• FIM
  • R.I.P

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Under the water fall

- Então e qual é a tua graça?

- A minha graça? Eu sei lá! Tenho tantas…

- Ai sim? Quais?

- Olha, para começar tenho este sinal sexy aqui mesmo ao pé do lábio. Parecendo que não é uma graça. Depois a minha pessoa em si. Não desfazendo, eu sou uma gracinha. Há também a minha tattoo ao fundo das costas. Mandei fazer uma borboleta que nem te digo nem te conto, está espectacular! Pelo menos é o que toda a gente me diz quando a vê…

- PORRA PÁ! PORRA! GAITA. GAITA. GAITA! O que é que tínhamos combinado?...A quantidade de gente que aqui estava a passar…era a altura ideal...Gaita pá, nós tínhamos combinado…

- … …Ah, pois foi! Desculpa, esqueci-me!

- Esqueceste-te? Andamos a falar nisto todos os dias! Como é que te esqueceste? Tu tinhas combinado comigo que eu chegava ao pé de ti, perguntava qual é a tua graça, tu respondias que é Graça e eu dizia, olha tem graça! A seguir riamos bem alto. Não foi isto que estava combinado?

- Sim, foi…esqueci-me…Mas qual é a graça disso afinal?

- GAITA! Outra vez? Então já não tínhamos concluído que eu e tu iríamos de novo pôr a sociedade portuguesa a usar a palavra gaita para expressar desilusão ou raiva, e pôr as pessoas a perguntar qual é a graça em vez do nome? Se bem me recordo foste tu que me disseste que querias contribuir activamente para uma sociedade nova com valores antigos…Se logo na primeira tentativa, de surpresa, que eu faço, tu te esqueces de alimentar o dialogo como deve ser, e com toda aquela gente a passar por nós, sempre quero ver como é que vamos conseguir propulsionar o uso do napperon em cima da tv outra vez…

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Dancing the Manta Ray

- Bem, Chapadas, aconteceu-me uma coisa que só me fez lembrar de ti! Sabes aquelas alturas em que estás no carro, ou em casa, eu estou a dizer no carro, porque isto se passou comigo no carro, mas pode perfeitamente passar-se em casa também! Mas como eu te estava a dizer, ontem ia com o Chico no carro, íamos a ouvir musica, bem alta, sabes aquelas vezes em que ouves musica tão alta, mas tão alta, que parece mesmo mesmo que a banda está ali a tocar à tua frente, aquela cena em que tens a sensação, se fechares os olhos, que estás num concerto…

- Yaaaaaaaaaaa, tou memo a ver aquilo que tas a dizer! O que é que aconteceu? O que é que aconteceu? Não me digas que se espataram por irem a ouvir musica e terem fechado os olhos? Já me aconteceram poucas assim que foi um gosto…

- Não! Não tivemos nenhum acidente! O que se passou foi que, a meio da música, quando o solo começou, eu juro-te que o guitarrista entrou fora de tempo! Mesmo! Eu estava a ouvir a música e o gajo entrou fora de tempo! Tenho a certeza absoluta! Eu até disse ao Chico: “Chico, ouviste isto? O gajo entrou fora de tempo!” E o Chico disse-me: “Ah! Não entrou nada! Põe lá para trás outra vez” E claro, quando pus outra vez já estava a tocar igual ao costume! Mas, a sério, daquela vez o gajo entrou mal…

- Yaaaaaaaaaaa, tou memo a ver aquilo que tas a dizer! Uma vez, já há uns tempos, um bacano amigo meu, um gajo que eu conheço, foi a uma exposição de quadros. Então, andava lá o gajo, com a chavala dela, quadro para aqui, quadro para acolá, às tantas, o meu vira-se para a chavala e diz-lhe: “Tás a ver isto? As bananas tão-se a mexer!” Ela virou-se para ele e disse-lhe: “Oh! Tu estás é parvo!” O que é que aconteceu?! No meio da catrefada de quadros que haviam para lá, havia um quadro preto, com fundo preto, tas a ver né, e depois, pintado por cima do preto, estavam pintadas umas bananas, amarelas. O bacano põe-se a olhar para o quadro e começa a ver as bananas a mexer! Granda flash né, tas a ver a cena! Nisto, passa o pintor da cena, tas a ver né, ouve o que o gajo acabou de dizer à chavala, vira-se pó bacano e diz-lhe: “ Man, foste o único que conseguiu ver o movimento das bananas! Alias, o quadro chama-se o movimento das bananas!” E deu-lhe o quadro man! Deu-lhe o quadro! Deu-lhe a arte que ele tinha feito!...

- Ouve lá ó Chapadas! O que é que isso tem a ver com o que eu te estou a dizer?

- Atão! Aquilo que eu disse é a mesma coisa que tu disseste! Eu também acredito que a arte estática, às vezes move-se…

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Bricks and mortar

Depois de ter chamado o elevador para subir do terceiro para o quarto andar (12
degraus), entrou e disse para o colega que o acompanhava: " Achas que eu vou
deixar as coisas para o ultimo dia? Isso seria à tuga pá..."

