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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Immortality

Há recordações de determinados momentos da nossa vida que nos deixam profundamente felizes. Por vezes, é nesses momentos de recordação que nos apercebemos o quão felizes fomos quando vivemos determinadas situações. É praticamente impossível saber que se está feliz quando se está efectivamente a viver um momento feliz. É sempre depois, em momentos de recordação, que nos apercebemos que fomos felizes nessa altura. É nesses momentos que nos apercebemos também, que somos felizes por ter vivido esses momentos. Não deixa no entanto de ser estranho as recordações que guardamos ou aquelas coisas que nunca esquecemos. Vivemos uma vida inteira com base nessas recordações, com a agravante de um dia nem termos a certeza de saber se aquilo que recordamos aconteceu na realidade ou não!
Pior ainda é um dia mais tarde não ter a certeza de saber se aquilo que recordamos é como nós gostaríamos que as coisas tivessem sido ou como gostaríamos que não tivessem sido! Normalmente os negativistas recordam sempre as coisas más, recordando-as sempre pior do que na realidade aconteceu, ignorando, ou não recordando as coisas boas. Os positivistas recordam sempre as coisas boas, sempre melhor do que na realidade aconteceu, obviamente, ignorando as coisas más. Às vezes, seria melhor que eu não tivesse memória. Vivia só. Pura e simplesmente vivia...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Banda Sonora

O Tó:

E quando eu descobrir o segredo, da nebelina cinzenta, que torna a água barrenta, e sem perdão me esmaga o peito

Consigo escrever a história da minha vida com todas as músicas dos Xutos, é isto que eles representam para mim! Gosto de os ouvir há 19 anos, tenho histórias infindáveis sobre os concertos e as viagens que fiz para os ir ver. Ir ver os Xutos sempre foi um pretexto para ir viajar para qualquer lado e curtir a sério todos os momentos do início ao fim da viagem. Sem medo e sem planos era o único plano e ao mesmo tempo o único limite que havia nessas viagens e nos concertos que ia ver!
A quantidade de vezes que fiquei preso naquele momento em que tudo aconteceu e mudou a minha vida para sempre! Aqueles momentos em que as pessoas fazem tudo ao seu alcance para poderem dizer, se eu pudesse ter feito assim, se eu não tivesse ido lá naquele dia, se eu não tivesse dito isto! Nunca dei um passo, que fosse o correcto, eu nunca fiz nada, que batesse certo! Foi ao som dos Xutos que me apercebi da vida que tive e tenho, foi com eles que descobri a vontade de apanhar novamente o barco mesmo quando estava quase a ficar com o peito quase esmagado!

O Fred

Quando, eu apanhar finalmente o barco para a outra margem

Há dias em que não tenho vontade de fazer nada! Há outros em que apenas me apetece ficar deitado na cama a olhar para o teto! Fiquei assim de há quase 2 anos para cá! Dantes, quando o tempo corria lento, (gosto sempre de usar esta suposta piada (risos)) era o riso rasgado do Tim e a força do Kalu que me faziam pular e gritar como um puto num concerto qualquer deles. Fui a todos na zona de Lisboa nos últimos 6 anos, o guito não dá para mais e um gajo infelizmente tem outras coisas para fazer. Tenho os discos todos deles gravados em cassetes e em CD’s também! Tenho medo de os perder. Gosto de pensar que um dia vou ser feliz outra vez e que vou finalmente ouvir com a mesma alegria que um dia tive, os discos e os concertos dos Xutos, só mais uma, só mais esta vez!

O Manel

Terei, terei mais uma vez a força, para enfrentar tudo de novo

O que é que um gajo tem a perder depois de já ter perdido tudo o que interessa verdadeiramente? E quem é que disse a um gajo que realmente perdeu tudo o que interessava verdadeiramente? Quem é que diz a um gajo que não está tudo apenas na nossa cabeça e que afinal o que interessa realmente ainda não é conhecido pela gente? Eu cá não pá, eu cá não me vou ficar a chorar por cima do leite derramado, um gajo tem é que andar pra frente, porque pra frente é que é Lisboa! Já não sei se é nostalgia, se é das cenas pra dormir, há quem grame a porcaria, há quem foda sem se vir! Se os Xutos se tivessem separado cada vez que tiveram lá os dissabores deles onde é que eles já iam pá? Um gajo tem é que lutar e enfrentar tudo, a força tá na gente e querer muito é poder, são os gajos que o dizem! E eu acredito! E já agora só mais uma coisinha, o que é que eu iria ser, o que é que eu iria ter, n’America… …

O Chico

Longa se torna a espera

Quem espera sempre alcança, e quem guarda acha, é o meu lema! Quem guarda acha porque as memorias são a arma mais importante que temos, para poder dar o sentido que queremos à nossa vida. Sem floreados sem nada, a nossa vida pura e dura tal como nós a desenhámos. Quem espera sempre alcança, porque tal como diz a música, a espera pode tornar-se longa, mas quanto maior for a espera, maior é a sensação de prazer quando finalmente se alcança o momento desejado. Sempre, sempre à minha maneira, não pode ser doutra maneira, sem esperança e sonho não há hipótese da espera terminar, e nós, só queremos que a espera seja no máximo dos máximos longa, não infinita! Quero-te, como ultimo desejo da nossa vida… …

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O tempo que passa não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que passou - “Virgílio Ferreira”

- Foda-se, estamos aqui há horas. Já viste as horas que são? Estamos aqui há horas e ainda nada. Quando é que ela vem? Não tínhamos combinado encontramo-nos aqui às 3 da tarde? Já viste as horas que são? Foda-se, são 6 e meia e ainda aqui estamos. Estamos aqui há horas… …

- Já viste como é que tu és? Estamos aqui há horas, é verdade. É também verdade que ela devia ter chegado às 3 da tarde e já está atrasada à brava. Mas por que é que demoraste 3 horas e meia a desatinar? Se já estamos aqui há 3 horas e meia, por que é que ainda estás aqui, por que é que não foste já embora?

- Pronto, lá começas tu com as tuas merdas. Se eu tivesse dito ao fim de 10 minutos, 20 minutos ou 1 hora, que me ia embora, começavas logo a dizer que eu sou sempre a mesma coisa, que eu sou um stressado do caraças, que ando sempre cheio da pressa, trá lá lá, trá lá lá. Desatino ao fim de 3 horas e meia, repara 3 horas e meia e tu perguntas-me por que é que eu não me fui embora, quando a questão aqui é por que é que ela ainda não chegou?

