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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Eu cá não sou supersticioso, mas o Pai dela dá-me azar

A primeira vez que tal sucedeu nem sequer liguei, ou não fiz qualquer tipo de associação, recordo-me apenas de pensar que tinha sido um azar.
Foi na segunda vez que aconteceu, e depois do Zé, que tem sempre a mania da perseguição, me dizer que o problema era o Pai dela, que me apercebi que provavelmente era demasiado azar tal acontecer duas vezes em tão curto espaço de tempo!
Claro que, por ter sido o Zé a dizer-me que era o Pai dela o culpado, eu nem sequer levei em conta tal coisa, embora possa admitir que inconscientemente aquilo que ele me disse me tenha ficado a martelar na cabeça! Bom, às tantas até fui eu, condicionado pelo que ele disse, que quis acreditar que era mesmo o Pai dela o causador de tudo, e por consequência fiz com que as coisas se tivessem passado depois da forma que se passaram, apesar de tudo ter começado a acontecer antes do Zé me ter dito alguma coisa.
Já depois do Zé ter falado comigo e de tal ter sucedido novamente mais duas vezes, fui falar com a Catarina. Ela anda sempre na Lua, sempre no seu mundo de fantasia, mas é verdadeiramente sábia nestas matérias mais etéreas, por assim dizer. Para minha surpresa, ou então por causa do efeito do incenso que queima incessantemente na sala dela, ela corroborou toda a teoria do Zé, não acrescentando nem mais nem menos ao que ele já me tinha dito! Alias, ela ficou tão surpreendida quando lhe disse que o Zé já me tinha dito o mesmo, que quis de imediato falar com o Zé, convencida que os astros de alguma forma lhe estavam a dizer que o Zé poderia ser alguém importante na vida dela! Dei-lhe o número do Zé e vim-me embora, cada vez mais confuso. Não sei ainda se sob a aura do espírito dos Astros que a Catarina tinha mencionado, nos quais, sinceramente, não acredito, encontrei por acaso na rua o Amílcar. O Amílcar é um gajo que não via há uns 15 anos e que tinha andado comigo em primeiro lugar na catequese, só Deus sabe porque raio é que frequentei a catequese, e depois na escola preparatória! Para além de estar mais alto, o Amílcar está igual, a mesma voz amaricada, os mesmos trejeitos de um Padre, as mesmas roupas, literalmente as mesmas roupas, enfim, por uma causa que desconheço por completo, assim que vi o Amílcar decidi confessar-lhe o meu problema. Sim, porque para mim já começava mesmo a ser um problema. Depois de me ter ouvido atentamente, sem dizer uma palavra, o Amílcar vira-se e diz-me que só podia ser o Pai dela o causador de tudo, acrescentando um obviamente no fim da sua afirmação! Foi o que eu pensei também, disse-lhe eu sem querer fazer notar o meu notório incómodo por ele ter dito aquilo. Em três segundos disse-lhe que tinha de me ir embora e o Amílcar desapareceu no meio da multidão tal e qual como tinha aparecido! Claro que o facto de o Amílcar ter dito aquele obviamente me deixou ainda mais apreensivo do que já começava a ficar naquela altura.
Depois de a coisa ter continuado a suceder de uma forma quase sistemática, decidi consultar um psicólogo que me convenceu, ou mentalizou-me, que o problema estava em mim e na minha cabeça, e que tudo estava a acontecer pelas mesmas razões que um cão inofensivo nos morde a perna quando passamos pelo animal. Passaram-se algumas semanas de terapia e, animado com esta ideia, fui ter com ela novamente absolutamente convencido de que a mente e o querer são superiores a tudo. Só que, e pela última vez, o mesmo voltou mesmo a acontecer! Não tive outra alternativa, no dia a seguir telefonei-lhe e disse que não nos podíamos ver mais! Ao porquê dela só fui capaz de responder aquilo que ainda hoje não sei se é verdade, e disse-lhe que a culpa era do Pai dela! Ainda hoje me faz confusão o longo período de silêncio que se fez sentir naquela chamada telefónica após lhe ter dito o que disse. Uma coisa, no entanto, é certa, embora não seja nem mais nem menos feliz do que fui naquela altura, até hoje, tal nunca mais voltou a suceder!

1 comentário:

joaninha versus escaravelho disse...

Ainda bem!
É porque a culpa era do pai dela... :|