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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

I wanna go home

- Então, que tal estou?

- Estás bem...

- Só isso? Não há um pormenor que se destaque em mim? Sabes bem que são os pormenores que fazem a diferença, principalmente antes de um encontro...

- Ok, admito que há sempre um pormenor em ti que até me faz confusão...

- E qual é?

- Tu nunca, mas nunca, tens os pelos do nariz compridos demais! Como é que consegues?

- Sabes o quanto eu aprecio a sabedoria dos mais velhos não é? Pois vou confessar-te uma coisa. Há uns anos, ainda eu era um imberbe petiz, numa das viagens frequentes que fiz ao Alentejo, a D. J’quina, questionando-me, na brincadeira, se eu já fazia a barba, sabendo ela que eu ainda não tinha nenhum pelo na cara, disse-me depois, que ela, para evitar que os pelos crescessem tão depressa, arrancava com uma pinça, um a um, os pelos que ela tinha na barba e no bigode! Ora, conhecendo eu, na altura, a mãe da D. J’quina, uma senhora boa boa boa, do mais ternurento possível, mas albergando sempre um farto bigode e um lenço preto na cabeça, aquilo ficou-me marcado para todo o sempre na cabeça!

- E então? Estás a querer dizer-me que hoje em dia a D. J’quina ficou igual à Mãe dela? Isto é mais uma das tuas parvoíces com os atavismos?

- Não! Que disparate! Não, a D. J’quina não tem bigode sequer, está até quase igual até, embora mais velha. E então, não se está mesmo a ver?

- Não!

- Arranco, um a um, com uma pinça. Nunca menosprezes o conhecimento de uma anciã...

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