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sábado, 31 de outubro de 2009

I come clean

Ontem não resisti e aproveitei o facto de ela estar tão divertida a contar uma anedota às amigas com quem estava para, decidido, conseguir chegar ao pé dela e perguntar-lhe qual era a sua graça.

Once

Nada como um quarto de vigor para conseguir passar um dia descansado.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

You'll be no one's rival

Sempre que estou mocado bebo água das pedras.

Vinte minutos

Na cave, precisamente abaixo do cinzeiro, parou o carro com a garrafa de água na porta do lado direito que de manhã aqueceu com os primeiros raios de sol do dia quando, contente, regressava a casa. No piso superior, enquanto uma miúda gorda, com os seus doze, treze anos, corria desenfreadamente a gritar Mc Donalds, depois da sua avó, com um acenar afirmativo, lhe ter dado permissão para lá ir, pessoas decididas e com ar convicto dirigiam-se a caixas encerradas para pagarem as suas compras. O olhar vazio de um casal vestido de amarelo, que passeava pacatamente de mão dada, contrastava com a concentração cerrada de dois putos que tentavam a todo o custo atravessar o corredor evitando pisar os azulejos pretos. Nenhum deles conseguiu efectuar tal proeza nas três tentativas que efectuaram. No princípio da quarta, foram abruptamente interrompidos pela sua Mãe que de imediato terminou com a brincadeira agarrando e carregando consigo um dos petizes! Com a mão toda na boca, a olhar para o tecto, nitidamente a tentar disfarçar o embaraço que devia estar a sentir, ali ficou o outro puto, durante uns sete segundos, o tempo que durou até o Pai soltar um berro. Apressou-se a correr até apanhar o resto da família e seguiram pelo corredor fora até se terem cruzado ao virar da esquina com outra família que vinha em sentido contrário. Os Pais, carregados de sacos, seguiam muito devagar um casal de miúdos, sensivelmente da mesma idade dos outros dois, que caminhavam com passos muito pequenos e comiam cada um o seu gelado, trocando de 3 em 3 segundos um sorriso de cumplicidade. Com ambas as mãos ocupadas, e acenando com o queixo para as montras pelas quais iam passando, sem dizer uma palavra, os Pais arregalavam os olhos um para o outro sempre que um artigo lhes despertava mais interesse. Na curva do corredor, distraídos com uma montra, quase que chocaram com um adolescente de cabelo muito preto, camisa e calças brancas, que passava montado nos seus enormes ténis rolantes! A meio do corredor um grande cinzeiro de aço inoxidável, coberto de areia branca, estava rodeado por três mulheres de salto alto e calças de várias cores a falar excitadamente sobre um novo creme que bronzeia a pele sem ter que ir à praia! Lá fora, o Sol continuava a brilhar e fazia franzir o sobrolho aos poucos transeuntes que passavam indiferentes...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

The not knowing is easy #16

- Qual é que é a cena que achaste mais engraçada alguém ter dito sobre ti?

- Sem duvida nenhuma a vez em que me disseram que eu gosto mais de musica do que mulheres.

- Fonix! E foi um gajo ou uma gaja que disse isso?

- Uma gaja.

- Fonix! E por que é que achas que isso tem graça sequer?

- Porque acho piada às desculpas que as pessoas dão a si mesmo para se mentalizarem que o problema não está nunca nelas.

- Como assim?

- Porque eu sei que gosto muito mais de mulheres do que de música. Só que para que tal aconteça, as mulheres que eu eventualmente conheça têm de ser mais interessantes e apelativas, para mim, do que a música...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sendo Mi eu, Sol a Estrela, Dó a pena que os meus dias me fazem, e Lá onde eu gostaria de estar

Apetecia-me passar o dia todo em Mi menor e Sol. Mas passo o dia todo em Dó. Ainda que Dó seja o tom maior, porventura o mais fácil de executar, não sendo até à toa que a sua sexta seja Lá menor, não deixa de ser sintomático que a sexta de Sol seja Mi menor, a terceira de Dó. Se foi ao terceiro dia que houve a garantia da ressurreição, o mesmo não se passa numa canção, se o seu tom for obviamente Dó, uma vez que Mi é parte integrante do acorde harmónico.

Uma casa ao pé da padaria

Chefe de uma família constituida por mulher duas filhas e um filho, ainda na altura que os escritórios das grandes empresas eram compostos por pequenas salas cheias de fumo e pessoas de bigode, o Pai do Carlitos, chegado a casa depois de um extenuante dia de trabalho, e após se ter refastelado na sua poltrona e de ter colocado as pernas em cima da mesa da sala, fazendo com que o napperon branco-crochet que a sua sogra tinha feito para o enxoval da filha ficasse sujo com os restos de uma bosta de cão que estava à entrada do prédio, decidido a começar a revelar ao seu petiz os segredos que já havia descoberto sobre a vida, virou-se para ele e disse-lhe: Filho, tu já tens idade para começares a saber estas coisas, por isso ouve com atenção aquilo que o teu Pai te vai dizer agora. Um homem, sob circunstancia alguma, deve, ou pode, ser amigo de uma mulher. Um homem quando fala com uma mulher, a mulher tem única e exclusivamente um intuito. O de fornicar com o homem. Por isso meu filho, goza da vida, age sempre como um homem quando assim tiver de ser, e abre muito bem os olhos quando fores escolher a melhor para casar. O Carlitos, ainda inocente como um espermatozóide a viajar pelas Trompas de Falópio, perante tal informação, só lhe ocorreu perguntar porquê. A resposta pronta do Pai foi uma das maiores galhetas, com a mão esquerda, que o Carlitos levou! Tendo, inclusivamente, a unha grande do mindinho do progenitor rasgado parte do seu sobrolho. Outra das coisas importantes que a vida tinha dito ao nobre homem, é que um filho nunca questiona o seu Pai, pelo menos enquanto for menor do que ele. O porquê, não interessa, continuou o homem a dizer, ignorando os gritos da mulher vindos da cozinha, um homem não deve nunca ser amigo da mulher porque eu te estou a dizer que é assim que deve ser. Eu sou o teu Pai, eu é que sei como a vida é e o que é melhor para ti. De seguida, acendeu um cigarro sem filtro, berrou a perguntar pelo jantar, ordenou ao Carlitos para ir ter com a Mãe para ela lhe lavar a cara e por mercurocromo, e voltou a refastelar-se na sua poltrona, enquanto pensava no dia que o seu Pai lhe tinha transmitido a mesma informação. Esboçou um sorriso, sem saber muito bem porquê, enquanto divergia a sua atenção para o jornal que a D. Adelaide se tinha esquecido de manhã lá em casa quando foi perguntar à Mãe do Carlitos se ela lhe podia emprestar a cinta que faz parecer que se emagreceu.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Footsteps

- Porra! Não consigo sair daqui. É melhor apagar tudo e começar de novo, já não se consegue sair disto pá! O que é que achas?

