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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Jogos físicos e psicológicos

- Pára...Pára já disse...PÁRA. Pára. Chega. Chega. Estou farta. Cansada. Eu já te tinha dito que estava farta de só seres assim quando estamos entre quatro paredes na cama. Sabes, cheguei a um ponto em que isso só não me chega. Percebes o que te estou a dizer? Oh, vá lá querido...Não faças essa cara, diz-me no que é que estás a pensar...

- Acho que não estás a ser justa quando afirmas uma coisa dessas! O que é que queres que eu pense? Quer dizer, dizes que eu só sou assim quando estamos entre quatro paredes na cama, mas ainda ontem, atenção, ontem, não estou a falar de há quinze dias, ou há um mês atrás, mas de ontem, ontem quis penetrar-te, com toda a paixão, em plena cozinha, o que é que tu respondeste? Pára, olha que este avental é novo...

- ESTÁS VER? ESTÁS A VER COMO É QUE TU ÉS? ...Eu estou a tentar ter uma conversa minimamente séria contigo e tu não consegues! Pura e simplesmente não consegues ter uma conversa séria! Tens sempre que ir a correr esconder-te atrás do sarcasmo. E eu, sinceramente, começo a ficar cansada disso...Preciso de mais, preciso de sair contigo, de estar contigo e com outras pessoas ao mesmo tempo, de termos conversas e jantares normais...Precisamos de conseguir viver na rua...Eu preciso que consigas viver comigo na rua da mesma forma apaixonada com que estás comigo aqui no quarto. É pedir muito? Diz-me, sinceramente, é pedir muito?

- Não, não é. Aliás, eu nem sequer percebo esse teu pedido! Quem é que disse não quando estávamos naquela praia fluvial deserta? Já que mencionaste jantares normais, quem é que disse, aqui não estás parvo, no corredor recôndito daquele restaurante que os teus Pais nos levaram para brindar connosco a felicidade angustiante do trigésimo aniversário do casamento deles? Melhor ainda, quem é que disse não no intervalo, quando fomos com aquela tua amiga chanfrada da cabeça ver aquele filme mais do que merdoso?

- Desisto a sério. Eu bem quero mentalizar-me que tu não és um caso perdido, mas só estou a ludibriar-me...

- Ena! Ludibriar-me! Finalmente está a compensar a leitura diária do dicionário!

- Tão engraçadinho...Sabes, é que ao contrário de ti, há pessoas que gostam de aprender. Sabes perfeitamente que o livro que estou a ler tem muitas palavras complicadas. Eu gosto de as anotar e depois saber o que significam. Isto é a coisa mais normal do mundo, chama-se curiosidade e gosto em aprender. Mas claro, que para ti a única resposta ao que disseste que faria sentido para ti, era se eu dissesse: É porque gosto de coisas grandes e grossas...

- Hey, foi por isso que me escolheste babe! Wink

- Sim, claro! Pena é que não dure mais do que cinco minutos...

- Eh lá, mandaste uma boca brejeira! Estás a ficar ordinária e baixa? Não te sabia assim tão...malandreca.

- Pronto, desculpa, és má influência e às vezes saem-me estas parvoíces.

- Não, a sério, continua. Faz lá um trocadilho qualquer com cenouras ou tomates e depois desmancha-te a rir. Ah, mas espera, tira primeiro um dente ou dois e põe uma verruga na bochecha...

- Não, a sério digo eu. Estava agora aqui a pensar, e apercebi-me neste preciso momento disso, que não me recordo da última vez em que não foi só bam bum e pronto! Eu nem acredito que já chegamos a este ponto!

- Bom, agora é que não estás mesmo a ser justa! Ainda na semana passada estivemos que tempos nisso! E olha que bebemos e fumámos à brava nessa noite...

- Se tivesses alguma vergonha na cara nem sequer mencionavas essa noite...

- Porquê?

- Sabes perfeitamente que estavas a pensar que me estavas a comer o traseiro, daí aquela excitação toda...

- Vês! Entendes agora quando eu te digo que precisamos de variar os sítios? Diz lá estavas outra vez, e faz aquele gesto com a mão outra vez...E por que é que dizes traseiro e não dizes cu? Não, deixa estar, eu gosto de ti quando te tornas pudica...

- Oh! Eu sinto-me só quando estou contigo na rua, ou quando vamos a um sítio qualquer e tu és incapaz de socializar. E eu preciso que tu me faças sentir à vontade e protegida como eu me sinto quando estou contigo em casa. Tudo o que eu te estou a pedir é que sejas assim, intimo, carinhoso, cúmplice, comigo quando estamos com outras pessoas. Eu preciso mesmo disso. Achas que é pedir muito? Não consegues ser assim porquê?

- Claro que consigo. Queres intimidade fora de casa, intimidade fora de casa terás. Fazemos assim, amanhã vamos jantar aquele restaurante chique que tu estás sempre a dizer para irmos lá jantar, convidas os amigos que quiseres para irem também, e eu como-te o traseiro na casa de banho. O traseiro não, a peida...

- Ai é? ENTÃO QUERO ROMANTISMO. EXIJO ROMANTISMO. EXIJO RESPEITO...

2 comentários:

Nova Estante disse...

Aqui não me pronuncio. Sempre me disseram que entre marido e mulher não se mete a colher.
Só em caso de chegarem à violência doméstica é que... :)

joaninha versus escaravelho disse...

A Nova Estante sou eu! ahahahahha
enganei-me na conta.