• FIM
  • R.I.P

terça-feira, 19 de novembro de 2013

A vida é fundida

A dor, vivida, revivida, e sentida,
Originada pelas acções por ti mantidas,
Rapidamente se converterá em palavras,
Que depois de exaustivamente escritas, repetidas, e pensadas,
Depressa se transformará num minúsculo ponto no éter perdido,
Onde eternamente permanecerá esquecido.
O big bang de sensações de perda terríveis,
Originado por tal dor vilmente oferecida,
Outrora impensáveis, impalpáveis, e inverosímeis,
Brevemente expandir-se-á até que se funda na multidão,
Resumindo-se posteriormente a uma mera combustão
Num infindável universo conhecido,
Tendo, por ventura, ou por piada, um dia sido,
O centro do universo de um mero mortal
Que agora já jaz, igualmente fundido

sábado, 16 de novembro de 2013

Make it not an evil mark

Se todas as pessoas, por tudo e por nada, em todo o lado, a todo o momento, estão a tirar fotos, quem é que depois as vê?

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Heartless

As notícias de corpos, há meses sem vida, encontrados em casa, tem vindo a aumentar à medida que o número de series tipo C.S.I, a passar na televisão, tem aumentado!

Harbour lights

O Edgar, desde moço que tem o sonho de ser maquinista de comboios!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Jogos físicos e psicológicos

- Hummm...sabes, estive a pensar, e há muito tempo que não damos nomes a partes do nosso corpo...

- Eu não gosto quando fazemos isso...

- Oh! Gostas sim, eu sei que gostas...

- Está bem. Mas tem de se pensar muito e não me apetece pensar hoje.

- Eu gosto quando tu pensas muito...Gosto de olhar para ti e ver as tuas veias latejar, como se quisessem rasgar a pele e irrigar o corpo todo...Além disso eu tenho andado a pensar nuns nomes...

- Pronto está bem. Começa tu então.

- A minha mão, o que chamarias à minha mão?

-...errr... ...não sei, só me ocorre caridosa, não sei...

- Gosto de caridosa. Assim podes pedir-me uma caridosa sempre que precisares que eu trate de ti...e o meu pescoço? Que nome dás ao meu pescoço?

- Err..Lóbulo. Assim podia beijar-te o lóbulo e acariciar-te a orelha ao mesmo tempo...

- Hummmm...está melhor já. E eu chamava aos teus lábios aquecedor...não desumidificador. Não, humidificador é o que queria ter dito. Não! Aqueles cremes humidificadores. Hidratantes, eu queria dizer hidratantes, para tratares de mim. Não, esquece. És tu a dizer os nomes hoje... E ao meu sexo? O que chamarias ao meu sexo...

- Feminino! Muito feminino...

- Oh, vá lá...diz lá um nome giro...eu estou a gostar muito disto...

- Foice.

- Foice?!

- Sim, foice. Nós somos de esquerda, o meu é o martelo, o teu é a foice...

- Hmmmmm. Gosto muito...mas sabes, para o teu eu tinha pensado em pérnico e para o meu podias dar o nome de Cesto...

- De vime?

- SIM! És tão esperto. ANDA cá...

- Não, espera, pérnico? O que raio é pérnico?

- Então! Não é óbvio? Dá-me Copérnico...Duh...

- Isso não faz sentido nenhum, pérnico não existe! Copérnico podia ser, sei lá, o teu rabo... Vez por que é que eu não gosto desta cena dos nomes...

- Gostas sim, eu sei que gostas...ANDA cá...

- Não. Espera. Achas que faz sentido alguém me perguntar "ainda estás aí?" ao telefone, depois de saber que eu ia num comboio em movimento? É que apesar de eu estar sentado, eu estava em movimento, como tal estás aí para mim não faz sentido, percebes?

- Chega de palavras...e de pensar...eu sou Tróia e tu és um cavalo hoje...

