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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Terrible love

Hoje, enquanto fazia a habitual viagem de autocarro pensei:
“Como é que acaba um amor eterno? Como é que se acaba um amor eterno e se procura outro numa mesma vida? Um amor eterno não é para todo o sempre? Então como é que se pode ter 2 amores eternos? Ou não vale a pena ter um amor eterno? Se não vale a pena porque é que disseste que era eterno? Se era eterno porque é que desististe? Se não era eterno porque é que mentiste?”
A seguir pensei nas minhas aulas da quarta classe e na professora que era de Viseu. Ainda soltei um sorriso quando me lembrei dela a vociferar “Seus devassos”, sempre que nos apanhava na traquinice!
Ai não! Espera! Não foi isto que eu pensei quando vinha no autocarro! A minha velhota bem me diz que eu vivo nas nuvens e nos filmes que vejo e que já estou a ficar gagá! Primeiro eu li a tal revista da foto novela, depois, nem sei bem porquê é que me lembrei das aulas! Olha que realmente! Como é que eu já confundo o que penso com o que leio! A minha velhota bem me diz que vivo obcecado com historietas de amor, anda sempre a perguntar-me como é que eu acredito ainda nessas coisas! Eu bem sei que o amor eterno não existe. Foi uma coisa inventada pelas pessoas para darem valor àquelas pessoas que tiveram a coragem de se entregar uma à outra de forma a se conseguirem conhecer tão bem, tão bem, que chegam finalmente ao ponto de dependerem física e emocionalmente uma da outra. É isto, mais nada. As pessoas é que gostam de abrilhantar as coisas. Como as coisas andam hoje em dia, está tudo banalizado. As pessoas nem a elas próprias se conhecem como é que podem conseguir entregar-se e conhecerem de quem dizem que gostam. As pessoas andam anos à procura do que está sempre à frente do nariz delas e elas insistentemente não querem ver. Querem coisa mais bonita do que eu e a minha velhota estarmos juntos desde os meus 19 e dos 14 dela? Pensam que foi fácil? Foi muito difícil. Porquê? Porque nós complicamos o que era simples. Primeiro quisemos impressionar-nos um ao outro, quisemos mostrar que éramos alguém que nem sequer nós sabíamos quem éramos. Depois tivemos vergonha de mostrar quem éramos. A seguir veio a complicação de aceitarmos quem éramos. Só quando as coisas estavam mesmo já a correr para o torto é que nos apercebemos de quem éramos e do que é que podíamos fazer com esse conhecimento. Se foi preciso passar por isto tudo? Foi. Sem termos passado por isto não saberíamos quem éramos. E as coisas vão ser sempre assim, tudo o que é simples tem sempre de ser sempre complicado antes. Vale alguma pena andar de pessoa em pessoa a chegar sempre aos mesmos problemas, sempre às mesmas situações, até que se perceba finalmente que tudo depende da forma como nos entregamos na relação para que a relação dê resultado? Não sei, as pessoas hoje em dia, preferem refazer a sua vida com outras pessoas, sempre que não se predispõem a aprender com os erros que foram cometidos, preferem cometer outro tipo de erros a pensar que estão certos até que cheguem um dia à conclusão que eu um dia também cheguei. “Não era preciso ter cometido tantos erros e ter perdido tanto tempo para ver que… …”. Então se as pessoas, são pessoas, as pessoas vão ser sempre pessoas, não se pode mais cedo ou mais tarde, esperar que as pessoas não se portem como pessoas que são. As pessoas vão sempre errar, dar desilusões, alegrias, tristezas. Vale mesmo a pena conhecer pessoas e pessoas para saber tudo isto? Se sim, do que é que valeu todo o esforço empregue com a pessoa anterior? É aprendizagem? E o sentimento? Por mim tudo bem, não lhe chamem é amor eterno como eu li na revista. Amor eterno, se houver, é o meu e porque ainda fui a tempo. Está bem confesso, cheguei a esta conclusão já quando sou velho, mas mesmo assim ainda digo, como as coisas estão hoje em dia, assim a coisa não vai lá, banalizar ao ponto de não ser levado a sério a não ser nos filmes, não, assim por favor não. Torna-se muito pior depois saber as coisas de facto, e principalmente, saber quando é que se está a ser sincero sem ser gozado por isso. E olhem que é um velho que o diz, não há coisa mais bonita do que um amor eterno, apesar de ele só existir se 2 pessoas se dedicarem durante uma vida inteira uma à outra. Amor eterno foi o nome que deram a esta dedicação. O VERDADEIRO, não daqueles que agora andam para aí. Agora já não sei em que é que eu pensei, se foi nisto tudo, ou se eu pensei agora nisto tudo e à tarde só li a revista no autocarro. E com quem é que eu estou a falar nos meus pensamentos? Deixa-me mas é ir para casa antes que me dê outro ataque daqueles…

1 comentário:

Tindergirl disse...

Adorei.
Este senhor que eu não sei quem é tem razão :)