Papillon

Morena, apenas com um vestido de alças preto no corpo, ela está deitada em cima
da relva junto à estátua onde vários cães, das mais diversas raças, correm de um
lado para o outro a ladrar. Tem os olhos fechados, a cara virada para Sol, ao
mesmo tempo que ajeita as rastas do cabelo de forma a servirem de almofada
esfrega freneticamente os pés descalços e imundos na relva como se conseguisse
entrar em contacto com a terra ao fazer aquele movimento. Sorri, genuinamente
feliz, sem que haja uma razão aparente para tal, fazendo com que todos os
brincos que usa na cara suja, na língua e na testa, reluzam à medida que as suas
bochechas se movem. Respira fundo duas vezes e sossega, refastelada, como se o
mundo fosse efectivamente perfeito.
Ele, louro, com o cabelo curto e totalmente desgrenhado, sentado ao lado dela,
está concentrado a fazer um charro. De vez em quando dá um gole numa garrafa
verde-escuro de vinho tinto, sem rolha, para depois a encostar novamente à base
da estátua a fim de manter o precioso líquido à sombra. Usa uma t-shirt branca
com uns dizeres imperceptíveis devido à sujidade e aos buracos que a mesma
alberga, uns calções de ganga no mesmo estado que a t-shirt, e encontra-se
igualmente descalço e a esfregar, embora de uma forma mais lenta mas da mesma
forma que ela, os pés na relva. Termina de enrolar o charro, coloca-o na boca,
agarra um dos cães que por ali anda e dá-lhe um valente abraço. Findo o pequeno
convívio com o pequeno animal, que entretanto desatou novamente a correr,
deita-se ao lado dela e beija-a carinhosamente durante uns segundos. Sorriem um
para o outro e ele acende o charro virando também a cara para o Sol. Ali ficam,
durante o resto da tarde, sem dizerem uma palavra.
Uns metros à frente, onde uma esplanada de um quiosque proporciona uma vista
privilegiada de tudo o que se passa naquele jardim, um homem só, na casa dos
trinta, absorto enquanto olha para aquelas duas pessoas na relva, vê os seus
pensamentos serem abruptamente interrompidos pelo pedido de um cigarro que um
outro homem, com vinte e poucos anos, lhe faz descaradamente. Ainda meio
embrenhado no seu pensamento, esquece-se por momentos da resolução de não voltar
a dar cigarros a estranhos e puxa de um cigarro para o entregar ao estranho,
executando o movimento da entrega sem sequer olhar para ele. Visivelmente
satisfeito por ter conseguido mais um cigarro, automaticamente decide usar a
única forma de agradecimento que conhece, metendo conversa acerca dos dois que
se encontram agora deitados na relva em silêncio, proferindo meia dúzia de
enormidades das quais apenas uma é retida no ouvido do homem que se encontrava
sentado na esplanada. O mundo está cheio de pobres infelizes, disse ele enquanto
desfrutava do cigarro oferecido. O que é que te faz pensar que eles são mais ou
menos infelizes do que tu ou do que outra qualquer pessoa, ripostou o homem que
estava sentado na esplanada.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

She rode me down

A rotina não ensina
A rotina aglutina
A rotina desatina
A rotina corta como guilhotina
A rotina não é repentina
A rotina é como a Cristina
A rotina nunca Pina
A rotina é muito fina
A rotina não é uma Sina
A rotina cega a retina
A rotina é rezina
A rotina é uma cortina
A rotina não descortina
A rotina cheira a benzina
A rotina é Franzina
A rotina não é a Catarina
A rotina também não é uma clementina
A rotina é Assassina
A rotina Abomina
A rotina não rebobina
A rotina não combina
A rotina determina
A rotina é disciplina
A rotina elimina
A rotina não denomina
A rotina só chacina
A rotina não urina
A rotina é uma toxina
A rotina é pequenina
A rotina recrimina
A rotina é sovina
A rotina não é traquina
A rotina não tem vagina
A rotina extermina
Já o seu irmão, o arroto, é completamente diferente. Não é melhor, nem pior, é diferente só.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

The dark of matinée

- Mas tu és parvo ou comes bosta à colherada? Então mas tu achas mesmo que não fazendo nada, não dizendo nada, que só olhando para uma gaja, isso por si só basta para começares a falar com ela? Pensas o quê? Que a tua barriga sexy, ou que o teu ar atarracado a vai conquistar? Ou achas que é o teu look matador, à vocalista dos UHF, a vai arrebatar?

- Bem, já não ouvia essa expressão de comer bosta à colherada há não sei quantos anos!

- E o que é que isso interessa agora? Tu não estás, ou não queres, ouvir o que eu te estou a dizer? Essa porcaria agora não interessa nada. O fundamental da questão não é isso agora...

- Sim tens razão. O fundamental da questão não é essa expressão que eu tanto gosto. Só que, aquilo que é o fundamental da questão, não é verdade.

- Não é verdade? Como assim? O que é que eu disse que não é verdade?

- Tu disseste que eu não fiz nem disse nada, mas isso não é verdade...

- Então? O que é que é verdade?

- Para um olho menos atento, como o teu, aparentemente parece que eu não fiz nada. Mas a verdade é que pisquei-lhe um olho, para ser mais concreto, o direito, que é o que me dá mais jeito piscar sem que tenha de franzir o resto da cara. Os dados estão lançados, agora é só deixar que a magia aconteça...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Eu cá não sou supersticioso, mas o Pai dela dá-me azar

