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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

These proud streets

Num centro comercial hoje à hora de almoço:

Pai – António, Afonso, querem ir ao Mac? Hum? António, queres comer uns mcnuggets? Ou um hambúrguer?

Filho – (apontando para um folhado de salsicha na montra do café) Quero uma coisa daquelas...

Pai – Não. Porcarias não... (Terminando de beber o café.)

Filhos – Óooooooooooooooooooooooooooooo....

Pai - Então, vamos embora? Vamos ao Mac?

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Mickey Mouse and the Goodbye Man

- Sabes por que é que os restantes blindados que o governo Português comprou para a cimeira da nato ainda não chegaram?

- Porquê?

- Porque estão blindados.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Jingle Bells Jingle Bells

Ao mesmo tempo que na terra dos betos e capitalistas irá haver alguém a trabalhar para que nada os incomode ou disturbe:

"...A Câmara Municipal de Cascais, através da Empresa Municipal de Ambiente de Cascais (EMAC), vai promover novamente a «Operação Boas Festas», pela qual reforçará a recolha de resíduos na quadra natalícia..."

na Capital do País, onde o centro da cidade é populado por emigrantes, prédios a cair e pessoas maioritariamente idosas e pobres, os direitos às festividades por parte dos trabalhadores foi gentilmente assegurado:

"...A Câmara de Lisboa anunciou que não haverá recolha de lixo nos dias 24 e 25 de Dezembro, e 31 de Dezembro e 1 de Janeiro de 2011, devido às festividades de Natal e Ano Novo...".

Haiti: 45 pessoas linchadas desde o início da epidemia cólera

"...Pelo menos 45 pessoas foram linchadas no Haiti desde o início da epidemia de cólera, em meados de outubro, por grupos que as acusavam de fazer bruxaria para propagar a doença, informou o Ministério da Comunicação e da Cultura haitiano..."

É normal. Pois de acordo com o dicionário:

cólera
s. f.
1. Violenta irritação contra o que nos contraria.
2. Fig. Força, violência, fúria.
3. Indignação.

Ao menos não fecharam escolas...Viva o Natal e a evolução humana a que se chegou no Séc XXI!

São Tomé: Escola encerrada por suspeitas de feitiçaria

É normal. No tempo em que se podiam queimar bruxas nada disto teria acontecido! Só me admiro é como é que o Papa ainda não se lembrou de semelhante motivo para justificar todos os casos de pedófilia que têm vindo a público ultimamente...

Simão: «Creio que saio pela porta grande»

É normal. Todas as portas são grandes para os anões...

Natal com muito frio e alguma chuva no centro e sul do país

É normal. No parque Eduardo VII, por exemplo, todos os anos são anos de um very white Crhistmas...

Carro desgovernado invade quintal da casa de George Bush

É normal. Como é que, depois dos dois mandatos que tal senhor teve, alguém pode entrar governado onde quer que seja?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Beijai o Menino

Ainda a propósito do Pinto da Costa, e dos seus fervorosos adeptos, aqueles que consideram que não se deve falar publicamente sobre as escutas que estão e no YouTube e provam a corrupção desavergonhada que o senhor tem feito ao longo de 25 anos, porque as escutas são ilegais, sempre gostaria de saber se tais defensores da Lei têm alguma opinião formada, ou inclusivamente escrevem em jornais, ou outros meios de comunicação, sobre um dos assuntos do momento: as fugas de informação publicadas na Wikileak...Estou certo que nenhum desses adeptos, em nome da coerência que defendem acerrimamente, no que às escutas telefónicas concerne, o faz.

O Menino está Dormindo

O Pinto da Costa é a prova viva que o Deus que a Igreja Católica apregoa e defende não pode, de forma nenhuma, existir. De acordo a Igreja católica, Deus escreve direito por linhas tortas. Ora, se assim fosse, não seria possível alguém passar a vida inteira a fazer batota e continuar, ano após ano, a vangloriar-se dos seus feitos e a vencer...

sábado, 18 de dezembro de 2010

And the bells from the chapel go jingle-jangle

Este ano em vez de passar o Natal vou passar na tal

She's a star

-...Então, vai daí, perguntei-lhe se ela se importava que eu lhe fizesse o mesmo que ela me tinha feito a mim no momento em que e vi pela primeira vez. Ela, a sorrir, mas meio desconfiada, lá assentiu. Agarrei então a mão dela, e deixei-a no canto do bar. Só que acho que ela não percebeu, e foi-se embora poucos segundos depois...

- Claro! Quem não iria? Mas por que é que a deixaste no canto do bar afinal?

- Também tu? Então não se está mesmo a ver? Se no preciso momento em que a vi, ela me encantou, eu também a quis encantar...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Outono

- Lança-te a meus braços…

- Olha, ela disse para te lançares nos braços dela…

- Lança-te a meus braços, despudoradamente…

- Olha, ela disse para te lançares nos braços dela, despudoradamente…

- Pois que quem assim dá abraços…

- Ela está a dizer que quem assim dá abraços…

- Só merece quem lhos sente…

- Olha, agora disse que só merece quem lhos sente…

- Ouve lá ó Tó Zé, eu até posso ter ser parvo pá, mas não sou surdo…

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

VIVA A INJUSTIÇA SOCIAL #1

Ontem o Sr. Francisco Assis, aquele senhor que disse que se demitia caso a bancada do PS aprovasse a proposta de lei do PCP que faria com que fosse cobrado já este ano o imposto sobre os dividendos das empresas, criticou o governo dos Açores por causa da falta de solidariedade do mesmo em relação à medida que visa o corte dos salários dos funcionários públicos que o governo de Portugal aprovou há uns dias atrás com a conivência do PSD.
Portanto, para o Sr. Assis, a falta de solidariedade tem dois pesos e duas medidas, tal como, usualmente, as propostas do governo de Portugal têm. Só assim se explica que ele não considere uma falta de solidariedade o facto de as empresas poderem executar já este ano o dividendo relativo a 2010 para fugir à cobrança de impostos que entra em vigor em Janeiro de 2011, porque está previsto na lei e nem o governo nem o Sr. Assis (mais uma vez com a conivência do PSD) quiseram alterar a lei, fazendo com que empresas que têm milhões e milhões de lucro, o dividam entre meia dúzia de accionistas, mas, no entanto, o mesmo Sr. Assis, e o governo de Portugal, já consideram uma falta de solidariedade o governo dos Açores abrir uma excepção (coisa que também está prevista na lei) a fim de colmatar os cortes salariais de alguns funcionários públicos dos Açores!
Conclui-se, desta forma, que para o Sr. Assis e para o Governo de Portugal, mais uma vez, é preferível retirar meia dúzia de tostões a alguns funcionários públicos dos Açores, para que se possa mais rapidamente ultrapassar a crise económica que o País atravessa, mas que os milhões que o governo poderia arrecadar com a cobrança de impostos relativos aos dividendos das empresas, ao alterar uma lei, já seria estar a deturpar as leis que regem uma economia de mercado onde o nosso estado, e a união Europeia(Qual união já agora?!), se inserem e (Sobre)vivem...

Mansard roof

- Sabes que a regra das trocas de campo a meio dos jogos, foi instituída com base no conhecimento da vida que vamos adquirindo! Os antigos depressa descobriram que um dia é da caça, outro dia é do caçador! Por isso, quando inventaram os jogos com duas partes, decidiram que ao intervalo as equipas trocam de campo para que seja eternamente passada a mensagem que um dia somos nós a fazer, no outro dia é alguém que nos faz a nós! Sabes que às vezes sabemos como fazer, outras, fazemos sem saber como, mas fazemos sempre! Só que, raramente, sabemos aguentar ou lidar bem quando nos estão a fazer a mesma coisa a nós! Exactamente a mesma coisa! Não é giro isto?! Quando é a nós parece sempre tão mais cruel… …

- Estás a falar a sério sobre isso da mudança de campo? É que eu estava convencido que aquela coisa de uma equipa escolher o campo a outra a bola é que definia a existência de um intervalo! Pensava que com isso cada equipa no fim do jogo tinha tido as mesmas hipóteses, e que a troca de campo se enquadrava na igualdade de oportunidades também!

- Isso foi uma coisa que inventaram para ficar politicamente correcto! A humanidade é vingativa! A humanidade é parva e gosta de fazer aos outros mas não gosta que lhe façam a si! Não gosta de aprender, tem sempre de ser à bruta! Pensa bem, quem é que inventou os jogos? Pois fomos nós os humanos, claro! Achas mesmo que isso que estás a dizer está certo? Ainda tens muito que aprender meu rapaz, tens de aprender a ler nas entrelinhas… …

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Fast Jabroni

Felizmente, as pessoas são infelizes a maior parte do tempo em que existem.

Catholic Pagans

Embora seja uma evidência que passa despercebida, é inevitável perder tamanho e sentirmo-nos cada vez mais pequenos à medida que vamos crescendo.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Fisherman blues

- Hoje estava muito bem a trabalhar, de repente fiquei sem rede!

- E então? Como é que te desenrascaste depois?

- Oh! O que é que eu podia fazer mais? Atraquei o barco e fui para casa ver a net...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

VIVA A INJUSTIÇA SOCIAL

"A filha do casal de actores Tom Cruise e Katie Holmes, Suri, de 4 anos, ganhou o seu primeiro cartão de crédito. As informações são da revista Grazia."

ao mesmo tempo:

"A bancada do PS decidiu hoje votar contra a proposta do PCP que visa tributar em 2010 a distribuição de dividendos, disse aos jornalistas um deputado do PS à saída da reunião do grupo parlamentar..."

Promised land

Nunca ninguém se aleija no deserto do Saara.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A-Punk

Quando tudo, de repente, que julgas importante
Não passa, tão-somente, de algo irrelevante
Ficas embasbacado, apenas a olhar
Ages como um coitado, e reclamas ter azar
Mas se tudo, de repente, se altera outra vez
Tu passas, alegremente, a agir com rapidez
Projectas, idealizas, planeias incessantemente
Congeminas um futuro, menosprezando o presente

Por que é que tu me julgas, sempre sob os teus padrões
Como é que tu me culpas, se não conheces as razões
Se não pensas como eu penso, é uma coisa natural
Não penses é que o teu intento, é para todos em geral
Se eu menosprezo o presente, como é que tu vives então?
Para mim tu és banal, não tens pingo de emoção
Racionalizas tudo e todos, e achas sempre que tens razão
Se só os outros é que são tolos, não passas de um charlatão

sábado, 27 de novembro de 2010

Banda Sonora

Sábado, 27 de Novembro de 1993. Há precisamente 17 anos, os James iam tocar no pavilhão do Restelo com Radiohead na primeira parte. Era a segunda vez que os James cá vinham e a primeira vez dos Radiohead! Uns porque não tinham dinheiro, outros porque iam passar o fim-de-semana fora, outros porque não gostavam ou não conheciam, no dia do concerto, apercebi-me que pela primeira vez, desde que tinha começado a ir a concertos com alguma frequência, ia a um concerto sozinho. Momentos marcantes dessa noite foram o espanto do Thom York a olhar para o público a cantar uma música do primeiro álbum deles chamada Creep, a entrada dos James em palco com a música Heavens, a música Johnny Yen (Ladies and gentlemen, here's my disease) a meio do concerto, Honest Joe :) , Out to get you (Here they come again ) a abrir o encore, Five-o (If it lasts forever, hope I'm the first to die Hope I'm the first to die)... Foi o concerto da minha vida! A música tem sido, desde que me lembro, parte muito importante da minha vida. Desde esse dia até hoje, o meu gosto musical alterou-se bastante. Tento sempre procurar novas músicas, novos sons, novas coisas que me despertem a atenção. Passo grande parte do dia a ouvir musica, vou a 2, 3 concertos por semana, já assisti a não sei a quantos concertos, já tive sensações indescritíveis em concertos, etc. Não sei quantificar o significado que cada um desses concertos teve para mim, uns melhores, outros piores, uns maus, é muito importante assistir a maus concertos, outros excelentes. Mas este concerto dos James, não sei porquê, provavelmente por ter sido o primeiro a ir sozinho, não sei, o que sei é que este concerto representa o fim de uma etapa da minha vida e o consequente início de outra. A minha vida nunca mais foi a mesma depois desse concerto e eu só me apercebi disso, exactamente hoje de manhã, assim que acordei. No dia a seguir ao concerto, logo às 7 da manhã, ia viajar para o paraíso. Tinha que me levantar às 6 depois de me ter deitado às 3 e tal, mas não fazia mal. Antes de me deitar, ainda anotei num papel o alinhamento do concerto. 5 anos mais tarde, por acaso, conheci um gajo que tinha gravado o concerto e ele vendeu-me uma cópia em cassete. É a gravação com o pior som do mundo, mas deu ainda para ouvir e recordar o concerto.
Hoje, acordei, depois de ter olhado para o dia através da janela, não sei porquê, recordei-me de imediato do dia do concerto, 27 de Novembro de 1993! Faz hoje 17 anos! Raramente me recordo do que sonho. Apesar de não me conseguir lembrar nem enquadrar mais nada, lembro-me perfeitamente de ter sonhado durante a noite com guarda-chuvas pretos, fechados, daqueles bastante pequenos e que se desfazem com uma rabanada de vento. Provavelmente dou mais significado às coisas do que elas propriamente têm...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Acrobat

- Já viste? De hoje a um mês é Natal...

