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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Complexos #17

“Terá o meu coração aquela que comigo partilhar o silêncio sem o achar minimamente, incomodo...”

Pfffff…Que raio de mariquice! Achas mesmo que isto é forma de iniciar o que quer que seja? O que é que isto quer dizer afinal? Bom, isto é suposto ser uma cena romântica, e eu acho que é romântico começar assim, logo com uma confissão!...Quer dizer, romântico!... Não é assim lá muito romântico começar uma coisa com a frase – Terá o meu coração…Isso provavelmente soa mais a egoísmo! E eu?! Não é suposto eu querer o coração dela? Será só ela, ou uma outra gaja qualquer, que vão querer disputar o meu coração? Sim, porque dito assim, até parece que terá de haver uma contenda para ver quem conseguirá alcançar, ou conquistar, o meu coração. Por que é que o meu coração é que é digno de ser conquistado e não terei que ser eu a conquistar um? Ainda por cima, com esta frase, revelo logo o segredo para me conquistarem o coração! Quer dizer, basta mandar uma tanga qualquer, dizerem que gostam muito do meu silêncio e tal, e pronto, está o meu coração conquistado! Francamente! Nem para mim sou bom! Vou começar outra vez…

"Dois corações unidos pelo silêncio, que nunca será minimamente incómodo, quando estão juntos..."

- Simmmmmmmmm, muito melhor agora! Agora parece uma sinopse de um filme adaptado de um romance daquele gajo…qualquer qualquer coisa Sparks ou lá o que é! O gajo escreve sempre grandes tragédias!... Bom! Visto agora à segunda, a palavra minimamente, não é minimamente romântica! Quem é que usa a palavra minimamente numa frase romântica? Não me digas que para começar uma cena romântica isso é o melhor que consegues fazer? Não acredito!...

“Nada os consegue incomodar no meio do silêncio. Para eles no meio do silêncio, apenas um olhar cúmplice existe...”

...Naaaaa! Agora é que estou a reparar na paranóia que tenho com o silêncio! Não pode ser nada com silêncio, ou minimamente, ou incómodo! Sim, o incómodo é que está incomodar isto tudo! Eu mato-me às vezes! Fiz agora uma piada linda com a palavra incómodo e não tenho aqui ninguém comigo para a partilhar! Devia escrever a piada! Depois esqueço-me da piada e eu gostava mesmo de a contar à Vanda! Ela curte à brava cenas e trocadilhos com palavras! Ri-se sempre das minhas piadas! Claro que é uma pressão do caraças ter que pensar em piadas novas todos os dias! Às vezes tenho que me esconder quando ela vai a passar! Não tenho nada engraçado para dizer e tenho medo que ela pense que eu sou parvo! Tenho de passar a andar com uma daquelas cenas, como é que se chama, um livro de apontamentos…não um bloco de notas, assim é que é, um bloco de notas, para apontar estas coisas! Hei-de escrever tantas coisas que a Vanda há-de ficar farta de mim de tanto rir! Quer dizer, farta de rir só. De mim espero que não se farte. Não estou para estar a gastar dinheiro em blocos de notas e ter um trabalho do caraças em escrever piadas para depois ela se fartar de mim!... …Bom, mas eu estou a afastar-me do objectivo. O objectivo é escrever uma coisa romântica agora. E que tal se eu começasse assim:

“O amor é muito maior que a timidez...”

Sim! Agora sim! Que bonita frase para começar a coisa romântica mais espectacular que alguém já escreveu!… …

3 comentários:

joaninha versus escaravelho disse...

Na minha humilde opinião, o post antes deste é muito mais romântico. Até lhe devias ter chamado "Declaração". :)

Helena disse...

Muito romântico, sim. Talvez das coisas mais românticas que já li, tendo em conta que não aprecio romances nestes moldes. Recorda-me um livro que me ofereceram numa altura complicada da vida, pensando que me faria bem. Depois do primeiro capítulo, achei que era mais fácil recompor-me rapidamente e dizer à pessoa que o livro tinha sido perfeito para o momento. Não tive coragem de lhe dizer que não aprecio histórias de amor perfeitas. Que isso é utópico. Aborrecido até. Como boa caranguejo que sou, muni-me da minha melhor carapaça e pus um sorriso de orelha a orelha. Não há nada como ficar calada, pôr a capita à volta e seguir em frente... Aliás, é engraçado referires o silêncio, porque de facto é uma das coisas boas que a vida tem. Seja sozinho ou acompanhado. Contigo não sei, mas quem não respeita o meu silêncio também não me compreende e assim, de facto, não vale a pena

Helena disse...

Gosto de ouvir uma música que reflicta o meu estado de espírito vezes e vezes sem conta, até um dia nunca mais a poder ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=0WmeZus8GTg

Não te aborreço mais :)