- Tu és maluco?! Achas mesmo que agora nesta altura se deve apagar tudo e começar tudo de novo? Diz-me lá como é que consegues fazer isso se a maneira que tens de pensar é exactamente a mesma? O que tu vais conseguir com isso é perder tempo tão-somente! Vais demorar mais não sei quantos dias a chegar ao ponto em que estamos agora e depois vais chegar ao mesmo impasse! Acho muito melhor irmos dormir, deixar passar um dia ou dois e depois voltar a tentar novamente, mas sem apagar nada. Apagar tudo agora e começar tudo de novo não faz sentido nenhum!

- Não concordo contigo. No ponto em que estamos, a forma de raciocinar, de seguir passo a passo a coisa, já não difere Já não consegues ter o discernimento suficiente para conseguir ver outra forma de avançar. Já não consegues sair daqui porque já estás tão habituado a ver as coisas desta forma que mesmo que passe um dia ou dois, como tu sugeres, quando aqui chegarmos novamente vais de imediato começar a pensar no ponto em que ficaste. Ao passo que se começares tudo de novo, começas a pensar em tudo novamente, mas como um todo, não como uma situação em concreto. Provavelmente até consegues evitar este impasse agora, já pensaste nisso?! Provavelmente até consegues fazer a coisa melhor do que fizeste a primeira vez!

- Mas explica-me então, como é que sendo tu e eu os mesmos, a forma de pensar irá ser diferente se começarmos tudo de novo?! É óbvio para mim, que iremos inevitavelmente ver as coisas da mesma forma e por consequência construir tudo, não digo igualzinho, mas sob uma forma de pensar e de ver as coisas que inevitavelmente tenderá para a situação em que nos encontramos agora! Nada mudou nesse aspecto não achas?... ….

- Sim, nada mudou, tens razão, mas tu tens de pensar novamente na melhor forma de fazer a coisa novamente, não achas que isso por si só, te permite alterar uma coisa ou outra que possas não ter visto da primeira vez?

- Sim, até posso concordar em parte com isso. Mas por essa ordem de ideias, começávamos uma coisa nova todos os dias. Dessa forma, à milésima vez que o fizéssemos, tínhamos de certeza obtido a perfeição! Só que como deves concordar, a coisa não pode ser assim. Temos de começar de uma vez por todas e depois assumir e remendar aquilo que foste fazendo de errado, não podes é começar tudo de novo só porque chegaste a um impasse! Se chegaste a um impasse e não te consegues livrar dele, tens de pensar até conseguir faze-lo, não podes desistir e começar tudo de novo!

- Diz-me lá então o que é que é melhor? Perder um tempo infinito a resolver esse impasse, quem sabe até, perder todo o tempo e nunca conseguir sair daí, ou perder menos tempo em começar tudo de novo? Mesmo correndo o risco de chegar novamente ao impasse que despoletou o reinicio?!

- Isso agora depende da forma e do afinco com que te empenhas em resolver isso não é?

- Não, não é! Não me parece que nós não tenhamos tido empenho e afinco em resolver isto e no entanto não conseguimos… …

- Não conseguimos porque tu já estás numa de começar tudo de novo. Já estás numa de desistir e por isso já não te empenhas como devias em resolver esta situação em concreto! Se queres que te diga, isso até, indirectamente é certo, me está a influenciar negativamente… …

- Claro, como tu não consegues ver uma solução também, é obvio que a culpa é minha! Primeiro porque quero desistir, depois porque como quero desistir, te impeço a ti de veres uma solução! Sim senhor, isso é que é ver as coisas com clarividência!

- Bom já estás a desconversar, o melhor é cada um seguir o seu caminho, tu começas tudo de novo se quiseres e eu fico aqui a tentar resolver isto. Pronto não se fala mais nisto. Depois digo-te alguma coisa. Até logo

- Sim, é muito melhor uma cabeça a pensar isoladamente, do que duas em conjunto. Pelo menos sozinho consegues ficar sempre com a razão do teu lado. Não te esqueças é que isto é um trabalho conjunto e temos menos de uma semana para o entregar. Até logo.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Complexos #17

“Terá o meu coração aquela que comigo partilhar o silêncio sem o achar minimamente, incomodo...”

Pfffff…Que raio de mariquice! Achas mesmo que isto é forma de iniciar o que quer que seja? O que é que isto quer dizer afinal? Bom, isto é suposto ser uma cena romântica, e eu acho que é romântico começar assim, logo com uma confissão!...Quer dizer, romântico!... Não é assim lá muito romântico começar uma coisa com a frase – Terá o meu coração…Isso provavelmente soa mais a egoísmo! E eu?! Não é suposto eu querer o coração dela? Será só ela, ou uma outra gaja qualquer, que vão querer disputar o meu coração? Sim, porque dito assim, até parece que terá de haver uma contenda para ver quem conseguirá alcançar, ou conquistar, o meu coração. Por que é que o meu coração é que é digno de ser conquistado e não terei que ser eu a conquistar um? Ainda por cima, com esta frase, revelo logo o segredo para me conquistarem o coração! Quer dizer, basta mandar uma tanga qualquer, dizerem que gostam muito do meu silêncio e tal, e pronto, está o meu coração conquistado! Francamente! Nem para mim sou bom! Vou começar outra vez…

"Dois corações unidos pelo silêncio, que nunca será minimamente incómodo, quando estão juntos..."

- Simmmmmmmmm, muito melhor agora! Agora parece uma sinopse de um filme adaptado de um romance daquele gajo…qualquer qualquer coisa Sparks ou lá o que é! O gajo escreve sempre grandes tragédias!... Bom! Visto agora à segunda, a palavra minimamente, não é minimamente romântica! Quem é que usa a palavra minimamente numa frase romântica? Não me digas que para começar uma cena romântica isso é o melhor que consegues fazer? Não acredito!...

“Nada os consegue incomodar no meio do silêncio. Para eles no meio do silêncio, apenas um olhar cúmplice existe...”

...Naaaaa! Agora é que estou a reparar na paranóia que tenho com o silêncio! Não pode ser nada com silêncio, ou minimamente, ou incómodo! Sim, o incómodo é que está incomodar isto tudo! Eu mato-me às vezes! Fiz agora uma piada linda com a palavra incómodo e não tenho aqui ninguém comigo para a partilhar! Devia escrever a piada! Depois esqueço-me da piada e eu gostava mesmo de a contar à Vanda! Ela curte à brava cenas e trocadilhos com palavras! Ri-se sempre das minhas piadas! Claro que é uma pressão do caraças ter que pensar em piadas novas todos os dias! Às vezes tenho que me esconder quando ela vai a passar! Não tenho nada engraçado para dizer e tenho medo que ela pense que eu sou parvo! Tenho de passar a andar com uma daquelas cenas, como é que se chama, um livro de apontamentos…não um bloco de notas, assim é que é, um bloco de notas, para apontar estas coisas! Hei-de escrever tantas coisas que a Vanda há-de ficar farta de mim de tanto rir! Quer dizer, farta de rir só. De mim espero que não se farte. Não estou para estar a gastar dinheiro em blocos de notas e ter um trabalho do caraças em escrever piadas para depois ela se fartar de mim!... …Bom, mas eu estou a afastar-me do objectivo. O objectivo é escrever uma coisa romântica agora. E que tal se eu começasse assim:

“O amor é muito maior que a timidez...”

