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domingo, 31 de maio de 2009

At least that's what you said

- Estás a ver bem o bilhetinho, estás? Estás a ver o Coliseu hoje à noite? Will go...

- És mesmo um totó! O nome da banda é Wilco...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Complexos #12

- Porque é que achas que eu devia considerar a opinião de alguém que prefere e espera, conscientemente ou inconscientemente, ser surpreendido, ao mesmo tempo que só concebe ser surpreendido por aquilo que acha que só isso o pode surpreender?
Como é que essa pessoa pode dizer que conhece verdadeiramente alguém, mesmo que seja só um bocadinho, e como é que pode ser verdadeiramente objectiva no julgamento que faz da outra pessoa quando está previamente à espera de algo concreto que acabou por não ocorrer?
Achas que a pessoa vai ver o que a outra pessoa realmente é, ou vai apenas ver aquilo que quer, ou lhe dá mais jeito, ver?
Isso fará com que conheça alguém, ou faz apenas com que conheça melhor aquilo que quer e que não viu na outra pessoa, sem sequer se dar ao trabalho de ver mais alguma coisa que não apenas aquilo que esperava?
Quais são as hipóteses que existem de conheceres alguém que te surpreenda exactamente da forma que esperavas que te surpreendesse?
E mesmo que isso, por absurdo, aconteça quando conheces alguém, durante quanto tempo é que o efeito surpresa dura?
E depois, quando a surpresa da surpresa de teres sido surpreendido exactamente por aquilo que esperavas terminar, o que é que acontece a seguir?
Se o ser humano é insatisfeito por natureza, se busca incessantemente a perfeição, sendo que aquilo que para ele hoje é perfeito amanhã já não chega, o que é que se faz depois de ter encontrado a perfeição logo à partida?
É somente o facto de teres sido surpreendido exactamente por aquilo que querias que te faz querer conhecer a outra pessoa?
Se assim for, que hipóteses estás a dar às outras pessoas de tu as conheceres verdadeiramente?
E como é que te estás a dar verdadeiramente a conhecer agindo dessa forma?
Porque é que tens de esperar isso em vez de esperares nada, e porque é que não achas que isso é que te podia surpreender?

- A única resposta, humanamente possível, neste momento que eu posso dar às tuas parvas questões é esta: Porque sim. Mas já agora diz-me, quem é que não age assim? Conscientemente ou inconscientemente...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

So far around the bend

- ...Eu não acho que tu sejas um paranóico ou psicopata. Só acho que és chato e estás sempre a tentar explicar tudo, o que acaba por ser pior...

Strange overtones

O que eu vejo, quando me olho no espelho, não é o que os outros vêem quando olham para mim! Eu, vejo aquilo que penso. Os outros, veêm aquilo que olham. Ao olhar-me ao espelho sob essa perspectiva, não me reconheci, era um estranho a olhar para mim.
A imagem que reflectia no espelho em frente não reflecte a imagem que tenho de mim.
Desde então tenho sempre esta duvida e nunca sei qual a imagem que é correcta.
Será aquela que eu penso, ou aquela que eu vejo, quando de manhã, ao acordar, eu me olho no espelho?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Tony's theme

- ...Detesto aquela cambada de velhos do Restelo que se regozijam sempre quando um gajo falha ou se fode só porque teve o atrevimento de arriscar, de tentar, de não se acomodar, de não se resignar. Há sempre um filho da puta qualquer à espera disso só para poder dizer claro, ou então, eu avisei-te! Se ao menos morressem sufocados na sua própria gosma quando ainda por cima se ficam a rir da desgraça alheia. É claro que já se sabe que essa corja de merda são seres frouxos, incapazes de fazer o que quer que seja, e que apenas parasitam neste mundo com a única finalidade de poderem dizer essa merda! Mas foda-se, não deixa de irritar ouvir um gajo que nunca arriscou ou fez nada na puta da vida ter a distinta lata de dizer uma merda dessas! Tenho cá para mim que a única coisa que deve conseguir proporcionar um orgasmo a esses cobardes, que passam a vida a sobreviver sem saber fazer mais nada na vida, é lixar o juízo a quem ousa ser diferente deles. Ou isso ou então o risco a excitação e a adrenalina que lhes invade o corpo carcomido quando têm de subir a uma cadeira para mudar uma lâmpada fundida...

- Como eu te compreendo tão bem! Ainda ontem levei com um eu avisei-te, depois de ter feito aquela cena que te disse que ia fazer no trabalho. Filho da puta! O Cabrão estava mesmo à espera que aquilo corresse mal só para depois me poder dizer, como disse, eu avisei-te, com aquela voz fanhosa de merda que até mete nojo aos ouvidos...

- Bom, mas isso até foi bem feito. Eu tinha-te dito que se fizesses isso te ias foder.

I get coma

Ontem, uma pequena menina de 3 anos acordou para a vida depois de ter estado em coma devido a uma meningite que tinha contraído.

Às vezes, muitas, também gostava de acordar um dia a cantar uma musica qualquer que me fizesse despertar para a vida...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Não te rias de mim, ri-te para mim

O que é que tem mais piada quando uma pessoa vê escrito numa placa de cartão "Á AMINUINS", quando passa numa terriola qualquer?

É o facto de estar tão mal escrito amendoins, que quase não se percebe o que está a venda?É o facto de normalmente serem grandes figurinhas que estão a vender os amendoins?
Geralmente essas pessoas já não têm dentes, falam ACHIM, falam alto, praticam o vernáculo frequentemente. É isso que tem piada?
É o facto de a pessoa não ter estudos, de ser uma pessoa rude, do campo, de saber apenas aquilo que vê e sente, de ter tido e ainda ter uma vida difícil e por isso mal sabe escrever?
É o facto de essas pessoas por vezes serem "chicos espertos", que apesar de não saberem nada, acharem que são mais espertos do que o resto das pessoas e por andarem sempre a dizer " A MIM NINGUEM MINGANA"?
É o facto de quem sabe que a palavra está mal escrita ter prazer em saber distinguir e escrever a palavra amendoins bem?
É o facto... ...

Me, myself and Ai

Eu, Eu não, Concebo, O Mundo, Sem mim.
A mim, O Mundo, Concebe-me, Com Fim.
Eu, Eu não, Concebo, O Mundo, Assim.
Sem fim, Concebo, O Mundo, Sem mim.

Só tenho uma coisa a dizer

Eu, que como Benfiquista até nem tenho grande simpatia pelo apelido Pinto, tenho apenas uma coisa a dizer.

Marinho, 'tou contigo.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

What a Day That Was

- Uma coisa te digo pá, por muito que se diga, ou faça, muito raros são os casos em que um gajo faria exactamente a mesma merda se tivesse a oportunidade de poder voltar atrás no tempo...

- Olha que não sei bem se será assim. Olha, por exemplo, se eu voltasse atrás no tempo, faria exactamente o mesmo que fiz daquela vez que tive aquele desarranjo intestinal...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

The not knowing is easy #10

Por que é que muitas mulheres, a partir de uma determinada idade, decidem fazer uma permanente e usar carapinha? E se fazem uma permanente, por que é que se consegue desfazer depois?

Banda Sonora

Por breves instantes, à medida que o mar bate violentamente nas rochas negras, que de quando em vez, timidamente, emergem, fazendo com que o branco da espuma se dissipe rapidamente no ar, consigo, exactamente à mesma velocidade a que a espuma se desvanece, ver o meu corpo a afastar-se lentamente, enquanto permaneço parado, no mesmo sítio! Vejo, numa espécie de movimento lento e melífluo, energia latente, porem visível, viva, a soltar-se vagarosamente, espalhando pequenas partículas de luz e cor por todos os lados, cruzando-se, aqui e ali, com outras partículas, de um outro corpo, ou de um outro lugar qualquer! Sempre que tal acontece, pequenos rendilhados azuis, semelhantes a pequenas, mas vitais, descargas eléctricas, que contrastam com o laranja opaco do horizonte, voam, em direcção ao infalível, desvendando por fim o caminho!