- Eu não estou a começar nada. Aquilo que eu te estou a dizer é que, quando aqui chegamos, sentaste-te e disseste de imediato que aqui se está muita bem. Pediste logo 2 cervejas para nós e começamos a falar. Apreciámos várias vezes a paisagem à nossa volta, falamos sobre diversas coisas, bebemos mais umas cervejas e viste por fim que são 6 e meia. A minha pergunta é então a seguinte. Dás estas 3 horas e meia como um tempo que foi aproveitado, ou como um tempo que foi perdido?

- E dizes tu que não estás com as tuas merdas, nã, nada disso. Quando aqui chegamos, não te esqueças que estás aqui há tanto tempo quanto eu, eu realmente apercebi-me que isto aqui é um sitio muita baril para se estar. Nunca aqui tinha vindo, não conhecia isto e acho que é muita baril beber aqui umas cervejas. Mas tens que concordar que nós viemos aqui porque a tua querida combinou connosco aqui às 3 da tarde, não te esqueças disto. Ela combinou aqui às 3 da tarde. Se ela tivesse chegado aqui, sei lá, ela chega sempre atrasada eu sei, mas se tivesse chegado aqui por volta das 3 e meia, 4 horas, provavelmente tínhamos ficado aqui na mesma a falar, mas já não havia a falta de respeito da parte dela que está neste momento a acontecer, nós estamos aqui há 3 horas e meia à espera da tua querida, isso é que me está a lixar. Eu não espero por ninguém 3 horas e meia.

- Bom, então não estás a desatinar por estar aqui há 3 horas e meia, estás a desatinar por estarmos aqui há 3 horas e meia sem ela ter chegado, caso ela tivesse já chegado não pões de lado a hipótese de nós ainda estarmos aqui na mesma, como agora estamos, só que sem ela. À parte da falta de respeito que achas que ela está a cometer, não tens mais nenhum problema em estar aqui, é isso?

- O que eu sei, é que combinamos aqui às 3 da tarde, são 6 e meia e népia, ainda aqui estamos à espera da tua mulher, tal como tinha sido combinado às 3.

- Sim, já disseste isso, mas já chegámos à conclusão que apesar disso, foi muito bom termos estado aqui a falar e a beber umas cervejas enquanto esperávamos. Aliás, foi tão bom que só notámos que a Clara está atrasada 3 horas e meia, quando nos demos conta disso. Estás chateado então porquê? Porque passou o tempo e tu achas que não fizeste nada, ou porque aquilo que tu fizeste não te fez ter noção do tempo?

- Foda-se tanta merda só para desculpares a tua mulher?

- Não, tanta merda para quê, pergunto eu? Porque é que só ao fim de 3 horas e meia é que te lembras de desatinar? Eu admitia, caso tivesse acontecido, que tinhas razão se nós estivéssemos aqui este tempo todo e tu me perguntasses de 10 em 10 minutos pela Clara. Aquilo que não consegues ver é que estás a desatinar por desatinar, porque tu, como de costume, tens que stressar por alguma coisa, tens que tornar sempre as coisas desagradáveis, não consegues nunca desligar o stressometro um bocado e desfrutar o, ou os momentos que passas com as outras pessoas. O que te está realmente a lixar a cabeça é o facto de tu não teres dado pelo tempo passar, lixa-te o facto de repente te teres apercebido que passaram 3 horas e meia. Passaram 3 horas e meia da tua vida que tu não contabilizaste, 3 horas e meia que tu não tiveste pressa para ir fazer, não sabes bem o quê, 3 horas e meia em que o tempo passou. É disso que tens pena? Achas que aproveitas melhor o tempo que passa se o contabilizares, ou achas que se contabilizares o tempo ele não passa?

- Bom, só te vou dizer isto, para não te mandar já à merda. Às 7 se a Clara não tiver chegado vou-me embora.

- Tenho uma boa e má noticia para ti. Qual é que queres saber primeiro?

- Se tens alguma coisa para dizer, diz, mais uma seca das tuas é que não… …

- OK, as más noticias é que deixaste passar mais meia hora da tua vida sem teres dado por isso. As boas é que são 7 da tarde e a Clara não chegou. Podes ir embora. Eu fico aqui à espera dela.

- Então e como é que bazam depois?

- Nós depois vemos, logo se há de arranjar alguma coisa… …

- Não, eu fico aqui contigo à espera e depois levo-os, agora já perdi mesmo este tempo todo, já agora fico aqui até ao fim. Não percebo é como é que vocês conseguem ser assim, dass… ….

- Nem eu percebo como é que tu consegues ser assim. Acho que somos mesmo assim.
E olha, aí vem a Clara, vamos embora… …

- Finalmente…

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Banda Sonora

Tenho saudades do teu sorriso irónico. Da tua cara marota quando estavas a ser sarcástica, e da tua cara de espanto quando algo te surpreendia genuinamente. Tenho saudades de te ver andar pela rua com o teu ar despreocupado, e de te ver olhar para os edifícios, por onde passas todos os dias, sempre com o mesmo olhar de prazer. Tenho saudades de te ver conversar descomplexadamente, sem te preocupares com o que possam pensar sobre o que pensas e sentes, e de te ver defender, acerrimamente, os teus pontos de vista, por muito disparatados que fossem. Tenho saudades da cara feliz que fazias quando o Sol brilhava de manhã, do gozo que te dava quando pensavas que estavas num sítio inundado de árvores, de flores e silencio, ou então cheio de pássaros de várias cores e feitios a cantar alegremente, e de te ouvir dizer que a coisa mais casual ou normal do mundo era um sinal divino qualquer que evidenciava quão correctas estavam todas as opções que tomavas. Tenho saudades de partilhar uma garrafa de vinho tinto contigo, de irmos jantar a uma tasca qualquer ou então à mesma de sempre, e de ficar horas a divagar sobre o esforço que é necessário fazer para fechar ou abrir um casaco, quando se sente a necessidade urgente de tal acção. Sinto saudades das conversas que mantínhamos em silêncio, bastando apenas olhar para ti. Do teu toque e de te tocar. Da tua pele branca, repleta de sinais, todos eles excitantes e dispostos de uma forma que nem Deus, se existisse, saberia como teria feito tamanha perfeição. Sinto falta do teu aroma hipnotizante, da forma como fazias sempre com que eu ficasse inebriado a olhar para ti, tendo sempre plena consciência que me estavas a endrominar para que a tua vontade fosse satisfeita. Tenho saudades do teu corpo, do teu cabelo, das tuas unhas cortadas muito rentes, e de te ver acordar. Tenho saudades de saber que te conseguia satisfazer sem que tivesse de fazer nada por isso, de ouvir musica contigo e de dançarmos sem ser preciso mexermo-nos. Tenho saudades dos jogos para miúdos que jogávamos quase sempre, e do teu jogo de sedução implícito em todos os movimentos que fazias. Tenho saudades de saber que sabias que me davas prazer só de olhar para ti e de saber que isso também te dava prazer. Tenho saudades de te recordar, com mensagens parvas, a necessidade de não te esqueceres de fazer qualquer coisa importante. Tenho saudades de pensar que adiantava ter-te dito tudo isto, que adiantava ter dito tudo aquilo que sinto e tudo aquilo que tinha vontade de fazer e dizer, e que isso, e só isso, fosse o bastante para que não fosse, nunca, preciso dizer-to.

