• FIM
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terça-feira, 31 de março de 2009

Complexos #6

- Tens preservativos?

- Não...

- Não tens? Então...

- Não! Sabes...Eu vejo este tipo de momento como uma daquelas coisas que um gajo se tem preservativos é logo visto como o gajo que pensa que a gaja já está no papo e tal. Se não tem, depois é isto que está a acontecer. Lá fica um gajo encaralhado a tentar justificar o que aparentemente não tem justificação e às tantas ainda leva um sermão por não ter! De qualquer das formas, já ponderei bastante sobre uma situação semelhante a esta, embora nunca me tenha acontecido na realidade, e concluí que se há coisa que eu nunca faço é tomar algo, ou alguém, como certo. Assim, achei sempre melhor não ter preservativos e esperar para ver depois o que acontece...Bom, o pormenor que me escapou enquanto instrospectivei profundamente sobre isto, é que efectivamente há alturas em que acaba por existir um consenso e depois são mesmo necessários os preservativos e penso que seria obvio que fosse o gajo a ter...Mas, como em tudo, é sempre um risco que se corre não é verdade?...Tu, por acaso, visto que estamos no século XXI e agora até há aquele anúncio do preservativo feminino e tudo, não terás? Eu nem me importo que seja um feminino, embora eu não saiba como é que essa coisa funciona...

- Errrr....Se me tivesses deixado terminar o que estava a dizer, neste momento já sabias que bastava teres ido buscar a minha mala. Só que agora, depois deste momento, no mínimo peculiar, até porque nem sei se mereces um insulto ou porrada ou que eu fique aqui a rir na tua cara, o que é facto é que perdi a vontade...Eu até te pedia desculpa por isso, mas, não sei, não me parece adequado...

segunda-feira, 30 de março de 2009

High & Dry #2

Que dificuldades podem haver em tomar decisões, ou que duvidas, ou qualquer tipo de problemas, angustias ou incertezas, podem ter aquelas pessoas que dizem e acreditam ter o destino traçado desde o dia em que nasceram?

High & Dry #1

O maior erro que se pode cometer é pensar que tudo o que pensamos está correcto.
Ao mesmo tempo, o mais dificil de tudo é acreditar que aquilo que pensamos estar absolutamente correcto afinal está errado.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Jogos físicos e psicológicos

- Sabes o que é que eu gostava? Sabes o que é que eu gostava mesmo mesmo? Gostava que bebesses um ou dois copos a mais, como raramente fazes, que te começasses a rir como fazes sempre que bebes um ou dois copos a mais, que começasses a falar sobre aquilo que estás realmente a ver, a sentir, sobre aquilo que realmente queres e desejas sem te preocupares com mais nada, que de repente pares de falar e te comeces a rir compulsivamente até ficares com lágrimas nos olhos, que olhes para mim a tentar, sem resultado, ficar séria, e que de repente fiques séria e sorrias para mim com aquele sorriso maroto que só tu sabes fazer, que me digas ao ouvido, depois de teres saltado de cima do sofá para cima de mim e de me teres derrubado até ficarmos os dois no chão, aquilo que te apetece fazer, que brinques com os teus chinelos no pé enquanto usas uma camisa minha, e que durmas, profundamente, enrolada no lençol, com o despertador desligado e a roupa toda espalhada pela casa.

- O que é que estás a querer dizer com isso? Que só gostas de mim quando estou bêbada? Ou quando estou assanhada? Ou que só te desejo quando estou bêbada? É isso que estás dizer? É uma crise existencial tua? Achas que deixo a casa desarrumada, ou que eu sou desarrumada? Estás a tentar dizer-me alguma coisa com isso, algum defeito? A sério, explica-me, não estou a perceber! O que é que queres dizer com isso?

quinta-feira, 26 de março de 2009

Antroponímia #1

A Celeste, que até então tinha passado a sua vida a leccionar Religião e Moral, todos os dias ia para o trabalho a cantarolar a música Aleluia. Desconhecendo que a buzina do seu carro tinha o mesmo tom que a primeira nota dessa música, sempre que se despedia de seus Pais (que ficavam a acenar adeus até perderem o carro de vista) com um pequeno toque na buzina, lá seguia ela o seu caminho feliz e contente a trautear a música. Certo dia, ao passar pela quinta das gaiolas, como na altura lhe chamavam, encantada com o voo de um bando de pássaros que ia a passar, nem reparou que atrás dos mesmos corria desaustinado o Bruno Pias. O Bruno, que desde pequeno foi um grande estudioso de todas as espécies de aves, tendo inclusivamente seguido o negócio de criação de galinhas poedeiras que a sua família há 3 gerações mantinha, naquele dia, completamente assoberbado com o facto de tal bando estar a passar mesmo por cima da sua cabeça sabendo de antemão que aquela não era a altura nem o local correcto para eles andarem por ali a voar, não hesitou em desatar a correr atrás deles sem temer, nem pensar, nas consequências que tal acto veio a provocar.
No espaço de um segundo, PUMMMMMMMMMMMMM, levou com o carro da Celeste em cima, num acaso cósmico verdadeiramente digno do epiteto coincidência!
A Celeste, sem moral perante o sucedido, deixou, a partir daquele momento, de acreditar em Deus. Trabalha hoje em dia atrás de um balcão numa loja especializada na venda de botões forrados, e nunca casou. O Bruno, que depois desse momento nunca mais nem um piu disse, jaz agora ao lado da cama do seu bisavô e membro fundador da quinta. Passam o dia a jogar damas, e às vezes gamão, quando se sentem com força para tal.

The not knowing is easy #4

- Por que é que me estás a telefonar se estás mesmo aqui ao meu lado?

- Porque as pessoas enquanto estão ao telefone não conseguem fazer mais nada até o telefonema acabar, e eu preciso de falar contigo sem interrupções.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Psicossomático

Qual será a relação que existe entre o facto de muitas mulheres "arranharem" a mudança sempre que tentam colocar a marcha atrás enquanto conduzem um carro, e o facto de grande parte das mulheres não apreciarem a ideia de praticar o coito anal?

terça-feira, 24 de março de 2009

Ninguém liga peva aos clichés!

