• FIM
  • R.I.P

quarta-feira, 31 de março de 2010

Uma questão de honra

- Sabes o que é que tanto o governo como os sindicatos dizem uns aos outros acerca da greve? You can't handle the truth...

Unidade Sindical

- Acreditas na monogamia?

- Não. Um assalto, para ser e correr como deve ser, tem de ser planeado e em grupo.

Banda Sonora

Todas as quartas-feiras é o mesmo fandango! Não percebo! Não percebo porquê! Será que é por ser o meio da semana que ela se desregula, ou se regula, sei lá eu! Já nem sei se é de Domingo a Terça que ela está no estado normal, se é de Quinta a Sábado! Ou então se sou eu que sem saber como, altero a minha maneira de ver as coisas! Cá para mim, o problema está na Quarta-feira. À Quarta, não sei porquê, é um dilema constante. O pior é que já não sei em que dias preferia viver com ela... De Domingo a Terça, é carinhosa, dengosa, faz aqueles jogos femininos de fazer beicinho ou gemer como os miúdos fazem quando não lhes fazem a vontade, e isso deixa-me doido! Por que raio é que já não havia de gostar dela só porque não lhe fiz a vontade e não lhe dei um beijo, por exemplo?! Por que é que o facto, nesses dias, de não lhe fazer a vontade significa que já não gosto dela?! Tudo bem, até me pode dizer que não me custa nada dar-lhe um beijo, ou fazer outra coisa qualquer, é verdade. O que é que custa dar um beijo? Não custa nada, é óbvio, mesmo que não me apeteça dar-lhe um beijo. Só que, se eu lhe der um beijo, apenas para lhe fazer a vontade, se mais tarde não voltar a fazer o mesmo, e mais tarde outra vez, e outra vez, é sempre porque já não gosto dela! Conclusão, ou nunca lhe dou um beijo quando não me apetece e só lhe dou quando também me apetecer, o que implica apetecer aos dois ao mesmo tempo e isso é quase impossível, não sei como é que isto aconteceu mas aconteceu, ou então tenho de lhe dar sempre, mesmo quando não me apetece, só para lhe fazer a vontade, na minha maneira de ver, e só para lhe demonstrar que continuo a gostar dela, na maneira que ela quer que eu veja a coisa, ou para levar avante aquilo que quer. Admito, no entanto, que ela pense exactamente da mesma forma que eu, e pense que eu não lhe dou um beijo só para levar eu a minha vontade avante. Ambas as coisas são estúpidas, isso eu tenho a certeza. O que é que se pode fazer então? Não sei...Para ajudar à festa, de Quinta a Sábado, é exactamente o oposto! Fria, distante, pergunta-me tudo e mais alguma coisa, quase como se nesses dias tenha de ser a minha vontade a prevalecer! Isso então, deixa-me completamente doido! Então mas de um dia para o outro deixa de ter vontade própria? Deixa de saber o que quer e o que não quer? Se por acaso, para ver se a coisa muda, lhe pergunto se quer um beijo, pergunta-me de volta se eu o quero mesmo dar! Em suma, passo três dias a explicar-lhe o porquê de querer dar-lhe um beijo, e outros três a explicar-lhe o porquê de não me apetecer! Já nem eu sei quando é que me apetece e quando é que não me apetece! À quarta, penso nisto tudo e começa o dilema sobre saber o que é que eu hei-de fazer! Por que é que ela não me dá um beijo quando lhe apetece e pronto?! Tem mesmo de me perguntar ou de pedir? E eu, por que é que eu não faço o mesmo? Desde quando é que perguntamos um ao outro aquilo que nos apetece fazer? Desde quando é que as coisas passaram a ser assim? E por que é que eu, ou ela, não demos por isso antes de termos chegado a este ponto?... Já sei, vou aproveitar o dia de hoje ser o dia neutro da semana, vou chegar a casa e fazer como fazíamos antigamente quando chegávamos ao pé um do outro. Pode ser que as coisas mudem e estas perguntas à Quarta-feira acabem de uma vez por todas...Só tenho agora de me lembrar o que é que nós fazíamos quando chegávamos ao pé um do outro antes disto tudo começar!... Chiça que agora não me sai da cabeça a pergunta como é que isto tudo começou... E qual é a resposta? Qual é a resposta...

Xiu Xiu - Bog People

why ask
why not it goes with this night
so will it ever stop
will it always be this hard
there will always be a jar of ash
there will always be an unfit mind
there will always be a lonely son
there will always be a humiliated little girl
why ask
is there any reason
why ask
if it'll just let up
why ask
is there any reason
why ask
if it'll just let up
up up up up
there will always be a headless neck
there will always be happiness
there will always be a handless wrist to crush
there will always be a hopeful heart to disrespect
why ask
is there any reason
why ask
if it'll just let up
why ask
is there any reason
why ask
if it'll just let up
up up up up

terça-feira, 30 de março de 2010

Levitate me

- Nunca percebi aquele ditado que diz quem não chora não mama...

- Isso é porque tu és parvo! O que é que não se percebe no ditado? É explícito!

- Ai é? Então diz-me lá qual é que é a piada de um fellatio com a babe a chorar...

Semana Santa ou SS

- Será que os Padres pedófilos têm pudor em usar o preservativo?

Banda Sonora

Estou há horas a rebolar-me no chão. Tenho medo que comece outra vez aquela comichão nas costas se me puser de pé! Acho que é terça-feira hoje...não tenho a certeza...não me recordo de nada que me tenha acontecido a uma terça-feira...se calhar, tudo de bom que já me aconteceu e eu não me lembro, ocorreu a uma terça-feira!... Posso perfeitamente olhar para as minhas terça-feiras deste modo...Não existe dia mais invisível, mais sem sabor, mais dia sem sol, mais boca sem dentes

PÁRA!

do que uma terça-feira! Pronto, há a terça-feira de carnaval... de não sei quantos em não sei quantos anos lá pode calhar um feriado a uma terça...Bom, já é de uma grande utilidade isso! Um feriado numa terça-feira significa um fim-de-semana prolongado, uma pequena viagem, diversão inesperada a montes, mais uma noite sem medo do amanhã,

PÁRA!

pode mesmo ganhar alguma consistência a ideia que acabo de ter para que as terça-feira tenham algum significado na minha vida! Mesmo assim, é um dia sem ideias, uma mente vazia, um pote rachado, uma cabaça que nem para decoração serve,

PÁRA!

não deixa nunca de ser o dia do regresso, o dia em que sabemos que amanhã já é novamente para levantar cedo...é o doce com sabor amargo no fim, quando calha a ser um feriado, não sei se isso será mesmo bom! Quer dizer, dá, por um lado, mas tira tudo, abruptamente, por outro! É um dia injusto, implacável, frio, calculista,

PÁRA

não pode, de forma nenhuma, ser este o dia em que me aconteceu algo de bom e eu não me lembro. É, e de certeza absoluta, o dia em que tudo de mau que me aconteceu e eu não me lembro, aconteceu! Dia vil, mesquinho, triste, com dente sim dente não,

PÁRA

Se não tivesse tanto medo de me levantar, a primeira coisa que fazia quando ficasse de pé era apagar o transístor

Ruby Tuesday - Rolling Stones

She would never say where she came from
Yesterday don't matter if it's gone
While the sun is bright
Or in the darkest night
No one knows
She comes and goes
Goodbye, Ruby Tuesday
Who could hang a name on you?
When you change with every new day
Still I'm gonna miss you...
Don't question why she needs to be so free
She'll tell you it's the only way to be
She just can't be chained
To a life where nothing's gained
And nothing's lost
At such a cost
Goodbye, Ruby Tuesday
Who could hang a name on you?
When you change with every new day
Still I'm gonna miss you...
There's no time to lose, I heard her say
Catch your dreams before they slip away
Dying all the time
Lose your dreams
And you will lose your mind.
Ain't life unkind?
Goodbye, Ruby Tuesday
Who could hang a name on you?
When you change with every new day
Still I'm gonna miss you...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Banda Sonora