- Não, se tu fores Tróia, eu sou península.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A racionalização do falo quando tudo se cala

Algures lá pelo bairro alto
À porta de um bar qualquer
Uma sombra no basalto
A chegada de uma mulher

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

Ergui languidamente a cabeça
Para ver quem se aproximava
Uma mulher coberta com uma peça
Que com o luar acobreava

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

Trazia doçura nos olhos
Lascívia no andar
Essência de entrefolhos
Vernáculo no linguajar

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

As mãos dançavam pelo corpo
À medida que se deslocava
Deu um trago no meu copo absorto
Para ver se se refrescava

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

Continuou então a dançar
Enquanto o corpo falava comigo
Sem para mais ninguém olhar
Nem mesmo para o seu umbigo

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

Com um subtil movimento
Rapidamente compreendi
Aquilo que o corpo me dizia
Afinal não era para mim

Não sei sequer o nome dela
Sei que não responde p’la graça Manuela

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Happiness is easy

- ...A sério! Aposto que fez de propósito...Agora a propósito de falar em propósito, ou nem de propósito (barrigada de riso)! Não sei a que propósito disse isto agora...Mas...Ah! Já me lembro, foi a propósito disso que...

- Foda-se! Já te calavas. Não?

quarta-feira, 20 de março de 2013

Lover's eyes

Gostava de escrever uma ode
Daquelas que não é qualquer um que pode
Daquelas românticas e solitárias
Com muitas estrofes, e semânticas, e figuras de estilo otárias
Daquelas que não significam nada
Mas que resumem quase tudo
Que até pudessem dar uma chapada
Mesmo que não fosse Entrudo
Uma ode para quando chove
Outra ode para quando fosse Verão
Uma ode para quem já não se move
E uma outra para quem quer encontrar a razão
Uma ode à escolha do freguês
Seja ele pobre, classe média, ou até mesmo burguês
Uma ode em todas as línguas
Que terminasse com todas as mínguas
Que acreditasse que mesmo sem lua
Fosse possível viver lá com a cabeça
Mesmo que já nada estremeça
Mesmo que depois esmoreça, se esqueça...e por fim se desvaneça

sábado, 9 de março de 2013

Banda Sonora

É Sábado de manhã. Chove copiosamente na rua. Ao mesmo tempo, um homem que dormia ergue abruptamente o tronco, sobressaltado, olhando de imediato para a esquerda.
Está escuro aqui. É Sábado! Hoje ela não tem que ir embora, eu também não tenho que me ir embora, não há pressa nenhuma hoje!
Vou abrir os estores...Não. Vou só abrir uma greta, ela não gosta de muita claridade e ainda está a dormir tão bem...Gosto tanto de a ver dormir...Um dia tenho de lhe dizer o quanto gosto de a ver dormir...Vou acorda-la para fazermos amor. Também tenho um dia de lhe dizer o quanto gosto de fazer amor com ela de manhã, de sentir as costas quentes e a pela morena dela contra o meu peito, de ver as veias das mãos dela a latejar agarradas ao rendilhado da madeira da cabeceira da cama enquanto geme muito baixinho...Vou acorda-la...Não. Vou lavar os dentes primeiro...Não. Vou fazer o pequeno-almoço para lhe fazer uma surpresa. Vou preparar-lhe tostas com queijo creme, salmão fumado e morangos, e um sumo de laranja...Não. Faço antes aqueles folhados com queijo de cabra e doce de abóbora de que ela gosta tanto...Não. Vou fazer torradas, ela gosta muito de torradas de manhã...Depois podemos ir almoçar aquele restaurante onde o Pai dela costumava ir quando tinha almoços de negócios...Não. Hoje temos tempo, podemos ir à Ericeira, ou a Setúbal, ou ao Alentejo, sim, aquele restaurante de que gostamos à brava, e a seguir vamos ver o mar...Ela está sempre a dizer que eu nunca decido nada, mas fui eu que lhe dei a conhecer os restaurantes que gostamos tanto de ir...Também...o que é que interessa quem é que decide o quê, eu quero é estar com ela...Vou acorda-la...Não. Vou fazer o pequeno-almoço...

