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terça-feira, 30 de junho de 2009

U beautiful...

Há uma rapariga que trabalha no mesmo piso do que eu e que todos os meus colegas dizem que tem cara de cavalo! Até uma outra rapariga, que também costuma ir almoçar connosco, apesar de não ter dito que ela tem cara de cavalo disse que ela é feia! Claro que gostos são gostos e a beleza está sempre nos olhos de quem a vê, e eu, embora ache que ela até é bem bonita, penso que é uma maldade não só dizer isso como também acho muito mau eles imitarem cavalos quando ela passa lá pelas nossas secretárias! Ela trabalha ali há pouco tempo e como deve ser muito tímida anda sempre sozinha, o que ainda ajuda mais a fomentar o gozo cada vez que ela passa. Como isto tudo me estava a começar a fazer uma grande confusão na cabeça, ontem, depois do almoço, reparei que por acaso ela estava a terminar de fumar um cigarro à porta do edifício e então, antes de entrar, aproveitei a ocasião para meter conversa com ela. Cheguei ao pé dela e tal, disse olá, aquelas cenas todas de circunstância, e ela, sempre com um sorriso simpático, virou-se para mim e relinchou.

Candura #1

- Heehhhh, olha bem para aquilo Antonito! Não achas que aquela gaja é boa como caraças?

- Não sei. Eu não a conheço...

Candura

- Antonito, a esta hora, porque é que não vamos até tua casa para eu beber lá a ultima bebida?

- Oh Vera, por mim é na boa. Só que, aviso-te já, para além de água, e da torneira, não tenho mais nada em casa para beber...

- Hummm...vais ver que isso não é verdade...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Complexos #13

- Ontem conheci uma miúda espectacular…

- Ena ena, conheceste uma gaja, sim senhor! E então é boa?

- Pronto. Tens logo que começar com as tuas coisas. Por que é que te referes sempre às raparigas com a palavra gajas?! Por que é que a única coisa que te importa é que elas sejam boas?! O que é uma gaja boa para ti, diz-me lá?

- Ui ui ui, já vi tudo, não precisas de me dizer mais nada. Conheceste um aborto… …

- Mas que mania a tua! Arre que é demais!

- Pronto está bem, não é preciso ficares logo exaltado. Gostaste desta palavra? Exaltado? Mas diz-me lá, a rapariga é muita feia né?

- Não, não é. Ou melhor, não é muito feia nem muito bonita. Bom, se queres mesmo saber eu não a vi só falei com ela através do MSN.

- O desesperado que tu andas! Então mas tu agora já andas a conhecer gajas na net?

- Não é nada disso não sejas parvo. Aconteceu por acaso. Estivemos numa conversa a três para tentar resolver um problema lá no trabalho e quando terminou a conversa distraí-me com uma coisa que tinha lá pendente para fazer e não fechei a janela da conversa. Umas 2 horas mais tarde reparei que ainda tinha a janela aberta e vi que ela estava online ainda. Para não ser mal-educado disse-lhe que me tinha esquecido de fechar a janela e que ia terminar a nossa conversa. Ela enviou-me um bonequito com um sorriso e depois começamos a falar.

- Então e como é que sabes que era ela?

- Como é que sei como? O que é que queres dizer com isso? Nós estávamos a trabalhar!

- Ai sim? Sabes se ela falou com vocês sentada na secretaria dela?

- Lá vens tu com as tuas desconfianças do costume. Não, não sei se ela falou a partir da secretária dela. Mas também não sei se não falou… …

- Eu não acredito nessas coisas. Não sei porquê, mas não acredito. Em primeiro lugar sou contra esse tipo de coisas. Hoje em dia os putos agarram-se a isso e não fazem mais nada na vida. Lembras-te daquele filme do Stalone? Aquele em que o gajo está no futuro e lá para o meio do filme o gajo descobre que as quecas no futuro são feitas com cenas tipos phones em que ninguém toca em ninguém, como é que se diz?... Ah, já sei, para dizer de uma forma que tu gostes, não há troca de fluidos. ‘Tás a ver cena né, uma gaja toda boa e o Stalone népia, nem toca na xixa! Está bem está. Claro que o bacano no fim ensina aos gajos do futuro que numa queca os fluidos são muito importantes.

- O que é que estás para aí a dizer? Quer dizer, estou a falar contigo sobre uma pessoa que conheci e tu metes-te a falar sobre o grunho do Stalone? O que é que isso tem a ver com o que estávamos a falar?

- Então, os putos hoje em dia estão a transformar o presente no futuro daquele filme! Não `tás ver? Qualquer dia, com estas porcarias todas que andam para aí, ninguém vai conseguir falar com ninguém cara a cara. As pessoas ficam tão à vontade a falar sobre tudo e sobre nada, sozinhas, no quarto ou na sala, que perdem a noção do que é falar com alguém cara a cara. Olhos nos olhos como deve ser uma conversa.