73440000 Segundos, 1224000 minutos, 20400 horas, 850 dias, 121 semanas, 28 meses. Todo este tempo, é, no fundo, apenas e tão-somente, 2 anos e pouco!
O tempo é aquilo que quisermos e o que fizermos dele e com ele.
É o que se ouve regularmente dizer. Se é muito ou pouco, depende sempre da perspectiva com que se olha, ou com que se quer olhar! A mim, às vezes parece-me muito tempo! Outras vezes, tão pouco tempo…! Só ainda não consegui foi saber, qual das duas é a perspectiva mais correcta! E isso é que me apoquenta quando quero saber o quero fazer com o meu, e do meu, tempo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Complexos #5

Aquela gaja dá-me cabo dos nervos. Não há uma piada que eu diga, uma, que ela não se desmanche logo a rir! Porra, mas será que eu tenho assim tanta piada? Como é que é possível? Às vezes dou comigo a ter cuidado com o que digo quando estou ao pé dela só para ver se não digo alguma coisa que a faça rir...Olha, lá vem ela outra vez, vou olhar para o tecto para ver se ela não me diz nada...Não me digas nada, não me digas nada...Argh, não vou ter hipótese nenhuma, vou ter de olhar para ela e dizer alguma coisa, a gaja já está também a olhar para o tecto e depois para mim, e a rir-se! Qual é que é a piada disto?! Bom, o melhor é dizer já alguma coisa antes que ela pare e fique por aqui um bocado. Não há nada que me atrofie mais do que ela começar a dar-me murrinhos no ombro enquanto se ri. O que eu gostava de compreender, ou pelo menos de conseguir suportar, este tipo de situações. Às vezes dá-me a sensação que ela não entende nada do que digo e então ri-se porque acha que isso é o que se deve fazer! Mas não deve ser isso, no outro dia respondeu-me a uma piada com outra piada e até teve graça o que ela disse. Bom, tirando o facto dela ter dito tudo a rir com a mão na barriga e depois se ter desmanchado outra vez a rir quando terminou de falar. Dizem que o riso é contagioso. Está bem está, deve ser contagioso mas não é pelas razões que pensam mas sim por causa do nervoso miudinho com que se fica. Os nervos que ela me causa quando está naqueles propósitos dão-me para rir, mas de estupefacção...Claro que dois segundos depois de me estar a rir do que ela disse me arrependi imediatamente de ter nascido. Pior do que ela se rir das minhas piadas é eu rir-me das dela. Ela é daquele tipo de pessoas que quando diz alguma coisa que provoca o efeito que ela esperava a repete até a exaustão! Tive de ouvir a mesma piada quatro vezes seguidas! E o que é que um gajo diz nessas alturas? Ainda por cima quando já se está a sentir constrangido com tudo à sua volta? Se calhar ela faz de propósito para atrofiar um gajo...Deve ser isso, a gaja curte é gozar comigo! Pois...se calhar é mesmo isso, a gaja deve curtir é gozar com a minha cara! Só pode ser isso, não é humanamente possível alguém se rir da forma que ela se ri de todas as piadas que eu digo. A quantidade de vezes que disse uma piada que não teve piada nenhuma só para ver a reacção dela comprova isso mesmo. Ela ri-se sempre da mesma forma, com o mesmo entusiasmo de tudo o que digo, só pode mesmo ser gozo! Como é que eu não pensei nisto antes? Às vezes sou um tóto do caraças. Ando há meses a inventar piadas parvas para comprovar nem sei bem o quê, quando todas as evidencias estão escarrapachadas mesmo à frente da minha cara! Bom, como se costuma dizer, as coisas mais simples são sempre as mais difíceis de ver, e este é sem duvida nenhuma o caso...Piada mesmo, sem ter no entanto graça nenhuma, teve no outro dia o Manel quando me disse, e a falar a sério, como se me estivesse a contar a coisa mais importante e verdadeira do mundo, que ouviu a gaja dizer à Palmira que ela está interessada em mim! Bom, mas o Manel já se sabe não é, esse também é outro que tem a mania que é esperto e que só ele é que sabe...Alguma vez ela poderia estar interessada em mim, pfffff! Além disso, eu não sou parvo, sei perfeitamente topar essas coisas…

sexta-feira, 20 de março de 2009

A revolução não passa na televisão

- Já viste? Este ano, apelando à nossa confiança e capacidade de adaptação, e convictos que tomaram a medida adequada para contribuir para uma empresa melhor e mais forte, não vamos ser aumentados outra vez! Apesar dos lucros da empresa continuarem a crescer!

- Sabes o que é que eu te tenho a dizer sobre isso? Se o povo todo deixasse de trabalhar para enriquecer meia dúzia de gajos, e se a riqueza fosse igualmente distribuída por todos, estas merdas já não aconteciam! O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO.

- Mas alguma vez o povo esteve unido? O povo quer é saber do próprio umbigo...

- Pois. Por isso é que é sempre vencido! Mas isso não invalida a frase...

quinta-feira, 19 de março de 2009

quarta-feira, 18 de março de 2009

Liame

Sempre fui a favor da eutanásia e da dignidade que tal acto pode significar. Entretanto apercebi-me que faz precisamente 12 anos que estou ligado, de segunda a sexta das nove às seis, a uma máquina que me permite sobreviver depois fora dessas horas! Porem, não acredito no suicídio. Por isso mesmo é que não sou capaz de a desligar eu próprio...Precisava mesmo de um empurrão. Tenho a certeza que teria uma hipótese se a eutanásia fosse bem vista socialmente…

Psicossomático

Ontem o maneta ficou a olhar de lado para mim quando lhe perguntei se gosta do hi5!

terça-feira, 17 de março de 2009

Banda Sonora

Puta que pariu o amor que nasce, vive e se consome sem sequer saciar!
Fodam-se todas as ilusões que nos enchem a mente de merda e nos tentam fazer acreditar que semelhante paneleirice de facto nos pode matar a sede!
Que o chorrilho pegado de aldrabices que tão pérfido tema encerra, e que nos é impingido até nos encharcar e envenenar a alma e o corpo, morra queimado, decapitado e capado para que mais não consiga procriar. E que todos aqueles que junto de mim chegam, com o intuito de me importunar com semelhante assunto, tenham exactamente o mesmo destino.

I'm doing very well
I can block out the present and the past now
I know by now you think I should have straightened myself out
Thank you, drop dead

Oh, something is squeezing my skull
Something I can barely describe
There is no love in modern life

I'm doing very well
It's a miracle I've even made it this far
The motion of taxis excite me
Will you peel it back and bite me?

Oh, something is squeezing my skull
Something I can barely describe
There is no hope in modern life

Oh, something is squeezing my skull
Something I can't fight
No true friends in modern life

Diazapam... that's Valium
Tarmazpam, Lithium

HRT, ECT... how long must I stay on this stuff?

Please don't gimme anymore...

Morrissey - Something Is Squeezing My Skull

Where women glow and men plunder

- Já foste a Cabo Verde?

- Não... Mas tenho um em casa

I bless the rains down in africa

- Bom dia Sr. Modista. Faz burkas?

