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terça-feira, 13 de julho de 2010

Farewell to the fairground

Na segunda-feira de manhã, não sei como nem porquê, acordei, com um coro na cabeça, tipo o coro da Carmina Burana, mas em vez da letra habitual, ouvia nitidamente, primeiro um AAAAAAAAAAAAAAAAAA, num tom bem agudo, seguido de OOOOOOOOOOOOOO, num tom bastante grave, seguido de um LAI – LAI – LAI REJUBILAI LAI – LAI – LAI, com todas as vozes presentes! Na altura não percebi porque é que eu estava a acordar com aquela melodia na cabeça, pensei que tal se devesse ao facto de ser o primeiro dia de férias e não liguei muito. O que é certo é que a musica permaneceu na minha cabeça durante o resto do dia!
Há já uns tempos que ando a tentar apanhar-me desprevenido para tentar perceber qual é a minha cara de velho. Desde que me disseram, com um olhar misto de espanto e anedótico, que eu estava a fazer uma cara de velho que só visto, que eu ando a tentar ver se me consigo ver ao espelho no exacto momento em que estou a fazer essa cara. Como sei, mais ou menos, que tipo de expressão estava a fazer na altura em que me chamaram a atenção para isso pela primeira vez, sempre que acho que estou com a mesma expressão, assim que dou por isso, tento encontrar alguma coisa em que possa reflectir a cara para ver se consigo perceber que cara é que faço. Só que, como a cara que faço necessita de um estado absorto, ou de concentração, sempre que me apercebo disso deixo automaticamente de me encontrar nesse estado e como tal, sempre que encontro alguma coisa em que consigo ver a minha cara reflectida, a cara que eu estou a ver já não é, nem por sombras, a cara que eu costumo fazer. Não é coisa que me ocupe muito a mente, só que de vez em quando lembro-me disso e depois tento ficar absorto, ou concentrar-me a fazer alguma coisa, para ver se me deixo ir na coisa e acabar por fazer novamente a expressão de velho que tenho, só que é praticamente impossível alienar-me de tudo ao ponto de conseguir fazer a cara e depois voltar a mim para ver se a vejo ao espelho. Foi então ontem, de manhã quando me penteava, que depois de ter olhado de relance para o espelho, enquanto decidia se me penteava à Elvis ou à Roy Orbinson, que reparei na cara que estava a fazer! Foi menos do que um segundo, mas por entre o braço e o antebraço, lá estava ela, gravada agora na minha memória! Consegui ver perfeitamente a cara que me falaram. Consegui ver, pela primeira vez, a minha cara de velho! É, com toda a certeza, uma cara de velho digna desse nome, e por certo que irei ser alvo de grande troça por parte dos meus netos e os demais petizes sempre que for apanhado a dormir no sofá com uma mantinha nos joelhos. REJUBILAI LAI-LAI –LAI, foi finalmente esta semana que me encontrei com a minha cara de velho!

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