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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Raiva acumulada #6

- Então pá?! Soube agora! Então desististe logo ao segundo dia?! Porquê?

- Quando íamos no carro, ela mudou de música sem perguntar se eu me importava que a música fosse mudada! Uma coisa dessas é ainda pior do que usar sandálias coloridas com brilhantes! Não posso conceber uma relação de futuro com alguém que tem este tipo de atitude.

- Não me venhas cá com tangas! Foi por causa do sonho parvo que tiveste lá na rave não foi?

- Não! Não teve nada a ver com isso! Para ser sincero, atrofia-me estar com ela! Não sei, atrofia-me pronto! Não sei, mas aquela coisa de ter tido uma relação em que as coisas eram supostamente para sempre não me sai da cabeça nestas alturas e eu acho que com esta não era para sempre!

- Deixa-te mas é de merdas pá! Não és tu que acreditas que o para sempre é até daqui a uma hora?

- Sim, mas há certas coisas em que te conforta saberes que as coisas não são bem assim. Sabes aquela frase que diz, “trabalha como se fosse para sempre, mas ama como se o mundo terminasse amanhã”, ou qualquer coisa assim do género, percebes o sentido da coisa não é? Bem, ela fez sempre a coisa ao contrário, sempre amou como se fosse para sempre e sempre trabalhou como se o mundo fosse acabar amanhã! Apesar de isso me ter constantemente, sempre, incomodado, eu acabei por admitir que ela fosse mesmo assim, que isso fosse parte da sua maneira de ser. Às tantas, confortava-me saber que era amado por uma pessoa, ainda que não fosse a mais alegre e espontânea pessoa do mundo, que iria amar assim a vida toda. Só que, afinal não é assim e não devia ter sido assim.

- Então e o que é que vais fazer agora? Vais passar a vida nisso? Vais passar a vida toda à espera de uma coisa que tu aches que é para sempre outra vez? Se aquilo que tu pensavas que era para sempre, afinal não era apesar de tu estares 100% certo disso, como é que tu agora podes ter uma certeza dessas?!

- Eu não sei ainda o que é que eu quero, mas acho que quero encontrar uma pessoa normal, ter uma vida normal!

- Uma vida normal?! Foda-se! Tu estás mesmo todo fodido! Para quê? E o que é isso do normal, já agora? Para que é que queres ter uma vida normal? Tu não costumavas detestar as pessoas que querem ter uma vida normal?!

- O que eu quero dizer é que quero ter uma vida semelhante ao que a maioria das pessoas tem! Quero encontrar uma mulher, quero casar, ter filhos e essa porra toda! É só isso mais nada, não me perguntes porquê, mas desde que lhe enviei a carta só penso nisto!

- Eu curtia mesmo era conhecer uma gaja que me dissesse, logo assim quando a conhecesse, que gostava de levar na peida! Isso sim, é que era uma gaja normal para mim!

- Tinha de ser… …

- Sabes qual é que eu acho que é o teu problema?

- Não! Diz-me lá qual é o meu problema?

- Aposto contigo que ela anda já a stressar porque conheceu um gajo há uns tempos e agora, que já passaram meses desde que se conheceram, ela ainda não consegue saber o que ele pensa apesar de já ter à vontade para dizer as coisas não em forma de pergunta, como é típico nas gajas, e conseguir dizer o que quer dizer sem ter medo do que ele possa pensar. As gajas são mesmo assim! O que as lixa depois é o facto de não saberem o que é que um gajo pensa e defendem-se com a porcaria da normalidade! Sempre que algo não é como elas queriam, isso deixa automaticamente de ser normal! Tudo para elas se resume à pergunta: achas normal? Aposto contigo que ela já anda a perguntar às amigas se elas acham normal o comportamento do novo namorado! E aposto contigo também que todas elas dizem que já passaram pelo mesmo! Aposto que dizem que é normal porque ainda passou pouco tempo, porque tiveram muitos problemas no início, porque as coisas não tem sido fáceis, sim porque uma gaja não consegue começar uma relação sem ter imensos problemas para começar, para elas é sempre tudo muito especial, muito pitoresco, muito diferente do normal, apesar de só pensarem em normalidade!

- E qual é o meu problema afinal?

- É este mesmo. Tu queres arranjar uma gaja para casar, ter filhos e essa treta toda da normalidade, e todas as gajas são assim! O mais estúpido disto tudo, é que arranjaste uma gaja, que não está com paneleirices, que muda a musica porque não está a curtir, independentemente do facto de vocês se conhecerem há pouco tempo e tu dizes que não queres mais nada com ela! Quem é que te garante a ti que ela não te levaria à normalidade que tu agora queres? Só porque ela fez uma cena que não curtiste? Por que é que todas as pessoas acabam por fazer e dizer o mesmo em todas, ou melhor, em quase todas as relações? Por que é que tu ao falares com alguém que já tem uma relação há uns tempos, ouves sempre as mesmas queixas, os mesmos problemas, as mesmas cenas! Foda-se eu como gaja atrás de gaja e são todas iguais, não há uma que ao fim de um tempo diga uma coisa diferente! Se tudo no fim acaba por se resumir à normalidade, por que é que se há-de desejar a normalidade logo de inicio?!

- Essas coisas sentem-se não se explicam exactamente!

- Achas mesmo que é com teorias à lá psicólogos da farinha amparo, ou com cenas de revistas para gajas anorécticas que tu vais a algum lado? Deixa-te mas é de tretas e vais mas é ali falar com aquela gaja! Vá, vai lá, ao menos aproveita a cena enquanto não fica normal… …

- Não. Já sabes que eu não sou capaz de falar assim com uma gaja sem a conhecer?

- Queres que eu diga que estás interessado nela como fazíamos quando andávamos na escola? Eu apresento-ta e digo-lhe que tu gostavas de a conhecer melhor. Não há melhor frase de engate do que esta!

- Sim, boa ideia! Com uma frase de engate, fulminante como essa, não há de certeza hipótese de resistir! Já agora diz-lhe também que eu sou do oitavo B e que sou o delegado de turma, ela vai ficar de certeza impressionado com isso!

- Vais ser sempre um conas não vais?

2 comentários:

Nawita disse...

Ah ah ah ah ah ah ah ah
Perfeito! Adorei!
Adoro como um diálogo normal acaba em querelas mesquinhas como se fossem dois putos! Só mesmo os gajos para terem diálogos destes ;)

Vani disse...

LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL

mio dios, que pérola para onde me mandaste curtir, Nawitaaaaa!

Daqui já não saio. Temos pena.