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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Get behind the mule

- Absolutamente!

- Absolutamente? É isso que tens para dizer? O que raio é que queres dizer com isso?

- Então!...Quer dizer que concordo em absoluto contigo! Concordo com o que estás a dizer!...

- Concordas com tudo? Não tens absolutamente nada contra? Ou a favor? Não tens nada a acrescentar ao que te disse, mesmo concordando com tudo?

- Não. Concordo absolutamente com tudo o que disseste.

- Outra vez o absolutamente! Mas tu agora concordas absolutamente com tudo o que te digo?

- Não. Só concordo absolutamente com o que disseste há pouco. Com o que disseste agora não concordo.

- Mas tu não vês que não podes responder assim? Tu não vês que não te podes limitar a dizer que concordas ou que não concordas! Tu não fazes a mínima ideia do que é uma conversa pois não?

- Faço! Por acaso até faço. E tu, fazes ideia do que é uma conversa?

- Sim. Eu é obvio que faço! Se tu sabes também, devias então saber que para a existência de uma conversa, para que uma conversa possa ter continuidade, tens que fomentar a conversa. Tens que acrescentar algo ao que acabas de ouvir. Tens que responder, tens que concordar ou não concordar, e tens que fundamentar a posição que tomas. Quando queres dizer bem ou mal, ou dizer que concordas ou que não concordas, tens que acrescentar algo à conversa. A base de uma conversa é acrescentares algo a essa conversa, não te podes limitar a dizer que concordas absolutamente, ou que não concordas, e pronto! Como é que queres que eu possa continuar uma conversa com as tuas respostas?

- Ora essa! Mas por que é que uma conversa tem de ter várias perguntas e respostas? Para mim uma conversa, mas uma conversa a sério, é feita de pequenas, pequeninas, e médias conversas. Ao fim de algumas destas conversas, no mínimo 4, aí sim, teremos uma verdadeira conversa. Claro que se eu não concordar com o que me estão a dizer, terei de dizer alguma coisa para justificar isso, agora neste caso concreto eu concordo com tudo o que dizes. Nada tenho a acrescentar a isso, pronto, está feita uma pequena conversa, podemos de imediato passar para outra pequena, media, conversa. Obviamente que se eu tivesse apenas acenado com a cabeça, afirmativamente, aí não estaríamos na presença de uma pequena conversa, mas sim de um monólogo, dado que tu não terias obtido qualquer som da minha parte, mas se eu tivesse acenado negativamente com a cabeça, teriam de ser aplicadas as mesmas regras que são aplicadas quando se discorda verbalmente, ou com som, se preferires. Agora isso que me estás a dizer, é quase a mesma coisa que me dizeres que eu por deixar crescer a unha do meu dedo mindinho, só o faço com o único intuito de poder coçar a orelha com a unha! E isso, como deves facilmente calcular, é completamente ridículo, não é esse o único propósito quando se deixa crescer a unha do dedo mindinho.

- Isso é a comparação mais estúpida que já ouvi até hoje e não sei onde é que consegues aplicar essa comparação nesta conversa! O que raio é que queres dizer com isso?! E por que é que estás a deixar crescer a unha do dedo mindinho?

- Não sei porque é que é uma comparação estúpida! Tu estás a querer impingir-me a tua ideia de conversa, e eu, que tenho outra ideia sobre o que é uma conversa, expliquei-te exactamente isso, terminei essa explicação estabelecendo a comparação que tu denominaste como estúpida, mas que para mim, é uma comparação em que está subjacente a ideia que te acabei de transmitir. Estou a deixar crescer a unha para provar exactamente o que te disse, que nem toda a gente deixa crescer a unha com o intuito de coçar a orelha!

- Mais uma parvoíce! Isso não prova nada! Que outro motivo tens então para fazer isso? É obvio que qualquer pessoa vai pensar que é para coçar a orelha, por muito limpa e imaculada que consigas ter a unha, que, digo-te já, duvido muito que o consigas...

- Isso é que era bom! Está aqui à tua frente, podes ver que está perfeitamente limpa e imaculada! Alem disso, posso sempre dizer que é para tocar guitarra! Embora eu não saiba tocar, ninguém precisa de saber isso, basta que apresente outro motivo, que isso basta para desmistificar o mito de deixar crescer a unha unicamente com o objectivo de poder coçar o ouvido.

- Deixas crescer só a unha do mindinho para tocar guitarra? É só para os solos não? Por que é que é tão importante para ti desmistificar isso?... …Estás a ouvir? O que é que estás a fazer?

- Estou a fixar o olhar no empregado.

- Para quê?

- Então tu não sabes que se ficares o teu olhar em alguém, mais cedo ou mais tarde essa pessoa vai olhar para ti? Tu sem saberes sentes-te observado e instintivamente olhas para o sítio de onde vem o olhar.

- Tu e as tuas grandes teorias! E por que raio é que queres que o empregado olhe para ti?

- Quero pedir um chá! Por que é que fazes sempre as perguntas usando sempre a palavra raio?

- Nunca compreendi isso! Uma pessoa diz uma coisa, duas, três vezes, e fica logo rotulado como sendo para sempre, ou fazendo sempre a mesma coisa? Porquê?

- Eu pessoalmente não penso assim. Só que é um facto que tu hoje já disseste raio, e depois a pergunta, três vezes!

- Olha, está aí outra coisa que me faz confusão! “Eu pessoalmente”! O que raio é que isso quer dizer? Se és tu que pensas, não será pessoal?

- Vês? ... ...

3 comentários:

Em Bicos de Pés disse...

E isto é uma conversa entre um homem e uma mulher, dois homens ou duas mulheres? (se bem que a história da unha a crescer no dedo mindinho...)

AP disse...

Eu imaginei a conversa entre dois homens, mas pode ser qualquer hipótese :)

joaninha versus escaravelho disse...

Eu li como se fosse um homem e uma mulher.
Mas olha lá andas a assistir aos meus seminários de Feminismo e Linguística?
Estivemos a discutir o que é uma conversa.
Ahahahah foi das cenas mais giras que presenciei. A professora separou os homens das mulheres e saiu da sala, mas ficou à porta a ouvir. :D
Nem conto mais porque até senti vergonha do que vi e ouvi... :/