Não gosto da segunda-feira! Nunca gostei! Desde catraio que oiço dizer que a segunda-feira não presta, que é o pior dia da semana, que é o que custa mais a passar...Ainda hoje de manhã, no elevador, e no café, ouvi alguém que passava dizer isso mesmo! Nem sei porque é que não gosto da segunda-feira. Acho que não gosto da segunda-feira porque sim, ou então porque não. Na realidade, acho que não gosto da segunda-feira porque não consigo nunca evitar a sensação que estou, mais uma vez, a recomeçar tudo de novo...Não é que eu tenha algum tipo de problema em recomeçar tudo de novo, antes pelo contrário, às vezes, muitas vezes, a única coisa correcta e necessária a fazer é mesmo recomeçar do zero outra vez. O problema é que, se por um lado não consigo quantificar o número de vezes que quis que a semana não acabasse, por outro, não consigo quantificar as vezes que quis que acabasse! A segunda-feira, de um ponto de vista optimista, acaba quase por ser aquela segunda oportunidade que todos desejam quando erraram pela primeira vez, com a vantagem, normalmente ignorada, do primeiro dia ter sido para descansar, para reflectir, para perceber o que queremos fazer na segunda oportunidade que nos vai ser dada. Só que, ao mesmo tempo, a segunda-feira acaba também por ser a segunda oportunidade, vezes e vezes sem conta, aquela que existe efectivamente, todas as semanas, mês após mês, ano após ano, e não aquela oportunidade que desejamos apenas porque julgamos que se a tivéssemos faríamos tudo de maneira diferente, mas que na realidade apenas gostamos de pensar assim porque sabemos que nunca irá acontecer. Esta obrigação, semana após semana, de recomeçar tudo outra vez, é pior do que viver numa realidade em que tudo seria perfeito se ao menos tivéssemos tido a possibilidade de alterar aquele segundo em que tudo mudou. Que garantia de acertar de vez se tem quando nos é dada a segunda, a terceira ou a quarta oportunidade? E o que fazer depois disso?

Radiohead - The bends

Where do we go from here?
The words are coming out all weird
Where are you now when I need you?
Alone on an aeroplane
Falling asleep against the window pane
My blood will THICKEN.
I need to wash myself again to hide all the dirt and pain
'cause I'd be scared that there's nothing underneath
And who are my real friends?
Have they all got the bends?
Am I really sinking this low?
My baby's got the bends - Oh no
We don't have any real friends - No no no
Just lying in a bar with my drip feed on
talking to my girlfriend waiting for something to happen
I wish it was the sixties
I wish I could be happy
I wish, I wish, I wish that something would happen.
Where do we go from here?
The planet is a gunboat in a sea of fear
And Where are you?
They brought in the C.I.A.
The tanks, and the whole marines to blow me away
To blow me sky high.
My baby's got the bends
We don't have any real friends
Just lying in a bar with my drip feed on
talking to my girlfriend waiting for something to happen
I wish it was the sixties
I wish I could be happy
I wish, I wish, I wish that something would happen.
I want to live and breathe
I want to be part of the human race.
I want to live and breathe
I want to be part of the human race.
Where do we go from here?
The words are coming out all weird
Where are you now when I need you?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Banda Sonora

- Já está! Segui mesmo de acordo com o que te disse que ia fazer! Ou melhor, sem tirar nem por, segui tudo, exactamente, como te disse que ia…

- O QUÊ? TU foste mesmo para a frente com isso? Tu és maluco!...

- Já te disse que não compreendo porque razão dizes uma coisa dessas! Sou maluco porquê?

- Porque és! Porque ninguém no seu perfeito juízo faz uma coisa dessas sem se lixar!

- Boa, excelente justificação a tua! Sou maluco porque ninguém no seu perfeito juízo faz o que eu fiz sem me lixar! Bom, e se eu te dissesse que, apesar de me ter lixado, é verdade, e não comeces já com o numero do eu disse-te por favor, eu continuo a pensar que ninguém tem o seu juízo perfeito é se não fizer a mesma coisa que eu fiz!

- OK, nem sequer me vou vangloriar por te ter dito o que já sabia que ia acontecer, mas eu disse-te não disse? O giro é que tu és tão teimoso que agora achas mesmo que é o mundo inteiro que está errado e tu é que estás certo! Admitiste, para minha surpresa, confesso, já que estamos numa de ser completamente honestos, admito que não pensava que tu me dissesses que te tinhas lixado numa coisa que disseste que é mesmo ser suposto ser assim, não é costume seres assim, no entanto, apesar de admitires que te lixaste, achas na mesma que tens razão! Em suma, continuas a ser tu, apesar de ter havido aí essa nuance…

- Estás a ver! Tu, com aquilo que me estás a dizer, estás a dar-me razão e nem sequer queres admitir! Tu que me conheces há anos, acabas de ficar surpreendido com o que te disse! Apesar de achares que sou eu na mesma, ficaste surpreso por eu ter admitido que me tinha lixado e no entanto continuo a ser eu próprio! Teimoso, como tu lhe chamas, honesto comigo e com os outros, como eu lhe chamo e como eu acho que deve ser e como eu acho que devo fazer, com todas, repito, todas as pessoas sem excepção e sem qualquer tipo de artimanhas para agradar, ou para ser simpático só porque se deve ser simpático…

- Se queres saber mesmo o que penso, eu até concordo contigo em parte, também acho que se deve agir assim da forma que dizes, mas só com as pessoas que conhecemos bem não é! Não com toda a gente como tu preconizas! E não me venhas cá com tangas, porque tu próprio admitiste que te lixaste! Portanto, meu amigo, aprende a lição, não devemos, nunca, ser nós próprios, na total e completa plenitude do nosso ser, quando conhecemos alguém com quem queremos estabelecer uma relação amorosa! Isto é tão óbvio, tão simples e tão…sei lá! Só um gajo como tu é que poderia conceber uma coisa dessas! Tu achas mesmo que alguém está preparado para conviver com alguém que acabou de conhecer, logo com completa honestidade? Logo sem haver aquele charme que se faz, e todo aquele jogo de sedução para cativar o outro? Tu és maluco se achas mesmo que sendo tu próprio desde o principio vais conseguir manter uma relação com alguém! Ouve o que te digo…

- Já te disse o que penso e vou manter isso, não vale a pena continuarmos sempre a falar do mesmo, eu penso desta forma e tu pensas da tua forma, no fim veremos quem teve razão! Só no fim é que se pode avaliar uma coisa dessas…

- Está bem então, fica combinado assim, no fim veremos quem teve razão! Achas que aos 70 anos é uma boa altura para avaliarmos isso?

- Sim, penso que é uma boa altura! Concordo com isso, vou anotar aqui na minha agenda electrónica…

- Mas diz-me, lixaste-te porquê?

- Não sei bem, mas penso que ela ficou com a impressão que sou paranóico, ou então que devia estar a fazer um jogo qualquer que ela não gostou, ou pensava que eu não estava a ser verdadeiramente eu, ou que eu, afinal, não sou como ela pensava, não sei…

- Só tu meu! Decides começar e ser quem tu és numa relação com uma pessoa que conheces e ela pensa que tu não és tu! Só tu…

- Não foi isso que eu disse, eu disse que não sei bem, e aventei algumas hipóteses! Foi só isso…

- Aventaste ou alvitraste?

- Não tenho tempo nem paciência agora para essa discussão! Olha, vou ali ver as folhas das árvores cair…

quinta-feira, 25 de março de 2010

Raiva acumulada #2

- Sabes o que é que ao mesmo tempo me irrita, ou aborrece, e transcende-me, num sentido positivo, aquilo que a maior parte das vezes me dizes, ou fazes?

- Ouve, se é para continuares a chamar-me de paneleiro, ou qualquer coisa do genero, digo-te já que não estou com paciência para continuares com essa conversa...

- Não, por acaso, não tem a ver com isso. Ou melhor, tem, mas não directamente. Ainda que um dia destes tenhas de me explicar qual é que é o teu problema quando eu te digo que te transformaste num. Mas isso não é o que te queria dizer agora. O que eu estava a dizer é que a maioria das pessoas, desde pequenas, têm necessidade de se integrar, de sentirem que fazem parte de algo, seja de um grupo de pessoas, de um clube, do que quer que seja, as pessoas têm sempre essa necessidade absurda de terem que ter algo em comum com outras, nem que para isso façam e digam coisas que não vá de encontro ao que realmente pensam e sentem! E isso para mim, não faz qualquer tipo de sentido! Sendo tu uma dessas pessoas, consegues explicar-me isso?

