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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Efectivamente

- O Reininho costumava irritar-me quando dava entrevistas, até eu ter percebido que sou como ele, agora acho-o genial!

- És como ele como?

- Nunca ninguém entende nada do que estou a dizer também.

- O quê?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Banda Sonora

Do que é que estás à espera para começar a correr? Sempre pensaste melhor com os pés fora do chão! Vá, agora, anda, tu és capaz! Descarga, descarga! O QUÊ? O QUÊ? Quem é que se está a afastar quando um anda e o outro se mantém no mesmo lugar? Por que carga de água? QUEM? QUEM? O que é que te incomoda? Nada! Nem mesmo no oceano, quando está calmo, ou no lagoa? É GrandE o campo que me circunda, quase do tamanho da palma da minha mão! Então? Quando? Em que altura, concretamente, é que deixaste de ficar contente? De que altura, precisamente, precisava para conseguir lá chegar? Descarga, descarga! O QUÊ? O QUÊ? Ontem, deixei cair o piano, agora só consigo falar aos BERROS! Lembro-me, quase sempre, do que nunca aconteceu antes, quando o céu ocupava o lugar do mar e o mar o lugar do céu! A noite não existia e chovia durante o dia inteiro! Gostava mesmo de ter pintado três quadros só com palavras esdrúxulas em tons de cinzento e pastel, depois de ter comido a nata toda com uma colher pequena de café, sentado ao balcão do mesmo, enquanto a empregada substituía as mãos por ferros de engomar e os olhos por aspersores para que as mesas ficassem prontas para o jantar! QUEM? QUEM? Dar-te-ia a loucura, que tu andas à procura! De são e de louco, todos temos um pouco, menos a filha do Sr. Pires! Chá? Café? Ou laranjada? Se me tivesse sido dada a oportunidade, desperdiçava-a, para poder continuar a ter algo por sofrer por! O QUÊ? O QUÊ? Gosto de sair sozinho quando não está mais ninguém na rua. É deprimente sair sozinho quando as pessoas estão todas na rua, o que até podia fazer sentido, não fosse ele único! Descarga, descarga! Durante quatro meses e cento e vinte e dois dias esperei por sessenta e um dias e dois meses, no final só tinha passado 1 ano d3sde que me tinha posto à espera! O tempo passa inevitavelmente mais depressa quando é escrito em algarismos! Corre! Corre agora como nunca correste antes! Corre!

And it starts...
sometime around midnight
or at least that's when
you lose yourself
for a minute or two

As you stand...
under the barlights
and the band plays some song
about forgetting yourself for a while
and the piano's this melancholy soundcheck
to her smile
And that white dress she's wearing
you haven't seen her
for a while

But you know...
that she's watching
She's laughing, she's turning
she's holding her tonic like a crux
The room suddenly spinning
she walks up and asks how you are
so you can smell her perfume
you can see her lying naked in your arms

And so there's a change...
in your emotions
and all of these memories come rushing
like feral waves to your mind
of the curl of your bodies
like two perfect circles entwined
and you feel hopeless, and homelss
and lost in the haze
of the wine

And she leaves...
with someone you don't know
but she makes sure you saw her
she looks right at you and bolts
As she walks out the door
your blood boiling
your stomach in ropes
and when your friends say what is it
you look like you've seen a ghost

And you walk...
under the streetlights
and you're too drunk to notice
that everyone is staring at you
and you so care what you look like
the world is falling
around you

You just have to see her
You just have to see her
You just have to see her
You just have to see her
You just have to see her

and you know that she'll break you
in two

Airborne Toxic Event - Sometime around midnight

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Lady with the spinning head

Lembro-me perfeitamente do dia em que percebi tudo. Do momento exacto em que se fez luz na minha cabeça e em que tudo começou a fazer sentido! Recordo-me daquela sensação de alívio, e ao mesmo tempo irritante, de finalmente perceber o quão errado estava até aquele preciso momento em que tudo se iluminou. Como é que é possível não ter visto isto antes? É a pergunta que se indaga mais vezes depois do obvio ter sido alcançado! É incrível como de repente a coisa se transforma em óbvio! Completamente evidente! Até ao dia em que se percebe perfeitamente tudo, novamente... Lembro-me perfeitamente do dia em que percebi tudo. Foi ontem, à noite, mesmo antes de me deitar... Outra vez.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Complexos #1