Yes I understand that every life must end, aw huh,..
As we sit alone, I know someday we must go, aw huh,..
I’m a lucky man to count on both hands
The ones I love,..

Some folks just have one,
Others they got none, aw huh,..

Stay with me,..
Let’s just breathe.

Practiced are my sins,
Never gonna let me win, aw huh,..
Under everything, just another human being, aw huh,..
Yeh, I don’t wanna hurt, there’s so much in this world
To make me bleed.

Stay with me,..
You’re all I see.

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn’t now I’m a fool you see,..
No one knows this more than me.
As I come clean.

I wonder everyday
as I look upon your face, aw huh,..
Everything you gave
And nothing you would take, aw huh,..
Nothing you would take,..
Everything you gave.

Did I say that I need you?
Oh, Did I say that I want you?
Oh, if I didn’t now I’m a fool you see,..
No one know this more than me.
As I come clean.

Nothing you would take,..
everything you gave.
Hold me till I die,..
Meet you on the other side.

Pearl Jam - Just Breathe

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Resistance

Ontem, depois de decidir ir jantar sozinho a um restaurante perto do elevador da bica, devido ao adiantado da hora e do restaurante estar com todas as mesas ocupadas, sentei-me na mesma mesa que um senhor, que mais tarde me disse que tinha 62anos, e comecei a ler a ementa. Assim que terminei de ler a ementa e enquanto me preparava para aguardar pelo empregado, o senhor dirige-se a mim e diz-me: "Eu nem bebo, mas como amanhã faço anos e não sei cá estou ou não, aproveito e festejo já hoje, mesmo sozinho!". Nessa altura reparei que ele tinha à sua frente uma garrafa de tinto já vazia e que já tinha terminado de comer. De seguida, sem que eu pudesse ter dito ou feito nada, a não ser um acenar afirmativo com a cabeça, confidenciou-me que toda a sua vida foi sofrimento e que a coisa ainda se tinha tornado pior depois de a mulher o ter "encornado" com vários homens e de ter ficado sozinho a tomar conta de um filho Bipolar que depois de adulto começou a abusar muito das drogas do tabaco e do álcool, estando o filho dele neste momento impossibilitado de ter sexo uma vez que os medicamentos que está a tomar lhe tiram a "potência"! Depois disse-me que apesar de gostar muito do filho não faz a mínima ideia do que é que ele anda cá a fazer no mundo e, virando-se de repente para o lado, perguntou, em francês, a duas turistas Italianas que estavam sentadas na mesa ao lado dele, se precisavam de Azeite! Elas disseram que sim, agradeceram, e o senhor, voltando-se de novo para mim diz-me: " Eu agora é que estou um bocado acabado, mas apesar de eu estar careca e não parecer, tenho uma inteligência, uma coisa que não sei explicar, que me faz adivinhar as coisas! Viu como eu percebi que elas precisavam de azeite?"! Ainda sem eu ter dito uma palavra, e já com a minha comida à frente, continuou a dizer-me que acerta muitas vezes nos resultados da bola, ou quando é que vai ser golo num jogo, e lamentou-se pelo facto de só não acertar na sorte grande! Pouco depois, voltou-se novamente para as duas turistas e perguntou-lhes, desta vez em espanhol, se conheciam um cantor qualquer Italiano que eu não percebi o nome! Perante a resposta negativa delas, ele começou a cantar qualquer coisa dele, coisa deixou as turistas ligeiramente apreensivas, e, voltando-se novamente para mim, disse-me que não só é uma pessoa muito inteligente, mas que eu estava perante um artista e que ele quando era novo costumava cantar e fazer musica, e que tinha inclusivamente cantado com muitos artistas famosos, entre eles a Amália, o Carlos do Carmo e o Quim Barreiros(!)! Ainda procurou em vão qualquer coisa no bolso para depois me dizer que apenas por não ter ali com ele os documentos que comprovavam o que ele estava a dizer é que não me podia garantir a 100% tal coisa. Ainda sem eu ter aberto a boca a não ser para comer, demonstrou-me os seus dotes vocais ao cantar excertos de fados, de músicas italianas e francesas, e por fim disse-me que até árabe sabia cantar, começando logo de seguida a trautear qualquer coisa numa língua que de facto parecia árabe, fazendo ao mesmo tempo uma pequena coreografia com os braços e a cabeça! Entretanto eu terminei de jantar e finalmente lá consegui trocar umas palavras com ele. Dessa pequena conversa ainda fiquei a saber que tem 62 anos, que é funcionário da camâra de Lisboa e que trabalha na estufa fria, que de vez em quando toma uns antidepressivos, que anda num psiquiatra(Quem diria!), e que a melhor coisa para as "Merróidas", é aloé vera descascado depois de apanhado antes de sol lhe bater, e usado tal e qual como se fosse um supositório! De acordo com as palavras dele, é tiro e queda! Bebi um café, recusei a oferta de um Whiskey por parte do senhor e saí do restaurante rumo a casa, ficando ele, agora em Português, a falar com as duas turistas Italianas!
Já há uns dias atrás, enquanto vinha no metro com um amiga, um senhor já de idade, não cheguei a saber qual, sentou-se à nossa frente e perguntou-nos se éramos Portugueses. Dissemos que sim e ele começou logo a explicar-nos que o Obama não é um bom líder político porque fala de tudo menos das questões racistas! Infelizmente a nossa viagem terminava duas estações depois e pouco mais do que isto pudemos ouvir da boca dele.
Tudo bem que a idade que verdadeiramente deve contar é a mental, mas apraz-me bastante a ideia de um dia poder vir a ter a idade daqueles dois senhores para finalmente poder dirigir-me livremente a estranhos que passem por mim na rua e poder dizer aquilo que me for na cabeça, sabendo sempre de antemão que só o facto de ser um velho (fisicamente) vai fazer com que pelo menos os estranhos não me mandem logo à fava assim que abrir a boca.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Just breathe

