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sexta-feira, 14 de maio de 2010

All along the watchtower

A expectativa que uma pessoa cria em mim, quando antes de dizer o que tem para dizer diz, "como eu costumo dizer", ou então, "quem me conhece sabe que eu digo sempre", dizendo seguidamente a frase que costuma dizer. Fico sempre com a respiração suspensa, foco toda a minha atenção na pessoa, fico parado, somente com os ouvidos alerta. Que costumará esta pessoa dizer? É a pergunta que me invade, no milésimo de segundo em que tudo isto se desenrola...Um dia gostava de poder falar com a sabedoria popular e poder constatar que é efectivamente tão sabia como a sua fama quer fazer parecer, mas acho que seria muito difícil conseguir falar com todas as pessoas do mundo ao mesmo tempo
A maioria das pessoas nem se apercebe que esta a usar tal sabedoria. Algumas até acham que a expressão que utilizam é da sua autoria, que foram mesmo elas que a inventaram! Só que, caso seja assim mesmo, isso não poderá ser sabedoria popular. Provavelmente, se a expressão pegar e for devidamente divulgada, poderá vir a ser, mas ainda não é. A sabedoria popular tem muitos anos, sabe muito! Hoje em dia usufruímos da sabedoria popular que começou a reunir conhecimento há uns quinhentos, ou mil anos atrás. Mais coisa, menos coisa. As expressões que hoje em dia são inventadas, daqui a uns duzentos anos, depois de terem passado por todo o processo normal de evolução, talvez possam começar a ser usadas, em conjunto com as que já existem, como sendo expressões dignas da sabedoria popular. Mas nunca agora. Agora, no máximo, quando uma pessoa me diz "como eu costumo dizer", ou então, "quem me conhece sabe que eu digo sempre", posso assistir ao nascimento de uma dessas expressões, ser um dos que vai contribuir para a sua difusão, contribuir activamente para a sabedoria popular, trabalhar em prol das gerações vindouras, tal como outros trabalharam para mim para que eu pudesse hoje não só ter respeito por tal sabedoria, como regozijar-me com expressões do género; "Tem pelo na venta", ou "Sangue na guelra". Coisas que para mim, analisando a frase, são absolutamente parvas de se dizer, todas as pessoas têm pelos no nariz, ou todos os peixes têm sangue na guelra, mas que alguém um dia disse com um intuito tendo depois muitas pessoas repetido isso, e hoje em dia têm o significado que têm! Sendo frases parvas, são expressões esclarecedoras, que transmitem uma imagem, ou um pensamento. Só que, no máximo, consigo apenas gostar da ideia de que isso seja um dia uma realidade. Nunca saberei se uma expressão que oiça de alguém fará parte, ou não, da sabedoria popular. A não ser que, tenha a sorte, porque isso acontece, eu sei, de conseguir ouvir de alguém a expressão que será o Cristiano Ronaldo das expressões da sabedoria popular, e atinja os patamares que as outras atingiram em duzentos, trezentos anos, no espaço de cinquenta, sessenta anos. Quem sabe, num é?...

2 comentários:

A disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A disse...

confesso que mais vezes que não, me ponho a pensar no "rebéubéu, pardais ao ninho". não tanto pela expressão em si, que só por ser parva, não pode ser criticada. o verdadeiro mistério fica no tipo de pessoas têm vivido estes anos todos! que antepassados temos nós, que durante séculos acharam que esta era uma expressão jeitosa, com o conteúdo popular que lhe é exigido?

eu não sei quem serão os verdadeiros culpados, mas desconfio dos igréjios avós e do vinho, principalmente do vinho.