim. Sinto saudades da nossa cumplicidade, de olhar para ti e perceber que estás aflita para sair dali ou que estás contente e feliz, de olhar para ti e acabar de imediato com a tristeza que sentes só porque nós dois existimos e porque o nosso amor é infindável. Hoje, acordei com uma lágrima no olho, fiquei a olhar para o tecto horas sem fim...O nosso amor nunca existiu a não ser na minha cabeça e no meu corpo, não passaste de uma miragem e de um sonho que se esvaiu, mal o dia raiou...

- O que é isto? Que lamechice pegada é esta?

- É a carta que eu lhe escrevi!

- Foi esta merda que tu escreveste?! É esta porcaria que é a tua grande explosão de raiva?! É isto que tu querias dizer para expurgar os teus demónios e a tua ansiedade?! Bacano, ela está completamente a cagar-se para ti, o que é que tu queres mais?! Deixa de ser anormal e começa a viver a tua vida também?! O que é que tu pretendes com isto diz-me lá?

- És completamente imbecil é só o que te tenho a dizer! Deixa-me só lembrar-te que a grande ideia de eu lhe escrever uma carta a dizer tudo aquilo que eu sinto foi tua, nem sei como é que eu te fui ouvir! Tu é que me disseste que em vez de eu andar para aqui a acumular raiva, lhe devia dizer na cara ou então escrever-lhe uma carta a dizer tudo aquilo que sinto. Tu é que disseste que depois de lhe mandar a carta eu me ia sentir bem! E se queres que te diga, até me estava a sentir relativamente bem até tu teres lido a carta e teres dito o que disseste.

- O nome totó só existe desde que tu nasceste! Eu disse-te para escreveres uma carta para lhe dizeres aquilo que sentes, para não andares sempre a pensar que lhe devias ter dito isto ou aquilo ou que devias ter feito isto ou aqueloutro! Como é que é possível um gajo como tu achar mesmo que esta é a carta que se deve escrever para deixar de acumular raiva e começar de novo a viver? Mas tu és parvo ou comes merda às colheres? O que é que pretendes com esta merda desta carta? Anda, bora aí escrever uma carta como deve ser, eu ajudo-te.

- Eu já enviei a carta, isto é só uma cópia do texto para eu ficar com uma recordação da última carta que lhe escrevi.

- O QUÊ?! ESTÚPIDO ESTÚPIDO ESTÚPIDO ESTÚPIDO! Como é que tu foste fazer isso? Agora já não há nada a fazer! Ela vai passar o resto da vida a pensar que andou com o gajo mais maricas ao cimo da terra!

- Por que é que dizes isso? Eu depois de pensar mil vezes sobre o assunto, cheguei à conclusão que tu tinhas razão. Eu acho mesmo que ao dizer-lhe o que disse na carta, que ela vai saber o quanto eu gostei dela e ao mesmo tempo vai saber também, que eu sei que ela afinal não gostou de mim da mesma forma. No fundo, tenho a esperança que nós fiquemos a dar-nos bem e a falar um com o outro. Acho estúpido não falarmos hoje em dia, às vezes coisas assim duram a vida toda e às tantas já nem se sabe bem porquê, as pessoas inevitavelmente crescem, evoluem e ficam diferentes e as pessoas com quem nos zangámos não existem mais. É sempre bonito e bom sentir uma amizade como eu tive com ela, independentemente do rumo que a vida tomou, ou dos defeitos, ou qualidades, que todas as pessoas inevitavelmente têm. Duas pessoas que cresceram juntas, vão ter para toda a vida algo em comum, e eu só quero que ela saiba isso também e possamos falar como duas pessoas civilizadas sem as cenas e as parvoíces que houve no passado! Não achas?

- Não, não acho, tu nem sequer dizes mal dela, a culpa não foi só tua, tens de lhe mostrar isso também. Eu acho que assim vais ficar na mesma, daqui a uns tempos vais andar na mesma vais ver. Um gajo tem de dizer mal e chamar-lhes nomes, dizer que a culpa é toda delas e continuar com as outras todas que um gajo conseguir arranjar!. Quantas mais melhor é o que te digo...