- De hoje a um mês? Porquê? Então mas o Natal não é quando um homem quiser?

The fly

- O que é que te deu pá? Costumavas entrar sempre às nove, nove pouco, e agora, há umas duas semanas, entras sempre às dez, dez e pouco porquê?

- Porque deixei de fumar. Nunca consegui estar oito horas dentro de um escritório...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Red moon

De uma maneira geral, as pessoas quando dizem, acerca de um determinado assunto ou pessoa, que esse assunto ou pessoa já não lhes interessa, que já não lhes incomoda, é porque estão, ou ainda estão, fodidas da vida com isso. Aquilo que eu ainda não consegui perceber é se é a isso que se pode denominar de dor de corno...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

600

- Sabes, acho que era gajo para poder apaixonar-me por ti...

- Por que é que dizes isso, estás a ver-me e a falar comigo pela primeira vez! Não me conheces...

- Exactamente por isso. Se eu já te conhecer, provavelmente já não sou capaz de me apaixonar por ti.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Por isso eu tomo ócio, eu tomo ócio, é o remédio... #1

A maior parte das vezes dizes-me que te ris para não chorar, sob a desculpa esfarrapada de que as gajas, ao contrário dos gajos, preferem sofrer com um sorriso nos lábios do que sofrer tristemente, ou então mandar à fava tudo e todos à volta enquanto o ressentimento não passa. Outras vezes dizes que só se for para rir é que aquilo que te disse faz sentido. Todavia, em momento algum te ris quando dizes isso. Em algumas ocasiões dizes-me, e passo a citar, não me faças rir a uma hora destas. Em todas as vezes que me fizeste tal pedido, efectivamente nem sequer um sorriso esboçaste. No entanto fingiste ficar surpreendida e perguntaste-me sobre o que é que eu estava a falar quando te perguntei qual a hora ideal para te fazer sorrir! Depois de te ter explicado o motivo da minha pergunta, surpreendentemente, respondeste-me que não se planeia um sorriso, que o mesmo ou é espontâneo ou então não é um sorriso genuíno...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Postcards from tiny islands

Olhó o Chôr! Como é está o Chôr?

- Bem obrigado…

- Então e o que é que vai hoje? Olhe, temos ali, acabadinhas de chegar, bem fresquinhas, umas esperanças, UI, nem lhe digo nada. São daqui…

- Não, hoje não preciso, eu ainda tenho, obrigado.

- Uma gananciazita, uma ambição? Não? A gente já sabe que faz mal, não é, mas sabe tão bem às vezes…Olhe, perdoa o mal que faz para o bem que sabe, não é verdade?

- Não, obrigado Sr. André, eu é muito raro usar. Para hoje queria só meia dúzia de novas oportunidades se fizer favor.

- Meia dúzia? Só? Olhe que a dúzia é mais barata. Pode pagar mais agora, mas fica-lhe mais em conta…

- Não, meia dúzia chega, obrigado.

- Então e que mais?

- É tudo Sr. André, obrigado

- É tudo então?

- É sim…

- Muito bem, aqui está o talãozinho. Pode pagar ali na entrada, já sabe como é não é…Olhe, Chôr, permita-me só um conselho, e nem é porque eu não vendo disso aqui, mas tenha cuidado com a subserviência, isso só faz é mal e uma pessoa nem se dá conta.

- Está bem Sr. André, obrigado. Até amanhã Sr. André.

- Até amanhã, Chôr…

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Banda Sonora

Há precisamente 19 anos (faz 19 anos dia 19 de Novembro!) saía o Achtung Baby, e esta foi a música que serviu de desculpa, ou motivo, para meter conversa com a Susana, da minha turma, por quem estava mesmo apaixonado desde que tinha começado o ano lectivo.
Muito certa está a frase inicial do vídeo...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

We've been had

No passado, vivia no presente sem querer saber ou importar-me sequer com o futuro. No presente, que já foi futuro, vivo com esperança que o passado seja presente antes que o futuro se transforme em passado.

Thinking of a dream I had

Hoje em dia compra-se tudo feito, até por catalogo na net, para nem sequer ser necessário sair de casa. Se está tudo a um click de distância, porquê então estar a ter o trabalho de fazer amor?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sprawl II

Contrariamente aquilo que se poderia pensar, as cerzideiras são muito mais picantes do que as costureiras...

We used to Wait #1

Antigamente cortejava-se. Hoje em dia esquarteja-se...

Modern man

Sempre que não me apetece ir trabalhar passo pelos restauradores, e depois ligo para o trabalho a dizer que me dói alguma coisa.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

The very first time I touched your skin I thought of a story And rushed to reach the end Too soon

- Não devias dizer que à rapariga com quem dizes ter intenção de namorar que ela tem olhos de BZU, ou olhos de peixe! Para além de ela provavelmente não gostar muito disso, não fica bem percebes...

- Não sei porquê! Assim ela fica a saber que gosto dela mesmo com os defeitos que tem...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

The Sad Punk

"Portugal vai repor controlo nas fronteiras entre os dias 16 e 20..."

Tomem terroristas que vêm para a cimeira de Lisboa de carro, mota ou bicicleta, tomem! Agora ou gastam mais dinheiro na pensão e vêm dia 15, ou então vão ser apanhados.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Debaser

Assim que fechou a porta de casa, receosamente, para não dar aos vizinhos uma justificação de dizerem, mais uma vez, mal dela, atirou, um para cada lado, desinteressadamente e pelo corredor fora, os sapatos de salto alto que tinha comprado há uns dias atrás numa loja fina da baixa. Limpou, com todo o cuidado, os restos de folhas partidas, pequenos grãos de areia e pó, que estavam no fundo, da parte de fora, da mala preta Louis qualquer coisa, e deixou-se escorregar pela porta abaixo, prostrada num pranto, fazendo até, numa das saliências do fino ferro da fechadura que atravessa a porta da rua longitudinalmente, um pequeno rasgo no vestido azul de malha que envergava nesse dia. Fazer-se de ébria, e esporadicamente de maluca, era a única maneira que tinha conseguido arranjar para conseguir fazer-se notar, de alguma forma, aos demais transeuntes que por ela passavam na rua. Naquele dia, a consciência de tal comportamento, inexplicavelmente para si, fê-la, pela primeira vez desde que se tinha até sentido orgulhosa da primeira ocasião em que tinha conseguido chamar a atenção de dois homens que passeavam pacatamente pela praça solarenga naquele Domingo, ter pena de si mesmo. Esteve uns minutos a chorar compulsivamente, até que de repente se levantou. À medida que se ia despindo e deixando a roupa espalhada pela casa, ao mesmo tempo que encetava uma pequena viagem, primeiro à cozinha, e depois à sala, dirigiu-se para a casa de banho. Aí, já nua, abriu a torneira da banheira e deixou a mesma encher quase até acima. Mergulhou suavemente no monte de bolhas que os sais e produtos naturais de beleza tinham provocado na agua, e recostou-se confortavelmente, deixando o calor da agua aquecida e o quente da alma em chamas, liquefazer-se e evaporar-se lentamente, enquanto o liquido da garrafa de whiskey de malte 20 anos, esquecida lá em casa no fogo de uma discussão por um dos inúmeros desgostos amorosos, desaparecia no horizonte. Finalmente tenho o proveito, da fama que granjeei. Nunca na vida, eu me embebedei! Balbuciava, enquanto caía para a frente sem qualquer força para se conseguir voltar a erguer.

Bone Machine

A grande vantagem de a dívida pública ter chegado aos 7%, e com tendência para aumentar, é que agora toda a gente, desde os mais promíscuos aos mais solitários, está tudo fodido...

Cactus

Juros da dívida pública chegaram aos 7%... É giro porque FMI é um anagrama de FIM...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Remember my name

- Tobias?

- Euclides. Tobias?

- Eugénio.

Hung

Um homem apenas toma decisões com cabeça, tronco e membros quando consegue esvaziar as glândulas endócrinas escrotais, uma, duas, vezes por semana...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A seta

Muito gosta o Amilcar Alfaiate de cortar na casaca...

Pets de loup

Hoje, depois de verificar que tinha acendido uma luz amarela estranha no painel do carro, parei na Precision e não me souberam dizer ao certo o que o carro tem.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Quejando

Nascido no meio mato
Sem qualquer tipo de aparato
Resultado sem desiderato
Fruto da falta de olfacto
Para mal dos seus pecados
Os seus bocados bem passados
Eram tão-somente gozados
Quando incautos isolados
No meio do mato passeavam
E um ou outro calhau levantavam
Convictos que com isso impressionavam
As mulheres que os acompanhavam
Saía então de rompante
Debaixo do inesperado levante
Com um grito lancinante
Um ser disforme e aberrante
Que para além de ser zarolho
Era igualmente trambolho
Semblante similar a um repolho
E o pensamento fixo no entrefolho
Sem nenhum dó nem piedade
Desferia com uniformidade
Um golpe de grande profundidade
Deixando apenas uma cavidade
No lugar onde vivia o coração
Daquele que não teve noção
Que aquela que fora a sua ambição
Era agora a sua perdição
Com o pensamento fixo a comandar
Um esgar de prazer invadia o seu olhar
Apesar da sua dificuldade em andar
Os berros da mulher faziam-se ecoar
Ao mesmo tempo que tentava fugir
Horrorizada com aquele grunhir
Ele coxeando atrás de si a sorrir
Urrava “Não me vais escapulir”
Então no auge do seu prazer
Enquanto a via à sua frente a correr
Com sangue nas mãos a escorrer
Pensava “O que é que eu estou a fazer?”
Eu não sei o que fazer com uma mulher...
Nascido no meio mato
Sem qualquer tipo de aparato
Resultado sem desiderato
Fruto da falta de olfacto
Para mal dos seus pecados
Os seus bocados bem passados
Eram tão-somente gozados
Quando incautos isolados
No meio do mato passeavam
E um ou outro calhau levantavam
Convictos que com isso impressionavam
As mulheres que os acompanhavam...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sonic Yuppie

Ainda não percebi se tenho saudades do tempo em que as coisas eram simples e eu é que entretanto fui complicando, ou se tenho saudades do tempo em que era tudo complicado e eu é que conseguia simplificar tudo.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Kiss me, oh kiss me

- Afinal, não é à toa que a Al-Qaida não quer saber de Portugal para nada...

- Por que é que dizes isso?