- MÃE! MÃAAAAAAAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEEEEEEEE! ANDA CÁ DEPRESSA...AQUELE HOMEM VELHO E PORCO QUE VIVE NA RUA INVADIU OUTRA VEZ A NOSSA CASA E ESTÁ TODO MOLHADO NO MEU QUARTO A BRINCAR COM A MINHA CASINHA DE BONECAS...MÃE! MÃAAAAAAAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEEEEEEEE! DEPRESSA...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Whispers in the dark

Hoje estive a ver nascer o dia a partir da janela de casa. É diferente do bairro onde vivia, este onde vivo agora, mas, não sei porquê, dá-me a impressão que a aurora, numa cidade, sempre enfeitada com gigantes candeeiros irradiando luz pálida, acaba por ser quase sempre igual onde quer que se esteja. As réstias de escuridão do dia que se aproxima, são, invariavelmente, lentamente, inundadas primeiro por um carro que passa, depois outro... Acaba por ter graça a sensação que se tem de que até os carros e os aviões parece que passam com o volume dos seus motores ajustados ao sossego propício da noite, aumentando devagar o som da sua fugaz passagem à medida que o dia começa. Entre o tempo que decorre ante o silêncio ensurdecedor das pedras e fendas dos edifícios opulentamente erguidos em todo o redor, às ténues sombras, que no meio do breu suscitam sempre a imaginação a descobrir e adivinhar o que serão tais formas desenhadas na parede, para rapidamente se transformarem em pequenos e ridículos grafites pintalgados aleatoriamente, corroídos pela erosão, e edificados sabe-se lá com que estado de espírito, reparo que passa primeiro uma mulher de casaco verde, logo a seguir um homem de casaco da cor do dia que agora, subitamente e sem que tenha dado por isso, já reluz cinzento. Ainda é Inverno.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Banda sonora

- Eh pá...Essa não é fácil...Hummm...deixa cá ver...Diz-me lá outra vez o que é que ela lhe disse ao fim de quatro anos e tal de eles estarem juntos?

- Só contei comigo sempre, qual é o problema?

- Hummm, e o desafio agora é arranjar uma música para o gajo lhe dizer a ela, através da música, que ela está completamente errada em tudo...Ok, já sei, aquela daqueles putos Ingleses, a little lion man...

- Oh! Essa não dá, ele diz sempre "my man" qualquer coisa, não pode ser, tem que que ser uma música em que ele fale com ela...

- Por que não? Se ele diz "my man" qualquer coisa, é perfeito. Apesar de eles já não se falarem, é como se ela, agora sozinha, de repente, a falar com ela mesmo, se apercebesse do que tinha feito...Mas sim, o "my man" fica sempre mal... Ou então por que é que não terminas a história dizendo que ao fim de quatro anos e tal ele descobriu que afinal ela nunca existiu e que ele apenas teve uma relação com o ar que andava a respirar?... Yá, granda história meu! Não, não uses o que eu te acabei de dizer, deixa, usa antes o teu final...Acabei de ter uma visão! Uma alta história que vou escrever com um final assim...E aplica-se a a little lion man e tudo!... Às vezes tenho mesmo a certeza que sou um génio...

- Nem sei por que é que insisto em pedir-te alguma opinião ou conselho...

Mumford & sons - Little lion man



Weep for yourself, my man,
You'll never be what is in your heart
Weep Little Lion Man,
You're not as brave as you were at the start
Rate yourself and rake yourself,
Take all the courage you have left
Wasted on fixing all the problems
That you made in your own head

But it was not your fault but mine
And it was your heart on the line
I really fucked it up this time
Didn't I, my dear?
Didn't I, my...