- Burkas não... Mas Burkina Faso.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Complexos #4

Não sei por que é que o faço, nem consigo explicar, tendo hoje em dia a consciência que sempre fiz isto sem saber porquê, por que é que eu o continuo a fazer. Certo é que cada vez que tenho um prato de comida à minha frente, no espaço de dois segundos, escolho automaticamente aquela garfada que só de olhar se sabe logo que é sem dúvida nenhuma a melhor garfada de toda a refeição, ou que é de certeza o mais apetitoso bocado de comida que se tem, necessariamente, de guardar para o fim, só para ficar com o sabor na boca daquele que pareceu, logo à primeira vista, o que irá ser o culminar espectacular da refeição. Não sei porquê, mas para mim é completamente inevitável criar esta expectativa em cada prato de comida e não consigo impedir o choque que se estabelece na minha cabeça quando vejo, por exemplo, uma pessoa colocar logo na boca a única rodela de chouriço que vem por cima do empadão! É claro que as consigo entender. Está ali mesmo à frente aquilo que lhes parece ser uma garfada apetecível! Porquê então evitar um momento de felicidade se ele está ali mesmo ao alcance de uma pequena garfada? Todavia, não deixa de me fazer impressão comer assim, logo na primeira garfada, aquele que para mim deveria ser o ultimo bocado a ser deglutido. Outra coisa que me provoca sempre calafrios na espinha, é quando alguém que está a comer à mesa comigo me tira uma batata frita que está mesmo ao lado daquela batata que eu estou a guardar para o fim com tanto cuidado. Mas o pior de tudo, e aquilo que verdadeiramente me transtorna em todo este processo, é saber, e sem excepção, que a ultima garfada, aquela garfada que eu escolho logo no início da refeição para ser a minha ultima garfada, está sempre fria quando a como, não conseguindo nunca proporcionar-me o momento de prazer que ansiava desde que a imaginei! Curiosamente, uma vez que já me debrucei horas sem fim sobre este assunto, hoje em dia quando começo a comer, invariavelmente, tudo isto me vem à cabeça! Só que o facto de eu já saber que aquele bocado de comida que me salta à vista quando olho para o prato pela primeira vez vai estar frio quando eu o comer não me consegue de forma nenhuma demover de o guardar na mesma até ao fim! Acho que vou continuar a fazer isto, quase que instintivamente consciente, para ver se um dia o ultimo bocado que escolho comer, estará miraculosamente quente no fim da refeição, ou se, mesmo frio, conseguirei obter a sensação de prazer que esperava ter no início quando olhei para o prato.

domingo, 15 de março de 2009

sexta-feira, 13 de março de 2009

Jogos físicos e psicológicos

Tudo começou quando ela, no preciso momento em que começou a sentir-se meiga, depois de consumido outro momento de desejo, deitada, nua, morena, na cama, se virou de costas para mim, com a perna esquerda levantada e o pé alçado, e começou a fazer, com o dedo grande do pé, aquele gesto que normalmente se faz com o indicador para chamar uma pessoa, ao mesmo tempo que disse, psssst, vem cá. Eu, que estava de pé ao fundo do quarto a pensar nem sei em quê, confesso que não consegui deixar de concentrar toda a minha atenção, e simultaneamente ver tudo numa espécie de câmara lenta mas em tempo real, naquele dedo grande com a unha pintada de vermelho a retorcer-se para cima e para baixo, tal e qual um louco se contorce quando está a fazer toda a força que consegue para sair daquele colete-de-forças! Enquanto me dirigia para a cama, a calcular a força que tinha de empregar para dar um pequeno salto para cima dela, para de seguida lhe acariciar as costas, e com o sorriso de quem não pensa espetado na cara, saíram as seguintes palavras da minha boca: Tens uns pés mesmo feios. Não sei como, mas entre o tempo que duraram os 4 passos, o pequeno salto, e as palavras a serem proferidas, ela, num ápice, conseguiu dar meia volta tão depressa que eu cai, redondo, em cima do colchão, tendo inclusivamente dado uma valente cabeçada numa almofada! Sem tempo para mais nada do que recompor-me do trambolhão, quando finalmente me consegui virar, ouvi a pergunta: Tu achas que os meus pés são feios?
O que é que um gajo que continua ainda sem pensar naquilo que está a fazer havia de ter respondido? Sei agora que provavelmente tudo menos responder com a pergunta: Não achas? Noutro ápice ainda mais rápido que o anterior, ela sentou-se na cama, virou a cabeça directamente para os meus olhos, e com aquela cara que as gajas costumam fazer quando estão decidas a lixar um gajo perguntou: O que é que tu achas? Aqui caí em mim e percebi que se calhar tinha dito o que não devia. Sem tempo para mais, ocorreu-me perguntar-lhe: Não sei, diz-me tu? De seguida, numa tentativa clara de amainar a coisa, disse: Eu pessoalmente não gosto dos meus braços nem das minhas pernas e detesto as minhas nádegas! OK. Tudo bem. Neste momento é fácil de perceber que, se já tinha dito uma parvoíce, agora estava a entrar no campo da estupidez.
Ai é? Disse ela. Então o que é importante para ti na nossa relação é o nosso corpo? Olha que eu também não acho que sejas nenhum Adónis, mas não é por causa disso que deixo de gostar de ti. Eu era incapaz de te dizer uma coisa dessas num momento de sedução! Não que tu sejas capaz de um momento desses, mas admitindo que eras, não seria nunca capaz de te dizer o que me disseste sobre os meus pés! Ainda por cima sobre os meus pés! Eu que tenho tanto orgulho do meu pezinho grego, que cuido deles com tanto carinho! Como é que tu és capaz de criticar os meus pés sendo os teus como são? Neste momento decidi interromper o rol de perguntas que se adivinhava e resolvi perguntar-lhe: Então, acabaste de me perguntar, em tom de crítica, se o importante para mim na nossa relação é o nosso corpo, e agora estás a dizer isso tudo? Nem consegui acabar de explicar o que queria dizer. Sinceramente também já nem sei o que queria dizer, eu só queria era que aquele momento acabasse o mais rápido possível. Só sei que a seguir ela me disse: Até este momento isso para mim não tinha importância nenhuma. Tu é que abriste um precedente de tal forma grave, que não sei como é que agora, daqui para a frente, vou conseguir estar contigo sabendo que tu pensas isso dos meus pés. Para culminar o drama que se tinha instalado, caiu-lhe uma lágrima e tudo pela bochecha direita abaixo! O que é que um gajo há-de fazer nestas alturas?! Dei-lhe um beijinho na cara, disse que gostava muito dela, e que tinha sido uma parvoíce aquilo que tinha dito. A seguir disse que só tinha dito aquilo porque o angulo em que o pé estava não era o melhor e que por causa disso proporcionava uma visão esquisita do sítio onde eu estava, mas que agora, olhando melhor e de mais perto, os teus pés são mesmo bonitos. E dei um beijo no peito de cada pé dela, convencido que com isto a coisa por fim ficaria por ali. Mas não. Ela encolheu os pés, depois colocou-os debaixo do lençol e disse que não acreditava no que eu agora estava a dizer. Acrescentando de seguida, que para eu ter dito o que disse é porque eu já pensava e sentia isso há muito tempo! Pior do que tudo, voltou a dizer que não fazia a mínima ideia de como é que agora ia conseguir estar mais alguma vez comigo uma vez que achava que não seria capaz de superar psicologicamente aquilo que eu lhe tinha dito! Como é que é possível, em menos de cinco minutos, uma situação dar um volt face tal que, de repente, um mundo desaba! Senti mesmo, física e psicologicamente, que o mundo ia acabar naquele instante! Como quem luta pela sobrevivência, e com a inteligência de quem já morreu há que tempos, disse-lhe: A melhor maneira de superarmos isto, é tu dizeres-me uma coisa que detestes no meu corpo, e eu digo-te uma que eu deteste no teu e pronto. Ficamos os dois livres daquilo que pensamos sobre o corpo do outro e vais ver que depois nem ligamos mais a isso. Sim, foi a pior ideia que eu tive, é verdade, mas o que é que um gajo há-de fazer?! A resposta dela foi a seguinte: Sabes o que é que seria mesmo lindo lindo lindo? A prova de que nós temos o melhor e o maior amor do mundo? Não. Foi a minha óbvia resposta. Lindo lindo lindo era eu dizer-te aquilo que mais detesto no teu corpo, tu dizeres-me aquilo que mais detestas no meu, e depois trocarmos esses membros. Tu passavas a ter no teu corpo aquilo que mais detestas no meu e eu passava a ter no meu corpo aquilo que mais detesto no teu. O que é que achas? Perguntou ela com o sorriso mais radiante que eu vi até hoje na cara dela! Completamente convicto de que a crise já estava completamente superada, disse sem o mínimo temor: É a tua mais brilhante ideia desde que te conheci! Depois, ainda armado em parvo, disse: Nem Shakespeare, ou Camões, se lembrariam de tal coisa para conseguirem eternizar um amor maior. Dito isto, enchi de orgulho o peito por estar a satisfazer o ego da minha amada! Ela aninhou-se em mim, agarrou-me com toda a força que tem, e disse: Então vá, diz tu primeiro. Claro que lhe disse que eram os pés não é. Obviamente que não ia, no mesmo dia, dizer que não gostava de duas coisas no corpo dela, apesar dos pés já serem um par. Ela olhou para mim, mais ou menos triste, e depois decidida disse: E eu não gosto das tuas nádegas. Ninguém me tira da cabeça que ela disse aquilo porque foi a ultima coisa que mencionei quando estava a tentar justificar-me. Mas também, como é que eu ia adivinhar que ela ia inventar uma coisa destas!
Três meses e meio depois desta cena, já eu quase nem me lembrava disto, chega ela a casa.
Já marquei as operações, são daqui a duas semanas. Disse ela com um ar de felicidade tal que só consegui dar-lhe um abraço.
Agora olha, aqui estou eu contar-vos isto com os dois pés que foram dela a ocupar o lugar onde eu tinha as nádegas!
Devo dizer que, em abono da verdade e apesar do aspecto com que fiquei, e do facto de nunca mais na vida conseguir vestir umas calças normais, que não desgosto de todo da técnica que tenho vindo a apurar para conseguir andar na horizontal! Embora pareça que estou sempre a andar para trás, dado que me puseram os pés com os dedos virados para o meu pescoço, aprecio bastante a visão que se consegue obter quando estou a andar dessa forma! Como não há bela sem senão, confesso que tem dias que me aborrece um bocadito o facto de parecer que ela anda sempre de pantufas. Uma coisa, no entanto, é certa. Nunca mais ninguém me ganhou no jogo do limbo...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Banda Sonora