Wintersleep - Oblivion

Toxic Emissions
Modern Conditions
Vague apparitions
Lost in the distance tense
Link to the senses
Link to the nothingness
Laugh you are not there
Laugh like you do not care
Tension undying here
Soft and familiar
Wide eyed and innocent
Warm ways and imminent

Breathe in, breathe in
Breathe in, breathe in

Oblivion!
Oblivion!
Oblivion!
Oblivion!

Lines in a paper
Black clouds and vapour
Now filled with summer
Light rains and meteors
Light rains and meteors
Holes in the universe
Crayons and scribblers
Infinite bellies burst
Cracks in the ocean, crack
Choke on the cosmic dust

What will become of us?
What will become of us?
What will become of us?
What will become of us?

Oblivion!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Complexos #12

Gosto mesmo de estar no meio das pessoas! Só, no meio da multidão. Não sei porquê, nem sequer tento arranjar uma explicação lógica para isso, pura e simplesmente adoro estar rodeado de pessoas. Pessoas e mais pessoas, pessoas por todo o lado, pessoas a inundarem o espaço e mais pessoas a absorver todo o ar. Adoro o ruído, por vezes ensurdecedor, do barulho que fazem a falar. Todas ao mesmo tempo, a falar. Umas gritam, outras choram, sorrisos e mais sorrisos, pessoas carrancudas, pessoas a andar sem sentido, outras que se vê logo que sabem para onde querem ir! Adoro a confusão e os encontrões inadvertidos, os pedidos de desculpa apressados ou os olhares de espanto por terem esbarrado! Adoro os diálogos sem sentido que se podem construir a partir de frases soltas de pedaços de conversas que se vão ouvindo à medida que se vai passando. No meio da multidão, perdido, anónimo, ali, bem no centro onde sou apenas mais um ponto negro, posso ser quem eu quiser, posso imaginar o que quiser, posso dizer, pensar o que quiser, posso fazer os filmes ou construir as vidas que quiser. Sozinho, no meio da multidão, eu e os meus pensamentos conseguem fazer, por breves momentos, com que eu não seja, apenas e só, mais um!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Indicadores #1

4 em cada 5 Tugas agradecem sempre ao condutor que parou para ele poder atravessar a estrada na passadeira. Confesso que eu tenho sempre o dilema de não saber se hei-de ou não agradecer. Se por um lado, os condutores são obrigados a parar, logo eu não tenho que lhes agradecer porque eles estão a fazer a sua obrigação, por outro eles iam muito bem no seu caminho e eu é que os obriguei a parar, logo não fica mal agradecer. Na maioria das vezes resolvo o meu dilema ao levantar o dedo mindinho ou o polegar quando acabo de atravessar, tal como aquelas pessoas que passam e mexem os lábios balbuciando qualquer coisa completamente imperceptível e seguem o seu caminho convencidas que disseram bom dia ou boa tarde. Já em Espanha, das vezes que lá fui, nunca vi um espanhol a agradecer a ninguém nestas circunstâncias, não existe sequer este dilema! Concluo então que, se Portugal quiser ser um País próspero e desenvolvido, tal como a Espanha é vista hoje em dia, basta aos Tugas deixarem de agradecer quando passam nas passadeiras.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Escambar #2

Era Segunda-feira. À Segunda-feira era dia de levantar às 07:13, mas esta era especial. Fazia precisamente 13 anos e duas semanas que se levantava às 07:13 numa Segunda-feira, e este facto fazia com que na próxima Segunda-feira já pudesse levantar-se às 07:17. A ansiedade era enorme! Já tinham passado 13 anos e duas semanas! Lembrava-se perfeitamente da última Segunda-feira em que se tinha levantado às 07:09.
Saiu para a rua. Sabia perfeitamente que não se podia perder em pensamentos e quase que não conseguia sair de casa às 08:07 em ponto como seria suposto. Já passavam 53 segundos do minuto 07 depois das 08 horas e deu-lhe um ataque de pânico quando olhou para o relógio. Felizmente tinha conseguido sair de casa a tempo e agora, do ataque de pânico que tinha tido, apenas restavam umas gotas de suor frio na testa.
Entrou no café, perto do seu trabalho, precisamente, e como sempre, às 08:51. Verificou que passava o segundo 12 do minuto 51 depois das 08. Sorriu ao entrar no café, sabia que depois do descuido que tinha tido de manhã, havia recuperado o tempo perdido e desta forma poderia sentar-se durante 4 minutos e 48 segundos.
Bebeu pacatamente o café com leite, e com bastante confiança saiu do café 3 segundos antes das 08:56. Subiu as escadas do prédio onde trabalhava e sentou-se na sua secretária às 09:02. Ao sentar-se, a ansiedade da próxima segunda-feira começava novamente a fazer-lhe cócegas na barriga. Na próxima Segunda-feira poderia sentar-se à sua secretária às 09:06! Mal podia esperar por esse momento. Começou energicamente a trabalhar, parando apenas às 11:24 para ir ao WC. Voltou, como previsto, às 11:44 e sentou-se novamente a trabalhar até à hora de almoço. Saiu para almoçar às 13:07. Como era Segunda, iria comer no fundo da rua, às segundas o prato do dia é Pasteis de Bacalhau com arroz de feijão. Enquanto caminhava lembrou-se do problema que tinha sido arranjar um restaurante que servisse Pasteis de bacalhau com arroz de feijão à Segunda-feira perto do trabalho. Fazia agora 2 anos, 3 meses e 17 dias, que o restaurante habitual das Segundas-feiras tinha fechado. Antes de entrar para o restaurante pensou para consigo próprio que estava a ter um dia anormalmente nostálgico. Não ligou muito a este pensamento e entrou, precisamente às 13:19.
Sentou-se na mesa de sempre. Ao longo do tempo, apenas por duas vezes quando entrou, a “sua” mesa não estava disponível. Uma das vezes, a espera que fez para aguardar a mesa, fez com que se tivesse atrasado 2 minutos e 14 segundos. Sempre que pensava nisso tremia, tinha sido sem dúvida o pior dia da sua vida. Há um ano, 10 meses e 18 dias que tal problema não ocorria.Depois do incidente do atraso, falou com o dono do restaurante, tem sempre vontade de bater nele próprio por não se ter lembrado antes daquela solução, e passou a reservar a mesa todas as Segundas Feiras. O empregado que o servia evitava a todo o custo falar com ele, e ele já tinha desistido de tentar falar com o empregado. Era de longe preferível não falar com o empregado das Segundas feiras do que ter outro empregado qualquer a servi-lo. Assim que terminou o almoço olhou para o relógio e dirigiu-se para o trabalho. Subiu as escadas do prédio pela segunda vez nesse dia. Assim que chegou à porta, um frio percorreu-lhe a espinha. O Alfredo, que já se tinha reformado, tinha ido visitar os antigos colegas e o corredor por onde ele tinha de passar para a sua secretária, estava cheio de pessoas. Isto iria de certeza obriga-lo a passar por entre todas aquelas pessoas que estavam quase a gritar uns com os outros, tal era a alegria que se tinha instalado ali! E, pior do que isso, cumprimentar o Alfredo. O Alfredo tinha tido sempre a mania de falar a toda a gente sempre que chegava ao trabalho. Agora, depois de se ter reformado, de certeza que iria dar um abraço. Coisa impensável numa Segunda-feira! Percebeu que ninguém o tinha visto e foi dar a volta por entre as secretárias vazias. Normalmente nunca passaria por ali para ir para a sua secretária, mas era muito melhor passar por ali do que passar por aquela gente toda e correr o risco de se atrasar. Sentou-se à sua secretária quando relógio marcava 14:07. Começou de imediato a trabalhar. Inevitavelmente o Alfredo olhou para ele e foi lá cumprimenta-lo. Como ele tinha pensado, o Alfredo deu-lhe um forte abraço e perderam 7 minutos e 37 segundos na conversa. Passou o resto da tarde a trabalhar sem mais sobressaltos. Saiu do trabalho às 18:23. Quando chegou à rua, seguiu o caminho a pé para casa como era usual às segundas-feiras. Fazia precisamente 13 anos e duas semanas que a decisão de, às Segundas-feiras, fazer aquele caminho a pé para casa havia sido tomada. A meio do caminho, lá estava ele, o mendigo que há 3 anos e 10 meses tinha decido ir morar para aquela rua a caminho de casa dele. Passavam 2 anos e 8 meses desde que ele tinha começado a estabelecer conversa com o mendigo e agora, às Segundas, estavam sempre reservados 7 minutos e 33 segundos de conversa com o mendigo. O mendigo, sabia do tempo que dispunha para falar, por isso, sempre que o via, ia logo directo às novidades:

- Então, como vai esta semana? Já sabe que a D.Joaquina do 5º andar quinou? Já sabe que os homens do lixo fizeram queixa de mim a alguém da Junta, para ver se me conseguem fazer sair daqui. Dizem que estão fartos de me tirar de dentro do Contentor, e dizem que qualquer dia metem-me dentro do camião e levam-me para a Lixeira. Que culpa tenho eu de só me conseguir aquecer dentro do contentor? No Verão, tudo bem, posso perfeitamente dormir naquele banco ali. Agora no Inverno, onde é que querem que eu durma? Olhe bem para isto, olhe bem o que eu achei hoje. Diga lá se este guarda-chuva não está ainda em muito bom estado? Agora já posso ajudar as belas senhoritas que vêm desprevenidas sem guarda-chuva a atravessar a estrada, sempre que o dia estiver virado ao contrário.

- Então meu bom amigo, como é que vai isso? Sim, já sabia da D. Joaquina, ela em tempos viveu no meu Prédio, quis mudar-se para aqui porque dizia que as costas dela já não aguentavam as escadas, preferia um prédio com elevador. Vá-se lá compreender as pessoas! Sim, realmente esse chapéu-de-chuva ainda está em bom estado, tenho a certeza que vais fazer um vistão junto das belas moças que por aqui atravessam a estrada. Quanto aos homens do lixo, não lhes ligues, são pessoas brutas e sem instrução!

- Olhe, já agora, antes de ir, posso pedir-lhe só um favor? Eu até nem era para lhe pedir isto, apesar de já ter pensado, mas já que acha que eu sou muito capaz de ser útil às meninas que passam, pode falar lá com os chefes para pintarem uma passadeira aqui na estrada? Quase sempre que atravesso a estrada sou atropelado! Desconfio que anda aí alguém à espera que eu atravesse a estrada para vir logo para cima de mim! E é um carro preto. Tenho a certeza que é um carro preto. Ai se eu sei quem é, ai se eu sei…

- Tem calma, vou ver o que posso fazer em relação à passadeira. Quanto ao resto, tenho quase a certeza que é imaginação tua, não te preocupes com isso.

E lá seguiram cada um o seu caminho.
Chegou a casa às 19:14. Leu durante 23 minutos, o livro que sempre lia às Segundas-feiras. Jantou às 19:37. Comeu a sopa de Espinafres com massa, uma carcaça com queijo, e um copo de vinho. Reparou que a garrafa das Segundas estava a acabar e pensou outra vez que na próxima Segunda tudo iria ser diferente. 13 Anos e duas semanas depois! Quase não se conseguiu conter de alegria! Esboçou um enorme sorriso e leu mais 23 minutos depois do jantar. Ele não acreditava em televisão. Deitou-se como de costume às 20:43.
Esta iria ser uma semana emocionante, Seria a ultima semana em que à Segunda se teria de levantar às 07:13! No dia a seguir seria Terça-feira, e faltariam 8 anos e 3 semanas para que pudesse levantar-se às 07:15 às Terças-feiras. Deitou-se e adormeceu com um sorriso na cara ao pensar nesse dia.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Detectada cocaína e LSD no ar em Madrid e Barcelona

"Investigadores espanhóis detectaram vestígios no ar de cocaína e LSD, juntamente com outras três drogas, nas cidades de Madrid e Barcelona."

Esta pode muito bem ser a explicação para a origem da expressão:

Love is in the air...

Banda Sonora

O cheiro a erva e a nuvem de fumo baço que inunda o carro continua, vezes sem conta, a provocar o mesmo efeito em ti. No espaço de segundos, muito antes de todo o fumo se dissipar, sem que nada consigas fazer para o evitar, por muito que tentes e te esforces, o teu semblante altera-se automaticamente e sem dar por isso já vestiste a cara de má. Então, começas em primeiro lugar por disparar palavras desconexas, com o intuito nítido de provocar agitação, acto que se revela sempre falhado perante a inexistência de reacção. De seguida, ainda com a cabeça no lugar, inicias um movimento corporal, que a pouco e pouco vais acelerando até se tornar disforme, até ao ponto de todas as tuas veias ficarem a latejar e um nó na garganta se tornar completamente visível. Aí, sem saberes já se ainda continuas a pensar, abordas todos os assuntos que deixaste por resolver na tua vida, para depois permaneceres em silêncio o resto do tempo que o fumo irá demorar a ser completamente expelido.
Há 16 anos que os teus berros são música para os meus ouvidos...

Pixies - Tame

got hips like cinderella
must be having a good shame
talking sweet about nothing
cookie i think you're
tame
i'm making good friends with you
when you're shaking your good frame
fall on your face in those bad shoes
lying there like you're tame
uh huh huh
tame

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Heart of glass

Por vezes, a mais determinada tenacidade e persistência significa desistir.