- As pessoas só assumem a culpa dos seus actos se tiverem consciência disso. Ela pode passar a vida dela a mentir-me ou a arranjar desculpas para não falar comigo, mas se ela não tiver consciência disso, nem que eu lho diga um milhão de vezes ela vai acreditar em mim. Por isso não vale a pena. Eu, com esta carta, disse-lhe tudo o que sentia e descobri que, incrivelmente, tinhas razão. Sinto-me muito melhor! Já não me sinto tão ansioso nem com a tal raiva acumulada que tu falavas! Eu não vou ser mais estúpido e continuar a viver da forma que tenho vivido, já lhe disse o que sinto e sinto-me bem com isso. Se ela quiser continuar a ser estúpida o problema é dela. Quanto às outras todas, já sabes o que eu penso do teu modus vivendi!

- Mesmo assim, devias ter dito mal dela, devias ter feito a coisa doutra forma. E não comeces com a merda do latim que bazo já daqui...

- Eu sempre gostei de metáforas, ela sabe disso, sabe perfeitamente o que eu quero dizer com tudo o que ali está dito, além disso menciono as estrias dela...

- Tu é que sabes man. Eu acho que tu deves ser é panaleiro, é o que é, se bem que a carta tem um conteudozinho erótico. Muito leve, é certo, mas há ali uma certa pica. Já pensaste em escrever contos eróticos?

- Paneleiro?!!! O que é que isso tem a ver com a conversa? Por que é que tu tens sempre a necessidade de chamar nomes e de dizer montes de asneiras? Já pensaste em escrever uma carta para aliviar o stress e a raiva acumulada?

- Vai-te foder mas é pá! Essas merdas só se aplicam a paneleiros como tu e com o teu modus vivendi, como tu gostas tanto de dizer…

quarta-feira, 14 de abril de 2010

God only knows

Extra, extra, notícias caiem em catadupa à medida que televisão tomba em direcção ao chão!

Num acidente sem precedentes, depois de alegadamente um transeunte ter perdido o equilíbrio e ter dado um valente encontrão num televisor, várias notícias foram vistas a escapulirem-se ao mesmo tempo que o televisor, situado num sétimo andar, caía redondo num antigo soalho de madeira! Ao verem a oportunidade bater-lhes assim à porta, o método de fuga escolhido pelas notícias foi o já bem conhecido salto para a liberdade! Apesar de não se saber, até agora, o seu paradeiro, consta que várias gritavam pelo nome Jerónimo à medida que o chão se ia vertiginosamente aproximando! Desconhece-se igualmente, até ao momento, a verdadeira origem ou veracidade destas informações, todavia, surgem constantemente questões de todos os quadrantes indagando de que forma terá a cultura americana influenciado estas notícias ou se, por outro lado, existe alguma conotação com o líder do PCP! Uma mega investigação foi de imediato iniciada, tendo como principal base o testemunho de um cidadão exemplar. Tal cidadão foi visto pela última vez, depois da porta da rua se ter aberto de rompante, a sair da sua sala, aos saltinhos, envergando apenas umas cuecas e um soutien pretos! Segundo se conseguiu apurar, apesar de não se ter conseguido obter nenhum comentário da principal testemunha, suspeita-se que a lingerie usada por tal cidadão tenha sido apanhada num estendal! Uma fuga de informação desta natureza causa sempre alguma preocupação e consternação em todos os sectores, mesmo que a informação se venha mais tarde a revelar completamente irrelevante! Desta forma, numa comunicação ao País, o chefe de estado advertiu, embora ciente que cada vez mais todas as interpretações são como as opiniões e cada qual terá a sua, para que não sejam formulados quaisquer tipos de interpretações negativas ou com contornos de agressividade, pelo menos assim à primeira vista! O pretenso causador deste incidente foi entretanto detido esta tarde para averiguações a fim de se apurar quais os motivos que o levaram a tentar ganhar novamente equilíbrio apoiando-se na televisão mais perto de si! Aguarda-se a todo o momento o início de uma conferência de imprensa onde irão ser esclarecidos estes e outros factos!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Complexos #26