- Mas tu estás parvo? Achas mesmo que tem algum cabimento aquilo que estás a dizer?

- Por que é que achas que não tem? Há pessoas que vão para o computador com o objectivo de conhecerem outras pessoas. Há pessoas que dizem que nunca viram os seus melhores amigos porque os gajos vivem a cascos de rolha! Como te estava a dizer há bocado, os putos não fazem outra coisa que não estar o diazinho e a noite toda a falar naquela bosta. Como aquela bosta custa guito não vês depois quase ninguém nos cinemas, nos cafés, nos bares, etc. O pior de tudo é quando, por acaso, depois estão cara a cara uns com os outros e não conseguem falar sobre nada!

- Acho que estás a generalizar e também a exagerar… …

- A exagerar não, estou é mesmo a ver que daqui a uns anos, com o rumo que isto está a tomar, ainda vai ser pior. Isto já para não falar do facto de tu nunca saberes bem com quem é que estás a falar e se com quem estás a falar está a dizer a verdade. E nisso, meu amigo, não há nada, mas nada que substitua os olhos na cara.

-Bom, em primeiro lugar há uma coisita que se chama Webcam, não sei se já ouviste falar. Consegue-se ver as pessoas através daquele aparelho. Depois, eu não acho mesmo que as pessoas se inibam quando estão cara a cara. Acho até que é muito melhor veres pela primeira vez uma pessoa e já saberes muito sobre essa pessoa. Acho que isso irá facilitar em muito a vergonha, ou timidez natural, que se sente sempre que se conhece uma pessoa.

- Mas como é que tu sabes que as pessoas te disseram a verdade e não te engroupiram?

- É isso que tu fazes quando falas com as pessoas? Claro que deve haver muitas pessoas que não dizem a verdade, que se armam em boas, sei lá, dizem e fazem o que quiserem. Mas por outro lado também há pessoas que falam a sério, que se sentem confortáveis em falar sobre si a um desconhecido, coisa que cara a cara se torna, como tu sabes, muito difícil. Há uma série de vantagens e, concordo contigo, algumas desvantagens também. Mas não é preciso só dizer mal. Ainda por cima tu, que és um quadrado que nem num PC consegues mexer! Se calhar é por isso que dizes mal, como não sabes mexer, dizes mal!

- Deve ser deve! Tu estás é com esta conversa toda só para te defenderes. Não consegues conhecer gajas cara a cara e depois vens com essa conversa. Isso é a conversa que todos os loosers dão. Quem consegue conhecer gajas não precisa dum PC. Tenho dito...

- Nem toda a gente está ali para conhecer gajos ou gajas. Podem estar ali para estarem sempre contactáveis, para poderem falar com os amigos, com a família, de uma forma rápida e por vezes com imagem e som também. Mas tu, como só queres conhecer gajas, podes conhecer ainda mais gajas com um PC. Conheces gajas da forma que já conheces e conheces mais gajas depois com o PC, já viste? Podes duplicar ou triplicar o número de gajas que já conheces.

- Sabes bem que não é isso que me move. Alias, eu neste momento estou é preocupado contigo, tu é que não consegues conhecer ninguém há muito tempo e já andas com conversas que conheceste uma gaja espectacular que, imagina tu, nunca viste e apenas falaste com ela 2 vezes na mesma tarde, sendo uma delas em trabalho!

- Muito gostas tu de distorcer tudo, eu nem consegui ainda dizer-te porque é que eu a achei espectacular e tu já estas a formar a tua opinião sobre ela. Não sei o que é que é pior, se é falar com uma pessoa que não conheço através do MSN, ou se é falar contigo, cara a cara.

- OK, já vi tudo, mais um convertido, outro que nunca mais vai sair de casa. Mas uma coisa te digo, para tu estares com a conversa que estás, é porque ela te deve ter dito alguma coisa que mexeu contigo. Eu só espero é que seja verdade e não te desiludas depois. Olha, lembras-te da história do Cyrano, vê lá se não te acontece o mesmo.

- Para dizer de uma forma de que tu gostes, na história do Cyrano o narigudo fica com a boa...

sábado, 27 de junho de 2009

E então?

- Olá, então, por aqui outra vez não é verdade?

- Como é que sabes que eu estou por aqui outra vez? Quem és tu? Eu conheço-te?

- Em todas as vezes que vieste aqui antes eu nunca tive a coragem de vir ter contigo, mas vejo-te sempre que aqui vens. Eu sou a dona deste sítio. Estás a ver o topo daquela montanha lá ao fundo quase a perder de vista? Até ali é tudo meu.