- Porque eles reputam, de certeza, os Políticos Portugueses de irmãos. Não estou a ver nenhum povo que goste mais de regatear tudo e mais alguma coisa, e esta coisa da porcaria orçamento de estado acho que já nem um árabe teria pachorra para tal...Mais que não seja por piedade, mas tão depressa não devemos sofrer outro ataque terrorista como o que temos sofrido nos últimos tempos...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Banda Sonora

Agora já consigo ver-me. Estou ali, debaixo daquele enorme candeeiro apagado, que quase ocupa completamente o tecto do edifício A sala está repleta de fumo, de pessoas absortas, cinzenta, e a música inunda-me todos os sentidos. Estou parado, de olhos fechados, e no preciso momento em que me consigo descobrir no meio da multidão, não consigo sentir mais nada para além daquele violino, da bateria, do baixo e da voz grave que despeja palavras roucas em todos os sentidos. Ao meu lado, comigo, de mão dada, está ela. Consigo agora, também, vê-la, olhar para ela, ali, mesmo ao meu lado, a abanar negativamente a cabeça, desiludida, enquanto olha para mim, ao mesmo tempo que a musica, a mesma musica que me preenche naquele preciso momento, passa por ela, sem que consiga dar-se conta da maravilhosa sensação que é deixarmo-nos levar pela musica, pela emoção, pela excitação que provoca deixarmo-nos levar. No momento em que olho para ela, só me apetece agarra-la, beijar-lhe a boca, o pescoço, as orelhas, afagar-lhe o cabelo, acariciar-lhe os seios tal como fazia quando nos estávamos a descobrir mutuamente. Era capaz de estar horas e horas seguidas apenas a beijar-lhe os seios, enquanto sentia o pulsar cadente do seu coração e da sua carne tenra envolvida na mais suave e alva pele, ao mesmo tempo que sentia a sua respiração, cada vez mais rápida, a passar sobre mim. No entanto, ali está ela, quase parada, ao meu lado. A sua mão suada, apesar de agarrada à minha, quase não tem vida. Consigo agora, só agora, aperceber-me do quão triste, infeliz, estava ela, ali, ao meu lado, enquanto eu, tão feliz, estava ao seu lado também. Ela olha para mim, desenha com os lábios a palavra Amo-te, e volta a cabeça na direcção do palco. Não diz mais nada. Apenas olha novamente para mim e fica quieta, só, à espera apenas que a música termine e que todas aquelas pessoas se vão embora, que a sala fique vazia, e que tudo acabe o mais depressa possível...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

In the cold light of the morning

- Boa! Conseguiste roubar o lugar a uma velha que estava a olhar para o mesmo bacano que tu, à espera que ele se levantasse, para se poder sentar. É verdadeiramente impressionante teres conseguido ser mais rápida do que uma velha...

- OH! Não digas isso que me fazes sentir culpada...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

I Started A Joke

- Sabes o que é que eu curto à brava fazer quando estou dentro de um elevador, rodeado de pessoas que não conheço de lado nenhum?

- Não. O que é?

- Ficar a olhar para o tecto, ou para os pés das pessoas, só para as atrofiar. O curioso é que nove em cada dez pessoas, quando olho para os pés delas, acabam por mexer, ou o pé todo, ou pelo menos um dedo ou dois!

- E quando olhas para o tecto? O que é que acontece?

- Quase sempre não acontece nada. Às vezes, uma ou outra pessoa olha para mim, e ainda mais esporadicamente, há uma que solta um pequeno sorriso amarelo.

- Então por que é que achas que atrofias as pessoas, e não achas que as pessoas pensam que tu é que és atrofiado?

- AH?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

The passenger

A passagem era extremamente estreita, muito escura, húmida, e estava coberta de pó. Havia musgo e ervas daninhas espalhados pelo chão e nas paredes. Notava-se perfeitamente que há anos que ninguém passava ali. Apesar de ser uma passagem, apenas e somente uma passagem, um caminho que permite chegar ao outro lado, a ânsia e a expectativa com que nos dirigimos para a passagem fez com que tivéssemos sentido calafrios assim que a avistamos ao longe. Confesso que já me começavam a faltar as forças quando avistamos a passagem. Não sei muito bem como é que os outros se sentiam, mas ao mesmo tempo que senti aquele arrepio nas costas e o corpo a tremer de excitação, as forças que eu estava a poucas horas de perder totalmente, automaticamente auto regeneraram tal como se estivesse a interpretar uma personagem de um jogo qualquer. Não foi preciso dizer nada. Assim que nos apercebemos que estava mesmo ali, a passagem que há praticamente 36 anos andávamos à procura, olhamos uns para os outros e sorrimos. Acho que foi mesmo a primeira vez que olhamos uns para os outros com olhos de ver, não com olhos de quem olha apenas para confirmar que os outros continuavam ali e que a viagem continuava a decorrer com todos os que a tinham iniciado. Foi nesse olhar, que não deve ter durado mais do que três segundos, que nos pudemos aperceber das diferenças que a viagem até ali nos tinha causado. Há marcas e rugas nas nossas caras e corpos, causadas pelo sol e pelo vento que bateu tantas vezes na nossa cara enquanto subíamos e descíamos. Uns estão mais gordos, outros mais magros, alguns perderam cabelo, outros têm barba, outros ainda têm o cabelo mais comprido. A forma de falar e sorrir é praticamente a mesma, mas aquilo que se diz já é diferente, já é dito de uma outra forma. Provavelmente o silêncio a que praticamente nos impusemos durante a viagem fez com que nos tenhamos esquecido da forma que falávamos quando iniciamos a viagem e agora, apesar de já ninguém se lembrar de como era antes, nota-se bem que há diferenças. Uma vez que já ninguém se lembrava de como é que éramos realmente quando começamos a viagem, não se conseguiram estabelecer comparações e foi inevitável rir quando nos apercebemos de tudo isto. De repente, as diferenças que nos tínhamos agora apercebido, tornaram-se irreversíveis, a partir daquele momento não éramos mais as mesmas pessoas que tinham iniciado a viagem juntas. Naqueles três segundos, que pareceram durar vinte anos, conseguimos resumir uma viagem de 35 anos que pareceram 1000! Olhámos para a passagem, olhamos mais uma vez uns para os outros, vi olhos que transpareciam ora amargura ou desilusão, ora alegria ou experiência. Todos demonstraram, no entanto, determinação, coragem, e principalmente regozijo por estarmos todos ali. Não foi preciso, mais uma vez, dizer nada. Irrompemos pela passagem adentro e seguimos nova viagem com a consciência renovada.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Squalor victoria

Estou marcado. Fui marcado.
Sou mais uma vítima mortal de todos os olhares, discretos ou indiscretos.
Olhares errantes que tornam evidente a certeza, já de si infalível no seu âmago.
Desejos secretos, volúpia, exercem o seu domínio constante.
Manipulam, manobram, deslocam-se irreflectidamente
Num movimento consignado e preciso
Na busca do objectivo, previamente, mas inadvertidamente calculado
Jungem, o que à partida, já está julgado

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

House of love

A casa. A casa foi aquela que os dois tinham escolhido quando sem querer começaram a ver casas para comprar. Apesar dos azulejos no corredor, tinham estabelecido uma empatia com o casal que lá morava e por uma razão qualquer, aquela ficou a casa.
A casa. A casa começou por ser um plano, um projecto para o futuro. Contra a natureza dele em fazer planos, contra a natureza dela em tomar decisões, foi ali, naquela casa, que ele planejou o futuro e que ela tomou a sua decisão.
Um plano não é um sonho. Decisões não se tomam sobre pressão. A casa. Aquela casa demonstrou-lhes isso. Ficou sem brilho, envelheceu.
A casa. A casa resiste, procura agora preencher os sonhos e as decisões dos novos moradores. A casa.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

It never happened

"Vaticano diz que Homer Simpson é católico" in Capacitor

Por acaso sempre achei o Papa bastante parecido com o Mr. Burns...

Patterns of fairytales

"Fim do universo pode acontecer daqui há 3,7 bilhões de anos" in SRZD

Eu digo que não é daqui a 3,7 bilhões de anos, mas sim 3,6 bilhões de anos. Mas na altura logo se verá. Uma dúvida no entanto. Bilhões são bilhas muito grandes, ou apenas lhões que são bi?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

I can say I hope it will be worth what I give up

Tem dias que me aborrece, sinceramente, não ter tempo para fazer tudo o que gostava de fazer nesse dia. Tem outros que isso nem sequer me importa, porque nunca há nada que eu queira mesmo fazer num determinado dia que não ache que posso perfeitamente fazer num outro dia qualquer, que não o dia em que penso nisso. A não ser que que esse dia já tenha passado. Caso tal tenha acontecido, fico apoquentado por não ter feito o que gostava fazer. Isto, claro, caso soubesse previamente o que queria fazer. Deve ser por isso que gosto de planear coisas abstractas para fazer concretamente num dia ao calhas. Só que todas as vezes que esses dias chegam, nunca me lembro em concreto daquilo que já tinha planeado antecipadamente a contar com dias assim!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sim, eu sei...

- Porra pá! Hoje é que me lembrei que já estamos em Outubro! Passou mais uma vez um ano e não consegui conhecer ninguém em Setembro...

- E então, qual é que é o problema disso?

- Tenho o sonho, ou o objectivo se quiseres, desde puto de conhecer uma gaja em Setembro e a nossa musica ficar aquela do Vitor Espadinha. Já reparaste bem na pinta que é poder cantar para ela: "Foi em Setembro que te conheci..."

- Pronto, é um sonho como outro qualquer. Não te esqueças é que, para além da gaja depois ter bazado em Novembro, é triste viver de ilusões...

- Oh! Isso é porque eles, os que dizem isso, não sabem que o sonho é uma constante da vida, tão concreta e definida, como outra coisa qualquer...

- Meu! Por isso é que tu não coheces gajas! Isso já é Manuel Freire, outra decada, outra cena...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Banda Sonora

Ao tempo que o Zé me anda a dizer que eu tenho de arranjar uma frase. Eu nunca lhe ligo nenhuma, acho que ter uma frase é estúpido...ou melhor, não é estúpido, tira é a espontaneidade toda à coisa. Além disso, como é que uma mesma frase se aplica a todas as pessoas, se as pessoas são todas diferentes? Bom, cada vez que eu digo isto ao Zé, ele responde-me sempre com a frase "todos diferentes, todos iguais". Ao que eu lhe respondo sempre com um: Yá, yá, é isso mesmo... Provavelmente é um trauma que tenho, não sei... ...Rais’partam o Marocas! A culpa de eu ser assim é toda dele, tenho a certeza absoluta. O cabrão fez-me duas cenas que nunca mais me hei-de esquecer. A primeira foi com a chinesa. Ela era bonita para caraças! Ainda deve ser, não sei, não a vejo há anos. Mas quando andávamos na secundária, a chinesa era sem dúvida nenhuma a miúda mais gira da escola! O que é um totó como eu fazia quando via a chinesa? Olhava feito parvo, como é óbvio, embevecido, com o sol a reflectir no cabelo preto que ela usava sempre solto. Ainda por cima eu morava mesmo ao pé do liceu, portanto a quantidade de vezes que eu devo ter ficado especado a olhar para ela deve ter ultrapassado, sem qualquer tipo de dúvida, todos os limites do razoável. Cada vez que ela passava, matematicamente ali ficava eu, embevecido apenas, a olhar. Nunca, mas mesmo nunca, me ocorreu nada para lhe dizer em todas as vezes que ela passou por mim. Não me passava pela cabeça que ela me visse sequer! Como tal, eu olhava para ela, apenas porque ela era tão bonita, divertida e simpática, sem me ocorrer qualquer pensamento pecaminoso nem nada... Pura e simplesmente ficava a olhar para a chinesa enquanto ela passava a sorrir ao mesmo tempo que falava com as amigas, estando eu ali, acompanhado por um enorme balão de vazio sob a minha cabeça. Ora o que é que um dia a chinesa, que é uns dois, três, anos mais velha do que eu, se lembrou de fazer quando eu estava mais uma vez a olhar para ela, após ter gesticulado com a cabeça para elas passarem, a fim de lhes dar prioridade de passagem na rua estreitinha, apelidada de “O atalho”, e que desembocava praticamente na escola, mesmo atrás do prédio onde eu morava? Isso mesmo. Olhou para mim, sorriu e disse-me: És tão giro! Como é que te chamas? Corei. Alias, todo o sangue que tinha foi de certeza parar à minha cara. No preciso momento em que lhe disse, a gaguejar, que o meu nome é Pedro, e o teu? Passou o Marocas! Eu ainda estava surpreendido por ter conseguido articular uma frase completa quando o oiço dizer o seguinte:

- Foda-se chinesa, andas a desmamar putos agora é? E tu Pedro, deixa estar que eu vou dizer ao teu Pai o que é que tu andas a fazer, estás fodido vais ver...