A primeira vez que tal sucedeu nem sequer liguei, ou não fiz qualquer tipo de associação, recordo-me apenas de pensar que tinha sido um azar.
Foi na segunda vez que aconteceu, e depois do Zé, que tem sempre a mania da perseguição, me dizer que o problema era o Pai dela, que me apercebi que provavelmente era demasiado azar tal acontecer duas vezes em tão curto espaço de tempo!
Claro que, por ter sido o Zé a dizer-me que era o Pai dela o culpado, eu nem sequer levei em conta tal coisa, embora possa admitir que inconscientemente aquilo que ele me disse me tenha ficado a martelar na cabeça! Bom, às tantas até fui eu, condicionado pelo que ele disse, que quis acreditar que era mesmo o Pai dela o causador de tudo, e por consequência fiz com que as coisas se tivessem passado depois da forma que se passaram, apesar de tudo ter começado a acontecer antes do Zé me ter dito alguma coisa.
Já depois do Zé ter falado comigo e de tal ter sucedido novamente mais duas vezes, fui falar com a Catarina. Ela anda sempre na Lua, sempre no seu mundo de fantasia, mas é verdadeiramente sábia nestas matérias mais etéreas, por assim dizer. Para minha surpresa, ou então por causa do efeito do incenso que queima incessantemente na sala dela, ela corroborou toda a teoria do Zé, não acrescentando nem mais nem menos ao que ele já me tinha dito! Alias, ela ficou tão surpreendida quando lhe disse que o Zé já me tinha dito o mesmo, que quis de imediato falar com o Zé, convencida que os astros de alguma forma lhe estavam a dizer que o Zé poderia ser alguém importante na vida dela! Dei-lhe o número do Zé e vim-me embora, cada vez mais confuso. Não sei ainda se sob a aura do espírito dos Astros que a Catarina tinha mencionado, nos quais, sinceramente, não acredito, encontrei por acaso na rua o Amílcar. O Amílcar é um gajo que não via há uns 15 anos e que tinha andado comigo em primeiro lugar na catequese, só Deus sabe porque raio é que frequentei a catequese, e depois na escola preparatória! Para além de estar mais alto, o Amílcar está igual, a mesma voz amaricada, os mesmos trejeitos de um Padre, as mesmas roupas, literalmente as mesmas roupas, enfim, por uma causa que desconheço por completo, assim que vi o Amílcar decidi confessar-lhe o meu problema. Sim, porque para mim já começava mesmo a ser um problema. Depois de me ter ouvido atentamente, sem dizer uma palavra, o Amílcar vira-se e diz-me que só podia ser o Pai dela o causador de tudo, acrescentando um obviamente no fim da sua afirmação! Foi o que eu pensei também, disse-lhe eu sem querer fazer notar o meu notório incómodo por ele ter dito aquilo. Em três segundos disse-lhe que tinha de me ir embora e o Amílcar desapareceu no meio da multidão tal e qual como tinha aparecido! Claro que o facto de o Amílcar ter dito aquele obviamente me deixou ainda mais apreensivo do que já começava a ficar naquela altura.
Depois de a coisa ter continuado a suceder de uma forma quase sistemática, decidi consultar um psicólogo que me convenceu, ou mentalizou-me, que o problema estava em mim e na minha cabeça, e que tudo estava a acontecer pelas mesmas razões que um cão inofensivo nos morde a perna quando passamos pelo animal. Passaram-se algumas semanas de terapia e, animado com esta ideia, fui ter com ela novamente absolutamente convencido de que a mente e o querer são superiores a tudo. Só que, e pela última vez, o mesmo voltou mesmo a acontecer! Não tive outra alternativa, no dia a seguir telefonei-lhe e disse que não nos podíamos ver mais! Ao porquê dela só fui capaz de responder aquilo que ainda hoje não sei se é verdade, e disse-lhe que a culpa era do Pai dela! Ainda hoje me faz confusão o longo período de silêncio que se fez sentir naquela chamada telefónica após lhe ter dito o que disse. Uma coisa, no entanto, é certa, embora não seja nem mais nem menos feliz do que fui naquela altura, até hoje, tal nunca mais voltou a suceder!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Banda Sonora

Houve apenas uma ocasião, em toda a minha vida e até ao presente momento, em que perdi totalmente a noção de tempo e do dia em que estava! Nesse dia, após estar há vários dias de férias, ou se calhar anos, não sei, num Verão quente e sem qualquer tipo de preocupações ou stress, enquanto nos dirigíamos para o café onde habitualmente passávamos a tarde à espera que a digestão do pequeno-almoço/almoço/merenda terminasse, alguém perguntou que dia é hoje. Uns disseram quarta, outros segunda, eu pensava que era sábado, e afinal era quinta-feira! Normalmente a quinta-feira tem o condão de fazer com que muitas pessoas, quando acordam ou se levantam, pensem que já é sexta, Provavelmente devido à ansiedade, ao cansaço, ou a qualquer outra coisa, o desejo que chegue finalmente o fim-de-semana, ou a constatação de que a semana está quase a terminar sem que se tenha conseguido fazer o que se queria fazer, é tal, que as pessoas confundem-se e perdem, por momentos, a noção do dia em que estão. É rara a semana em que não encontre ou fale com alguém, às vezes eu também, que não ache que na quinta já é sexta. Deseja-se que o tempo passe, e passe, para no dia a seguir desejar que o tempo pare e pare. Naquela quinta-feira, depois de termos perguntado a uma mulher que passava na rua, perante uma pergunta a seu ver descabida, desconfiada e meio a medo ela lá nos disse em que dia estávamos. Até ter chegado a esse momento, naquele Verão, tive por diversas vezes a sensação de que o tempo tinha parado, que era mesmo possível ficar ali durante o tempo todo que eu quisesse! Bastava-me apenas fechar os olhos, sentir o calor do sol a bater na cara, a brisa quente a soprar, o barulho musical e constante da água a correr lentamente, o bailar e o murmúrio suave dos pinheiros e o silêncio das montanhas que nos rodeavam, para conseguir, instantaneamente, parar o tempo! Gostava tanto, naquela quinta-feira, de ter continuado sem saber em que dia estávamos..nunca mais consegui parar o tempo depois daquela mulher com olhos esbugalhados nos ter respondido. Há sempre alguém que diz, quando outro alguém pensa que já é sexta, ou então que ainda é sexta, vê lá que hoje é quinta ainda, ou já!

Pink Floyd - Time

Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an off hand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way
Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain
You are young and life is long and there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun
And you run and you run to catch up with the sun, but its sinking
And racing around to come up behind you again
The sun is the same in the relative way, but youre older
Shorter of breath and one day closer to death
Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the english way
The time is gone, the song is over, thought Id something more to say
Home, home again
I like to be here when I can
And when I come home cold and tired
Its good to warm my bones beside the fire
Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

I don't want to grow old...

