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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Footsteps

- Porra! Não consigo sair daqui. É melhor apagar tudo e começar de novo, já não se consegue sair disto pá! O que é que achas?

- Tu és maluco?! Achas mesmo que agora nesta altura se deve apagar tudo e começar tudo de novo? Diz-me lá como é que consegues fazer isso se a maneira que tens de pensar é exactamente a mesma? O que tu vais conseguir com isso é perder tempo tão-somente! Vais demorar mais não sei quantos dias a chegar ao ponto em que estamos agora e depois vais chegar ao mesmo impasse! Acho muito melhor irmos dormir, deixar passar um dia ou dois e depois voltar a tentar novamente, mas sem apagar nada. Apagar tudo agora e começar tudo de novo não faz sentido nenhum!

- Não concordo contigo. No ponto em que estamos, a forma de raciocinar, de seguir passo a passo a coisa, já não difere Já não consegues ter o discernimento suficiente para conseguir ver outra forma de avançar. Já não consegues sair daqui porque já estás tão habituado a ver as coisas desta forma que mesmo que passe um dia ou dois, como tu sugeres, quando aqui chegarmos novamente vais de imediato começar a pensar no ponto em que ficaste. Ao passo que se começares tudo de novo, começas a pensar em tudo novamente, mas como um todo, não como uma situação em concreto. Provavelmente até consegues evitar este impasse agora, já pensaste nisso?! Provavelmente até consegues fazer a coisa melhor do que fizeste a primeira vez!

- Mas explica-me então, como é que sendo tu e eu os mesmos, a forma de pensar irá ser diferente se começarmos tudo de novo?! É óbvio para mim, que iremos inevitavelmente ver as coisas da mesma forma e por consequência construir tudo, não digo igualzinho, mas sob uma forma de pensar e de ver as coisas que inevitavelmente tenderá para a situação em que nos encontramos agora! Nada mudou nesse aspecto não achas?... ….

- Sim, nada mudou, tens razão, mas tu tens de pensar novamente na melhor forma de fazer a coisa novamente, não achas que isso por si só, te permite alterar uma coisa ou outra que possas não ter visto da primeira vez?

- Sim, até posso concordar em parte com isso. Mas por essa ordem de ideias, começávamos uma coisa nova todos os dias. Dessa forma, à milésima vez que o fizéssemos, tínhamos de certeza obtido a perfeição! Só que como deves concordar, a coisa não pode ser assim. Temos de começar de uma vez por todas e depois assumir e remendar aquilo que foste fazendo de errado, não podes é começar tudo de novo só porque chegaste a um impasse! Se chegaste a um impasse e não te consegues livrar dele, tens de pensar até conseguir faze-lo, não podes desistir e começar tudo de novo!

- Diz-me lá então o que é que é melhor? Perder um tempo infinito a resolver esse impasse, quem sabe até, perder todo o tempo e nunca conseguir sair daí, ou perder menos tempo em começar tudo de novo? Mesmo correndo o risco de chegar novamente ao impasse que despoletou o reinicio?!

- Isso agora depende da forma e do afinco com que te empenhas em resolver isso não é?

- Não, não é! Não me parece que nós não tenhamos tido empenho e afinco em resolver isto e no entanto não conseguimos… …

- Não conseguimos porque tu já estás numa de começar tudo de novo. Já estás numa de desistir e por isso já não te empenhas como devias em resolver esta situação em concreto! Se queres que te diga, isso até, indirectamente é certo, me está a influenciar negativamente… …

- Claro, como tu não consegues ver uma solução também, é obvio que a culpa é minha! Primeiro porque quero desistir, depois porque como quero desistir, te impeço a ti de veres uma solução! Sim senhor, isso é que é ver as coisas com clarividência!

- Bom já estás a desconversar, o melhor é cada um seguir o seu caminho, tu começas tudo de novo se quiseres e eu fico aqui a tentar resolver isto. Pronto não se fala mais nisto. Depois digo-te alguma coisa. Até logo

- Sim, é muito melhor uma cabeça a pensar isoladamente, do que duas em conjunto. Pelo menos sozinho consegues ficar sempre com a razão do teu lado. Não te esqueças é que isto é um trabalho conjunto e temos menos de uma semana para o entregar. Até logo.

6 comentários:

Helena disse...

Depois de muito reflectir e analisar, que é uma das coisas que me dá mais gozo, a par do silêncio, e ainda acerca do texto abaixo deste, acho que podias ter começado a história de amor com "O Desejo é muito maior que a timidez". Não há amor sem antes ter havido desejo, embora possa haver desejo sem haver ainda amor. No entanto, o desejo, a par do amor, não desaparece com a mais pequena contrariedade, senão não é uma coisa nem outra. E neste caso quer-me parecer que uma é de certeza e pode vir a ser outra :)

Helena disse...

Deviam juntar-se e concluir o que já começaram... Não me parece lógico desistir, até porque aparentemente o trabalho chegou a um ponto sem retorno. Agora o único caminho a seguir é em frente, sem paragens, nem de um nem de dois dias, para o poderem entregar, perfeito, sem mácula, no final da semana...

joaninha versus escaravelho disse...

Nunca gostei de trabalhos de grupo. :/
Acho que disse tudo...

AP disse...

:) Lá diz a canção um é pouco, dois é bom, três é demais...

Mas isto é tudo metafórico :)

joaninha versus escaravelho disse...

Tudo, tudo, tudinho???? :D
Não há por aqui nada de real???

AP disse...

Esporadicamente há alguma realidade, mas é mesmo muito esporádico :)