Eu sabia, eu sabia! Eu sabia que devia ter comprado aquele aparelho para cortar os pelos do nariz! É caro como o caraças, mas olha-me para este nariz! Consigo ver, assim à vista desarmada, pelo menos 3 pelos a sair fora das narinas! Mas quem é que me mandou a mim subir?! Quem?! Também, o que é que eu podia ter feito?! Primeiro convida-me para irmos jantar! Depois vamos sair e pergunta-se se eu a posso trazer a casa para poder beber e não conduzir! Eu digo tudo bem e lá fomos nós. Chegamos aqui, diz-me que tem fome e convida-me para subir para fazermos uma ceia! Ainda faço figura de otário e digo-lhe que não tenho fome e tal, que não vale a pena subir. Responde-me a dizer que suba na mesma, que mesmo que não coma nada, sempre posso beber um café ou outra coisa qualquer e sempre lhe faço companhia enquanto come alguma coisa antes de se deitar! Chego aqui, qual é a primeira coisa que faço? Vir para a casa de banho ver como é que estou! És mesmo parvo! Achas mesmo que ela te convidou por causa do teu corpo? Olha para ti! És gordo, quase careca, tens meia dúzia de cabelos grisalhos na cabeça, essa cara de parvo e um emprego onde não recebes por aí além! Se ela te convidou para entrares em casa dela achas mesmo que é porquê? Porque ela te curte, e porque curte a tua companhia! Não achas isso obvio? Então o que é que estás a fazer aqui dentro da casa de banho dela desde que entraste? Ela vai pensar que tu és um anormal. Ou então que estás com um ataque de diarreia! O que, diga-se de passagem, não é nada bom de se pensar e muito menos é sexy! Sexy?! Tu não és sexy convence-te disso. Olha lá para este ponto negro bem aqui no meio da testa! Ponto negro! OK. Vou só tirar este ponto negro da testa e depois saio daqui e vou ter uma conversa normal com ela! Ela pode mesmo só ter sido simpática e ter-me convidado para entrar por eu a ter trazido a casa! Ela sabe que é um desvio para mim ter vindo aqui e como forma de agradecimento ofereceu-me qualquer coisa para comer ou beber antes de ir para casa! Nada mais normal...Raio do ponto negro que não sai nem por mais uma…Porra…Agora fiz tanta força na testa que para além de estar toda vermelha, ainda me arranhei a sério! Olha! Estou a deitar sangue e tudo! Bem me queria ter parecido que devia ter cortado as unhas hoje de manhã! Ao tempo que penso que se roesse as unhas era uma pessoa muito menos stressada! Agora estou neste lindo estado! Como é que eu vou sair daqui com a testa e a cara assim?! Ela há-de ter por aqui um bocado de álcool e algodão...Que coisa mais desagradável agora andar aqui a bisbilhotar os armários dela, mas eu preciso mesmo de álcool e algodão...Bom, álcool já aqui tenho agora algodão não encontro em lado nenhum. Vou por um bocado de álcool num pedaço de papel higiénico e passar na testa. Porra! Entrou-me um bocado de álcool para o olho. Isto arde bue! Não vejo nada. Tenho de por água na cara. Onde é que está a torneira?…PATCCCHHHHHHHHUUUUUMMMMMMM…Porra! O que é que caiu…AAAAAAAAAAAAAAAA merda, espetei um vidro no sapato! Cortei o pé de certeza... Deixa lá ver o que é que eu parti? Ah! Foi a jarra que estava ali em cima do lavatório! Nem sei onde é que foi parar a rosa que estava na jarra! A minha testa está cheia de sangue! Deixa-me ver como é que está o pé. Está cheio de sangue também...Olha, está ali a rosa! Deixa-me ao menos apanhar a rosa...Porra, agora deixei pegadas de sangue espalhadas pela casa de banho toda! O que é que eu vou fazer agora? O que é que eu vou dizer? Estúpido, estúpido, estúpido…

- Estás bem aí dentro? Que barulho foi esse? Estás bem?...

