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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Low light

Queria fazer um poema
Um que abordasse determinado tema
Que se tornasse depois num emblema
Para uma geração qualquer
Queria fazer uma obra-prima
Sob a batuta da rima
Que fosse apreciada com estima
Por qualquer homem ou mulher
Podia tentar um soneto
Embora não saiba em concreto
O que soneto quer dizer
Ou podia escrever uma quadra
Daquelas com estilo popular
Que contam a vida de uma ladra
Ou que falam de bordas de alguidar
Mas tenho a sensação
Não sei porquê, mas dá-me a impressão
Que escrever sobre uma qualquer razão
É algo que não se consegue forçar
Acho que é uma daquelas cenas
Desde o tempo em que escreviam com penas
Que só se sabe se são grandes ou pequenas
Depois de por elas se passar
Só então nesse momento
Se atinge o necessário alento
Para concretizar o intento
De se conseguir expressar
Tudo aquilo que se sentiu
Se foi bom, mau, sorte ou azar
Se nos preencheu ou deixou um vazio
Se nos levantou ou fez derrear
Então e o que sinto eu neste momento?
Que impulso é este, que tormento
Me faz querer agora escrever
O mais belo verso, o melhor poema,
Aquele que um dia qualquer ser
O considere um emblema?
Não sei, talvez seja só uma fase
Mas pelo sim pelo não
Decido aqui, agora, e nunca em vão
Dar início à obra-prima, com a seguinte frase:
Catarina, tu sim, tu és a Garina

6 comentários:

Helena disse...

Hoje, li um diálogo brilhante sobre como meter conversa com alguém que de alguma forma nos tira do sério. Cheguei à conclusão de que nestas situações é indiferente ser homem ou mulher. O que há são pessoas, mais ou menos tímidas. O que é que se faz quando dois tímidos de juntam? Ou melhor, o que é que se faz quando dois tímidos, que por sinal reagem da mesma forma ao mesmo tipo de situação, não sabem como avançar, mas conseguem sentir um arrepio só de imaginar o que poderia acontecer se... O que é que se faz quando o outro tímido está tão perto que é impossível não sentir o calor da pele na nossa própria pele... O que é que se faz quando se quer dizer quero-te e o coração bate tão forte que não se consegue articular palavra... O que é que se faz quando o outro tímido é tímido connosco mas não é com outra... Sorri-se e morre-se um bocadinho por dentro, porque é isso que os tímidos fazem

AP disse...

Dá-me a sensação de que se está a confundir timidez com resignação, até porque tu dizes "O que é que se faz quando o outro tímido é tímido connosco mas não é com outra". A timidez pode talvez dificultar as coisas, mas não pode, nem deve, nunca sobrepor-se à vontade :)

Helena disse...

Resignação nunca. Em nada. Com ninguém. Quanto muito receio da reacção do outro. Felizmente ou infelizmente, há vontades que se sentem uma vez em anos e a falta de hábito, dessa vivência, desse saber fazer, do medo do "não", do "desculpa, mas estás a confundir as coisas", faz com que seja difícil sobrepor a timidez à vontade.

AP disse...

Mas esse "medo" só vai fazer com que se alimentem esperanças ou ilusões que podem depois nem estar de acordo com a realidade quando de facto se conhece a pessoa. Se à partida nada existe, a não ser uma ilusão, vale mais ficar a saber se não passa disso mesmo ou não. Morrer um bocadinho por dentro sem justificação plausivel para isso é que penso não fazer grande sentido :)

Helena disse...

Queres explicar-me como é que se vive a vida sem esperanças ou ilusões, ainda que possam não corresponder depois exactamente à realidade? Sem fazer um filme, frame a frame, apenas com pequenas variações do “onde”, sendo que o “porquê” é sempre o mesmo e sabe sempre muito bem, mesmo que ainda não tenha sido posto em prática? No meu mundo há espaço para isso e muito mais. E sim, morro um bocadinho por dentro porque é isso que fazemos todos os dias, e a maior parte das vezes por muito menos… Agora, mudando de registo, e só para que saibas, esta cena de estar o dia todo a escrever sobre temas concretos e depois vir para aqui divagar não é fácil :) Mas é bom…

Helena disse...

Estou de saída. Logo à noite se quiseres há mais... :)