- Mas nós estamos aqui no meio do nada! Isto aqui só tem mato, árvores, montanhas e o rio lá em baixo a passar! Pensava que todo este terreno não era de ninguém. Ou melhor, que era de toda a gente. Não tem cultura nenhuma, casas, nada! Por que é que não constroís nada aqui então? Não acredito que tudo isto aqui seja teu....

- Mas, acredites tu ou não, é. Embora tu não a vejas daqui, há uma casa ali em baixo, que é onde eu moro. E não construo mais nada aqui porque deixava de ser o mesmo sítio, e eu quero que isto continue a ser o mesmo sítio.

- E então? Se me viste aqui todas as outras vezes que cá vim decidiste vir dizer-me hoje que estou em propriedade privada e que não posso aqui estar é? Eu venho cá de vez em quando só. E não é que aqui haja alguma coisa para roubar! Se já me viste cá anteriormente deves também calcular que não ando a engendrar um elaborado plano para pôr fogo a isto tudo. Por isso não te preocupes com a minha presença aqui, eu não faço mal a ninguém...

- Não, eu não vim aqui dizer que não podes estar aqui. Eu vim aqui porque tens vindo aqui mais vezes do que é costume ultimamente. Costumavas demorar mais tempo até que cá voltasses novamente. Eu sei, não precisas de dizer nada, a tua cara, sempre que aqui chegas e ficas a olhar, diz tudo. Tu vens aqui apenas e só quando estás triste. Este sítio, por uma razão qualquer, é o sítio que tem a capacidade de te acalmar, de te fazer sentir bem, de te fazer ter vontade e força para continuares. Não é verdade?...

- Incrível! Nem aqui, no único sitio onde me sinto verdadeiramente bem, em paz e tranquilo, onde penso que estou só eu e o mundo apenas, de repente apareces-me tu, vinda sei eu lá de onde, e com essa conversa! Mas porque é que estás aqui afinal? O que é que estás aqui a fazer?

- Eu já te disse, eu sou a dona disto tudo. Estou aqui porque nasci aqui, porque esta é a minha casa. Já pensei sair daqui muitas vezes. Já saí daqui até, uma vez, mas ainda era pior do que viver aqui...E peço desculpa por ter vindo ter contigo hoje. Era exactamente por causa disto que nunca antes tive coragem de vir ter contigo, tinha medo de estragar a imagem, a ideia, o sentimento que nutres por este sitio, e agora se calhar já o fiz! Desculpa...

- Mas não gostas de viver aqui? Então por que vives?

- Não, detesto. Mas como te disse, na vez que tentei sair daqui para viver noutro sítio a vida para mim ainda era mais triste e solitária do que aqui é.

- A vida noutro sitio era mais triste e solitária do que aqui? Yeah right...

- Sabes, é que enquanto para mim este é o sítio mais triste e solitário do mundo para viver, e eu me sinto triste a maior parte do tempo, para ti este sítio é o sítio onde tu recuperas forças, energia, emoções, e vontade de viver.

- E então? Eu venho aqui porque estou triste e me quero sentir melhor? Por que é que não vais para onde te sentes bem?

- Porque tu vens aqui para te sentir melhor e depois partes, e pouco a pouco, passo a passo, ficas triste novamente, lá, no sítio onde vives, e regressares outra vez aqui, para te sentires bem outra vez.

- Sim! A vida é mesmo assim, e então?

- Então, eu vivo triste aqui e vejo-te chegar triste. De seguida, vejo-te a contemplar a paisagem, a pensar, a recuperares lentamente, até que ficas bem e partes. E isso faz-me recuperar forças, energia, emoção, vontade de viver, de continuar, até ficar, pouco a pouco, passo a passo, triste novamente, e tu chegas aqui outra vez. Sim, a vida é mesmo assim. E então?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

For What It's Worth

- Então? Estás aqui também, não te tinha visto! Estás bom?

- Se não me tinhas visto antes de me teres vindo falar, por que razão é que me disseste que não me tinhas visto em vez de me teres perguntado só se estou bom?

Who's bad?