- Sim, está tudo bem! Fui eu que sem querer bati aqui numa jarra e por acidente caiu! Não te preocupes que eu apanho os cacos e depois compro-te outra! Olha, já agora, onde é que tens o algodão?

- Está ali na sala! Ontem estive a tirar o verniz das unhas e deixei-o na sala. Mas porquê? Já te cortaste com os cacos? Abre a porta. Não te preocupes com os cacos que eu depois apanho. Diz-me só é que não partiste aquela jarra pequena que está em cima do lavatorio. Essa é a jarra que era da minha bisavó e eu não ia suportar perder essa jarra. Tem um valor sentimental muito grande para mim... Abre lá a porta, anda lá, estás aí há imenso tempo...

- NÃO! Não te preocupes com nada. Está tudo bem. A rosa está bem também e eu já a apanhei! Só queria o algodão para o embeber em água e pôr lá a rosa, para ela não morrer já. Eu saio já! Olha, afinal sempre tenho um bocadito de fome. Enquanto eu acabo de apanhar aqui os cacos, podes fazer-me uma omeleta? Eu saio já já…

O bom o mau e o púcaro

Diz que a noite dos Oscares ferveu ontem!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

You were good in your time

- Gostas de mim?

- Claro! Gosto de ti como um beto com o cabelo cheio de gel, vestido com uma sweat-shirt mustang cinzento claro e uma camisa branca soviet com letras amarelas nas costas, curte dançar com os braços curvados enquanto canta a letra, que não sabe, da música Fly away do Lenny Kravitz...

- Mas... Como é isso possível? A soviet já não existe!

- Exacto.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Pensar muito faz mal

Eu tenho a certeza absoluta que estou absolutamente certo do que penso e sinto. Estou tão certo, tão certo, que não há nada, mas mesmo nada, que me faça acreditar noutra coisa. É uma certeza que cresce diariamente dentro de mim! A cada minuto que passa fico cada vez mais certo. Sempre que a minha consciência tenta alvitrar outras hipóteses, ou tenta ver a coisa de outro angulo, não há hipótese, a certeza de que eu já estava certo antes de pensar em tudo novamente continua a reinar. Eu estou certo e tenho a certeza absoluta de que eu estou certo. Nada nem ninguém me irá fazer mudar de ideias. Afinal, quantas vezes se fica tão seguro de algo? Eu pelo menos nunca tinha tido tanta certeza!
E é uma sensação boa ter tanta certeza e segurança de que se está obviamente certo do que se faz. Parece até que quem nos olha pode logo sentir a certeza com que nós estamos!
Ahhhh, nada como uma boa certeza para se ter definitivamente a certeza de que fazemos bem em pensar que estamos certos. É errado pensar que não estamos certos. Porque é que não havia de estar certo o que eu tenho a certeza de que está certo? Desde que eu tenha a certeza...Eu tenho a certeza de que é certo pensar que estou certo. E desta vez, desta vez, eu sei, tenho a certeza até, que estou certo. Em suma, estou certo que estou certo em pensar que estou certo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Carnaval de Torres Vedras: MP proíbe sátira ao «Magalhães»

"O Ministério Público (MP) enviou um fax à Câmara Municipal de Torres Vedras proibindo a inclusão de uma sátira ao computador portátil «Magalhães», disse o presidente da autarquia, Carlos Miguel, em declarações à Antena 1." In Diario Digital

FODA-SE! É só o que me apraz dizer...Aposto que ainda hoje, ou amanhã, vão desmentir tal coisa. Na volta até dizem que se tratou de uma partida de Carnaval. E como é Carnaval, ninguém leva a mal...

Um grande VIVA para a carneirada mole que a democracia, cada vez mais, proporciona.

