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terça-feira, 28 de julho de 2009

Banda Sonora

Construí um muro enorme à minha volta para me conseguir esconder. Agora, não consigo achar a saída.

OIOAI - Ponto fraco

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Unknown caller

O Gusmão passa sempre quase o dia todo a pigarrear!

Bad

O William Hurt magoa-se quase sempre nos filmes que faz!

Moment of Surrender

- 'Cê sabe aquela sensação de quando 'cê sai do trabalho pra ir pra casa? Rapaz, num tem coisa nem palavra que cunsiga descrevê...

- Rapaz! Num tem meismo! É bom de mais...

- É isso aí mêmo! É bom demais...

- Isso aí! Bonde mais ónibus mais a pé uns 2 quilometro, tudo de pé! Rapaz num há mais saco pra uma coisa dessa...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Passear para o sul

Rumámos para sul. Nenhum de nós tinha uma ideia concreta do que ia acontecer, não sabíamos sequer porque razão tínhamos decidido rumar para sul, mas na altura em que tomámos a decisão, pareceu-nos que era o melhor a fazer. Factor decisivo na escolha do sul como destino, foi o facto de ambos termos vivido numa casa que estava virada para sul, todos os dias depois do meio-dia, a casa era inundada de Sol até que o mesmo se escondesse. Agradou-nos a ideia de viajarmos com o Sol a bater constantemente na nossa cara. Era completamente impensável viajar durante a manhã. O reboliço, a euforia e a paixão com que vivíamos à noite, não permitia, quase nunca, que nós nos levantássemos antes da uma da tarde.
Confesso que para mim, apesar de nunca me queixar disso, era um bocado frustrante não viajar de manhã. Sempre gostei do Sol da manhã. Mas percebia perfeitamente que era impossível sair mais cedo, e quando começávamos de novo a viagem, esquecia-me logo disso. Apesar de, todos os dias antes de adormecer, me lembrar do Sol da manhã.
Rumámos então para sul, já estávamos a andar para sul há 4 dias, quando nos apercebemos que ao atravessar a fronteira iríamos deixar de estar no Sul e passaríamos a estar no Norte. É certo que o objectivo era rumar a Sul, mas não tínhamos decidido se era para o Sul do País ou para o Sul do mundo. De repente, a escassos quilómetros da fronteira, tínhamos que decidir se íamos para o Sul do País, ou para o Sul do Mundo, sendo que ir para o Sul do Mundo iria significar demorar mais tempo na viagem do que o que inicialmente tínhamos previsto. Enquanto decidíamos o que fazer, apercebemo-nos que não sabíamos há quanto tempo estávamos a viajar, tínhamos apenas noção que tinham passado 4 dias desde que tínhamos decidido rumar a Sul, mas antes disso, com os dias que passamos no mesmo lugar, com as voltas que demos antes de decidir estabelecer um rumo, perdemos a noção do tempo. Tínhamos andado tempo indeterminado sem rumo e agora tínhamos perdido a noção do tempo que tínhamos perdido. Enquanto chegávamos a estas conclusões, concluímos igualmente que não tínhamos perdido tempo nenhum, tínhamos apenas andado sem rumo, mas o tempo tinha sido bem empregue, foi mesmo o tempo das nossas vidas, e chegávamos agora a essa conclusão. Festejámos o facto de nos termos apercebido ali, naquele instante, que tínhamos vivido o tempo das nossas vidas, a partir daquele momento já não importava mais nada. Decidimos rumar para o Sul do mundo, iríamos até onde fosse possível, tínhamos apenas um objectivo, rumar a Sul, a viagem iria continuar, mas desta vez com um objectivo e com um Rumo. Rumámos para Sul. A viagem terminou um dia depois.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Faraway So Close

- Detesto o óbvio e tudo aquilo que é previsível! Faz-me comichões, urticária…

- Vindo de ti, não seria de esperar que dissesses ou fizesses outra coisa qualquer…

Uohhhhhhhhhhhhhhhh! Ahhhhhhhhhhhhhhhh!!!

- Caros amigos e concidadãos. Como vós tão bem sabeis, este comité, por todos nós concordado e organizado, foi constituído para que possamos todos, em total união de esforços e força de vontade, concluir qual o nome ideal a dar ao mais recente estabelecimento comercial que irá, com toda a certeza, prosperar no nosso bairro. Depois da acesa discussão, mantida durante várias semanas, tendo numa ou noutra vez chegado mesmo a vias de facto, no que à porrada concerne, e na impossibilidade de se conseguir chegar a um consenso sobre o nome a dar, como vós por certo se recordam, foi estabelecido que o Comité delegaria a responsabilidade da atribuição do nome ao Sr. Comendador e Desembargador. Depois de duas semanas de retiro, e profunda reflexão, é com um incomensurável jubilo que vos revelo agora que o Sr. Comendador e Desembargador, através de um telegrama enviado há poucos minutos, não só deliberou o nome final para o novo estabelecimento comercial, como a isso juntou a frase publicitária que irá, após esta reunião, ser de imediato entregue à rádio local! Connosco, para alem do Firmino e do Onofre, os dois sócios gerentes do negócio, estão também os estimáveis presidentes da Junta e da Câmara Municipal, bem como todos os Srs. Vereadores e Vogais do Município! Sem mais delongas então, o vosso aplauso ao nome final e frase publicitária para a nova Serralharia:

“Serralharia Serralegria! Com o Firmino e o Onofre, nunca o ferro teve tanta sorte!”