Não! Mau aspecto? Ar de totó? Claro que não deste nada ar disso...Nenhuma mulher ousaria sequer pensar uma coisa dessas perante a afirmação; “Sabes, é que eu dou-me mal com colchetes”. Ainda por cima quando ela já te tinha tirado a camisa, sem sequer teres notado que ela te tinha desapertado os botões todos! Mas podes ficar descansado. Qualquer mulher percebe perfeitamente que após de te tirar a camisa e de te colocar as tuas mãos nas costas dela, depois de ficar só em sutiã, que digas uma barbaridade dessas e a seguir digas: “Vou só ali num instantinho ao W.C., volto já”. Agora, aqui estás tu, feito parvo a falar com o espelho, à espera sabes lá tu do quê! Bom, já estás aqui há um bom bocado, tens de pensar depressa no que vais fazer...Com um bocado de sorte ela não ligou nenhuma a isto, estás a atrofiar por causa de nada e ela já está na cama, despida...Sim, mentaliza-te disso. Qualquer mulher, na primeira vez que está com um gajo, faz exactamente isso, despe-se e espera nua na cama enquanto o gajo vai à casa-de-banho, fazer sabe lá ela o quê! Só tu meu! Só tu para dar este tipo de mau aspecto. Por que é que tens de ser tão totó, explica-me lá? Não sabes não é?...Deixa-te lá de lérias e pensa em algo verdadeiramente plausível para poderes abrir a porta e ir ter com ela...Já sei, saio daqui a fungar do nariz e digo que dei um risco de coca. Não! Estúpido! Nem álcool bebeste durante a noite toda. Alias, deste a entender que és um betinho durante a noite toda, até pensaste que foi isso que a atraiu e fez com que ela te convidasse para entrar e tudo...Yá, é isso...Vou embeber um bocado de mercurocromo num bocado de algodão e digo que tive uma pequena hemorragia no nariz, mas que já está tudo bem...Sim, é mesmo uma grande ideia essa, nada mais sexy do que sair daqui com o nariz todo vermelho de mercúrio! E se ela está mesmo despida à tua espera? Já pensaste bem na figura de urso que vais fazer? Sai daqui, na boa, e entra no quarto como se tudo estivesse normal. Até porque de facto está tudo normal...Epá, mas colchetes! Ela deve estar a pensar, de certeza, como é que eu sei que existem colchetes e o que são. Vai pensar que eu sou um paneleiro e já está mas é vestida à minha espera na sala para me dizer que afinal ela tem qualquer coisa combinada de manhã e que é melhor a noite ficar por aqui... Não vai nada. A noite correu bem, nós até nos divertimos à brava. Tu curtiste dela à brava e tiveste a sensação de que ela também te curtiu, está tudo bem pá. Se não, como é que explicas que ela te tenha dito, gestualmente é certo, mas disse-te, para lhe tirares o sutiã? Tu já lhe beijaste o pescoço e sentiste o arrepio dela quando lhe passaste, ao de leve, os dedos pelas costas, foi quando ela tirou, de repente, nem notaste, a camisola dela, bem fixe por acaso, fica bué de louca ela com aquela camisola e aquela saia...Meu, já estás a dispersar outra vez! Repara bem no anormal que tu és, para teres uma gaja que curtes a serio a fim de ti também, no quarto dela à tua espera, e tu estás na casa de banho a pensar no louca que ela é!...É agora, 1,2,3 vou sair daqui. Pronto, já está. Agora já abri a porta da casa-de-banho já não há volta a dar. É só apagar e luz daqui, onde é que está o raio do interruptor, ah, está aqui, et voila, luz apagada. Está a ali a luz do quarto acesa, vou entrar com o ar mais natural e ao mesmo tempo mais sexy do mundo. Mais sexy não, com um ar de desejo. Mas cuidado, não metas um ar lascivo, só de desejo...Olha, ela está deitada já, tapadinha até ao pescoço. Deve estar com vergonha. É tão bonita ela! E agora? Deito-me ao lado dela ou sento-me na cama do lado da porta e deixo que ela se vire para mim? É isso, deixo que ela se vire para mim e dou-lhe um beijo terno, como se tivesse tido muitas saudades por ter estado este bocadinho longe dela. Vou sentar-me bem devagar, para ela não se assustar, ela está bué quieta acho que ainda não percebeu que eu estou aqui à porta do quarto. Porra pá! Devias ter puxado o autoclismo! Assim ela sabia que já estavas de saída...Mas também, com o tempo que demoraste, ainda bem que não puxaste...E se ela te perguntar o que é que estiveste a fazer tanto tempo e nem sequer puxaste o autoclismo? Merda, devia ter pensado nisto antes.. ...Caga nisto tudo tudo, deixa de pensar, deixa de pensar...Ordeno-te, cérebro, que deixes de pensar já. É UMA ORDEM OUVISTE?...Sentei-me na cama. Vou tocar-lhe nas costas para ela se virar para mim...Ela não sentiu, vou tocar-lhe no ombro...Nada...Ela já está a dormir! E agora? Deito-me ao lado dela? Vou-me embora? O que é que eu faço, o que é que eu faço? Vou-me embora, é isso, demonstra respeito. Boa, e o que é que dizes depois amanhã? Não, vou para o sofá, com um bocado de sorte ela daqui a pouco acorda. Sim, boa ideia, e depois o que é que dizes que estás a fazer no sofá? Dizes que estás à espera dela? Grande ideia...Não. Vou acorda-la. É isso, vou acorda-la...Não sou capaz, ela já está a dormir tão bem! E agora? Merda, e agora?...Não sei o que fazer, vou ao W.C...Por que é que tu tens de ser tão totó? Diz-me por que é que tu tens de ser tão totó?...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