Nunca consegui compreender, ou aprender, porque é que eu insisto em não ouvir a voz dentro da minha cabeça! Desta vez, se a voz me disse para por um sorriso e fazer unicamente uma cara simpática, é porque a voz sabia, de certeza, alguma coisa que eu ainda não sabia! Mas por que raio é que eu tenho de ter este impulso automático que me faz abrir a boca? Ainda para mais logo para gozar com as coisas que eu acho ridículas! Porque é que eu não penso logo que ridículo é eu gozar com as coisas que acho ridículas e não ponho o sorriso parvo na cara que a voz me está sempre a mandar pôr! Há meses que olhava para ela e esperava pacientemente uma oportunidade de conseguir dizer algo que a pudesse eventualmente impressionar. Há meses que todos os dias dispenso tempo a matutar naquilo que vou dizer caso me surja a oportunidade de dizer uma laracha. Tenho sempre esta sensação que não existe melhor forma para conhecer uma mulher do que uma laracha no sitio e na altura exacta! Todos os dias me preparo, fisica e psicologicamente, para as mais diversas situações que me podem acontecer. E tem compensado, pois as ideias que vou tendo parecem-me sempre melhores do que as que tive no dia anterior! O meu cérebro consegue conceber dia após dia frases cada vez mais divertidas e inteligentes para dizer nas situações mais díspares!
Hoje, estava eu a preparar-me para entrar no elevador, quando reparei que ela estava atrás de mim à espera também. Assim que o elevador aterrou, obviamente, fiz questão de demonstrar toda a minha cortesia dando-lhe primazia para entrar. Tenho cá para mim que elas bem podem dizer o que quiserem, mas apreciam sempre um acto de cavalheirismo. Ela, elegantemente bonita, entrou, premiu o botão do 12º andar, suavemente, e recostou-se de imediato no fundo do elevador junto ao espelho. Eu, sempre a olhar para ela, mas a pensar qual a melhor forma de entrar no elevador, se primeiro com o pé esquerdo ou com o direito(Às vezes luto mentalmente contra as superstições. Se por um lado sei que não sou e não quero ser um supersticioso, por outro lado não faz mal a ninguém entrar com o pé direito), que nem me apercebi que logo a seguir a ela entrou um gajo qualquer, que eu nunca tinha visto! Para demonstrar o quão cavalheiro e educado sou, deixei também o gajo entrar, mantendo um sorriso parvo na cara enquanto dizia “Faça favor de entrar.”.
Entrei, premi o botão para o meu andar, e encostei-me, estrategicamente, de forma a fazer um angulo de cerca de 40º em relação ao olhar dela. Assim, não só podia controlar o gajo, que mesmo à garganeiro se encostou a ela, acho até que lhe tocava ao de leve na saia com uma perna, como podia, ao mesmo tempo, olhar em frente, sem dar a entender o meu pensamento a ninguém. Além disso, o meu perfil esquerdo é sem dúvida nenhuma o meu melhor lado. Assim que o elevador iniciou marcha, ela, surpreendentemente, disse “Está imenso frio hoje", algo que me provoca sempre um arrepio na espinha e fez com que nem tivesse olhado para ela quando ouvi tal coisa! Também porque, confesso, não esperava que ela tomasse a iniciativa de falar destemidamente num elevador somente com mais dois gajos lá dentro. No instante a seguir, porém, ela acabou por se redimir respondendo ela mesmo ao comentário que tinha feito dizendo "Prefiro de longe a chuva do que o frio". Sempre sem olhar para ela, pensei, pronto, tudo bem, uma coisa simples, rápida, que deixa logo algum à vontade para se poder ir o resto da viagem sem aquele silêncio desconfortável que se faz usualmente sentir nas viagens de elevador entre três estranhos. O problema é que o gajo, ainda por cima quando olhei bem para ele reparei que não só ia vestido com um fato beije e uma gravata amarelo-torrado, como tinha a testa alagada em suor, retorquiu logo, e com um sorriso da cor da gravata dele "Eu cá prefiro o Sol!".
Olha-me este! Queres ver...Bem...Estava eu feito parvo a ameaçar o gajo mentalmente, quando me apercebi que tinha de ser lesto em dizer alguma coisa antes de chegar ao andar em que tinha de sair. Assim, quando dei por mim estava a minha boca a dizer "Isso vê-se logo, mais ninguém veste um fato dourado com este tempo!..." E, pela primeira vez, testei com pessoas de carne e osso presentes o sorriso sexy que treino todos os dias antes de me deitar. Silêncio, respiração ofegante, embaraço, olhares para o tecto do elevador. Entretanto, com isto tudo, e enquanto eu contava mentalmente os grãos de pó visíveis a olho nu na grelha do tecto do elevador, nem dei conta que o andar onde devia ter saído já tinha passado! Como éramos só três e eu tinha sido o ultimo a entrar, eles perceberam perfeitamente que tinha ficado ali a fazer sei lá eu o quê, quanto mais eles. Também não dei parte fraca. Com uma cara decidida, fingi que estava tudo sobre controlo e que afinal ia sair num dos andares que eles iam sair também, já que por sorte eles iam sair em andares diferentes. Para não dar mais mau aspecto, pensei que seria melhor sair no andar em que ele saísse, e continuei a contar os grãos de pó no tecto enquanto o elevador subia. PIM. O elevador parou e ela preparou-se para sair. De repente, vira-se para trás, e diz “PARABÉNS MÔR! Eu sabia que ias conseguir! Viste como não vale a pena ter receio de andar de elevador!” a seguir dá-lhe um beijo terno na cara e sai, elegantemente, tal como tinha entrado, para prosseguir com o seu dia pleno de felicidade imunda, pensei eu imediatamente. A porta fechou-se, e o elevador prosseguiu comigo e com o totó lá dentro, ambos com cara de tacho, bom ele de panela...Juro que não sei porquê, mas só me ocorreu dizer que tinha visto nas notícias no dia anterior que um elevador tinha caído em Lisboa e que toda a gente tinha morrido não por causa da queda, mas de susto! Levei logo um sopapo tão grande da voz dentro da minha cabeça, que até agora sinto o cérebro dormente.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sit down by the fire

- Ó Manel, não achas melhor a gente fazer o que eu tinha dito? Penso que é o melhor para resolver este problema, não achas?