Tremble for yourself, my man,
You know that you have seen this all before
Tremble Little Lion Man,
You'll never settle any of your scores
Your grace is wasted in your face,
Your boldness stands alone among the wreck
Now learn from your mother or else spend your days Biting your own neck

sábado, 16 de fevereiro de 2013

There must be an angel

Ontem vi um concerto em que ao mesmo tempo que uma mulher francesa tocava acordeão sentada, um homem, de pé, tocava harmonica. À medida que o som invadia a sala, se fechassemos os olhos, era tal e qual o Stevie Wonder.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Running to stand still

Desde que comecei a trabalhar o dia todo sentado em frente a um computador passei a ter electricidade estatica.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Bananaz

Num mundo que se rege sob a égide passivo/activo, por que é que a cena activa se chama ficha e a cena passiva não se chama nona ao invés de tomada?

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Sticks

A Ana Paquin não está nada mal. Já o Quim Albergaria a Ana mesmo que ela não fosse pa ele.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Vaporcito

Expiro sempre, quando termino um prazo.

Cannibal dinner

Ontem, o xôr Marcelo disse que não tem importância nenhuma as manifestações e as críticas espontâneas que o povo gerou devido à "licenciatura" do xôr grass! Para o xôr Marcelo, o mau mesmo são as críticas internas do partido. Isso sim, é que deixa mossa a valer! Acho sempre piada à democracia e ao valor que as pessoas que se dedicaram ao ramo da política dão aos interesses da população, que os elegeu para supostamente defenderem esses mesmos interesses, quando não se está em época de sufrágios...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Spigue day

Li hoje no der spiegel que não há espiga se a Grécia sair do euro. Por mim tudo bem, como Portugal até se qualificou, estou por Portugal. E se Portugal for eliminado, estou pela Holanda.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Por quem não esqueci

Hoje de manhã, no autocarro, enquanto se aguardava que o semáforo ficasse verde, para cumprir os cerca de cem metros que faltavam para chegar à paragem, um casal de velhotes decidiu aproveitar o facto de o autocarro estar parado para se levantarem dos seus lugares e chegarem perto da porta de saída. Não consegui ver o que ele fez, vi apenas que ela vinha a bramar com ele, rematando o seu desatino com a frase: “...que raio de vicio que tu tens, ainda hás-de largar esse vicio...” Acho sempre extraordinária esta capacidade que algumas pessoas têm de conseguir ter a esperança, de genuinamente acreditar que as pessoas mudam, mesmo, neste caso, tendo passado uma vida juntos. Não sei se é bom ou mau e provavelmente também nunca irei saber, mas eu sou uma dessas pessoas.

Sete mares

Não faço ideia do que é que ela faz, mas desconfio que deva ser meteorologista, a julgar pela quantidade de vezes que diz mete-o...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Extractos do diário de um conformista