Todos os dias, pessoas à minha volta falam acerca dos seus problemas umas com as outras, contam piadas, debitam opiniões previamente formadas por alguém que nem sequer conhecem! A maioria delas fala até sem sequer saber do que está a falar, o que acaba por ser uma constatação fácil quando por ventura se lhes dá um minuto de atenção, formulando uma pergunta qualquer que nem de resposta necessita, causando de imediato o seu prematuro afastamento perante uma atenção à sua pessoa a que não estão habituadas! Nas suas mentes, desarranjadas pelo mediatismo atroz que as circunda, mas camufladas de simpatia, habita a impeditiva permanência do silêncio, por uma qualquer razão rotulado de incomodativo, fazendo com que a ignorância prevaleça e as coloque num estado de ansiedade tal, que se vêm completamente impossibilitadas de se ouvirem a si próprias! Será que no meio desta amálgama existe espaço para a pena quando retorquem? Ou será que estão demasiado preocupadas em fazerem aquilo que, sem saberem muito bem porquê, é o mais acertado, não restando nem tempo nem sapiência para revelar qualquer tipo de sentimento que não o da simpatia agonizantemente pérfida? Sempre que tais seres se aproximam, os gritos que os seus olhares vociferam, sedentos de narrar mais uma malfadada situação insólita, única e exclusivamente com o intuito de recrear e angariar cada vez mais afeições falsas, transportam-nas de imediato para infinitas conversas entediantes, construindo e solidificando desta forma, sempre com sorrisos amarelo-torrado no rosto, aquilo a que rotulam de amizade!

Comme Restus - Eu xamome Ãtónio

video

terça-feira, 10 de março de 2009

T'andar de mota

- Já leste no DN a noticia que dizia que as pensões em Portugal vão sofrer terceiro maior corte da Europa?

- Isso a mim não me aquece nem arrefece. Eu, como gosto de conviver com a natureza directamente, sempre preferi fazer campismo...

The not knowing is easy #3

- Detesto pessoas elitistas! Odeio-as pá! Aborrecem-me profundamente, agastam-me, não sei explicar! Não consigo compreender como é que há pessoas que segregam outras com base em merdices que não interessam a ninguém! Como, com base em quê é que que essas pessoas conseguem concluir que são melhores que as outras? E por que é que acham que são melhores do que as outras? Ou por que é tais pessoas haveriam de ser melhores?...Abomino pessoas elitistas, é o que te tenho a dizer. São más, vis, e ao contrário do que pensam, são do pior...

