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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Complexos #29

Está-me no sangue, não sei, estar sempre a fazer partidas! Desconfio que deva ter algo a ver com a minha natureza tímida. Imbuído neste espírito, do que é que eu me lembrei no outro dia? Estava a passar por uma vivenda, bem bonita até, branca, cercada por uma grade verde ferrugem e um esplendoroso quintal cheio de relva queimada pelo Sol, e resolvi tocar à campainha. Assim que uma mulher veio à porta, acenei-lhe e disse-lhe que os gaiatos tinham desatado a correr depois de terem cometido a traquinice de ter tocado à campainha. Logo a seguir dei uma comedida gargalhada, e aguardei a sua reacção. A mulher, uma atraente morena, abeirou-se do portão de ferro forjado e sorriu também. Depois disse-me, com um tom verdadeiramente surpreso, que pensava que os miúdos de hoje em dia já não cometiam tais atrevimentos. Confessou que tal acto a transportava de imediato para a sua infância, quando a adrenalina tomava conta dela depois de tocar freneticamente à campainha da casa da Dona Rosa e do Sr. Luís, e desatava a correr pela estrada fora, sabendo perfeitamente que isso iria fazer com que nessa tarde os rapazes que jogassem à bola no largo em frente da casa deles iriam ficam sem a bola como forma de retaliação por parte do Sr. Luís. Ripostei-lhe com o episódio rocambolesco em que eu, no alto dos meus 7 anos, como forma de demonstrar à Patrícia a coragem que tinha, sem hesitar saltei o muro da horta do Pai da Paula (vulgo caixa de óculos) para ir buscar o disco voador da Patrícia, sem me dar conta que da parte de dentro da horta o muro ficava muito mais alto, tendo ali ficado preso até que a Paula, depois de me obrigar a prometer que nunca mais eu lhe poderia chamar D. Xepa, foi chamar a Mãe para me abrir o portão. Desconfio, até hoje, que sou do Benfica por causa da cor com que fiquei naquele dia ao explicar à Mãe da D. Xepa o que é que estava ali a fazer dentro.
Esta ultima laracha então, teve um efeito tal na atraente morena, que quando dei por mim, estava ela a convidar-me para entrar, a fim de tomarmos uma limonada, ou uma outra qualquer bebida, à sombra de um chapéu-de-sol enfeitado com listas vermelhas e brancas numa mesa de plástico branca que ela tinha na parte de trás da casa, para poder continuar a agradável conversa que ela me disse ter encetado comigo!
É usualmente aqui que entra a minha forma natural de fazer partidas. Gentilmente agradeci, e prossegui o meu caminho.

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