- Então, recapitulando, para que não restem quaisquer dúvidas, o senhor irá trazer um café e um descafeinado. O café será para a Senhora, curto, com adoçante. O Descafeinado será para mim. Com adoçante não. Adoçante não porque fica sem sabor, já me basta o facto de ter de beber um descafeinado. Sabe... isto o coração já não é o que era, a máquina já não aguenta a cafeína, agora tenho de beber, e porque gosto muito do travo que o café deixa na boca, descafeinado. Não é, obviamente, a mesma coisa. Um descafeinado nunca irá saber a café. Definitivamente não é o mesmo. Mas, à falta de melhor, lá teremos que nos governar com isso. Não é verdade?
Bom, mas o importante é que o café, que é para a Senhora, seja entregue à Senhora, e o descafeinado, que é para mim, me seja dirigido a mim.
Já sabe que o café é com adoçante, e o descafeinado é com açúcar. Veja lá agora não me troque o café com o descafeinado e o descafeinado com café.
Certa vez cometeram esse erro, e passei o dia todo mal disposto, uma ansiedade durante o dia todo, estava mesmo a ver que me apagava. Por isso, pelo amor de Deus, traga um café curto, com adoçante, para a Senhora, e para mim é um descafeinado com açúcar. Obrigado...Não, espere... Já agora, isto foi um conselho do médico sabe, diz que é para que o corpo fique rijo, sem maleitas, o médico aconselhou-me, já que não posso ter o prazer de poder beber um café, por causa do problema que tenho com o coração, o médico aconselhou-me a beber, de vez em quando, quando há festa, hoje por acaso até é dia de festa, são os anos do meu mais novo, ele era para ter vindo almoçar com a gente, mas depois à ultima da hora telefonou a dizer que não podia. Em suma, é sempre o mesmo, crescem e nunca mais ligam aos Pais. Olhe ele por acaso até está também com problemas em beber café, diz que lhe faz azia, provavelmente até iria beber também um descafeinado, só não sei é se ele põe açúcar ou adoçante, ele como está gordo devia por era adoçante. Eu pedia então, se fosse possível, por caridade, se não ficar mais caro, até porque isto é um conselho do médico, um cheirinho no descafeinado.
Mas veja lá, não se engane e não ponha o cheirinho no café, lembre-se que o café, é com açúcar, e é para senhora, o descafeinado, com cheirinho e adoçante, é para mim.
Obrigado...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Eu quero ir para o monte, Eu quero ir para o monte

Aqui há atrasado, quando surgiu no Alentejo o rumor de que a Igreja, preocupada com a falta de vitamina B12 no cérebro das pessoas, começava a implementar uma nova regra para aumentar o consumo de peixe no mundo, coisa que teria o seu inicio precisamente 40 dias antes da ressurreição de Cristo e que se denominava, para dar um ar pagão à coisa, de Entrudo, o Emílio, depois de ter aberto a caixa de papiro plantada no quintal da sua casa caiada de branco, e de ter lido a circular informativa de tal regra, chega a casa e diz para a sua Bia:

- Oh Bia olha qu’a partir d’ hoje, e durante quarenta dias e quarenta noites, carne na vale cá em casa. Depois eles hão de amandar outro papiro para a gente a dizerem quando é que se pode outra vez comer carne como deve de ser...

E pronto, tendo de seguida abalado para a tasca do Belmiro, rapidamente se soube em toda a região que carne na vale durante 40 dias inteiros.
Foi então, desta forma e com o passar dos anos, que a época que precede a quaresma se passou a chamar em praticamente todo o mundo, também, Carnaval.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Animais revelam que é possível sobreviver sem sexo

Tsc, Tsc! E pensar na quantidade de anos que os Padres andam a tentar provar o mesmo...

Tame

"Um coletivo de três juízes começou hoje a julgar, em Matosinhos, dois jovens por, alegadamente, roubarem um saco de amêndoas e uma garrafa de whisky num supermercado." In DiarioDigital

Quão bom é constatar que afinal a justiça é cega e funciona correctamente neste País!

Debaser

"A Federação das Associações Ciganas de Portugal (FECALP), que reunia dez associadas, foi extinta devido à falta de actividade e incumprimento de disposições estatutárias em três anos de existência, disse hoje fonte daquele organismo." In DiarioDigital

Isto é ostracização pura! Quer-se dizer...os ciganos estavam só, e apenas, a ser ciganos!

Banda Sonora

6:53 da manhã! Ele acorda pela primeira vez no dia. Olha para o relógio, são 7:03. Ainda estremunhado, sabe que tem o relógio adiantado 10 minutos. É o esquema que usa há anos, sem qualquer efeito, para poder acordar mais cedo e conseguir levantar-se à hora que sabe ser a indicada para não se atrasar. Depois de premido o snooze, pela primeira vez, o processo repetir-se-á até que sejam 8:23, altura em que se levanta de rompante e se tenta despachar o mais rápido que conseguir. Nunca menos de 30 minutos. Ele também sabe isso há anos, pura e simplesmente não se consegue despachar em menos de 30 minutos, dê as voltas que der! 08:53. Sai de casa. Está sol e uma temperatura agradável, ri-se, inspira profundamente o ar da rua, faz-se ao seu caminho.
08:54 da manhã. Ela acorda pela primeira vez no dia. Olha para o relógio, são 9:00! Ainda estremunhada, nunca se consegue recordar quanto tempo tem o relógio adiantado. O seu namorado ensinou-lhe o esquema de adiantar o relógio para poder acordar mais cedo do que pretende e dessa forma não se atrasar. Enquanto se volta novamente para o lado, durante 1 segundo, acha que o relógio está adiantado meia hora, para no segundo a seguir, achar com toda a certeza, que afinal é só um minuto! Não chega sequer a usar o snooze, num salto levanta-se de imediato e começa a correr de um lado para o outro, durante 5 minutos, sem conseguir fazer absolutamente nada. Senta-se finalmente na cama, depois de ter ido à cozinha 4 vezes, à sala 3, e à casa de banho 2. Apercebe-se que ainda está de pijama e apressa-se novamente. 09:57 sai de casa. O sol faz com que franza a testa e ponha a correr os óculos de sol, ajeita o cabelo, sorri.
09:58 da manhã! No trabalho, todos os dias, precisamente 30 minutos depois de ter chegado, automaticamente ele envia uma mensagem à sua namorada.
Todos os dias, automaticamente 1 minuto depois de sair de casa, ela recebe 1 mensagem do namorado. Inspira profundamente o ar da rua, faz-se ao seu caminho.

