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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

The blue route

Ao chegar à cidade em que o amor subsistiu à injustiça e foi perpetuado num jardim cheio de flores de todos os géneros, onde ainda hoje os amantes trocam carícias e juras de amor eterno, gosto de atravessar a ponte onde está pendurado um relógio e virar logo à direita. Depois, contorno pela metade a primeira rotunda que encontro e percorro a rua da sabedoria cheia de comércio e história. Assim que me aproximo dos semáforos, que têm ao do lado direito de quem sobe a Policia, e do lado esquerdo a Sé, sorrio mentalmente visto que os mesmos se encontram invariavelmente vermelhos! Subo calmamente a avenida, dividida a meio por outro jardim e árvores, olho de relance para o cinema e sinto o bater do coração a ficar instintivamente diferente assim que avisto a calçada da praça onde culmina a avenida! No meio da praça, por entre as esplanadas, as sombras das árvores, as folhas secas espalhadas pelo chão, a jovialidade e os eternos sonhos, existe, mais uma vez, quase sempre, uma tenda branca com um evento cultural qualquer! Contorno, também pela metade, a praça e viro à direita. Subo a avenida paralela à casa do Artista que possuía um carro azul, que por brincadeira seguíamos há uns anos atrás, e sigo em direcção aos Hospitais! A constante sombra e os autocarros eléctricos recordam-me as tardes e as noites que passávamos sentados nas esplanadas a falar e a ver a vida a passar à nossa frente! Não tínhamos muito mais para fazer do que pensar no futuro que um dia iríamos ter! Ao chegar ao fim da avenida, que nunca soube o nome apesar de ter passado lá inúmeras vezes, corto à direita e logo na primeira à esquerda e depois novamente à esquerda, passo pelo prédio das últimas memórias, mesmo em frente à pastelaria e abrando ao ponto de quase parar, perco quatro ou cinco segundos a olhar para a varanda! Sigo em frente, e ao chegar ao cruzamento em que não posso virar à esquerda, viro à esquerda e tomo o caminho em direcção às piscinas, passo por uma rotunda e uns semáforos, sigo pela rua ladeada de centros comerciais e comercio tradicional, recordo a pizza que comi no ultimo centro comercial antes das piscinas, mesmo em frente à boutique de Pão da zona in, e procuro lugar para estacionar depois de ter passado pelo quiosque! Consigo estacionar em frente ao prédio forrado de tijolo e perco mais quatro ou cinco segundos a olhar para a varanda, sorrio novamente, desta vez com nostalgia e tristeza e dirijo-me a pé para o café onde as tostas mistas são consideradas as melhores do mundo! Apesar de esta não ser a minha opinião, consigo compreender o sentimento que é nutrido pelas tostas! Antes de entrar no café e sentar-me em frente ao relógio que tem os números ao contrário, reparo que um clube antigo, que tinha sido transformado em casa de strip, é novamente o clube, pelo menos com o mesmo nome mítico que teve outrora! Penso, durante dez segundos, que às vezes as coisas podem voltar a ser o bom que um dia foram e entro no café passando pela esplanada inundada de chapéus-de-sol aparafusados ao chão! Sento-me e peço um café ao empregado que sempre ali vi a servir! Ao longe, consigo imaginar o rio e a quietude dos fins de tarde à beira-rio sentado apenas sentir a brisa suave que sopra! Gosto de chegar à cidade em que o amor subsistiu à injustiça e pensar que aí o amor e a juventude serão sempre eternos!

6 comentários:

Tindergirl disse...

Lucky you :)

Em Bicos de Pés disse...

Eu devia ter lido o teu texto com um GPS na mão. :]

Anónimo disse...

Gosto muito deste caminho azul, desta mistura da geografia com o sentir. AnónimA

joaninha versus escaravelho disse...

Tu disseste: "Gosto de chegar à cidade em que o amor subsistiu..."???
Afinal estás mesmo doente???
ahahahhaah :P

AP disse...

:) Pelo menos é o que diz a lenda de Pedro e Inês...

joaninha versus escaravelho disse...

Sortuda a tua Inês. :)