- Então, mas tu ao dizer o que acabas de dizer, não estás a ser elitista em relação aos elitistas?

segunda-feira, 9 de março de 2009

Complexos #3

- Bom, não estás mesmo bem a ver...O gajo queria mesmo que eu acreditasse que ele se tinha encostado ao balcão e que tinha ficado com aquela mancha na braguilha porque o balcão estava molhado! Ouve, o que eu me ri depois disso! Claro que na altura fiz o ar mais serio que pude até conseguir, o mais rápido possível, sair dali!... Olha, não me apetece ir já para casa, queres ir aqui a este bar? Estou a gostar muito desta nossa noite...

- Sim, vamos. Também não me apetece nada ir para casa. Só preciso comprar tabaco. Vende tabaco aí dentro?

- É melhor entrarmos, está ali uma mesa vazia...Não! Tabaco aqui não vendem...

- Vai entrando então para não perder a mesa, eu vou só ali ao lado comprar tabaco volto já...

- Está bem, até já...OLHA, volta depressa...

Tomara que aqui ao lado venda tabaco, tomara que aqui ao lado venda tabaco! Merda, só tenho uma nota! Tomara que vendam tabaco ao balcão, tomara que vendam tabaco ao balcão! Merda, é na máquina! Ainda por cima está cheio de gente! Ultrapassa a tua paranóia de não conseguir pedir só para trocar a nota, por favor, ultrapassa hoje, só hoje, a tua paranóia! Não custa nada, até tens uma nota de cinco, é pequena, basta chegar ao balcão e pedir para trocar a nota. O bar está cheio de gente, ele nem sequer vai reparar que tu existes, vai pensar que estás a beber também e que precisas de trocar a nota para comprar tabaco, é a coisa mais natural do mundo! Espera lá, como é que ele vai pensar que eu estou a beber se não tenho um copo na mão? Caga nisso, caga nisso, entras no bar com um sorriso, daqueles que mostram confiança, e pronto, não há stress nenhum! Nada como um sorriso confiante para desarmar as pessoas que tencionam ser antipáticas! Lá estás tu outra vez, quem é que te disse que alguém quer ser antipático? Entra na porcaria do bar e pede para trocar a nota, JÁ! Porra! Isto está mesmo cheio de gente! Vou ter de pedir licença a uma data de pessoas só para conseguir chegar ao balcão. Não custa nada, não posso é ir com o sorriso, vão pensar que sou parvo por entrar num bar a rir-me sozinho que nem um parvo! Vou entrar serio e decidido, é na boa, dirijo-me ao balcão com convicção. As pessoas quando vêm alguém com convicção afastam-se instintivamente para deixar passar, é uma coisa natural que acontece! Argh!!! A porta tem um guizo ou lá o que é isto, está toda a gente a olhar para mim! Devia ter esperado que alguém entrasse! Não sejas parvo! Para além de não saberes que isto tinha um guizo à porta, com o barulho que está aqui dentro ninguém, a não ser tu, ouviu o guizo! Alem disso ninguém está a olhar para ti! Mau é ter de pedir licença, e tenho logo que começar por este gajo aqui que tem o dobro da minha altura! Com licença...Obrigado. Um já está, e nem foi preciso grande esforço para passar! Não sei se aguento a caminhada até ao balcão se tiver de passar por entre pessoas, vou tentar ir por ali junto à parede, parece-me até que está menos gente por ali! Espera, se for por ali tenho de pedir licença ao mesmo gajo! É melhor ir por aqui, faltam dois metros. Dois metros! É um instante, vá, anda, só precisas de pedir licença a mais duas pessoas, é fácil! Com licença...Obrigado. Está quase, está quase...Com licença...Obrigado. Estou orgulhoso de ti! Estou mesmo orgulhoso de ti, foi limpinho, estás ao balcão! Agora é que vão ser elas! É sempre uma trabalheira desgraçada conseguir a atenção dos empregados, ainda por cima aqui só está um a trabalhar, e tem cara de poucos amigos, vou por o braço em cima do balcão com a nota à mostra, isto vai demonstrar-lhe que vai perder pouco tempo comigo, tenho o dinheiro na mão já, é rápido.

- Boa noite, diga...

- É uma imperial por favor...

És um merdas! Nem sequer podes alegar que te esqueceste de pedir só para trocar a nota porque sabes que não é verdade! Bom, já está, já está! Agarra no troco e na imperial e vai comprar tabaco. Dasss! Dois euros uma imperial! Bonito serviço! Agora fiquei com 3 euros, não chega para comprar o tabaco! Tomara que tenha uma moeda no bolso, tomara que tenha uma moeda no bolso! Merda, não tenho moeda nenhuma! Bom, compro outro tabaco qualquer, se ela perguntar alguma coisa digo que não havia o que eu costumo fumar! Já estavas a fazer outra vez uma tempestade num copo de água! Porque é que stressas tanto? Calma. Vá, vamos embora, é na boa, as pessoas já te viram passar para aqui, agora sabem, naturalmente, que tens de regressar, fazes aquele sorriso simpático, como quem já conhece há anos as pessoas e passas por elas na maior! Espera! Levo a imperial ou bebo já aqui?! Não existe nada mais deprimente do que estar a beber sozinho ao balcão de um bar cheio. É melhor levar a imperial, bebo à porta, num instante, compro o tabaco e saio, um minuto, dois no maximo! Sorriso...Com licença...Obrigado. Vão pensar que és anormal, ou então que és muito educadinho, um betinho de merda...EU NÃO SOU BETINHO. Não vou pedir licença agora, ela sabe que eu tenho de passar outra vez...Com licença...Obrigado! Pronto, está bem, por esta passa! Não vim com ninguém, entrei sozinho, fui pedir sozinho, estou a regressar sozinho, tinha de pedir licença, é a coisa certa que se deve fazer! E sim, claro, ela reparou mesmo que existias! Tu às vezes...Quando é que deixas de pensar que toda a gente está a olhar para ti? Quando? Bom, vou dar só um golinho antes de passar por aquele gajo enorme outra vez. Cuidado, cuidado para não fazer barulho a sorver. Ahhhhh, está fresquinha, soube bem o golinho, alivia o stress. Vamos lá então, mais uma pessoa e máquina do tabaco com ele. Com licença...Obrigado. Perfeito. Estou ao pé da máquina, tenho as moedas na mão, vou beber mais um golinho e tirar o tabaco. Tomara que a máquina aceite as moedas logo à primeira. Tomara que a máquina aceite as moedas logo à primeira. Yes, a primeira já está! Nao existe nada mais deprimente do que estar aqui a enfiar moedas consecutivamente e as moedas cairem de imediato em baixo! Fica logo tudo a olhar! A segunda moeda também já está...Merda! A terceira tinha que ser uma porca! Ninguem reparou, vou baixar-me, apanhar a moeda e por dentro da máquina outra vez, ninguem reparou! Ufa, a moeda entrou e nem necessitei de a raspar em lado nenhum! A coisa está a correr bem, a coisa está a correr bem, vou dar mais um golinho! Ahhhhh! Tchlllll! Merda! Esqueci-me do tempo para tirar o tabaco, as moedas cairam todas! O que vale é que ninguem reparou! Vá, rápido, põe as moedas na máquina outra vez! Uma, duas, trÊs, yesssssssss! Record mundial no tempo que demora a colocar moedas em máquinas de tabaco! Hoje é a minha noite! Bom, depressa, escolhe um tabaco que custe 3 euros, mas com confiança, seguro de ti, queres coisa mais ridicula do que não saber que tabaco queres, o que é que os outros vão pensar! Olha aquele, não fuma e só vai comprar tabaco para se armar! O QUE É QUE VOCES SABEM SOBRE MIM! Calma, calma, já tiraste o tabaco, basta baixares-te mais uma vez, apanhas o tabaco, bebes o resto da imperial e sais daqui, tranquilamente. O que é que eu faço primeiro, acabo a cerveja ou apanho o tabaco? É melhor apanhar o tabaco, não vá alguem querer comprar tabaco também. PUM