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sweet dreams are made of this...

a menina que andava como um pardalito, tentou voar, mas caiu
ainda tentou agarrar-se a um ramito, teve azar, e ele partiu
cresceu com uma asa partida, que a impossibilitava, de voar
não dando conta que a vida, lhe proporcionava, a chance de o tentar
passou a andar como uma galinha, de um lado para o outro, todo o dia a bicar
até que um dia, já velhinha, cortaram-lhe o pescoço, e foi canja o jantar

A menina, coitadinha, que queria tanto crescer
Bonina,...ainda pequenina, colocada numa jarra para toda a gente ver

- O que é esta merda? Ou melhor, diz-me que isto não é aquilo que eu estou a pensar...
- Bom, se tu estás a pensar que isso é a nossa nova letra, então é. O que é que achas?
- Só podes estar a brincar! Que raio de merda é esta?
- Então! Não foste tu que disseste que estava na altura de reinventar a canção de intervenção? Não foste tu que disseste, numa altura em que passam 40 anos do Maio de 68, estando as coisas no estado em que estão, que se deve avançar para uma nova revolução, para a insubordinação, para a subversão? Está aí a nossa nova letra, contem tudo isso e muito mais. É uma espécie de compêndio revolucionário, e actual!
- Mas tu estás parvo ou quê? Onde é que esta porcaria é alguma coisa dessas?
- Mau! Mas desde quando é que as coisas, na canção de intervenção, eram ditas de uma forma explicita?
- Está bem, mas isso era por causa da censura. Agora podes dizer aquilo que quiseres, e de uma forma directa, explicita! Alem disso, o que é que a porcaria que escreveste quer dizer? Eu não vejo ali absolutamente nada, quanto mais uma crítica social...
- Isso é porque já estás tu também contaminado! É porque tu também já te tornaste demasiadamente preguiçoso para conseguires ver além do óbvio, daquilo que te espetam nos olhos sem te dar tempo para pensares, vês, comes, e calas. Isso não canção de intervenção meu amigo...Canção de intervenção é código, é um dialecto próprio para se comunicar ideias subversivas que vão dar cabo do poder institucionalizado. Lembras-te da minha teoria sobre as nádegas?
- Foda-se! Não me venhas com essa merda dessa teoria outra vez...Mas diz-me lá então o que é que a letra quer dizer?
- Bom, para já é actual, visa criticar a forma como hoje em dia é dada demasiada importância à imagem, olvidando muitas vezes o conteúdo, o cerne...
- Foda-se! Vais dizer o que é que significa a letra ou não?
- A primeira frase, isto para falar numa linguagem que tu entendas, já vi que poesia não é o teu forte, fala, metaforicamente, como todo o poema aliás, sobre uma gaja que tinha a mania que era boa. Eu fiz o poema em gaja porque vou ser eu, um gajo, a cantar. A beleza disto é que se for uma gaja a cantar, transforma-se a palavra menina em menino, e por aí adiante...
- A LETRA?!
- Sim, está bem...Bom, a gaja tem a mania que é boa e tenta engatar um gajo que tem a mania que é bom também, só que o gajo, já se sabe, queria era guito, andou com a gaja e depois partiu para outra. A gaja, e aqui já se nota, apesar da mania dela, que ela até era uma gaja que acreditava no amor e tal, tentou então casar com um gajo com menos mania, só que, o gajo afinal queria uma gaja com menos mania também, não se deslumbrou com ela, e pumba, bazou da vida dela também. A partir daí, está mais do que visto, ela virou uma daquelas gajas que anda de vez em quando com um gajo qualquer, tornou-se uma quadrilheira, para usar uma expressão do tempo da canção da intervenção, e passava o dia todo ou à caça de um gajo, ou a falar da vida de alguém, esquecendo-se completamente de tentar viver a vida feliz novamente...Até já estou a ver a cena, a primeira parte canta-se como se fosse um fado de Coimbra, mas com distorção, e depois o refrão, com uma voz hardcore e o fagote com som limpo...
- Foda-se! Tu queres mesmo que eu acredite que esta porcaria quer dizer isso tudo? E mesmo que eu acredite, achas que mais alguém vai acreditar nisso? Ninguém vai perceber nada disso desta letra! Foda-se o que é que quer dizer: até que um dia, já velhinha, cortaram-lhe o pescoço, e foi canja o jantar?
- Se tu acreditares, os outros também vão acreditar...É só uma questão de tempo até as pessoas começarem a olhar para além do obvio...Nós vamos ser os novos pioneiros da visão para além do óbvio... Ah, e isso é a tal frase que não quer dizer nada, mas que soa bem e encaixa perfeitamente na letra, que todas as musicas de intervenção têm...
- Bom, está bem, convenceste-me, nós depois tentamos esta letra numa música no próximo ensaio...
- EStás maluco? Esta é a oportunidade perfeita para estrear a música logo à noite no concerto...Já estou mesmo a ver a cena, mesmo antes de acabar, dizemos que vamos tentar fazer uma música nova em palco, tu começas a tocar, improvisado, e eu começo a cantar esta letra. Assim a coisa fica no ouvido das pessoas e podemos sentir logo a reacção do povo. Se o povo gostar, está feita a cena meu, não te esqueças nunca que o povo é quem mais ordena...Para além disso, deve ser um granda rush de adrenalina estar a inventar uma cena em palco mesmo à frente das pessoas! Não estás mesmo numa de fazer a música já hoje? Hoje man!
- OK! BORA LÁ ENTÃO...
- BORA! Só uma cena, fica combinado então que hoje tocas tu o fagote e eu canto...
- Pois, isso é outra cena que eu queria falar contigo. Não achas que deviamos ter mais instrumentos e pessoas a tocar connosco?
- Não! Tu és maluco? Já te disse man! Vamos ser conhecidos mundialmente como a banda do fagote. A banda do fagote man! Queres melhor nome para conquistar Portugal e o mundo do que tal originalidade?
- Banda do fagote, pá! Não me agrada nada...E o nome do disco, fagotinho, também não gosto nada...
- MAN! Já te disse que temos de apostar na originalidade, na reinvenção das cenas, mas sobretudo, sobretudo, na lusofonia. Na lu so fo nia, man!
- Pronto, está bem...Sempre nos pagam 100 euros pelo concerto hoje, não é?