Quem é que conseguiu reconhecer o corpo para conseguir confirmar que efectivamente o denominado rei da pop morreu?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Elitista onanista

Elitista onanista o teu ponto de vista é sempre superior
Elitista onanista és grande consumista de roupa interior
Elitista onanista para ti um activista é gentinha do pior
Elitista onanista o teu grupo de conhecidos é muito melhor
Tens orgasmos com revistas vip’s
Deliras com entrevistas chiques
Detestas os pobres e os freaks
E a luz que acendes, em vez de palmas, com um click
Elitista onanista escolhes sempre os teus amigos a dedo
Elitista onanista nunca fazes frente a quem te mete medo
Elitista onanista consegues raramente levantar-te cedo
Elitista onanista usar os transportes para ti é um degredo
Julgas sempre que estás certa
Que és de longe a mais esperta
Em vez de presente chamas oferta
E achas fino dizer que na tua casa há uma porta sempre aberta
Elitista onanista a primeira impressão e a imagem para ti são tudo
Elitista onanista tens a sensação que enfermagem quer dizer tubo
Elitista onanista vives na ilusão de um dia ganhar um jogo de ludo
Elitista onanista expressas-te com emoção ao dizer imenso e de todo
Estás constantemente convencida
Que te diferencias pela positiva
Que não és de forma alguma altiva
E só aprecias, dissimuladamente, relacionamentos em comitiva
Elitista onanista anseias pertencer um dia a um prestigiado comité
Elitista onanista sentes saudades da mordomia que tiveste na Guiné
Elitista onanista odeias que te chamem tia quando está mais gente ao pé
Elitista onanista as frases que proferes num dia terminam todas com a questão Não é?
Não sentes nunca qualquer tipo de dúvidas
Vives convicta que as pessoas são estúpidas
Pensas que ir a funerais são actividades lúdicas
E sem conhecer qualquer letra moves os lábios em todas as músicas

terça-feira, 23 de junho de 2009

Fake empire

Dão-se alvíssaras a quem comprovar, de forma totalmente inequívoca, que recebeu algum brinde da farinha amparo!

All the wine

- Vê lá se é esta? "A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar "

- Não! Não é essa!

- Não é esta?! Vê lá se é esta... "Pensar e fumar são duas operações idênticas que consistem em atirar pequenas nuvens ao vento"

- Essa é que é Eça!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Reach out and touch faith

Eu não procuro nem busco a perfeição, mas sim a imperfeição perfeita para mim.

Enjoy the silence

Após várias horas de tentativas frustradas, não foi possível dar início à primeira reunião do GDAQNCIUCE. (Grupo dos anónimos que não conseguem iniciar uma conversa espontaneamente).

sexta-feira, 19 de junho de 2009

16:9

- Apesar de desde puto beber com frequência sumos compal à medida que o tempo passa, em vez de a alargar, tenho a vista cada vez mais diminuta!

- Claro! Nunca compraste os sumos no Plus. Agora caiu em desuso...

Grito

Ainda não consegui decidir-me mentalmente se acho mais embaraçoso estar na mesma mesa com colegas de trabalho, ao almoço, quando eles começam a discutir em alta voz novelas da TVI, ou se quando começam a divagar sobre o quão espectacular são os jogos XPTO para PC ou para a playstation.

Foi Deus

Os gajos do tuning usam todos nike shox!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

The not knowing is easy #11

- ...Mas tu vais fazer isso com que finalidade?

- Sei lá eu!

- Não sabes! Então por que é que o vais fazer?

- Quando tu lês um filme, ou lês um livro, gostas logo de saber no início como é que vai acabar?

- Não claro que não...

- Então porque é que eu terei de ter uma finalidade em fazer o que quer que seja quando o gozo está em fazer e não no fim que a coisa tem? Por que é que deverei estar a condicionar logo à partida n possibilidades estabelecendo um determinado fim?

- Então vives sem objectivos? Qual é a graça disso?

- É viver sem objecções.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Infra Red

Nunca percebi como é que alguém consegue dizer de uma forma completamente perceptível que está sem palavras!