Soube, mais tarde, que o imbecil do Marocas (nome mais beto não deve existir!) tinha, tal como todos os gajos da escola alias, uma paixão por ela, e aquela foi a reacção dele quando a ouviu dizer-me aquilo. Eu nem o tinha visto atrás delas quando lhes dei passagem! Apesar de eles serem os dois na mesma turma, nunca namoraram. (Bem feito!).
Claro que naquela altura o “status” e o modus vivendi de um estudante do secundário era a coisa mais importante do mundo. (Ainda bem que só aprendi a dizer modus vivendi muito mais tarde, a porrada que por certo teria levado se tivesse a audácia de mencionar tal coisa naquela altura!) Como tal, baldar às aulas, andar à chuva e ir para as aulas com o cabelo molhado, ser mau aluno e ser expulso das aulas, e principalmente andar com gajas (no caso dos gajos, ou gajos no caso das gajas), mais velhas era tão-somente o supra-sumo do altamente estiloso, ou, como se dizia na altura, impec! Resultado? Nunca mais a chinesa falou comigo depois desse pequeno episódio. Como se de uma transferência de sangue se tivesse tratado, depois do Marocas ter proferido tal ignomínia, a cara dela ficou vermelha, e parece que ainda a estou a ver a correr pela rua abaixo sem ter dito mais nada.
Não estava escrito na estrelas, é o que eu digo para mim mesmo ainda hoje em dia...Se ela realmente tivesse algum interesse em mim não teria desatado a correr daquela maneira...Por outro lado, o que ainda hoje em dia também me atormenta, é que ela é que se meteu comigo em primeiro lugar, tendo, se calhar, depois daquele episódio ficado à espera que fosse a minha vez de lhe dizer alguma coisa...Nunca irei saber...O que sei é que continuo, invariavelmente, acompanhado pelo meu velho amigo enorme balão de vazio cada vez que troco um olhar mais prolongado com uma moça que me cativa a atenção. Não sei, se calhar o Zé tem mesmo razão! Arranjar uma frase, neutra vá, é capaz de ser a melhor forma de ultrapassar o momento em que apenas ficar a olhar já começa a ser embaraçoso e urge dizer qualquer coisa...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tell her I said so

- Eu cá queria uma gaja assim daquelas que falassem, falassem, falassem. Mas que falassem sempre com alegria, com entusiasmo sobre tudo aquilo que estavam a dizer e a pensar. Daquelas que acordam e se sentam na cama estremunhadas, que esfregam os olhos e começam logo a falar sobre o dia que vão ter, sobre o que querem fazer e quais os planos para essa noite, e que encarem isso tudo com uma alegria descomunal...

- Em suma, querias uma gaja apaixonada pela vida, exactamente o contrário daquilo que tu és...

- Diz que os opostos se atraem, não diz?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Got the shakes #1

O meu novo objectivo de vida é tornar-me numa pessoa que escreva Kero e kem, que diga lolada em vez de rir, e que diga Bigada, com a boca semi aberta do lado direito da cara, como forma de agradecimento. Parecem-me sempre tão felizes essas pessoas...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Just Like Fred Astaire

Olha! Ali vem ela outra vez. Desde que trabalho aqui, nem sei bem há quanto tempo, geralmente perco a noção do tempo que passa nos sítios onde trabalho, vejo-a ali em baixo, sozinha, a fumar um cigarro. É matemático! Às duas e meia da tarde, e às cinco, lá vem ela. Encosta-se à parede junto à janela, e ali fica a fumar. Por vezes, vem nitidamente a ouvir uma música qualquer que está a tocar na sua cabeça. Consigo perceber a sua ligeira dança, o seu ligeiro balançar de corpo. Mexe no cabelo durante alguns instantes, e depois sorri, como se de repente se tivesse apercebido que está sozinha, no átrio do local de trabalho, a dançar. A maior parte das vezes fica só a contemplar alguma coisa, a paisagem, alguém que passa, o fumo que lentamente vai expelindo, só, embrenhada nos seus pensamentos. Enquanto estou a olhar para ela, revejo-me em todos os seus movimentos. Chego mesmo a pensar que ela, no preciso momento em que estou a pensar nisto, está a pensar exactamente no mesmo. Como se fossemos o espelho um do outro, em lados opostos de um edifício, comunicando apenas através da sintonia de pensamentos e com movimentos corporais, ora simétricos, ora paralelos. Por vezes, sinto que a conheço profundamente. Sinto que bastava chegar ao pé dela, como quem partilhou a vida inteira através de um só olhar, e perguntar-lhe no que é que acredita. Nunca consegui perceber se ela alguma vez me viu, ou vê, também a fumar, sempre que ela ali está, do outro lado edifício. Será que ela também se questiona sobre o que estarei a pensar? Será que ela pensa que devo ser maníaco, parvo, ou simplesmente desocupado, por eu estar aqui a fumar, sozinho, sempre que vem fumar um cigarro às duas e meia e às cinco da tarde? Será que, como eu, ela vem fumar mais vezes por dia, algumas na esperança de eu lá estar a fumar?! Ou será que ela só fuma dois cigarros por dia, precisamente, e por um motivo qualquer, às duas e meias e às cinco?! Tem dias, principalmente se estiver a chover e pequenas gotas de chuva estiverem a escorrer lentamente pela janela abaixo enquanto o vento abana as oliveiras lá fora e o céu cinzento-escuro a alterar-se constantemente devido ao rápido movimento das nuvens, que acho que tudo não passa de um teledisco de uma musica qualquer do Peter Cetera. Tem outros, que tenho pena de não saber linguagem gestual para poder comunicar com ela à distância. Tenho quase a certeza que ela sabe linguagem gestual. É tão fácil, ter uma vida totalmente repleta, em oito minutos, e depois voltar para o trabalho.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Tenho um furo na cabeça.

Descobri que consigo olhar, tal como o camaleão, com um olho para cada lado! Consigo pôr o olho esquerdo, o lado do coração, a olhar para o passado, e o olho direito a olhar para o futuro. O problema é que como o lado direito do cérebro não é o lado dominante, de vez em quando caí-me um olho, ficando apenas um buraco e imagens do passado a passar na minha cabeça...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Banda Sonora

Quando era puto queria tanto crescer. Eu era daqueles putos (e atenção, só digo que era daqueles putos porque continuo a ter a ténue esperança de terem existido, e ainda existirem, putos que foram, ou são, com eu fui) que preferia estar perto de um conjunto de adultos, a ouvir as suas conversas, até mesmo tentar fazer parte dessas conversas, e ao pé deles permanecia horas e horas, fascinado com o mundo dos adultos. Provavelmente devido a tal fascínio pelo mundo dos grandes, lembro-me de ser altamente responsável quando era apenas um imberbe petiz. Por exemplo, nunca corri pela estrada fora atrás de uma bola, pensava logo no ditado atrás da bola vai sempre uma criança. Nunca subi a uma árvore sem me certificar que não iria cair ou partir inadvertidamente um ramo. Nunca entrei pelo mar adentro à maluca, considerava sempre a possibilidade de me poder afogar. Nunca me passou pela cabeça correr descalço pelo campo fora porque me podia aleijar num pé, ou até mesmo cortar-me! No entanto, como todos os putos (penso eu!), tive uma paixão assolapada, logo na primeira classe, pela Patrícia. Ela, tal como eu, era pequena, tinha o cabelo comprido, ostentando sempre duas tranças, usava regularmente vestidos compridos, e tinha o sorriso mais bonito do mundo. Inexplicavelmente, cada vez que estava ao pé dela, dava-me para correr como se o mundo fosse acabar no espaço de um minuto! Raramente consegui trocar mais do que duas palavras com ela, ainda que tenhamos andado juntos na mesma turma desde a primeira à quarta classe. Alias, nem mesmo já na quarta classe, quando durante um intervalo perto do fim do ano lectivo a Otília e a Marta se meteram comigo e com o Carlitos, enquanto nós disputávamos uma renhida partida de bilas, querendo elas que nós lhes déssemos um beijo, eu à Otília e o Carlitos à Marta (coisa que lá fizemos sem eu e o Carlos sabermos a razão que nos levou a dar um beijo nelas), senti a confiança necessária, dada a experiencia adquirida em falar com raparigas, para poder falar com a Patrícia. Com a ida para o ciclo preparatório, e posteriormente o secundário, embora partilhando sempre as mesmas escolas, nunca mais fomos da mesma turma e a nossa relação acabou por se resumir a uns “Olá Tudo bem”, acompanhados de um sorriso, quando esporadicamente passávamos um pelo outro. (No fundo a nossa relação sempre se resumiu a isso desde que a vi no primeiro dia de aulas na primeira classe!) Soube, anos mais tarde, que ela namorou, e penso até que casou, com o Chico Pastilhas, um dos piores jogadores de hóquei em patins do mundo, que tinha como costume, cada vez que entrava em campo, mandar um beijo para a plateia inundada pelas cerca de 30 pessoas que costumavam assistir aos jogos de juniores. No meio dessas 30 pessoas estavam sempre os 4,5 amigos do Chico, que, todas as vezes que ele enviava o beijo para o éter, gritavam a plenos pulmões “Ofélia, onde é que estão as minhas cuecas?”. Suponho que fosse uma piada só deles, nunca entendi tal coisa. Sem me aperceber muito bem, rapidamente chegamos todos à idade adulta! Nunca mais vi a Patrícia depois de termos terminado o secundário. Hoje em dia, que já sou um adulto, não me apetece nada ser adulto. Ainda hoje ao almoço, o gajo que estava sentado à minha frente, depois de dizer para o gajo sentado ao lado dele que ele não anda de Mercedes e por isso é que não “come” gajas boas (errrrr!) enquanto na rua uma bonita mulher saía de um Mercedes e se despedia do seu namorado, ou marido, o gajo do lado apenas lhe respondeu “temos pena”. Perante tal resposta, ele vira-se e diz “Pena têm as galinhas...e no rabo...” desatando depois a rir com aquilo que tinha acabado de proferir! (duplo errrr!). O que raio é que eu via nas conversas dos adultos quando era um puto?

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Jam J

A grande diferença que existe entre hoje em dia e há 100 anos atrás, é que hoje em dia lamenta-se, lamuria-se, e celebram-se feriados como se não houvesse amanhã. Há 100 anos faziam-se revoluções e matavam-se Reis...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Investida

Anda a monte a pessoa que espetou uma pêra mesmo em cheio nos lábios da Sofia Sá da Bandeira.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Banda Sonora

Sempre que penso que fiz, ou disse, algo que te possa ter tocado, que possa ter-te feito ver as coisas de uma outra forma, chego, inevitavelmente, à conclusão que nada disso aconteceu. Não consegui ainda compreender se isso acontece devido ao facto de eu tentar tantas vezes, por querer mesmo chegar a ti, se acontece porque, apesar de eu querer muito isso, não consigo expressar-me, explicar-me para que tu me consigas entender, ou se és tu que não me entendes, faça eu o que fizer, se és tu que não me queres entender, ou que não queres que eu te consiga alcançar, faça eu o que fizer, ou mesmo se pura e simplesmente sou eu que não te entendo, faças tu o que fizeres, para conseguires chegar a mim, para me conseguires alcançar, tocar-me...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Last Cup of Sorrow

- Antonito, posso ir dormir a tua casa hoje? Sem segundas intenções claro...

- Depende. Quais são as primeiras intenções?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

King for a Day

Não consigo perceber a fixação do careca. Agora embirrou que só fala, única e exclusivamente, com pessoas que tenham mais de dois dedos de testa!

Ashes to Ashes

- Foda-se! Estou rodeado de cromos por todos os lados...