terça-feira, 21 de julho de 2009

I'm floating in the air, but my body's in bed

- Concluí que tenho uma saúde de ferro!

- Então?

- Então, à medida que o tempo passa, estou cada vez mais enferrujado.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Manic Monday

São já são oito novamente, passou mais um fim-de-semana
Só à segunda normalmente, é que me apetece ficar na cama
Levantar-me olhar para o espelho, mais um dia da minha vida
Não pode ser estou a ficar velho, para permanecer nesta lida
Tomar banho ir para o emprego, passar o dia em frente ao PC
Para aturar só labregos, que me tratam por você
Mas que merda de existência, isto não é vida para ninguém
Outro modo de subsistência, tentar ir muito mais além
É o que tenho de fazer, se não quiser ficar igual
Aos que estão sempre a dizer, que têm uma vida bestial
Coisa em que eu não acredito, basta ouvi-los falar
"Topa-me bem aquele pito, mas disfarça ao olhar"
Mais o Sporting, o Benfica, o tempo e a porcaria da crise
Só conversas que não dão pica, em cinco dias de reprise!
Depois o elevador, a maledicência, e as conversas de engate
Sem um pingo de decência, diz-se cada disparate!
Queima-se tempo até sair, enquanto lentas passam as horas
Sempre com vontade de fugir, por aquela porta fora
São semanas, meses, anos, sem produzir nada de jeito
Se só para as estatísticas contamos, não foi para isto que fui feito
Mesmo que de vez em quando, por graça lá faça algo de útil
Não deixo de me sentir um tanso, por ser também algo fútil
Algo que gera apenas riqueza, a meia dúzia de charlatães
Algo que até poderia ter a sua beleza, não fossem todos filhos da Mãe
Que só pensam no seu bem-estar, no dinheiro e no seu umbigo
Se é nisto que tenho de trabalhar, hoje eu sei que já não consigo
Por tudo isto que acontece, sinto-me mesmo sem eira nem beira
Acho que é por isso que me aborrece, a maldita segunda-feira

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Hole To Feed

Será que naquelas alturas em que estamos absortos, ou que nos estamos a divertir, ou pura e simplesmente quando nos sentimos felizes e não damos pelo tempo a passar, envelhecemos?

Tightrope

Ouve. Consegues ouvir aquela voz ao fundo, como se fosse o bater do teu coração cada vez mais e mais pungente dentro do teu peito até que o barulho ensurdecedor e a dor, lancinante, se torne de tal forma insuportável que não te deixa respirar ou mover qualquer membro do corpo sequer? Escuta. Presta atenção ao que aquela voz fina e suave sussurra enquanto as ondas do mar se confundem com a areia e despejam para a terra molhada pedaços de lixo putrefactos, carcaças de gaivotas insuportavelmente infectas e pestilentos esqueletos carcomidos pelo sal e pelos peixes mais atrevidos. Achas mesmo que são imperceptíveis os murmúrios que reclamas não conseguir ouvir? Ou são antes vozes estrepitosas que te entram pelos tímpanos adentro e te martelam o cérebro de tal forma que te vês impedido de pensar ou perceber tudo aquilo que se passa mesmo em frente às tuas pontiagudas ventas? De qualquer das formas, do que é que te queixas concretamente? De não conseguir compreender o que a voz te diz apesar de saberes que a ouves e que ela existe? De não conseguires compreender o que a voz te diz enquanto a ouves e a tentas decifrar? Ou de não conseguires perceber sequer que há uma voz ali, mesmo ali, quase ao pé de ti, apesar de estar lá ao fundo, já perto da porta do porão que dá acesso aos recônditos e profundos segredos do ser pensante mais pérfido e insolente que alguma vez existiu? Que tipo de intentos podes tu formular, ou desejar, que aconteçam em teu redor, ainda que não saibas o perímetro que o circunda? Se vives nume elipse e não consegues compreender a sub intenção, vai, corre à velocidade de um caracol para o quadrado que te criou, e deixa-te lá ficar a derreter enquanto o Sol apaga as marcas que restaram do rasto de muco que deixaste enquanto punhas os cornos ao léu.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

The not knowing is easy #14

Se a cena se chama cordão umbilical, por que é que se chama umbigo e não umbico?

