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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Boa viagem

Tenta sempre não desistas
Dessa forma nunca irás encontrar
Podes não saber bem o que procuras
Mas sempre vais sabendo o que não queres procurar
Tenta sempre não desistas
Dessa forma nunca irás dissipar
Podes não esclarecer bem as dúvidas que persistem
Mas sempre vais conhecendo melhor o que tens para enfrentar
Tenta sempre não desistas
Dessa forma nunca te poderás explicar
Podes não saber bem o que deves dizer
Mas sempre vais aprendendo a melhor forma de falar
Tenta sempre não desistas
Dessa forma nunca poderás ficar
Podes não saber bem o que deves pensar
Mas sempre vais ficando com a consciência tranquila, quando te vais deitar
Essa voz, que atormenta
Corrói, destrói, vicia o pensamento
Engana, obriga a pensar
Insistentemente instiga a atitude certa
Dispara em direcção ao cérebro
Rajadas de conceitos moralistas, obrigacionistas
Cultura, bons costumes
Formas de estar, dizer e fazer as coisas
Sempre de acordo com o que está
Institucionalmente instituído
És um implante congénito
Abjecto, fraco e repugnante
Nojenta, falsa voz, que grunhes aos meus ouvidos
Lixo, outrora ouvido e declamado aos sete ventos
Até se ter tornado realidade, verdade absoluta
Incontestada, falsa, apregoas sempre a verdade
Reclamas sempre saber o seu paradeiro
Sem nunca saberes onde ela se esconde
Assumes, sem qualquer tipo de pudor, a sua identidade
És vil, má, gananciosa, perniciosa
Mentes sob o refúgio de princípios
Que não se sabe onde tiveram o seu inicio
Voz muda, surda, que cegas tudo e todos
Quando gritas, sem sequer te exaltar
Manténs-te impávida no pedestal em que te colocaste
És dona de tudo e todos
Só não sabes de quem e para quê
E onde é que isso te vai levar.

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