One way or another

Lá vai ela novamente, com o seu passo taciturno, sentar-se à porta do número 24. Tem todos os dias uma peruca diferente e passa horas ali sentada a escrever e a observar, a conjurar e a congeminar! Que duvidas ou receios passam pela mente daqueles que são julgados por não terem juízo? Há uns anos arranquei os dentes do siso, só os do maxilar de cima, eram esses que estavam a atrofiar, bem devagar é certo, mas à velocidade suficiente para que se tornasse protuberante dentro de um período de tempo estimado com precisão! Fiquei apenas com metade do juízo, de acordo com o mito. O medo que se tinha do dentista naquele tempo já não era comparável ao de outrora, nunca se teria medo de ter medo se não se tivesse medo de o ter. As dúvidas só servem para se saber que existem certezas, apesar de nunca ninguém as ter visto. Não deixa de ter graça dizer que o incerto é certo quando se sabe o que se vai passar, mesmo que não se saiba em que lugar. Esquece-se, frequentemente, é que nunca se sabe o que se vai passar, apesar de se dizer que se sabe só porque se acha que é certo aquilo que se pensa que não é incerto, vá-se lá saber porquê! Sensações, inibições, cobrem a mente de vermelho, pungente, lancinante, mesmo da cor do sangue que irriga o cérebro, o mesmo que passa horas, imóvel, à procura da cor cinzenta, que dizem faze-lo trabalhar de acordo com os padrões já conhecidos. A cor não importa, o que importa é o conteúdo, mesmo que ele seja vazio como o branco numa tela de ligaduras pretas amarradas por um cordel beije numa parede aparentemente flácida mas rija como um corno na cabeça do unicórnio invisível, obviamente, visível apenas por todos aqueles que se sentam à porta do 24. Esse lugar nunca está disponível, ouviu-se de repente alguém gritar, enquanto a multidão começava a reclamar por direitos inexistentes! Estão todos sempre ausentes quando chega a hora do diálogo, é sempre mais agradável, aprazível, dizer que aquilo que sente é aquilo que se sabe e vice-versa! Só não é agradável o que é desagradável. Que coisa mais estúpida e óbvia de se dizer, mas quem é que os consegue distinguir apenas e só com um olhar? É o que se ouve a mulher perguntar enquanto altera o seu mirar e Olha, com um olhar profundo, tão profundo como a altura do mar, para dentro dos seus olhos reflectidos no vidro da porta. Aquilo que vê, mais ninguém sabe. Ajeita a peruca, levanta-se e grita por um café e um bloco de notas, quem me dá um bloco de notas para que eu nunca mais me possa esquecer de anotar aquilo que aprendi amanhã? Todas as manhãs é a mesma cena, os lençóis permanecem intactos, é muito melhor dormir no chão do que fazer a cama todos os dias de manhã e alem disso a casa fica sempre arrumada, mais nada, mesmo mais nada é necessário fazer sempre que se quiser obter prazer a partir de uma voz tímida e muito, muito baixa, que sussurra aos nossos ouvidos: o Natal já terminou, vem aí o Carnaval. Isto está tudo mal e como é costume dizer, 2 são vida e 3 são de festa, falta sempre 1 para se ficar até ao fim, como é que se pode saber como é que acaba então? Tal como todas as certezas, nunca ninguém viu bem o bem, e mesmo os que o viram, não sabem bem se era mesmo ele, ouvi dizer que o bem não é igual para toda a gente. Muito francamente já nada é como antigamente, provavelmente nunca foi, por isso é que o boi ficou especado a olhar para um palácio, um boi ou um burro, agora também já não interessa, a falácia é ensurdecedora e já não me deixa entender o que nunca compreendi, por isso ri, ri a bom rir, foi o que o dentista me disse quando terminou a operação. Eu estava de cabeça para baixo, lembro-me como se tivesse sido em 1987, as memórias nunca enganam, ninguém escolhe aquilo que se quer lembrar, é pena que elas sejam tão firmemente verdadeiras e reais, se não, eu nunca me tinha enganado. Vou para o número 26, vou dar inicio, ou um fim, ainda não me decidi, a um novo ou então a um velho ciclo, ou até mesmo a um novo quadrado, só para o prisma ser diferente, mesmo que um ciclo não seja um prisma. Nunca façam o crisma, a primeira comunhão é aquela que custa sempre mais e deixa traumas ou conhecimento, seja lá o que isso for, que servem, ou não, para o resto de uma vida, que tal como um quadro, é sempre, sempre, inevitavelmente inacabada.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

To Fix the Gash in Your Head

- Já alguma vez sentiste que conheces uma pessoa tão bem, mas tão bem, que tens a certeza absoluta do que ela gosta e não gosta, do que quer e não quer, e, principalmente, do que ela é capaz de fazer e não faz só por tua causa? Já alguma vez gostaste tanto de alguém que consegues saber, no exacto segundo em que olhas para a cara dela, tudo o que ela está a sentir sem ser preciso dizer absolutamente nada, sabendo que ela, no entanto, nunca to vai conseguir dizer? Alguma vez foste capaz de amar tanto alguém ao ponto de conseguir perceber que todos os seus desejos, perfeitamente realizáveis e ao seu alcance, são também os teus desejos, sem que ela alguma vez os tenha partilhado contigo? Já alguma vez foste capaz de sentir tudo isto, e ao mesmo tempo encarar a verdade, e ter consciência que a outra pessoa só se conseguirá realizar verdadeiramente, que tudo isto é apenas realizável para a outra pessoa, com outra pessoa que não tu, sabendo tu que tudo o que ela deseja e quer é alguém que é exactamente o que tu és e podes vir a ser? Alguma vez concebeste tudo isto sem dar em doido de imediato?

- Não!

- Pois eu também não! Mas tenho pensado muito nisto ultimamente!

- E já alguma vez sentiste necessidade, mas uma granda necessidade, de falar com alguém com quem tu nunca falaste antes, sobre tudo o que te passar pela cabeça e sem o mínimo medo de seres criticado, sendo, aquilo que te passa pela cabeça, tudo aquilo que te atormenta, não te atormentando no entanto, o facto de estares a falar com um estranho, exactamente porque é um estranho que está a falar contigo e que por causa disso ele não te pode criticar com base naquilo que conhece de ti, mas, quanto muito, criticar a tua forma de pensar, ou a tuas opiniões, apenas porque discorda, única e exclusivamente, da tua forma de pensar e da forma como formulas as tuas opiniões, formulando essa pessoa, outras opiniões, opiniões essas que tu nunca conseguirias alcançar, ou ouvir, se falasses com alguém que já conheces e que já te conhece também?

- Não!

- Eu já. Mas nunca falei! Nunca tive a coragem...