R.E.M - The one I love

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Kam the Sid

As cuecas hoje em dia têm a sua primazia
Só que há umas que quem usa, se calhar porque não sabia
Cometem uma heresia quem é que conceberia
Cuecas curtas ainda vá, cor-de-rosa é mania
Para curtir na real, usa a cueca original
Yo, reflecte e veste uma cueca normal
Só tu sabes o que usaste e quando o pano estiver gasto
Um buraco vai nascer porque o pano é muito rasco
E aí por arrasto lá em baixo longe das regras
Dá um pulo sê um senhor, basta mudares se não cegas
Boy ouve:
Eu não preciso de trousses cor-de-rosa
Trago ceroulas a maioria anda na moda
Esquece a moda, isso a mim não me incomoda
Só me faz impressão ver cuecas cor de rosa
Estilo e aparência sem maledicência é aquilo que perfilo
Não sou de rixas, mas tu não me lixas, quando dizes que é cool
Ou quando oiço as roliças, a dizer que isso dá pica, é fool!
À primeira vista, fez-me logo confusão
Quem quer que as vista, não compreendo a razão
A razão é relativa isso eu sei de coração
Só às cuecas cor-de-rosa, é que tens de dizer não
Discrição é importante o rosa é sensaborão
Como os gajos que vejo a retalhos e as usam, sem convicção
Pouco à frente essa gente que tem como referência
Uma só influencia, um só um cuecão
É uma aberração que limita a evolução
Libertação.
Quem as usa, necessita alteração
Dizem que fica bem, mesmo à descarada
Vêm com o rosa à mostra, não tapam nem nada
Cueca preta não tá cansada vai vingar outra vez
Usa o slip que não é rosa e que protege a tua tez
Sejam trousses, sejam shorts, mas não cuecas rosa choque
Veste um top, dá um stop, nas cuecas rosa choque
O teu bote, O teu forte,
Sem cuecas rosa choque, cuecas rosa choque, cuecas rosa choque

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Bring on the dancing horses

Ainda com a respiração ofegante, devido a ter subido a íngreme ladeira em passo apressado, ao mesmo tempo que se sentava no banco verde de madeira, no jardim reinaugurado precisamente no dia em que se tinha mudado para ali, um casal de Alemães, albergando ténis e mochilas iguais, passava pacatamente usufruindo da vista privilegiada para o castelo que o jardim proporciona. Depois de se ter sentado, e antes de começar a ler o romance que levou consigo na mão esquerda, reparou que uma rapariga, com pinta de leste, ocupava o banco ao lado do seu com quadros, pulseiras e bugigangas para vender, enquanto olhava para o horizonte com o semblante triste e carregado. Acendeu um cigarro, coisa que aprecia sempre antes de começar a ler, e observou com cuidado o minúsculo rabo-de-cavalo que uma rapariga de franja e vestida de preto trazia no momento em que passou por si. À sua frente, junto à grade igualmente verde, duas estudantes de máquina fotográfica na mão e head-phones nos ouvidos acercavam-se de duas outras raparigas Espanholas e pediam, se elas não se importarem, para elas fingirem que alternavam o olhar entre um mapa, emprestado pelas duas estudantes, e um apontar de dedo fascinado para o Castelo. Uma das raparigas Espanholas, de olhos azuis, franja, e um nariz abatatado enfeitado com uma grande argola de prata na narina esquerda, acenou afirmativamente com a cabeça e durante três minutos, o tempo em que quase se consumia o cigarro, ali estiveram elas a olhar, a apontar, e a rir genuinamente, enquanto as outras duas faziam poses para alcançar o melhor plano. Deu uma última baforada, e expeliu o fumo pelo nariz. Normalmente não expele o fumo pelo nariz, mas talvez devido ao tamanho daquela argola, ainda na sua retina, foi movido pelo instinto a faze-lo naquele momento. Ainda esboçou um pequeno sorriso quando se lembrou novamente da pequena conversa que tinha tido um dia com uma rapariga Espanhola, e do olhar de espanto dela quando lhe disse, muito rapidamente, "No lo conoco". Afundou então os olhos nas letras e nas frases desconexas que o livro lhe ia apresentando, quando, um tempo considerável depois, a sua atenção derivou para o comentário: "Está frio chiça!", de uma rapariga usando um enorme cachecol cinzento à volta do pescoço e uma camisola preta com um decote do tamanho do cachecol, deixando grande parte da pele morena do tórax à mostra. Apercebeu-se que de facto o Sol já não brilhava no céu, que já nem sequer estava azul, e que estava até a começar a tremer de frio ali sentado no banco. Fechou o livro, e antes de se fazer novamente ao caminho, decidiu fumar mais um cigarro. A rapariga de leste ali continuava sentada, desta vez a fazer qualquer coisa no telemóvel. Olhou em frente, apreciou também o Castelo, e enquanto o cigarro durou, imaginou como teria sido o dia em que alguém tinha chegado ali ao cimo daquela colina e tinha decidido que era precisamente ali que se iria construir um Castelo. Antes de se levantar, ainda viu um velhote igualzinho ao súbdito do Herr Flick, da serie Alô Alô, com um chapéu e óculos iguais e tudo, a passar muito devagar por ele ao mesmo tempo que cuspia para o chão e limpava a boca com um lenço branco de algodão todo amarfanhado na mão direita. Levantou-se e rumou direito a casa, inalando o ar fresco e poluído da rua. Enquanto os táxis, os autocarros e os eléctricos passavam já cheios de pessoas a querer regressar a casa depois de mais um dia igual a tantos outros, a constatação que de facto é muito bom ser livre para poder fazer tudo aquilo que realmente nos apetece aquecia-lhe o pensamento.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Call me