Close Watch

Acordou de repente, sobressaltado. O seu coração batia desenfreadamente, provocando o suor a impor a sua personalidade e a finalmente concretizar o desejo de escorrer livremente pelo corpo com o único propósito de conseguir transformar-se num pequeno riacho que, em catadupa, pudesse cair pela cama abaixo culminando numa pequena lagoa junto às gavetas da cama. Esbugalhou os olhos, impedindo que algo mais lhe penetrasse a mente, esfregou-os até deixar de ver apenas escuridão, e olhou para ela, deitada, vestida com a sua camisa de noite branca, a preferida dele. A incessante caminhada de uma insolente nuvem permitiu-lhe vislumbrar de relance o que o cetim gentilmente deixava transparecer. Os olhos dele percorreram suavemente o corpo dela e assim que se interpuseram no seu olhar, fixaram-se nas marcas que as cuecas desenhavam nas costas. Sorriu, com o exacto volume sonoro da respiração profunda que o sono provoca, ao pensar nas mil e uma desculpas que ela constantemente inventa para conseguir justificar a si mesmo o porquê de preferir dormir todos os dias de cuecas vestidas. Recostou novamente o corpo encharcado no macio dos lençóis, e de costas encostadas às costas dela, fechou novamente os olhos. Passados dois segundos, voltou a abri-los repentinamente, depois de se ter apercebido que não a tinha beijado no ombro direito como por hábito acontece quando um ataque de ansiedade investe sem misericórdia. Enquanto se indagava sobre a razão de tal ter sucedido, voltou a olhar para ela, sentou-se de novo na cama e começou a pensar com toda a força do seu ser. Já sem mãos a medir, o suor conseguia agora visualizar perfeitamente a apoquentação que lhe atormentava o espírito. Sem hesitar, fez escorrer delicadamente até ao corpo dela duas pequenas gotas propositadamente arrefecidas. Ao sentir o gentil toque das gotas, ela abriu os olhos e beijou, sem dizer nada, a perna esquerda dele. Os lábios dela estavam tão quentes que assim que sentiu o toque da boca dela nos pelos que cobrem a pele da perna dele o suor gritou, em vão, por reforços. Continuando sem dizer nada, ela puxou o corpo dele de forma a faze-lo deitar. Encostando o peito às costas dele, sussurrou-lhe ao ouvido, dorme descansado. Não precisas mais de ter medo. Eu também já não estou apaixonada por ti. Agora, tal como tu, já só consigo, tão-somente, amar-te...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

- Ena! Olha a Cátia! Como é que tu estás? Já não te vi via, sei lá, há uns 18 anos! Está tudo bem contigo?

- Pedro! É verdade! Há quanto tempo! Mas olha que tu, apesar de estares um pouco mais gordito e um pouco mais careca, estás igualzinho!

- És simpática. Mas isso não é bem verdade. Vê lá tu que agora até pelos nas nadegas tenho!

- A sério? Olha, eu agora já não tenho pelos em lado nenhum...

Love hurts, love scars, Love wounds, and marks

- Achas mesmo que o amor magoa?

- Se usares lubrificantes não.

This is my life, what can I do? I can do very well without you

- Aquela gaja faz-me mesmo o coração bater mais rápido...

- A mim faz-me mesmo bater mais rápido só.

The not knowing is easy #13

Será que os filhos de um João com uma Joana se intitulam de Joanetes?

