• FIM
  • R.I.P

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Revolution, dope, guns, fucking in the streets

O Trambalazana pavoneia-se e dá ordens ao acaso, para mostrar trabalho, a quem quer que já tenha conseguido atemorizar. Passa o dia a morder uma caneta, ou as unhas que já não tem, e fuma cigarros sozinho, na esperança que um dia alguém lhe diga bom dia com sinceridade. Desconhece por completo que não leva um murro no focinho de quem quer que passe por ele, única e exclusivamente porque é digno de pena.
O caixa de óculos mija 10 vezes por dia para evitar estar o dia todo sentado de frente para a parede. Anda como se andasse sempre a jogar futebol e diz piadas extremamente engraçadas sobre assuntos que mais ninguém percebe. Aprecia bastante enfiar-se dentro do gabinete do chefe mor, quando o mesmo não está lá (nunca está) e passa mais de metade do dia a fingir que está a falar ao telefone com alguém importante. Desconhece por completo que não leva um murro no focinho de quem quer que passe por ele, única e exclusivamente porque não se bate em ninguém com óculos.
O gorduroso passa o dia a dizer mal de tudo e a jorrar perdigotos para o sítio que está virado julgando mesmo que isso tem bastante piada. Desconhece por completo que não leva um murro no focinho de quem quer que passe por ele, única e exclusivamente porque ninguém quer ficar com a mão cheia de gordura.
O atarracado do bigode queimado pelo tabaco, entra sempre a correr como se o mundo fosse acabar no instante a seguir e grita em vez de falar. De duas em duas palavras diz Merda, ou Caralho, para que todo o andar oiça o quanto é mau. É tão fácil, grunhe ele dentro do elevador, enquanto explica a sua táctica a alguém que julga muito inferior. Desconhece por completo que não leva um murro no focinho de quem quer que passe por ele, única e exclusivamente porque um dia uma bigorna, vinda do 16º andar, lhe há-de cair em cheio nos tomates.
O mutante, para além do ser que vive na sua testa, fala como se estivesse sempre a fazer um relato de futebol sendo totalmente imperceptivel tudo o que diz. Desconhece por completo que não leva um murro no focinho de quem quer que passe por ele, única e exclusivamente porque ninguém sabe que existe (apesar de todos conhecerem o ser que habita na sua testa!).
O chefe intermédio passa o dia com os olhos esbugalhados e a boca aberta a andar de um lado para o outro. Tudo aquilo que acha ter sido feito com competência diz que foi ele que fez. Em todas as vezes que vê o atarracado a entrar, mete o rabo entre as pernas e risse, para não chorar, com medo que o irmão o despeça. Desconhece por completo que não leva um murro no focinho de quem quer que passe por ele, única e exclusivamente porque a mulher se encarrega dessa tarefa todos os dias.

1 comentário:

joaninha versus escaravelho disse...

Achas que a condição humana está assim tão mal?
Não se aproveita ninguém nesse piso?
Eu sou pessimista mas não tanto assim. Por exemplo, acho que no "meu piso ainda há alguém com alguma dignidade: eu! :D