- Lá estás tu outra vez com as tuas porcarias de filosofias baratas e maradas que só tu é que entendes e depois ficas sempre com a mania que só tu é que tens razão! Explica lá melhor a tua questão.

- Um exemplo. Se estiveres no meio de 6 pessoas que não conheces bem, e todas elas forem de direita e tu de esquerda, assumes que és de esquerda sem qualquer problema?

- Depende sempre da situação. Imagina que são seis skin heads. Se eu chego ali e digo que sou de esquerda ainda me desancam! E depois como é?

- Claro! No teu ponto de vista é melhor perder a personalidade e demonstrar que és outro tipo de pessoa, do que assumir logo quem és e o que pensas. Mas, até aposto que depois, num grupo de pessoas que pensas já conhecer bem, mesmo que sejam todos de direita e tu de esquerda, que até és capaz de discutir e defender os teus pontos de vista sem qualquer tipo de problema...

- Claro! Mas isso é evidente! Já conheço as pessoas, já sei com o que posso contar, etc. E então, não estou a ver qual o problema disso! Para além do mais, há sempre pessoas que tu queres conhecer e outras que não, por isso é que te disse que depende da situação...

- Sim, mas aí é que está. Como é que sabes que de facto conheces essas pessoas bem? Como é que sabes que não há uma ou duas que fizeram o mesmo que tu quando se conheceram e que a partir daí, com esse grupo de pessoas, agem de forma diferente do que age mcom outras pessoas? Como é que sabes se conheces de facto alguém?

- Oh! Isso então ninguém conhece ninguém e pronto. Tu sabes essas coisas, sente-se, sei lá agora explicar porquê...

- Não me parece. Estou até convencido de que ninguém conhece ninguém...

- Vá lá, não disseste que tu és a unica pessoa no mundo que age sempre de acordo com o que pensa e que és o unico no mundo que é possivel conhecer...

- Não disse, mas essa é que é a verdade...

- Claro!...Já agora, e partindo do principio que isso até é mesmo verdade, o que é que tu ganhas com isso? Se à partida já sabes que não vais conseguir conhecer mais ninguém no mundo, nem o mundo irá saber que te conhece quando está a falar contigo pela primeira vez, o que é que isso te adianta?

- Durmo sempre bem.

- Também eu, e ao menos não sou uma besta para a maioria das pessoas...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ten bellow

O rapaz que não sabe o que quer é, sem dúvida nenhuma, o melhor amigo da rapariga que vive constantemente indecisa! O antónimo desta afirmação, não pode, em bom rigor, ser dito com igual certeza, dada a natureza e o nível de indecisão que reside na vida da rapariga que vive constantemente nesse estado! Porem, sem qualquer sombra de dúvida, a sua imensa amizade desabrochou no preciso momento em que os seus olhares se cruzaram, naquele dia junto ao rio, em que, mais uma vez e com todo o seu esplendor, a eclíptica ocorria! Como é que então, uma pessoa que não sabe o que quer, se torna no melhor amigo de uma pessoa que não consegue tomar nenhuma decisão?
Fruto do acaso. Tal como quase tudo na vida que dá realmente prazer, acontece frequentemente e inesperadamente, curiosamente, sempre, sempre por acaso!

Porcupine

Por que é que estás a pintar um quadro, se podes ser um?
O mais extraordinário quadro de carne e osso jamais visto em sítio algum.
Poderias então falar com todos aqueles que passam a vida a imaginar e a pintar numa tela
Que pode até ser bela, mas que não deixa de ser, ela,
tudo aquilo que aqueles que a pintam, gostavam de ter feito um dia, enquanto olhavam imóveis, para a tela vazia...

terça-feira, 23 de março de 2010

Dr. Hellier

- Bom, D. Sofia, antes de me pronunciar sobre a sentença final, gostava de proferir umas palavras.
Eu sei que pode ser, ou parecer, pouco ético, pouco ortodoxo da minha parte, mas devo dizer que a senhora é, sem dúvida absolutamente nenhuma a maior desperdiçadora de Vida que eu já tive oportunidade de julgar.
Eu devo dizer que, apesar de estar legislado e de haver base e legitimidade da minha parte para poder tomar decisões nesse sentido, eu sou, por princípio, totalmente contra a pena de Vida.
No seu caso concreto, devo dizer-lhe que o seu comportamento é, em relação à Vida que lhe foi dada, tão negligente, que teria sido escusada toda a apresentação de factos e provas que comprovam o que todos, à vista desarmada, conseguimos confirmar. Eu vou, obviamente, escusar-me a referir novamente todos os casos, provas e factos que foram aqui apresentados. Mas, e perdoem-me os presentes a opinião meramente pessoal, a senhora merece sem sombra de qualquer dúvida a pena de Vida.
D. Sofia, hoje em dia todos os humanos estão conscientes que a Vida é um bem que não pode em circunstância alguma, perante a sociedade em que a senhora se insere, ser desperdiçado.
D. Sofia, o seu nome representa conhecimento, a senhora devia saber à partida que desperdiçar tempo de vida, ainda por cima da forma consciente e cruel para consigo própria, como a senhora o fez, que isso significa uma provocação deliberada à lei que a rege, não é possível que o conhecimento que o seu nome comporta não a tenha chamado a atenção para este facto.
D. Sofia, em ultimo lugar, gostaria de lhe dizer que me custa muito hoje em dia julgar um caso destes, e olhe que já sou juiz há praticamente 30 anos. Nunca nestes 30 anos de vida julguei um caso em que houvesse tanto desperdício de vida como no seu caso. Nunca na minha vida de juiz julguei um caso em que a pessoa, que deliberadamente desperdiçava vida, tinha ao mesmo tempo remorsos pelo que fazia. As únicas perguntas que a senhora não conseguiu responder durante o tempo que o julgamento decorreu foram estas duas questões que volto a fazer.
Se tinha consciência que estava a desperdiçar Vida deliberadamente, porque sentia então remorsos depois de o fazer?
Por que é que apesar dos remorsos, ou como a senhora diz, apesar de lhe custar muito, o que a levava sempre a manter tudo na mesma como tinha acabado de fazer, fazendo com que o desperdício de Vida que tinha acabado de fazer, fosse para sempre irrecuperável?
É, principalmente, a falta de resposta a estas duas questões que em conjunto com todas as provas que foram aqui apresentadas, que eu pela primeira vez em 30 anos de Juiz, tomo a decisão de sentenciar uma pena de Vida.
D. Sofia, a senhora é condenada à pena de Vida.
Estou certo que sabe o que isso acarreta, o seu advogado poderá esclarecer melhor o que isso quer dizer e poderá recorrer da decisão, caso assim o deseje, mas a partir de agora, a senhora terá obrigatoriamente de passar o resto da sua vida feliz e contente.
A sessão está encerrada.

segunda-feira, 22 de março de 2010

The way you crawled into my life and stayed there for a while...

