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segunda-feira, 29 de março de 2010

Banda Sonora

Não gosto da segunda-feira! Nunca gostei! Desde catraio que oiço dizer que a segunda-feira não presta, que é o pior dia da semana, que é o que custa mais a passar...Ainda hoje de manhã, no elevador, e no café, ouvi alguém que passava dizer isso mesmo! Nem sei porque é que não gosto da segunda-feira. Acho que não gosto da segunda-feira porque sim, ou então porque não. Na realidade, acho que não gosto da segunda-feira porque não consigo nunca evitar a sensação que estou, mais uma vez, a recomeçar tudo de novo...Não é que eu tenha algum tipo de problema em recomeçar tudo de novo, antes pelo contrário, às vezes, muitas vezes, a única coisa correcta e necessária a fazer é mesmo recomeçar do zero outra vez. O problema é que, se por um lado não consigo quantificar o número de vezes que quis que a semana não acabasse, por outro, não consigo quantificar as vezes que quis que acabasse! A segunda-feira, de um ponto de vista optimista, acaba quase por ser aquela segunda oportunidade que todos desejam quando erraram pela primeira vez, com a vantagem, normalmente ignorada, do primeiro dia ter sido para descansar, para reflectir, para perceber o que queremos fazer na segunda oportunidade que nos vai ser dada. Só que, ao mesmo tempo, a segunda-feira acaba também por ser a segunda oportunidade, vezes e vezes sem conta, aquela que existe efectivamente, todas as semanas, mês após mês, ano após ano, e não aquela oportunidade que desejamos apenas porque julgamos que se a tivéssemos faríamos tudo de maneira diferente, mas que na realidade apenas gostamos de pensar assim porque sabemos que nunca irá acontecer. Esta obrigação, semana após semana, de recomeçar tudo outra vez, é pior do que viver numa realidade em que tudo seria perfeito se ao menos tivéssemos tido a possibilidade de alterar aquele segundo em que tudo mudou. Que garantia de acertar de vez se tem quando nos é dada a segunda, a terceira ou a quarta oportunidade? E o que fazer depois disso?

Radiohead - The bends

Where do we go from here?
The words are coming out all weird
Where are you now when I need you?
Alone on an aeroplane
Falling asleep against the window pane
My blood will THICKEN.
I need to wash myself again to hide all the dirt and pain
'cause I'd be scared that there's nothing underneath
And who are my real friends?
Have they all got the bends?
Am I really sinking this low?
My baby's got the bends - Oh no
We don't have any real friends - No no no
Just lying in a bar with my drip feed on
talking to my girlfriend waiting for something to happen
I wish it was the sixties
I wish I could be happy
I wish, I wish, I wish that something would happen.
Where do we go from here?
The planet is a gunboat in a sea of fear
And Where are you?
They brought in the C.I.A.
The tanks, and the whole marines to blow me away
To blow me sky high.
My baby's got the bends
We don't have any real friends
Just lying in a bar with my drip feed on
talking to my girlfriend waiting for something to happen
I wish it was the sixties
I wish I could be happy
I wish, I wish, I wish that something would happen.
I want to live and breathe
I want to be part of the human race.
I want to live and breathe
I want to be part of the human race.
Where do we go from here?
The words are coming out all weird
Where are you now when I need you?

1 comentário:

Shellfish disse...

Recomeçar nunca é uma obrigação. É uma necessidade. Se fosse uma obrigação seria uma continuidade daquilo que já existe, um fardo. E recomeçar não pode ser um peso porque significa que se está limpo e liberto do que está para trás e que, de alguma forma, deixou marcas profundas. Ninguém recomeça à segunda, nem à terça ou à quarta. Recomeça quando sente que está pronto. Esta é apenas a minha modesta opinião, não é de forma alguma uma crítica. Os sentimentos não são passíveis de serem julgados :)