How was it for you

Hoje, enquanto fumava um cigarro e falava com o Manel, numa das pausas para o cigarro que costumo fazer durante a hora de expediente, chegou um gajo que conhecia também o Manel, e sem se importar muito com o facto de eu estar ali, virou-se para e Manel e disse que tinha ido, em trabalho, ao escritório de uma mulher que eu não sei quem é, e muito excitado disse-lhe que lhe tinha visto as cuecas assim que entrou no escritório dela! Disse depois, com orgulho, que eram cor de laranja! Como é que alguém fica naquele estado de excitação por ter visto umas cuecas cor de laranja?! Quando se tem, 8, 9, 10 ou mesmo 11 anos, acho absolutamente normal este tipo de reacção, agora independentemente do facto de ser benéfico nunca perder a criança que há em nós, quão frustrado e falhado poderá ser um gajo que fica naquele estado de excitação por ter visto umas cuecas cor de laranja de uma colega de trabalho, no trabalho?

Hoje, enquanto fumava um cigarro e falava com o Pedro, numa das pausas para o cigarro que costumo fazer durante a hora de expediente, chegou o Gonçalo, e sem se importar muito com o facto de eu estar ali com Pedro, virou-se para mim e disse que tinha ido, em trabalho, ao escritório da Teresa. Muito excitado disse-me que lhe tinha visto as cuecas assim que entrou no escritório dela! Disse depois, com orgulho, que eram cor de laranja! Como é que aquele cabrão conseguiu fazer isso antes de mim?! Ainda por cima umas cuecas cor de laranja?! Quando tinha 8, 9, 10 ou mesmo 11 anos, achava absolutamente normal este tipo de situação, agora independentemente do facto de ser benéfico nunca perder a esperança que há em nós, quanta sorte poderá ter um gajo que vê umas cuecas cor de laranja de uma colega de trabalho, no trabalho?

Hoje, enquanto vinha do escritório da Teresa, vi o Manel, numa das pausas para o cigarro que costuma fazer durante a hora de expediente a falar com um gajo que eu não conheço! Assim que cheguei ao pé dele, caguei no outro gajo e disse-lhe logo que tinha ido, em trabalho, ao escritório da Teresa! Mesmo para lhe fazer inveja, fiz o ar mais excitado que pude, e disse-lhe que lhe tinha visto as cuecas assim que entrei no escritório dela! Disse-lhe depois, com orgulho, que eram cor de laranja! O fácil que é por dois gajos com inveja só por eu ter visto umas cuecas cor de laranja?! Quando se tem, 8, 9, 10 ou mesmo 11 anos, acho absolutamente normal este tipo de reacção, agora independentemente do facto de ser benéfico nunca perder a criança que há em nós, quão frustrado e falhado poderá ser um gajo nem sequer consegue ver umas cuecas de uma colega de trabalho, no trabalho?

Hoje, enquanto trabalhava tranquilamente no meu escritório, chegou o Gonçalo que olhou logo para as minhas pernas! Merda, tinha mesmo que ter trazido hoje a mini-saia e as minhas cuecas cor de laranja que o David gosta tanto! Aquele Gonçalo é do mais parvo que pode haver, sem importar muito com o facto de estar mesmo a dar nas vistas, virou-se para e disse-me que estava ali em trabalho e queria dizer-me que já tinha acertado tudo com Manel! Disse depois, com orgulho, que sabia que estava a fazer um bom trabalho e saiu logo a seguir! Eu bem vi que ele foi logo falar com o Manel e com outro gajo que eu não sei quem é, mas aposto que estão os três a falar das minhas cuecas cor de laranja! Como é que alguém fica naquele estado de excitação por ter visto umas cuecas cor de laranja?! Quando se tem, 8, 9, 10 ou mesmo 11 anos, acho absolutamente normal este tipo de reacção, agora independentemente do facto de ser benéfico nunca perder a criança que há em nós, quão frustrados e falhados poderão ser os gajos que ficam naquele estado de excitação por terem visto umas cuecas cor de laranja de uma colega de trabalho, no trabalho?