Lembro-me perfeitamente como se fosse hoje. Ia, ainda de manhã, a subir aquelas escadas que vão dar à feira que ainda há todos os Sábados, quando o meu vizinho me pergunta se eu preferia uma gaja gira de cara e feia de corpo, ou uma gaja feia de cara e com um granda corpo. Sem me deixar responder, ele disse-me logo que preferia, de longe, uma gaja com uma cara feia mas com um corpo do caraças! Depois disse mais meia duzia de baboseiras, como se soubesse realmente do que estava a falar, e eu disse-lhe que preferia uma gaja com a cara bonita, não sei porquê!
Claro que quase todas as miúdas eram giras! Aquela conversa da gaja gira de corpo feio e da gaja feia com corpo giro era tudo conversa de gajo com gajo para dar uma de gajo. No fundo quase nenhum de nós tinha dado um beijo na boca de uma rapariga e aquela conversa toda servia apenas para ver quem é que se picava mais para depois passar a ser a habitual vítima de que todos os putos precisam para se sentir bem uns com os outros. Havia sempre o totó, o caixa de óculos, que normalmente acumulava as mesmas funções do totó, o engatatão, vulgo gajo que já tinha tido algum contacto com o sexo feminino, o gajo que tinha mais lata, ou lábia, e depois os restantes mortais, que só não eram considerados também totós, porque depois os totós estariam em maioria e quem acabaria por levar porrada sem qualquer motivo aparente seria o gajo da lábia, já que o gajo que já tinha, comprovadamente, tido algum contacto com o sexo feminino seria o gajo em que todos os outros, totós incluídos, depositavam a esperança da partilha de todo o conhecimento e truques necessários para conseguir falar com as raparigas.
Mal estávamos a acabar de subir as escadas, deparamo-nos com duas miúdas sentadas a barrar a passagem. Uma loura, da minha altura, com os cabelos compridos, com um vestido de cor-de-rosa! Tinha umas caneleiras também cor-de-rosa e uns sapatos brancos. A outra, morena, devia ter uns sete metros, com um corte de cabelo punk, vestida de preto da cabeça aos pés, cheia de pulseiras, pins e brincos.
Gostas mais de heavy, break dance ou modern talking? Perguntou-me ele quase em surdina mas cheio de convicção.
Não sei, talvez de heavy...Disse eu sem saber o que era heavy.
Pronto, então ficas com a esquisita que eu fico com a outra.
E eu, no alto do meu 1.32m de altura, sem me passar pela cabeça ir falar com aquela rapariga, que sinceramente me metia um bocado de medo, disse: impec!
Chegados ao cimo das escadas, parámos, e ficámos os quatro a olhar uns para os outros.
Tens mortalhas? Perguntou-me a rapariga dos brincos? Não, disse eu, sem saber também o que mortalhas eram!
Fumas? Voltou ela a perguntar-me. Já me deixei disso, disse-lhe eu com segurança.
Tens que idade? 13, disse eu ao mesmo tempo que empurrava as mãos dentro dos bolsos das calças contra as minhas pernas.
Já viste, o puto é baixinho mas tem uma carinha baita nice! Não achas? Disse ela para a loura que acenou afirmativamente com a cabeça!
O que é que achas dele passar a ser a nossa mascote lá na escola? Voltou ela a perguntar à loura. A outra encolheu os ombros e disse que estava na hora de irem embora enquanto se levantava.
Eu tenho dezassete, disse-me ela enquanto se levantava também.
Eu vi-te ontem na escola e achei mesmo muita graça à forma como ias entronhado a entrar no pavilhão. Se algum dia tiveres algum problema na escola, se alguém se meter contigo diz-me que eu faço-lhe a folha. Depois deu-me um beijo na cara e desceram as duas as escadas calmamente!
Sem dizer uma unica palavra durante o tempo todo, o meu vizinho só me disse, quando elas já estavam bem longe: meu, tens a vida feita!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Terrible Love

Se cada vez que penso em ti, uma rosa florisse
Eram só rosas na terra, ninguém se podia mexer
Se cada vez que penso em ti, houvesse quem se risse
Eram tantas gargalhadas, irias ensurdecer
Se cada vez que penso em ti, alguém partilhasse a vida
Ninguém vivia sozinho, não parecia tão comprida, às vezes
Nitidamente, estou sempre ausente
Embora eu tente não parecer que estou
Penso sempre, que de repente
Aquilo que penso já toda a gente pensou
E que exactamente por isso, todos sabem o que penso
Sem sequer ser preciso, revelar o meu pensamento
Se cada vez que penso em ti, tu ficasses contente
Andavas sempre feliz, mandavas na tua mente
Se cada vez que penso em ti, o futuro fosse o presente
Acabar-se-iam os planos, para toda, toda a gente
Se cada vez que penso em ti, se escrevessem poemas
A vida era poesia, não havia teoremas
Nitidamente, estou sempre distante
Embora eu tente manter-me bem presente
Tento sempre, quando vou ao volante
Manter a distância do carro da frente
Está escrito na minha cara, como é que não conseguem ver
Provavelmente tenho mesmo, que começar a dizer,
O que penso e o que sinto sem vergonha de o fazer
Se cada vez que penso em ti, o céu mudasse de cor
Já não era mais possível, distinguir o arco-íris...

quinta-feira, 18 de março de 2010

Raiva acumulada #1

- Então mas diz-me lá, ontem depois amedontraste-te e não me chegaste a explicar por que razão é que não gostas de telenovelas...

- Disse-te sim senhor. Tu é que começaste logo com as tuas merdas do costume...

- Então se sabes que eu comecei com as minhas merdas do costume, e como a própria palavra costume indica, estás a dizer que faço sempre o mesmo, porque é que não continuaste a explicar a cena?

- Porque tem dias que não há pachorra para as tuas merdas...Eu sei perfeitamente que tu és assim. Mas se por um lado o facto de eu saber isso, e isso não me incomodar na maior parte das vezes, pelo contrário até, seres assim como és, para mim, até é fixe, porque fazes logo questão de demonstrar aquilo que és, por outro lado esse mesmo facto faz com que eu seja uma das únicas pessoas que te consegue aturar. E mesmo assim, não o consigo todos os dias...Não há nada, nada, com que tu não comeces logo a gozar, ou a ignorar, ou nem sequer levas a serio. E tem dias que isso me incomoda também. Mesmo conhecendo-nos nós ao tempo que nos conhecemos, é como se não se conseguisse nunca falar contigo a serio! Percebes o que te estou a dizer?

- Percebo. Perfeitamente até...

- Estás a falar a serio? Percebes mesmo onde é que quero chegar?

- Percebo. Já te disse que estou a perceber perfeitamente. Mas como também já te disse ontem, se tu deste de repente em paneleiro não contes comigo para te tirar a virgindade. Isto se ainda fores virgem e não tiveres andado a dissimular essa tua condição estes anos todos...

- Estás a ver? Estás a ver! Foda-se, vai mas é para o raio que te parta...

- Então?! Dois dias seguidos sem pachorra? Não estou a entender! Então eu não estou a dizer e a ser como de costume sou? Qual é que é o teu problema? Ou achas que por me teres dito isso agora eu, a partir deste momento, vou cair em mim e vou começar a ver as coisas como tu vês? Se achas mesmo isso estás a corroborar então a minha teoria que de repente tu te transformaste num paneleiro...

- Só te digo uma coisa, estou-me a cagar para o que estás para aí a dizer, mas um dia destes ainda vais engolir tudo, de uma só vez, aquilo que tens andado a fazer e a dizer a todas as pessoas que, apesar de seres como és, ainda te aturam... E mais ridículo ainda, que gostam de ti...

- Engolir é coisa de gaja, não é do meu pelouro...

- Continua. Continua assim que vais num bonito caminho.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Banda Sonora

Um dia, quando me vires na rua no meu silêncio, vira os olhos para a direcção oposta e afasta-te rapidamente, pois não há desventura maior que a de um dia se ter amado. Amar é ser. Ter amado é a busca incessante, infinita, inglória, da repetição de um momento que já foi prazer...que tresvario se haveria de cometer! E que injustiça para quem de novo se possa conhecer...Alias, o silêncio é logo revelador. Se quem enquanto caminha fala sozinho, consigo mesmo até, demonstra sinal de vitalidade mental, quem caminha em silêncio só pode ser louco, seja por que razão for, ainda que, e invariavelmente, a mesma seja sempre o amor...

Xiu Xiu - Dear God I hate myself

despair will hold a place in my heart
a bigger one that you do do do
and i will always be nicer to the cat
than i am to you you you you
dear God, i hate myself
dear God, i hate myself
and i will never be happy
and i will never feel normal
don't ask me is this line is about you
what do they do there tonite tonite?
why do they go there alright alright?
why do they live there tonite tonite?
and why do they live at all alright alright?
dear God, i hate myself
dear God, i hate myself
and i will never be happy
and i will never feel normal
why do they live there tonite tonite?
and why do they live at all alright alright?
flip off the mirror as protest
who the F-word are you you you?
and i will never be happy
and i will never feel normal
dear God, i hate myself
dear God, i hate myself

Concei

Não sei porque é que me dizem que eu sou muito imaginativo! Eu, sempre que me dizem que sou muito imaginativo, invariavelmente, imagino a Ção!

terça-feira, 16 de março de 2010

Within the hour

- Bem, trabalha agora, mesmo ao lado de mim, por causa da porcaria do “Open Space”, como aquela cambada de anormais gosta de dizer, uma gaja que me irrita os nervos de uma tal maneira que tu não estás mesmo bem a ver...

- Pronto. Lá começas tu com as tuas minhoquices...

