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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Loosing my religion

Há uns anos atrás, não sei bem quantos, num dos episódios de uma serie americana chamada Ally Mcbeal, o enredo consistia num personagem que usava o cabelo muito comprido, muito comprido mesmo, num dos lados da cabeça e atrás, fazendo depois com o cabelo uma espécie de espiral pela cabeça fora que culminava num pequeno ninho de cabelo que lhe ocultava a careca. Tal ninho era alvo de troça e zombaria por parte de alguns, e alvo de pena por parte de outros. Mas o principal, no entanto, visto que a serie era sobre a vida de um escritório de advogados, era o facto de tal personagem ter sido colocado em tribunal pela sua entidade patronal, uma vez que o seu trabalho era vender seguros sendo que uma imagem de confiança e verdade teria de ser passada. O argumento apresentado pela acusação, dada a natureza e as características da profissão do personagem, era o de que com aquele cabelo, penteado daquela forma, a imagem que era passada era a imagem de alguém falso que tenta esconder aquilo que está à vista de todos, não sendo isso compatível com os requisitos mínimos necessários para os préstimos do serviço.
Isto tudo a propósito do quê? É que ontem vi na TV, num bloco noticiário que dava conta da enésima tentativa de conversações entre Israelitas e Palestinianos mediada pelos Estados Unidos da América, que o primeiro-ministro Israelita, Benjamin Netanyahu, embora de uma forma muito mais discreta, usa exactamente o mesmo tipo de penteado que o personagem usava na serie.
Claro que na serie, no fim do episodio, o personagem era um dos bons, que apenas queria o bem e a paz no mundo, e acaba por compreender o ridículo que era o seu penteado e as acções que cometia em defesa do mesmo, deixando que lhe cortassem o cabelo para poder continuar a trabalhar. Mas isto acontecia apenas na serie de ficção Americana, que passou aqui há atrasado na televisão.

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