Sim! Agora sim! Que bonita frase para começar a coisa romântica mais espectacular que alguém já escreveu!… …

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Low light

Queria fazer um poema
Um que abordasse determinado tema
Que se tornasse depois num emblema
Para uma geração qualquer
Queria fazer uma obra-prima
Sob a batuta da rima
Que fosse apreciada com estima
Por qualquer homem ou mulher
Podia tentar um soneto
Embora não saiba em concreto
O que soneto quer dizer
Ou podia escrever uma quadra
Daquelas com estilo popular
Que contam a vida de uma ladra
Ou que falam de bordas de alguidar
Mas tenho a sensação
Não sei porquê, mas dá-me a impressão
Que escrever sobre uma qualquer razão
É algo que não se consegue forçar
Acho que é uma daquelas cenas
Desde o tempo em que escreviam com penas
Que só se sabe se são grandes ou pequenas
Depois de por elas se passar
Só então nesse momento
Se atinge o necessário alento
Para concretizar o intento
De se conseguir expressar
Tudo aquilo que se sentiu
Se foi bom, mau, sorte ou azar
Se nos preencheu ou deixou um vazio
Se nos levantou ou fez derrear
Então e o que sinto eu neste momento?
Que impulso é este, que tormento
Me faz querer agora escrever
O mais belo verso, o melhor poema,
Aquele que um dia qualquer ser
O considere um emblema?
Não sei, talvez seja só uma fase
Mas pelo sim pelo não
Decido aqui, agora, e nunca em vão
Dar início à obra-prima, com a seguinte frase:
Catarina, tu sim, tu és a Garina

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Solidão, saudade, romagens, romaria aos queridos defuntos

- Ouve lá, mas quem é que estás a tentar enganar? A mim não é de certeza, isso te digo eu...
- Mas eu não te estou a tentar enganar! Eu estou só a dizer-te aquilo que penso! Por que é que julgas que eu te estou a enganar?!
-Porque sei perfeitamente como é que tu és e por isso mesmo sei que tu não podes pensar isso que me estás a dizer!
-Ai é?! Como é que podes ter assim tanta certeza que eu não penso aquilo que te estou a dizer? Alias, se eu não pensasse efectivamente o que te estou a dizer, como é que eu te poderia ter dito o que disse? Como é que eu consigo dizer alguma coisa, se não a pensar para o dizer?
-Não estejas a dar à volta à conversa! Tu sabes muito bem que podes dizer o que quer que seja sem pensares ou acreditares naquilo que estás a dizer e mesmo assim dize-lo de uma forma que consegues convencer toda a gente que acreditas realmente no que dizes. O Contrário também pode ocorrer, mas é mais difícil… … Mas diz-me, eu sei que tu não pensas realmente o que me disseste. Por que razão me estás a tentar enganar?

- Sr. ADALBERTO! O que é que o senhor está novamente a fazer?
- Olha! Tem graça! A minha mulher costumava chamar-se assim dessa forma quando estava zangada comigo a brincar mas a tentar parecer que estava zangada a sério! Quando estava zangada a sério era fácil de perceber, não me dizia nada! A menina também está zangada a brincar ou a sério?
-O Senhor não tem vergonha de estar a falar com um espelho outra vez? Quem é que lhe deu o espelho? Aposto que foi a Alice! Ela sabe muito bem que o Senhor não pode ter espelhos no seu quarto. Vou ter uma conversinha daqui a bocado com ela. Ela pensa que faz bem e só lhe está a fazer mal…
- Ó Menina, deixe lá isso… … Sinto-me tão só aqui neste quarto o dia todo... … A vista é bonita e acalma-me, mas farto-me de tudo muito depressa e tenho necessidade de falar com alguém só para afugentar o medo...
- Vamos lá Sr. Adalberto, já sabe que não pode ficar assim. Vá, deite-se um bocado que eu vou só ali buscar os seus comprimidos. Não é preciso ter medo, eu fico aqui ao pé de si, fale comigo, diga lá sobre o que é que quer falar?
- Sobre nada... Deixe lá menina, não é a mesma coisa e eu não saberia o que dizer!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Not even Stevie Nicks

José Saramago, há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa! Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?

Declaração do senhor Mário David na sua página pessoal.

Hoje quando li tal declaração, pensei quão ignóbil a mesma era. Mas, se esta coisa da democracia e da cidadania afinal funciona por admoestação, eu gostaria de exortar o senhor Mário David a renunciar à cidadania planetária dado que me sinto envergonhado por tal pessoa não saber o que quer dizer Liberdade de expressão quando a mesma não vai de encontro ao que pensa que deve ser dito por outras pessoas.
Ah, e já agora, para o gajo que há uns dias atrás me disse que o Júlio Peres é muito melhor que o Frutuoso França, quando toda a gente sabe que o Frutuoso França é muito melhor, só te tenho a dizer que não é por teres dito isso que eu vou passar a acreditar nisso. Portanto tu ficas na tua que eu fico na minha...

Kick in the eye

Outra coisa que também não deixo de achar graça, é o facto de ao mesmo tempo que o número de pessoas com dois empregos aumenta em Portugal, o desemprego aumenta! Não sei por que razão tal acontece no novo sistema de desenvolvimento, mas de certeza que nada tem a ver com os despedimentos que têm sido feitos com a desculpa da crise, fazendo com que o mesmo trabalho que era anteriormente executado por 20 pessoas seja agora agora executado por 5, nem tem nada a ver com os baixos salários que são pagos à maioria dos trabalhadores que depois, com o fruto do seu trabalho, fazem com que as empresas continuem a dar lucro. Claro que os lucros têm descido, e agora os accionistas e os presidentes executivos e afins em vez de receberem vários milhões de remunerações e prémios não sei do quê, recebem só poucos milhões. Obviamente que tal situação, no novo sistema de desenvolvimento, não está correcta e medidas urgentes têm, e devem, de ser tomadas já.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

All we ever wanted was everything

Não consigo deixar de achar uma certa piada quando vejo senhores, vestidos com fatos de 500 euros embora as gravatas sejam todas iguais diferindo apenas na cor, e com os seus vários empregos garantidos, dizer que o desemprego e os baixos salários no nosso País são uma consequência dolorosa da falta de qualificação dos trabalhadores e do novo modelo de desenvolvimento!

Do the evolution

- É o que eu te digo pá! Por que é que não acreditas? Um exemplo, tu já viste alguma gaja que pinte as unhas dos pés usar sapatos daqueles que não se vêm a unhas dos pés? Mesmo que esteja um frio de rachar, quase todas as gajas que pintaram as unhas dos pés vão usar uns sapatos em que seja possível ser visto pelas outras pessoas! E digo-te uma coisa, admiro aqueles gajos que pensaram, ou tiveram uma visão, eu nem sei como é que isso se processa, e conseguiram desenhar sapatos, ou chinelos, com os chinelos é a mesma coisa, que em conjunto com os pés e a unhas pintadas, vou-te dizer…

- Eu nem sei por que é que continuo a dar-me ao trabalho de tentar falar contigo sobre o que quer que seja, e ainda mais sobre alguma coisa que para mim seria importante saber uma segunda opinião! É realmente estúpido da minha parte continuar a fazer estas tentativas de conversa séria contigo!...Isso é das coisas mais parvas que tu disseste ultimamente! E o que raio tem tudo isso que acabaste de dizer a ver com o que estávamos a falar?