Há poucas semanas, a propósito de eu andar mesmo muito fodido da vida com tudo, numa conversa circunstancial de esplanada, enquanto falava com umas pessoas amigas, foi-me dito que as pessoas ficam assim nesse estado, ou só ficam assim, apenas porque há coisas que não se conseguem controlar, mas que para os seres humanos, que por acaso até se consideram inteligentes, acaba por não fazer sentido nenhum não conseguir controlar a coisa, já que achamos sempre que conseguimos e devemos sempre ter tudo sob controlo! Dessa forma, e ainda na mesma conversa, disseram-me que quando alguém sente, pressente, que já não se está a conseguir ter o controlo da coisa, que as pessoas ficam, quase automaticamente, instintivamente, fodidas da vida e disparatam com tudo, pagando, normalmente, as favas quem não tem nada a ver com isso. Deram-me até o exemplo daquelas pessoas que desatinam num café, ou numa papelaria, com as pessoas que estão atrás do balcão de uma forma despropositada e exagerada, porque no fundo estão apenas ali a descarregar aquela raiva acumulada que sentem por causa de outra coisa qualquer completamente diferente. Se isto faz algum sentido, ou não, francamente não sei. No entanto, hoje de manhã quando cheguei ao trabalho, estava o gajo que se senta mesmo ao lado da secretaria onde me sento todos os dias a trautear uma música. Para ser justo, uma vez que ele entra mais cedo do que eu, eu sei que sempre que chego que ele está a trautear uma musica qualquer, usualmente uma musica velha, e hoje, por acaso, trauteava a musica: “I love you baby....ta na na ni na na I love you baby...ta na na ni na n...” Ouvir aquele balbuciar da música assim que cheguei, transportou-me de imediato para aquele momento, estávamos ainda nós no início, em que ela me cantou, meio envergonhada, mas com entusiasmo e, pensava eu, genuína alegria, a mesma música. Do que me recordo particularmente desse momento, é da ênfase que ela dava às palavras LOVE YOU BABY, e simultaneamente a cara marota em conjunto com o olhar de lado e disfarçado para mim enquanto cantava, a fim de constatar que eu compreendia a mensagem altamente subliminar que me estava a ser transmitida. Lembro-me de ter ficado feliz com todo aquele momento, principalmente porque ela nitidamente me queria dizer aquilo, e de uma forma atabalhoada lá me foi dizendo, mal nós nos encontrámos naquele dia, que tinha passado o dia inteiro com aquela música na cabeça sem saber muito bem porquê. Fui abruptamente assolado novamente por todas as dúvidas que tenho, e por toda a incompreensão que sinto, em relação à forma como tudo sempre decorreu e à forma como tudo acabou repentinamente, sem que tenha havido em algum momento qualquer justificação, ou coerência, com que era dito, aparentemente com o coração, e depois feito sem qualquer coração. Para piorar as coisas, a meio da manhã, ao procurar numa pasta de e-mails antigos uma mensagem de trabalho que necessitava rever, deparei-me com o um e-mail que ela me tinha enviado há três meses em que dizia que eu era a pessoa mais gira do Universo! Escrito de uma forma tal, que só conseguia ver a cara dela a escrever com o mesmo entusiasmo e sorriso maroto com que me tinha cantado a música. Fui abruptamente assolado novamente por todas as dúvidas que tenho, e por toda a incompreensão que sinto, em relação à forma como tudo sempre decorreu e à forma como tudo acabou repentinamente, sem que tenha havido em algum momento qualquer justificação, ou coerência, com que era dito, aparentemente com o coração, e depois feito sem qualquer coração. Chegada a hora de almoço, felizmente, aproveitei, depois de deglutido o repasto, para ir comprar senhas para o autocarro. (Concluí que sai mais barato, com os percursos mensais que faço e com o que ando a pé, comprar senhas em vez de passe!) Penso que foi a terceira vez que ali fui, mas, não sei porquê, assim que entrei aborreceu-me profundamente ter de me dirigir a três pessoas dentro de uma pequena papelaria, em que duas estavam apenas a olhar para quem passava, e me ter sido dito que apenas a pessoa que estava a atender um cliente é que me poderia carregar as senhas no cartão! Desatinei! Bastante! Até sair dali e me ter apercebido que tinha disparatado, exageradamente, com pessoas que não tinham culpa nenhuma da manhã que tinha tido. Fui abruptamente assolado novamente por todas as dúvidas que tenho, e por toda a incompreensão que sinto, em relação à forma como tudo sempre decorreu e à forma como tudo acabou repentinamente, sem que tenha havido em algum momento qualquer justificação, ou coerência, com que era dito, aparentemente com o coração, e depois feito sem qualquer coração, mas concluí que não tenho de ter o controlo de tudo, preciso apenas que as coisas façam sentido. Até agora nada ainda fez... ...

sexta-feira, 23 de março de 2012

Estado de A.L.M.A II

O ---- quer-se destemido
O ---- é faca na liga
O ---- não pode ser encolhido
O ---- não é questionar o que queres que te diga
O ---- não tem sim
O ---- não tem não
O ---- é a inocente decisão
O ---- não tem pés nem cabeça, mas apenas coração
O ---- não tem pénis nem vagina, é puramente tesão
O ---- não faz sentido, é somente compreensão
O ---- não usa vestido, muito menos calção
O ---- é nu, tal como nos fez vir ao mundo
O ---- és tu, tal como eu soube passado unicamente um segundo
depois de te ver...

