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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Paisagens mentais

O som da música, que vai invadindo lentamente o éter e os sentidos, confunde-se com o ritmo da brisa que sopra lá fora. À sua frente, os esplendorosos ramos de duas azinheiras brilham, reflectindo em todas as direcções a luz dos raios de sol que inundam o dia. Delicadamente, os ramos dançam, não se conseguindo perceber se ao som da música, se ao sabor da brisa. Por momentos, ele deixa-se levar pelos seus sentidos e dança com a árvore. Através de gestos doces e meigos, muito suavemente, as folhas bamboleiam para cima e para baixo e respondem com passos de dança ao ritmo da música, levitando o corpo dele para uma outra dimensão. Ali, ele ficará, perdido, no meio do espaço, submergido em luz e cor. As vozes, cada vez mais murmurantes, transformam-se em melodias, sem qualquer tipo de linguagem perceptível. Somente melodia e paixão. Melodia e ilusão. Embriagado de sentidos desconhecidos, vai subindo, cada vez mais alto, até se transformar num pequeno ponto branco no meio de uma imensidão azul que depressa se desvanece no horizonte. Aí, permanecerá para sempre esquecido. O sol ilumina agora um túnel suspenso por asas de condor, cujas cabeças se encontram ocultas por mascaras de caras humanas. Uma outra árvore acabou de nascer, mesmo ao lado da Azinheira.

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