- Então tu não vês a similitude?! Por que é que as gajas pintam as unhas dos pés? Para se sentirem bonitas pá! Porque são vaidosas e gostam de pensar que fazendo isso se vão tornar ainda bonitas do que já são! Elas valorizam-se, auto estima, estás a ver agora onde quero chegar?

- Bom, vou entrar na tua conversa, tu usaste a palavra similitude, que se lixe! Então, tu estás a dizer que eu para melhorar a minha auto-estima tenho de passar a pintar as unhas dos pés? É uma visão profunda da tua parte, pedia-te que desenvolvesses o teu raciocínio por favor!...

- Estás a ver como é que tu és? Estás a ver? Já estás com as tuas merdas outra vez! Já estás a dar uma de intelectualoide outra vez, armado em superior! Ouve lá pá, mas tu achas que eu estou a ler? Estou a tentar demonstrar um ponto de vista, queres ouvir, ouves, não queres, não ouves. Só que tu é que vieste falar comigo para saber a minha opinião, por isso não comeces agora a armar-te em superior porque sabes que isso não resulta e só me irrita. Portanto, e por causa disso, responde-me a isto, achas que eu estou a ler?

- Ouve, a sério, desculpa, não queria dar-te a sensação que estava armado em superior contigo, não é essa a minha intenção. Eu quero, genuinamente, saber o que queres dizer com isso…

- Achas que eu estou a ler?

- Essa brincadeira já não tem piada! Nós fazíamos isso quando éramos putos! Hoje em dia já ninguém diz isso, desde os anos oitenta acho eu, já não tem piada e nem sequer é o momento adequado…Diz lá o que tens a dizer…

- RESPONDE CARAÇAS! Achas que eu estou a ler?

- Não vou responder a isso. Não vou…

- ACHAS QUE ESTOU A LER? ACHAS QUE ESTOU A LER? ACHAS QUE ES….

- PRONTO! NÃO! Estás contente agora?

- Então se não estou a ler, nem me estás a ver de óculos, é melhor teres atenção!

- Que giro! A sério, é mesmo giro estares sempre a repetir a mesma coisa parva! Nem sei como é que fui inventar uma coisa dessas! Tu que sempre desatinaste com as minhas manias tinhas logo de achar piada a esta!

- Eu curto desta brincadeira, é boa para desanuviar! Mas diz-me lá então, por que é que achas que estou a ler?

- Não vais começar com isso outra vez pois não?

- Não! Agora estava mesmo a perguntar por que é que achas que estou a anhar e não sei o que quero dizer? Por que é que achas que aquilo que eu estou a dizer é estúpido? Comecei a ler aquela porcaria que escreveste, li uns três capítulos e já vi onde é que aquilo vai dar! É sobre isso que eu estou a falar! Tu fazes sempre a mesma coisa, comportas-te sempre da mesma forma, e como é óbvio acabas sempre da mesma forma! Tu não podes fazer isso, por isso é que eu te dei o exemplo das gajas! Tens que fazer as cenas para te agradar a ti e não aos outros, só dessa forma é que podes agradar aos outros, percebes? Foda-se pá, um gajo quer é vir-se, é o que se costuma dizer! Não podes querer dar prazer para ter prazer, tens que ter prazer para dar prazer…

- Pronto! OK! Já percebi a ideia, não é preciso continuares a dizer a mesma coisa com outras palavras, já percebi! Se bem que eu não concordo nada com a última coisa que disseste! Não achas que nos tempos que correm isso é uma coisa machista, insensível, estúpida de se dizer….

- Caga nisso agora! Não é isso que é importante, era só uma onomatopeia que eu estava a usar para dizer as cenas…

- Metáfora! É uma metáfora…

- OUVE! Caga nisso agora! Pensa só nisto que eu te disse e começa a viver a tua vida mais descontraído! As cenas acontecem se as levares na boa…

- Tu não usas a coisa do estares a ler com as mulheres que tentas seduzir pois não? Achas que uma brincadeira dessas resulta como piada de sedução, ou aproximação?...

- Nã! Tu és parvo? Usa antes o anhar! Dá muito mais estilo, elas ficam doidas man, doidas…

domingo, 18 de outubro de 2009

Given to fly

Uma das grandes vantagens que a moda me proporcionará, caso chegue a velho, em relação aos idosos de hoje em dia, é a que terei montes de enormes buracos em lóbulos de orelhas para poder fazer pontaria enquanto eles e elas se babam a dormir sentados em roupão em frente a uma televisão qualquer da sala de convivio do lar...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

I got ID

- Se há coisa que os filmes Americanos, aqueles dirigidos aos teenagers rodados mais para o final da década de oitenta, me ensinaram para a vida, foi o de conseguir respeitar, sempre, os nerds! Desde puto que sinto, quase que automaticamente, uma empatia por eles! Uma coisa inexplicável que me impede de gozar ou dizer mal! Em todos os casos, descobri depois, invariavelmente, que são todos e todas, como agora é moda dizer, pessoas porreiras!...

- Desculpa lá! Tu tens olhos na cara? Espelhos? Tu já olhaste bem para ti? Já viste bem o teu aspecto? Já olhaste bem para aquilo que fazes e, principalmente, para aquilo que dizes? Não penses que és um outsider meu amigo! Isto para usar uma palavra estrangeira já que tu usaste duas! Tu és daqueles que permaneceu a vida toda entre os da sua espécie! Tirando um ou dois casos de pessoas que conheces, onde eu me incluo, obviamente, não conheces outro tipo de pessoas para além de outros nerds!...dois a dois…Tem graça no entanto teres dito isso…Sinto exactamente essa empatia de que falas em relação aos nerds! Atribuo, inclusive, a nossa longa amizade a isso…

- Graça tem é teres acabado de dizer o que disseste! Estava eu aqui a efectivar um preâmbulo, que tinha imaginado para introduzir na nossa conversa, onde finalmente explicaria o motivo pelo qual te conheço, e eis que tu me dizes isso primeiro! Achas que somos nerds? Como é que podemos saber se somos mesmo nerds? E se afinal não formos nerds, formos pessoas normais que só conhecem outras pessoas normais? Como é que sabemos se existem nerds? Ou será que só conhecemos nerds? E se for ao contrário e formos todos nerds? Será que existem pessoas normais? Como é que sabemos distinguir uma pessoa normal se só conhecermos nerds? Achas que se formos pessoas normais os nerds não se dão connosco porque pensam que nós não somos do tipo que se dá com os nerds? Ou achas que só há pessoas normais e extraordinárias, não existindo nerds? Ou existem todo o tipo de pessoas, sendo cada um o que quiser ser, mesmo que outro o veja como uma pessoa completamente diferente da que ele pensa? Não achas que se assim for, provavelmente só existem pessoas normais?

