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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Quejando

Nascido no meio mato
Sem qualquer tipo de aparato
Resultado sem desiderato
Fruto da falta de olfacto
Para mal dos seus pecados
Os seus bocados bem passados
Eram tão-somente gozados
Quando incautos isolados
No meio do mato passeavam
E um ou outro calhau levantavam
Convictos que com isso impressionavam
As mulheres que os acompanhavam
Saía então de rompante
Debaixo do inesperado levante
Com um grito lancinante
Um ser disforme e aberrante
Que para além de ser zarolho
Era igualmente trambolho
Semblante similar a um repolho
E o pensamento fixo no entrefolho
Sem nenhum dó nem piedade
Desferia com uniformidade
Um golpe de grande profundidade
Deixando apenas uma cavidade
No lugar onde vivia o coração
Daquele que não teve noção
Que aquela que fora a sua ambição
Era agora a sua perdição
Com o pensamento fixo a comandar
Um esgar de prazer invadia o seu olhar
Apesar da sua dificuldade em andar
Os berros da mulher faziam-se ecoar
Ao mesmo tempo que tentava fugir
Horrorizada com aquele grunhir
Ele coxeando atrás de si a sorrir
Urrava “Não me vais escapulir”
Então no auge do seu prazer
Enquanto a via à sua frente a correr
Com sangue nas mãos a escorrer
Pensava “O que é que eu estou a fazer?”
Eu não sei o que fazer com uma mulher...
Nascido no meio mato
Sem qualquer tipo de aparato
Resultado sem desiderato
Fruto da falta de olfacto
Para mal dos seus pecados
Os seus bocados bem passados
Eram tão-somente gozados
Quando incautos isolados
No meio do mato passeavam
E um ou outro calhau levantavam
Convictos que com isso impressionavam
As mulheres que os acompanhavam...

1 comentário:

Anónimo disse...

peishkuzido