- Ops, desculpe lá

- Não tem mal, ah ah ah, acontece!

ESTÚPIDO, ESTÚPIDO, ESTÚPIDO! Merda Merda Merda! Em cheio na braguilha e na barriga! Acontece! Foi o que tu disseste calmamente! Ainda por cima com o sorriso simpático a seguir! Levaste com o resto da imperial em cima de ti e ainda te ris! E agora? Como é que vais para o pé dela, noutro café, com manchas de cerveja por todos os lados, inclusive na braguilha! Eu sabia que não devia ter saído, eu sabia, eu sabia...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Jogos físicos e psicológicos

E PUMBA! Bateu ela com a porta do quarto, aos berros! QUERO ROMANTISMO. EXIJO ROMANTISMO. EXIJO RESPEITO. A última coisa que ela disse, qualquer coisa respeito, não percebi bem. Deve ter sido porque enquanto ela falava ao mesmo tempo abriu e bateu novamente com a porta do quarto, PUMBA! Bom, ou foi o barulho da porta, ou o facto de eu estar tão concentrado, física e mentalmente, em fazer toda a força que pudesse, para conseguir fechar a porta da rua com um estrondo maior do que o estrondo que tinha feito a porta do quarto. PUMBA. Fui bem-sucedido! Foda-se! É só o que me apraz dizer! Onde é que eu vou arranjar romantismo a esta hora?! Pensava eu com os meus botões enquanto desci as escadas e invadi a rua. De repente, lembrei-me! Estava mesmo ali, em frente dos meus olhos! O Jardim, cheio de flores bonitas e não sei mais o quê, mesmo ali em frente ao prédio! Era perfeito! Subi as escadas a correr, entrei em casa, dirigi-me, com cuidado obviamente, ao quarto, entrei e perguntei-lhe se queria ir mandar uma queca no jardim lá em baixo. Há muito tempo que ela me andava a chatear que para fazermos qualquer coisa diferente do habitual, seja lá o que isso for, de preferência na rua! Eu cá, nunca fui muito destas coisas na rua, mas ali, no jardim, era mesmo perfeito, não era preciso andar muito depois, estava-se bem ali, era perfeito, nem sei porque é que não me tinha lembrado disto antes! PUMBA. Foda-se que ela tem força como ó caraças! Desta vez a porta do quarto, tenho quase a certeza, fez um estrondo maior do que o da porta da rua! Já para não falar no absoluto silencio em resposta à minha pergunta, e na rapidez com que me expulsou do quarto com um empurrão! E enquanto eu falava! Fiz, novamente, um esforço físico e mental de concentração. A fasquia estava elevada. PUMBA. Não fui bem-sucedido desta vez. 1-1. Desci novamente as escadas e pus-me a deambular pela rua. Detesto pensar sobre pressão. Detesto. Já estava a andar há não sei quanto tempo, quando olhei em frente e vi-a! As gajas curtem 3 coisas. Rir, ser o centro das atenções, e flores. Foda-se, ela tem, e é, o centro de todas as minhas atenções. Não tenho tempo para mais nada! Como é que se dá toda a atenção e ainda se tem tempo e cabeça para pensar em merdas para a fazer rir, ou em flores?! Flores?! Ela dá-me cabo da cabeça com os caprichos dela! Com os desejos dela! Como é que eu tenho tempo, e principalmente cabeça para romantismos e afins?! Acho que esta ideia do romantismo não foi nada boa ideia. Enquanto ia pensando nestas baboseiras todas, dirigi-me, sem olhar mais nenhuma vez, para a rosa vermelha mais bonita que eu já tinha visto! Vou-lhe dar aquela rosa vermelha, tão bonita, e fica arrumada por hoje a questão do romantismo. Foi um grande erro não ter olhado mais para o que ia a fazer. Enquanto me dirigi, sem ganância, confesso, para apanhar a rosa, quando dei por mim estava dentro de um buraco cheio de paus e terra, todo fodido, com um galo na cabeça do catano, e com um corte no braço cheio de sangue já seco! Bom, pelo menos já não me pareceu que estivesse a sangrar! Nem sei quanto tempo é que estive ali, mas já era bem de noite uma vez que já não conseguia ouvir ninguém na rua, nem carros, só via estrelas e ouvia um grilo, ou uma cigarra, não sei, ao longe! Gritei, muitas vezes, nada! Como é que eu vou agora sair daqui? Subitamente, deu-me um ataque de nervos, desatei a espernear, a pontapear e a esbracejar, que nem dei conta que o buraco começou a ceder. Terra a cair em cima de mim! Foda-se, foda-se, foda-se, foi o que eu gritei enquanto terra me entrava na boca! Pânico, pânico, muito pânico!
Quem é que disse que o pânico é mau? Não sei como nem porquê, mas depois de ter entrado em pânico não me lembro de mais nada! A primeira recordação que tenho depois de ter saído do buraco, agora totalmente soterrado, restando apenas uma pequena cova, é a de ver novamente as estrelas e de me ouvir a respirar como nunca tinha respirado antes! Foda-se! Olhei em volta e não fazia a mínima ideia onde estava! Em frente a mim, estava uma mansão enorme, preta, com um enorme jardim, e a rosa vermelha! Ainda estava ali a rosa vermelha! Como é que não havia de estar ali se eu tinha caído na porcaria daquele buraco quando me estava a dirigir para ir apanhar a rosa? Como é que a rosa não havia de estar ali! Entrei no jardim. Antes de ir apanhar a rosa, fui dar a volta à casa para me certificar que ninguém estaria por ali! Não faço a mínima ideia de que horas são, mas nunca se sabe se não andará por aí alguém! Espera lá! Quando cheguei à frente da casa, reconheci a mansão! Eu estava no jardim do velho maluco pelo Boavista, que mora mesmo em frente ao meu prédio! Foda-se! O gajo pintou a casa metade de branco e metade de preto! Então! Se