Amor não é:

- Insistir, insistir, insistir, até que finalmente a coisa possa resultar...Isso é tesão só.

- Talvez...Ainda que tanto no amor como no sentir apenas tesão, não se aplique nunca o ditado: "Pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita."

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

The not knowing is easy #1

- Achas que existe alguém no mundo que toda gente, mas mesmo toda a gente, goste dessa pessoa?

- Não! Isso é impossível. Com a diversidade de gostos e feitios que existem, isso é completamente impossível.

- Então e achas que existe alguém no mundo que tenha conseguido nunca ter magoado ninguém?

- Não! Isso é impossível. Com a diversidade de gostos e feitios que existem, isso é completamente impossível.

- Porra! Pareces um papagaio sempre a repetir a mesma coisa exactamente com as mesmas palavras!

- Sabes que quando as pessoas estão certas e seguras das acções que cometem, e dizem sinceramente aquilo que pensam e sentem, sem qualquer medo das consequências que todas as acções inevitavelmente têm, incluindo o facto de haver quem não vá gostar, ou fique até magoado, essa pessoa nada tem a temer, pois age de consciência tranquila. Claro que se tal acontece, é porque com a diversidade de gostos e feitios que existem, é completamente impossível agradar, ou conseguir não magoar, a todas as pessoas do mundo. E ainda te digo mais, se por absurdo houvesse uma pessoa que conseguisse tal feito, garantidamente essa pessoa não gostaria de si, e muito menos se conheceria a si mesma sequer. Agindo da forma que te disse, mais cedo ou mais tarde, uma coisa que é perfeitamente possível alguém alcançar, é o respeito de todas as pessoas do mundo. Independentemente de gostarem de ti ou não.

- Eu não sei porque é que continuo a perder o meu tempo a falar contigo! Sinceramente! Bem dizia o outro ontem que pode perfeitamente haver vida alienígena escondida no Planeta Terra sob formas ainda desconhecidas! Confessa lá. Onde é que deixaste a nave?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Amor é:

- Quando no início da relação não se ouve nada nem ninguém a não ser a pessoa que não sai da cabeça nem do corpo...

- Então e quando isso não acontece?

- Ah, então é só casmurrice, ou capricho...

Terra pode abrigar vida «alienígena», segundo cientista

Grande descoberta! Não é preciso ser cientista para saber que andam por aí uma catrefada de E.T's!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Querem transformar-nos em algo que não queremos

Em pleno seculo XXI, e trinta e quatro anos depois da revolução dos cravos e do dia da liberdade (Somos livres hoje em dia portanto!), fui hoje "afastado" do projecto onde trabalhava há dois anos, porque um dos administradores da empresa onde exercicia funções não gosta da forma como me visto!

Continuando a parafrasear os Peste & Sida; está na tua mão, mudar a situação, está nas nossas mãos, dizer que não, que não...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

The not knowing is easy

- As pessoas mais genuínas com elas mesmo, e as mais socialmente correctas, são sem dúvida nenhuma as que metem cocaína.

- Que estupidez de se dizer! Então porquê?

- Porque são as únicas que nunca, em circunstância nenhuma, pisam o risco.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Tormlog