Entrei no café. Quando entrei no café, estavam, numa mesa ao fundo, uma mulher, vestida com calças de ganga, uma camisa branca e umas socas, daquelas com um salto enorme. Ao seu lado estava sentada uma rapariga, que presumo ser a filha. A filha estava vestida praticamente da mesma forma, só que a camisa era preta e vermelha. Ambas tinham as unhas dos pés pintadas de cor-de-rosa, e estavam com o cabelo apanhado.
Na mesa a seguir, sentadas de costas para as duas mulheres, estavam outras duas mulheres de meia-idade. Ambas eram bem constituídas, uma delas tinha o cabelo grisalho e esteve sempre calada. A outra tinha o cabelo muito curto, castanho-escuro, e usava uns óculos com umas lentes que pareciam um fundo de garrafa. Estavam as duas vestidas com bata branca. Em frente à senhora de cabelo curto e de óculos, estava um homem, também de meia-idade, careca, gordo e com bigode grisalho.
Quando entrei no café, enquanto me dirigia ao balcão, ouvi o homem dizer que só haviam de existir no mundo mulheres novas e homens já com uma certa idade! Assim que me viu, baixou o tom de voz e poucas palavras depois calou-se. Pedi um café à senhora que estava ao balcão e enquanto ela me tirava o café, começa a falar a senhora que estava em frente ao homem, que presumo ser o seu marido. Disse a senhora em tom de voz bastante alto:

- Não sei para o quê é que queres mulheres novas! As de hoje em dia não servem para nada a não ser para andarem bem vestidas e cheirosas! Elas não aguentavam nem metade do trabalho que eu aguento nas casas onde tenho passado, não servem para nada hoje em dia, andam sempre cansadas. Na camioneta nem sequer se dignam a levantar-se para os mais velhos se sentarem, não servem mesmo para nada! Haviam era de ir lavar escadas!

Depois de me ter servido o café, a senhora gritou para a mesa, para baixarem o tom de voz. Bebi o meu café e saí.
A coisa mais fácil do mundo, é enganarmo-nos a nós próprios.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Straight to hell

Tudo começou algures para o fim do mês de Julho e tudo terminou no princípio do mês de Maio. Na realidade não se sabe bem quando é que tudo começou ou terminou. Não se sabe nunca quando é que algo começa ou acaba, existe apenas o momento em que se tem consciência disso. Esse momento não é, quase sempre, o mesmo momento em que efectivamente as coisas têm o seu princípio ou o seu fim. Mas para que Ela se possa sentir confortável, para que na sua mente as coisas façam sentido, tem de ser colocado no tempo, o início de tudo no fim do mês de Julho e colocado um fim, no princípio do mês de Maio.
Ela sempre fora assim, tudo tinha que estar determinado no tempo, tudo tinha o seu tempo e tudo tinha o seu lugar. Para Ela, nada era feito ao acaso. Tudo o que tivesse acontecido, ou estivesse para acontecer, já estava previamente determinado. Não fazia sentido nenhum lutar contra isso. Para que tudo fosse mais fácil, confortava-lhe o pensamento de saber que as coisas não iriam ser como Ela tinha imaginado. Convencia-se a Ela própria, desta forma, que já sabia o futuro. Era apenas uma questão de se deixar estar, deixar acontecer. A surpresa de tudo o que lhe acontecia, era sempre suplantada pela conformidade de saber que era aquilo que iria acontecer. Apesar de nunca saber o que iria acontecer. Era como se a expectativa por Ela criada, do que estivesse para acontecer, fosse algo de tão extraordinário, que acontecesse o que acontecesse, nada iria superar as expectativas que já tinham sido criadas. Assim, o que estava para acontecer, permaneceria mais tarde no passado, como algo de irrelevante que tinha acontecido.
Era assim que Ela vivia a sua vida, as emoções que sentia e tinha, quando imaginava como iria ser mais um momento da sua vida, bastavam-lhe para que Ela pudesse na realidade viver esse mesmo momento com a mais perfeita calma e serenidade, sem nenhuma emoção. Era assim que Ela vivia os seus momentos. A única coisa que lhe podia garantir uma surpresa na vida, uma surpresa que lhe pudesse causar alguma emoção, alguma paixão de viver, era um dia viver de facto na realidade, exactamente o que já tinha anteriormente tinha vivido nos seus pensamentos.
Na manhã do dia em que isso iria acontecer, como de costume, Ela já visto o seu dia inteiro.
Ela tinha imaginado encontrar-se com ele por acaso. Tinha imaginado levar com Ela um artigo de uma revista que Ela gostava particularmente. Ele iria reparar nela porque se interessava também por aquele tipo de assuntos. Ele iria meter conversar com Ela, iriam beber qualquer coisa, ou comer um gelado e iriam estar a tarde toda a conversar sobre as mais diversas coisas. No fim da tarde, ele iria querer casar com Ela, iria dizer que nunca tinha sentido nada assim por ninguém e que estava certo que as coisas iriam resultar de certeza. Era o destino que os tinha juntado ali naquela tarde.
Aceitaria a relação e casar-se-iam em Setembro. Poucos meses depois, chegaria à conclusão que não dava. Por mais que quisesse agora já não iria conseguir imaginar como é que iria viver o seu futuro, já não iria conseguir prever as coisas, já não iria conseguir concentrar-se e manifestar-se calma quando as coisas não eram como Ela tinha imaginado. Ela iria perder o controlo da sua vida. Anos de discussões, planos falhados, insucesso na tentativa de ter filhos para poder salvar a relação, sogros intoleráveis e sempre a imiscuírem-se na vida deles.
Relutante, nessa tarde algures no fim do mês de Julho, lá levou a revista com Ela. Mal se sentou, começou a ler o artigo sempre atenta ao que se passava em seu redor e a ver se ele chegava entretanto. Ele chegou, e tudo, mas mesmo tudo ao pormenor, aconteceu tal e qual como Ela já tinha vivido nessa manhã!
Ela sorriu, manifestou o seu agrado por uma tarde tão bem passada. Assegurou-lhe que eles nunca iriam ser felizes. Deu-lhe um beijo na cara e partiu. Nunca mais se viram.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