- Caro chefe, asseguro-lhe que nada me debelará nesta senda de resolver qualquer quiproquó que, em abstracto, coloco como hipótese a sua prévia existência. Partindo, obviamente, do pressuposto que não existe qualquer tipo de facécia para que tal tenha sucedido. No entanto, constato que uma desassisada prosápia, jactância, conjuntamente com o néscio, estulto, hábito de se imiscuir em assuntos, onde a inépcia e a assaz audácia já comprovaram em nada contribuir para os intentos de resolução dos mesmos. Não me é, desta forma, permitido nada mais do que a ausência de qualquer tipo de observação no que ao assunto em questão concerne, até que o mesmo encontre o seu epitáfio.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Banda Sonora

Nunca entendi porque é que ficavas chateada por ter ido ao concerto sem ti, quando tu me tinhas dito que não querias ir, mas que não te importavas que eu fosse na mesma.
Também nunca consegui entender o facto de ficares sempre quieta a um canto a olhar para mim, quando eu, sempre com uma moca descomunal, ou bêbado que nem um cacho, berrava que nem um doido, ou saltava que nem um maluco, num dos muitos concertos daquela banda que tu dizias não gostar em disco mas que ao vivo até não eram maus, e que por essa razão acabavas por ir também aos concertos comigo.
Nunca compreendi a tua cara de espanto a olhar para mim, quando invadia a pista a dançar, depois de me teres dito que não te apetecia dançar nesse dia mas que se eu quisesse que fosse e me divertisse muito, nem a tua vergonha quando dizia aos empregados de mesa, dos restaurantes onde íamos jantar, que mousse estava mal escrito na ementa, depois de rirmos que nem parvos ao termos verificado isso!
Da mesma forma, nunca percebi porque é que aquela foi a nossa última discussão, e porque é que não havia mais nada para dizer um ao outro, embora me tivesses incluído sempre em todos os planos que fizeste para o futuro...

The Veils - Sit down by the fire

Born from the night in the roaring wind
Cast out of the shadows by an unknown hand
Warmed by the light of these falling limbs
Drunk on the sadness of a universe unmanned

Across the water she clings to me
And in the rising karma I feel her at my side
My father's singing in the fallin' leaves
About the complicated beauty of a river run dry

Sit down by the fire
Sit down by the fire

It's hard to say
But I think you'd better
Just Say you don't love me
You don't love me anymore

I been waiting in line
Now I know I'll never
Overcome this madness
If I don't know for sure

Across the water she clings to me
And in the light of dawn
I see her at my side

And my father's singing in the fallin' leaves
There's no way out of this old world even if you try

So just sit down by the fire
Sit down by the fire
There ain't no way to get what I want

Sit down by the fire
Oh, sit down by the fire
There ain't no way to get what I want

Some day
A little rain is bound to fall

Some day
A little rain is bound to fall

Some day
A little rain is bound to fall

Some day

Over my head my heart and my feet
I'm drawn insane
You know I need you now

Over my head my heart and my feet
I'm drawn insane

Sit down by the fire love
Sit down by the fire
There ain't no way to get what I want

Sit down by the fire love
Sit down by the fire
There ain't no way to get what I want.

Oh, there ain't no way to get what I want.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

You Don't Always Want What You Get

O mal de que padeces deriva directamente do esforço que fazes para fazer tudo aquilo que a tua cabeça te diz, e não o que o teu coração, insistentemente, te pede.

Face on the Bar Room Floor

- Qual é a sua opinião sobre as medidas hoje apresentadas?

- Antes de mais, agradeço a oportunidade que nos foi dada em vir aqui expressar a nossa opinião sobre este assunto. Falando concretamente sobre a questão que me colocou, nós somos obviamente contra. Nós somos obviamente contra porquê? Pode V. Excelência perguntar, e muito bem. Somos obviamente contra, porque não somos a favor deste tipo de medidas. Não é com este tipo de medidas que se consegue ir de encontro à necessidade das pessoas. As pessoas necessitam de medidas que vão de encontro às suas expectativas, e a nosso ver não é com este tipo de medidas que se conseguem colmatar os anseios das pessoas. Somos contra este tipo de medidas porque estas medidas não favorecem nada nem ninguém, a não ser, na nossa opinião claro, os próprios mentores das medidas. Como tal, não poderemos nunca ser a favor deste tipo de resoluções onde se nota, inclusivamente, que são resoluções formuladas à pressa. São resoluções que revelam, mais uma vez, a prosápia, a jactância a que já estamos habituados. Ora nós, nunca poderemos pactuar com este tipo de situação e como tal, somos contra.

- Desta forma, quais as medidas que acha que devem ser tomadas?

- Tal como já tive oportunidade de referir, eu quando fui convidado para vir aqui, fui convidado com o intuito de opinar sobre estas medidas em concreto, são estas medidas que estão em discussão e são estas medidas que vão entrar em vigor caso não se faça nada. Nós obviamente que somos contra, acabei mesmo agora de demonstrar a nossa posição em relação a esta matéria e não iremos ceder 1 mm que seja no que a esta matéria concerne. Temos ideias muito claras e objectivas sobre o que deve ser feito e que medidas devem ser tomadas, tendo em consideração a necessidade das pessoas e tendo em consideração os problemas das pessoas. Porque isso é o que verdadeiramente importa, as pessoas e os seus problemas é o verdadeiramente importante.

- E quais são então as necessidades e os problemas das pessoas? Com o actual estado das coisas, como é que se conseguem tomar as medidas necessárias para que as pessoas vejam as suas necessidades preenchidas e os seus problemas resolvidos?

- As pessoas sabem, sentem, que estão ser enganadas. As pessoas já descobriram há muito tempo que da forma como as coisas estão a ser conduzidas que não iremos a lugar nenhum. Nós já apresentamos um pacote de medidas que na nossa opinião são as medidas que deveriam de imediato entrar em vigor. Estamos absolutamente convictos que são as medidas correctas, que são as medidas que vão de encontro ao que as pessoas precisam. Nós estamos permanentemente e sistematicamente no terreno. Nós ouvimos as pessoas, conhecemos os seus problemas, sabemos as suas necessidades. Isso é que é verdadeiramente importante, falar com as pessoas e sentir os seus problemas. Com o actual estado das coisas, as pessoas já perceberam perfeitamente que as medidas que nós defendemos só podem ser tomadas quando as pessoas que defendem o actual estado das coisas, livremente, arbitrariamente, deixarem de assim pensar. Acreditamos que somente nessa altura é que as coisas podem começar a ter pernas para andar. É em primeiro lugar contra este tipo de situação que temos de lutar, e depois lutar para que aquilo que nós defendemos, em conjunto com as pessoas, possa ser implementado.