- Quais minhoquices pá? Vais-me dizer que tu não te irritarias também se tivesses uma gaja ao teu lado o dia todo a contar histórias do filho e do marido, que ninguém conhece? Ou que não te irritavas por ela dizer que quando esteve grávida lia muito, porque esteve um mês de baixa, e que agora sente muita falta de ler, que anda mesmo a precisar de ler, para na conversa seguinte, com outra pessoa qualquer, neste caso um cromo semelhante a ela, dizer que leu um livro espectacular sobre os “illuminati”, do Dan Brown! E depois o anormal a responder-lhe com alto entusiasmo também sobre outro livro qualquer do gajo, e gera-se ali uma conversa tão merdosa que só me apetece chegar ao pé deles e espetar-lhes um greg em cima e depois dizer: Perdão, foi sem querer, enquanto limpo a boca na manga da camisa...

- Meu, tu és tão, mas tão anti-social! Tu não vês que as pessoas precisam dessas conversas insignificantes para poderem dar algum significado ao dia delas? Não é importante tu saberes do que elas falam, ou conheceres as pessoas todas de quem falam, o importante é partilhares o entusiasmo, a alegria, ou a tristeza, com que te dizem as coisas, para que as pessoas consigam estabelecer empatia contigo e se sintam confortáveis, e assim um dia, quem sabe, poderem ter uma conversa de facto importante contigo...

- Sim, claro. Dizes isso porque não és tu que levas com a minha mulher todos os dias a contar aquelas histórias deprimentes sobre as colegas de trabalho, amigas, como ela diz. Até a minha mulher pá...

- Eu percebo o que estás a dizer, mas tens de fazer um esforço para compreender que isso é importante para ela. E se é importante para ela, tem de ser importante para ti, mesmo que não te entusiasme muito a conversa...

- ... ... Pronto, és capaz de ter razão...Ou melhor, pensando bem na coisa, acho que tens mesmo razão. Ela até me anda a chatear que eu nunca ligo nada ao que ela me diz. Agora anda sempre a dizer que nada do que ela me diz ou faz me desperta algum interesse. Pudera.... Mas sim, é capaz de ser por causa disso que estás para aí a dizer...Já sei...É isso mesmo...

- Agora estás a falar sozinho! É isso mesmo o quê?

- Decidi agora mesmo que quero ter um tipo de vida, em que os anos de uma amiga dela, daquelas das aulas de aeróbica, por exemplo, vão ser importantes para mim também. Decidi que quero vibrar com isso da mesma forma que ela vibra quando olha para mim e me conta essas coisas. Que a história que ela me contar, sobre a cara que a amiga fez quando recebeu a prenda que a aula toda escolheu para ela, é impagável. Quero escrever dedicatórias em postais para pessoas que conheço mal, ou nem conheço, mas que são importantes para mim na mesma.
Decidi que quero ficar genuinamente preocupado com o facto de uma qualquer amiga dela, de quem eu só ouvi falar, andar consternada e a dormir mal, porque o marido descobriu um sinal esquisito nas costas…Há uns dias, recebi um e-mail, daqueles com piadas e coisas assim…Uma delas dizia qualquer coisa do género: “As probabilidades de encontrares alguém que não querias ver, aumentam exponencialmente quando estás com alguém que não querias ser visto com.”…Eu decidi que quero ter uma vida em que seja uma aventura termos que nos esconder nas escadas do cinema com medo que aquela gaja, que eu nunca vi mas sei que é uma chata do caraças e uma grande coscuvilheira, e que depois, por causa de um azar do caraças, acabe por nos ver na mesma, e seja cinicamente simpática, embora esteja o tempo todo a olhar para mim de lado, e vá no dia seguinte para o escritório dizer a toda a gente que passa, que nos viu bêbados no cinema, e que só gostamos de fazer figuras tristes, que fui eu de certeza que a desencaminhei…Decidi que quero começar a preocupar-me, genuinamente, com essas coisas todas…

- Por mim tudo bem. Até sou gajo para concordar com o que estás a dizer. Mas acho que, ou um gajo ou se preocupa, genuinamente, para usar essa palavra que usaste, com isso tudo, ou não se preocupa. Se tu, até hoje, não te preocupaste com isso, não é por tomares essa decisão que vais começar a sentir preocupação. Tudo o que vais conseguir fazer é mostrar um ar genuinamente falso quando mostrares preocupação, e vais acabar por convence-la que aquilo que ela te conta não te interessa para nada, que só serve para tu gozares. Vais começar a discutir sobre isso todos os dias, ela vai deixar de te contar o que quer que seja, vocês deixam de falar, acabam e nunca mais se falam. Acho que não vale a pena o esforço para mostrares que te preocupas…Não há nada como sermos nós…É verdade. Já te disse que vi ontem, no chão, um pinhão, em que se tu olhasses de um certo ângulo, aquilo parecia mesmo um cu! Ainda estive um bom tempo a olhar para aquilo…

- Um pinhão? Não seria um feijão verde? Ou um grão? O grão é que tem aquela coisa que parece uma racha…

- Isso são os tremoços! Não, era um pinhão. Então mas eu não sei o que é agora um pinhão queres ver?...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Common people