If you're looking for a way out

Já me andava a irritar há uns dias com aquilo. Andava com uma ansiedade enorme por causa daquilo. Era todos, todos os dias a mesma coisa. Aquilo incomodava-me de uma maneira... ... que nem sei explicar. O que é certo é que aquilo passou do ponto em que me conseguia irritar, para o ponto em que a questão começou quase a ser uma obsessão. Já não conseguia pensar em mais nada, a não ser numa forma de me deixar de irritar com aquilo. Se aquilo não é comigo, porque é que tenho de me irritar, era o que eu dizia a mim mesmo no princípio, a fim de me mentalizar que aquilo nada tinha a ver comigo. Mas obviamente, quando nós fazemos as coisas para nos mentalizarmos de algo, quando já estamos mentalizados de outra coisa, é muito complicado convencermo-nos do contrário. Eu, sem saber como, já estava também nas garras daquilo. Aquilo que ao princípio era uma coisa que nada tinha a ver comigo, irritava-me só por estar ali, de repente já era uma coisa que tinha tudo a ver comigo, era já uma questão pessoal, apesar daquilo, continuar a ser exactamente o mesmo que era quando começou.
Viste? O que era aquilo? É a pergunta que quase todas as pessoas fazem, quando alguma coisa passa por elas muito rapidamente, ficando sempre sem saber o que foi. Essa coisa, seja lá o que for, consegue surpreende-las, ou pela positiva, ou pela negativa, de tal forma que não conseguem ficar indiferentes.
É exactamente assim que me sinto desde que aquilo me atingiu. Não sei o que é, não sei como é que chegou, só sei que de uma forma abrupta, aquilo apareceu na minha vida. Ao contrário do que costuma acontecer quando as pessoas exclamam, "Viste aquilo?", aquilo que me atingiu não foi passageiro, não foi uma coisa que me fez falar sobre, durante uns 10, 15 minutos, até mesmo uma ou duas horas, ou mesmo ainda uma manhã ou uma tarde.
Poderia passar dias a tentar explicar a raiva crescente que aquilo me tem provocado, começou como já disse, com uma simples irritação, um aborrecimento, até chegar ao ponto de não conseguir pensar em mais nada a não ser naquilo.
Passaram não sei quantos dias, semanas até, não sei. Era de facto interessante. De um ponto de vista analítico e sintético as coisas resumiam-se simplesmente a isto. Era tudo meio dúbio ainda, mas já não havia capacidade de análise, a letargia que se começava a instaurar começava a deixar a ideia de que tudo era inútil, de que não valia a pena fazer nada, a não ser ficar ali, parado, a olhar, com nada na mente para pensar a não ser naquilo. Só, a olhar. Era de facto interessante. Como é que as coisas tinham chegado ao ponto de nem sequer apetecer pensar, agir, fazer alguma coisa que não nos arrastasse para aquele estado? Não sei, já não me lembro. De repente, já estava naquele ponto. Já não havia nada para trás que importasse, já não havia nada que pudesse vir a importar a não ser ficar ali, parado, a olhar e a pensar. É, de facto interessante. Um vazio enorme preenche-me o pensamento hoje em dia. É tudo branco, tudo branco, e aquilo ao fundo, sempre aquilo, a trincolejar.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

All We Got To Do Is Surrender

- Não sei como é que hei-de ir vestido logo à noite! Babe, ajuda-me aí, dá-me lá a tua opinião.
- Queres mesmo a minha opinião?
- Se te estou a pedir a opinião é porque a quero não é?
- Bom, por que é que não vais com aquela cena verde?
- Não, de verde não! Se for de verde, não sei porquê, mas dá-me sempre a sede...
- E aquela roupa vermelha que tens? Vestes poucas vezes essa não é?
- Sim, porque sempre que me visto de vermelho, estupidamente começa a doer-me o joelho!
- E a roupa azul?
- Impossível ir de azul hoje! Só decido ir de azul quando tenho de ir para o sul.
- Olha! Então por que é que não vais de amarelo, ou de laranja?
- Porque o amarelo faz com que me deixe de sentir belo e com o laranja fico com os nervos em franja!
- Chiça! Vai de roxo...
- Sempre que me visto de roxo, inevitavelmente acabo por ficar chocho.
- Faz como o Benfica e usa um equipamento alternativo, vai de cor-de-rosa.
- Sabes perfeitamente que vestido de cor de rosa não consigo sequer estabelecer uma prosa!
- E de branco?
- De branco não consigo, de forma nenhuma, ser franco...
- Eu não disse que isto não ia resultar? Pronto, vai de Preto, que se lixe
- O preto faz-me sentir obsoleto
- Não acredito! E de castanho...
- De castanho! Da última vez que fui de castanho arranjei uma bronca de todo o tamanho!
- Bom...Ultima hipótese! Vai de cinzento.
- Dasss....Cinzento é a cor do jumento!
- Então vai nu. Nu és mesmo tu, de certeza que ninguém te pode apontar nada. Não podes ser nem mais nem menos do tu. Vai nu...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A conversa e as cerejas num dia de sol no Invenro