- O nosso tempo é curto como sabe, penso que fica dito o essencial. Resta-nos agradecer-lhe a sua disponibilidade em vir aqui prestar os devidos esclarecimentos sobre esta matéria. Muito obrigado

- Obrigado nós.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Pretty in pink

- Já viste? Olha lá bem para ela a subir a rua. Com esta luz, tal e qual como está, não achas que ela parece mesmo uma daquelas actrizes espectaculares que aparecem num qualquer filme francês?

- Ah pronto! Assim está bem! Agora já compreendo tudo. Não é cá por coisas, mas eu já andava desconfiado disso desde o dia em que a vi pela primeira vez. Esses não são aqueles filmes que um gajo nunca percebe nada?

Blood buzz

Nunca percebi como é que alguém consegue dizer de uma forma completamente perceptível que está sem palavras!

The not knowing is easy #15

- Já reparaste a cara estúpida com que as pessoas todas sem excepção ficam, quando acham, ou pensam, que têm alguma coisa inteligente ou irrefutável para dizer? Giro giro, é olhar para as pessoas que estão nessa situação enquanto aguardam que alguém acabe de falar. Ou ficam o tempo todo a acenar afirmativamente com a cabeça, sempre a fazer a cara estúpida que se faz nessas alturas, ou então, dizem não não não não, a gaguejar, até que finalmente consigam dizer aquilo que têm para dizer, certos e convictos que isso vai sem dúvida nenhuma arrasar! Mas a melhor cara de se ver, é mesmo a cara que se faz quando afinal aquilo que tinham, e era absolutamente certo, para dizer, afinal estava errado! Já reparaste nessa cara alguma vez?

- Já, por acaso já...

- Já?! Quando?

- Agora mesmo, enquanto acenava afirmativamente com a cabeça à espera que terminasses de falar...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Mistaken for strangers

- Cheguei à conclusão que sou um coração mole! Só posso ser um coração mole! Cada vez que estou a chegar a uma situação que atinge o seu limite, que estou prestes a explodir e mandar tudo para o caraças, há sempre uma coisa qualquer, mesmo no segundo antes de eu poder rebentar, que me faz recuar de imediato e voltar a pensar. O pior, é que por vezes já pensei tanto na coisa, que a minha vontade é mesmo a de rebentar. E rebentar com razão! Sempre que penso, e eu penso muito nas coisas, e chego à conclusão que o melhor para mim, bem como aquilo que eu quero, é mandar tudo para o caraças, lá vem algo ou alguém mostrar que se calhar não há motivo real para explodir ainda! Mesmo que seja isso que eu já cheguei à conclusão que quero fazer! Só posso ser um coração mole, não achas?

- Podes ser só uma daquelas pessoas que não sabe bem o que quer e por causa disso, quando pensas que está na altura de dizer, ou fazer, alguma coisa para mudar, ou para terminar, de uma vez por todas com uma situação que para ti já se esta a arrastar, não seres capaz de por um ponto final, por não estares certo de que isso é realmente o que devias fazer. Essa é uma possibilidade também! Outra possibilidade, pode ser a de tu seres um medricas que diz que vai explodir e fazer isto e aqueloutro mas, no momento M, não fazes nada e desculpas-te com o facto de ter acontecido uma coisa qualquer que te impede de rebentar! Já viste o azar que é, isso acontecer-te sempre no momento em que tu estavas pronto para rebentar e dizer o que te vai na alma! Ou então, há também possibilidade de seres parvo. Pura e simplesmente seres parvo, e isso, por si só, explicar tudo o resto. Ou um coração mole, podes ser só um coração mole! Há igualmente a possibilidade de teres razão...Tal como há a possibilidade de eu ter razão...Quando sentires que estás pronto para me mandar à merda diz-me está bem? Para eu te dizer que afinal tens razão e estás certo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sodade

Vibrador “verde” impressiona defensores do ambiente

O novo vibrador “verde” Earth Angel foi desenhado para ajudar sexualmente países do Terceiro Mundo, mas o seu impacto está a fazer-se sentir entre as sociedades mais desenvolvidas, junto dos que lutam pela preservação do ambiente.


In Diário Digital


Bom, para além do impacto que faz sentir, finalmente uma coisa do terceiro mundo que serve de exemplo para o primeiro e segundo mundo....

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

I'm going down

- Fogo pá! Podes crer, a vida não é mesmo nada fácil! Alias, a vida é, é difícil! Depois, para ajudar à festa, ele ainda há-de fazer as coisas mais difíceis do que elas já por natureza são! Se não fosse às vezes a companhia que o ar me faz, nem sei o que seria de mim! Gosto tanto do ar, de respirar profundamente, faz-me bem respirar o ar! Acho que gosto tanto do ar como gosto de água! Preciso sempre de ter água perto de mim! A água faz parte de mim e da minha vida, acho que era incapaz de viver sem água! O que vale é que para compensar as tristezas e as amarguras da vida, tenho umas amigas que são verdadeiramente o máximo! Há uns dias, esteve cá a visitar-nos a Pixinha! A gente chama-lhe Pixinha porque como somos todas assim um bocado para o doidas, e todas sabemos que a avó dela manufacturava broches para as Senhoras Damas de antigamente, num dia em que fizemos uma festa surpresa para a Titinha, quando já estávamos todas muito aceleradas, em tom de brincadeira, começamos a chamar à Tuxa, Pixinha! Bom, quer dizer, primeiro foi Tuxinha, e depois, a Téte é que se lembrou de fazer o trocadilho, por causa da avó, percebes a piada não é, eu cá acho genial, fantástica! Foi uma risota nesse dia que nem te conto! Bom, mas como estava a dizer, no outro dia a Pixinha veio visitar-nos, ao tempo que não víamos a Pixinha, e não é que a cabrona conseguiu por toda a gente a chorar! Às tantas, já estávamos todas um bocadito tocaditas, confesso, começa a Pixinha a dizer que sabe perfeitamente que nós sabemos que ela está muito tempo ausente e distante, às vezes, mesmo quando está perto, ela sabe que se mantém na mesma distante, mas que, apesar de tudo, ela queria que nós soubéssemos que nada nunca iria abalar a nossa eterna e tão bonita amizade! Ai pá! Até me arrepia só de pensar nisso outra vez! E quando ela disse que é tudo por causa de ela ter a vida toda fodida, para usar a expressão brutal que ela usou para descrever a vida dela! Estou-me a arrepiar outra vez! Ela sabe que é muito maluca e que está sempre com problemas por causa disso. Mas, não sei, foi tão bonito aquilo que ela disse, assim, sem mais nem menos, dizer uma coisa tão profunda... Sei lá, olha, profunda como o mar, que eu gosto muito de água, a gente é que não se aguentou e desatamos todas ao abraços e aos beijos umas às outras! Foi uma doideira pegada! Ela sabe que pode contar com a gente, e nós com ela, para o que der e vier, que nós estaremos todas aqui para sempre para dar uma grande força umas às outras. Quando estamos todas juntas, já sabemos que vai haver maluquices! A gente às vezes nem se contem e começamos mesmo a rir sem que tenhamos feito alguma partida ainda! Depois de termos estado a chorar por causa do que ela disse, ainda rimos a valer, quando ela muito de repente, foi espontâneo, eu acho que foi espontâneo, as coisas a ela saem-lhe assim, ela virou-se para mim e perguntou-me, ouve lá ó vaca do Minho, já és feliz ou não!
Se eu sou feliz! Eu até gostava mas como é que é possível?! Custa tanto, às vezes, ser feliz! Por que é que nunca nada há-de correr bem ou como devia correr?! Fogo! Gaita para isto tudo! Às vezes é só o que me apetece dizer! Às vezes, parece mesmo que vim ao mundo para estar sempre metida em embrulhadas, que vim ao mundo para estar sempre metida em sarilhos! Já para não falar do raio desta relação complicadérrima que arranjei! Está bem que nós temos como que instituída esta competição entre nós! Lembro-me, uma vez, corremos de uma ponta à outra a meia praia em Lagos, só para ver quem é que corria mais depressa! Provavelmente a nossa relação vai ser sempre assim, como tudo na minha vida, tudo tem que ser tão difícil, quase impossível! Sou, de certeza, a pessoa que mais sofre de problemas neste mundo!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Complexos #16