Hoje, enquanto passava pelo Manel, pelo Gonçalo e outro gajo que eu não quem quem é, durante a hora de expediente, estavam eles a fumar um cigarro e nem deram por mim a passar! Consegui ouvir o Gonçalo dizer ao Manel, aparentemente sem se importar muito com o facto de estar ali o outro gajo, que tinha ido, em trabalho, ao escritório da Teresa, e muito excitado disse-lhe que lhe tinha visto as cuecas dela assim que entrou no escritório! Disse depois, com orgulho, que eram cor de laranja! Como é que alguém fica naquele estado de excitação por ter visto umas cuecas cor de laranja de uma puta como é a Teresa?! Quando se tem, 8, 9, 10 ou mesmo 11 anos, acho absolutamente normal este tipo de reacção, agora independentemente do facto de ser benéfico nunca perder a criança que há em nós, quão frustrado e falhado poderá ser um gajo que fica naquele estado de excitação por ter visto umas cuecas cor de laranja de uma colega de trabalho, no trabalho, sem sequer reparar que eu estava a passar e a ouvir o que eles estavam a dizer?

Hoje, enquanto… … …

sábado, 10 de abril de 2010

Natty rise & Shine

- Sabes uma coisa? Eu só me apercebi verdadeiramente que também sou apenas um comum mortal, no dia em comecei a perder o cabelo...

- Não me digas que perdeste outra vez a peruca?

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Jogos físicos e psicológicos

- Hummm, a menina vai levar um tau tau...

- Hummm, o menino é tão mau...

- Hummm, mas menina é um chuchu...

- Hummm, e o menino faz bilu bilu...

- Hummm, e a menina...Hey, bilu bilu? Como é que eu não haveria de estar fazer bilu bilu? Eu gostava era de estar a fazer toioioioing, mas tu de vez em quando tens estas diarreias mentais e lembraste destes jogos em que temos de dizer tau tau, xupi xupi e o raio que te parta, e depois queres que eu não faça bilu bilu?

- Hummm, o menino zangado deixa-me com o dedo colado...

- Não, isto não está a resultar para mim, eu...Dedo colado? Como assim? Onde é que o dedo fica colado?

- Hummm, adivinha?

- Na tua pinha?

- Oh! És mesmo um desmancha-prazeres...

- Mas eu faço sempre tudo o que tu queres...

- Oh! Não fazes não...

- Isso é apenas a tua sensação...

- Hey, por que é que agora estamos a rimar?

- Porque isso me faz te desejar...

- Então já posso dizer outra vez bilu bilu?

- Só se a menina virar para mim o seu...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Raiva acumulada #3

- Bom, se fosse eu a chegar com o atraso que estás agora a chegar, tinha de te ouvir o resto da tarde a bramar...

- Ina, a sério, hoje não estou com paciência...Além disso, tens cá uma lata! Tu chegas sempre atrasado a tudo, eu chego uma vez atrasado, e é logo a mesma coisa...

-Calma pá! Estava só a entrar contigo. Está mal dispostinho o menino é?

- Não, estou sem paciência só. Tu acreditas nesta merda? Fui à médica, estive uns 45 minutos à espera, mesmo tendo chegado à hora marcada. Depois de ter desatinado duas vezes, por achar que o atraso já estava a ser excessivo, a puta da secretária vem ter comigo e diz-me que já posso entrar porque a doutora já terminou de ler o jornal! Achas esta porcaria possível?

- Bem! Disseste duas asneiras e tudo! Estás mesmo fora de controlo! Tem calma man. Já passou. Foste à médica porquê? Estás doentinho?

-... ...Bom, se tens mesmo de saber, fui à medica dos nervos...

- À médica dos nervos! Foda-se que cena mais à velho! Acho que hoje em dia nem os velhos dizem médica dos nervos...Mas foste à médica dos nervos porquê? Andas nervosinho?

- Foda-se qual é a tua cena com os inhos hoje? É tudo inho é?

- Bom, vou abrir uma excepção e vou falar mesmo a serio contigo. O que é que se passa man? Nunca te vi assim.