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Complexos #14

Gosto, durante o ano inteiro, mas especialmente nestes dias, de ir até à praia e parar na muralha para sentir o sol a bater-me na cara e na roupa, enquanto a brisa sopra devagar. Fico, durante alguns minutos, a olhar para a imensa extensão de areia até que me perco na vastidão do mar e do ceu. Nestes dias, em que o Sol brilha e as ondas são inexistentes, formam-se aqueles piquinhos brilhantes no horizonte, semelhantes aos que se vêm quando se manda uma cabeçada contra a parede, que ofuscam a visão e perduram, mesmo depois de já se estar a olhar para outra coisa qualquer! Na maioria das vezes, quase sempre, acabo por me sentar na muralha e fico ali, a ler durante um bocado. Vou intercalando a minha atenção entre as páginas do livro e os olhares de relance esporádicos para o horizonte, sempre que sou interrompido pelo barulho do sol a bater em todo o lado que conseguir em conjunto com o da agua a arrastar-se na areia misturados com os sons disformes de crianças que brincam e berram, e cães que correm e ladram, e bolas que são chutadas! A praia, tal como quase tudo na vida, tem dois estados igualmente belos! O estado adormecido, bucolico e melancolico, e o estado em que a vida emana e resplandece por todos os lados! O que realmente gosto de estar na praia! Faz-me mesmo bem lá estar! Por esta altura, muitas pessoas já começam a ir para a areia e mesmo para a água, dando, a cada dia que passa, nova vida, ou uma vida diferente, à praia! Hoje, ainda enebriado pela mesma paisagem de sempre, que nunca é igual, e passados os habituais minutos de contemplação, sem hesitar, sentei-me, como de costume, na muralha. Assim que passei a perna direita por cima da muralha, e me preparava para a assentar novamente no chão, senti o meu pé bater em qualquer coisa! Cerca de meio segundo depois, ouvi um clank! Lá em baixo, na areia! Olhei de imediato! Tive que chegar o corpo à frente, para alcançar a vista do chão! Assim que o consegui avistar, estava uma mulher, de meia-idade, a olhar para cima, questionando-se quem teria mandado uma garrafa de cerveja lá para baixo! Quando vi a garrafa na areia, o olhar espantado da mulher, tentei explicar-lhe que tinha acabado de me sentar ali e que não tinha reparado que alguem tinha deixado ali uma garrafa! Sem alterar a sua expressão facial, a mulher disse que aquilo quase lhe bateu na cabeça, e que eu a podia ter aleijado! Repeti, mais uma vez, o que tinha dito! Sem ter culpa de nada, a não ser a de não ter olhado para verificar se não estaria por acaso uma garrafa de cerveja na berma da muralha de modo a que eu pudesse lá bater com a perna enquanto me sentava de costas viradas para a garrafa e sem querer a mandasse lá para baixo, pedi desculpa pela segunda vez! Entretanto, um homem, aparentando ter sensivelmente a mesma idade da mulher, que por acaso, estava relativamente perto dela quando a garrafa caiu, começou por dizer que as pessoas são porcas por natureza, e que não têm respeito nenhum por ninguem! Uma vez que o homem vociferou tais palavras, numa amplitude de som razoavel, em muito pouco tempo, outras pessoas começaram, com alguma curiosidade, a olhar para o sítio onde a garrafa tinha caido e de seguida para mim! Acenando, inexplicavelmente, a cabeça! Tentei, depois de ter pedido mais duas vezes desculpa, terminar com a questão, e comecei a folhear o livro a fim de poder ganhar a concentração necessária para que a leitura corresse sem problemas. Só que, não só não consegui reunir a concentração necessária, como fui abruptamente interrompido pelas ameaças, daquele que penso ser o marido da mulher que quase levou com uma garrafa na cabeça! Achei, naquele momento, que já não estavam reunidas as condições ideais para ler, quando aquele que penso ser o marido, agarrou na garrafa e mostrou intenções de me dar mesmo com a mesma na cabeça, segundo as palavras dele, para ver se eu gostava! Achei que seria uma situação que talvez nunca conseguisse compreender, caso eu lhe dissesse que apenas me havia sentado ali, e que, sem querer, tinha mandado uma garrafa lá para baixo! Acho que a culpa não pode mesmo morrer solteira, mesmo que não se saiba, nem venha a saber, quem é o culpado.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Ultraviolet

- ...Help me, get my feet back off the ground...

- Hey! A letra dessa musica não é assim! É help me get my feet back on the ground...

- Eu sei, mas agora eu queria era ajuda para sair do chão e voltar a conseguir sonhar outra vez como dantes conseguia...

I'll be standing on the beach with my guitar

- Já viste? Realmente há pessoas que nasceram mesmo para ficar uma com a outra! Olha lá ali aquele casal. Eu não os conheço de lado nenhum, mas basta olhar para eles os dois juntos, para ver que existe qualquer coisa que ninguém sabe explicar entre eles. É mais do que obvio que tinham de um dia de se cruzar e ficar juntos...

- Estás a falar daquele casal ali a dançar? Já tinha reparado neles também! Tens razão, sente-se a energia que eles emanam! Nota-se perfeitamente que se dão muito bem e que estão muito felizes neste momento. Repara lá como ela dança a olhar para ele enquanto ele faz parvoices e dança também...

- Não! Estou a referir-me aquele casal ali a dormir cada um para seu lado naquele pequeno sofá. Como é que é possivel ele e ela conseguirem dormir ali com este barulho todo!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Jogos físicos e psicológicos

- Não. Não vamos falar disso nem sobre isso porque sabes perfeitamente que isso me deixa ansiosa e nervosa...

- E então? Achas mesmo que podes passar a vida inteira sem falar nisso ou sobre isso? E qual é que é o problema em ficares ansiosa e nervosa se sabes que me tens sempre aqui. Se sabes perfeitamente que tens aqui os meus braços, o meu corpo e a minha mente para te reconfortar, para te acalmar. Queres coisa melhor do que ter a sensação de te sentires realmente viva, de deixares pura e simplesmente as coisas acontecerem sem pensar em mais nada depois de ficares ansiosa e nervosa com as coisas ou com os assuntos que deixam assim? Eu reconheceria que seria um problema para ti, e até mesmo para quase todas as pessoas, caso não tivesses ninguém para te reconfortar. Isso sim, deixar-te-ia de rastos, sem esperança. Mas tu sabes que tens. E sabes que evitar as coisas não faz com que elas desapareçam. Enfrenta-as que eu não deixo que elas te ganhem...