terça-feira, 16 de junho de 2009

O caminho do futuro passado

Como fazia todos os dias aquela hora desde que a sua vida tinha mudado e a escola tinha ganho um lugar na sua vida, saiu de casa a correr devido ao adiantado da hora. Tal como lhe tinham dito para fazer inúmeras vezes antes de se aventurar sozinho pelo caminho fora, olhou primeiro para o lado direito, depois para o lado esquerdo, e por fim de novo para o lado direito dando uma pequena corrida para atravessar a estrada ignorando que o atento olhar materno ainda não tinha descolado de si. Cumprida a etapa denominada como a mais difícil do percurso, tinha então inicio a sua segunda parte preferida do caminho. Assim que acabava de atravessar a estrada deparava-se logo com um pequeno descampado coberto por gravilha branca muito fina onde tanto do lado direito como do esquerdo jaziam as carcaças velhas e ferrugentas do que outrora tinham sido automóveis. As manchas pretas de óleo que iam sendo deixadas ao acaso na fina gravilha branca pelos vários reboques que por ali passavam quando iam lá colocar mais um fantasma, recordavam-lhe sempre as vacas que usualmente costumava ver quando passeava pelo campo com os seus progenitores. Porque sempre lhe tinham dito para nunca se aproximar de tais animais, raramente conseguia resistir ao impulso de caminhar por ali a arrastar os pés, tentando sempre em vão apagar uma ou outra mancha de óleo, mas conseguindo, de dois em dois meses aproximadamente, o extraordinário feito de por as suas meias azuis a espreitar pelas solas dos sapatos tal como acontecia com a língua dos bonecos dos marretas na televisão, coisa que quando sucedia dava lugar a grandes conversas entre ele e os sapatos uma vez que sabia que assim que fosse outra vez descoberto tal arrojo os seus sapatos seriam de imediato substituídos. No fim do pequeno descampado havia uma velha arvore com muito poucas folhas e diversos buracos no tronco cujas formas sinuosas formavam sem dúvida nenhuma uma bruxa de certeza absoluta muito má e que sabia que ele passava por ali todos os dias! Claro que por pura malvadez a velha bruxa tinha trocado a gravilha do pequeno descampado por uma enorme ladeira íngreme composta apenas e só por terra escura que no Inverno se derretia com a chuva como um chocolate quente, tornando quase impossível a subida a correr o mais depressa que conseguia sem cair pelo menos duas vezes, e no Verão ficava tão dura como aquela pedra preta que um dia tinha encontrado no fundo de um rio onde tinha ido passar férias com os seus Pais! Nunca era fácil subir aquela ladeira, mas o esforço e a adrenalina provocada pelo nervosismo de passar tão perto da bruxa compensavam sempre quando lá em cima o campo de visão como por milagre se abria e por fim chegava aquele carreiro estreito e sinuoso de terra beije onde, invariavelmente, as suas orbitas conseguiam sempre encerrar em si um pequeno e rasteiro Castelo construído propositadamente a seu mando no sopé da enorme montanha ao invés do cume tal como acontecia nas histórias de Reis e Piratas de barba azul que a sua avó tantas vezes lhe contava, para que dali, daquele sitio, a sua visão fizesse com que fosse mais alto e mais forte do que o seu próprio Castelo. Ajeitando as alças de mochila que trazia às costas, os seus olhos brilhavam encantado por aquela sensação de frenesim a invadir-lhe as entranhas assoladas pelo peso da responsabilidade ainda inócua, e consequentemente apelativa, à medida que se aproximava do seu destino. Contaminado pela imaginação da inocência, ali, bem no cimo e com todo o mundo à sua volta era Rei e senhor de si mesmo. De espada sempre em punho até ao portão verde do Castelo, agora já completamente seguro de si, imitava com a boca o barulho dos cascos do seu Alazão enquanto seguia feliz e contente a trote ao mesmo tempo que demarcava o caminho espezinhando com orgulho as insolentes franjas de mato e as pequenas línguas de ervas daninhas que teimavam em voltar à sua posição depois da sua passagem.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Nelly the elephant

- Olha que não me parece nada que o Serengeti seja uma sala de chuto ali para os lados do Intendente...

Mãe de Martim em greve de fome para travar adopção do filho

Morrer de fome, ou ficar extremamente fraca, parece-me de facto o melhor meio para travar o processo de adopção do filho...

Cristiano Ronaldo: «Adoro ver o ódio nos olhos das pessoas»

Pronto, ao menos fica agora explicada a pouca humildade e toda a parvoíce patente em todas as intervenções públicas que o rapazinho faz. Para que não restem duvidas, logo na mesma notícia, o rapazinho faz questão de continuar a defender, acerrimamente, o gosto pessoal que tem em ver o ódio nos olhos das pessoas:

"É verdade que muita gente não gosta de mim, mas adoro ver o ódio nos olhos dessas pessoas. Só fico chateado quando jogo mal. Mas isso acontece poucas vezes..."

In Diário Digital

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Tive uma ideia tive uma ideia