Por que é que eu acredito, à partida, no que acredito, ou não acredito, no que não acredito? Coloco-me esta questão vezes sem conta, sem nunca conseguir obter uma resposta satisfatória ou conclusiva. Como é que, não acreditando à partida em algo, passo a acreditar, e vice-versa? Claro que, quando se trata de pessoas, as atitudes delas perante nós são um motivo para acreditarmos, ou não, nessas pessoas, se bem que não consiga nunca entender como é que se chega à frase: "Afinal aquele gajo até é porreiro", ou então à frase " Pensei que aquele gajo fosse porreiro mas afinal não é"! É óbvio que se formula esta opinião com base em algo que essas pessoas fizeram, ou não, que nos fez gostar, ou não, delas. Mas o que é que nos fez não gostar, ou gostar, delas à partida? E por que é que foi assim? À medida que a idade de alguém vai avançando, as diversas situações pelas quais se vão passando permitem obter uma experiência de vida que vai fazendo com que a avaliação de algo ou alguém seja sempre condicionada pela tal experiência. Mas a primeira impressão, sensação, ou qualquer outra coisa do género, quando se tem contacto com algo ou alguém pela primeira vez, continuo sem saber explicar! Quando tinha 15 anos, tive uma professora, muito baixinha, gorda, tinha óculos fundo de garrafa e usava sempre um rabo-de-cavalo! O cabelo dela era todo grisalho e a roupa que usava era sempre muito simples, velha e preta, o que fazia com que ninguém, pelo menos que eu conhecesse, gostasse dela. Obviamente que sempre que passava, havia gozo e risota à sua passagem. Sempre que tal acontecia, ela nunca desviava o olhar, nunca manifestava desagrado ou tristeza por estarem a gozar com ela. Desta forma, para além de tudo o que já se conseguia ver e conhecer da professora, chegou-se também à conclusão que devia ser, ou surda, ou então parva. A forma que tinha de falar durante as aulas, era em tudo idêntica à sua figura. Tinha uma voz anasalada, falava relativamente baixo e raramente conseguia captar a atenção de quem quer que fosse. Durante as aulas que ministrava, era seu costume andar pela sala enquanto debitava a matéria. Ia andando, devagar, falava, mandava-nos calar ou pedia silêncio quando o barulho se tornava superior à sua voz, e continuava, impávida e serena, com a sua aula. Não sei como, nem porquê, mas gostava de mim! Tratava-me por filho, sabia o meu nome, para minha surpresa, e até chegou a achar graça a uma ou duas coisas que disse para a tentar ridicularizar! Uma das coisas que eu costumava fazer durante as aulas dela, era deixar propositadamente a minha caneta no chão para que ela quando passasse a esmigalhasse com o peso natural que tinha. Devo ter feito isto umas quatro ou cinco vezes! Em todas as vezes que isto aconteceu, desfez-se em mil desculpas por me ter destruído a caneta. Sempre mantive a minha postura depois do sucedido, ao mostrar o meu desagrado pela destruição da minha caneta enquanto ouvia os risos e os comentários jocosos da restante turma. A meio do segundo período, no fim de uma das aulas, chamou-me depois de ter dado o toque para a saída. Disse-me que queria falar comigo, que demorava apenas um minuto aquilo que me queria dizer. Assim que cheguei ao pé dela, perguntou-me por que fazia eu aquilo da caneta, sem qualquer tipo de ressentimento ou manifestação de desagrado. Não pude, nem soube, responder. Permaneci calado e quieto. Voltou-se para mim, chamou-me, mais uma vez filho, e disse que eu ainda era muito novo para perceber o que eu queria, ou não, fazer da minha vida, que era ainda muito novo para saber o que quer que fosse. Disse-me, a seguir, que sabia perfeitamente o aspecto que tinha, que sabia que todos os alunos na escola, bem como alguns professores, gozavam com ela. Continuei sem dizer absolutamente nada. Tinha a certeza que estava muito vermelho, só queria sair dali, mas ela pediu-me mais uns segundos para dizer que não se importava nada com tudo aquilo, que gostava de dar aulas, ainda que não fosse a melhor professora do mundo, e que gostava de ver a irreverência e a inocência à flor da pele, que existe na juventude, que era isso e só isso que a levava a dar aulas ali na escola. Disse-me, a seguir, que estava a dizer tudo aquilo porque me achava corajoso, porque gostava da audácia que eu tinha em deitar a caneta para o chão sem que ela visse para que ela quando passasse a partisse. Disse-me que eu devia manter a minha coragem ao longo da vida, mas que não devia julgar as pessoas pela sua aparência mas sim pelos seus actos. Assim que acabou de falar, sem dizer nada, saí dali sem saber o que pensar ou dizer. Não percebi o que ela me tinha dito, mas ela tinha-me feito sentir mal comigo próprio e eu não gostava daquela sensação. Até aquele dia só tinha tido aquela sensação no dia em que dei um pontapé na minha irmã, já nem me lembro porquê! O raspanete dos meus pais foi tão grande que tive pela primeira vez aquela sensação! Pela primeira vez tive a consciência pesada, senti-me mal comigo próprio, sabia que eu é que estava errado e sabia que as outras pessoas também sabiam disso! Ali estava eu agora, outra vez com aquela sensação! Tive vergonha! Nunca, nunca mais consegui gozar com aquela professora! No fim daquele ano lectivo, não sei porquê, ela deixou de dar aulas naquela escola. Uns três, quatro anos, depois, acho que já nem eu andava naquela escola, bateram à porta de minha casa. Era de tarde, só estava eu em casa, os meus Pais tinham ido trabalhar e a minha irmã estava na escola. Abri a porta. Ali estava ela outra vez! A minha ex-professora! Continuava vestida da mesma forma, acho até que com a mesma roupa, só que já tinha cortado o cabelo, agora estava curto, quase branco, já não era grisalho. Fiquei espantado quando a vi. Ela perguntou-me se eu estava só. Não me reconheceu, para meu espanto, e até alguma desilusão. Falou comigo como se nunca me tivesse visto antes! Não sei porquê, mas depois daquele episódio tinha ficado a gostar um bocadinho dela, embora nunca o tivesse admitido a ninguém. Depois de lhe ter dito que estava só eu em casa, entregou-me um panfleto e disse que voltaria noutro dia, numa altura que os meus Pais estivessem em casa. Antes de se ir embora, perguntei-lhe se conhecia os meus pais. Disse-me que não, que era a primeira vez que estava naquele prédio, e saiu. Olhei para o panfleto. Era um daqueles panfletos dos Jeovás que falam de Deus. Num certo domingo de manhã, ouvi a campainha tocar, depois de ter tocado uma segunda vez, quando me ia a dirigir para a porta, vi a minha Mãe gesticular para não abrir a porta. De seguida fez um gesto para que eu não fizesse barulho. Vi através do óculo da porta que era ela novamente, com mais panfletos na mão. Tocou uma terceira vez e pouco depois ouvi a porta da entrada do prédio a fechar. Nunca mais a vi depois desse dia.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Complexos #24

Depois de muitos dias de chuva, o Sol faz destas coisas. Ontem, imbuído pelo espírito festivo que o Sol provocou, de uma maneira geral, nas pessoas, decidi ir aquele jardim, tão bonito e com uma vista tão bonita, confraternizar com os demais transeuntes que por ali se pavoneavam. Mal sabia eu que no que me estava a meter! A coisa até começou por correr bem. Assim que cheguei perto do Jardim, já pejado de gente e povo, visto que não conseguia vislumbrar muito bem o Rio em todo o seu esplendor, decidi furar pela multidão com o intuito de me acercar daquelas grades verdes que impedem que uma pessoa caía pelo precipício abaixo, e poder aí desfrutar da paisagem em toda a sua plenitude. Foi então que quando pedi licença a uma bonita moça de vestido bordeaux e meias às riscas de todas as cores, cheia de brincos e com um cabelo muito espesso, que ela, muito simpática, me ofereceu um resto de cigarro que estava a fumar! Ora eu como sempre aprendi que não se deve recusar um presente dado espontaneamente, embora nem fume, aceitei de bom grado e até dei uns bafos, expressão que me disseram um dia ser a correcta para tal tipo de situação. Bem, mal inalei a primeira baforada de fumo, deu-me logo uma zamboeira que comecei a ver tudo à roda! Perguntei de imediato à menina o que era aquilo, ao que ela respondeu Cavalo! Nunca tinha ouvido falar em tal marca de tabaco, mas como há águia e também há camelo, pareceu-me normal haver um tabaco chamado cavalo. Apesar de não me recordar do teor da conversa que tive com ela, e com os amigos dela que entretanto tinham chegado com umas garrafas de cerveja na mão, sei que eles, e eu, nos rimos muito, até que me deu uma indisposição que me obrigou a ir a correr, dentro da medida do possível, à casa de banho pública que por ali há. Tenho cá para mim que o folhado de legumes que tinha comido ao almoço, eu quando estava a comer ainda pensei que aquele sabor agridoce poderia advir da courgette ou da couve roxa, foi o grande culpado por me sentir assim tão indisposto. Ora, na casa de banho é que foram elas! Assim que entrei, estava um moço à porta que me indagou se eu queria alguma coisa. Eu disse-lhe, a muito custo, que estava muito aflito e entrei a correr sem dar a devida atenção a tal amabilidade da parte dele, embora pensando bem agora, o que será que ele me poderia arranjar ali à porta da casa de banho? Bom, fui directo a um compartimento, que suponho que tenham tirado a porta para que o ar possa circular melhor, já que o cheiro não era, de todo, nada agradável, na altura ainda me passou pela cabeça dizer ao moço da porta para chamar alguém responsável pela limpeza, mas com a má disposição a agravar-se a todo o momento, rapidamente me esqueci disso e entrei sem hesitar. Depois disso, não tenho memória nenhuma do que aconteceu! Eu devia estar mesmo muito mal disposto, estou convencido que aquela couve roxa me provocou uma virose, porque caí redondo no chão e não sei quanto tempo ali estive a dormir. Só sei que quando acordei não tinha a minha carteira nem os meus sapatos! Há gente muito mal-intencionada no mundo, pensei eu com o que restava dos meus botões, sim porque aparentemente devem ter tentado tirar-me a camisa, só que não devem ter conseguido devido à posição em que estava. Ainda agora me dói o pescoço e fiquei com um torcicolo por causa de ter adormecido assim ali dentro. O problema maior foi quando me levantei e me quis vir embora. Em primeiro lugar, assim que me levantei, fiquei com as meias ensopadas, naquilo que até agora rezo para que seja água. Depois, ninguém reparou que eu ali estava. Ou então eu estava a dormir tão profundamente que não me conseguiram acordar. O que é certo é que fecharam a casa de banho, à chave, deve ser por causa dos vândalos que eles trancam a casa de banho à noite, como é pública há sempre abusos, e só hoje de manhã, por volta das 9, é que o senhor que costuma tomar conta daquilo me disse que adormeceu e por isso abriu mais tarde, é que consegui sair! Apesar de a noite ter sido depois um degredo ali dentro, embora já nem o cheiro me conseguisse incomodar, é sempre desagradável passar a noite sentado num lavatório, a única coisa que me pareceu minimamente limpo para me poder sentar, a cara do homem quando abriu a porta de manhã e me viu ali dentro foi impagável. Depois de lhe ter contado a minha história, e ele se ter desculpado por ter chegado mais tarde do que é habitual, ainda nos rimos a bom rir com aquilo. Ele pelo menos ainda se estava a rir, provavelmente a pensar na cara de espanto que fez quando me viu, quando eu me pus a a caminho de casa a fim de me despachar para ir trabalhar. E pronto, felizmente hoje já é sexta e continua Sol. A ver se é desta que hoje consigo desfrutar da paisagem, tão bonita, que aquele jardim tem.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Raiva acumulada - Intro

- Estava aqui a pensar...Sabes que eu, ao contrário da maioria das pessoas, não gosto de telenovelas por um motivo concreto. Grande parte da gente que conheço diz-me sempre que não gosta de novelas, que as da TVI então são um verdadeiro horror. Mas sempre que pergunto porquê, só me conseguem dizer porque são horríveis, ou porque não valem nada! Mas eu não. Eu consigo dizer-te, tim tim por tim tim, porque é que eu não gosto de telenovelas...