terça-feira, 20 de março de 2012

Banda Sonora

Oito da manhã. O despertador toca e ele acorda. Ao contrário dos outros dias, assim que o despertador tocou, levantou-se de imediato. Premiu o botão para parar o som que provinha do altifalante do aparelho de despertar, e ficou em pé, parado, no meio da sala somente iluminada pelos fracos raios de luz que conseguem perpassar pelo pequeno vidro pintado de amarelo, colocado acima das cerradas persianas, já no topo das duas grandes janelas. Não sentiu nada enquanto ali esteve parado. Nem um pensamento, uma sensação, sono, exaltação pelo começar de um novo dia, nada, absolutamente nada, somente um vazio no olhar preenchia o espaço.
Completou os habituais afazeres matinais de forma mecânica, e preparou-se para sair de casa, apalpando os bolsos do casaco a fim de se certificar que tinha tudo o que precisava. Mesmo antes de rodar a chave para abrir a porta, subitamente o silêncio que se fazia sentir em casa, desde que se tinha levantado, interrompeu-o de forma abrupta. Apercebeu-se então que não tinha ouvido música depois de ter acordado, que não deu sequer conta que tinha ficado pronto para sair, que continuava sem sentir nada, sem sentir uma só emoção, sem pensar em nada, era quase como se apenas existisse de forma automática, onde todas as acções que tem de efectuar são cumpridas de forma rotineira, sabidas de cor. Não ligou qualquer importância a tal constatação e abriu decidido a porta de casa.
Já na rua, nem o Sol nem a aragem fria que corria tiveram qualquer efeito em si. Enquanto caminhava pela calçada de basalto acima, não reparou que passou pelo cão que todos os dias vagueia por ali aquela hora à procura de algo para morder, situação que lhe causa usualmente uma certa apreensão. Seguiu simplesmente em frente, ignorando também, mais à frente, aquela velhota de muletas que igualmente todos os dias carrega dois sacos com extrema dificuldade, ao mesmo tempo que tenta descer a pequena ladeira sem escorregar e cair. Seguiu sempre em frente, sem olhar ou ver ninguém, até chegar à rua principal e se fundir no meio dos inúmeros transeuntes que todos os dias, ao início dos mesmos, pululam por ali, e todos os dias, ao fim dos mesmos, como se de magia se tratasse, desaparecem do horizonte à medida que o Sol se desvanece. A meio da manhã, a altercação que ocorre entre os vários colegas de escritório, sempre no dia a seguir a um jogo de futebol, estava a acontecer mesmo em frente à sua secretária num alarido quase insuportável. Sem proferir uma palavra, colocou novamente o olhar no monitor e ali ficou até alguém lhe ter dito que eram horas de almoço. Como de costume, foi almoçar sozinho, sem proferir uma palavra. Passado esse dia, já em casa à noite, a última coisa de que tem memória, ou consciência, é a recordação de ter olhado para o lado durante a tarde, e ouvir alguém bradar num esgar feliz que começava a Primavera nesse dia. Continuando sem sentir absolutamente nada, recorda-se perfeitamente de conjugar essa frase que ouviu com a constatação, perfeitamente normal e banal para si, que apesar de o sangue ainda lhe continuar a correr nas veias, só podia ter morrido! Tinha morrido precisamente no dia em que tudo começa a brotar novamente, tal como é suposto ser em todos os ciclos de vida até que a mesma tenha um fim. Morreu! Pura e simplesmente morreu. Sem sequer se importar com isso, ou até mesmo questionar-se porquê, no dia a seguir, às oito da manhã, depois de o despertador tocar e de ter ficado só, em pé, no meio da sala preenchida apenas pelo olhar vazio, deu por si, de repente, prostrado no meio da rua, entre os inúmeros transeuntes que freneticamente se movimentavam de um lado para o outro, ao mesmo tempo que uma criança corria rua abaixo de sorriso aberto, enquanto outra a incentivava fortemente a saltar para dentro do eléctrico em movimento...



Another turning point, a fork stuck in the road
Time grabs you by the wrist, directs you where to go
So make the best of this test, and don't ask why
It's not a question, but a lesson learned in time

It's something unpredictable, but in the end it's right.
I hope you had the time of your life.