- Não! Tu és um nerd e foi por esse motivo que eu me comecei a dar contigo! É a tal empatia inexplicável por nerds de que falavas há pouco, mesmo que depois eu venha sempre a descobrir que são pessoas, de facto, porreiras…

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Can't find a better man...or woman...

Acho sempre muita piada às pessoas que são eleitas pelo povo para serem governo. Quando estão na oposição estão sempre contra qualquer medida ou acção do governo, quando estão no governo vêm sempre com o discurso da democracia, que um estado democrático rege-se, e muito bem, salientam eles, pela alternância, e é isso, ainda de acordo com eles, que faz com que a democracia se desenvolva e evolua em Portugal! Por outro lado, e paradoxalmente, independentemente do partido que esteja no governo, desde 1987, sensivelmente, e apesar de termos tido desde 1974, apenas 2 partidos no governo, tirando uma ou outra coligação que existiu (viva a alternância democrática), todos os governos começaram a apostar nas privatizações. Com base nos argumentos da redução da despesa pública, da melhoria dos serviços prestados, da criação de condições para poderem ser efectuados mais investimentos e consequentemente a criação de mais emprego, foram privatizadas praticamente todas as empresas que eram geridas pelo estado. Numa primeira fase, o estado ainda era o maior accionista, mas depois, devido à “grande“ lei da concorrência, o estado foi perdendo preponderância nas empresas, sendo agora um mero regulador de tráfego comercial e de serviços. É com base na lei da concorrência, e com base na suposta defesa do consumidor, que existem regras, directivas, normas, para que as empresas tenham a obrigação de prestar um bom serviço. Devido à evolução que houve desde 1987, temos hoje a hipótese de poder reclamar sempre que acharmos que não estamos a ser devidamente atendidos, temos a possibilidade de optar por outra empresa que preste o mesmo serviço, temos, ainda que neste campo não tenha havido grande evolução, serviços e produtos mais baratos, devido à maior oferta existente, temos mesmo a hipótese de ser ressarcidos de qualquer dano que nos possa ter sido causado, sempre que se provar que uma empresa nos lesou de uma forma negligente. Até aqui, aparentemente e teoricamente corre tudo de uma forma normal e com uma evolução, que eu não diria normal, mas talvez positiva! Continuo no entanto sem perceber ou compreender em quê e o que é que o estado faz com o dinheiro dos impostos! No entanto, tudo isto começa a falhar quando existe a necessidade de haver uma intervenção do estado, ou quando o estado é parte integrante ou interessada. Sempre que toca ao estado prestar um serviço, ou pagar um serviço, é certo e sabido que a coisa não vai resultar! Reclamar não vale a pena. Alem de estarmos a reclamar com as pessoas que teoricamente nos deviam estar a resolver o problema, não existe mais nada nem ninguém a quem se possa recorrer. A não ser que queiramos perder anos de vida e de sanidade mental é que embarcamos numa reclamação ao estado. Para além de toda a burocracia, os custos e a demora inerentes a um processo destes, não vão nunca repor a justiça num tempo útil de vida! Já houve inclusive situações, em que o estado era credor e devedor de uma mesma empresa! Resultado, a empresa estava num estado de falência técnica porque não conseguia receber o dinheiro que o estado lhe devia. Não recebendo o dinheiro a empresa ficou sem dinheiro para investir, sem dinheiro para pagar os salários e as respectivas contribuições para a segurança social, sem dinheiro para pagar as dívidas às outras empresas que lhe prestavam também serviços, tendo por fim o estado ordenado que a empresa fechasse portas! Pergunto agora, com base nisto tudo, quem é que é o concorrente directo do estado e do governo? Porque é que não existem então pelo menos dois governos a fim de espicaçar e fomentar a melhoria de serviços e salvaguarda dos consumidores? Se já está mais do que provado que o estado não é mais do que um gestor de dinheiro e serviços, se já está mais do que provado que apenas com forte concorrência é que a prestação de serviços melhora, porque não haver 2 ou mais governos? Cada cidadão poderia assim escolher em qual dos governos entregaria o dinheiro dos seus impostos e segurança social e caso depois achasse que não estava a ser prestado um bom serviço, mudaria de governo, tal como hoje se muda de empresa sempre que não estamos satisfeitos. Claro que podem agora perguntar, a quem é que depois recorro se o governo desperdiçar o dinheiro dos meus impostos? Bom, claro que a ninguém, só que hoje em dia, a quem podemos recorrer, a resposta nunca é satisfatória, ou mesmo nula, com a agravante de que continuamos a dar-lhes, sem dó nem piedade, o nosso dinheiro, sendo depois totalmente desperdiçado na mesma! Imagine-se o que os governos poderiam melhorar se começassem a ver que estavam a ficar sem fonte de rendimentos! E sim, poderíamos concluir também, que cada um de nós poderia viver com o seu dinheiro, e que cada um de nós poderia ser o governo. Mas quem é que depois iria construir hospitais, tribunais, e outros serviços que tais, se já não haveria um governo para fazer isso. Provavelmente os mesmos que hoje em dia já o fazem. Como diz o cantor, “A Democracia é o pior de todos os sistemas com excepção de todos os outros”, só que o lucro e o proveito próprio, fazem parte dela. Não havia de faltar nada a ninguém...Quase de certeza!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Drive down the street, can't find the keys to my own fucking home

O Cândido anda sempre vestido com um fato azul de riscas cinzentas. Tem umas sobrancelhas espessas, que lhe conferem uma expressão deveras esquisita, e um sorriso largo que desenha constantemente enquanto anda pelas ruas fazendo com que as suas orelhas estejam sempre em posição de alerta enquanto anda e olha, primeiro para o lado esquerdo, depois para o lado direito. A sua maior particularidade, para além da enorme barba beije que enverga, é o chapéu de coco preto, que usa como instrumento de trabalho. Tirando a quarta-feira, cada vez que uma Senhora passa por ele, especialmente se usar luvas brancas, levanta de imediato o chapéu, ao mesmo tempo que simula uma pequena vénia, fixando sempre o olhar no dedo mindinho da mão esquerda da transeunte. De seguida, e à medida que o seu cérebro se esvai em pensamentos obscuros, deixa-se transportar rotineiramente por uma densa nuvem branca, que praticamente viu nascer, e deixa-se ir, de olhos sempre fechados. Sem que mais ninguém dê conta, desce, invariavelmente, antes de se cruzar com a avenida da calçada de basalto, cujo leito desagua perpendicularmente ao antigo riacho de pedra-pomes que passava debaixo da ponte feita de limas, aquela que foi engendrada por um engenheiro surrealista, e com um passo cadente, sem emanar qualquer tipo de som, entra decidido no número 131. Do lado de fora de quem passa, através de enormes vidros triangulares duma montra que outrora chegou a ser um palanque olímpico, apenas os detentores de olhos verdes conseguem vislumbrar os velhos de barba preta, vestidos e calçados de branco, a empurrar bolas do tamanho de cadeiras, impecavelmente cromadas com ferrugem dourada, ao longo da íngreme subida do carrossel gigante que, desrespeitando todas as portas, ocupa a casa toda. No fim da caminhada, cada velho entrega a sua bola ao corcunda que os espera no topo da casa, e atira-se de seguida, alegremente, às amarguras da vida. O corcunda, sempre com um sorriso largo desenhado, e com um número ilimitado de bolas aos seus pés, aspira novamente o ar da rua, todos os dias, com excepção dos domingos, às seis e vinte e três da tarde em ponto.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

No more

- Sabes aquela musica, the chemical between us, na na na na na na...

