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terça-feira, 29 de junho de 2010

No one is watching

- O que é que estás a fazer?

- Estou a olhar para os cabos do eléctrico…

- Porra! Só tu para estar a uma hora destas a olhar para os cabos do eléctrico! Por que é que estás a olhar para os cabos do eléctrico? O que raio é que te poderá chamar a atenção nisso?

- Já reparaste bem nos cabos de um eléctrico? No percurso que os cabos de eléctricos fazem? Eles representam a vida citadina em todo o seu esplendor. Se por um lado só existem nas cidades. Nas grandes cidades. Significando isso que há tecnologia, electricidade para todos, longas distancias a percorrer dentro da mesma localidade, prédios altos e à brava, pessoas de um lado para o outro com fartura, por outro lado, se olhares para os cabos, vês que eles são, na maioria do tempo no seu percurso, paralelos, para de vez em quando, em cada entroncamento de carris, se cruzarem em emaranhados de linhas obliquas. Se estabeleceres nisso um paralelo com a vida citadina, com a vida paralela que cada pessoa tem em relação à pessoa que vai sentada ao lado dela no eléctrico, e no acaso, no milagre que ocorre de quando em vez, pelo menos uma vez por dia, de uma dessa pessoas se cruzar com outra e daí surgir uma amizade, paixão, relação cordial, o que quer que seja, vês que os cabos do eléctrico, principalmente à noite, têm muito para te dizer sobre a cidade…

- Ah, claro! Como é que eu não tinha pensado nisso! Queres então dizer-me que o facto de teres mamado duas garrafas de vinho não tem nada a ver com o facto de estares agora a olhar para o céu, dizes tu que para os cabos do eléctrico, com cara de parvo! Não tem mesmo nadinha nada a ver..Está bem abelha...

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