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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cavalos de...nem sei de quê...

Desde pequeno, mal andava ainda, que o meu maior sonho sempre foi rir-me de forma a fazer notar o quanto eu consigo achar piada a algo, ou alguém, com quem não tenho qualquer tipo de relação, ou então que tenha somente uma relação meramente circunstancial. Acho que estas coisas descobrem-se logo à nascença, logo desde que se tem noção do que é que é necessário fazer para levar a água ao nosso moinho. A luta é árdua, sem dúvida nenhuma, mas desde que atingi o estatuto que hoje possuo, no difícil patamar que sempre almejei alcançar, poucas coisas, neste mundo cruel, aprecio mais do que mostrar que consigo rir-me com prazer de conversas alheias cujos interlocutores desconhecem que o estou a fazer. Não existe nada mais educado do que mostrar, genuinamente, que se acha piada a algo que se acaba de ouvir e que não nos era dirigido, mas que ouvimos porque nos encontrávamos ali. E eu, não só posso dizer que cheguei a tal conclusão sozinho, como posso dizer com toda a confiança do mundo, que sou um perito nessa matéria. Consigo rir-me mesmo, mesmo bem, e quando quiser e bem me apetecer. Quando quero, quando quero mesmo a serio e me predisponho a isso, sou capaz de rir-me logo, no momento! Numa paragem de autocarros, por exemplo, se quiser rir-me à brava da conversa que estou a ouvir ao meu lado, basta pensar nisso e pumba, lá estou a rir a bandeiras despregadas. No trabalho, principalmente à segunda-feira, depois de ouvir aquela piada no elevador, se quiser rir-me, mesmo muito, consigo rir-me tanto, mas tanto, ao ponto de ter a sensação que vou rebentar de tanto rir. Obviamente, que devido a mim, fica tudo a rir naquele elevador. Muitas vezes sem terem noção sobre aquilo que na realidade se estão a rir, riem-se apenas e só por minha causa, é de mim que vão falar quando saírem do elevador, não da piada que já ninguém se lembra. Naqueles jantares de empresa, ou de grupos de amigos a fazer uma data de barulho, em que a dificuldade para conseguir chamar a atenção é bastante elevada, consigo rir-me até ficar mal disposto, cheio de vómitos, para que o riso seja verdadeiramente marcante e inolvidável. Mas a minha verdadeira obra-prima, aquela que me fez tornar numa verdadeira lenda, ou num mito vivo, é a capacidade que tenho em me rir, quando já estou inserido numa conversa de grupo, até me engasgar e ficar a tossir sem conseguir parar. Claro que esta ultima é uma façanha em que corro o risco de não conseguir ver a cara das pessoas a quem o meu riso é dirigido, mas é um risco que vale a pena. Quando tal me acontece em todas as outras situações, fico irritado comigo próprio, aumento logo o meu treino em manter os olhos abertos quando estou engasgado. Por falar nisso, agora lembrei-me, no outro dia quase que vi a minha cara ao espelho enquanto dava um espirro, mas no ultimo momento tive que fechar os olhos, um dia... ...Mas quando já estou a tossir e me engasgo basta-me ouvir alguém dizer que para olharem para mim, que vejam só como eu fiquei por me estar a rir tanto. Ahhhhh, o bom e usual sabor do sucesso...Bom tirando as ocasiões em que vem sempre um idiota qualquer dizer para eu deixar o tabaco! Como se o tabaco tivesse a capacidade de fazer alguém rir daquela forma! Mas também, quando alguém diz isso, vê-se logo que é alguém que só quer é chamar a atenção, alguém que só quer dar nas vistas e está cheio de inveja porque fui eu que o consegui fazer com o meu contagiante riso. Pobres coitados, topam-se logo à distância! Essas pobres almas nunca vão conseguir perceber o sacrifício que é necessário fazer para conseguir chamar a atenção de toda a gente sem que ninguém note que é isso que se está a fazer. Alias, desafio qualquer pessoa a conseguir chamar a atenção melhor do que eu. Não conheço ninguém que não fique a rir-se quando me estou a vir embora. Muitas vezes, saio do sítio onde estou, de gatas, fingindo que não me consigo levantar por me estar a rir tanto. É um número extra que gosto de fazer para abrilhantar o final da minha actuação. A meu ver, eu já merecia era ter uma estátua de mim a rir, ou o meu nome numa rua importante. Só que hoje em dia já ninguém dá valor ao riso, nem a nada! Um gajo acaba por ter de trabalhar o dobro o ou triplo do que se trabalhava há uns anos atrás para que depois falem apenas uns segundos sobre mim. O problema deste mundo é a falta de memória, as pessoas esquecem-se muito facilmente de quem é que se ri das coisas que elas dizem. Um dia destes, faço greve. Depois sempre quero ver como é.

3 comentários:

Em Bicos de Pés disse...

Tu a fazer greve era grave. :)

Tindergirl disse...

Às vezes rio-me das palavras que leio num monitor :)

joaninha versus escaravelho disse...

Eu rio-me mais vezes das figuras parvas que faço a falar sozinha na rua. E depois a rir-me faço figura de parva duas vezes. Mas rio-me sempre. :)
Mas também me rio com as tuas. Palavras, claro! :P