- Diz lá então...Antes que morra de ansiedade...

- Estou a falar a serio, escusas de estar já para aí com coisas...E, digo-te já, pensei muito nisto e a coisa é mesmo seria. Vê tu bem, que por causa do meu ódio às telenovelas concluí que sou uma daquelas pessoas que não é capaz de compreender porque é que se anda à pêra a fim de disputar uma mulher, ou um homem, sim porque as gajas também fazem isso. Já viste que nas novelas o enredo gira sempre à volta do gajo que quer a gaja que é a gaja do melhor amigo, ou então a gaja pobre que se apaixona pelo gajo rico que já está comprometido mas que é boa pessoa, ao contrario da noiva que é uma vaca e vai fazer tudo para se conseguir casar com o gajo e por causa disso vai fazer a vida negra à gaja pobre que se apaixonou pelo gajo e por aí adiante! Gira sempre tudo à volta do mesmo, lutar pelo amor. E isso a mim não me diz nada, não compreendo isso sequer. Sou daquelas pessoas que acredita mesmo, piamente, que se uma pessoa ama outra, a serio, de verdade, não há nada nem ninguém que consiga intrometer-se entre eles....

- Isto se não curtirem menages, ou bacanais, ou até mesmo swing...

- Vá lá pá, estou a falar a serio contigo...Porra, estou aqui a abrir-me, a ser sincero e a dizer o que penso...qual é a tua? Não sabes que às vezes é preciso isto para cimentar uma amizade?

- Foda-se! Mas tu deste em paneleiro de um dia para o outro foi? Ontem era copos e gajas, hoje estás aqui a falar-me em merdas de novelas, amor a serio e mais o caralho...foda-se até me disseste que te estás a abrir para mim! O que é que é essa merda? Foda-se...Para além do mais, o que é que aquilo que estás para aí a dizer tem a ver com a porcaria das telenovelas?...Alias, de onde é que surge a merda da conversa das novelas e do amor e sei lá eu mais o quê? Foda-se fui ali buscar duas jecas chego aqui começas tu com essa conversa esquisita...Ainda por cima aqui no tasco!...cimentar a amizade...tás-me a estranhar ó quê...ó artolas...

- Tu és mesmo pá...tu és mesmo uma besta é o que és...és abjecto...não sei...eh pá nem sequer há palavras que consigam descrever a besta que és...

- Então bebe a tua cerveja e cala-te...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Lacónico

Sempre que falo com o Alberto, não consigo evitar o arrependimento, 3, 4 segundos depois de ter começado a falar com ele! Já o conheço há um bom par de anos! No princípio não ligava muito ao que ele dizia, éramos regularmente um grupo de 5 ou seis pessoas a falar, tudo ao mesmo tempo, e pouco ou nada ouvia do que ele bramava! Conhecemo-nos desde pequenos e, apesar de saber que ele reside praticamente no café, integrado no seio do grupo, a nossa relação não passava para além do facto de eu lhe pagar uns copos de vez em quando e dele me pagar uns copos de quando em vez! Há uns meses, não sei como nem porquê, de repente, sempre que aqui chego, só cá está o Alberto! Sem ter mais ninguém com quem falar durante o tempo que aqui estou, custa-me deixar de vir aqui beber café depois do jantar. A D. Albertina já me conhece desde pequeno e sabe que todos os dias depois do jantar vou ao café, de certeza que iria levar a mal se soubesse que passei a ir ao café do Manel! Alem disso, desde que o Manel se armou em parvo no casamento da Adélia, que nunca mais pus os pés no café dele! De maneira que, sempre que chego ao café e pergunto ao Alberto se está tudo bem, obtenho invariavelmente a resposta, “Se está tudo bem! Isto está pior que o deus me livre, como é que querem que um gajo se governe assim!”.
Confesso que foi burrice minha continuar a perguntar-lhe se está tudo bem, sempre que o via! Decidi então mudar a minha saudação formulando a pergunta, então o que é que andas a fazer? Formulei esta pergunta durante 3 dias seguidos, recebi 3 dias seguidos a mesma resposta, “Eu cá não sei, das duas três, ou não consigo encontrar uma explicação lógica para o que se anda a passar, ou sou eu que ando deslargado do mundo, ou anda para aí muita gente a alargar-se!”
Deixei de o saudar, e passei a perguntar-lhe directamente, logo que o via, qualquer coisa sobre uma coisa qualquer! A resposta que ele tem sempre pronta, para qualquer coisa que se tenha passado neste ou noutro mundo qualquer, em todo o universo, é a seguinte, “Oh pá! Isto é tudo uma catrefada de imbecis que anda para aí, que um gajo nem mãos a medir tem!”. Deixei de lhe falar. Durante um dia ou dois, não lhe falei. Ontem chegou ao pé de mim, e bem alto disse para o ar, “OLHA-ME ESTE OLHA! ANDA ARMADO EM IMPORTANTE! ENTÃO ESQUECESTES-TE DONDE É QUE VENS É?”. Pedi-lhe desculpa por não lhe ter falado, disse que andava um bocado chateado nos últimos dias e perguntei-lhe se estava tudo bem com ele! Obtive a resposta, ““Se está tudo bem! Isto está pior que o deus me livre, como é que querem que um gajo se governe assim!”. De seguida, perguntei-lhe o que é que ele tem andado a fazer, e, claro, obtive a resposta” Eu cá não sei, das duas três, ou não consigo encontrar uma explicação lógica para o que se anda a passar, ou sou eu que ando deslargado do mundo, ou anda para aí muita gente a alargar-se!”. Sem ligar às respostas, perguntei-lhe depois qualquer coisa sobre o terrorismo! Resposta, “Oh pá! Isto é tudo uma catrefada de imbecis que anda para aí, que um gajo nem mãos a medir tem!”. Continuando a conversa, sem ligar muito às respostas, perguntei-lhe sobre o nosso Benfica. “É o que eu te digo pá! Oh pá! Isto é tudo uma catrefada de imbecis que anda para aí, que um gajo nem mãos a medir tem!”. Por último perguntei-lhe a opinião dele sobre o tempo e a chuva que tem andado a cair. “É o que eu te digo pá! Oh pá! Isto é tudo uma catrefada de imbecis que anda para aí, que um gajo nem mãos a medir tem! A culpa, em tudo pá, em tudo, é deles”.
Não consigo deixar de concordar com o Alberto! Ele está coberto de razão! A objectividade dele é tão clara, que não deixa espaço nenhum para mais nada! O que dizer perante uma situação em que está tudo dito?! Só não consigo compreender é porque é que eles insistem em manter, de forma inalterável e ao longo destes anos todos, a mesma postura de sempre! Como é que eu hei-de conseguir falar com o Alberto como deve ser, se eles não mudam?! É claro que só posso esperar as mesmas respostas! Só que, já se sabe, enquanto as coisas forem assim, é muito difícil para mim falar com o Alberto! Se calhar o melhor é perder mesmo este medo de desapontar a D. Albertina e passar a ir ao café do Manel! Independentemente da parvoíce dele no casamento da Adélia, com a catrefada de imbecis que andam para lá, não devo ter mãos a medir.

