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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

If you're looking for a way out

Já me andava a irritar há uns dias com aquilo. Andava com uma ansiedade enorme por causa daquilo. Era todos, todos os dias a mesma coisa. Aquilo incomodava-me de uma maneira... ... que nem sei explicar. O que é certo é que aquilo passou do ponto em que me conseguia irritar, para o ponto em que a questão começou quase a ser uma obsessão. Já não conseguia pensar em mais nada, a não ser numa forma de me deixar de irritar com aquilo. Se aquilo não é comigo, porque é que tenho de me irritar, era o que eu dizia a mim mesmo no princípio, a fim de me mentalizar que aquilo nada tinha a ver comigo. Mas obviamente, quando nós fazemos as coisas para nos mentalizarmos de algo, quando já estamos mentalizados de outra coisa, é muito complicado convencermo-nos do contrário. Eu, sem saber como, já estava também nas garras daquilo. Aquilo que ao princípio era uma coisa que nada tinha a ver comigo, irritava-me só por estar ali, de repente já era uma coisa que tinha tudo a ver comigo, era já uma questão pessoal, apesar daquilo, continuar a ser exactamente o mesmo que era quando começou.
Viste? O que era aquilo? É a pergunta que quase todas as pessoas fazem, quando alguma coisa passa por elas muito rapidamente, ficando sempre sem saber o que foi. Essa coisa, seja lá o que for, consegue surpreende-las, ou pela positiva, ou pela negativa, de tal forma que não conseguem ficar indiferentes.
É exactamente assim que me sinto desde que aquilo me atingiu. Não sei o que é, não sei como é que chegou, só sei que de uma forma abrupta, aquilo apareceu na minha vida. Ao contrário do que costuma acontecer quando as pessoas exclamam, "Viste aquilo?", aquilo que me atingiu não foi passageiro, não foi uma coisa que me fez falar sobre, durante uns 10, 15 minutos, até mesmo uma ou duas horas, ou mesmo ainda uma manhã ou uma tarde.
Poderia passar dias a tentar explicar a raiva crescente que aquilo me tem provocado, começou como já disse, com uma simples irritação, um aborrecimento, até chegar ao ponto de não conseguir pensar em mais nada a não ser naquilo.
Passaram não sei quantos dias, semanas até, não sei. Era de facto interessante. De um ponto de vista analítico e sintético as coisas resumiam-se simplesmente a isto. Era tudo meio dúbio ainda, mas já não havia capacidade de análise, a letargia que se começava a instaurar começava a deixar a ideia de que tudo era inútil, de que não valia a pena fazer nada, a não ser ficar ali, parado, a olhar, com nada na mente para pensar a não ser naquilo. Só, a olhar. Era de facto interessante. Como é que as coisas tinham chegado ao ponto de nem sequer apetecer pensar, agir, fazer alguma coisa que não nos arrastasse para aquele estado? Não sei, já não me lembro. De repente, já estava naquele ponto. Já não havia nada para trás que importasse, já não havia nada que pudesse vir a importar a não ser ficar ali, parado, a olhar e a pensar. É, de facto interessante. Um vazio enorme preenche-me o pensamento hoje em dia. É tudo branco, tudo branco, e aquilo ao fundo, sempre aquilo, a trincolejar.

4 comentários:

joaninha versus escaravelho disse...

E o que é aquilo que tricoleja? :)

Zigue Zague disse...

Realmente... ele há coisas do arco da velha. :)

AP disse...

Ina! Não viste aquilo Joaninha?! ;)

Eu diria mesmo que há coisas do camandro! :)

joaninha versus escaravelho disse...

Sou mesmo distraída! :/
Nunca vou mudar. Fico sempre para trás...