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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Born of frustration

A Mãe do Alberto, a dona Alzira, nunca encontrou outra forma de impor o respeitinho se não com os seus cinco dedos maternais bem chapados numa das suas bochechas. É o dia todo o mesmo inferno, se não for assim, doutra forma ele não aprende, justificava ela enquanto o Alberto vociferava palavrões a fim de afastar a raiva que usualmente sentia nesses momentos. O Alberto, pouco dotado de inteligência, sempre foi muito esperto, mas inteligente nem por isso. Nem sequer quando já era adolescente teve capacidade para perceber, por uma vez que fosse, que o facto de dizer palavrões só lhe proporcionava outro tabefe bem assente na cara. Por outro lado, assim que o Pai, entrevado numa cadeira de rodas devido à guerra no ultramar, lhe arregalava os olhos, o Alberto recuava de imediato nas suas intenções, fossem elas quais fossem! Aquilo é que era respeitinho, dizia sempre o então jovem Tobias, dono do café central da aldeia, com uma certa admiração! Apesar de já se saber que seria apenas uma questão de tempo até que o Alberto soubesse o que é que tetraplégico quer dizer, o Tobias insistia em dizer que o respeitinho é muito bonito. Estranhamente, o Alberto acabou por desenvolver uma estranha fobia por rodas, principalmente as cinzentas, e foi sem qualquer tipo de surpresa, nem qualquer tipo de hesitação, que abraçou o caminho da marginalidade. Facto aliás, há muito esperado por todos o que o conheciam bem. Assim, numa tarde chuvosa de Terça-feira, e apenas com 17 anos, abandonou Salvaterra de Magos, terra onde a J.K. Rowlings nunca teve autorização para entrar, e foi morar para S. João do Estoril. Ainda hoje é recordado com grande saudade e alegria sempre que o agora filho do Tobias, o Pedro, leva um sopapo da Mãe quando embirra que não quer beber o leite ao pequeno-almoço.

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