Não consigo pensar noutra coisa qualquer quando tenho uma ideia na cabeça! Assim que sinto ter uma ideia na cabeça, tenho imediatamente de me sentar e escreve-la, anotar num papel logo aquilo que pensei, ou ditar para um gravador, o que acabei de pensar! Foi essa a razão que aqui me fez sentar a escrever. Tenho uma ideia na cabeça. O problema, é que tão-somente tenho uma ideia na cabeça. Eu sei que tenho uma ideia na cabeça, algo que me faz pensar, sentir necessidade de escrever de imediato o que penso, mas não passa disso, de uma ideia. Uma ideia! Dito rápido parece que estou a perguntar pelo Madeira como se fosse um puto de dois anos…Eu nem conheço nenhum Madeira, foi só a ideia que me deu quando li muito rápido as palavras, uma ideia! Eu conheci foi um Barrote, ou Garrote…Já não em lembro bem…Não era nada! Era o Domingos, já me lembro! Ele era grande como o caraças e estúpido que nem uma porta, usava uns óculos cromados e tinha sempre o lenço de flanela dos óculos a sair pelo bolso das calças!...Estou a ser injusto. Ele não era nada estúpido. Era um bom guarda-redes até! Nem a dispersar-me, ou a disfarçar lá vai…Às vezes, quando se disfarça para fingir que já não se está interessado naquilo que se estava a pensar, é quando a coisa nos martela mais o cérebro, como que a dizer: “Ei! Com que então queres ignorar-me é? Pumba.Toma lá bolachas…” lá está aquilo a aborrecer-nos a cabeça com a sua perseverança! É sempre assim, lembramo-nos sempre daquilo que não queremos lembrar! É por isso é que eu estava a disfarçar, a ver se a ideia me chateava! Nada! Raio da ideia que não me sai da cabeça mas também não me diz o que quer! Há pessoas que não ligam nada aquilo que pensam! As ideias fogem-lhes da cabeça, muitas vezes sem darem por isso, e quando dão, nem sequer se importam! Comigo não! Comigo não escapa nada! Aos menos, se queriam escapar-se não tinham dado conta da sua existência! Sei lá eu quantas ideias é que já me passaram pela cabeça e se foram embora sem eu saber! Isso é que é forma de fazer as coisas! Agora vir à minha cabeça, dizer olá, eu estou aqui, sou uma ideia espectacular, e depois querer ir embora sem sequer mostrar um bocado do espectáculo! Ou levantar a ponta do véu, como eu gosto tanto de ouvir dizer! Faz-me sempre lembrar os filmes indianos que eu ia ver com a minha mãe quando tinha uns 7, ou 8 anos! Só me lembro do véu na cara delas! O que aquilo me fascinava!...Bom, já vi que nem disfarçando consigo lá ir hoje! Ontem passei o dia todo feito parvo a rir sozinho! Passei o dia todo a ouvir uma música que estava dentro da minha cabeça há anos mas que só ontem a ouvi pela primeira vez! Parecia um miúdo que repete constantemente a mesma brincadeira com o mesmo entusiasmo e a mesma sensação que teve na primeira vez que a efectuou! Ouvi incessantemente a musica, até ficar extasiado por completo, em catarse, só, no meio da sala, a musica e o meu riso silencioso a acompanhar todas as vezes que a musica passou! A sensação de liberdade que é finalmente conhecer algo que já se conhecia há anos, e perceber que isso é exactamente aquilo que nós sabíamos que era!... Tive uma ideia…

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Jogos físicos e psicológicos

- Eu não acredito que isto, estas coisas que nem sequer sei como as classificar, foram de facto o teu presente do nosso terceiro aniversário! Isto não é mesmo uma brincadeira tua, tu não tens, de facto, aí mais nada escondido, pois não?

- Não, já te disse mil vezes que não tenho mais nada. Mas, se quiseres acalmar-te um bocado e ouvir a minha explicação lógica, tenho a certeza que deixas logo de ficar assim. Achas mesmo que, apesar de serem presentes simples, não teriam um significado, uma segunda intenção escondida? Deixa-me já que te diga que esperava um bocado mais de ti, não pensei que não atingisses pelo menos significado de um dos presentes! Pronto, ainda aceito que todo o conceito da coisa, que a intenção na sua totalidade não fosses capaz de lá chegar, mas...

- Pronto! Tu é que já me disseste isso mil vezes, diz-me lá então qual foi a brilhante ideia que te passou pela cabeça para me dares isto?

- Bom, coloca-te então durante uns segundos na minha pele, sabendo tu o gajo astuto que sou e o quanto detesto o obvio e o previsível, e pensa comigo. O que é que as gajas gostam mais e querem sempre?...

- Não é nada disto, isso te garanto eu.

- Importas-te de me ouvir até ao fim sem interromper?...Bom...O que é que as gajas gostam mais e querem sempre?...

- É para eu responder?...

- ... ...

- Pronto! Desculpa! Continua.