- Ena pá!! Não, este sítio é espectacular! É extremamente kitsch adoro o kitsch… …
- -!Então mas o Kit não era aquele carro automático que falava e tudo, daquela série muito parva, que até deu dobrada em brasileiro, com gajo que fez de salva vidas depois?
- Não! Que estupidez, isso era o Kit, não tem nada a ver com o que te estou a dizer… ….
- -Mau! Então um kit não é um conjunto de ferramentas?!
- Sim, mas isso é um kit de ferramentas, o Kit era um carro, na série claro. Na vida real o kit não existe.
- -Lá estás tu a dar-me baile outra vez. Então acabaste de me dizer que existe o kit de ferramentas, depois dizes que o kit não existe na vida real?! Em que é que ficamos? Sempre ouvi dizer Kit disto, kit daquilo… … até já ouvi dizer quando alguém se vinga de alguém, onde o segundo alguém já tinha feito uma maldade ao primeiro alguém, que nessa alturas ficam kites, vens tu agora dizer-me que o kit na vida real não existe…
- Às vezes acho mesmo que tu fazes estas merdas de propósito, ninguém pode ser assim tão parvo! …
- -O que é que tu queres, gosto da homografia, da homofonia e da homonímia, gosto…
- Onde é que existe a homonímia e a homografia aqui?
- - Existe no éter, uma vez que não consegues escrever no ar, reservo-me o direito de juntar as três numa só, apetece-me e diz-me lá quem é que és tu para me dizer que eu não o posso fazer?
- tu podes fazer aquilo que quiseres, desde que não me tentes fazer a mim de parvo, sabes muito bem que eu não vou nessas conversas e que comigo isso não pega?
- -Não pega porque tu és um maricas e tens medo, porque uma pega é essencial… ….
- És muito espertinho, sabes bem o que é que eu penso da prostituição, não comeces com essa conversa agora…
- -Então e agora quem é que está numa de homofonia? Eu estava a referir-me às pegas das chávenas de café, de chá… …
- Ai é, então porque é que me chamaste maricas?
- -Porque tu és um menino e tens sempre medo de te queimar, pareces um mariquinhas! Mas a julgar pela tua conversa, agora, pela maneira como ficaste todo ofendidinho, se calhar viraste mesmo de lado?
- Lá vens tu com os teus preconceitos homofóbicos… ….
- -Sim claro, mas tu é que não gostas de homo isto, homo aquilo, homo aqueloutro
- A capacidade que tu tens para desconversar é absolutamente desconcertante, sabes bem o que é que querias dizer quando disseste, pegas…
- -Isso agora depende do tipo de música que tu gostas, claro que nível musical só gostas de música anglo qualquer merda assim, ainda me criticas tu por gostar de palavras homo –uma coisa qualquer… …
- Sim, tu então, que gostas de whitesnake e afins, tens uma moral para falar dos meus gostos musicais que eu até me curvo perante ti
- -Escusas de te curvar que daqui não levas nada
- Levo levo, levo estupidez que sobre com fartura... ....
-- Quer dizer, tu é que começas a conversa a dar uma de psico intelectualoide, a dizer que gostas de kitsch e depois tens a distinta lata de me dizer que tu é que levas com estupidez com fartura... ....
- Não vires o bico ao prego agora, sabes muito bem que tu é que começaste, eu limitei-me a fomentar, mais nada. Sabes, eu já te conheço de ginjeira...
-- E então? Queres dizer com isso o quê? És daqueles que acham que as pessoas são sempre todos os dias iguais? Que as pessoas são estáticas e que não mudam de dia para dia? Além disso, isso de me conheceres de ginjeira tem que se lhe diga! Eu acho que te conheço de cerejeira… …
- E Ó Cerejeira, ao tempo que não vejo esse gajo! Lembras-te dele naquele dia em que fomos à praia e lhe dissemos que aquela gaja estava interessada nele?...
- Do que é que tu te foste lembrar… …

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Só eu sei, porque...

- Só me apetece é agredir-me pá. Só me apetece é fazer-me mal. Era gajo para arrancar os pêlos todos da cara, pêlo a pêlo. Começava pelas sobrancelhas, depois as pestanas, os pêlos do nariz e por fim os da barba. Um a um, com uma pinça ferrugenta, pérfida e infectada, com aqueles puxões firmes e rápidos. Merecia que me colocassem a cabeça com pregos enfiados nas orelhas, num torno industrial e depois que apertassem, apertassem até me saírem os olhos pelas orbitas. Estou capaz de cortar os meus dedos, um por um com um machado de cozinha, espetar um garfo em cada olho, pôr uma rolha em cada narina e um lenço cheio de gasolina a arder pela boca adentro. Quem me dera que me arrancassem todas as unhas com um pé cabra e que me martelassem a cabeça com um martelo pneumático ao som de música techno. DIZ-ME. POR FAVOR DIZ-ME. QUEM, Quem me mandou a mim, diz-me quem me mandou a mim levar o cachecol velho para o jogo, diz-me quem me mandou a mim? DIZ-ME... ...

Só sei que...

Isto está errado.
É simplesmente magnífico ver alguém dizer esta frase de uma forma segura e vigorosa, com a maior das certezas. Isto está errado.
Para se poder dizer uma coisa destas, é preciso ter mesmo bastante convicção no que se está a dizer, convicção e conhecimento profundo. Ninguém corre o risco de dizer tal frase, se não estiver absolutamente convicto, se não tiver um conhecimento bastante profundo sobre o que está a dizer. Isto está errado. Magnífico

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

The pan within

Apraz-me ver o sentido prático e objectivo dos apicultores Portugueses. De igual modo aprecio também, e bastante, ver que é um sector onde a juventude reina, ao contrário do que eu estava mesmo convencido que acontecia neste tipo de negócio ao pensar que era apenas um negócio de pessoas já com uma certa idade. Mas, e sobretudo, aquilo que mais gosto nos apicultores Portugueses, aquilo que penso que faz deles um modelo a seguir se quisermos que Portugal evolua, como tanto dizem que é necessário acontecer, a nível económico, é sem duvida nenhuma a sua iniciativa, o seu sentido de negócio, e a procura incessante do mesmo. Se o negócio está mau, há que correr atrás do cliente e do potencial cliente! Esta é a máxima do apicultor Português, levada à risca pelos novos investidores. É rara a rua por onde passo no bairro alto que não venha pelo menos um ou dois apicultores ter comigo para me perguntar se eu quero pólen. Extraordinário!