terça-feira, 12 de maio de 2009

É crónico

Eu sempre tentei, ao longo do tempo em que escrevi estas crónicas semanais, pautar a minha escrita por uma objectividade isenta e sem qualquer tipo de posição ou de opinião. O meu dever é, e será enquanto escrever, o de descrever aquilo que vejo, e relatar isso sem qualquer tipo de emoção. É esta a minha função. É isto que eu gosto de fazer. Nunca, em momento em algum, escrevi de forma tendenciosa e que levasse as pessoas a seguirem a sua linha raciocínio para uma determinada direcção. Como tenho uma crença infindável nos seres humanos, sempre gostei de escrever coisas simples e directas sobre as pessoas, com o desejo que esses mesmos seres humanos consigam, por um minuto, parar para pensar um pouco, para reflectir, acima de tudo para reflectir.
É exactamente por tudo isto que nunca pude tomar qualquer tipo de posição em relação ao que quer que fosse, nem nunca o poderei fazer. O meu dever é única e exclusivamente observar e descrever o que observo.
Quem me conhece sabe que eu sou assim, que acredito em tudo e em todos! Talvez por causa disso, não o posso afirmar com certeza, nunca na minha vida fui insultado, assaltado ou injuriado. Confesso, todavia, que passei a minha vida a acreditar que nunca nada de mal me aconteceu porque eu nunca tinha feito mal a ninguém, e que esse, esse era o segredo de tudo o que me tinha sucedido. No entanto, e como não poderia deixar de ser, tal como diz o adágio, não há regra sem excepção, ontem, enquanto estacionava o carro, sucedeu-me o maior imprevisto que alguma vez me tinha sucedido!
Após ter acabado de estacionar o carro, num daqueles parques de estacionamento em que todos os carros ficam lado a lado numa fila enorme, dois carros abaixo do lugar onde eu tinha estacionado estava a sair um carro do seu lugar no estacionamento. No preciso momento em que eu estava a sair do carro oiço estrondo enorme e um berro! Olhei de imediato, e consegui aperceber-me que o berro tinha sido o rapaz que costuma estar sempre ali a indicar os lugares que estão disponíveis para ver se recebe uma moeda, e que o estrondo tinha sido causado pelo carro que estava a sair, que ao fazer a manobra tinha batido no carro que estava ao seu lado estacionado. Perante isto, e devido à minha paixão em observar, voltei a entrar no carro para poder ver o que ia suceder a seguir. O rapaz corria agora atrás do carro já em pleno movimento enquanto gritava “pare, pare”, e a pessoa que tinha acabado de bater, como se nada tivesse sucedido, saía normalmente do estacionamento. O rapaz, que entretanto me tinha visto dentro do carro, para além da moeda que estava à espera que eu lhe desse, pediu-me também uma caneta para anotar a matricula do carro que tinha batido e ido embora. Eu dei-lhe a moeda que ele esperava e disse-lhe que não tinha nenhuma caneta mas que tina anotado no meu telemóvel a matrícula do carro que tinha batido e fugido. A resposta do rapaz foi a seguinte:
“Obrigado! Já viu isto? Só porque acham que um gajo anda aqui só para assaltar, acham que podem bater e fugir. Mas ele há de se lixar, eu vou dizer ao outro quando vier que lhe bateram no carro, as coisas não podem ficar assim!”
E lá foi ele a correr para outro lugar disponível no parque de estacionamento.
De acordo com o que mencionei no início, não é, nem nunca foi minha intenção julgar a importância deste tipo de pessoas nos parques de estacionamento. São normalmente pessoas estigmatizadas, pessoas que já cometeram bastantes erros e que apenas conhecem, ou acham que aquela é a sua única forma de poder ganhar a vida. Há também quem ache que eles não fazem nada porque não querem, outras que acham que deviam era ir trabalhar, e há até mesmo quem ache que este tipo de pessoas devia era ser completamente erradicada da face da terra uma vez que não estão cá a fazer nada a não ser espalhar o pânico!Perante este acontecimento, decidi esperar no carro até que o dono do carro que tinha agora uma visível amolgadela chegasse. Cerca de dez minutos depois chegava um casal ao pé desse carro. Ele devia ter uns vinte e poucos anos, e ela um pouco menos de idade que ele. Vinham de mão dada, a sorrir, aparentando serem namorados. Assim que viram o rapaz dirigir-se a eles, apressaram-se a entrar no carro. Somente lá dentro, e com as janelas fechadas, ouviram o relato do que tinha sucedido, aparentando, no entanto, não ligar muito ao que tinham ouvido. O rapaz que “estaciona” os carros, perante este cenário, terminou a conversa com eles dizendo: “Olhe, já lhes disse a matrícula e já lhes disse o que aconteceu. Agora façam o que quiserem”. E foi-se embora. Nesse momento, impelido pelo sentido de justiça do “arrumador”,saí do carro e dirigi-me ao carro do casal com o intuito de confirmar a história que o rapaz tinha acabado de dizer. Desta forma, cheguei ao pé do carro e disse:” É verdade o que o razpaz disse sim senhor! Eu também anotei aqui no meu telemóvel a matrícula do carro. É a seguinte 17-49-UL”. De seguida disse que o toque no carro era pequeno mas que tinha feito mossa e que tinha inclusivamente levantado ligeiramente o para choques da parte lateral ao carro. O rapaz que estava ao volante, olhou para mim, agradeceu-me, perguntou-me mais uma vez a matricula e disse o seguinte depois de eu ter dito novamente os números e as letras: “Peço muita desculpa, mas penso que como compreenderá eu não vou agora sair do carro para ver se efectivamente me bateram no carro ou não, só mesmo daqui a pouco quando sair deste lugar. Agradeço muito a sua atenção, mas como deve compreender não o conheço a si nem ao outro, não penso ser seguro sair do carro agora…” Fiquei estupefacto! Disse-lhe que não compreendia nada o que ele estava a dizer ou a fazer, tendo o casal ido embora na mesma sem se certificar do estado em que se encontrava o carro! Nunca antes tinha agido em nada na minha vida, e nunca antes me tinha sentido tão injustiçado como naquele momento!

- Onde é que tu vais arranjar ideias para escrever estas merdas é que eu ainda não consegui perceber. Mas está bom, acho que é a crónica que faltava para tu seres o próximo cronista a ter todas as suas crónicas compiladas em livro. Alias, esta crónica até já é assim um laivo de autobiografia. Seria, se calhar, a ideal para fazer um prefácio, ‘tás a ver, tipo a crónica para abrir o apetite aos gajos que vão comprar o livro. O que é que achas?

- Achas mesmo que podem fazer um livro com a minha autobiografia? Achas mesmo que as minhas crónicas vão ser colocadas num livro e vai ser um best seller? Achas mesmo que isso pode acontecer? Isso é o sonho de toda a minha vida. Toda a minha vida sonhei que iria ser admirado, respeitado e invejado por tudo o que disse, pensei, e fiz! Achas que chegou o momento? Já estou mesmo a ver o Nobel da literatura… …

- Bom, eu não te queria estar a dizer mais nada agora, mas acho que vais no bom caminho, afinal de contas já tens praticamente sessenta anos. A idade sempre foi um posto. Tenta agora, aproveitando esta maré de sentimentalismo e realismo que anda por aí nos nossos órgão de comunicação social, e faz umas crónicas sobre pretos, racismo, religião, coisas dessas, sabes, coisas que façam as pessoas chorar, isso é que é importante, uma crónica que faça chorar. Se fizeres as pessoas chorar as pessoas falam em ti e sobre ti...
Bom. É tudo então. Fico à espera da tua próxima crónica... Ah, e não te esqueças, antes de ires embora, de ir à tesouraria para passares o recibo. Já sabes que sem recibo não há guito para pagar as crónicas. Até para a semana. Já agora, quando saíres diz ao Zé que está aí fora à espera para entrar.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Complexos #11

- Olha?...Desculpa, importas-te de me tirar uma foto junto daquela estátua?

- Qual estátua? Aquela ali?

- Sim...

- OK, dá-me a máquina...

- é só carregar aqui...ela foca sozinha...

- OK... ...Hey...HEY! Onde é que vais?

- Para junto da estátua. Anda...

- Err...Não posso tirar a foto daqui?

- Mas daqui não se vê depois a estátua! O objectivo é ficar com a estátua na foto...

- Então, se calhar, é melhor pedires a outra pessoa para te tirar a foto.

- Porquê?! Qual é o problema?

- ... Deixa...Prefiro não dizer...

- Porquê?! Anda lá, diz-me lá qual é o problema?

- Na...Ias ficar a pensar que sou parvo...Ou estúpido...Não me agrada a ideia de um dia te lembrares deste momento como o momento em que aquele gajo estúpido, trá lá lá, trá lá lá...

- Ok. Consigo entender isso. Prometo não pensar em ti como o gajo estúpido.

- Não podes prometer uma coisa dessas.

- Pronto, prometo tentar não pensar isso...Vá lá...Pensa tu que este momento, quando te lembrares dele, como o momento em que revelaste aquilo que...bom, na realidade, tu é que julgas ser parvo, mas tentas convencer-me que eu é que irei achar parvo...em suma, como sendo o momento em que me disseste porque é que não queres ir ali para perto da estatua...Vá lá...não custa nada...

- Bom...Digo-te com duas condições. Primeira, não me dirás, nunca, em circunstancia alguma, o teu nome. Se te vais lembrar disto, e de mim, como um gajo parvo, ao menos não quero saber o teu nome, nem que tu saibas o meu, obviamente. Segunda, não quero me que reveles o que pensas sobre o que eu te disser.

- Combinado.