- Depois de anos de observação da minha parte, concluí que uma gaja gosta mais e quer sempre 3 coisas. Repara, aqui começa tudo com o facto de serem 3 coisas e este ser o nosso terceiro aniversário. A saber, são elas: ser o centro das atenções, flores, e rir. Portanto, a partir daqui, deste pequeno conceito, penso que é mais do que obvio o significado, profundo, dos meus pequenos 3 presentes! A cassete do Cantiflas Português, queira-se ou não, aquela primeira anedota do gago, mil vezes que qualquer pessoa a oiça, do ignorante ao letrado, é impossível não rir com aquilo! Teve de ser em cassete porque infelizmente não consegui encontrar nenhum CD ou DVD dele. Pronto, não sabia que já não usavas nem tens leitor de cassetes, mas depois posso emprestar-te o meu gravador, aquele que eu uso para ouvir as cassetes do curso de Inglês. As azedas? Porque são a tua flor! Francamente, disseste-me um milhão de vezes que são a tua flor preferida, que adoras ver os campos de erva e mato cheios de azedas na Primavera! Sabes o trabalho que me deu conservar azedas em casa até Junho? Olha, só por aqui vês logo ao tempo e ao trabalho que me dei para te dar os presentes perfeitos para o nosso aniversário! E porra, acabei mesmo agora de me aperceber disto, mas vê-se logo também que estava pelo menos a contar chegar ao nosso terceiro ano de aniversário! Isto para que vejas bem a intenção da coisa toda e como eu sou capaz de pensar em termos de futuro, coisa que estás sempre a dizer que não faço! Por fim, o alvo do jogo de setas com a tua fotografia como fundo. Bom, mais uma vez está à vista não é verdade? Centro das atenções...Disseste-me que gostavas tanto de aprender a jogar bem setas! Aprendes a jogar setas comigo e ao mesmo tempo, enquanto me concentro no jogo e não olho para ti fisicamente, estou a concentrar na mesma a minha atenção toda em ti. Se isto não é romantismo, tal como tu tinhas pedido para termos no dia do nosso terceiro aniversário, então não sei o que é romantismo...

- Eu não acredito! É tudo o que eu consigo dizer...

- Tu é tens é cá uma lata! Estás para aí a falar, mas ofereceres-me um porta-chaves com três três pendurados e um bilhetinho a dizer " Ao fim de três maravilhosos anos, apesar de te querer só para mim, mas porque não sou egoísta, devolvo-te os três que perdemos há três anos! Tenho cá para mim é que estavas convencida que mesmo que eu não me tivesse esquecido do dia não sabia quantos anos é que eram. Só pode! Para conseguires juntar tantos três juntos no mesmo sitio só pode mesmo ser isso! Acho que ao fim de três anos devias começar a conhecer-me melhor e a confiar mais em mim...

terça-feira, 9 de junho de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

It's better in the matinee

Desatino com pessoas que dizem mal de tudo e de todos por tudo e por nada. Fazem-me sempre lembrar aquelas duas parvas que estão constantemente a gozar com aquele gajo de barba, que parece anormal, e que passa a vida a falar com o narinas, narinas porque o gajo tem duas narinas que mais parecem vulcões e sorve contantemente ranho com um barulho semelhante ao roncar de um porco, e com aquele outro gajo que está sempre com eles, o careca, que para além de ser grande e mentiroso como o caraças, ainda se mete com todas as gajas que passam à frente dele urrando "AI LAIQUE DU EI IU MUV".

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Honest Joe

O gajo que só se sente atraído por gajas com cara de quem está sempre com vontade de chorar, nunca consegue sentir qualquer tipo de reacção quando por acidente, ou intencionalmente, as magoa emocionalmente!

Speak in tongues

A grande sorte do gajo que perde a consciência e os sentidos sempre que recebe um elogio, é a que nasceu com o defeito de ser um perfeccionista.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Cheap chat