Pousei o garfo no prato, ainda com resquícios de molho de tomate já coalhado pelo frio, já não sei bem se da lata de conservas de cannelloni ou da lata da feijoada que por acaso tinha encontrado debaixo da cama num dia em que dela caí enquanto dormia, e, porque me apeteceu mesmo, fiz pontaria para acertar com a faca dentro do lava-louças sem ter que me levantar. PTCHHHHHH! Nem sequer me recordei que o lava-louças tinha louça lá dentro! Provavelmente do dia anterior, ou dia anterior ao anterior, já não me lembro. A julgar pelo barulho que fez, acertei com o inox da faca em cheio num prato, ou num copo, mas nem sequer me dei ao trabalho de me levantar para ver o que tinha partido. Desisti da ideia de lançar as restantes coisas para o lava-louças e recostei-me no sofá. Acendi a TV e pus-me a fazer zapping, sem perceber o que estava a dar em cada canal, enquanto fumava um resto de um cigarro que por sorte encontrei no cinzeiro evitando assim ter de me levantar para procurar o maço de tabaco que já não sabia bem onde o tinha colocado. Se calhar já não tenho tabaco, pensei enquanto terminava a ponta amarrotada e a comprimia contra uma catrefada de pontas de cigarros e ganzas que impediam que se conseguisse distinguir de que material é o cinzeiro feito. Tenho de passar a usar as latas de cerveja como cinzeiro, pensei antes de adormecer com a tv acesa num canal qualquer e os dedos enodoados de fuligem. Acordei, não sei bem a que horas, com a cara cheia de saliva ressequida e as costas feitas num oito, e com a claridade do dia prestar a cegar-me. Dirigi-me para a casa de banho, e depois de ter aberto a torneira até ao fim sem que uma só gota tivesse caído, fiquei na dúvida se não havia água ou se me tinha esquecido, outra vez, de pagar a conta. Olhei para as horas no pc, como costumo fazer por hábito, e descobri que afinal estava ligado, provavelmente há meses! Enquanto me baixava para procurar o sapato esquerdo debaixo do sofá e da mesa, indaguei-me no que é teria acontecido para ter ficado com a sensação que o pc estava avariado e que o tinha de mandar arranjar. Disse para mim mesmo que a esta hora já não tenho tempo para saber se paguei a conta da água ou não, e saí de casa para o trabalho, sem me importar com o facto de não ter a certeza se tinha desligado o esquentador. Um dia destes tenho de atinar, pensei enquanto voltava a casa para tentar achar as chaves do carro que afinal não estavam no bolso. Parei à porta do prédio, antes de abrir a porta da rua, e decidi ir de transportes, uma vez que já não sabia muito bem onde é que tinha estacionado o carro no dia anterior e naquela altura já não tinha tempo para andar à procura nem das chaves nem do carro. Soube-me bem o ar fresco a bater na cara, à medida que subia a rua e procurava na carteira o cartão para levantar dinheiro e o som da sirene dos bombeiros assinalava o meio-dia...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Banda Sonora

Se eu ainda me lembro do mestre dos disfarces, como nós lhe chamávamos, perguntou-me ontem o Alfredo com a cara verdadeiramente nostálgica depois de termos rido a bandeiras despregadas quando eu lhe disse, com o ar mais sério do mundo, que a boss não me incomoda nem um bocadinho. O mestre dos disfarces era gajo para ter dito isso e ter acreditado que nós acreditávamos mesmo no que ele dizia, embora todos conseguissem perceber logo pela cara que fazia que só ele é que acreditava piamente que nos estava a conseguir enganar quando dizia ou fazia aquele tipo de coisa! Era um gajo do caraças, disso não há duvida absolutamente nenhuma. Pronto, tinha lá o seu feitio, como toda a gente, mas era porreiro e principalmente divertido, mormente quando se conseguia enquadrar e divertir no ambiente e com as pessoas com quem estava. Só para dar um exemplo e poderem ficar com uma pequena noção de como ele era, ainda me lembro do gajo andar de carro para todo o lado, era um preguiçoso de primeira apanha e fazia tudo para não fazer qualquer tipo de esforço, até para o café ao pé de casa dele ia de carro! Um dia, fomos todos almoçar com uma moça que tinha começado a trabalhar connosco naquele dia, que por consequência ainda não sabia como ele era, e depois do almoço ela resolveu ir a pé até ao trabalho. Estávamos nós já a começar a rir a pensar no que o mestre iria dizer quando ele se saiu com esta, "Vamos todos a pé. Até faz bem andar a pé!". Depois, impávido e sereno, como se todos os que estavam com ele não soubessem que aquilo era uma granda tanga que ele estava a dar à gaja, seguiu a pé o seu caminho a conversar com ela, convencido que nós estávamos todos convictos que ele agora gostava de andar a pé! Claro que logo nessa noite, para testar a coisa, perguntei-lhe se íamos a pé, ao que ele respondeu, "Agora não me dá muito jeito!" e nem sequer valia a pena dizer que ao almoço coiso e tal e não sei mais o quê, arranjava sempre uma desculpa qualquer ou então até dizia que sim que era verdade mas que agora não podia, e pronto, lá fazia o mesmo de sempre. E era assim em tudo o que fazia ou dizia. Pensava sempre que estava certo ou que tinha razão, no entanto era incapaz de afrontar alguém com isso, preferia antes moldar-se ao momento e pensar que nos convencia que nos estava a ouvir concordando com tudo. Só ele é que não percebia que apenas se estava a enganar a ele próprio...Claro que dizer-lhe que ele não estava a agir bem, ou que devia ter cuidado com isto ou com aquilo, entrava a 100 e saia a 1000. Ele não ouvia nada, como bom mestre dos disfarces que era, concordava com tudo e continuava na mesma a fazer o que sempre fazia. Só quando alguém lhe dizia algo de acordo com a ideia dele é que ele de facto concordava também. Ele esquecia-se é que quando as pessoas percebiam de como ele efectivamente era, todas viam que não valia a pena dizer-lhe nada. Às tantas, como seria de esperar, granjeou a alcunha de mestre dos disfarces e mais ninguém achou que devia dizer-lhe o que quer que fosse. Tenho cá para mim que só ele é que pensou que o fim que teve não era previsível! Bom, ao menos conseguiu enganar-se a si mesmo até ao fim. É até capaz de ter sido a única coisa em que foi coerente durante a sua vida toda...