- Sim, o que é que tem?

- É tal qual a nossa relação...

- A serio?! Hmmmmmm. Eu também sempre pensei que a nossa relação poderia vir a ter muita, muita quimica...

- Não, é Bush também...

Malásia oferece segunda lua-de-mel para evitar divórcio

Nada melhor que uma segunda lua-de-mel à borla antes de um divórcio...

Problemas de visão podem encurtar a vida, aponta estudo

Ainda bem que fizeram um estudo! Nunca ninguém diria, sem estudar previamente, que alguém que não veja bem pode cair com maior facilidade, ou espetar-se contra uma coisa qualquer e perecer devido a isso...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Inside Job

- Um, dois, três, já:

- Olá. Queria desde já pedir as minhas sinceras desculpas pelo atrevimento na questão que te vou colocar, mas gostaria verdadeiramente de saber se por algum acaso colocas a hipótese, por muito absurda que a mesma te possa parecer, embora ao mesmo tempo, e devido a isso, esse mesmo facto te possa eventualmente causar a vontade paradoxal de querer saber qual a sensação que isso poderia causar, de dormir, ou passar a noite, se assim preferires, com uma pessoa comum?

- Man! O que é que é essa porcaria? Mas que raio de pergunta mais parva é essa? Tu achas mesmo que isso é forma de meter conversa com alguém? Ouve, se eu fosse gaja e tu chegasses ao pé de mim com uma pergunta dessas, que eu nem sei muito bem o que é que afinal estás a perguntar, eu mandava-te logo para o cara...

- HEY! Ora que esta hein! Então não foste tu que disseste que eu tenho de ser atrevido, ousado, que tenho de demonstrar confiança quando meto conversa com uma miúda? Não achas ousado fazer uma pergunta indiscreta destas, assim sem mais nem menos? Não achas que demonstro logo uma auto confiança e uma espontaneidade inabaláveis?

- Miúda?! Ninguém sequer diz miúda quando se refere a uma gaja! E tu achas mesmo que te safas se chegares ao pé de uma gaja com essa conversa? Isso, para além de demonstrar exactamente o contrário de tudo o que te disse que devias demonstrar, demonstra ainda que és um granda tóto! Espontaneidade? Tu achas que essa pergunta é espontânea?...Bom, caga lá nisso tudo, tenta lá outra cena. MAS COMO DEVE SER...Pressão. Tens de saber agir sobre pressão e no momento exacto. Considera isto como um momento de pressão e pensa numa coisa rapidamente. MAS CURTO! Nada de começar uma lengalenga do tamanho da bíblia! Se não arriscas-te a que, quando acabares, a gaja já esteja noutro planeta. Vá, bora lá, um, dois, três, já:

- Yo, babe, cumé? Tá-se...

- PÁRA, PÁRA, PÁRA...O que é que foi essa merda que fizeste com o pescoço e com as mãos? Ouve, tu não és um galo ou um pavão! Metes pena, lá isso é verdade, mas não tens penas nem andas a querer conhecer galinhas...Naturalidade, tens de agir com naturalidade, sem stress. Elas sentem o stress de um gajo e depois fazem de ti gato-sapato. Tens de estar confiante. Falar calmamente e naturalmente...

- E as mãos? O que é que eu faço com as mãos? Deixo-as nos bolsos das calças ou soltas?

- Bom, isso é uma boa pergunta. Durante anos muito se perguntou o que fazer com as mãos na altura de meter conversa. Até hoje não se chegou a nenhuma resposta conclusiva. Se por um lado as mãos nos bolsos podem dar a imagem que és um entronhado, por outro, com os braços soltos, se gesticulares muito, podes dar a sensação que estás nervoso. Cruzar os braços é do pior, assumes uma posição defensiva e alem disso não dá estilo meter conversa com os braços cruzados. Mexer no cabelo é do pior. Está comprovado cientificamente que mexer no cabelo é o símbolo internacional da timidez. O melhor é teres sempre um copo na mão. Só com um braço livre a coisa flui melhor.

- OK. Já sei. Acabei mesmo agora de perceber o que é eu vou fazer sempre a partir de hoje...

- Boa! Vá, bora lá então, um, dois, três, já:

- Olá.

- ... ... Bora...continua...

- É isto.

- Olá! Vais meter conversa com uma gaja dizendo OLÁ! E o que é que respondes se ela também te responder com um olá?

- Respondo com um sorriso, que é a única coisa que sei fazer quando fico nervoso...

- Ouve, isso é a coisa mais disparatada que já ouvi. Capacita-te disto, meter conversa é uma arte, e uma arte em movimento, estás a ouvir? Como é que tu esperas conhecer uma gaja dizendo olá e, ainda por cima, de seguida sorrir?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Jogos físicos e psicológicos

- Podes desistir. Desta vez, e pela primeira vez, ganhei eu! Devo confessar que não estava à espera que este fosse o teu segredo! Não sabia que davas tanto significado à sexta-feira em que nos conhecemos, nem que o teu sexto sentido te fez vislumbrar uma saída que, pronunciando correctamente e com todas as palavras, te fez acreditar que tinhas finalmente encontrado o amor da tua vida! Não sabia que o sorriso rasgado com que enfeitas a tua cara todos os dias se deve à esperança que depositas em nós, nem sei que raio de ideia te passou pela cabeça para que aches mesmo que toda aquela sequência espontânea de momentos te tenha dado a certeza que os estragos que sofremos no nosso passado foram limpos a partir do momento em que nos vimos, nem que a linha do horizonte, em conjunto com as estrelas, passaram a ser os nossos limites! Finalmente percebo os teus sorrisos estampados na cara todos os dias de manhã, quando ouves os melros e sentes o sol a bater na tua cara! Tu tens a certeza que por fim fizeste a coisa certa! Fiquei mesmo contente por saber isso! E é verdadeiramente surpreendentemente para mim...

- Onde é que foste buscar essa ideia? Porque é que estás a dizer isso?

- Então?! Então?! Julgas que eu sou algum tolo é? Achas mesmo que me conseguias iludir? Um espião sabe sempre tudo minha menina, sabe sempre onde procurar e como procurar! Eu sei que tu estavas convencida que ias ganhar outra vez, mas enganaste-te! Vá, anda, reconhece a tua derrota. Conheces as regras tão bem quanto eu, por isso sabes o que tens agora a fazer...