eu estou no jardim do velho, aquele buraco deve ser o que os putos fizeram hoje à tarde quando me convidaram para brincar ao Braveheart com eles! Eu bem achei esquisito eles terem saído de casa a correr com pás, baldes e um escadote nas mãos, mas os putos são todos parvos! Alem disso, não tenho nada a ver com isso, o velho é que toma conta deles! Eu não acredito que neste tempo todo que nós já moramos aqui, ainda não vim, uma vez sequer, a este lado da rua! Ou do outro lado da rua, sei lá eu agora a estas horas o que é isto! Foda-se, dói-me a cabeça! Estas merdas têm que acabar. Estes jogos têm que acabar! Romantismo! Bom, deixa-me lá ir apanhar a merda da rosa. Novo erro! Tenho que deixar de pensar em coisas quando estou a fazer alguma coisa! Enquanto ia novamente a pensar, não vi, mais uma vez, e apanhei um choque do caralho! Novo desmaio, novamente não sei quanto tempo inconsciente! Não é que o cabrão do velho rodeou com uma merda de uma cerca eléctrica, quase invisível, pelo menos à noite, a puta da rosa! Provavelmente o buraco não foi feito pelos cabrões dos putos, mas sim pelo filho da puta do velho, só para armadilhar a rosa! Mas ele não pense que é mais esperto do que eu. Se a minha mulher, o meu amor, quer romantismo, é romantismo que ela vai ter. Fui a correr ao carro buscar a pinça gigante que tinha no porta-bagagem! Fico doido só de pensar na razão pela qual eu guardo, com tanto cuidado, a pinça gigante no carro! Desta vez fui com toda a atenção a olhar para tudo no caminho. Estava escuro, é certo, foi a atenção que se pode arranjar. Quando me debrucei por cima da cerca para ir lá com a pinça, tropecei numa porcaria qualquer no chão, PUMBA! Novo choque! Escusado será dizer que desmaiei outra vez! O que vale é que apesar de fortes, os choques não me mataram! AHHHHHHHHHHHHHHHHHHH. Gritei o mais alto que pude enquanto me dirigi com toda a fúria para a rosa, depois de ter novamente acordado! Não pensava em mais nada a não ser em arrancar aquela rosa dali. Debrucei-me, estiquei a pinça, agarrei no caule, e puxei com toda a força que tinha a merda da rosa vermelha. Veio raiz, veio tudo atrás! Caí para trás, ainda bati com a cabeça no chão, e arranjei outro galo, mas foda-se, a rosa já cá canta! E sem esforço de concentração nem nada! Quem é que manda? Quem é que é o rei do Universo? Isto um gajo quando quer, quando quer mesmo, um gajo faz! No meio disto tudo, com o alarido que devo ter feito, só tive tempo de me pôr a correr o mais depressa que pude enquanto via o velho a preparar a caçadeira. Foda-se! Ainda estive uma boa hora e meia escondido atrás do meu prédio! Mas nunca larguei a rosa nem a pinça. Já era quase de dia! Olhei para a rosa. Estava um horror, tinha um caule enorme, uma raiz agarrada, e o caule estava cheio de espinhos. Se eu agarro naquilo pico-me todo! Comecei à martelada com a pinça no caule até partir! Fodi, tanto a pinça, como a rosinha toda! Não me apercebi, nem da força que estava a empregar, nem que tinha dado uma ou duas marteladas na rosa também! Eu só queria ter cortado um bocado para ficar mais bonita ainda. A rosa, para além de estar agora um bocado amachucada, tinha também muito poucas pétalas inteiras! Não interessa. O que interessa é a intenção e o acto romântico. Depois de eu lhe contar aquilo que eu hoje passei, só para lhe levar a rosa mais bonita do universo, ela vai achar que eu sou o gajo mais romântico do mundo. Subi as escadas, calmamente, entrei em casa e dirigi-me, sem cuidado nenhum, para o quarto. Quando chego à porta do quarto, está um papel colado na porta a dizer o seguinte. TARDE DEMAIS. CHEGASTE TARDE DEMAIS, FARTEI-ME. Abri a porta do quarto, e perguntei-lhe. O que é que queres dizer com este bilhete? Olha, tenho aqui uma rosa para ti. Ela, jogou a rosa para um canto e disse, muito calmamente. Demoraste tanto tempo que já não me apetece mais o romantismo. Agora apetece-me...Anda, vamos foder selvaticamente como se fossemos dois animais do campo… Anda, vamos tentar encontrar um celeiro por aí. Podes levar a pinça se quiseres…
FODA-SE parti a pinça! FODA-SE! Um celeiro? Onde é que vamos encontrar agora um celeiro a esta hora?...

quinta-feira, 5 de março de 2009

Eurodeputados vão passar a receber mais do dobro

"No âmbito da harmonização salarial entre todos os deputados europeus.
Segundo avança a edição desta quinta-feira do Diário de Notícias, se até aqui recebiam 3815 euros, pagos por Portugal e de acordo com a tabela salarial dos deputados à Assembleia da República (AR), os deputados portugueses eleitos para o PE vão passar a receber 7665 euros." In Diario Digital.

Já para não falar na vergonha que é o governador do banco de Portugal, juntamente com mais uma catrefada de parasitas, estarem sempre a dizer que tem de haver contenção de ordenados, e a crise, e o défice, e mais não sei o quê, penso que depois disto, partindo do principio que esta noticia é verdade, no mínimo pode-se agora exigir ORDENADO MÍNIMO IGUAL PARA TODA A UE JÁ! Depois então, com igualdade de circunstâncias para todos, acho que se poderá começar a falar em competitividade e em todas as outras merdices que estão sempre a falar...

That's not my name

- ...A sério? Tu, à partida, acreditas mesmo em toda a gente que conheces? Eu não. A mim têm de me provar que não estão a mentir...