- Ando todo lixado da cabeça, sinto esta ansiedade, uma raiva acumulada, que não sei explicar, não sei, não sei...

- Calma. E porquê?

- Ela deixou-me. Se queres saber a verdade verdadinha, ela deixou-me....

- Então, mas...

- Sim, eu sei que já tínhamos falado n vezes sobre isso, e que era apenas uma questão de tempo. Eu sei, eu sei. Eu sei que apesar de tu achares que eu sou todo atinhadinho e de não usar o vernáculo com a mesma frequência do que tu, tenho um modus vivendi diferente da maioria das pessoas e que isso, mais cedo ou mais tarde, faz com que as pessoas se cansem disso. Mas com ela, apesar de ter noção de que ela se estava a fartar, não sei, não consegui parar de fazer o mesmo embora quisesse mesmo parar e ficar com ela, casar, ter filhos e faze-la feliz...Não sei...não sei...

- Eu ia perguntar então mas quando é que ela te deixou, tu és um gajo do caraças e nunca dizes nada a ninguém, preferes atrofiar...Bom, deixa lá. Mas agora percebo a tua falta de paciência nos últimos dias... Epá, mas porra, também não é o fim do mundo. E foda-se, ir a médicos dos nervos meu? Bebe uns copos, falas com os amigos, ou seja eu, curte, atira-te a outras gajas, daqui a uns tempos está tudo na boa outra vez. A gaja também tem um feitio fodido como tu sabes, ela está sempre a desatinar por tudo e por nada...E já agora, que já acabaram, eu sempre achei que ela não era mesmo a tua cena...

- Oh! Toda a gente tem o feitio que tem...Sabes, é que a nossa idade já não é a mesma, já não somos putos. Eu, por muito que queira tentar fazer o contrário, começo a desconfiar que já não mudo e que nunca vou encontrar ninguém que me ature com as minhas cenas. O pior é que eu estava convencido, ou convenci-me, que ela era a tal, a miúda que ia aceitar-me tal como eu sou, tal como eu aceitei a ela...

- Epá, desculpa lá, mas aí vou ter de discordar de ti. A gaja estava sempre com cenas...Tudo bem que tu fazes sempre aquilo que te dá na real gana, ela quase que não se via ao pé de ti. Nenhuma gaja gosta disso...Só que depois ela estava sempre com as merdas dela, sempre a foder-te o juízo, e não faças isso, e não faças não sei o quê, dass! Eu digo-te já, nem sei como é que tu aguentaste tanto tempo. Estava mais do que visto que mais ano menos ano ia cada um para seu lado. Agora não me venhas com a tanga que a culpa é toda tua e não sei mais o quê. A culpa é sempre dos dois, e eu até acho que foi mais dela e tudo...

- Não sei... Acho que é por isso que eu sinto esta raiva. A médica disse-me mais ou menos o mesmo que tu, que a culpa é sempre dos dois e tal...Não sei, sinto que ficou muita coisa por dizer, muita coisa que foi dita e feita e não devia...

- Estás a ver? Para o quê que vais à médica, tens é de falar comigo man. Sabes o que é que devias fazer?

- O quê?

- Escrever-lhe uma carta a expressar toda tua raiva acumulada.

- Uma carta? Que parvoíce...

- A sério pá! Se quiseres eu ajudo-te. Mas uma carta é o ideal. Deitas tudo cá para fora e dizes-lhe tudo o que tiveres vontade e atravessado na garganta sem diálogos ou discussões maradas, e ela fica a saber o que pensas e sentes da cena toda, e fica com espaço e tempo para pensar também. Vais ver que ficas logo fixe, aliviado vá....

- Talvez tenhas razão...não sei...não sei...

- Caga nisso agora, vamos beber um copo. Diz-me uma cena, a médica dos nervos era boa?

- Tinha de vir a estupidez!

- Então e tu, com toda a tua cena das cenas correctas, bem-feitas e o profissionalismo e tal, não desatinaste quando ela te disse que a médica já tinha lido o jornal?

- Ainda pensei nisso. Mas é uma médica dos nervos, tudo o que for dito ou feito em desatino ali dentro para eles é sempre porque um gajo não está bem dos nervos, não deve adiantar nada e ainda nos devem mandar internar. À cautela contive-me...

- Então mas e era boa a médica ou não?

- Nem reparei. A sério...

- Escreve a carta pá. Estou a dizer-te...