- Não! Espera! Pára tudo! Como é que te atreveste a fazer isso? O que tu disseste agora só pode significar que estiveste a mexer nas minhas coisas! Isso é uma invasão de privacidade de todo o tamanho! Não tinhas o direito de fazer uma coisa dessas...

- AH?! O quê? Estás a falar a serio?

- CLARO QUE ESTOU A FALAR A SERIO!

- ...Desculpa... Como é que eu podia saber que não era suposto eu ler aquilo? Estabelecemos que o jogo de hoje seria sermos espiões, estava só à procura de pistas que me pudessem fazer ganhar! A ideia de nós conseguirmos encontrar um papel, escrito num código inventado por nós, com um segredo sobre a nossa pessoa, foi tua! O que é que querias que eu fizesse? Tinha de procurar em todo o lado!... Vi ali no armário, debaixo da tua roupa, aquela folha com coisas escritas por tópicos, pensei que fosse esse o teu código! Foi só juntar um mais um...Bom, realmente, agora com essa tua reacção, concluo que fui estúpido! Quando vi ali o papel, a primeira coisa que pensei foi que o teu código era tão obvio que não podia ser só aquilo! Andei horas a tentar arranjar outros significados! Fiz umas 10 folhas de anotações! Tentei ver todas as hipóteses possíveis e imaginárias para dar um significado ao que tu tinhas escrito, mas não consegui chegar a nenhuma conclusão! Como já estava cansado de pensar, desisti, e decidi dizer aquilo que me pareceu logo da primeira vez que li o papel! Depois, reli novamente o papel, e pensei que o tinhas deixado ali de propósito para eu o encontrar facilmente! Pensei que tu me querias dizer aquilo e que não tinhas coragem para o fazer, e que inventaste este jogo para eu o saber! Tu sabes que eu nunca ganho estes jogos, e eu achei que tinhas feito as coisas de propósito para que eu, pelo menos por uma vez, ganhasse um jogo...Achei tudo bem bonito, se queres que te diga, e estava só a continuar o jogo para ver se acabava como um filme do James Bond...Não fiques chateada por eu ter lido o papel...Afinal, porque é que não querias que eu tivesse lido o papel! É muito bom aquilo que está ali escrito! Fico mesmo feliz por te sentires feliz!

- Pois! Mas aquele papel não era para tu teres lido! Aquele não é o meu segredo do jogo! Estou envergonhada, não sei o que te hei de dizer...Agora sabes uma coisa que eu não queria que tu soubesses, pelo menos ainda, não queria que tivesse sido assim! Sinto-me parva! Alem disso é injusto, bisbilhotaste nas minhas coisas e agora sabes uma coisa sobre mim que eu não queria que soubesses...Tens de me dizer qual é que era o teu segredo, onde está a tua folha em código?...Deixa lá, não digas, já não quero saber....

- Não! Eu digo-te onde está a minha folha! Está na caixa do correio! Pensei que como tu nunca vês o correio que não irias encontrar a folha ali! Nem precisas de lá ir buscar a folha, eu digo-te o meu código. O código são só quatro palavras. Arame. Dor. Adolescência. Gozo.

- E o que é que isso quer dizer? Qual é o segredo?

- Usei aparelho nos dentes quando era puto, até aos 20 anos! Era este o meu tenebroso segredo! Pronto, chega deste jogo parvo, vamos...

- Pára! Para tudo! Sabes o que é que acabou de acontecer? Acabaste de perder o jogo?... É tão fácil enganar-te! És tão credulo! É por isso é que nunca ganhas jogo nenhum! Anda, confessa, tu gostas é de me ver ganhar, não é?...

- AH?! Mas...Qual é que é o teu segredo então?

- Shhhhh! Nã Nã Nã! Eu nunca disse que o jogo tinha acabado, tu é que assumiste que o meu segredo do jogo era aquele! Mas não é! Perdeste. O meu segredo, não te digo qual é...tens de o procurar e descodificar...Anda, eu ajudo-te...vou-te dizendo se estás mais ou menos quente...Podes passar o resto da noite a chamar-me Mata Hari, a rainha dos jogos sedução...Anda...James...

- Sois vil...Posso ao menos levar a pinça gigante nova?...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Johnny Yen

- Topa-me bem esta cena. Isto para tu teres mais ou menos uma noção do ponto a que nós já chegamos.

- Eh lá! Diz lá então...

- Hoje, enquanto ouvia a música que queria, no volume de som que queria, ao mesmo tempo que fumava um charrito, estive a trabalhar sentadinho e descansado no meu sofá em casa! Ah! Diz-me lá agora quem é que é o escravo do trabalho? Diz-me lá agora quem é que é o otário?

- Por que é que tens de dizer o volume de som porra! Por que é que não dizes que tinhas uma granda jarda de som a bombar no cantante! Mas pronto, sim senhor, muito bem! Dou a mão à palmatória! Atingiste um nível que eu não pensei que lá pudesses chegar. Parabéns pá. O que queres que te diga mais, és o maior não há nada a fazer... ...Espera lá...Tu ontem não me disseste que estás de férias esta semana?

- Errr... Sim, estou...Mas mesmo assim, não é fixe trabalhar assim nessas condições?

-Ok...Espera aí um bocado. Vou ali buscar o marcador de feltro preto para te desenhar o O na testa...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Jogos físicos e psicológicos