A porta ao lado do café onde ultimamente tenho ido tomar o pequeno-almoço é a de um edifício onde, aparentemente, uma empresa qualquer estabeleceu o seu negócio. Como em quase todo o lado actualmente, as pessoas que fumam têm de ir para fora do edifício fumar, ficando, normalmente, à porta do mesmo, conversando, aqui e ali, circunstancialmente, com outros fumadores. Hoje, porque o café estava cheio de gente, decidi terminar o cigarro, em vez de o apagar, antes de entrar. Enquanto fumava, e olhava para o infinito absorto nos meus pensamentos, um indivíduo, que também estava a fumar, depois de uma mulher com o semblante carregado ter entrado muito apressadamente dentro do prédio onde a empresa funciona, virou-se para mim e disse que normalmente também faz o mesmo quando chega atrasado, inclinando o queixo na direcção do caminho que a mulher tinha feito quase a correr! Disse, logo de seguida, que é comum as pessoas entrarem com um ar preocupado no trabalho quando estão atrasadas! Continuou depois a dizer que quando chega a horas entra com um sorriso e cumprimenta toda a gente, e que quando chega atrasado entra e fica bastante concentrado em frente ao elevador. Por fim, depois de ter dito que compreende perfeitamente aquela mulher que tinha acabado de entrar, isto a propósito de ela não ter dito bom dia, consegui aperceber-me de que era disso que ele estava a falar no meio da sua divagação, disse-me que me tinha dito tudo aquilo porque tinha ficado intrigado com o meu comportamento! Que tinha achado estranho o facto de eu ter ficado ali a fumar, apesar de ter chegado com pressa e de trazer um ar preocupado! Disse-lhe que não ia trabalhar, que nem trabalho ali, e que não estava preocupado! Surpreendentemente, perguntou-me o porquê de ter cara de preocupado então, se não estava preocupado! Sem saber muito bem o que lhe dizer, disse-lhe que não estava mesmo preocupado, que a cara que ele viu é apenas a minha cara! Acenou negativamente com a cabeça e continuou a dizer que isso é impossível, que ninguém anda com uma cara assim se não estiver preocupado ou com alguma coisa que o esteja a incomodar! Sem me dar tempo de dizer alguma coisa, disse-me, de seguida, para eu lhe dizer o que na realidade me preocupa, o que é que quase no verão e com o calor aí à porta pode fazer preocupar uma pessoa! Por que razão não estava eu com uma cara de quem é feliz à porta daquela empresa a fumar um cigarro enquanto olhava para o infinito! Fiquei sem palavras! Não fazia a menor ideia sobre o que se responder a uma coisa destas! Olhei para o meu cigarro, estava quase no fim, mas não podia sair dali sem dizer nada! Olhei para a mão do homem, o cigarro dele estava mesmo quase a acabar, olhei para a cara dele e percebi que aguardava a minha resposta, via isso nitidamente nos olhos dele! Entretanto, ele franziu o sobrolho, por causa do fumo do cigarro que se aproximava agora da cara dele, soltou a ultima baforada, e disse, no mesmo tom em que tinha falado até aquele momento, bom, vamos mas é trabalhar, e entrou decidido pelo edifício adentro sem dizer mais nada! Fui tomar o pequeno-almoço! Por momentos, cheguei mesmo a levar a serio aquilo que o homem estava a dizer!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Adestro

Acordou predisposto a mudar radicalmente a sua vida. Tinha ouvido algures que as mudanças não vão ocorrendo, ocorrem, assim, de um dia para o outro! Num dia vamos dormir e somos assim, no dia a seguir, quando acordamos, somos assado! Tal ideia andava a circular pelo seu cérebro há algum tempo! Foi então naquele dia, mal acordou, que um ímpeto, vindo não se sabe bem de onde, invadiu-lhe o espírito e a coragem tomou conta de si. É HOJE! Naquela altura o seu tempo sobrava e crescia, passava a maior parte do tempo a dormir, e às vezes a pensar ou a observar a vida à sua volta. Depois de tanto ter pensado, e pensado, e pensado novamente, já sabia de cor e salteado, de trás para a frente e da frente para trás, tudo aquilo que tinha de fazer. Foi instantâneo, assim que abriu os olhos, a sua metamorfose era visível em tempo real e a olho nu! Decidido, mal acordou, a pressa tomou conta de si. Queria invadir a rua rapidamente, estava frenético, ávido de barulho e de pessoas absortas nos seus pensamentos a correr de um lado para o outro, mal podia conter as pernas e os braços de excitação! Uma estranha vontade de comer pão com doce de ameixa e um sumo de toranja aguçou-lhe o apetite matinal! A mudança estava definitivamente a ocorrer, já nada de certeza a podia fazer parar! Nunca tinha sentido apetite de manhã, muito menos por doce de ameixa e sumo toranja, coisas que alias nunca lhe tinham passado nem pela cabeça nem por outro lado qualquer! Saciou o seu desejo rodeado de pessoas e sorrisos no café que frequentava desde que tinha nascido. De seguida saiu para a rua mais determinado do que nunca, embora o Sol o tenha feito franzir a testa. Ainda hoje se recorda da cara de espanto da sua Mãe e dos comentários que ela fez com as amigas, e principalmente dos sorrisos que todas elas soltaram quando viram a sua cara, depois de sentir o amargo da toranja! A seguir ao primeiro pequeno-almoço composto por sólidos ter sido tomado, nada mais foi como dantes na sua vida! Afinal era mesmo verdade, as mudanças ocorrem mesmo da noite para o dia, basta que se queira...

terça-feira, 2 de junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Hummer

- Eu estou sempre a dizer-te que gosto de ti, por que é que tu nunca me dizes também que gostas de mim?

- Porque se uma imagem vale mais do que mil palavras, um gesto, ou um acto, vale mais do que dez mil palavras...

The riddle

Aprecio sempre, e muito particularmente, aquele gajo(a) que entra de manhã no escritorio, refrigerado pelo ar condicionado, e a primeira coisa que faz é abrir uma janela ao mesmo tempo que diz hoje está um calor que não se pode.