- É um sumo de laranja, se fizer a fineza.

Pronto, lá estás tu novamente com as tuas cenas parvas! Já concluiste quantas vezes que só tu achas graça em dizer este tipo de coisa? Porquê? Por que é que insistes então? Já alguma vez conseguiste obter um esboço de um sorriso sequer, sempre que disseste algo do genero? Ok, já sei que tiveste aquilo a que se chama de sorte de principiante e na primeira vez que tiveste coragem de dizer bem haja aquela rapariga espectacular da caixa do supermercado, ela riu-se que nem uma perdida e até me deu um saco de plástico à borla! Nunca mais me esqueço, com um bocadito mais de coragem tinha sido gajo para lhe sacar o numero de telemovel, mas pronto, o que lá vai, lá vai. Agora porra, já está na altura de perceberes que isto acaba por ser como as máquinas de poker, um gajo ganha 100 na primeira vez, e depois, naquela que aquilo é canja, joga até perder 1000! Depois, claro, já se sabe como é, continua-se a jogar para se tentar ganhar, e pimba, perde-se muito mais outra vez! O pior é que quando já se está mentalizado para desistir de vez, há sempre um prémio qualquer que acalenta novas esperanças, e pumba, toca de jogar mais...Bom, de uma vez por todas, deixa-te de dizer estes disparates cada vez que te sentes inibido num lugar qualquer.
Ora aqui está o suminho fresquinho...NÃO! NÃO PODE SER! Vem ali o Jorge! Mas será possível isto! Espero que ele não faça a mesma cena que fez da outra vez que me viu beber sumo em vez de uma bebida alcoolica qualquer. O cabrão andou a dizer a toda a gente que estava à minha volta que me conhece há não sei quantos anos e que nunca me tinha visto beber sumo! Logo a seguir remata com a espectacular frase: “Deves estar a dar em mariquinhas agora!”
Se há coisa que eu detesto é que me pressionem socialmente. Que me importa a mim o que é que alguém que provavelmente vou apenas ver uma vez na vida pensa ou deixa de pensar de mim. O que me aborrece é a porcaria do provavelmente! Aqui, onde eu venho uma catrefada de vezes, como é que eu posso achar que as pessoas que estavam ao meu lado não vinham aqui outra vez! Ainda me ri e tal, mas não tive hipotese, dei por mim estava com uma borracheira tão grande que nem consegui ir trabalhar no dia seguinte!
Bom, resta-me esperar que ele hoje não parveje...Não. Não vou ter hipotese nenhuma, ele já vem com os dedos em cruz e a gritar vá de retro...Raios partam aquele gajo pá! Com franqueza, por que é que ele tem que estar com estas porcarias? Bem, tu vê lá o que é que vais fazer, lembra-te que tu tomaste os comprimidos e não podes mesmo beber alcool...O que é que ele está a fazer? Foda-se, não acredito! Ele está a falar com a Sandra, claro, com o mesmo discurso da outra vez. Pronto! Já disse mariquinhas de forma a que toda a gente tenha ouvido. Estou-me a lixar para ele. Estou-me a lixar para ele. Estou-me a lixar para ele. Não vou ceder a esta pressão social. Não vou ceder a esta pressão social. Não vou ceder, ele é parvo, isto é uma parvoice, tu é que mandas em ti. Vou rir-me na cara dele e ridiculariza-lo com o meu sagaz sarcasmo. Vamos ver quem é o ultimo a rir...Merda! A Sandra vem com ele, ainda por cima a rir! Que se lixe, se ela se ri e acha piada a este tipo de humor primitivo é porque não é gaja para mim.
Estou-me a lixar para ele. Não vou ceder a esta pressão social. Não vou ceder a esta pressão social. Não vou ceder, ele é parvo, isto é uma parvoice, tu é que mandas em ti.
Estou-me a lixar para ele. Não vou ceder a esta pressão social. Não vou ceder a esta pressão social. Não vou ceder, ele é parvo, isto é uma parvoice, tu é que mandas em ti.
Eles estão a chegar ao pé de mim! O que é que tu vais fazer agora? O que é que tu vais fazer agora? Eles estão aqui, mesmo à tua beira! Diz alguma coisa, deixa de rir feito parvo! Diz alguma coisa. Diz alguma coisa JÁ!

- Epá ó Sr. Rocha! Então eu pedi-lhe um vodka com laranja e o senhor traz-me isto! Ah ah ah! Este gajo às vezes consegue mesmo ser um calhau com dois olhos. O Sr. Rocha, não és tu Jorge! Olá Sandra, estás boa?