- Isso quer dizer que tu és o cromo do meio...Olha que geralmente é o mais dificil...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Commercial breakdown

"Agricultor que conduzia burro bêbedo conhece sentença dia 1" In diariodigital

Ainda gostava de saber como é que conseguiram fazer o teste do balão ao burro!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Cuckoo for Caca

O silêncio, a ausência de resposta, de qualquer tipo de opinião, revelam muito mais que uma pronta réplica a qualquer tipo de questão.
Um mono não fala, permanece calado.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

As the Worm Turns

Se é na originalidade que reside a diferença
Por que é se tenta fazer tudo da mesma forma?
Se tudo se concretiza apenas através da querença
Por que é que ninguém mais se interessa por tal retoma?
São as normas de indumentária a envergar
Mandatárias de segunda a quinta
É sempre mais fácil poder controlar
Quando a carneirada é mantida com estilo e pinta
Depois as pessoas nas empresas
Vestidas, coitadas, todas de igual
Devido à pequena grande esperteza
De mais um pequeno e mesquinho anormal
É a gravata grená ou vermelha
Em conjunto com a camisa branca
O fato azul que somente espelha
A miséria de quem vive mas já não se encanta
E que ainda por cima já nem dá por isso
Achando mesmo até que é muito natural
Não valendo a sua vida sequer um piço
Para o já referido mesquinho anormal
Mais as assinaturas corporativas
Sem qualquer sinal de humanidade
Meramente representativas
De um departamento ou de uma unidade
Por que é que nos querem transformar a todos num ser único?
Se é por causa da diversidade que o planeta terra é bonito
Mentalidades manipuladas, para verem apenas num sentido
Cirurgicamente manietadas, a quem não se dá nunca por vencido

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

The Gentle Art of Making Enemies

- Ela que venha para aí. Quero ver como é que é que ela se desenrasca depois quando toda a gente lhe começar a pedir coisas. Por acaso até gostava de ver, incompetente e parva como ela é. Parece que tem um feitiozinho…
- Deixa lá Mena, não vale a pena estar assim, não podes fazer nada é melhor aceitar as coisas como elas são. Vais ver que vai correr tudo bem, vais ver…
- Deixo estar? Pois deixo, não há nada que eu possa fazer, não sou eu que decido, eles é que decidem, eu não posso fazer mais nada a não ser aceitar as coisas como elas são, mas substituírem-me por uma incompetente? Quer dizer, eu não a conheço de lado nenhum, nunca a vi nem falei com ela, mas pelo que tenho ouvido ela não é flor que se cheire, eu já avisei as pessoas do feitio dela, quero ver como é que ela se vai arranjar agora.
- Não chores Mena, já estão pessoas a olhar, vá lá Mena, também não é o fim do mundo.. …
- Não é o fim do mundo, pois não, mas queres-me dizer o que é que eu vou fazer com 41 anos e desempregada, Alzira? Como é que eu vou fazer agora para acabar de criar os meus filhos?
- Então mas tu não tens contrato? Quando é que acaba o teu contrato?
- Eu não tenho contrato nenhum, estou a recibos na empresa há 14 anos, trabalho aqui há 9 e sempre gostaram de mim. De repente a lambisgóia ficou sem colocação, como ela está efectiva na empresa, deve ter dormido com o chefe para ficar efectiva, falaram com o meu chefe daqui e informaram-no que eu vou ser substituída por ela porque eles não têm mais sitio nenhum onde a colocar. Resultado, vou à vida e ninguém se importa com isso! Como é que queres que eu me sinta?
- Eu sei que é difícil Mena, mas já sabes como as coisas são hoje em dia, já sabes que o outsourcing funciona assim, não há nada a fazer.
- Eu sei amiga, eu sei. E agora Alzira, e agora o que é que vai ser da minha vida?
- Vá lá Mena, não chores, só tens de sair daqui no dia 30, até lá vamos tentar ver se há alguma coisa para ti, não desesperes já, não adiantas nada com isso.
- E o que é que me adiantou ter sido uma boa funcionária estes anos todos, diz-me lá, o que é que adiantou?...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Complexos #29

Está-me no sangue, não sei, estar sempre a fazer partidas! Desconfio que deva ter algo a ver com a minha natureza tímida. Imbuído neste espírito, do que é que eu me lembrei no outro dia? Estava a passar por uma vivenda, bem bonita até, branca, cercada por uma grade verde ferrugem e um esplendoroso quintal cheio de relva queimada pelo Sol, e resolvi tocar à campainha. Assim que uma mulher veio à porta, acenei-lhe e disse-lhe que os gaiatos tinham desatado a correr depois de terem cometido a traquinice de ter tocado à campainha. Logo a seguir dei uma comedida gargalhada, e aguardei a sua reacção. A mulher, uma atraente morena, abeirou-se do portão de ferro forjado e sorriu também. Depois disse-me, com um tom verdadeiramente surpreso, que pensava que os miúdos de hoje em dia já não cometiam tais atrevimentos. Confessou que tal acto a transportava de imediato para a sua infância, quando a adrenalina tomava conta dela depois de tocar freneticamente à campainha da casa da Dona Rosa e do Sr. Luís, e desatava a correr pela estrada fora, sabendo perfeitamente que isso iria fazer com que nessa tarde os rapazes que jogassem à bola no largo em frente da casa deles iriam ficam sem a bola como forma de retaliação por parte do Sr. Luís. Ripostei-lhe com o episódio rocambolesco em que eu, no alto dos meus 7 anos, como forma de demonstrar à Patrícia a coragem que tinha, sem hesitar saltei o muro da horta do Pai da Paula (vulgo caixa de óculos) para ir buscar o disco voador da Patrícia, sem me dar conta que da parte de dentro da horta o muro ficava muito mais alto, tendo ali ficado preso até que a Paula, depois de me obrigar a prometer que nunca mais eu lhe poderia chamar D. Xepa, foi chamar a Mãe para me abrir o portão. Desconfio, até hoje, que sou do Benfica por causa da cor com que fiquei naquele dia ao explicar à Mãe da D. Xepa o que é que estava ali a fazer dentro.
Esta ultima laracha então, teve um efeito tal na atraente morena, que quando dei por mim, estava ela a convidar-me para entrar, a fim de tomarmos uma limonada, ou uma outra qualquer bebida, à sombra de um chapéu-de-sol enfeitado com listas vermelhas e brancas numa mesa de plástico branca que ela tinha na parte de trás da casa, para poder continuar a agradável conversa que ela me disse ter encetado comigo!
É usualmente aqui que entra a minha forma natural de fazer partidas. Gentilmente agradeci, e prossegui o meu caminho.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Slow right down

- Não tenho paciência para pessoas ignorantes pá, irritam-me, agastam-me...

- Porquê?

- Não sei!

I defeat

- Antonito...Não queres um bom bocado?

- Na. Prefiro, de longe, um pastel de nata.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Banda Sonora

- Desculpa lá, posso fazer uma pergunta?

- Sim, claro, diz...

- Por que é que és tão anti-social?

- Bom...não sei bem por que fazes essa pergunta...acho que não te sei responder a isso!... Sei é que, por definição, anti-social quer dizer: contrário à ordem social. Não sei o que isso significa! Mas, desde pequeno, sempre ouvi dizer, dança como se ninguém estivesse a ver...


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Lemonworld

Até dá dó de ver. A Catarina Limão anda sempre à procura de uma colher.

Watching You Well

O meu avô Paterno, se ainda fosse vivo, faria hoje 100 anos! Recordo-me, quando eu era pequeno, de lhe dizer que ele ainda era do tempo dos Reis, ao que ele respondia sempre: por uns dias, mas é verdade.

domingo, 12 de setembro de 2010

Banda Sonora

Se calhar estou mesmo a ficar velho e caquéctico, mas concluí, após 36 anos de existência, que não tem a mínima graça ir a um concerto e ouvir "aquela música", se não estiver ninguém connosco para poder partilhar a sensação e o sentimento que se sente no momento em que a banda a está a tocar.



All the night her dream
passes by my bed
undeniable, and all she said
she wrote the letter

hard to find love
since you arrived here
harder to find the love
then pull your body near

She wrote the letter
down

She wrote the letter
down

I know I know I know
you felt a change in my heart
I know I know I know
the planets ripped you apart.
I know I know I know
all the sins they knew no better
I know I know I know

all that I’ve lost
is bound to pass
dying to know
too afraid to ask
she wrote the letter.

Hard to find love
when you are a walking blind in here
go wash your heart in the river
till the water runs clear

she wrote the letter
down

she wrote the letter
down

she wrote the letter
down

I know I know I know
you felt a change in my heart
I know I know I know
the planets ripped you apart.
I know I know I know
when the sins all know no better
I know I know I know

Love, I just want to say it right
Love, I just want to say it right

Goodbye
Goodbye
Goodbye

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Hup springs

São exactamente 21:57. Estipulei como objectivo escrever tudo aquilo que me passar pela cabeça nos próximos 3 minutos e 30 segundos. Claro que foi fácil começar a escrever, tinha previamente estabelecido este objectivo, como tal começar a escrever não representou nenhuma dificuldade. O problema, para além do objectivo, é que não pensei em absolutamente mais nada antes de começar a escrever. Desta forma, neste preciso momento, logo no momento em que me decidi a escrever, em tempo real, tudo aquilo que me passe pela cabeça, sendo por isso imperativo que fervilhem ideias, pensamentos na minha mente, não me ocorre nada para escrever! Pensei agora em olhar em meu redor e começar a descrever aquilo que fosse vendo, mas isso não vai de encontro à premissa também previamente estabelecida que consistia em estar a escrever durante 3 minutos e 30 segundos sem parar. Bolas! Ao mesmo tempo não me consigo lembrar da paisagem que me circunda. Se por um lado não consigo pensar em mais nada a não ser no objectivo de estar 3 minutos e 30 segundos a escrever sem parar, o facto de estar somente a pensar nisso impede-me de conseguir compreender na sua totalidade tudo aquilo que estou a escrever. Tive um amigo em tempos que achava que o saber entra pelas unhas. Assim, passava a vida a escrever tudo aquilo que ia aprendendo, convencido que iria ter sempre na ponta da língua tudo aquilo que escrevesse. Provavelmente sou apenas eu que penso assim, mas acho que quando o único objectivo é escrever aquilo que nos passa pela cabeça, não se consegue pensar em mais nada a não ser em escrever, mesmo que não se saiba o que escrever. A conclusão a que posso chegar a partir daqui, é a de que não se consegue escrever quando se quer escrever aquilo que nos passa pela cabeça! Embora em todas as outras vezes que escrevi, tenha escrito aquilo que me ia na cabeça...
Desisto.
Olha! Olhei agora para o relógio e apercebi-me que perdi a noção dos 3 minutos e 30 segundos! São neste momento 22:09! Os 3 minutos e 30 segundos já passaram há um bocado! Consegui estar 12 minutos sem mais nada na cabeça a não ser o objectivo a que me tinha proposto!
Com 10 segundos de pensamento, depois de desanuviar a mente, apercebi-me que o raio do objectivo toldou de tal forma a minha maneira de pensar, que os 12 minutos que acabam de passar foram por mim vividos totalmente devotos àquilo a que me tinha proposto sem sequer me aperceber que o cumpri dentro do tempo que tinha estabelecido! Nunca saberei, no entanto, o que é que tinha escrito aos 3 minutos e 30 segundos de tempo passado.
A segunda conclusão a que posso chegar é a de que os objectivos previamente definidos impedem-nos de pensar, ver e sentir, tudo aquilo que se está a passar à nossa volta com a clarividência e a atenção necessárias para que possamos viver cientes de tudo aquilo que pensamos querer...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Getting Away With It (All Messed Up)