So take the photographs, and still frames in your mind
Hang it on a shelf in good health and good time
Tattoos of memories and dead skin on trial
For what it's worth it was worth all the while

quarta-feira, 14 de março de 2012

Jism

Hoje em dia, com as novas tecnologias, é tão fácil alguém esquecer alguma coisa. Com o botão delete, ali mesmo ao alcance de um pequeno e rápido click, é só premir e pronto, coisa apagada e, por consequência, esquecida. O problema, ou não, dependendo sempre do ponto de vista, é que com as novas tecnologias, tais hábitos encarnam-se e entranham-se tanto no modo de estar, de pensar, ver e dizer as coisas, nas pessoas, que às tantas, as pessoas já possuem um pequeno botão de delete no cérebro ao ponto de conseguirem efectuar, do mesmo exacto modo o apagar instantâneo da coisa. Se isso acaba por ser bom, ou não, não sei, depende sempre do ponto de vista e do que se quer de facto esquecer. No entanto, talvez aquela célebre frase que reza: “É importante não esquecer e relembrar sempre o passado para que não se volte a cometer os mesmos erros”, apesar do sentido que pode fazer, corre o risco de ser esquecida de vez.
Aquilo que, todavia, me continua a fazer confusão no meio disto tudo, é que certas coisas que são apagadas, às vezes sem querer, outras propositadamente, talvez por ignorância, e porque apenas representavam um problema que se queria resolver sem ter que fazer grande coisa ou ter muito trabalho, numa máquina, por muito nova e altamente tecnológica que seja, pode fazer com que deixe de funcionar de vez. Claro que se pode sempre mandar arranjar, gasta-se um dinheiro e tal, e caso o custo do arranjo não se justifique, compra-se uma nova e pronto, problema de novo resolvido. Mesmo assim, penso que qualquer pessoa irá reflectir sempre duas vezes antes de se pôr a apagar coisas assim à maluca. Nas pessoas, não estou a ver como é que a coisa se conseguirá algum dia reparar.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Jogos físicos e psicológicos

- Ora bom dia.

- ... ... Bom dia.

- ... ... ...

- ... ... ...

- Então? E o Barcelona ontem? Hein? Não há quem bata aquela equipa...

- Não vi o jogo, estive antes a ver o jogo do Apoel...

- Ah sim? Boa! Eu de vez em quando mudava para ver o resultado. Deve ter sido granda joga...

- Eu não prestei atenção nenhuma ao jogo. Nem sequer sei quem ganhou. Estava a fazer zapping, e por acaso, quando passei no canal em que o jogo estava a dar, estava a passar imagens do público, e fiquei ali, embasbacado, a tentar perceber o que estavam a dizer. Não sei porquê, achei fascinante o facto de eu estar no meu sofá, sozinho, sem perceber patavina do que aqueles milhares de pessoas vociferavam a plenos pulmões para dentro do campo, enquanto, de certeza, milhões de pessoas que estivessem a ver o jogo, através da TV também, percebiam perfeitamente o que aquelas pessoas estavam a dizer. Enquanto passavam depois as imagens do jogo, divagava em pensamentos. Perdi não sei quanto tempo a tentar, através da leitura dos lábios, perceber se diziam a palavra Apoel. Não percebi uma única vez se disseram ou não, depois aborreci-me com aquilo e mudei de canal...

- Epá! Assim não dá! Não falas sobre o tempo. Não falas sobre futebol, assim não sei sobre o que falar. Sabes perfeitamente que não consigo ir sossegada no elevador...

- Rebenta a bolha! Aborta tudo! Isto não está a resultar nada.

- Então? O que foi?

- Granda joga?! O que é que isso quer dizer? Isto para ti é que é uma situação casual? Achas casual dizer-me que eu sei perfeitamente que não consegues ir sossegada no elevador? E como é que sabes que não falo sobre o tempo se não me conheces?