- Bem, não quero ser muito longo, mas tenho que enquadrar mais ou menos o raciocínio...Eu sempre vivi perto daqui. Venho para aqui, à noite, há uns 16 anos. Mas, só moro aqui há seis meses. Desde que moro aqui, quase todas as noites dou um passeio, pelos vários jardins e praças que existem por aí, e gosto de descobrir tudo aquilo por onde tenho passado, nos anos que aqui andei, e nunca reparei antes. Agora a parte parva. Divirto-me bastante, com este pequeno jogo. Sempre que vejo uma estátua, gosto de passar por essa estatua durante um período de tempo, tempo esse em que vou dizendo vários nomes de pessoas que me parecem pertencer a pessoa que está "estatuaficada", e depois, passado o período de tempo que julgo ser suficiente, este período varia bastante, aproximo-me e vejo se o nome corresponde a algum dos que eu pensei. Isto, não só me diverte, como faz com que eu consiga "marcar" a minha memória de forma a recordar-me de tal monumento. Pronto é isto...E sim, também tenho uma paranóia com a memória...

- Olha...Sinceramente, não acho mesmo estúpido isso. Desculpa, eu sei que faltei com a minha palavra e revelei o que tu disseste...Mas é que, se tu gostas tanto assim de tirar fotografias com a tua memória, eu achei que devia revelar-te este momento de acordo com a minha perspectiva também. Fica assim como...deixa cá ver se consigo esticar mais um bocadito a metáfora...já sei...fica assim como uma foto quase tridimensional. O que é que achas?

- OK. Ok. Compreendo o sarcasmo. Revelas aquilo que pensas não dizendo realmente aquilo que pensas. Não faz mal...

- Não! A serio! Estou mesmo a falar a serio!...Olha, para te provar que estou mesmo a falar a serio, vou contar-te uma coisa que até agora só eu sei que a penso. Ficamos quites. Ok?

-...Errr...Ok...Acho...

- Então, cá vai. E juro-te que isto é mesmo a pura da realidade. JURO. Moro aqui desde que nasci. Bom, não é aqui, é ali em baixo, mas é perto daqui. Nunca, desde que nasci, tinha vindo aqui. Desde pequena que pensava que o dia em que eu viesse aqui, alguma coisa especial me iria acontecer. Passei a minha infância, adolescência, a guardar uma disposição, um sinal vindo de um sítio qualquer, que me indicasse que era o momento de vir aqui. Há uns dias pensei nisto, e na parvoíce que isto de repente me pareceu, e hoje decidi aqui vir. Jantei, e vim aqui, tirar uma foto junto à estátua.

- Reservo o meu direito de não acreditar nisso. Embora encare a possibilidade de acreditar...Então, mas moras ali em baixo é? Eu também! Em que rua moras?

- Na rua da Amora. E tu?

- Na rua da Amora! Numero 8...

- Eu também!

- ... ...

- ... Não achas curioso o facto de até agora, que não sabíamos onde morávamos, falamos sem problemas, e agora, que já sabemos, já não sabemos o que dizer?

- Eu estava a pensar só. No entanto aquilo que dizes não é verdade. Alias, acho até, que nada do que disseste até agora é verdade. E acho também que tu sabias que eu moro no mesmo prédio que tu. Embora eu garanta que nunca te vi.

- OK. Apanhaste-me. Eu costumo ver-te passar de manhã. Saio cinco minutos depois de ti. Vejo-te sempre quando estou à janela a fumar um cigarro antes de sair de casa. Gosto de fumar um cigarro à janela antes de sair de casa. E, há uns cinco meses, divirto-me a inventar historias sobre ti, sobre o que é que vais fazer durante o dia. Às vezes penso que és um espião. Outras que és um assassino que estás destinado naquele dia. Etc, coisas assim. Se estivesses na minha cabeça ias entender a piada disto...Bom, não querendo eu agora parecer parva, achei mesmo curioso o facto de tu saíres todos os dias, todos os dias, a serio, impressionante, da mesma forma! Dás exactamente os mesmos passos, a mesma trajectória, até ao fundo da rua, onde deixo de te ver! A serio, nas primeiras vezes, estava à janela, a fumar tranquilamente, nem reparava que passavas, com o passar dos dias reparei que saías sempre à mesma hora. Depois que atravessas logo a rua para o passeio da frente. Depois que segues sempre pela borda do passeio até à primeira travessa. Aí, começas a subir com os pés na calçada, depois, sete passos depois, sobes de novo para o passeio, e segues até à esquina, junto à parede do prédio cinzento. É o tempo preciso em que acabo o cigarro, as minhas divagações antes de sair de casa, e entro no modo de trabalho...Hoje, decidi meter-me contigo. Tinha mesmo curiosidade. Não leves a mal...Mas olha que eu nunca poderia planear aquilo que me disseste. Limitei-me a alimentar a nossa conversa, só. Podias perfeitamente ter-me mandado à fava...Agora...Olha, aconteceu. Já está. Já não há volta a dar. Só nos resta seguir em frente...

- Inacreditável! A serio! Não sei mesmo se acredite nisto ou não! Por um lado, isto parece-me a maior tanga do mundo. Estou à espera, mesmo, e a qualquer momento, que me digas que isto é para os apanhados, ou qualquer parvoíce assim do género. Por outro lado, como é que a coisa podia ter corrido como correu! Terás mesmo tu capacidade para inventar isto tudo assim de repente? Sim, porque, quer eu queria, quer não, eu disse mesmo aquilo que pensava, e tu vieste aqui com o propósito de conhecer o totó que vês subir a rua todos os dias da mesma forma. No entanto, como tu disseste, limitaste-te a alimentar a conversa, que diga-se, e este é o meu dilema, me estava a dar gozo! Por isso, e mesmo que tudo aquilo que me tenhas dito, seja uma granda tanga, só o facto de teres conseguido fazer isso, mesmo sob o propósito de tu quereres conhecer o gajo mais parvo do mundo, já me excita de uma forma que não te descrevo apenas e só por pudor, e alguma vergonha, confesso.

- Então, perante a tua resposta, tenho duas coisas a confessar também. Ambas verdadeiras, de verdade. Desta vez não juro, digo apenas que te estou a dizer a verdade. Primeira confissão. Pensava mesmo que ia conhecer o gajo mais totó do mundo. Segunda confissão. Todas as histórias que inventei quando te via passar todos os dias, nestes últimos cinco meses, inspiraram-me a começar a escrever. Criei um blog, e comecei a debitar tudo aquilo que ia pensando enquanto passavas. Ao fim de um mês, por descuido meu, revelei que eras real, apesar das coisas mirabolantes que escrevia sobre o que fazias e não fazias. O blog começou a despertar interesse, entusiasmei-me, escrevi à bruta, e agora, chegou a um ponto em que já não consigo imaginar mais nada para contar. Prometi a todos os leitores, que o final do livro, sim porque o blog vai ser editado em livro, seria o relato verídico do meu encontro "casual" contigo...

- OK. NOVO ACORDO. Não quero saber o nome do livro. Não quero saber o teu nome, nem o nome do teu livro. Eu mudo-me amanhã.

- Não. Espera. Não terminei a minha segunda confissão. Agora, que estamos a viver o nosso encontro "casual", quero que escrevas comigo o final do livro. Quero que leias, e escrevas em conjunto comigo, o final inesperado que ninguém contava.

- Estás a dar comigo em doido! Não sei se consigo não acreditar em ti!

- Então vem, vizinho... Vamos a minha casa e eu mostro-te se falo a verdade ou não. Sem pudor, nem vergonha...

- Vamos. Mas com uma condição. Quero saber o teu nome. A morada já eu sei...

- Nunca, sob circunstância alguma...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Hey, where have you, been?