- Pois...O problema é que as pessoas têm sempre a tendência de julgar os outros com base na sua imagem. Deve ser um atavismo relativo a Deus...

quarta-feira, 4 de março de 2009

Fedavelha

Não gosto nada da primeira semana de cada mês. Acho sempre que as pessoas são mais genuínas quando sentem que algo está a terminar. Como é que eu posso não desistir, quando já não há objectivos para lutar por? Foi com esta pergunta, que hoje de manhã me fizeram, que eu pensei para comigo “esqueci-me de ir ao sapateiro buscar as botas!”. O Vernáculo não é um obstáculo, é só uma forma de expressão. Basta apenas ouvir, sentir, para clarificar o coração! As pessoas buscam respostas nos textos de outras pessoas, escondem-se nas respostas que os outros deram só para não pensarem alto e assim não mostrarem que têm vergonha de dizer o que realmente sentem. A ambição gela o coração se é tomada em demasia. Como é que é possível chorar, rir, com um texto, um poema, ou uma canção, se eu tenho vergonha de fazer o mesmo só porque não sou conhecido! Quem é que me leva a sério quando eu estou a falar? Pergunta aquele senhor lá do fundo com uma mão a coçar o bigode e a outra de punho cerrado. Enerva-se facilmente? Pergunto eu, enquanto sorrio para ele com a secreta esperança que se acalme. Ora essa amigo, companheiro, não é preciso começar com disparates, só perguntei por perguntar! E perguntar não ofende não é verdade? É sempre a mesma coisa, nunca se consegue assumir o que se diz, diz-se por dizer e gosta-se de gostar do que alguém também disse gostar. Os gestos nunca falham, são mecânicos, demonstram tudo o que vai na alma. Como se isso fosse preciso... Lá só reina pânico. Companheiro não! Amigo muito menos. Conheci um gajo que dizia que para se ser amigo era preciso muitos anos! Grande burro que o gajo era, ou é, já não sei, já não convivo com ele há muito tempo. Aprendi muito sobre estupidez com ele, embora só acredite nos ismos, em todos eles, haja quantos houver. O dadaísmo é o meu preferido. Dá dá um ísmo, nunca o retira! Seja lá o que isso for. O meu objectivo para o dia estava traçado. Não havia nada melhor para lutar por. Tinha que conseguir despachar-me a tempo de conseguir ir buscar as botas antes que o sapateiro, que nobres profissões dantes existiam, fechasse. Tenho objectivos claros e definidos. Onde é que estão os ideais das restantes pessoas? Ou será que não têm? Ou será que não sabem o que isso é? Também, com tanta opinião que anda para aí, qualquer dia até um gajo que queria um ideal pode ser um presidente de um clube de Futebol. E qual é que seria o mal? Se esse fosse para ele o ideal. Viva o egoísmo. Gosto de todos os ismos, de todos. Não me dês moral, dá-me um ideal, um irreal social, popular...avançado...desde que não seja o Nuno Ribeiro...Diz que está a ficar velho.

terça-feira, 3 de março de 2009

They're off to find the hero of the day...

- Não faço a mínima ideia por que é que as pessoas querem tanto ser felizes! A felicidade não é minimamente interessante...

- Não digas isso pá! Dá Deus nozes a quem não tem dentes é o que é...

- A sério! Se assim não é, diz-me lá por que é que todos os filmes, livros, novelas, etc, acabam precisamente quando entra o momento da felicidade?

segunda-feira, 2 de março de 2009

Complexos #2

Não consigo deixar de sentir uma certa admiração por aquelas pessoas que entram e enfrentam uma sala de pessoas que não conhecem logo com um cumprimento a alto e bom som, seguindo logo para um assunto qualquer com uma pessoa escolhida, aparentemente, mas que no fim quase sempre se revela totalmente propositado, ao acaso! Hoje, enquanto aguardava numa sala de espera, entrou um homem, alto, forte, careca, cara redonda, que disse, mal entrou na sala, BOAS. Sentou-se numa cadeira, mesmo ao lado de uma senhora que estava a fazer má cara, e disse, novamente a bom-tom, DESCULPE LÁ. A seguir, num tom menor, mas ainda assim numa tonalidade suficiente para toda a sala poder ouvir, explicou que o pedido de desculpa se devia ao facto de ter pisado uma bosta mesmo antes de ter entrado ali. Como sabia que já estava atrasado, e com medo que o chamassem e não estivesse presente, entrou sabendo que tinha acabado de pisar uma bosta! Surpreendentemente, a mulher que estava a fazer a cara feia sorriu, soltando logo a seguir uma gargalhada! Se eu acho que já é preciso alguma coragem para entrar numa sala cheia de desconhecidos e começar logo a falar, o facto do assunto escolhido ser uma pisadela numa bosta torna logo a coisa ainda mais impressionante! No entanto, por que razão teria a mulher uma cara feia quando o homem se aproximou dela com o intuito de ali se sentar? Terá sido do cheiro que emanava, ou terá sido o desconforto instintivo que se sente sempre que nos apercebemos que a pessoa que costuma entrar na sala de espera quando nós estamos lá dentro e desata a falar com alguém ao calhas, está a falar connosco? Será que o homem viu a cara feia da mulher e sentiu-se na obrigação de contar o que se tinha passado para se poder justificar, ou será que apenas contou tal episódio por achar ser essa a forma ideal de quebrar o gelo desconfortante de uma sala de espera cheia de pessoas em silêncio? Ou terá sido por outra razão qualquer? O curioso é que a mulher, que no segundo antes delineava um esgar, no segundo a seguir soltava uma gargalhada! Curioso também, é a conversa que usualmente se gera a seguir! Num minuto está tudo em silêncio, no minuto a seguir, por causa de uma coisa prosaica, normalmente são coisas prosaicas que despoletam as maiores reacções, outro facto igualmente curioso, pessoas desconhecidas falam, sem complexos, umas com as outras! É aqui que tudo o que parece ter sido até então por acaso, parece agora ter afinal um propósito! Do meu lado esquerdo, duas mulheres, sentadas ao lado uma da outra, que até ali tinham estado a folhear uma revista, queixavam-se da falta de educação do homem! À minha frente, dois homens, um de pé, o outro sentado, riam-se e começavam a contar histórias de episódios semelhantes que se tinham passado com eles! Do meu lado direito, uma senhora, já de idade, tentava fazer-se notar aos homens à minha frente, rindo o mais alto que conseguia, sempre com esperança que não lhe desse um ataque de tosse! Quase que parecia que era assim que toda a gente se devia ter sentado quando entrou na sala ao acaso! Ao lado dos homens, a mulher que soltou uma gargalhada, conversava agora com o homem sobre a forma que ela tem de limpar os sapatos de camurça sempre que o mesmo lhe acontece...

domingo, 1 de março de 2009

The not knowing is easy #2

- Não me agrada nada esta coisa agora dos UHF estarem a fazer uma ópera para o Benfica.

- Porquê?

- Porque uma ópera é, usualmente, uma tragédia cantada!