- Logo vejo...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A ponte é uma passagem...

- Achas que a Marta Amendoeira gosta de nós?
- Não sei, vai lá falar com ela para ver se te apercebes disso...
- Eu? Por que é que não dizes antes ao Chagas para lá ir?
- Porque o Chagas é um chato do caraças...
- Então por que é que não dizes ao Madureira para lá ir ele?
- Acho que o Madureira ainda está um bocado verde...
- Diz ao Aguiar então, ela está ali sozinha sem fazer nada...
- O Aguiar passa a vida na estrada a conduzir sozinho, acho que ele não sabe sequer manter uma conversa...Tens de ser tu Alcântara, a fazer a ponte. Vai lá, anda...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Snapshot

A rapariga dos grelhados é um granda naco!

Love letters from a motherfucker

- Tu, com toda a tua sapiência, não me sabes dizer o que é que leva duas pessoas a afastarem-se uma da outra?

- As hipóteses são inúmeras, mas eu diria, por exemplo, os pés...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Complexos #25

A memória dos primeiros dias de Abril trazia-lhe sempre boas recordações. Tinha sido algures durante os primeiros dias de Abril que tinha passado as primeiras noites de amor com a sua namorada. Começou novamente a pensar nesses dias, na confusão, nos esquemas e na adrenalina que tudo isso causava. Nessa altura, tudo tinha de ser feito ao pormenor para não se correrem riscos desnecessários. Enquanto pensava nisso, pensava também que naqueles tempos nada disso era um incómodo. As coisas eram assim porque tinham de ser assim, não se questionava nem se punha outra hipótese sequer, eram assim e pronto. Vivia-se com as oportunidades que se tinham, e essas oportunidades não eram para ser desperdiçadas.
Não se deu conta do tempo a passar. Já eram horas de ir embora. De repente parou, olhou novamente para o relógio e pensou.

- São horas de ir embora para onde? Qual é a minha pressa?! Pressa para quê?! São horas de ir fazer o quê?

Começou novamente a pensar, fazia tempo que ele não se questionava acerca das suas próprias acções. Pensou durante uns segundos, milhares de flashes na cabeça. Nada, não conseguiu perceber por que razão não se questionava a ele próprio, não se sabe há quanto tempo, o porquê das suas acções. Começou novamente a pensar, não conseguia encontrar um motivo para ir embora! E ir embora para onde? Por que é que de repente se tinha lembrado de ir embora?! Quando é que esta necessidade de se deslocar para outro lado qualquer tinha começado? Olhou para o relógio, começou a suar. Era a primeira vez em não sei quantos anos que ficava num mesmo sítio, mais do que 5 minutos, apercebeu-se disso naquele instante. Sentia o corpo a ficar dormente. Parte do seu cérebro fazia o corpo dele locomover-se, o corpo tinha dele tinha de se deslocar dali para fora rapidamente As pernas, sem ele querer, começavam a andar. Uma força estranha ao seu conhecimento impelia o seu corpo, para que se movesse para fora daquele lugar.

- NÃO QUERO SAIR DAQUI.

Gritou desesperado, enquanto a outra parte do cérebro lhe gritava para ele não sair dali sem ele saber porque é que tinha de sair dali. Não podia ser, agora estava uma mulher a falar com ele, perguntava-lhe se ele estava bem, se ele se sentia bem. Ele não sabia o que responder, não se tinha dado conta que estava a gritar, que havia pessoas à volta dele, quem era aquela mulher que falava com ele como se o conhecesse bem, o que é que ele fazia ali àquela hora, por que é que ele tinha de ir embora dali?

- O QUE É QUE EU ESTOU AQUI A FAZER?!!!

Gritou para a mulher, que entretanto estava branca de medo com a atitude dele.

- O que é que estás aqui a fazer?! Tu estás parvo?! Todos os dias quando saímos do trabalho vimos aqui beber alguma coisa, falamos um bocado e vamos para casa. Tu, como de costume, balbucias qualquer coisa, ficas 5 minutos e... ... AONDE É QUE VAIS, ESPERA AÍ... ... ESTÁS BEM?