- És tão espertinho! Só me estás a dizer isso porque me gostas de ver sôfrega. Porque gostas que eu perca o controlo só para me sentir viva...

- Tu é que és muito espertinha. Eu sei muito bem que tu só estás a dizer isso porque sabes muito bem que eu não sou capaz de fazer isso...

- E não achas que acabas por estar a fazer a mesma coisa que dizes para eu não fazer? Quando é que te sentes vivo então? Como é que achas que eu me sinto ao saber que eu não consigo fazer-te sentir vivo?

- Não era sobre isso que estávamos a falar. Não vamos falar sobre isso agora. Vamos continuar com o assunto que te deixa ansiosa...

- Tu sabes que eu estou aqui não sabes? Tal como tu tens a certeza que eu sei que tu estás aí para mim, sabes que eu estou aqui para ti, não sabes?

- Estás outra vez a fugir ao assunto...

- Sim. Para outro que me deixa ainda mais ansiosa e nervosa. Anda, já estou ansiosa o suficiente e da maneira que me sinto agora, só me vou sentir viva e imortal hoje se me deixares ver-te sem controlo. Anda, deixa-me ver-te sentir vivo...

- Não posso. Sabes bem que eu não posso fazer isso...

- PORQUÊ? Dizes-me sempre isso mas nunca me dizes porquê? Porquê?

- Porque eu tenho medo que a sensação de me sentir vivo me mate. Porque eu acho que depois de me sentir vivo já não há mais nada que eu possa fazer. Porque não acredito em repetições de momentos nem de sensações. Porque, no fundo, ainda não sei quem sou e isso deixa-me sem saber o que fazer ou pensar. Pronto. Já disse. Sabes, às vezes tenho a certeza que sempre fui como hoje sou. Invariavelmente chego à conclusão que isso não é verdade porque nessas mesmas vezes lembro-me de ter sido, algures no tempo, como hoje não sou. Embora não perceba como, ou consiga sequer ser assim outra vez, ou até conceba ter sido como fui sendo eu hoje aquilo que sou, noutras vezes gostava de conseguir ser quem fui e não percebo porque é que já não consigo ser, ou quando e como é que deixei de o ser sem sequer dar por isso ter acontecido. Fico horas e horas nisto. Depois racionalizo tudo e recomeço novamente...

- Incrível! Tens a teoria toda na cabeça mas não tens prática nenhuma! Isso não pode, de forma nenhuma, acontecer. Dessa forma nunca na vida vais saber quem és! Neste momento não sei sequer o que te dizer...Sabes que mais? Já não quero falar sobre mais nada agora. O teu segredo deixou-me num estado de ansiedade agora, que preciso mesmo sentir-me viva outra vez. Sabes...o ser humano é muito egoista...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Antroponímia #5