Já é praticamente uma tradição. Não sei porquê, mas sempre que calha a uma sexta-feira o dia oito de Maio de dois mil e nove, dá-me para ter saudades da vida que ainda não vivi!

What lies beneath

- Não percebo por que é que a tua resposta, a tua e a de várias pessoas que conheço, à pergunta; "como é que é?", é, invariavelmente, qualquer coisa do género: "é grande e grossa", ou então, "é tão grande que se vê da lua", ou qualquer outra coisa do género!... …

- Então! É exactamente a mesma coisa que tu fazes quando respondes à mesma pergunta! Só que tu preferes responder, invariavelmente, é microscópica, não se vê nada, etc! Cada qual sabe de si, é o que te tenho a dizer...

- Pois isso é verdade. Só que, a meu ver, para estar a enganar por enganar, eu cá prefiro e acho sempre melhor ser uma agradável surpresa quando chega a hora da verdade, do que uma expectativa frustrada… …

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Não é defeito, é feitio

Vamos sempre a abrir, quando é o Amilcár a conduzir...

Funil

- Oi! Peço desculpa

- Não tem mal.

- …

- …

- ...Sabe, eu estive aqui a pensar na sequência dos acontecimentos, e o senhor é que esbarrou contra mim! Por isso, não tem sentido ter sido eu a pedir desculpa! O meu pedido de desculpa é que foi um reflexo perante o encontrão que levei!

- Como? Não compreendi o que disse!

- Estou a dizer que o senhor é que veio contra mim, não fui eu que fui contra si, o senhor é que me tem de pedir desculpa!

- Ah! Está bem. Desculpe, não tinha compreendido.

- Tudo bem não faz mal.

-…

- Já agora, pediu-me desculpa por não ter compreendido o que eu tinha dito, ou pediu desculpa por me ter dado o encontrão?

- Ó amigo, o que é que quer que eu lhe diga? Já lhe pedi desculpa não foi? O que é que quer mais?

- Sim tudo bem, mas como me pediu desculpa a rir-se, pensei que não estava a ser realmente sentida. Como logo depois foi aquela confusão de não me ter percebido à primeira, fiquei na dúvida. Quer dizer então que pede desculpa pelo encontrão? É isso que significa o pedido de desculpa, mesmo que tenha sido feito a rir? O senhor compreende que eu pedi desculpa sem querer efectivamente pedir desculpa, o que eu queria ter dito era: Ei! Cuidado.

- Pois, mas não disse, disse desculpe e eu desculpei. Depois eu pedi desculpa por não o ter compreendido à primeira e ficámos quites. Acho que está tudo bem assim.

- Mas infelizmente não está. Como deve facilmente compreender, foi o senhor que esbarrou contra mim, pelo que eu retiro o meu pedido de desculpas e afinal o que queria ter dito era: Olhá aí ó!

- Isso para além de não ser permitido perante o código de ética das palavras trocadas ao acaso numa conversa circunstancial com duas pessoas que não se conhecem, nem sequer faz sentido nenhum, pois está a dar o dito por não dito e está a dizer uma coisa agora que nem tinha intenção de ter dito quando disse desculpe. Não pode modificar o passado...

- Fique então ciente, podendo ou não mudar o passado, que eu não pedi desculpa nenhuma, eu não pedi.

- O que está dito, dito está.

- Tu também pediste desculpa

- Mas tu pediste primeiro.

- Eu não pedi nada.

- Pediste pediste.

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quarta-feira, 6 de maio de 2009

The not knowing is easy #9

- ...Então e porque é que não assumes tu a posição de ser o positivo do grupo?

- Oh! O problema é que ser o positivo do grupo, hoje em dia, já não é visto com os mesmos bons olhos de há uns anos atrás....

Complexos #10

Bom, apaguei as luzes, desliguei o esquentador, desliguei o gás, as janelas estão todas fechadas, vou agora trancar a porta, chlunk, chlunk, chlunk, e pronto, estou pronto para me fazer ao caminho... ...Espera lá, será que eu apaguei mesmo as luzes todas?... ...Agora não tenho a certeza. É melhor ir verificar se apaguei e fechei tudo. chlunk, chlunk, chlunk...Porra pá! Porque é que tu hás-de ser assim? Tu sabes que fechaste e desligaste tudo, para quê estares agora a verificar o mesmo novamente? Sim, tu sabes perfeitamente que o stress está é em fazeres-te ao caminho. Sabes bem que é por isso que estás a inventar desculpas e estratagemas para não saíres, mas não vale a pena, esta é a tua vida agora, tens de te conformar, agora o caminho para o trabalho é a pé e depois de transportes, por isso, toca a andar. chlunk, chlunk, chlunk, apaguei as luzes, desliguei o...PÁRA. VAMOS EMBORA. SAI PARA A RUA JÁ. Pronto, já estou na rua. Nem há assim muita gente a andar por aqui. Vou atravessar a estrada e caminhar junto aquela parede ali...Realmente, esta estrada nem carros tem, nunca passa aqui ninguém, devo ser a única pessoa no mundo que faz este caminho no passeio...Vou ser um rebelde e vou andar no meio da estrada...Ups, vem lá um carro! Tinha de vir um carro! Este é provavelmente o único carro que vai passar aqui durante o dia todo e tinha logo de ser quando eu decidi andar no meio da estrada! Isto é um sinal de certeza, é melhor manter-me aqui junto às paredes das casas no passeio até chegar ali acima. Ali em cima é que começam os verdadeiros problemas... Ufa, já está! Porra que estes duzentos metros, parecendo que não, ainda cansam um gajo! Bom, ou então o facto de ter andado de carro durante anos deixou-me em má forma física, seja como for estou cansado à brava, se calhar é melhor parar e descansar um bocado...DEIXA-TE DE MERDAS MAS É! AVANÇA, sem medo...Respirar fundo...Cá vou eu. Não sei porque é que me causa tanta impressão andar numa rua cheia de pessoas, não vejo ninguém com cara de estar a desatinar por estar a andar numa rua assim, será que só a mim é que me faz impressão? Será que as pessoas notam o meu desconforto a andar na rua? Vou fazer a melhor cara que consigo...E depois estas porcarias destes ferros no passeio, o que é que fazem estes postes aqui? Quer-se dizer, para me desviar das pessoas tenho que ir para a estrada com carros e eléctricos e autocarros, tudo a passar! E porque é que tenho de ser sempre eu a desviar-me? Agora vou andar sempre em frente, vou olhar sempre em frente, como toda a gente está a fazer, e não me vou desviar de ninguém. Sempre quero ver o que é que acontece...Olha, vem ali aquela gaja a olhar em frente, vou fazer o mesmo. Não me vou desviar, não me vou desviar, não me vou desviar. MERDA, desviei-me! Agora é que é, não me vou desviar, não me vou desviar, não me vou desviar...

- Desculpe...