Saiu a correr, não podia ser, não podia ser, como é que ele vai ali há anos? Quando é que tinha começado a trabalhar com aquelas pessoas?
Parou de correr. Ainda cansado por ter dispensado quase toda a sua energia na corrida de 20 metros que tinha acabado de efectuar, apercebeu-se, quando passou por uma montra, que não reconheceu aquela pessoa no reflexo do vidro. Voltou uns metros atrás e parou em frente à montra. Pela primeira vez, em anos, tinha olhado para si novamente. Estava mais gordo, com menos cabelo, a barba branca! Apenas se conseguiu reconhecer devido a um sinal de nascença, bem no meio da testa.
Sentou-se num banco de pedra e num instante percebeu tudo. Por uma razão que desconhecia, a rotina, que andava há anos a tentar caçar a sua mente, tinha conseguido os seus intentos. Durante anos a rotina tinha sido o seu maior inimigo. Durante anos tinha lutado com todas as suas forças para não ser mais uma presa da rotina. Ficou horas, sentado naquele banco de pedra, a pensar. Decorria mais uma noite de Abril...

sábado, 3 de abril de 2010

Three Is A Magic Number

- Onde é que vais com a serra?

- Vou cortar um pinheiro! Queres vir comigo para me ajudar a escolher um bonito?

- Um pinheiro?! Para quê?

- Para quê?! Então tu não sabes que é Natal outra vez?

- Natal outra vez? Estamos na Páscoa!

- Na Páscoa?! Então porque é que se dão aqueles presentes todos? E os doces?! Só vejo tantos doces na mesa quando é Natal! Se há presentes, doces em barda, e feriados, só pode ser Natal! Como andam sempre a dizer que Natal é quando o homem quiser, eu até pensei que isto era uma jogada de marketing qualquer para que a paz no mundo seja mais fácil de alcançar. O espírito de Natal com o calor da primavera deve ter outro sabor, não achas? Estava mesmo convencido que desta vez tinham tido uma boa ideia! Afinal é Páscoa! Não entendo uma coisa então. Se no Natal se dão presentes porque nasceu Jesus, porque é que se dão presentes na Páscoa?

- És mesmo burro! Então é porque Jesus morreu e voltou a nascer outra vez, três dias depois. Só que desta vez, veio como adulto logo! Chama-se Páscoa e não se chama Natal porque o natal é quando se nasce criança, Páscoa é quando se nasce já adulto. Toda a gente sabe isto…

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Mediaval

- E o gajo, o que é que ele disse?

- Só para tu veres bem o nível da coisa, não é que o ignorante me respondeu que não sabia!

Fado corrido

No outro dia, enquanto me dirigia para casa da minha tia, apetecia-me mesmo aletria. Só que ela, como não já não via, e já não sabia bem o que fazia, em vez de aletria deu-me uma fatia de pastelaria e avisou-me logo que não era do dia. Deu-me uma azia, enquanto a comia, que eu não percebia se era da fatia ou porque é que aquilo acontecia! O que é certo é que ali perto morava o Alberto, que não é lá muito esperto, mas numa hora de aperto, ir a casa do Alberto pareceu-me correcto. Perguntou-me o que eu ali fazia, eu disse-lhe que vinha da casa da minha tia e que estava com azia. Disse-lhe que precisava urgentemente de uma pia e de um duche de água fria, que só isso me alivia quando sofro de azia. Ele deixou-me entrar, disse que não havia azar, que estava a cozinhar, quando ouviu a campainha tocar. Indicou-me, depois, o lugar onde eu podia ir buscar toalhas para me enxugar, enquanto me perguntava se queria jantar. Eu disse não obrigado, pois tinha combinado, uma noitada de fado, com a minha vizinha do lado, que me tinha convidado quando fomos ao mercado. Ele perguntou-me, a sorrir, se também podia ir, disse que gostava de se divertir, mas que não era muito de sair porque nunca tem com quem ir. A seguir, ainda a sorrir, esperou para ouvir, as palavras sim podes ir. Só que eu disse que não, pois não fazia parte da prévia combinação, que isso podia causar alguma confusão e esperei a sua compreensão. Ele, muito admirado, disse-me com um ar muito irritado, que eu sou um grande safado, e que eu não o levava a ver o fado, porque andava igualmente tentado, com a vizinha do lado, rapariga que também o tinha encantado no dia malfadado em que fomos todos ao chiado. Se isso é assim, então não te aproveitas mais de mim, gritou ele para mim, enquanto me expulsava para o jardim, com um pontapé em cheio no rim que me fez cair em cima do jasmim! Só que por magia, há horas de alegria, descobri nesse dia, que inalar jasmim também me cura a azia! Todavia, depois desse dia, não voltei mais à minha tia...