Raramente me consigo decidir sobre o que é que hei-de fazer no segundo que tenho à minha frente. Normalmente, tenho a tendência para seguir aquilo a que chamam, tal como eu me habituei a chamar, de instinto. Apesar disso, nunca soube o que era o instinto, supus sempre que fosse aquela voz que sussurra ao meu ouvido, ou dentro da minha cabeça, ainda não consegui distinguir, e me diz aquilo que eu devo fazer no segundo exactamente a seguir. Sempre que surge alguma questão na minha mente, lá está a voz a dizer-me, vai por ali, faz isto, etc. No outro dia, por acaso, e sem sequer me ter passado pela cabeça qualquer tipo de dúvida ou pensamento, surgiu-me na cabeça, de repente, o trajecto que devia fazer para o trabalho! Lá estava a voz a dizer-me que eu não devia ir pelo caminho que sempre faço! Ouvi nitidamente a voz a dizer-me que devia ir pelo que era mais longe! Não faço a mínima ideia do porquê me ter ocorrido isto, mas quando dei por mim, estava a seguir pelo caminho que nunca faço, absolutamente convicto que deveria, naquele dia, ir por ali! Foi um desastre! Na verdadeira acepção da palavra! Por causa disso, demorei o triplo do tempo, fiquei logo sem vontade de fazer o que quer que fosse depois da seca estúpida que me obriguei a apanhar! Passei o dia todo a pensar nisto. Se eu não puder confiar no meu instinto, em que é que vou confiar? Por que é que me decidi a ir por aquele caminho naquele dia? Hoje, estranhamente, numa situação em tudo idêntica, voltei a ouvir a voz a dizer-me para ir novamente pelo caminho em que tinha apanhado o acidente. Como passaram poucos dias e ainda tenho isto tudo muito presente, pensei que desta vez não ia aceder ao que a voz me disse. No que ao trânsito concerne, a voz já não tem qualquer autoridade para me aconselhar. Segui na mesma o caminho do costume. Apanhei um autocarro parado, com uma avaria qualquer, não andava nem para trás nem para a frente, quando dei por mim, estava completamente entalado entre carros! Demorei o quádruplo do tempo que é normal demorar! E agora, o que pensar agora? Será que o instinto teve um lapso temporal da outra vez, e avisou-me no dia errado? Se assim for, será que o meu instinto tem a capacidade de saber o futuro, pelo menos o imediato? E por que é que ele se enganou então? Pode o instinto envelhecer à medida que o tempo passa? Eu sempre tive a noção que à medida que o tempo passa, o instinto se apurava cada vez mais, chegando até a confundir-se com a experiência, mas pelos vistos não é bem assim. Aparentemente a duvida e a confusão também percorrem os pensamentos do instinto! Ou então, já sei, claro é isso, é o instinto a dizer-nos para errarmos a fim de podermos saber o que é que é correcto, por isso é que ele me aconselhou mal no outro dia! Ele apenas quis dizer-me que independentemente do caminho que tome, posso ter sempre um problema qualquer, por isso o melhor é sempre confiar no instinto, mesmo que ele por vezes esteja errado. Se ele estiver errado, é mais uma coisa que eu sei como devo fazer certo. Mas espera lá! Agora que acabo de escrever isto, não estou certo se foi a voz que me disse isto ou não! Até porque me ocorreu agora mesmo, se isto fosse mesmo assim, por que raio é que o instinto me queria demonstrar isto tudo da forma que me demonstrou? Com o exemplo que ele me deu, não consegue demonstrar nada! O que é que aprendi com o facto de em dois caminhos diferentes ter apanhado problemas de trânsito e por isso ter chegado atrasado ao trabalho?!
Está aqui a voz a dizer-me que serve para aprender a virtude da paciência e que não vale a pena arreliar-me porque há coisas, boas ou más, das quais eu não tenho a mínima hipótese de fugir! Bom, vou voltar a confiar na voz! Até ver…

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Abel

É extremamente assustador observar uma pessoa que recebe a resposta: “Desculpa, não percebi o que disseste?”, quando essa mesma pessoa chegou ao pé de outra, disse qualquer coisa e começou de imediato a rir. Ver a cara que a pessoa faz quando percebe que se está a rir sozinho, causa-me sempre uma sensação de vergonha que não consigo controlar. Pior do que isso, é mesmo a cara da pessoa, quando volta a dizer a suposta piada e ri novamente, a bom rir, como se tivesse contado pela primeira vez o que acabou de dizer pela segunda vez, e desta vez recebe um mero esboço de sorriso da outra pessoa. Não consigo descrever a sensação que tenho sempre que vejo a cara da pessoa, pela segunda vez, a rir sozinho.
Mas a cara que me causa mesmo dores no estômago e me faz sair de imediato dali, é a cara que as pessoas fazem quando uma pessoa chega ao pé de outra, diz qualquer coisa que a outra não consegue perceber, e desata de imediato a rir. Nesse instante, a outra pessoa vê que a outra se está a rir, com gosto, e desata a rir também. Mas a cara, aquela cara naquela fracção de segundos entre o não ter entendido nada e o inicio do riso… ARGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Apartment Story

Todos os dias quando abro os olhos ao acordar, oiço o cabo do chuveiro do apartamento do lado a roçar na torneira!
Todos os dias quando termino de tomar banho, oiço a porta do apartamento de cima a fechar e uma pessoa a apanhar o elevador!
Todos os dias quando termino de trancar a porta de casa, oiço uma mota na garagem do prédio a arrancar!
Todos os dias quando entro no carro, passa por mim uma mulher com um casaco branco a passear um cão preto!
Todos os dias no caminho para o trabalho, estão duas mulheres vestidas de preto e cabelo branco a falar à porta da mercearia!
Todos os dias quando chego ao trabalho, estaciono o carro à frente de um carro azul que acabou de estacionar também!
Ainda não consegui perceber se são os meus dias que são todos iguais ou se são os dias das pessoas que vejo que são iguais aos meus!
Ainda não consegui perceber se os dias dessas pessoas são sempre iguais ou se sou eu que me tornei numa dessas pessoas!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Terrible love

Hoje, enquanto fazia a habitual viagem de autocarro pensei:
“Como é que acaba um amor eterno? Como é que se acaba um amor eterno e se procura outro numa mesma vida? Um amor eterno não é para todo o sempre? Então como é que se pode ter 2 amores eternos? Ou não vale a pena ter um amor eterno? Se não vale a pena porque é que disseste que era eterno? Se era eterno porque é que desististe? Se não era eterno porque é que mentiste?”
A seguir pensei nas minhas aulas da quarta classe e na professora que era de Viseu. Ainda soltei um sorriso quando me lembrei dela a vociferar “Seus devassos”, sempre que nos apanhava na traquinice!
Ai não! Espera! Não foi isto que eu pensei quando vinha no autocarro! A minha velhota bem me diz que eu vivo nas nuvens e nos filmes que vejo e que já estou a ficar gagá! Primeiro eu li a tal revista da foto novela, depois, nem sei bem porquê é que me lembrei das aulas! Olha que realmente! Como é que eu já confundo o que penso com o que leio! A minha velhota bem me diz que vivo obcecado com historietas de amor, anda sempre a perguntar-me como é que eu acredito ainda nessas coisas! Eu bem sei que o amor eterno não existe. Foi uma coisa inventada pelas pessoas para darem valor àquelas pessoas que tiveram a coragem de se entregar uma à outra de forma a se conseguirem conhecer tão bem, tão bem, que chegam finalmente ao ponto de dependerem física e emocionalmente uma da outra. É isto, mais nada. As pessoas é que gostam de abrilhantar as coisas. Como as coisas andam hoje em dia, está tudo banalizado. As pessoas nem a elas próprias se conhecem como é que podem conseguir entregar-se e conhecerem de quem dizem que gostam. As pessoas andam anos à procura do que está sempre à frente do nariz delas e elas insistentemente não querem ver. Querem coisa mais bonita do que eu e a minha velhota estarmos juntos desde os meus 19 e dos 14 dela? Pensam que foi fácil? Foi muito difícil. Porquê? Porque nós complicamos o que era simples. Primeiro quisemos impressionar-nos um ao outro, quisemos mostrar que éramos alguém que nem sequer nós sabíamos quem éramos. Depois tivemos vergonha de mostrar quem éramos. A seguir veio a complicação de aceitarmos quem éramos. Só quando as coisas estavam mesmo já a correr para o torto é que nos apercebemos de quem éramos e do que é que podíamos fazer com esse conhecimento. Se foi preciso passar por isto tudo? Foi. Sem termos passado por isto não saberíamos quem éramos. E as coisas vão ser sempre assim, tudo o que é simples tem sempre de ser sempre complicado antes. Vale alguma pena andar de pessoa em pessoa a chegar sempre aos mesmos problemas, sempre às mesmas situações, até que se perceba finalmente que tudo depende da forma como nos entregamos na relação para que a relação dê resultado? Não sei, as pessoas hoje em dia, preferem refazer a sua vida com outras pessoas, sempre que não se predispõem a aprender com os erros que foram cometidos, preferem cometer outro tipo de erros a pensar que estão certos até que cheguem um dia à conclusão que eu um dia também cheguei. “Não era preciso ter cometido tantos erros e ter perdido tanto tempo para ver que… …”. Então se as pessoas, são pessoas, as pessoas vão ser sempre pessoas, não se pode mais cedo ou mais tarde, esperar que as pessoas não se portem como pessoas que são. As pessoas vão sempre errar, dar desilusões, alegrias, tristezas. Vale mesmo a pena conhecer pessoas e pessoas para saber tudo isto? Se sim, do que é que valeu todo o esforço empregue com a pessoa anterior? É aprendizagem? E o sentimento? Por mim tudo bem, não lhe chamem é amor eterno como eu li na revista. Amor eterno, se houver, é o meu e porque ainda fui a tempo. Está bem confesso, cheguei a esta conclusão já quando sou velho, mas mesmo assim ainda digo, como as coisas estão hoje em dia, assim a coisa não vai lá, banalizar ao ponto de não ser levado a sério a não ser nos filmes, não, assim por favor não. Torna-se muito pior depois saber as coisas de facto, e principalmente, saber quando é que se está a ser sincero sem ser gozado por isso. E olhem que é um velho que o diz, não há coisa mais bonita do que um amor eterno, apesar de ele só existir se 2 pessoas se dedicarem durante uma vida inteira uma à outra. Amor eterno foi o nome que deram a esta dedicação. O VERDADEIRO, não daqueles que agora andam para aí. Agora já não sei em que é que eu pensei, se foi nisto tudo, ou se eu pensei agora nisto tudo e à tarde só li a revista no autocarro. E com quem é que eu estou a falar nos meus pensamentos? Deixa-me mas é ir para casa antes que me dê outro ataque daqueles…

domingo, 5 de setembro de 2010

Banda sonora

...Há precisamente 17 anos, no dia 5 de Setembro de 1993, também Domingo, para culminar umas férias de Verão que só acontecem uma vez na vida (e apercebemo-nos sempre disso depois de já terem passado), tinha início, numa cabine telefónica na festa do Avante, um amor eterno que afinal acabou quase 11 anos depois...

sábado, 4 de setembro de 2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Dancing in the dark

- Hoje, apesar de ser sexta e de sexta ser o meu dia preferido, já decidi, nem de casa saio.

- Então porquê?

- Porque se sair, no estado em que estou, tenho receio de beber demais e depois fazer como costumo fazer assim que chego a casa nos dias em que cometo tais exageros...

- O que é que costumas fazer?

- Assim que chego a casa?

- Sim...

- Casa, pia. Irra que já não posso ouvir falar mais nisso! Estão sempre a dizer que demorou 6 anos o julgamento, mas quer-me parecer que agora vão passar mais 6 anos só a falar nisso! Arre que já estou farto! A sério, já não consigo ouvir mais nada sobre a Casa Pia! Já vendi a gaiola do meu rouxinol e tudo...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Loosing my religion

Há uns anos atrás, não sei bem quantos, num dos episódios de uma serie americana chamada Ally Mcbeal, o enredo consistia num personagem que usava o cabelo muito comprido, muito comprido mesmo, num dos lados da cabeça e atrás, fazendo depois com o cabelo uma espécie de espiral pela cabeça fora que culminava num pequeno ninho de cabelo que lhe ocultava a careca. Tal ninho era alvo de troça e zombaria por parte de alguns, e alvo de pena por parte de outros. Mas o principal, no entanto, visto que a serie era sobre a vida de um escritório de advogados, era o facto de tal personagem ter sido colocado em tribunal pela sua entidade patronal, uma vez que o seu trabalho era vender seguros sendo que uma imagem de confiança e verdade teria de ser passada. O argumento apresentado pela acusação, dada a natureza e as características da profissão do personagem, era o de que com aquele cabelo, penteado daquela forma, a imagem que era passada era a imagem de alguém falso que tenta esconder aquilo que está à vista de todos, não sendo isso compatível com os requisitos mínimos necessários para os préstimos do serviço.
Isto tudo a propósito do quê? É que ontem vi na TV, num bloco noticiário que dava conta da enésima tentativa de conversações entre Israelitas e Palestinianos mediada pelos Estados Unidos da América, que o primeiro-ministro Israelita, Benjamin Netanyahu, embora de uma forma muito mais discreta, usa exactamente o mesmo tipo de penteado que o personagem usava na serie.
Claro que na serie, no fim do episodio, o personagem era um dos bons, que apenas queria o bem e a paz no mundo, e acaba por compreender o ridículo que era o seu penteado e as acções que cometia em defesa do mesmo, deixando que lhe cortassem o cabelo para poder continuar a trabalhar. Mas isto acontecia apenas na serie de ficção Americana, que passou aqui há atrasado na televisão.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Dust motes

Ela está melancólica porque comeu uma catrefada de fatias generosas de melancia, e depois bebeu um copo de vinho tinto.