terça-feira, 9 de março de 2010

Ha dvash

Cada vez que me lembro de todos os momentos em que estive triste e os motivos que suscitaram tal estado, fico triste por ter ficado triste. Em noventa e nove por cento dos casos passados que me deixaram triste, hoje em dia acho estúpido ficar-se triste por causa disso. Apesar de tal não me fazer ficar contente na mesma, já é no entanto bom constatar tal coisa, apesar de não saber o que irei constatar sobre esta constatação no futuro. Acaba por ser muito engraçado, esta coisa dos motivos, e muito curioso também, o facto de seu saber os motivos que me deixam triste mas, e ao mesmo tempo, não saber as razões que me deixaram contente. Resultado, eu posso estar contente e ficar triste por me lembrar de um dos motivos que me deixou triste, e não consigo ficar contente, se estiver triste, porque não consigo nunca lembrar-me de nenhum dos motivos pelos quais fiquei contente. Eu lembro-me de estar contente, disso lembro. Não me lembro é porquê! E o que eu gostava que isso sucedesse...Bom, quer dizer, eu penso que gostava que isso sucedesse. Como nunca me sucedeu, tenho de supor que iria gostar. Claro que também se podia dar o caso de eu um dia me lembrar de um motivo para ter ficado contente e depois ficar triste porque se calhar esse motivo, na altura em que eu me lembrasse dele, já era um motivo triste, embora eu tivesse pensado, na altura em que fiquei contente, que era um bom motivo para ficar contente... Espera lá, se calhar é por isso que eu nunca me lembro dos motivos pelos quais eu fiquei contente! Provavelmente, todos os motivos que me fizeram ficar contente são agora, para mim, motivos para ficar triste...Não, esquece tudo, afinal não sei se será bem assim, acho que ia depender sempre do estado em que estaria, contente ou triste, no momento em que me recordasse de algum dos motivos que me fizeram ficar contente...Tenho de pensar nisto tudo outra vez. Do início.
Cada vez que me lembro de todos os momentos em que estive triste e os motivos que suscitaram tal estado, fico triste por ter ficado triste...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Momentary Shelter

Desconfio sempre de alguém que diz: "Bestial, que porreiro pá". A desconfiança é sempre maior, se a pessoa em questão usar um fato cinzento com uma gravata azul bebé. Claro que a certeza absoluta, para desconfiar de alguém que pronuncia tal frase, surge quando a pessoa, usando um fato cinzento com uma gravata azul-bebé, diz: "Bestial, que porreiro pá", e a sua boca forma um biquinho ao pronunciar as palavras bestial e porreiro. Todas as pessoas que formam um biquinho com a boca ao dizer bestial e porreiro, são vis e maliciosas. Querem algo mais pernicioso do que alguém usar um fato cinzento com uma gravata azul-bebé e ainda por cima formar um biquinho com a boca?
E então quando uma pessoa, com um fato cinzento e uma gravata azul-bebé, diz bestial, que porreiro pá, formando um biquinho com a boca e possui na sua mão direita, uma maça bravo mofo (também conhecida por bravo-esmolfe)?
Mas, a situação mais grave dá-se quando, à porta de um edifício com uma porta giratória (coisa mais imbecil de se construir!), está uma pessoa com um fato cinzento e uma gravata azul-bebé, a vociferar bestial, que porreiro pá, formando um biquinho com a boca e, ao mesmo tempo, tem, na sua mão direita, uma maça bravo mofo (também conhecida por bravo-esmolfe)! Aconselho, vivamente, sempre que tal suceder, a sair de imediato de perto de uma pessoa dessas. Eu, pelo sim, pelo não, vou-me já embora...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Banda Sonora

Porque hoje é Sexta, e porque já ando mesmo, mesmo, farto de chuva, e porque é quase Primavera e tudo e tudo e tudo, aqui vai:

quinta-feira, 4 de março de 2010

Squalor victoria

Às vezes, não sei se já não me lembro das coisas todas, ou de tudo, porque a minha cabeça já não é o que era, ou se é porque, como cada vez mais tenho mais coisas na cabeça, já excedi o número de coisas que me era permitido lembra de uma só vez...

About Today

- Já viste? Olha lá bem para ela a subir a rua. Com esta luz, tal e qual como está, não achas que ela parece mesmo uma daquelas actrizes espectaculares que aparecem num qualquer filme francês?

- Ah pronto! Assim está bem! Agora já compreendo tudo. Não é cá por coisas, mas eu já andava desconfiado disso desde o dia em que a vi pela primeira vez. Esses não são aqueles filmes que um gajo nunca percebe nada?

quarta-feira, 3 de março de 2010

C'o brick

Em 2001, o Mansilha e a Diana casaram. Depois da boda, sem dinheiro para passar a lua-de-mel fora, dirigiram-se para o seu T1 a fim de passar a noite de núpcias. Como o apartamento ainda estava despido de toda a mobília, para criar um ambiente romântico e disfarçar o sentimento de pobreza que se poderia fazer sentir, o Mansilha perguntou à Diana:

- Ó Di ceia no espaço?

Primary colours

O pequeno Onoma, filho de gregos, era muito irrequieto e traquinas. Certo dia, na escola, esteve cerca de 27 minutos a cutucar a Andreia para ela lhe emprestar a caneta mágica que ela guardava sempre no estojo. Ao vigésimo oitavo minuto, no preciso momento em que a Andreia se vira para trás e dá um safanão ao Onoma, a fim de expressar o seu desagrado pela forma como ele anunciava o seu desiderato, ouve-se do fundo da sala o professor dizer: ...ONOMA-TOPEIA. Sem conseguir olhar para o pedagogo, convencido que ele o tinha apanhado a maçar a colega da frente, corou de susto, saiu disparado da sala, e desenvolveu uma gaguez que perdura até aos dias de hoje...

terça-feira, 2 de março de 2010

Banda Sonora

Ontem, aquela rapariga que conheci nem sei onde, telefonou-me, de surpresa, para irmos sair. Eu estava em casa, sem fazer nada, disse que sim sem hesitar. Levantei-me do sofá, depois de terminar de queimar um charro que já me tinha esquecido que tinha começado a fumar, espreitei pela janela para ver o tempo que estava, e dirigi-me para o quarto. Vesti aquela T-shirt preta que levei ao concerto dos Logh no Santiago Alquimista, as mesmas calças que usei no concerto dos Wraygunn no palco 6, as botas que tinha no concerto dos Calexico no Hard Club, e o casaco preto que quase ia perdendo no concerto dos Mão Morta no Le Son em Coimbra. Saí para a rua, quando o Sol começou a brilhar, acho que já era de tarde, e segui em frente, rumo ao sítio onde tinha combinado. Cheguei ao local, com cerca de cinco minutos de atraso, ela já estava lá e recebeu-me com um enorme sorriso. Começamos a falar, não sei sobre quê, e pedimos qualquer coisa para beber. Depois, acordei hoje de manhã, com ela deitada a meu lado, bonita, serena, ainda a dormir profundamente. Já fiz todos os esforços e mais algum, mas até agora, ainda não consegui lembrar-me do nome dela...

The Horrors – Who can say

I never meant for you to get hurt,
And how I tried,
Oh how I tried.

I could never give you just what you deserved,
Another man, would surely learn.

I know these words, they only serve to twist the knife,
but I'll strive, to make them heard.
Maybe it's better now I've gone away,
Maybe it's not,
Oh who can say.

And though it's hard, for me to say,
I know you're better off this way.

And when I told her I didn't love her anymore,
She cried.
And when I told her, her kisses were not like before,
She cried.
And when I told her another girl had caught my eye,
She cried.
And I kissed her, with a kiss that could only mean goodbye.

And though it's hard, for me to say,
Maybe you're better off this way.
And though it's hard, for me to say,
I know you're better off this way.

Get away,
Get away,
Get away,
Get away,
Get away,
Get away.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Consumed with what's to transpire

Não consigo nunca deixar de achar piada às desculpas que as pessoas inventam para se descartarem de ir, ou deixarem de fazer, o que quer que seja. Na senda cega de única e exclusivamente arranjarem desculpas para não fazerem aquilo que na maioria das vezes já se tinham comprometido a fazer, acabam por apenas conseguir que qualquer pessoa, menos eles próprios, veja nitidamente as incongruências existentes nos pretextos inventados, e abruptamente debitados das suas bocas! Melhor do que estas pessoas, só aquelas que em qualquer circunstância, no segundo imediato a ter acontecido alguma coisa, reclamam que já sabiam, ou já tinham dito, que aquilo iria acontecer!