Imaginem uma linha assim muita grande de pessoas, ou de peças de dominó, tanto faz…Estão a imaginar a coisa não é? Já estão a visualizar uma linha daquelas mesmo grandes, a rondar as centenas ou até mesmo as dezenas, tudo seguido em fila de pirilau? Agora vejam lá bem, na vossa imaginação, se acontecer como acontece na realidade, na vossa imaginação tem de existir neste momento uma pessoa, ou uma peça, que se destaca de alguma forma no meio da catrefada toda, não é verdade? Por o menos comigo, sempre que me acontece uma coisa semelhante, ou quando imagino uma coisa assim, é isso que me acontece. Bom, o Elias era essa pessoa ou essa peça. Era um gajo fora de série pronto. Não há palavras que o possam descrever! Ainda me lembro como se fosse ontem! Todos os Domingos era certo e sabido o que nos esperava. Entre as dez e as onze menos trinta, lá íamos nós até à oficina do Elias para ver o novo poster que tinha saído nessa semana e, principalmente, ouvir a nova historia que ele ia inventar para esse dia. Estou-vos a dizer, acreditem ou não, o Elias era mesmo o maior a inventar historias sobre o que é que é possível fazer com uma daquelas gajas quase todas descascadas que aparecem nos posters e nos calendários, caso uma delas nos aparecesse de repente na oficina. Aquilo era sem dúvida nenhuma o nosso culto dominical. A coisa começava sempre da mesma forma, fingia que ia lá atrás buscar o bagaço lá da terra dele, e depois lá vinha ele com os olhos franzidos, de fato-macaco e o cigarro no canto da boca, já com o poster que ele arranjava todas as semanas num jornal na mão, e a gritar “IMAGINEM LÁ QUE ESTA AQUI VOS APARECIA NESTES PROPOSITOS DE REPENTE AQUI NA OFICINA”, até parece que o estou a ver. A seguir mostrava-nos o poster e começava logo a historia que ele lá tinha imaginado. Melhor do que muita coisa que já ouvi por aí, e muito melhor que muitos filmes pornográficos, é o que eu vos digo! O gajo conseguia mesmo por um gajo a ver o filme todo, com detalhes e tudo! Eu, como nessas coisas sou sempre muito reservado, ouvia, gostava e pronto. Sempre me contive na oficina. Mas confesso que quando chegava a casa, ainda antes do almoço, a primeira coisa que fazia era ir logo esgalhar uma à casa de banho enquanto fingia que estava a ouvir a história do Elias outra vez. O Emílio é que já sabe como o gajo era, nunca aguentava nada, e mal o Elias acabava a historia, era ver o Emílio a correr ofegante para a casa de banho da oficina. Ah homem de um cabrão! Quem é que havia de dizer que esta mania do Emílio bater punhetas em todo o lado ia ser o fim dele! Bom, às tantas aquilo passou a ser mais um vicio de que outra coisa qualquer. Para nós, além do divertido que era, acabava também por ser bom. Devido ao vicio dele sempre conhecemos para cima de uns duzentos restaurantes, espalhados pelo País todo, com o objectivo do Emílio, no fim de cada almoço, ir bater uma à casa de banho, e deixar aquilo tudo cagado. Aquilo já era tão certo e sabido, que nos dias em que a comezaina era mesmo boa, nem dávamos conta que o Emílio já se tinha ido e vindo! Quando dávamos por nós, já estava o Emílio novamente sentado à mesa, vermelho que nem um tomate. Certo dia, depois de completado o serviço, vinha ele esbaforido de todo. Mal se ia a sentar ouve-se uma voz vinda da porta da casa de banho! Era o dono do restaurante com uma cara tão grande de poucos amigos, que quando o homem acabou de dizer “MAS QUE JAVARDEIRA FOI ESTA AQUI? ESTAMOS AQUI A BRINCAR COM A TROPA OU QUÊ?”, já o Emílio estava no chão, morto da silva, com o cagaço que aquela voz de trovão nos pregou a todos! Dois dias mais tarde, no funeral, o Edgar, e viu-se mesmo que aquilo saiu de lá de dentro, disse “ O Emílio morreu, mas a fazer aquilo que mais lhe dava prazer na vida. Um homem não pode querer nenhuma outra morte”. Aquela merda foi tão profunda, bateu-nos tanto, que juramos logo ali nessa noite bater uma em honra do Emílio. O Edgar, sei-o agora, sempre foi o intelectual do grupo. No fundo era um gajo que se via que tinha gosto em pensar nas coisas. A diversão com ele já era uma coisa diferente, mais elaborada, um gajo tinha de saber ver as coisas, atingir a cena como o gajo queria que a gente a visse, para se conseguir divertir alguma coisa. Alem disso não era gajo para explicar muito as coisas. Primeiro porque era de poucas falas, depois porque dizia as coisas e pronto, um gajo se quisesse que o entendesse. Quem é que diria que iria desta para melhor por ter falado demais! Aquela pergunta do dono do restaurante ficou a martelar-lhe na cabeça durante uns dias, até que chegou ao pé de nós e disse que já tinha arranjado uma nova forma de continuarmos com as nossas voltas. Então o que é que aquele se havia de ter lembrado?! O plano era correr todos os quartéis do País para ir ao maior número de juramentos de bandeira que conseguíssemos! Ao princípio não achei mesmo graça nenhuma a esta ideia. Para mim era uma coisa mesmo parva. Mas como o Emílio já se tinha ido e ninguém sentia coragem para andar a correr restaurantes de um lado para o outro, o Elias só conseguia inventar uma história por semana, o que é que um gajo ia fazer? Aquilo para o Edgar era mesmo uma coisa que ele achava que a malta devia fazer! E nós pronto, lá começamos então a ir aos quartéis. Já não me lembro bem se foi logo no segundo, ou no terceiro juramento que nós fomos, que nós percemos que aquilo tinha mesmo graça afinal! Às tantas começamos a fazer apostas e tudo, mas o Edgar acabava por ganhar sempre. O cabrão tinha um olho do caraças para aquilo! Conseguia adivinhar em todas as vezes qual dos mancebos é que ia ser o artola que ia fazer tudo ao contrário dos outros todos! Nunca me passou pela cabeça que o Edgar tivesse mesmo razão quando nos disse que íamos apanhar um mancebo daqueles em todos os juramentos a que fossemos! O Edgar, que passado um tempo já só via cifrões à frente, arranjou muito rápidamente um esquema de apostas, e naquela altura já só fazia apostas com os familiares dos mancebos todos. “Só faço isto para não vos chular a vocês”, dizia o gajo com o peito tão inchado que nem um feijão lhe cabia! Só que isto, meu amigo, tantas vezes vai o canteiro à fonte, que um dia fica mesmo lá. Naquele dia, olha, teve azar! Infelizmente teve a ideia de explicar ao gajo a quem tinha acabado de ganhar o dinheiro da aposta, porque é que ele sabia que aquele seria o totó que ia fazer tudo diferente dos outros. Começou por lhe dizer que normalmente é uma coisa que já vem de família. Quando se preparava para continuar com o seu raciocínio, já não conseguiu dizer mais nada! Eu, que até estava mesmo interessado em ouvir a explicação do Edgar, fiquei sem reacção, quando o Edgar levou com uma murraça genética pelos cornos abaixo! O homem, que já estava chateado por causa dos cinco euros da aposta que tinha perdido, ainda por cima era o Pai do artola daquele dia! No funeral, ainda disse ao Elias que o Edgar tinha morrido a fazer aquilo que mais lhe dava prazer. Mas já não soou tão profundo. O mundo, e principalmente o nosso mundo, estava definitivamente mudado, já nada era como antes. Já só sobrávamos eu, o Elias, e a história dele aos Domingos. Naquele dia, como de costume entre as dez e as onze menos trinta, entro na oficina e vejo o Elias estendido no chão com o poster na mão. Por um segundo, como o Edgar e o Emílio já se tinham finado, ainda pensei que ele tinha decidido inovar na introdução da história! Devia ser uma gaja espectacular! Corri logo para o Elias para ver se via o poster. Assim que o vi, percebi logo que o Elias também já se tinha ido. Com a mania das modernices o jornal tinha decidido publicar nessa semana um poster de um gajo quase todo nu! Morreu todo esticadinho! Agora olha, ando aqui só eu! E eu, tal como eles, nunca soube, e não sei, tal como nunca fiz, e não faço, ideia do que é que ando para aqui a fazer. E é precisamente isso que acaba por me apoquentar. Porquê?... Porque eu, tal como eles, só vou ser genial, um gajo porreiro e etc e tal, pardais ao ninho, quando bater a bota, quando já cá não andar para poder saborear uma coisa dessas. E isso, para dizer com toda a franqueza, aborrece-me, agasta-me, o que é que querem que eu faça agora da minha vida?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Naquilo que é meu, mando eu.