Got the shakes

- Esta semana, por incrível que pareça, não dormi na minha cama nem um dia! Tenho…

- A semana toda?! Eh lá, granda maluco! Até que enfim que despertaste para a vida e começas a fazer alguma coisa para te divertir! Então e quem é ela? Eu conheço-a?

- Como eu te estava a dizer, tenho andado a dormir no sofá! Por alguma razão que desconheço adormeço a ver televisão e só acordo de manhã depois! Ando com as costas todas lixadas! Achas que estou a ficar velho?

- Não! Estás a ir para novo…

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Bring On The Dancing Horses

Oh! O Oliveira é um azeiteiro...

The cutter

- Achas possível deixar de gostar de algo?

- Deixar de gostar de algo? Como assim?

- Deixar de gostar de pizza, por exemplo, ou deixar de gostar de uma musica, ou de um sabor de gelado?

- Não. Acho que é possível ficar saturado, enjoado, mas não deixar de gostar...

- Então mas se ficas saturado, enjoado, cansado de uma determinada coisa, isso não é deixar de gostar?

- Não. É gostar de uma forma diferente. Tens a certeza absoluta que se comeres pataniscas todos os dias, até ficares farto, que depois de estares dez, vinte anos sem as comer, que não vais voltar a desfrutar de uma patanisca outra vez, talvez até com um gosto maior, devido à saudade que nem sequer sabias que sentias?

- Oh! Por essa ordem de ideias, não se deixa nunca de gostar de nada ou até mesmo de alguém...

- Sim, é verdade. Quando se gosta é para sempre, e quando não se gosta também é para sempre. Desde que se saiba o porquê de tal acontecer. O problema reside é no facto de saber o porquê de gostar, ou não, de algo ou de alguém... ... O pior mesmo, é quando se pensa que se gosta de algo, ou alguém e afinal isso não é verdade, e vice-versa...

- Porquê?

- Porque depois, como o ser humano é, é o cabo dos trabalhos para darem o braço a torcer. Só para tu veres bem a dimensão da coisa, há pessoas que comem mesmo figado e rins, e dizem que gostam e tudo...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Extracto de uma tarde de Agosto em Lisboa

Hoje à tarde, num jardim de Lisboa com vista para o rio, enquanto as não muitas pessoas que por ali passeavam pacatamente se refugiavam nas poucas sombras disponíveis e a única esplanada se encontrava completamente vazia à torreira do Sol, perto da esplanada, nas traseiras de uma casa cor-de-rosa, um homem, com aspecto de quarenta e poucos anos, suspirava e olhava para céu ao mesmo tempo que despejava, muito lentamente, dois baldes de entulho, provenientes das obras que ali decorrem, para dentro de um daqueles enormes depósitos em metal. Nesse preciso momento, pelo portão da mesma casa, sai uma mulher, igualmente com aspecto de quarenta e poucos anos, vestida com uma bata branca e com o seu cabelo castanho apanhado, presumindo eu ser a empregada doméstica da casa. No momento em que o olhar deles se cruzou, presenciei a este pequeno dialogo:

Homem – E é assim a vida! (enquanto limpava o suor da testa com a mão esquerda cheia de pó)

Mulher – A vida é assim! (enquanto encolhia os ombros e prosseguia o seu caminho)

Bestas Vs Bestiais

Nunca consegui compreender por que é que as namoradas, ou esposas, têm sempre a necessidade de ouvir dos seus respectivos namorados, ou esposos, amuando inclusivamente se não ouvirem as palavras: Estás bonita! Por que é que elas acham que eles namoram, ou casaram, com elas em primeiro lugar?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dance Of The Bad Angel

- Ehhhhh! Então pá? Tudo bem contigo? Aos anos que não te via! Então e como é que tu estás? E a Laura, como é que ela está?

- Eu e a Laura já não estamos juntos há...

- A SERIO! Ena pá! Como é que é possivel! Pensei que tu e a Laura fosse mesmo foreva...

- Pois...Deve ser por causa disso que eu já não te via há anos...

A vingança serve-se fria...

Hoje, finalmente, obtive o meu passe social. Sempre quero ver agora se no Sábado aquele energúmeno do porteiro vai conseguir barrar-me a entrada novamente.

Butterfly's Dream

- Se algo ou alguem me é indiferente, é suposto eu nem sequer pensar nisso não é? Então como é que eu sei se estou a sentir indiferença ou não? Será apenas e só quando nunca penso nisso?

- A indiferença não existe, é um mito. Só se poderá conviver com a indiferença quando tudo e todos forem iguais!

- Não me parece! Se tudo e todos fossem iguais, as coisas seriam diferentes.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Inbetween days

- Achas que um gajo se estiver a pensar sempre em férias, a querer ter férias, a lamentar-se porque as férias já acabaram e agora só para o ano, etc, tu sabes como é que é não é, é porque não é feliz naquilo que faz na vida? Isto porque eu dou comigo muitas vezes a pensar em férias, a querer ter férias, a lamentar-me que agora só para o ano é que tenho férias, mas eu até gosto daquilo que faço, às vezes...Quer dizer, eu gosto da minha vida de uma forma geral. Claro que há sempre coisas que gostava de mudar, e outras que gostava de fazer, mas num compto gosto da minha vida...profissional e privada! Bom, isso é outra coisa que eu por acaso acho engraçada, a separação da vida profissional da vida privada. Como se Eu, no meu trabalho, fosse uma pessoa e em casa fosse outra! Quer dizer, eu acredito que haja pessoas que sejam assim, mas eu não sou. Eu sou tal e qual o mesmo tanto no trabalho como em casa...Se calhar é por isso que estou sempre a pensar em férias, sou eu o dia todo, fico farto de mim!
Não. Não deve ser isso. Se eu ficasse farto de mim não era férias que eu gostava de tirar ou em férias que eu pensaria. Eu pensaria era em mudar. Fazer por ser outra pessoa que eu gostasse mais de ser, muito embora muitas vezes eu acabe por perceber que não sei quem sou! Será que eu só sou eu nas férias e por causa disso fico com saudades de mim sem saber que é isso que estou a sentir? Achas que isso é possivel ou é disparatado aquilo que estou a dizer?...

- Não sei...Isso depende sempre...

- Olha! Já viste as horas?! Vou ter de sair. Hoje dei uma tanga para tirar a tarde. Tenho mesmo de me ir embora já se não ainda pensam que eu estava a dar uma tanga quando disse que tinha de sair às três e meia hoje.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Paisagens mentais #1

- E se eu de repente chegasse aqui ao pé de ti e te desse um beliscão no rabo, o que é que fazias?

- Bom, como mulher prezada que sou, dava-te um estalo.

- Mas davas-me um estalo porque era esse o teu reflexo, porque ficavas com vergonha, ou porque isso é o que é suposto uma mulher fazer quando um estranho chega ao pé dela e faz uma coisa dessas?

- Não sei. Chega lá ao pé de mim e dá-me lá um beliscão no rabo, que eu depois digo-te por que razão é que te dei um estalo.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Destino

O homem que muda de repente de ideias, e que começa de imediato a falar sobre o novo pensamento que lhe ocorreu, sem se aperceber que não completou a ideia anterior, casou-se com a mulher que fala constantemente sobre si mesma a pensar noutra coisa qualquer!

Who You Are

Às vezes, quando por acidente encontro alguma coisa escrita ou feita por mim, num passado relativamente distante, gosto de sentir aquela sensação inesperada de me recordar de algo que não esperava naquele momento recordar! É engraçado rever-me por uns momentos, aperceber-me, apesar de achar que não sou mais aquela pessoa que escreveu aquilo um dia, que existe uma linha mestra de pensamento que continua a conduzir tudo aquilo que na altura e hoje em dia ainda penso ou faço!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Gonna See My Friend

- Aquele gajo é levado de trinta diabos! É um pratinho estou a dizer-te! O gajo vai buscar coisas do arco-da-velha!...

- Não concordo nada contigo! Mas até passo a concordar se me disseres o quer dizer pelo menos uma das expressões que acabaste de dizer…

- Tu não me percebeste? Então para quê que estás com cenas?

- Porque me irrita que sejam usadas palavras e expressões que não se sabem o significado! O que raio quer dizer Arco-da-velha, por exemplo?

- Outra vez porque raio? O que raio quer dizer porque raio? Para que saibas, uma das explicações que existem para a expressão arco-da-velha é que coisas do arco-da-velha são coisas inacreditáveis, absurdas. Arco-da-velha é como é chamado o arco-íris e, como sabes, existem muitas lendas sobre as suas propriedades mágicas! Uma delas é beber a água de um lugar e devolvê-la noutro lugar! Tanto que há quem defenda que "arco-da-velha" venha do italiano arco da bere. Por isso, a partir deste momento, a não ser que me expliques o que quer dizer, porque raio, vou assumir que achas aquele gajo um pratinho também...

- És muito espertinho tu! Das outras expressões não falas tu…Essa regra não vale, eu não o acho um pratinho enquanto não me explicares o significado de todas as expressões que usaste. E como fui eu que tive esta ideia primeiro, não podes vir agora dizer que eu também tenho que explicar! Eu não tenho que te explicar o que quer dizer porque raio enquanto tu não me explicares as outras primeiro, até porque tu também usaste essa expressão! Como tal, tu, que estás aí armado em esperto, é que tens de me dizer o que quer dizer porque raio. Eu cá sei… …