Quer dizer, o cabrão nem se deu ao trabalho de olhar em frente, dá-me um encontrão e eu é que ainda peço desculpa! Mas porque é que tenho de ser eu a desviar-me?! Vou parar aqui um bocado e olhar para as pessoas a passar a ver se alguém se desvia...Olha! Aquela ali desviou-se! E ainda sorriu para o gajo...Aquele ali também se desviou!Mas é tudo muito subtil, quase nem se nota que se desviam! E vão todos, sempre, a olhar em frente! Já percebi! Olham de frente uns para os outros, e de repente, sem se dar por isso, já passaram uns pelos outros! Vou tentar fazer o mesmo...1,2,3, agora...Bom, antes de começar a andar, tenho de ver a velocidade a que quero ir, eu ando sempre muito depressa e se calhar isso não é bom, as pessoas devem pensar que quem anda depressa é que se desvia. Vou andar ao mesmo ritmo das pessoas. Agora é que é, 1,2,3, aqui vou eu...Vem ali uma data de gente seguida, vou olhar em frente...OLHA EM FRENTE SE FAZ FAVOR...Olha! Aquela gaja atravessou a rua quando me viu a olhar para ela! Foi notorio! Coitadita, como se eu me quisesse meter com ela!...Se calhar pensou que eu a queria era assaltar! Deve ter sido isso, não faz mal...Será que ela achou que eu tinha um tão mau aspecto ao ponto de pensar que eu a queria assaltar? Porque é que ele terá atravessado a estrada?... ...Merda! Está ali um mendigo sentado! Mesmo no meio do passeio! Vou atravessar, é melhor, ainda não estou preparado para passar por um mendigo e não dar moeda nenhuma. Depois fica tudo a olhar para mim porque ninguém da moedas e passo por tanso! É mesmo melhor atravessar...UOOOOOOOOOOOOMMMMMMMMMMMM! Chiça, que aquele carro ia dando cabo de mim! Calma, calma! Tens de ter atenção ao que estás a fazer. Capacita-te que andar na rua é uma coisa simples e não complicada. Basta ir com atenção e pronto, a coisa corre bem. HIP HIP, HURRA. Está quase, está quase, já estou a ver a boca do metro... ...PORRA! É verdade! Merda já me tinha esquecido! Agora vêm as escadas rolantes! Não sei se vou conseguir aguentar este stress constante todos os dias! E agora? Ando nas escadas rolantes ou fico parado à espera que elas me levem?
Mas porque é que tinham de inventar os jornais gratuitos? PORQUÊ? Se não fosse o facto de ter de dizer não a tanta gente que me quer dar um jornal em quase todos os semaforos que paro, eu não me arriscava a andar todos os dias aqui e continuava tranquilo, na minha vida, a ir de carro todos os dias! De certeza que aquela gaja já fazia de proposito para me ver dizer obrigado mas não quero o jornal, obrigado! Cheguei a contar o numero de vezes que dizia isto todas as manhãs! 9! TODAS AS MANHÃS! Quem é que aguenta?...Olha, já chegaram cá abaixo as escadas! Só falta uma etapa, entrar no METRO e conseguir ficar encostado à porta, de lado, para que ninguém consiga olhar de frente para mim. Ontem aquele cabrão que entrou antes de mim fez de proposito de certeza para ficar naquele lugar... ...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Particularidades

Não poucas vezes, conseguimos ler ou ouvir várias afirmações que na sua génese tendem a generalizar a mensagem que querem transmitir, para que a mesma se possa adequar ao maior número de pessoas possível! Sempre que isso acontece, quase em simultâneo, levanta-se o Particular a insurgir-se contra tal afirmação. Não são admissíveis quaisquer tipos de generalidades, reclama o Particular, e com razão, advoga o Singular! Porquê generalizar se o Particular e o Singular, peças fundamentais para que possa existir generalidade, são diferentes entre si? No entanto, riposta a Generalidade, apesar da singularidade de cada particular, a mesma não subsistia se não houvessem, não tão-somente, mas também, semelhanças comportamentais que lhe possibilitassem fazer jus ao seu nome! Ora essa, ora essa, responde logo à pressa o Particular! Quer com isso dizer que eu vou reagir exactamente da mesma forma que o Singular? Porque isso é que é generalizar! Tu, em certos casos concretos, até pode ser que não, riposta a Generalidade. Mas, podes ficar ciente de uma coisa, o Singular, e até mesmo tu, Particular, coabitam facilmente em N situações onde eu, a genial Generalidade, consigo adequar por completo todo o meu esplendor a um qualquer comportamento que tu, ou o Singular, possam eventualmente ter! Nessa altura, não restam as mais pequenas dúvidas, são vocês que se inserem em mim!
Lá estás tu novamente a generalizar, não podes fazer isso, disseram em uníssono o Particular e o Singular.

O porquê de Lisboa ser a Capital

Vila Real: Homem armado assaltou Montepio Geral

Porto: Homem de 28 anos morto a tiro em Valbom

Gondomar: PJ deteve suspeito de homicídio com arma de fogo

Sta Maria Feira: PJ deteve homem por posse explosivos e droga

Figueira da Foz: Detido suspeito de abuso sexual de criança

Lisboa: Dejectos caninos recolhidos para estudar parasitas

(In Diário Digital)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Jogos físicos e psicológicos

- Qual é que é para ti a memória mais marcante que tens desde que começamos a nossa relação?

- Desde que começamos até agora?

- Sim.

- É fácil, é o dia em que o Benfica foi campeão, já lá vão uns cinco anos...

- Oh...Não é disso que eu estou a falar. Qual é a memória, de ti e de mim, que tu achas que marcou mais a nossa relação até agora?

- Essa pergunta cheira-me a rasteira...

- Porquê?

- Porque me parece que tu gostavas que a minha memória fosse a mesma que a tua, e como eu não sei qual é a tua, corro o risco de dizer uma coisa que não vai corresponder à tua, e depois é o cabo dos trabalhos...

- Fogo! É essa a ideia que tens de mim é?

- Então diz-me, com toda a sinceridade, que não queres, ou não gostavas, que a minha memória fosse a mesma que a tua?

- Claro que gostava. Mas achas que não tenho, ou não temos, maturidade suficiente para falarmos daquilo que nos marcou mais enquanto casal, sem que um ou o outro fique amuado porque eventualmente os momentos que eu penso ser os que mais marcaram a nossa relação não são os mesmos que tu pensas?

- Eu não fiquei, não fico, e não vou nunca ficar amuado por causa de uma coisa dessas...Tu é que mencionaste a amuada...

- Oh...Sabes muito bem o que é que eu queria dizer...

- Pois sei...

- ...

- ...

- ...ENTÃO? Não me vais dizer?

- Isso é mesmo importante para ti?

- É.

- E juras...Juras não, prometes que não ficas "amuadinha" se o momento que eu disser não for o mesmo momento em que tu pensas?

- Sim.

- OK...Mas porque é que queres saber isso agora?

- Oh...Vais dizer ou não?

- Pronto eu digo. O momento, para mim, mais marcante em toda a nossa relação, foi o momento em que tu me deste, ou melhor tomaste tu a iniciativa, o nosso primeiro beijo...

- A serio? Eu também acho que foi esse...

- Fixe...

- E porque é que achas que foi esse?

- Não me vais deixar acabar de ler pois não?

- Responde-me só mais a esta pergunta...

- Ok. Para mim foi esse o momento porque eu achava que nós nos dávamos tão bem, mas tão bem, que eu estava convencido que se começássemos a namorar a coisa ia logo à vida num instante. Dessa forma, protelei o mais que pude o início da nossa relação, até que tu decidiste, ao contrário do que eu pensava seres capaz de decidir, ser tu a tomar a iniciativa e deste-me um beijo que selou o início da nossa relação. Como a partir daí já estava mesmo tudo perdido, ando desde esse momento a tentar e a fazer tudo por tudo para que a coisa volte a ser boa e bonita como era antes disso...

- Oh...Estúpido.

- Posso acabar de ler agora?

- Tu sabias que o momento que disseste era o que eu pensava também não sabias? Foi por isso que disseste isso não foi? És muito espertinho, mas eu já te conheço. Estavas só a despachar-me ao mesmo tempo que fazias charme e tal para me convencer que estavas a ser honesto...

- Não tenho culpa de que tu não te lembres das coisas que me dizes e fazes...

- Nem penses que agora vais continuar a ler! Vá, anda, agora mereces um castigo...

- CLUNK.