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quinta-feira, 25 de março de 2010

Raiva acumulada #2

- Sabes o que é que ao mesmo tempo me irrita, ou aborrece, e transcende-me, num sentido positivo, aquilo que a maior parte das vezes me dizes, ou fazes?

- Ouve, se é para continuares a chamar-me de paneleiro, ou qualquer coisa do genero, digo-te já que não estou com paciência para continuares com essa conversa...

- Não, por acaso, não tem a ver com isso. Ou melhor, tem, mas não directamente. Ainda que um dia destes tenhas de me explicar qual é que é o teu problema quando eu te digo que te transformaste num. Mas isso não é o que te queria dizer agora. O que eu estava a dizer é que a maioria das pessoas, desde pequenas, têm necessidade de se integrar, de sentirem que fazem parte de algo, seja de um grupo de pessoas, de um clube, do que quer que seja, as pessoas têm sempre essa necessidade absurda de terem que ter algo em comum com outras, nem que para isso façam e digam coisas que não vá de encontro ao que realmente pensam e sentem! E isso para mim, não faz qualquer tipo de sentido! Sendo tu uma dessas pessoas, consegues explicar-me isso?

- Lá estás tu outra vez com as tuas porcarias de filosofias baratas e maradas que só tu é que entendes e depois ficas sempre com a mania que só tu é que tens razão! Explica lá melhor a tua questão.

- Um exemplo. Se estiveres no meio de 6 pessoas que não conheces bem, e todas elas forem de direita e tu de esquerda, assumes que és de esquerda sem qualquer problema?

- Depende sempre da situação. Imagina que são seis skin heads. Se eu chego ali e digo que sou de esquerda ainda me desancam! E depois como é?

- Claro! No teu ponto de vista é melhor perder a personalidade e demonstrar que és outro tipo de pessoa, do que assumir logo quem és e o que pensas. Mas, até aposto que depois, num grupo de pessoas que pensas já conhecer bem, mesmo que sejam todos de direita e tu de esquerda, que até és capaz de discutir e defender os teus pontos de vista sem qualquer tipo de problema...

- Claro! Mas isso é evidente! Já conheço as pessoas, já sei com o que posso contar, etc. E então, não estou a ver qual o problema disso! Para além do mais, há sempre pessoas que tu queres conhecer e outras que não, por isso é que te disse que depende da situação...

- Sim, mas aí é que está. Como é que sabes que de facto conheces essas pessoas bem? Como é que sabes que não há uma ou duas que fizeram o mesmo que tu quando se conheceram e que a partir daí, com esse grupo de pessoas, agem de forma diferente do que age mcom outras pessoas? Como é que sabes se conheces de facto alguém?

- Oh! Isso então ninguém conhece ninguém e pronto. Tu sabes essas coisas, sente-se, sei lá agora explicar porquê...

- Não me parece. Estou até convencido de que ninguém conhece ninguém...

- Vá lá, não disseste que tu és a unica pessoa no mundo que age sempre de acordo com o que pensa e que és o unico no mundo que é possivel conhecer...

- Não disse, mas essa é que é a verdade...

- Claro!...Já agora, e partindo do principio que isso até é mesmo verdade, o que é que tu ganhas com isso? Se à partida já sabes que não vais conseguir conhecer mais ninguém no mundo, nem o mundo irá saber que te conhece quando está a falar contigo pela primeira vez, o que é que isso te adianta?

- Durmo sempre bem.

- Também eu, e ao menos não sou uma besta para a maioria das pessoas...

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