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

É como daquela vez

É como daquela vez, nunca mais me esquece...É assim, desta forma e com esta frase, que ele começa tudo o que diz. Diga-se o que se disser, cada vez que ele pretende dizer alguma coisa lá está mais uma vez a bela da analogia narrada do principio ao fim sem qualquer tipo de hesitação! Apesar de ser estranho, a necessidade de estabelecer uma comparação com o que se está no momento a passar ou a dizer, a coisa até poderia ser suportável não fosse o caso de ser, em todas, mas todas, as vezes a mesma! Admito porém, que na primeira vez que a ouvi, algumas horas depois de o ter conhecido, que achei graça. Teve graça sim senhor, e até me pareceu adequada ao momento tal analogia. Na segunda vez, poucos minutos depois, nem sequer achei estranho, imbuído pela risota que pouco tempo antes reinava, e precisamente por causa disso, pensei para comigo que estaria a aproveitar a embalagem e quis usufruir, durante mais alguns minutos, da glória que uma graçola aplicada no momento certo proporciona. Quase toda a gente se riu novamente. Diria até, a bandeiras despregadas, como se tivesse sido a primeira vez que tinham ouvido aquelas palavras! Não liguei, ou melhor, depois de ter pensado o que pensei, achei que tudo aquilo seria normal. No dia a seguir, naquela que foi instituída como a primeira pausa do dia, numa situação em tudo semelhante à do dia anterior voltou a afirmar exactamente a mesma coisa! Enquanto eu começava a pensar numa forma de lhe dizer que ele já tinha nos tinha dito aquilo, para meu espanto a risota foi mais uma vez quase geral! Ainda assim, depois de todos terem parado de rir, comecei novamente a engendrar uma forma simpática de lhe dizer que aquela piada já não era nova. Desisti de vez, quando percebi que não ia adiantar nada, já que estavam novamente quase todos a rir mesmo sendo aquela a quarta vez, num espaço inferior a vinte e quatro horas, que a mesmíssima coisa, palavra por palavra, era dita! Dirigi-me para o meu lugar sem ter proferido uma palavra sequer durante todo o tempo da pausa instituida. Senti-me verdadeiramente consternado por estar a viver tantas situações exactamente iguais em tão curto espaço de tempo! Não é que seja possível sentir-me consternado de uma forma que não seja verdadeira, mas ao dizer, verdadeiramente consternado, para mim mesmo, sinto que a consternação é real e palpável, enquanto se dissesse apenas consternado, tudo não poderia passar de uma mania minha, e eu tenho a certeza que não é. Sem conseguir fazer mais nada, olhei à minha volta e tentei recordar-me da roupa que eles traziam no dia anterior para me poder certificar que não estava, por algum acaso, a viver o mesmo dia. Ou então, a possibilidade de tudo não passar de um sonho esquisito! Depressa desisti desta ideia quando me lembrei que no dia anterior a coisa se tinha passado de tarde. Partilhei mais três pausas com eles durante esse dia. Já não sei o que é que se tornou mais insuportável, se o facto de ele continuar a dizer a mesma piada, como se nunca tivesse sido dita antes, ou o facto de quase todos se rirem a valer em todas as vezes, e reagirem tal e qual como se fosse a primeira vez que a estavam a ouvir! Com o passar dos dias fui-me apercebendo que todos tinham, e têm, um comportamento diário semelhante. Há aquele diz sempre a mesma piada sob a forma de comparação, há o outro que se ri sempre, e da mesma forma, mais alto do que toda a gente, há o que solta um guinchar inominável, que ao principio pensei ser um tique nervoso, mas que agora sei que é o riso dele, há o que pede sempre de uma forma absolutamente irritante um galão descafeinado com leite frio e uma sandes de queijo com pouca manteiga, ao menos podia pedir de vez em quando a sandes em primeiro lugar, ou dizer hoje não quero manteiga, ou então hoje quero muita manteiga, ou até mesmo beber um galão normal, não sei, mas podia fazer qualquer coisa de diferente, não ser outro autómato! Hoje, passados quatrocentos e trinta e sete dias, tem dias que me rio a valer por estar a ouvir mais uma vez a piada analógica, como hoje em dia eu lhe chamo, outros que não tenho paciência e nem sequer as pausas faço. Já cheguei, há duzentos e trinta e oito dias atrás, à conclusão que os dias são todos iguais, sendo que a única coisa que difere de dia para dia é a roupa de alguns, não de todos, mas de alguns, de resto, é tudo sempre igual. Só ainda não consegui perceber foi uma coisa. Ainda não consegui perceber se ele diz sempre "É como daquela vez, nunca mais me esquece..." porque não se lembra que já o disse o mesmo numero de vezes que já se esqueceu que o disse, e se assim for, por que é que ele se esquece de tudo menos da maldita piada, ou se diz a piada, começando sempre com a frase "É como daquela vez, nunca mais me esquece...", porque se está a queixar, efectivamente, que nunca mais se esquece e apenas o diz com esperança que ao dizê-lo mais uma vez, o esquecimento definitvo do raio da piada finalmente aconteça, tal como aparentemente acontece com todos os outros! É como daquela vez, nunca mais me esquece...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Linhas Cruzadas

Hoje ao almoço, a propósito já nem sei bem do quê, falávamos que o local onde se nasce e cresce é determinante para a definição da personalidade e da pessoa. Desde puto que tenho uma facilidade enorme em apanhar sotaques e pronúncias dos mais diversos locais em Portugal. Provavelmente porque tenho parte da família proveniente do Alentejo, outra parte da região Oeste, onde ainda hoje consigo apreciar sempre quando oiço alguém dizer “ Aínha Mãe” querendo tal coisa dizer a minha Mãe, e depois porque os vizinhos do prédio onde vivi, desde que nasci, com os meus Pais e irmã, até um dia ter de ter seguido a minha vida, eram provenientes de várias zonas do País. Claro que como em todos os bairros, havia vizinhos de que gostava muito, outros pouco, outros nada, e alguns com quem sequer nunca falei. No meio de toda esta gente, houve sempre um casal que desde puto conseguiram popular o meu imaginário pelas mais díspares razões. Primeiro porque ela, a Sameiro, vinha de Braga, com aquele pronúncia nortenha bem acentuada que nunca perdeu e sempre me encantou, e por certo contribuiu em muito para a minha tal facilidade em apanhar os sotaques, e ainda por cima tinha uma irmã chamada Zuca, nome que para um puto pequeno é um delírio. Depois, porque a Sameiro se tinha casado com o Toi, que veio do Alentejo. Ambos, sem sequer se conhecerem, rumaram a Lisboa na busca de uma vida melhor, ainda jovens, conheceram-se, casaram, e por Lisboa ficaram. Recordo-me perfeitamente de a Sameiro me contar esta história numa das inúmeras vezes que fomos ao Sr. Pires (Cuja esposa se chamava Especiosa e a filha Zita!) tomar café depois do almoço, ritual alias cumprido centenas de vezes durante os meus anos de pré Adolescência. Nessa altura, depois do almoço, ora era a Sameiro a ir bater na janela da nossa casa para chamar a minha Mãe, ou era a minha Mãe, ou mesmo eu ou a minha irmã, a ir chamar a Sameiro. De todas as histórias e conversas que me recordo dessa altura, a que sempre mais me fascinou era história por ela contada n vezes, sempre com um sorriso, boa disposição e sem demonstrar qualquer tipo de remorso, de ela ainda pequena ter apostado com o irmão que ele não era capaz de lhe cortar o dedo indicador com um machado! O irmão dela, depois de alguns minutos de reticência, zumba, sem hesitar cortou-lhe o dedo! E pronto, a Sameiro ficou desde esse dia apenas com 9 dedos nas mãos! As horas que eu devo ter passado a olhar para a mão direita dela a pensar na forma com ela tinha ficado sem o dedo! O tempo passa, as pessoas crescem, envelhecem, e a vida continua, é mesmo assim, é o que todos estes clichés significam. O que é facto é que as coisas são mesmo assim, quer se queira, quer não. Soube há bocado, através de um telefonema da minha Mãe, que a Sameiro acabou por morrer ontem à noite, vítima de cancro, e eu não queria deixar de anotar neste blog que ela também fez, e fará, pelo menos enquanto as minhas memórias perdurarem, parte da minha vida.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Complexos #28

No preciso dia em iniciava a minha vida noutra cidade, decidi (a necessidade de mudar, de continuar em frente mesmo que não seja isso que apeteça tem destas coisas) usar, pela primeira vez, um fato de fazenda cinzento para ir trabalhar. Não sei se por coincidência, ou porque a fazenda aumentou de alguma forma a minha sensibilidade nas nádegas, tive um pequeno ataque de tesão quando senti o rabo de uma bonita mulher a roçar o rabo dela no meu enquanto íamos aos encontrões no autocarro. Primeiro senti um rubor digno de uma criança inocente que é apanhada a fazer uma asneira, mas logo depois, e sem ter feito qualquer tipo de esforço para isso, senti-me bem, à vontade até, ainda que ligeiramente encabulado depois de termos trocado um olhar cúmplice como se só nós os dois soubéssemos o que se estava a passar. Sem combinarmos nada, pelo menos através de palavras, saímos na paragem a seguir. Já em terra firme, iluminados pelos raios de Sol que resplandeciam na praça cheia de gente que andava de um lado para o outro em passo apressado, sorrimos e dirigimo-nos para uma esplanada, com vida própria, perto da paragem. Após uma pequena conversa circunstancial, em que soube que o nome dela era Maria, fizemos o nosso pedido ao empregado que entretanto se tinha dirigido a nós em francês. Mal o empregado virou costas, depois de ter feito uma pequena habilidade com o abre-garrafas, dei por mim a pensar na vez em que tinha concretizado o sonho de uma vida ao dar um beijo na rapariga mais bonita da sala onde me encontrava! Desde pequeno que sonhava que um dia a miúda mais bonita se iria apaixonar por mim tal como eu já me teria apaixonado por ela assim que os meus olhos a tinham visto. Só que afinal a coisa não correu bem, parece que eu não era bem aquilo que ela pensava que eu era, ou pelo menos foi isso que ela me disse quase onze anos depois de a ter visto pela primeira vez.
Enquanto entretinha a minha mente a pensar no meu passado, olhei para a minha frente e dei-me conta, novamente, do que me estava a acontecer em tão inusitado encontro! Ficámos então ali, em silêncio, a olhar um para o outro, como se nos conhecêssemos há cerca de quatrocentos e vinte e três anos, mais coisa menos coisa.
Deviam ter passado uns cinco minutos desde que o empregado nos tinha trazido o pedido, quando toda aquela situação me começou a enfadar de morte. Sem saber muito bem porquê, de repente tive quase a certeza que estar ali, naquela esplanada, naquele momento, com uma gaja que não conhecia de lado nenhum a beber um batido de morango com banana, tinha sido a maior asneira que cometi na minha vida.
Ela, que ao contrário de mim não parecia estar incomodada com a situação, começou a balbuciar qualquer coisa que metia as palavras destino e feitos um para o outro!
Não sei porquê, mas aqui as coisas acontecem e sucedem-se tal e qual como nos filmes, disse eu ao mesmo tempo que um autóctone passava por nós com um ar de quem está a passear. Ah, isso é porque nós aqui vivemos na terra do sonho, disse-me ela ao olhar também, sem qualquer tipo de curiosidade, para o incauto transeunte.(Embora para mim ele seja um mero autóctone, ele, para ela, não passa de mais um transeunte. Suponho que as coisas sejam sempre assim quando se vê a coisa sob o ponto de vista de um forasteiro e também sob o ponto de vista de um autóctone). Então quer dizer que nada disto aqui é real? Perguntei eu espantado por estar sentado com uma estranha numa esplanada na terra do sonho, julgando eu que estava de facto ali! Isso depende sempre! Disse ela. Depende do quê? Depende da forma como se olha para a coisa. São os filmes que fazem a realidade, ou é a realidade que se torna em filme? Disse-me ela enquanto colocava a palhinha na boca para sorver mais um pouco do seu batido, deixando a questão no ar, feliz e contente. Fiquei ali a pensar durante uns segundos. Por acaso, muitas vezes, tenho a sensação que pertenço ao rol dos inúmeros figurantes que costumam ser contratados para participarem nos filmes de acção, ou nos denominados épicos! Nada do que eu faço, ou digo, hoje, continuei a dizer, tem a importância, ou a não importância, que eu lhe dou. Só saberei a real importância de tudo isto daqui a uns tempos. Só daqui a uns tempos é que saberei se foi ou não um erro tudo aquilo em que eu hoje acredito não ser um erro ou ser um erro. Tomar as coisas como certas, estar certo do que é certo, estar certo do que penso e conheço, inclusive pessoas, e pensar que vai ser sempre assim, tal e qual como foi e é, é um erro enorme que agora, neste momento, apercebi-me que não posso cometer, porque o passado não passa agora de um sonho, ou de um pesadelo, mesmo tendo existido realmente antes!
Olhei em frente novamente, e o batido, em conjunto com a rapariga, tinha desaparecido!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

New Selectah

- Às vezes tenho mesmo muita vontade de ir ao ano de 93 falar comigo. Gostava mesmo de ter uma longa conversa comigo para ver se conseguia perceber em que altura é que deixei de existir como era nessa altura, ou quando é que tudo à minha volta deixou de me fascinar e suscitar interesse e curiosidade para que tal não me compelisse automaticamente a querer mais, querer saber mais até ficar satisfeito, e depois começar tudo de novo, quando surgia logo a seguir outra coisa qualquer...

- A 93?! Tu eras um totó em 93! Queres ir falar com um totó para saber alguma coisa sobre ti? Pensava que tinhas deixado de ser um totó já...

- Ai é? Então e quando é que deixei de ser um totó?

- Eh pá, assim de repente não sei precisar, mas talvez em 2007 tenhas definitivamente deixado de ser constantemente um totó. Obviamente que toda a gente é totó de quando em vez, mas durante o dia e todo penso que deixaste de o ser por volta dessa altura...

- Oh! Mas nessa altura já tinha passado a adolescência e os vintes, já tinha sido escrita a história toda! Todas as pessoas, depois de essa altura passar, passam depois a vida a estabelecer comparações com o que tiveram ou com o que lhes aconteceu, ou pior ainda, a desejar, fora de tempo, concretizar algo que deviam ter concretizado antes. Depois de esse tempo passar, o máximo que se consegue fazer, com prazer, é partilhar historias e concluir que alguém passou pelo mesmo que tu, mas, mesmo assim, compara-se sempre, a adrenalina da novidade acabou....

- Então, mas se é assim, para o quê é que queres voltar a 93 se já sabes isso tudo agora?