1, 2, 1, 2, 3...
Know a man, his face seems pulled and tense
Like hes riding on a motorbike in the strongest winds
So I approach with tact, suggest that he should relax
But hes always moving much too fast
Said hell see me on the flipside
On this trip hes taken for a ride
Hes been taking too much on ...
There he goes with his perfectly unkept clothes
There he goes...

Hes yet to come back, but I see his picture
Doesnt look the same up on the rack
We go way back

I wonder about his insides
Its like his thoughts are too big for his size
Hes been taken, where, I dont know?
Off he goes with his perfectly unkept clothes
And there he goes...

And now I rub my eyes, for he has returned!
Seems my preconceptions are what should have been burned
For he still smiles, and hes still strong
Nothings changed, but the surrounding bullshit
That has grown

And now hes home, and were laughing like we always did
My same old, same old friend
Until a quarter-to-ten

I saw the strain creep in
He seemed distracted and I know just what is gonna happen next
Before his first step, hes off again

Pear Jam - Off he goes

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Oh don't ask why...

Debaixo das estrelas, que não são mais do que meros postes de luz, fito o céu, convencido que estou mesmo a fazer isso...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Liberdade a fazer cócegas, ou a história a repetir-se outra vez?

Ontem, quando ia para casa, estavam a espreitar por detrás de um muro à beira da estrada um miúdo e uma miúda que deviam ter à volta de dez anos cada um. Como só reparei que eles estavam ali no momento em que estava a passar por eles, só consegui ver a mão do miúdo a acenar para o carro numa espécie de adeus, sem ter percebido muito bem se ele tinha acenado para que eu parasse o carro ou não. Apesar de ter continuado, abrandei a velocidade e olhei pelo espelho retrovisor para ver se o rapaz continuava a acenar ou não. Foi então que vi os dois a rirem alegremente por causa do acto ousado que ele tinha acabado de fazer. A pequena rapariga ria e olhava para ele com aquele ar de admiração que as pessoas fazem quando se deparam com algo extraordinário
Nos 40, 50 metros seguintes, enquanto ainda se conseguia ver os miúdos pelo espelho, vi-me também com dez anos a fazer exactamente o mesmo! A mesma satisfação, a mesma adrenalina que causava dizer adeus a um carro desconhecido, o mesmo ar de espanto que quem estava comigo fazia!
Fui para casa a pensar se será isto a Liberdade a fazer-nos cócegas (li esta expressão num livro uma vez), ou será a história a repetir-se novamente?