Se o chefe é meu, eu faço aquilo que eu quiser e bem entender...

The not knowing is easy #12

- Não achas que as pessoas hoje dia têm opiniões a mais? Qualquer pessoa tem uma opinião sobre o que quer que seja! Tu quando falas sobre o que quer que seja com alguém, esse alguém tem sempre uma opinião. Com base em quê? Como é se formam, assim, sem mais nem menos, opiniões?

- Não sei, depende do que estiveres a falar. Por exemplo, eu sou da opinião que hoje em dia ir ao cinema é mais caro do que há 5 anos atrás. Tenho esta opinião e formei a minha opinião com base nos preços dos bilhetes que aumentaram.

- Que disparate! Isso nem sequer é uma opinião, é uma constatação, é um facto. Contra factos não há argumentos. Na minha opinião não se pode discutir uma coisa dessas. Uma opinião é uma coisa que pressupõe discussão, diferença de ideias e ideais. Eu não posso discutir contigo sobre o facto dos bilhetes de cinema serem mais caros hoje do que há 5 anos atrás. Isso é evidente.

-Isso é a tua opinião. Com base em quê é que formaste essa opinião?

- Acabei de te dizer! Isso que disseste nem merece uma opinião! Não é uma opinião o que disseste...

- Tu achas que há pessoas com opiniões a mais. Mas não sabes, mesmo, por que é que são formadas as opiniões que essas pessoas têm? É simples. As pessoas formam opiniões com base no que pensam! A partir daí começa a discussão que tanto pareces prezar. O importante é pensar, já pensaste nisso?

- Não é disso que estou a falar e tu sabes. Estou a falar daquelas pessoas que têm sempre alguma coisa a dizer sobre alguma coisa. Sei lá, ver um quadro, um filme, politica, não sei, as mais diversas coisas...

- Pois, são pessoas que pensam nas coisas e chegam às conclusões delas. Foi o que acabei de te dizer. É preciso pensar...

- Mas tu sabes do que é que eu estou a falar. Eu estou a falar daqueles parvalhões que opinam sobre tudo e tu estás logo a ver que eles não sabem nada sobre o que estão a dizer. Como é que esses pensam que podem dizer o que quer que seja, quando nem sequer sabem do que estão a falar?

- Isso é a tua opinião. Como é que sabes isso?

- Não sei, é isso que te estou a perguntar, como é que eles formam a opinião deles?

- Da mesma forma que tu já formaste a tua opinião sobre eles.

- O que é que isso quer dizer?

- Não sei, diz-me tu. Eu nunca tinha pensado nisso que me disseste e não tenho opinião formada sobre esse assunto!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Don't Stop 'Til You Get Enough

O promotor dos 50 concertos que o Michael Jackson iria dar sugeriu a todos os que compraram um ou mais bilhetes, que em vez de pedirem o dinheiro de volta (De acordo com vários órgãos de informação a venda dos bilhetes rendeu cerca de 60 milhões de euros) que fiquem com os mesmos como recordação!
Eu não sei o que as pessoas pensam disto, mas queria aproveitar aqui para informar que possuo para venda, a um euro cada bilhete, 60 milhões de bilhetes para 60 concertos dos Guns n' Roses e 100 milhões de bilhetes para 90 concertos dos Nickelback.