- Opá! Anda lá, eu nem sei o que é um apoel, pus-me a pensar nisso depois esqueci-me do que tínhamos combinado dizer e improvisei. Casual vês? Falhou só um pormenor...

- Um pormenor que estraga tudo! Deixa, automaticamente, de ser uma coisa casual. Corta a cena toda! Eu disse-te que isto não ia resultar... ...E sempre quero ver como é que vamos depois conseguir sair daqui. Sempre estou para ver...

- Se não fosses maniento, nada disto estaria a suceder. Qual é que é o problema de me possuíres dentro de um elevador? Por que é que tem de ser uma cena casual? Por que é que...

- Eh! Para lá! Antes de mais, não tentes seduzir-me ou excitar-me ao usares a palavra possuíres, só porque sabes que fico doido ouvir-te dizer isso. Depois, tu sabes perfeitamente que nós conversamos sobre isto! Sabes perfeitamente que estas coisas em sítios públicos a mim me afligem bastante. Convenceste-me, não sei bem ainda como, que com uma situação casual e tal e não sei mais o quê, depois beijaste-me a orelha e pronto, aqui estamos nós! E como é que nós vamos sair daqui diz-me lá? Vamos até ao vigésimo e depois? Tens de levar o papel assinado. Eu nem acredito na sorte que tiveste em acertar no nome de alguém que trabalha no vigésimo andar...

- Estás sempre a stressar com tudo! Chegamos lá acima, eu peço a alguém que passe para assinar isto e pronto. Anda lá, possui-me só uma vez, só de pensar nisso fico tão excitada que tenho a certeza que só precisas entrar só uma vez. Anda, só uma vezinha, vá lá...

- E as câmaras do elevador?

- Filmam tudo, e alguém vai bater umas à nossa pala.

- E isso não te incomoda?

- Não.

- Nem um bocadinho?

- Nada.

- Tens a certeza?

- Tenho.

- Pronto. Está bem então. Vamos lá. Chama o elevador...

- Deixa estar. Perdi a vontade agora...

- O QUÊ? Só podes estar a brincar...

- E estava. Queria só ver se eras capaz, mesmo afligindo-te e stressando-te, de fazer isso comigo. Já vi que és. Estou contente e feliz. Anda, agora estou ansiosa que me possuas em casa...

- Só podes estar a brincar...Não vi eu o jogo todo por tua causa...

quarta-feira, 7 de março de 2012

Banda Sonora

Independentemente de seres, ou não, verdadeira contigo mesmo, podes pensar o que quiseres, acreditar no que quiseres, formar as opiniões que quiseres, fundamentadas naquilo que quiseres, ser até aquilo que quiseres ser. Não deixa é nunca de haver, ao mesmo tempo, a realidade, nua e crua, para nos lembrar que a verdade de cada um, mais cedo ou mais tarde, não passa disso mesmo. Seja lá o que isso for...
Ontem a minha Mãe teve um pequeno derrame na cabeça. Apesar de já estar tudo bem, ter, de vez em quando, e de repente, a consciência da mortalidade daqueles que mais amamos, ou mesmo da minha, faz-me sempre questionar a minha verdade, aquilo em que eu acredito, aquilo que eu ando a fazer com a minha vida, o tempo que perco com coisas estúpidas, que só me apercebo que são estúpidas precisamente nestes momentos. Porquê? Para quê? Nada, mas mesmo nada, depende de mim...
Para já, e por enquanto, na minha verdade, as pessoas, de uma maneira geral, não valem mesmo nada. As únicas coisas puras que para mim existem são:

O amor descrito somente nos livros e nos filmes, e o ar puro e fresco de uma manhã de Primavera.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ainda a propósito do aumento dos transportes

Vimeca - Só não transportamos alemães.

The middle

Hoje de manhã, uma senhora à minha frente disse o seguinte:

- Olha, vou agora entrar no elevador e isto vai desligar-se.

Já dentro do elevador continuou:

- Então, e logo? Chegas a que horas? ... ... Olha...desligou-se.

Os humanos continuam, todos os dias, a impressionar-me.