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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Getting Away With It (All Messed Up)

Raramente me consigo decidir sobre o que é que hei-de fazer no segundo que tenho à minha frente. Normalmente, tenho a tendência para seguir aquilo a que chamam, tal como eu me habituei a chamar, de instinto. Apesar disso, nunca soube o que era o instinto, supus sempre que fosse aquela voz que sussurra ao meu ouvido, ou dentro da minha cabeça, ainda não consegui distinguir, e me diz aquilo que eu devo fazer no segundo exactamente a seguir. Sempre que surge alguma questão na minha mente, lá está a voz a dizer-me, vai por ali, faz isto, etc. No outro dia, por acaso, e sem sequer me ter passado pela cabeça qualquer tipo de dúvida ou pensamento, surgiu-me na cabeça, de repente, o trajecto que devia fazer para o trabalho! Lá estava a voz a dizer-me que eu não devia ir pelo caminho que sempre faço! Ouvi nitidamente a voz a dizer-me que devia ir pelo que era mais longe! Não faço a mínima ideia do porquê me ter ocorrido isto, mas quando dei por mim, estava a seguir pelo caminho que nunca faço, absolutamente convicto que deveria, naquele dia, ir por ali! Foi um desastre! Na verdadeira acepção da palavra! Por causa disso, demorei o triplo do tempo, fiquei logo sem vontade de fazer o que quer que fosse depois da seca estúpida que me obriguei a apanhar! Passei o dia todo a pensar nisto. Se eu não puder confiar no meu instinto, em que é que vou confiar? Por que é que me decidi a ir por aquele caminho naquele dia? Hoje, estranhamente, numa situação em tudo idêntica, voltei a ouvir a voz a dizer-me para ir novamente pelo caminho em que tinha apanhado o acidente. Como passaram poucos dias e ainda tenho isto tudo muito presente, pensei que desta vez não ia aceder ao que a voz me disse. No que ao trânsito concerne, a voz já não tem qualquer autoridade para me aconselhar. Segui na mesma o caminho do costume. Apanhei um autocarro parado, com uma avaria qualquer, não andava nem para trás nem para a frente, quando dei por mim, estava completamente entalado entre carros! Demorei o quádruplo do tempo que é normal demorar! E agora, o que pensar agora? Será que o instinto teve um lapso temporal da outra vez, e avisou-me no dia errado? Se assim for, será que o meu instinto tem a capacidade de saber o futuro, pelo menos o imediato? E por que é que ele se enganou então? Pode o instinto envelhecer à medida que o tempo passa? Eu sempre tive a noção que à medida que o tempo passa, o instinto se apurava cada vez mais, chegando até a confundir-se com a experiência, mas pelos vistos não é bem assim. Aparentemente a duvida e a confusão também percorrem os pensamentos do instinto! Ou então, já sei, claro é isso, é o instinto a dizer-nos para errarmos a fim de podermos saber o que é que é correcto, por isso é que ele me aconselhou mal no outro dia! Ele apenas quis dizer-me que independentemente do caminho que tome, posso ter sempre um problema qualquer, por isso o melhor é sempre confiar no instinto, mesmo que ele por vezes esteja errado. Se ele estiver errado, é mais uma coisa que eu sei como devo fazer certo. Mas espera lá! Agora que acabo de escrever isto, não estou certo se foi a voz que me disse isto ou não! Até porque me ocorreu agora mesmo, se isto fosse mesmo assim, por que raio é que o instinto me queria demonstrar isto tudo da forma que me demonstrou? Com o exemplo que ele me deu, não consegue demonstrar nada! O que é que aprendi com o facto de em dois caminhos diferentes ter apanhado problemas de trânsito e por isso ter chegado atrasado ao trabalho?!
Está aqui a voz a dizer-me que serve para aprender a virtude da paciência e que não vale a pena arreliar-me porque há coisas, boas ou más, das quais eu não tenho a mínima hipótese de fugir! Bom, vou voltar a confiar na voz! Até ver…

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