És um merdas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Radio Nowhere

Há dias em que ao acordar,
sinto que na realidade estou a dormir
e que a dormir fico a sonhar
com tudo aquilo que estou a sentir
Olho para mim próprio
Como se tudo o que estivesse a acontecer
Não fosse eu que o estivesse a fazer
Vejo todos os gestos que faço
As hesitações, os receios
Tudo... numa só imagem, num plano baço
Ruídos.sabores...cheiros
Vejo-me a sair ou a chegar
Vejo-me a sorrir ou a chorar
Vejo-me a dormir ou a acordar
Vejo-me, eu vejo-me
Há dias em que ao acordar,
sou invadido pelo pensamento
De alguém que pensa que está a pensar
Que todos os dias quando acorda
Pensa estar... a dormir... e a sonhar

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Bubbles

Ontem o Tavares perguntou-me como é que eu conheço e sei o nome de toda a gente! Acho-lhe cá uma piada! Então quer dizer, ele é que não presta atenção a nada nem ninguém e depois fica muito surpreendido por eu conhecer as pessoas que todos os dias passam por nós! É lá possível não saber que a D. Odete come sempre um pastel de nata e um garoto logo de manhã! Eu até lhe digo, em jeito de brincadeira, que ela qualquer dia é presa por pedofilia! Ri-se sempre! O que é que custava ao Tavares de vez em quando mandar assim uma laracha?! Eu já nem digo o dia todo, mas ao menos de manhã! Logo de manhã mando sempre as minhas larachas, as pessoas ficam bem-dispostas, vão depois para onde têm que ir bem-dispostas. Não há nada como começar o dia alegre e com um sorriso na cara. Até parece depois que o dia corre melhor, mais depressa, quando queremos que o dia passe! Se fosse por mim, só havia manhãs durante o dia todo. De manhã é que se consegue apanhar as pessoas desprevenidas, é mais fácil ficarem bem-dispostas. O Sr.Henrique, por exemplo, nunca o vejo de manhã, sempre que ao fim do dia fala comigo, é só para refilar! Ou porque os miúdos hoje em dia não sabem nada, ou porque alguém lhe escondeu a bengala, ou porque todos querem é que ele morra para ficarem com o dinheiro dele! Eu bem lhe digo para ela não levar a vida tão a serio, mas ele liga-me lá! A única coisa que ele me responde, sempre com um encolher de ombros envergonhado, é que burro velho já não aprende! Eu até me quer parecer que ele sabe que está errado, mas aprender é que não aprende mesmo! À conta disso, a Henriqueta já deixou de falar ao Pai e tudo! Cá entre nós, acho que ela nunca digeriu bem o facto de ele querer ter tido um filho em vez de uma filha! O que ele queria era ter tido um Júnior! Quando a D.Isaura andava grávida, em 1982, ainda brinquei um bocado com ele. Dizia-lhe que o júnior que ele esperava ia ser melhor jogador de futebol do que o Júnior da selecção do Brasil! Nessa altura ainda vi o Sr.Henrique rir com gosto!... O que é que o Tavares esperava? Ele acha mesmo que pode passar o dia todo com aquela cara de bolo do dia anterior sem tugir nem mugir e depois esperar que as pessoas o conheçam ou sejam amáveis para ele? A D.Eugénia tem-lhe cá um pó! Também tenho que ser justo, não sei porque é que ela não gosta do rapaz! Está bem que ele é assim mortiço, mas também nunca lhe fez mal nenhum! Só que ela tem cá um génio...tem que se saber leva-la! Alias, o segredo está aqui, é este mesmo! Tem que se saber levar as pessoas a gostarem de nós e não o contrário! Nem quero pensar no que vai ser do Tavares no dia em que eu for desta para melhor. Vou falar com ele. Ó TAVARES, ANDA CÁ PÁ...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Banda Sonora

Hey, tu, tu que tens medo de morrer, é uma tristeza falar com uma pessoa assim, não sabes falar, não sabes conversar, tudo o que te dizem te enerva, tudo o que te dizem te incomoda e no fim só sabes acusar, sem sequer fundamentar as acusações, só sabes dizer mal sem explicar porquê e depois dizes que as conversas são sempre iguais e dizes que ficas cansado disso. Tens uma postura de vida e uma maneira de estar completamente errada, arrastas-te para viver e cometes a burrice de achares que estás completamente certo sem sequer questionares uma vez que seja que podes não estar assim tão certo, no fundo tens medo de assumir que no meio de tudo, tu, tu que tens tanto medo de morrer, tens é medo de viver.

Bruce Springsteen - Badlands

Lights out tonight, trouble in the heartland.
Got a head-on collision, smashin in my guts man.
Im caught in a crossfire that I dont understand.
But theres one thing I know for sure girl:
I dont give a damn for the same old played out scenes
I dont give a damn for just the in-betweens.
Honey I want the heart, I want the soul, I want control right now.
You better listen to me baby:
Talk about a dream; try to make it real.
You wake up in the night with a fear so real.
You spend your life waiting for a moment that just dont come.
Well dont waste your time waiting

Badlands you gotta live it every day
Let the broken hearts stand
As the price youve gotta pay
Well keep pushin till its understood
And these badlands start treating us good

Workin in the field till you get your back burned
Workin `neath the wheels till you get your facts learned.
Baby I got my facts learned real good right now.
You better get it straight darling:
Poor men wanna be rich, rich men wanna be kings,
And a king aint satisfied till he rules everything.
I wanna go out tonight, I wanna find out what I got.
Now I believe in the love that you gave me.
I believe in the faith that could save me.
I believe in the hope and I pray that some day it
Will raise me above these

Badlands...

For the ones who had a notion, a notion deep inside
That it aint no sin to be glad youre alive.
I wanna find one face that aint looking through me
I wanna find one place, I wanna spit in the face of these

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Born of frustration

- Eh pá! Tu és impossível! Quantas vezes é que já te disse que não gosto de me repetir? Quantas?

- 73.

- Ai é?! E digo-te as vezes que forem necessárias... até que tu consigas entender isso.

Ring the bells

- Caustico, consegues ser caustico?

- Caustico?!

- Sim, caustico! Irónico, sarcástico…

- Então, mas isso não demonstraria despeito?

- Despeito?! Não! A meu ver representa é indiferença!

- Mas, se a meu ver isso representa despeito, ao ser-me imposto ser caustico, irónico ou sarcástico, não vou conseguir ser sincero! Não achas que isso estará logo a condicionar, à partida, a minha forma de agir e pensar?

- Imposto! Sê como tu quiseres! Eu só te disse que gostava de algo caustico! Esquece o que eu disse, e faz o que te apetecer…

- Desde que tu não me venhas com coisas para ser caustico, ou irónico, ou o diabo a sete! É muito fácil para ti, dizer isso agora depois de teres dito o que disseste! E se não gostares como é?

- Eu gostava de algo caustico, mas posso também gostar de algo de outro género, faz o que te aprouver e depois logo se vê, é melhor assim…

- Esquece, agora já não consigo.