No dia antes de terminar o prazo reparei que ela, sub-repticiamente, mencionou duas vezes, com um intervalo de cinco minutos entre a primeira e a segunda, que ela é que ia ganhar! Apesar de ter ficado surpreendido com esta demonstração de fraqueza da parte dela, já que ela sabia perfeitamente que não podia estar a dizer aquilo, fingi ignorar o que ela disse e mudei muito rapidamente de assunto convencido que ela me estava a provocar porque na realidade ela estava quase a ceder e aquela era a forma que ela tinha encontrado para ver se me fazia perder!
Estava assente já há uns dias que não nos poderíamos provocar mutuamente com este tipo de insinuações e finalmente, com este acto desesperado, ela demonstrava estar a começar a fraquejar! Consegui ver perfeitamente o fumo a sair pelas narinas e orelhas dela quando a ignorei, mas ela de repente sorriu, como se algo se tivesse acendido na cabeça dela, e não voltou a dar parte fraca! Depois disso não disse nem mais uma palavra sobre o assunto e mantive-me impávido e sereno à espera que o tempo passasse. Nessa noite adormeci com a frase, já foste, a sorrir para mim.
Na realidade ela nunca tinha ficado completamente convencida que no dia em que a conheci, e lhe disse que ela era a gargalhada que se destacava no meio da esplanada, que eu lhe estava a querer dizer que ela se ri estridentemente! Ao contrário disso, ela pensou que eu a estava tentar engatar e respondeu de imediato que também sabia fazer rimas dizendo-me que eu seria o centro da atenção no meio da multidão! Nessa altura, tal reacção à minha provocação intrigou-me e comecei a falar com ela num tom propositadamente e notoriamente desinteressado com o intuito de ela não perceber que a resposta me tinha despertado o interesse nela. Estivemos horas à conversa, depois saímos durante dias, e de repente estávamos juntos a viver um com outro! Desde esse dia que ela ficou convencida que eu é que fui atrás dela e nunca a consegui convencer que foi ela com a sua resposta que me cativou!
Foi então que, enquanto estávamos a meio de uma discussão sobre qual a melhor forma de levar uma pessoa à loucura sem se ficar louco, ela me disse, completamente convicta do que estava a afirmar, que eu sem ela não seria mais capaz de viver e que isso me levaria sem dúvida nenhuma à loucura! Claro que nem passado um minuto sobre a afirmação dela fizemos a aposta. Ficou apostado que durante uma semana inteira perderia a aposta aquele que revelasse desejo ou demonstrasse que dependia ou sentia a falta do outro! Durante uma semana nem um beijo trocamos, e no primeiro dia mal dormimos com medo de, a dormir, poder tocar sem querer um no outro! Ambos sabemos que se tocássemos um no outro depois já não haveria hipóteses de voltar atrás e como estaríamos ambos estremunhados seria muito difícil saber quem é que tinha dado o toque inicial. Dessa forma, ao segundo dia estabelecemos que iríamos dormir de pijama até que o período da aposta terminasse. Como ela sabia muito bem que pele dela me causava logo arrepios só de pensar nela, no segundo dia começou a mostrar-me as pernas a dizer que se tinha arranhado numa porta, depois mostrou-me os braços com um sinal que ela nunca tinha visto, os pés com um anel novinho em folha que ela tinha comprado, etc! Achei que ela estava a fazer jogo sujo e então a meio do dia estabelecemos que não nos poderíamos provocar mutuamente com este tipo de coisa e muito menos com provocações orais. No resto da semana, o tempo passou lento. Chegados ao momento em que a aposta terminou, ela olhou para mim a sorrir alegremente, e como estava bonita a sorrir naquele dia, e disse-me que tinha ganho sem dúvida nenhuma! De acordo com ela, como ninguém tinha cedido, a única forma de avaliar quem poderia ter ganho era o facto de eu ter revelado depender mais dela ao não ter dito nada das duas vezes em que ela infringiu as regras! Naquele momento, depois do entusiasmo com que ela tinha acabado de dizer aquilo tudo, tudo ficou claro para mim! Do que ela gostava realmente, era da ideia de pensar que eu não podia viver sem ela, tal como eu gostava da ideia de pensar que ela não podia viver sem mim. Acabamos ali, naquele momento, e nunca mais, até hoje, nos vimos outra vez.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Com humildade

Estou mesmo a ser humilde quando digo que sou humilde?
Ou será que é o facto de dizer que sou humilde que me torna efectivamente humilde?
Será que a humildade que digo ter não existia até ao preciso momento em que digo que sou humilde?
Ou digo apenas que sou humilde porque fica bem assumir-me como uma pessoa humilde?
Não estarei, ao agir dessa forma, a ser humilde na mesma?
Se a humildade existe em mim, serei menos humilde por não dizer que sou humilde, ou sou humilde quer o diga quer não?
Se eu for mesmo humilde, quero mesmo ser humilde?
Ou deverei fazer tudo para ultrapassar essa humildade?
E se não for, será que quero ser humilde?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Piloto automático #2

- Sabias que hoje se comemoram os 99 anos da implantação da República?

- A SERIO?! Então, mas isso quer dizer que o Benfica já não joga hoje?

Piloto automático #1

- Sabias que hoje se comemoram os 99 anos da implantação da República?

- Oh, grande coisa! O Benfica é mais velho...

Piloto automático

- Sabias que hoje se comemoram os 99 anos da implantação da República?

- Pois, é por causa dessas e doutras é que agora temos a G.N.R! Gramava que o Reininho fosse monárquico...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Old yellow bricks

… - Tu fizeste-me duas perguntas. Ora se bem entendi as tuas questões, perguntaste-me se eu compreendia, e também perguntaste se eu teria feito o mesmo. Eu compreendo perfeitamente. Mas se fosse eu, não teria feito o mesmo. Não digo isto no sentido de criticar, ou no sentido de dizer que fizeste mal. Digo-o no sentido de tu seres tu e eu ser eu. Como tal, tu sendo tu, agiste dessa maneira, consciente, estou seguro disso, que estavas a fazer o que achavas mais correcto e o que sentias que devias ter feito. Apesar de eu compreender perfeitamente isso, aceito até de bom grado que tenhas agido dessa forma. Todavia, tenho a certeza que exactamente na mesma situação teria feito uma coisa completamente diferente daquela que tu fizeste. Claro que eu não posso de forma nenhuma esperar que tudo aquilo que acho mais correcto seja também aquilo que os outros acham mais correcto. Tal como não podem esperar o mesmo de mim. Se queres saber, é isto que eu acho bonito nas pessoas, as diferentes formas de pensar e sentir as coisas. Nada teria graça se todos sentissem a mesma coisa da mesma forma. Agora, partindo do princípio que aceitas e reconheces isto como um facto evidente, surge-me uma pergunta para te fazer em complemento de resposta às duas questões que me colocaste. Terás tu agido da forma que sentias ser a mais correcta? Isto porque não faz sentido nenhum necessitares da minha compreensão e ponto de vista, sobre aquilo que eu faria numa situação idêntica àquela em que tu te encontravas, caso tu estivesses absolutamente convicto que agiste correctamente. Não foi para isso que me fizeste as duas perguntas? Para te certificares perante ti próprio que fizeste a coisa certa? Sim, porque as pessoas só têm esta necessidade compulsiva de confirmarem perante os outros as suas acções porque não se querem dar ao trabalho de parar para pensar e depois agir conscientemente, certas e convictas daquilo que querem. Preferem sempre agir de acordo com aquilo que hoje em dia gostam de apelidar de consumo generalizado! As minhas respostas às tuas perguntas são estas: compreendo, mas não faria o mesmo que tu fizeste. Fundamento as minhas respostas com base em tudo o que te acabei de dizer. Aguardo agora resposta às três perguntas que te coloquei. E peço desculpa, tinha dito que era apenas uma pergunta que te queria fazer…

- Não se consegue mesmo falar contigo pois não? Eu só queria saber se compreendias para o que é que isto serve, e se tu terias comprado isto para oferecer ao teu neto… …

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Lights out

Este tédio entendido
Muito hábil e sensato
Nunca se dá por vencido
Vê sempre o momento exacto
É um tédio ligeirinho
Que cresceu bem devagar
Começou devagarinho
Multiplicou-se sem parar
Este tédio que me invade
Não transporta sequer loucura
É do tipo que nem sabe
Implantar uma amargura
É por isso que eu fico
Apenas a observar
E enquanto não estico
Fico sentado a esperar
Semeia-me uma dormência
Que se espalha pelo corpo
Irradia displicência
O busto fica absorto
Culminando a viagem
Aparta também a estima
Destemido e com coragem
Arrebata-me a Lastima
Este tédio entendido
Muito hábil e sensato
Nunca se dá por vencido
Vê sempre o momento exacto